Dilúvio: A Restauração

 


Este é o 7° de uma série de 8 sermões de John MacArthur sobre o Dilúvio (clique aqui e veja os links dos demais).  A teologia de incrédulos no meio da igreja tem posto em dúvida o relato de Gênesis, transformando-o em relato simbólico. Essa falsa teologia tem tentado mitigar a verdade das Escrituras com o uso de falsos argumentos ditos “científicos”,  na tentativa de adaptar os dois grandes cataclismos da Criação e do Dilúvio às concepções infundadas de que o Universo tem bilhões de anos e que Deus teria criado coisas imperfeitas para que se transformassem e evoluíssem. Em oposição à incredulidade, John MacArthur mergulha nos relatos bíblicos e mostra toda a perfeição e exatidão da Palavra de Deus.


A GRANDE MORTE

Temos passado um tempo glorioso no estudo do livro de Gênesis em nosso olhar contínuo sobre as origens.  Vamos olhar para o capítulo 8.  Mas, quero começar esta noite, antes de olharmos para o texto das Escrituras, com um artigo que foi publicado no Los Angeles Times na sexta-feira, 23/02 deste ano [2001]. Vou ler para você alguns trechos desse artigo, porque penso que ele nos mostra esta passagem particular das Escrituras.

O título do artigo é “A Maior Extinção em Massa da Terra“, que diz:

Um Armagedom que destruiu quase toda a vida no planeta, há 250 milhões de anos atrás, pode ter sido desencadeado por uma colisão maciça de meteoros, como aquela que milhões de anos depois ajudou a acabar com o reinado dos dinossauros.  Uma equipe de cientistas relatou na sexta-feira.

Agora, deixe-me apenas lembrá-lo do que li.  O título é “A Maior Extinção em Massa da Terra“, sendo que os cientistas dizem, e as evidências indicam, que em algum momento no passado houve algum tipo de holocausto que destruiu quase toda a vida no planeta.  Eles estimam que há 250 milhões de anos, ocorreu a primeira grande extinção em massa.  E um evento posterior, que exterminou os dinossauros, afirmam os cientistas, ocorreu há cerca de 65 milhões de anos. O artigo continua:

As descobertas que chamam a atenção estão reacendendo um debate de longa data sobre se eventos dramáticos únicos, como um impacto de um asteróide, são os principais responsáveis ​​pela série de mortes catastróficas que afetaram o planeta ou se processos mais lentos, como vulcões descontrolados, mudanças climáticas, mudanças tóxicas na química da água do mar devem assumir a culpa.

O artigo continua, afirmando que essa extinção é chamada de “A Grande Morte”. Os cientistas dizem que essa foi a mãe de todas as extinções.  Praticamente todas as formas de vida, marinha e terrestre, foram eliminadas em um período muito curto de tempo. Esses cientistas assim concluem por causa da evidência massiva de morte nos registros fósseis.  O artigo continua:

A extinção dos dinossauros ocorreu há 65 milhões de anos.  Esse evento é mais conhecido do público do que este outro evento, ocorrido há cerca de 250 milhões de anos atrás, a Grande Morte.  Cientistas acreditam que estaria intimamente ligado a um meteoro.  Porém, nenhum traço revelador da queda de um meteoro dessas proporções jamais foi encontrado para justificar o evento de extinção global.  E a equipe científica dessa pesquisa não tem nenhuma evidência direta de um impacto de um meteoro.

É interessante concluir que isso aconteceu por causa de um acontecimento mediador sem evidências, seja porque não há provas da existência desse meteoro ou de seu impacto, não é mesmo? O artigo continua:

Um grande número de cientistas concorda com a teoria apresentada por Dewey M. McLean, um professor emérito de Geologia do Instituto Politécnico da Virgínia, de que a atividade vulcânica massiva causou a morte das espécies.  Ela fez isso lançando lava, escurecendo o céu com cinzas e alterando severamente o clima, o evento vulcânico mais massivo de todos os tempos.  Uma estimativa sugere que toda a extinção ocorreu há menos de 8.000 anos.  A maioria acredita ter ocorrido há menos de 500.000 anos.

Os cientistas sabem que houve um evento de extinção em massa.  O registro fóssil deixa isso bem claro.  A teoria evolucionária, no entanto, força-os a acreditar que isso aconteceu em dois pontos no tempo: 250 milhões de anos atrás e 65 milhões de anos atrás.  E aí, então, você tem dois desses eventos cataclísmicos que podem ter ocorrido há cerca de 8.000 a meio milhão de anos.

A teoria da evolução coloca o cronograma assim:

  • De 540 a 500 milhões de anos atrás, os trilobitas passaram a existir.
  • De 500 milhões a 438 milhões de anos atrás, as plantas passaram a existir.
  • De 438 a 408 milhões de anos atrás, as plantas com tecido condutor de água surgiram e dominaram a vida.
  • De 408 a 360 milhões de anos atrás, os peixes passaram a existir e dominaram a vida.
  • De 360 ​​milhões para 280 milhões, houve a evolução que resultou nos insetos voadores.
  • De 280 milhões a 248 milhões de anos atrás, os anfíbios passaram a existir.
  • De 248 a 208 milhões de anos atrás, os dinossauros e mamíferos passaram a existir no processo evolutivo.
  • De 208 a 146 milhões de anos atrás, pássaros e flores teriam surgido, através de alguma forma no processo evolutivo.
  • De 146 a 65 milhões de anos atrás, houve o domínio dos dinossauros.
  • E então, de repente, os dinossauros desapareceram da face da Terra, e eles não conseguem explicar por quê.
  • De 65 milhões de anos atrás para 1,8 milhão, houve o domínio dos mamíferos.
  • E de 1,8 milhão de anos até hoje, o domínio do homem.

Mas os cientistas dizem que houve uma extinção massiva de quase toda a vida marinha e terrestre há 250 milhões de anos atrás. Também afirmam ter havido uma extinção massiva de dinossauros há 65 milhões de anos.  E isso está no modelo evolucionário.  Se você vai se agarrar à evolução, então você tem que acreditar que tudo aconteceu em um processo lento de mudança uniforme e mutação, sem intervenção divina cataclísmica.

Porém a evolução, como aprendemos, é ridícula.  Há um novo livro, escrito por um amigo meu, que pregou aqui há alguns anos, John Blanchard, um pregador inglês.  O título do livro é: “Does God Believe in Atheists?” [Deus Acredita nos ateístas?].  É um livro muito interessante.  E John, nesse livro, observa que Roger Penrose, que ajudou a desenvolver teorias sobre buracos negros, estimou em 1 em 100 bilhões à 123ª potência as chances de um big bang produzir, por acidente, um Universo ordenado.  É simplesmente um absurdo a evolução. 

Os teóricos do big bang argumentam”, diz Blanchard, “que o Universo, um segundo após seu suposto início, teve que se expandir a uma taxa rápida o suficiente para manter sob controle a atração gravitacional das galáxias.” 

Stephen Hawking, o famoso matemático, observou “que se a taxa de expansão tivesse sido menor em uma quantidade infinitesimal, o Universo teria entrado em colapso.

E Blanchard tem algumas analogias interessantes sobre a probabilidade de isso acontecer.  Ele disse:

A probabilidade de o Universo ter passado a existir na ordem em que está atualmente seria a probabilidade de atingir um alvo com uma polegada de largura [2,54 cm] do outro lado do Universo observável, ou esperar que a vara de um atleta que pratica salto com vara permaneça de pé, equilibrada  em sua ponta, por séculos. O tamanho da Terra, a distância entre a Terra e o Sol e a velocidade de rotação tinham que estar corretos.  Precisamos do ar, não apenas para respirar, mas para nos proteger de raios cósmicos e meteoritos.  Precisamos de luz, mas não muito ultravioleta.  Calor, mas não muito.  E assim por diante.  E tudo isso está em perfeito equilíbrio.

E Blanchard continua, fazendo a pergunta: “E quanto à origem da vida? ” Uma chance em 1 seguido de quinze zeros. Tal número é considerado pelos cientistas como uma impossibilidade virtual.  Quinze zeros tornam isso numa impossibilidade virtual.  O descobridor do código de DNA, Francis Crick, calculou a possibilidade de uma sequência simples de proteína de 200 aminoácidos, muito mais simples do que uma molécula de DNA, originar-se espontaneamente. O resultado foi um número seguido de 260 zeros.  Não vai acontecer.

Fred Hoyle tinha esta visão sobre as probabilidades em relação à abordagem evolucionista da vida:

Qualquer um que tenha mesmo um conhecimento básico de como operar um cubo mágico vai admitir a quase impossibilidade de que uma pessoa cega possa conseguir unificar as cores em cada lado do cubo, movendo as faces do cubo ao acaso.

Agora, imagine 50 pessoas cegas tentando unificar as cores em cada lado de um cubo mágico. Fred Hoyle escreveu: “Imagine-os, todos de braços dados, todos cegos, todos embaralhando um cubo mágico, chegando, simultaneamente, a unificar todas as faces do cubo. Essa é uma possibilidade absolutamente idiota para se defender.”  E, claro, lembremos da famosa analogia de Fred Hoyle –  “Um Tornado em um Ferro-velho” – em que ele diz que o Universo teve tanta chance de evoluir quanto um tornado em um ferro-velho teria de produzir um Boeing 747 em pleno funcionamento.

Três décadas atrás, Frank Salisbury, da Utah State University, descreveu as probabilidades desta forma:  imagine 100 milhões de trilhões de planetas, cada um com um oceano, com muitos fragmentos de DNA que se reproduzem um milhão de vezes por segundo, com uma mutação ocorrendo a cada vez.  Em quatro bilhões de anos, ainda seriam necessários trilhões de universos para produzir um único gene, e isso se tivessem sorte.  Ou seja, são impossibilidades impressionantes.  Portanto, concluímos que a evolução pertence a idiotas sem razão e obstinados rejeitadores de Deus que não têm moralidade.

A verdade sobre a Criação está em Gênesis 1 e 2. E a verdade sobre a “Grande Morte” [que a ciência afirma ter ocorrido há milhões de anos atrás], está em Gênesis 6 a 9. A verdade sobre a Criação é que Deus criou o Universo.  E a verdade sobre a Grande Morte é que Deus afogou Seu mundo. 

Não foi uma colisão com um meteoro, embora possa haver alguma indicação de que houve algumas explosões tremendas na face da Terra, porque sabemos que foi isso que aconteceu quando o Senhor quebrou a face da Terra [rompeu a face do abismo] e disparou gás explosivo junto com a água, existentes nas cavernas das profundezas.  E esse material aquecido voou para o espaço, fazendo a camada de água que estava suspensa no ar se condensar e cair em forma de chuva por 40 dias e 40 noites.

Mas a única explicação verdadeira da Criação está em Gênesis 1 e 2. A verdadeira explicação da Grande Morte está em Gênesis 6 a 9. Portanto, podemos encurtar os 540 milhões de anos de evolução para seis dias.  E podemos reduzir a extinção em massa de 250 milhões de anos atrás – ou 65 milhões de anos – para cerca de 6.000 anos atrás.  E o tempo dessa destruição não foi entre 8.000 e 50.000 anos.  Foi de um ano e menos de um mês. 

Esse é o registro das Escrituras.  E esse é o registro do Historiador que tudo sabe, que é Deus.  A Grande Morte realmente ocorreu.  Os cientistas estão certos. Eles observaram isso.  O registro fóssil mostra isso.

A superfície da Terra mostra evidências de uma explosão vulcânica massiva, com o rompimento massivo da crosta terrestre.  Os cientistas sabem que ocorreram mudanças climáticas explosivas, vida encurtada, extinção de dinossauros instantaneamente, extinção de mamutes instantaneamente.  Eles estão procurando uma explicação evolucionária, mas a única explicação é a Bíblia. 

O registro de Gênesis indica que o Dilúvio global teve duas fontes específicas (capítulos 7 e 8). Já falamos sobre elas:

  1. As fontes do abismo, ou seja, Deus tinha água contida dentro da Terra, em grandes cavernas. A superfície da Terra era diferente do que é agora. Não existiam as bacias oceânicas profundas.  Não havia montanhas altas. A superfície da Terra era muito mais plana.
  2. A água do Dilúvio não desceu do céu. Havia um dossel, uma camada espessa de água em forma gasosa suspensa na atmosfera que filtrava os raios ultravioletas do Sol.  É por isso que as pessoas viviam 900 anos. E também os animais viviam por muito tempo. E é por isso que existiram os gigantes dinossauros, pois eles são répteis, e como tais crescem a vida inteira, nunca parando de crescer (como acontece com as demais espécies de animais, que têm uma fase de crescimento, mas depois param de crescer). Assim, como os dinossauros viviam muito, cresciam muito. Mas, hoje os répteis não crescem tanto, pois vivem pouco. O tempo de vida foi encurtado progressivamente na Terra pós-diluviana.

Então, no Dilúvio, Deus,  literalmente, quebrou a superfície da Terra.  O gás explodiu, espalhou cinzas e substâncias químicas no céu, quebrando o dossel de água que estava ao redor da Terra, suspensa em perfeito equilíbrio por causa das forças gravitacionais opostas. 

E assim,  choveu por 40 dias e 40 noites, bem como havia água jorrando do interior da Terra.  Essa foi uma erupção massiva da crosta terrestre que mudou a forma do planeta.  Ela criou os continentes e reduziu a porção de terra continental, aumentando o volume de água do mar.

Isso foi o que ocorreu no Dilúvio.  Nós sabemos –  pela leitura do Salmo 104 – que na última parte do Dilúvio, quando a água cobria a Terra e ainda estava baixando, as montanhas começaram a subir, e as bacias do oceano começaram a descer.  O Salmo 104 simplesmente diz que durante a época do grande Dilúvio, Deus ergueu as montanhas e cavou as bacias do oceano. 

E foi assim que o Dilúvio terminou.  À medida que as montanhas subiam e as bacias oceânicas surgiam, a água começou a se mover, em virtude da gravidade, para essas bacias oceânicas, para encher os oceanos como os conhecemos hoje.  O holocausto do Dilúvio explica o registro fóssil, a estratificação geológica, a extinção de toda vida que respirava ar.  Também explica a destruição em larga escala da vida marinha.

Por causa do tremendo movimento da crosta terrestre que estava debaixo d’água, e por causa dos tremendos cataclismos que estavam acontecendo, explosões e separações, os continentes, como os conhecemos hoje, foram formados naquela época.  Houve movimentação maciça de lama e estratificação que, é claro, enterrou muito da vida marinha e toda a vida terrestre.  E assim, temos evidências dessa morte massiva de vida marinha, bem como de animais terrestres.

O FIM DO DILÚVIO

Falamos sobre o Dilúvio em nosso estudo de Gênesis 6, 7 e 8. Esta noite chegamos ao capítulo 8, versículo 6. E esta é a consequência do Dilúvio.  Quero apenas mostrar e ensinar o que esta porção das Escrituras nos instrui, porque é realmente muito interessante.  Começando no versículo 6:

6 E aconteceu que ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela da arca que tinha feito.
7 E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra.
8 Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra.
9 A pomba, porém, não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas estavam sobre a face de toda a terra; e ele estendeu a sua mão, e tomou-a, e recolheu-a consigo na arca.
10 E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca.
11 E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.
12 Então esperou ainda outros sete dias, e enviou fora a pomba; mas não tornou mais a ele.

Agora, vamos parar nesse ponto e apenas olhar o que o texto está dizendo.  O planeta inteiro estava submerso, como temos mostrado a vocês o tempo todo.  Este foi um Dilúvio universal, global.  Cobriu toda a Terra.  Aprendemos com os primeiros cinco versículos do capítulo 8 que quando chegou a hora de o Dilúvio terminar, Deus começou a remover a água.  E Ele o fez, antes de tudo, no versículo 1, por um grande vento:  “E Ele fez passar um vento sobre a terra”, e esse vento começou a remover a água.

Certamente, o rompimento do dossel de água, anteriormente suspenso em volta da Terra, expôs o Sol e seu brilho intenso e resplandecente ao planeta Terra.  E aí, é claro, estava acontecendo evaporação também. 

Além disso, a força da gravidade também estava fazendo seu papel. No  versículo 5, a água estava diminuindo constantemente.  Ao mesmo tempo, as montanhas estavam sendo erguidas.  E, é claro, vemos a água diminuindo também no versículo 3.

A água começou a diminuir.  O vento soprava.  O Sol promovia a evaporação e as grandes bacias marítimas estavam sendo criadas.  As montanhas estavam sendo empurradas para cima e, assim,  forçaram a água, pela ação da gravidade, a escoar para essas grandes bacias. 

E é exatamente assim que funciona até hoje.  A chuva cai no topo da montanha, escorre, forma neve, derrete, desce em pequenos riachos e, finalmente, se transforma em rios, os quais correm para o mar.  E esse é o ciclo hidrológico.  A água do mar evapora.  A nuvem sobe sobre a montanha, a chuva cai, forma a neve de novo e o ciclo continua o tempo todo.

A Terra que apareceu após o Dilúvio era muito diferente do que era originalmente.  Passaram a existir as enormes montanhas, como bem sabemos, bem como as bacias oceânicas profundas.  Passaram a existir montanhas que chegam a mais de 8.000 metros de altura e oceanos que chegam a mais de 11.000 metros  de profundidade.  A declaração sobre o levantamento de montanhas está no Salmo 104 versículos 6 a 8. Já vimos isso algumas vezes.

Essa afirmação do Salmo 104 sobre o aumento de montanhas durante o tempo do Dilúvio é apoiada pela observação de cientistas.  Os cientistas dirão a você, a respeito de qualquer montanha, que ela foi erguida, levantada. É o que ocorreu, essencialmente, com todas as montanhas e cadeias de montanhas do mundo.  E a maioria dessas cadeias de montanhas é composta de rocha ígnea, vulcânica.  Sabemos que houve erupções vulcânicas em massa por ocasião do Dilúvio.

Mas também, o que é muito interessante, e a ciência vai afirmar isso – alguns de vocês que estudaram geologia vão se lembrar disso – esta base de rocha ígnea fica tipicamente em cadeias de montanhas do mundo cobertas por rochas sedimentares, rochas estratificadas.  Na base profunda de uma montanha é encontrada esse tipo de rocha ígnea, quase vulcânica.  Na superfície, o que se vê são camadas de um tipo de rocha sedimentar.  E há uma explicação para isso, e que é muito simples de entender.

Quando o grande Dilúvio começou, as montanhas não tinham sido erguidas ainda (Sl 104) e o fundo dos oceanos não tinha aumentado sua profundidade, não havia as fossas oceânicas e bacias oceânicas.  Isso só passou a ocorrer na última parte do Dilúvio. Assim, quando veio o Dilúvio, a água cobriu toda a Terra.  As montanhas não eram tão altas nesse tempo, e as bacias do oceano, as fossas não eram tão profundas naquela época.  E assim, a Terra ficou completamente submersa na água.

O Dilúvio causou deslizamentos de lama e movimentos de sedimentos maciços. Já disse a vocês que rocha sedimentar não foi formada pela sobreposição de camadas de rochas ao longo de milhões de anos.  Foi formada em um holocausto, por uma força tremenda de água movendo-se numa direção e empurrando camadas de rochas que vão se sobrepondo. Isso é simplesmente ciência geológica.  E então, o que aconteceu no grande Dilúvio foi o transporte e depósito de  material em camadas massivas, em todo o mundo.  Isso aconteceu na primeira parte do Dilúvio.

Quando começou o Dilúvio, a  crosta terrestre estava se abrindo.  Enormes quantidades de água estavam saindo das entranhas da Terra.  A chuva estava caindo do céu.  Esses enormes deslizamentos de terra estavam ocorrendo e as rochas sedimentares, literalmente, eram empurradas e acumuladas por toda a face da Terra.  Basicamente, você tem, na primeira parte do Dilúvio, rochas sedimentares na superfície da Terra em muitos, muitos pontos. Assim, na primeira parte do Dilúvio ocorreu a formação desses sedimentos.

Então, na última metade do Dilúvio, Deus começou a empurrar as montanhas para cima com o movimento vulcânico.  E, à medida que as montanhas subiam, elas empurravam a rocha sedimentar para cima, de modo que o que você encontra no topo da montanha é a rocha sedimentar.

É por isso que em quase todas as montanhas da face da Terra você encontra fósseis marinhos no topo dessas montanhas, pois antes dessa fase do Dilúvio, esses sedimentos, nos quais se encontravam os fósseis, estavam no fundo das águas do Dilúvio.  E foi nesses grandes deslizamentos de lama e grande estratificação que ocorreu o sepultamento da vida.

No Himalaia, por exemplo, foram encontrados  animais marinhos fossilizados a mais de 5.000 metros de altitude.  Você pode dizer: “Bem, isso significa que as águas do Dilúvio chegaram a pelo menos 5.000 metros?”  Não, não significa isso de forma alguma.  Significa que quando Deus remodelou a face da Terra e empurrou as montanhas para cima, Ele empurrou a rocha sedimentar, que estava na superfície da Terra, para os topos das montanhas.

As partes mais altas das cadeias de montanhas são geralmente de calcário.  Você sabe o que é calcário?  O calcário é um tipo de rocha formada pelo depósito gradual, no fundo do mar, de conchas.  O calcário encontrado no topo de uma montanha  já esteve no fundo do mar.  Essa é outra indicação de que toda a forma da Terra, a face da Terra, mudou dramaticamente no Dilúvio. 

Na verdade, só pode haver uma explicação para a presença de conchas e fósseis marinhos a mais de 5.000 metros de altitude numa montanha: a rocha sedimentar que os capturou e os enterrou instantaneamente foi empurrada para cima pela rocha ígnea quando Deus começou a erguer as montanhas.

Você diz: “Onde você conseguiu essa informação?  Foi no Instituto Cristão de Pesquisa da Criação?”  Não. Obtive essas informações da Time Life Books, em um livro chamado The Himalayas [Os Himalaias], de Nigel Nicolson.  Ou seja, uma fonte secular.  E é precisa.  Quase todas as cadeias de montanhas do mundo têm fósseis perto do cume, mostrando que originalmente foram erguidas de uma condição de inundação.  Por que esses cientistas vêm e dizem que foi um meteoro que fez isso?  Porque se há algo que eles não dirão é qualquer coisa que possa fazer você pensar que a Bíblia é verdadeira.

Além disso, existem montanhas vulcânicas no fundo do oceano, muitas no fundo do oceano Pacífico, que são uma espécie de vulcões residuais.  Esses são vulcões inativos, mas que surgiram no Dilúvio, quando a crosta terrestre estava explodindo em mega erupções. 

Então, quando o Dilúvio começou a diminuir, Deus passou a fraturar mais a superfície da Terra e a empurrar as montanhas para cima.  E aí a água começou a recuar à medida que começou a escorrer pelas encostas dos montes e montanhas e se acumular nos rios, e descer dos rios para se acumular nas bacias do oceano, que estão no ponto mais baixo, através da ação da gravidade.

Portanto, quando Noé, sua esposa, os três filhos e respectivas esposas saíram daquela arca, eles viram um mundo muito diferente do que conheciam antes. Havia enormes montanhas onde não existiam montanhas.  Havia grandes vales onde não havia vales.  E havia morte por toda parte. Lembre-se, eu disse a você que as pessoas perguntam: “Bem, por que não existem muitos fósseis humanos?

E a resposta para isso é que quando o Dilúvio veio, os homens tentaram se proteger da forma como qualquer um de nós faria: usaram barcos e continuam flutuando enquanto conseguiram flutuar, fugiram para os lugares altos. E, portanto, a maioria deles não foi, necessariamente, capturada e enterrada abruptamente pelas camadas de rocha e lama.

Obviamente, alguns deles foram e seus restos fossilizaram. Mas, na maior parte, eles estavam se movendo para um terreno cada vez mais alto, tentando escapar de tudo isso.  E, eventualmente, o que aconteceu foi que eles subiram o mais alto que puderam, mas acabaram se afogando.

Suas carcaças, então, teriam sido expostas ao Sol e à água, entrando em decomposição, enquanto seus ossos ainda estariam na superfície.  E eu penso que quando Noé e seu grupo saíram da arca, eles provavelmente viram os ossos de pessoas mortas por todo o lugar.  Animais mortos, também, que haviam secado, flutuado, inchado, apodrecido e se acomodado no chão.  E lá estavam eles, no chão se decompondo sob o calor do Sol.  Muitos outros ossos, é claro, foram depositados e enterrados no sedimento.

Então, quando eles saíram daquela arca naquele dia, quando eles entraram em um mundo pós-Dilúvio, a primeira coisa sobre a qual eles estavam extremamente cientes era o julgamento divino.  E eles devem ter,  literalmente, engasgado com o que viram.  Na maior parte, as plantas tinham sido destruídas.  Fósseis, você sabe, incluem plantas. 5Também é verdade que as camadas de carvão no interior da Terra, é matéria vegetal fossilizada, que antes foram as florestas do mundo.

E, lembre-se agora, que antes do Dilúvio o mundo tinha um clima moderado em todos os sentidos.  Não havia pólo norte e pólo sul.  Havia o mesmo clima moderado por toda a Terra.  É por isso que você tem fósseis de mamutes, que são comedores de folhas, na borda do círculo ártico, que consideramos um lugar onde uma criatura comedora de folhas não poderia viver. 

Mas, naquela época, não era o Círculo Ártico no sentido que consideramos hoje, coberto de neve, gelo e frio.  Ele tinha o mesmo ambiente tropical que toda a Terra tinha, sob a grande camada de água suspensa na atmosfera de então, e sem o movimento do ar  que geram os vários tipos de ventos que surgiram após o Dilúvio.

Assim, eles teriam saído para um mundo que, em sua maior parte, tinha sido despojado de sua vegetação. Ainda havia alguma vegetação, algumas sementes começando a dar vida e algumas árvores que, sem dúvida, sobreviveram.  Existem aquelas árvores cujas raízes podem sobreviver na água e não muito no solo. 

Mas, eles teriam visto uma Terra devastada, diferente, com altas montanhas, baixos vales, bacias oceânicas, despojada, morte por toda parte e ninguém ali além deles.  Ninguém vivo, ninguém, nenhum vizinho.  E o Dilúvio seria uma evidência absoluta e indescritível do juízo de Deus.

Agora, vamos pegar a história onde começamos a ler e ver como eles saíram da arca.  No final de quarenta dias – isto é, depois do versículo 5, depois que a água diminuiu continuamente e o topo das montanhas tornou-se visível –  a água estava baixando e as montanhas se erguendo.  Quarenta dias depois,  “Noé abriu a janela da arca”.  Isso seria no seiscentésimo ano de vida de Noé, décimo primeiro mês, décimo dia. 

Ele esperou até que a água, que havia diminuído, revelasse o topo das montanhas,  ele esperou que a água baixasse mais um pouco.  E esperou quarenta dias inteiros.  Homem muito paciente, por falar nisso.  Você pensaria que ele realmente gostaria de sair daquela arca o mais rápido possível.  Mas ele aprendeu a ser paciente e obediente ao Senhor.

O dia da vingança tinha acabado.  A humanidade, com exceção das oito pessoas na arca, tinha morrido. E a marca de que a chuva da morte tinha acabado foi a abertura da janela.  Porém, Noé não foi muito longe.  Ele não chutou a porta e todos saíram correndo.  O texto diz apenas que ele abriu a janela.  Ele não iria agir sem ouvir Deus.  Ele não sabia nada sobre aquele novo mundo.  Ele não sabia o que estava lá fora, o que esperar. 

Ele havia desenvolvido um padrão de obediência ao Senhor por 121 anos, e ele não estava disposto a mudar isso.  Ele estava naquele barco por  um ano, e não estava prestes a fugir em um ato de impaciência.  Ele passou por uma experiência inimaginável.  Eu  gostaria de me sentar, quando chegar ao céu, e dizer: “Sabe, como foi ficar naquela caixa por um ano, sem saber o que estava lá fora?”  Então, Noé foi muito paciente.

Mas, ele abriu a janela e queria descobrir o que estava acontecendo lá fora.  Então, ele enviou um corvo.  Agora, por que ele enviaria um corvo?  Bem, ele enviou um corvo, porque trata-se de pássaro necrófago, que come carniça. E, assim, se houvesse algum ser morto inchado e flutuando na água ou em qualquer lugar, o corvo farejaria.  Eles eram capazes de comer qualquer coisa.  E Noé seria capaz de avaliar, pelo menos em parte, que se o corvo não voltasse seria porque teria encontrado um pouco de carne flutuando na água.

Noé queria ter uma pequena amostra do que veria quando descesse da arca.  E, aparentemente, o corvo encontrou um pouco de carne, porque “saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra.”  Alguns comentaristas pensam que quando a água do Dilúvio secou, o corvo voltou.  Outros comentaristas dizem: “Não, a ave nunca mais voltou”.  Eu não sei.  Não sei se realmente voltou, mas foi pelo menos um período de dois meses em que o corvo ficou voando ao redor.  Minha suposição é que encontrou comida.  Se voltou ou não, não é importante. 

Mas, trata-se de um pássaro necrófago.  Na verdade, mais tarde, na Lei mosaica, o corvo foi considerado um animal impuro.  Era impróprio para comer.  E era impróprio para o sacrifício, como está em Levítico 11:15, Deuteronômio 14:14.

Então, o que Noé aprendeu com o corvo que não voltava foi que havia carne lá fora, havia carcaças mortas lá fora. Agora, Noé precisava saber não apenas que havia morte fora da arca, mas que havia vida lá fora. Ao saírem da arca, Noé e sua família teriam que encontrar um pouco de vida para fazer o quê?  Comer.  E enquanto o corvo é uma ave necrófaga, que come carne, a pomba é uma ave muito dócil, facilmente domesticada, que come vegetação.

E um corvo não se importava onde estava.  Ele poderia simplesmente pousar em um cadáver, voar de novo e pousar em outro cadáver, e assim por diante. Não precisava pousar em lugar nenhum.  Mas isso não acontecia com uma pomba.  Pombas eram aves do vale, de acordo com os velhos rabinos, e elas precisavam encontrar um lugar fixo em um vale ou um lugar em um penhasco baixo, logo acima do solo. 

Elas faziam seu pequeno ninho em um penhasco baixo, onde se instalavam, para que pudessem voar daquele penhasco baixo e pegar a vegetação que havia no vale.  Portanto, foi uma boa escolha.  A pomba era branca, o corvo era preto.  A pomba pôde ser domesticada.  O corvo estava em estado selvagem.  A pomba era uma ave limpa – de acordo com as mesmas passagens, Levítico 11:15, Deuteronômio 14:14 – e o corvo era impuro.

Agora, isso não significa que Deus não gostava de corvos, mas de pombas.  Ele os fez e cuidou de ambos, e os levou na arca para preservá-los, para que pudessem se propagar.  E se houvesse apenas dois corvos na arca, podemos presumir que o corvo voltou para a arca, porque a “Sra. corvo”, esperando na arca, não seria capaz de produzir os corvos que temos hoje se o “Sr. corvo” não tivesse voltado.  Então, esse é um argumento a favor de que ele tenha voltado.  Outro argumento é que talvez houvesse mais de um par de corvos.  Seja lá como for.

E então, Noé enviou a pomba.  A pomba era o símbolo da gentileza.  Claro, mais tarde no Antigo Testamento, símbolo de beleza.  Usada também para o sacrifício, porque era um animal limpo e também podia ser comido.  Também era visto como um animal de estimação, um símbolo de paz e alegria. 

O versículo 8 diz: “Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra.”  O corvo não serviu para sinalizar se a água tinha baixado.  O corvo apenas sinalizou que havia morte lá fora.  Mas a pomba sinalizaria a Noé se havia vida lá fora, porque a pomba teria que encontrar uma planta para comer.

E todos aqueles animais na arca teriam que ter algumas plantas para comer.  Lembre-se agora que nenhum animal até esse momento era carnívoro.  Ninguém comia carne.  E então, todos eles precisavam sair da arca e poder comer.  Agora, eu não sei quanta comida eles comeram na arca, mas quero dizer, depois de um ano, eles não tinham muito estoque, se é que sobrou alguma coisa. 

Eles precisavam saber se existiam plantas fora da arca.  Então, esses passarinhos do vale – eles são assim designados em Ezequiel 7:16 – precisavam encontrar um lugar baixo em um penhasco rochoso.  Cantares de Salomão 2:14 indica isso, aliás.  Eles precisavam encontrar solo seco.  Então, a pombinha voou.  E Noé sabia que a pomba o deixaria discernir se a água havia sido removida da face da Terra ou não.

Versículo 9: “A pomba, porém, não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas estavam sobre a face de toda a terra; e ele estendeu a sua mão, e tomou-a, e recolheu-a consigo na arca.”  A pomba é uma ave nidificadora, ou seja, que constrói ninho. Ela precisava de um lugar para se  empoleirar, e como não encontrou,  voltou para seu poleiro na arca. 

E a pomba não conseguiu encontrar nenhum alimento, voando um pouco e ficando um pouco exausta, voou de volta para a arca, porque, o versículo 9 diz: “as águas estavam sobre a face de toda a terra“.  A pequena pomba não encontrou nada para comer.  E quando a pomba voltou – esta é uma nota interessante, no final do versículo 9 – “ele estendeu a sua mão, e tomou-a, e recolheu-a consigo na arca”.  Essa era a diferença entre um pássaro carnívoro e um pássaro empoleirado que podia ser domesticado, a gentil pomba.

Noé esperou sete dias para enviar aquela pomba.  Depois,  ele esperou mais sete dias, como diz o versículo 10: “E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca.” Mesmo propósito: para ver se a água havia baixado para que as plantas começassem a emergir.  E, a propósito, uma pequena observação interessante que eu descobri estudando é que uma das árvores no mundo que pode sobreviver debaixo d’água por um longo tempo é uma oliveira.  Na verdade, as oliveiras são árvores resistentes. 

Quando visitei o Jardim do Getsêmani em várias ocasiões, os guias de lá me disseram que crêem que algumas das oliveiras ali agora eram mudas nos dias de Jesus. Eram árvores muito antigas, com cerca de 2.000 anos.  Elas são árvores muito, muito saudáveis.  Muito resistentes.  Na verdade, há tanto azeite de oliva nelas, que quando um entalhador corta um galho para esculpir algo, tem que deixá-lo repousar por muito, muito tempo, caso contrário, a madeira permanece verde, tornando muito difícil de ser esculpida. 

E mesmo depois de esculpida, ela pode se dividir e não dar o efeito que o entalhador deseja.  Portanto, leva muito tempo para secar, mesmo um galho cortado.  São árvores muito, muito resistentes.  E isso se encaixa muito bem no registro de Gênesis que estamos examinando.

Aquela pequena pomba, de acordo com o versículo 11, saiu da arca e voltou ao anoitecer, “e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.” Aquela não era uma folha de oliveira flutuando na água.  Ela havia sido arrancada ou colhida. No hebraico, literalmente, o sentido é recém-colhida. 

O corvo mostrou a Noé que havia morte fora da arca.  A pomba mostrou a Noé que havia vida.  Existia vida.  Uma folha de oliveira recém-colhida ou arrancada.  Isso significava que as pequenas colinas estavam expostas.  Isso significava que a terra estava secando.  Isso significava que os vales estavam ficando claros.  Então Noé, no final do versículo 11, sabia que a água havia diminuído da Terra.

Gosto de pensar na pomba como um evangelista.  O que um evangelista traz? Boas notícias.  Boas notícias sobre a vida, certo?  Aquela pomba era um pequeno evangelista trazendo as boas novas de que Deus preservou as árvores e, principalmente, a oliveira.  A terra estava florescendo novamente.  Houve morte.  Oh, havia morte em todos os lugares.  Mas havia vida.

Versículo 12: “Então esperou ainda outros sete dias, e enviou fora a pomba; mas não tornou mais a ele.” A pomba nunca mais voltou.  Quando o resto das pombas foi embora um pouco depois, elas devem ter encontrado aquela pomba.  E as pombas podem muito bem ter sido usadas como aves de sacrifício, de modo que havia sete pares delas na arca.  E assim, havia o suficiente para começar a produzir pássaros em todas as suas variações, assim como muitos outros pássaros.

E, por falar nisso, você já estudou a dispersão de sementes?  É fascinante.  A dispersão das sementes ocorre de duas maneiras. Ou seja, cobre-se a terra com vegetação de duas maneiras: vento e pássaros.  Os pássaros comem aqui, voam acolá e depositam as sementes. Elas passam pelo sistema digestório deles e são eliminadas através das fezes em um novo lugar, e assim germinam e dão origem a novas plantas.  Eles não apenas depositam a semente, mas também o fertilizante.  E é assim que a dispersão das sementes ocorre junto com o vento.

E eu amo o que diz no versículo 13:  “E aconteceu que no ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, as águas se secaram de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta.” Eu os lembro novamente: por que todas essas datas estão registradas aqui?  Por que todas essas indicações de datas estão presentes no texto? Por quê?  Para nos lembrar que tudo isso é o quê?  História.  Isso é história.  Isso não é fantasia.  Isso não é mito.  Isso não é lenda.  Isso não é alegoria.  Isso é história.

Na Bíblia de Estudo MacArthur há uma coluna com uma lista da sequência de todas as datas que são indicadas no Dilúvio.  E há uma longa lista delas, conforme Deus continuamente repete a historicidade desse relato.  Então, era o ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, e a água da Terra secou.

Bem, neste ponto, “Noé tirou a cobertura da arca e olhou.”  Agora, havia algum tipo de cobertura que estava no topo da arca por razões óbvias.  Se vai chover por quarenta dias e quarenta noites, é melhor você manter o guarda-chuva aberto.  É melhor você manter a cobertura, seja qual for a cobertura.  E ele remove aquela cobertura que lhes dava uma visão limitada. 

Na verdade, não havia nada para ver de qualquer maneira.  Mas eles tinham uma visão limitada.  Mas, de repente, eles tiraram a cobertura e toda a paisagem ficou visível.  A cobertura os protegeu da chuva, mas também obstruiu, obscureceu sua visão.  E agora, ele tira a cobertura e olha, “e eis que a face da terra estava enxuta.”  Estava seco.

Agora, lembre-se, o barco não estava se movendo nesse momento.  Onde estava?  Estava atracado sobre as montanhas de Ararate, como o versículo 4 indica, onde eles estiveram desde o 17° dia do 7° mês, por um tempo.  Mas, agora Noé podia ver. Verso 14: “E no segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.”  Toda a água havia encontrado seu lugar nas bacias oceânicas, nos riachos, nas piscinas naturais, nos lagos e nas lagoas.  E agora, era hora de partir.

Porém, Noé não deu um passo até que Deus falasse.  Versículos 15 a 17:

15 Então falou Deus a Noé dizendo:
16 Sai da arca, tu com tua mulher, e teus filhos e as mulheres de teus filhos.
17 Todo o animal que está contigo, de toda a carne, de ave, e de gado, e de todo o réptil que se arrasta sobre a terra, traze fora contigo; e povoem abundantemente a terra e frutifiquem, e se multipliquem sobre a terra.

Alguns acreditam  que este período de tempo, que apenas pela sequência de números aqui parece ser de um ano e dez ou onze dias, foi na verdade, pelas medições solares, um ano solar, de modo que o Sol estava exatamente onde estava quando eles entraram na arca.  E quando saíram, o Sol estava no mesmo lugar, mas era um mundo totalmente diferente.

Noé saiu, porque Deus lhe disse para sair.  Ele era um homem obediente.  Ele não fez nada até que o Senhor falasse. E já fazia muito tempo desde a última vez que isso tinha acontecido.  A última vez que ele ouviu o Senhor falar foi quando o Senhor disse: “entre”. Aí Noé não ouviu nada por um ano e quase um mês ou um ano e uma porção de um mês, e então Deus diz: “saia”.  Nenhuma explicação intermediária. 

Noé sai então, ao comando de Deus.  E seu trabalho agora era repovoar a Terra, junto com os animais.  Leia o capítulo 9 versículo 19: “Estes três foram os filhos de Noé; e destes se povoou toda a terra.

Então, era quase como Adão e Eva de novo, não é? Agora havia Noé e sua esposa e seus filhos Sem, Cam e Jafé e suas esposas.  A ordem foi: “saiam da arca e povoem a Terra”. E isso foi exatamente o que eles fizeram, já que todos somos descendentes dessas oito pessoas.  Somos todos descendentes de Noé e sua esposa e de seus filhos e suas esposas.  Dessas famílias surgiu toda a humanidade do planeta.

Então, era como uma nova criação.  Parece muito com Gênesis 1:20, onde Deus cria toda sorte de vida,  e o versículo 22 diz: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.” Isso é essencialmente o que Ele diz bem aqui no capítulo 8 de Gênesis, no versículo 17. Ele diz aos animais, essencialmente, exatamente o que Ele disse em Gênesis 1. “Vamos começar tudo de novo.  E, Noé, você e sua família, saiam e repovoem o mundo.”

Para colocar nas palavras de Pedro, em 2 Pedro 3: 6, “Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio.”  E então, quando eles saíram da arca, vieram para um mundo completamente diferente que 2 Pedro 3:7 chama de “os céus e a terra que agora existem.” Antes do Dilúvio, a Terra era um planeta diferente do que vivemos agora.  A Terra que antes reunia animais, pessoas e vegetação foi substituída por um ambiente incrivelmente desolado.

O ar, que antes tinha uma temperatura amena e se movia de modo suave, agora pode-se mover em ventos fortes e às vezes violentos.  E havia frio nas encostas da montanha de Ararat, onde a arca estava descansando, e nuvens escuras rolando no céu, que antes eram perpétua e agradavelmente brilhantes, mas agora pareciam ameaçar mais chuva e a recorrência das condições de inundação.  A Terra certamente havia sido purgada da humanidade perversa que fazia de sua beleza física apenas uma zombaria.  E isso foi algo bom.  Mas, o que restou foi um ambiente desolador, árido e ameaçador.

Dr. Henry Morris diz que houve, sem dúvida, mudanças físicas semelhantes a essas que mencionei: 

Os oceanos eram muito mais extensos, pois agora contêm todas as águas, que antes estavam acima do firmamento, nos reservatórios subterrâneos do fundo.  As áreas de terra se tornaram muito menos extensas do que antes do Dilúvio, com uma porção muito maior da superfície de terra inabitável por esse motivo.  A manta de vapor térmico foi dissipada, de forma que fortes diferenciais de temperatura foram inaugurados, levando a um acúmulo gradual de neve e gelo nas latitudes polares, tornando muitas das superfícies terrestres extremas –  do norte e do sul – também essencialmente inabitáveis.

Cordilheiras erguidas após o  Dilúvio enfatizaram a topografia mais acidentada dos continentes pós-diluvianos, com muitas dessas regiões também se tornando impróprias para habitação humana.  Ventos, tempestades, chuvas e neve tornaram-se possíveis agora, tornando o ambiente em geral menos agradável para o homem e os animais do que antes.  O ambiente também era mais hostil por causa da radiação nociva do espaço não mais filtrada pelo dossel de vapor, o que contribuiu para uma redução gradual da longevidade humana após o Dilúvio.

Geleiras, rios e lagos tremendos existiram por um tempo, com o mundo apenas gradualmente se aproximando do seu atual estado de semi-aridez.  E isso é conhecido como Idade do Gelo.  A Idade do Gelo que ocorreu após o Dilúvio. A crosta da Terra passou a estar em um estado de instabilidade geral refletida na atividade vulcânica e sísmica recorrente em todo o mundo.

Então, Noé e sua família entraram em um mundo totalmente diferente, em um ambiente totalmente diferente.  A vida, em vez de durar 900 anos como acontecia antes do Dilúvio, começou a ser encurtada progressivamente. Noé, no momento em que ele saiu da arca, tinha 601 anos, mas a vida a partir de então começou a encurtar, até que você chega ao tempo de Jesus Cristo, mesmo e muito antes disso, e as pessoas estavam morrendo na casa dos 20, 30 e 40 anos.

A medicina ampliou um pouco a expectativa de vida hoje.  A Bíblia diz que a vida de um homem geralmente pode durar cerca de 70 anos.  Muito diferente do mundo pré-diluviano.

Então, todos saíram da arca, conforme os versículos 18 e 19: “Então saiu Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com ele. Todo o animal, todo o réptil, e toda a ave, e tudo o que se move sobre a terra, conforme as suas famílias, saiu para fora da arca.”  Isso pode indicar para nós que os animais se multiplicaram enquanto estavam na arca, porque quando entraram eram pares, mas quando saíram eram famílias.  

Mas Deus não deu filhos aos casais na arca. Deve ter sido um momento tremendamente estimulante, mas ainda assim muito interessante para as pessoas que pisaram no chão depois de um ano e dez ou onze dias.

Qual foi a primeira ação deles ao saírem da arca?  É aqui realmente que você chega ao ponto culminante desta passagem.  A primeira coisa que Noé fez, no versículo 20, foi construir o quê?  “E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar.

Agora, há tantos comentaristas que li sobre isso que simplesmente não parecem entender.  Eles têm esse tipo de imagem floreada em sua mente de que Noé saiu do barco – e você viu isso nos livros infantis – e, oh, havia o sol e um grande arco-íris, e os animais todos sorrindo, árvores, rios e grama verde por toda parte.

Mas, não foi nada parecido com isso que eles viram.  Eles saíram daquela arca e havia morte e desolação em toda parte.  Havia vida vegetal, mas não era abundante.  A maior parte das plantas havia morrido na inundação.  A vegetação também teria que se reproduzir, voltar a crescer e repovoar a Terra, da mesma forma que os animais e o homem fizeram. 

Não sabemos quanto da vegetação anterior ao Dilúvio Deus preservou, mas não era mais o Éden.  Teria sido o oposto do Éden.  Era um planeta destruído.  E quando eles se afastaram da arca, a primeira coisa que viram foi morte e julgamento em massa.

E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar.” Alguns comentaristas dizem que esse foi um ato de agradecimento.  Bem, enquanto leio o Antigo Testamento, normalmente não encontro ofertas queimadas associadas a ações de graças. 

Há um elemento de ação de graças presente na oferta queimada.  Mas, uma oferta queimada é principalmente um reconhecimento de devoção total ao Senhor. Se você estudar as ofertas queimadas na lei levítica, descobrirá que esse tipo de oferta era uma oferta que foi completamente queimada no altar.

Havia algumas ofertas em que o ofertante colocava um pouco no altar, queimava e comia.  Havia também algumas ofertas queimadas em que porções eram separadas para serem comidas pelo ofertante e pelo sacerdote também.  Mas um holocausto era uma oferta totalmente consumida pelo fogo, era um símbolo de devoção total, dedicação total ao Senhor. 

O ofertante dava tudo para o Senhor.  Não guardava nada para si mesmo,   não destinava nenhuma parte ao sacerdote.  Simplesmente, dava tudo para o Senhor.  A oferta era consumada, completa. Era total.  Era  tudo.  Ainda é indicado no texto que esse foi o tipo de holocausto oferecido por Noé pelo fato de que a oferta foi oferecida de cada animal limpo e de cada pássaro limpo.  Isso foi muito generoso. 

Ele não disse apenas “olha, não temos muitos animais aqui para povoar o mundo inteiro, então eu vou reservar alguns…”.  Ele não fez isso.  Ele tirou de cada animal limpo e de cada pássaro limpo que tinha e os queimou totalmente no altar.  De todos os animais disponíveis para esse propósito, ele deu sacrifício a Deus.  Esse foi um ato de adoração generosa. 

E quando um holocausto era colocado no altar, como eu disse, era totalmente consumido.  E assim, simbolizava dedicação total, a entrega completa de sua vida.  Mas também simbolizava algo mais: reconhecimento da própria pecaminosidade, arrependimento.

A propósito, esta é a primeira menção  de um altar na Bíblia.  Caim e Abel ofereceram um sacrifício, mas não há indicação sobre um altar.  Esta é a primeira menção de um altar usado para fins de sacrifício.  Creio que há gratidão no sacrifício.  Mais do que isso, há dedicação total. Você descobrirá mais sobre isso se for ao capítulo 22 de Gênesis e à oferta de Abraão do seu filho Isaque. 

Era assim nos dias de Moisés.  O sacrifício da manhã e o sacrifício da tarde eram ofertas queimadas.  Eles eram oferecidos todas as manhãs e todas as tardes, de acordo com Êxodo 29, Levítico 6, Números 28. E havia uma oferta total. Portanto, aqui está Noé, em nome de seus filhos e de suas esposas, dizendo: “Nós Te damos tudo.  Nós nos dedicamos totalmente, completamente e de forma abrangente ao Senhor.” 

Mas há mais do que isso.  Esta também é uma oferta pelo pecado.  Quando eles ficaram cara a cara com a devastação do julgamento, eles foram atingidos, com certeza, pelo fato de que isso era, essencialmente, o que eles também mereciam, e eles sabiam disso.  Noé sabia que ele não era um homem perfeito.  Ele sabia que não era casado com uma mulher perfeita e que não tinha três filhos perfeitos e noras perfeitas.  Ele sabia que eles eram pecadores.

Não há nenhum relato bíblico sobre os pecados que fizeram parte de suas vidas no ano em que estiveram na arca. Mas eles pecaram.  E vamos descobrir em breve o quão pecaminoso e miserável era o homem Noé, por sua terrível e pecaminosa indiscrição que virá em breve.  Ele conhecia seu próprio pecado.  Ele sabia o que merecia. 

Aquele holocausto, então, foi um ato de penitência, dizendo: “Deus, isso é o que merecemos, e sabemos disso.  Mas precisamos de um substituto.  Oferecemos a Ti um sacrifício de expiação, um sacrifício de propiciação.”  Por um ano inteiro, eles estiveram flutuando acima do julgamento, acima do afogamento de toda a raça humana.  E eles sabiam que eram pecadores,  que não eram perfeitos.

Você diz: “Bem, por que Deus os poupou?”  Gênesis 6: 8, “Noé achou graça aos olhos do Senhor.”  Noé viu o julgamento surpreendente de Deus.  Ele viu a extrema ira de Deus contra os pecadores.  E ele ofereceu a Deus um sacrifício de dedicação total que, ao mesmo tempo, reconheceu que ele e sua família eram pecadores, e seu pecado era digno de morte.  E, claro, essa imagem de um sacrifício em nome dos pecadores se torna a chave para a compreensão da morte de Cristo, não é?

Portanto, Noé é um sacerdote da nova humanidade.  Agora existiam apenas oito pessoas na raça humana, e ele era o sacerdote.  Ele ofereceu sacrifícios de sangue como um reconhecimento da necessidade de expiação, a necessidade de propiciação.  E penso que o sacrifício foi oferecido foi por causa de sua penitência, por causa de seu reconhecimento de que a única razão pela qual todos eles não se afogaram junto com os demais foi a graça, pois eles eram pecadores. 

Eles precisavam de expiação.  Eles precisavam de um sacrifício para pagar por seus pecados.  Creio que foi essa integridade em sua adoração, essa honestidade, essa expressão de verdadeiro arrependimento que trouxe a resposta de Deus, versículo 21: “E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz”, como Ele havia feito em Gênesis 3, e como havia feito no caso de Noé. 

Deus estava afirmando que não traria uma destruição em massa, como fez no Dilúvio, “porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice.” Em outras palavras, Deus disse: “Eu nunca mais irei destruir todos os seres vivos, como eu fiz.  Não vou lançar uma maldição sobre o homem e tornar sua vida pior, como fiz em Gênesis 3, e eu não irei destruir todos os seres vivos novamente.”  É quase como se Noé fosse o intercessor aqui.  Ele é o sacerdote da humanidade e tem uma espécie de dia de expiação em que oferece o sacrifício de penitência, e vem a Deus.

Diz o versículo 21: “E o Senhor sentiu o suave cheiro…“.  Agora, Deus não tem nariz e não cheira.  O texto é metafórico.   É uma maneira antropomórfica de dizer que Deus estava satisfeito com o coração do adorador.  O sacrifício agradou a Deus.  E, a propósito, conforme você avança através de Êxodo, Levítico, Números, encontrará a mesma imagem de o Senhor cheirando o sacrifício, cheirando o aroma suave. E isso expressa o favor divino.  Houve vezes, como em Levítico 26:31, Amós capítulo 5, que Deus se recusou a cheirar o sacrifício.  Isso significa desaprovação e rejeição divina.

Então, essa é uma forma antropomórfica.  Quando o cheiro do  sacrifício subia no ar, se Deus estivesse satisfeito com o cheiro, isso significava que Ele estava satisfeito com o coração do adorador.  Porém, se o aroma do sacrifício O desagradasse, então Ele não estaria satisfeito com o coração do adorador.  Portanto, aqui no verso 21 você tem Deus se agradando com o coração do adorador. 

E em resposta a esse ato, Deus diz, verso 21: “Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem.”  Agora, você se lembra do que eu disse enquanto estudávamos Gênesis?  Não é estranho para você que por 1656 anos Deus tolerou o pecado, e então veio o Dilúvio? 1656 anos após a Criação, e Deus vem e destrói toda a humanidade.  E aqui estamos 4.500 anos depois. Por que sobrevivemos?

Eu fiz essa pergunta várias vezes.  Por que duramos tanto tempo, enquanto Deus os destruiu em 1656 anos?  E, certamente, a humanidade já era tão ruim 500 ou 1500 anos depois o Dilúvio, quanto o era antes dele.   Por que sobrevivemos até agora?  Resposta:  porque Deus, em resposta à penitência e ao sacrifício de Noé, disse: “Nunca mais farei isso.” 

Isso é o que chamamos de graça, não é?  Isso é exatamente o que eu estava pregando no domingo passado, quando lembrei a vocês Atos 17:20, que diz: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam.”

E Deus deixou todos esses séculos passarem,  nos quais cristãos, talvez, tenham dito, e pessoas piedosas disseram: “Bem, como  e por que o Senhor não faz algo?  Por que não faz alguma coisa?”  E Deus diz:  “Eu disse que não faria algo.  Eu disse que não faria isso de novo.  Eu disse que não amaldiçoaria o homem de novo como o amaldiçoei no Éden, e não destruiria todas as coisas vivas como fiz”.

Observe que o verso 21 de Gênesis 8 diz: “o Senhor disse a Si mesmo.”  Esta não é uma aliança ou pacto que Ele fez com Noé. É um pacto que Ele fez consigo mesmo.  Ele decidiu ignorar os tempos vindouros de ignorância, nas palavras de Paulo na Ágora, em Atos 17:30.  Ele determinou reter a destruição futura.  Este é um compromisso incrível: “Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem.” 

Agora, deixe-me dizer uma coisa.  O Dilúvio não removeu o pecado do mundo. Noé e toda sua família eram criaturas caídas e pecaminosas e reproduziram pecadores.  Nem Deus, no Dilúvio,  estava dizendo: “Estou removendo o pecado do mundo. Estou removendo a ira. Estou removendo o julgamento. Estou removendo o abandono, o cataclismo, causa e efeito.  Não estou começando uma era de tolerância.  Ainda haverá pecado.  Ainda haverá julgamento.  Ainda haverá morte e ainda haverá o inferno.  O que não haverá é a destruição de toda a raça humana de uma vez. ”

Os pecadores merecem destruição imediata.  Deus teria todos os motivos para destruir o planeta hoje, agora mesmo.  Mas Ele diz: “Eu não vou fazer isso”.  Esta é a era da graça.  Foi aqui, em Gênesis 8:21, que a era da graça começou, eu acredito. Deus, com graça comum e bondade, faz o Sol nascer e se pôr sucessivamente sobre os justos e os injustos.  Faz a chuva cair sobre justos e injustos.  Deus é paciente.  E é interessante lembrar que os pecadores de hoje são tão maus ou piores do que os pecadores no Dilúvio, certo?

Você diz: “Tem certeza de que os homens continuam sendo maus, tão ruins quanto os que existiram no tempo do Dilúvio?”  Sim.  No versículo 21, Deus diz: “Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem…“. E no meio do versículo, Ele diz: “porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice“. Isso não mudou. Isso é a depravação total. 

É o mesmo a que se refere o capítulo 6, versículo 5: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.”  Deus repete a mesma declaração, dizendo que o homem ainda é depravado.  Isso não mudou. Mas, apesar disso, Deus se comprometeu a não realizar o mesmo tipo de julgamento, como fez no Dilúvio.

Deus se comprometeu a ser misericordioso e paciente. Romanos 2:4 diz: “”Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” Deus não deseja que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. E aqui estamos nós vivendo na era da graça, vivendo na era da paciência de Deus.  Deus teria todos os motivos para nos afogar num novo Dilúvio há muito tempo, mas Ele diz: “Não vou fazer isso”.  E Ele não fez.

Sim, ainda há inundações e ainda há vulcões e ainda há desastres naturais. E ainda há morte, julgamento divino e inferno, mas o planeta continua avançando, pois Deus é misericordioso e paciente com os pecadores. 

Quanto tempo isso vai durar? Versículo 22, “Enquanto a terra permanecer.” Ele não vai julgar o planeta inteiro enquanto a Terra permanecer.  Essa é a chave, pessoal.  O próximo julgamento será a destruição do planeta.  Até lá, “Semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite não cessarão.”

Por que a vida é como é hoje?  Por que é tão consistente?  Deus prometeu que seria.  Enquanto esta Terra permanecer, e até que deixe de existir, haverá tempo de semeadura, colheita, frio, calor, verão, inverno, dia, noite. Ciclos previsíveis, regulares.  Haverá um padrão consistente de movimento dos corpos celestes, gravidade consistente, rotação consistente da Terra, órbita solar consistente, ciclos anuais consistentes.

A Terra não será reduzida a pedacinhos por um meteoro.  Ela não sairá de órbita.  Sempre haverá uma rotina regular.  Vai haver frio no inverno, calor no verão, e haverá verão e haverá inverno e haverá época de semeadura e de colheita.  Isto é, primavera e outono.  E haverá dia e noite, isso nunca vai mudar, enquanto o planeta estiver aqui. 

Assim, há 6000 anos, a catástrofe da Criação ocorreu em apenas seis dias. A catástrofe do Diluvio deu origem ao planeta que conhecemos hoje.  As catástrofes aconteceram, e agora estamos em um período de uniformidade, onde tudo continua igual, até que a Terra deixe de existir.

Isso vai acontecer, pessoal.  Isso é descrito em 2 Pedro 3. Já consideramos 2 Pedro 3 algumas vezes neste relato do Dilúvio.  Vale a pena reler  2 Pedro 3:3, ouça isto:  “Saibam primeiro de tudo, que nos últimos dias zombadores virão com suas zombarias, seguindo suas próprias concupiscências e dizendo: ‘Onde está a promessa da Sua vinda?  Desde que os pais dormiram, tudo continua como era desde o início da criação.‘”

As pessoas olham para as coisas e dizem: “Tudo está indo do mesmo jeito.  Simplesmente continua o mesmo, o mesmo.  Você fica dizendo que Jesus está vindo, Jesus está vindo, mas, ah, é tudo igual, igual, igual.”

E eles vêem a paciência de Deus.  Eles vêem a consistência de Deus no mundo.  E, ao invés de honrar a Deus, eles abusam desse período de bondade, envolvem-se no pecado e zombam da ideia de que Jesus vai voltar.  Mas eles se esquecem, o versículo 5 diz, “que pela palavra de Deus os céus já existiam há muito tempo e a terra foi formada da água e pela água, pela qual o mundo naquele tempo foi destruído, sendo inundado com água.  Mas os atuais céus e terra, por Sua palavra, estão sendo reservados para” – não água, mas – “fogo, guardado para o dia do julgamento”.

E esse dia já foi definido.  Atos 17, “Deus agora requer que todos os homens em todos os lugares se arrependam porque Ele fixou o dia    em que julgará o mundo por aquele Homem a quem Ele ordenou, ressuscitando-o dos mortos, que é Cristo”.  E quando isso acontecer, a Terra deixará de existir.  O versículo 10 diz: “O dia do Senhor virá como um ladrão, em que os céus passarão com estrondo e os elementos serão destruídos com intenso calor, e a terra e suas obras serão queimadas.”

Essa é a “não criação”, a “descriaçâo”, quando a Terra, literalmente, em um holocausto atômico, deixará de existir.  Esse é o próximo holocausto.  Isso acontecerá quando o Senhor Jesus retornar.  Até então, esta é a era da graça.  Sementeira e colheita, frio, calor, verão, inverno, dia e noite. 

E o que você está fazendo nesta oportunidade de graça?  O Dilúvio veio.  Ninguém acreditou e todos morreram afogados.  E então, o fogo virá.  Jesus é nossa arca, não é?  Ele é nossa arca.  Por causa Dele, Paulo diz: “Nós escapamos da ira que está por vir”. Oremos.

Pai, agradecemos novamente pela maneira como este julgamento do passado, poderosamente, exerce força sobre nossas próprias vidas que olham para o julgamento no futuro.  Eu oro, oh, Deus, que Tu concedas a graça da salvação, a graça da fé e arrependimento a todas as almas, para que elas possam escapar do julgamento na arca, que é Cristo.  Para algum dia, cavalgando através das tempestades daquele julgamento, cavalgando através da destruição ígnea da terra, para despertar no novo céu e na nova terra onde não haverá marcas de desolação, nenhuma evidência de julgamento, tal como houve no novo mundo de Noé.

Pai, eu confio que o Senhor, pela Tua graça, levará muitos pecadores à fé em Cristo, o único que pode nos salvar da ira que está por vir.  Agradecemos a Tua paciência e que possamos recorrer ao arrependimento.  Pedimos essas coisas por causa de Cristo, que merece toda a glória.  Amém.


Esta é uma série de sermões sobre o Dilúvio.  Por similaridade do assunto, o sermão referente a Gênesis 6:1-4 pode ser substituído pelo sermão pregado por John MacArthur sobre I Pedro 3:17-22 (Clique aqui e leia). Veja abaixo os links dos sermões já publicados desta série.


Clique aqui e leia os sermões traduzidos de John MacArthur sobre o livro de Gênesis


Este texto é uma síntese do sermão “God’s Miraculous Restoration of Mankind”, de John MacArthur em 22/04/2001.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-261

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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