Segurança Em Meio Ao Pânico

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Estou alegre com a oportunidade de abrirmos a Palavra de Deus juntos, e tentar ajudá-lo a entender o que você provavelmente já sabe: o Senhor nos revelou suficiente verdade em Sua Palavra, para lidarmos com qualquer um dos problemas da vida, e certamente isso inclui aquele em que todos estamos envolvidos agora, com essa crise de saúde mundial.

Ao relembrar, agora, os cerca de 51 anos de ministério aqui na Grace Church, lembro que ao longo dos anos, basicamente, estudamos a Bíblia livro por livro, capítulo por capítulo, verso por verso, às vezes palavra por palavra. Nós fizemos isso com todo o Novo Testamento. Nos primeiros anos pregados no Antigo Testamento, chegamos ao Salmo 72, se bem me lembro, de uma série de sermões que estávamos fazendo nas noites de quarta-feira.

Ocasionalmente, além da pregação expositiva normal, somos forçados a abordar, mais ou menos, eventos raros, que dominam tanto a sociedade que todos ficam cientes deles. E penso nos momentos em que vim a este púlpito e abordei sobre um problema que, de alguma forma, havia se tornado tão difundido, que não pude ignorá-lo.

Acho que a primeira vez que isso aconteceu foi em 2 de março de 1988. Havia um evangelista de televisão muito famoso, conhecido por qualquer pessoa que tivesse uma televisão naquela época, com o nome de Jimmy Swaggart, e houve uma queda maciça em sua vida, tanto que foi esculachado por toda a mídia. E lembro-me de pregar sobre a queda desse evangelista, uma lição em torno da ideia de naufrágio moral. Era algo que eu não pude evitar, porque estava presente nas notícias.

Alguns anos depois, em 20 de janeiro de 1991, os Estados Unidos se envolveram na Guerra do Golfo. E as pessoas estavam fazendo todos os tipos de perguntas sobre: Como os cristãos se relacionam com a guerra? O que a Bíblia diz sobre a guerra? Devemos ir à batalha? E então, fiz uma breve série sobre guerra, o que a Bíblia diz sobre guerra.

Apenas um ano depois, aqui em Los Angeles – de fato, no dia 3 de maio de 1992 – tivemos um evento que assustou nossa cidade por um longo tempo. Ficou conhecido como “os distúrbios de Los Angeles”. O assunto estava, é claro, também na mídia global, e eu precisava abordar isso de uma perspectiva bíblica; então eu fiz. Tivemos uma mensagem sobre a perspectiva bíblica e o que isso revela sobre a humanidade.

Dois anos depois, era 23 de janeiro de 1994, quando tivemos um grande terremoto conhecido como “terremoto de Northridge”, e foi importante para nós, porque todo mundo aqui sentiu o tremor, tivemos que olhar para isso também de uma perspectiva bíblica. E lembro que a igreja recebeu muitas pessoas novas nas semanas após o terremoto, porque as pessoas estavam aterrorizadas.

Passou um pouco de tempo, e então era 16 setembro de 2001 e preguei uma mensagem sobre o 11 de setembro, acerca de terrorismo, jihad e a Bíblia. O evento do 11 de setembro aconteceu na terça-feira, e eu tive que analisar tudo, pelo menos da perspectiva bíblica, e estar pronto para explicá-lo à nossa congregação no domingo seguinte, 16 de setembro de 2001.

Onze anos se passaram antes que eu sentisse que havia outra questão que chegava ao nível em que tínhamos que parar tudo e abordar o problema, e era 23 de setembro de 2012. Foi quando houve uma eleição nacional em nosso país, e o partido democrata decidiu que duas de suas plataformas de campanha seriam homossexualidade e aborto.

Houve afirmações feitas pelo partido democrata para levar as pessoas a votarem nele, aqueles que apoiavam o massacre de bebês e a homossexualidade. Esse foi um momento decisivo na história de nossa nação e para o mundo. Três anos depois, a Suprema Corte legalizou o chamado casamento homossexual. Era 19 de julho, e preguei uma mensagem intitulada “Não vamos nos curvar”.

Agora, aqui estamos em 2020, e nossa nação está enfrentando algo que circulou o mundo, que criou medo, confusão, dúvida, perguntas em todos os lugares, e ainda não vimos o fim disso. Ainda está se movendo rapidamente. Não sabemos o resultado disso, não apenas o resultado físico da doença, mas as implicações que atingirão a todos do ponto de vista econômico.

E, apesar de que 99% das pessoas que contraíram o vírus irão se recuperar plenamente, ainda existe um medo crescente, não apenas da doença em si, mas de tudo o que está acontecendo ao redor e está mudando a vida das pessoas. E para ser sincero com você, provavelmente você não vai morrer disso.

A maioria de vocês que está me ouvindo não terá essa probabilidade, pois é um número muito pequeno de pessoas que morrem dessa doença. E como eu disse, quase todos infectados se recuperam. E, no entanto, as implicações disso são assustadoras para as pessoas, porque tiraram a vida do controle delas.

Agora, se você esteve conosco na semana passada [refere-se ao sermão pregado em 15/3/2020: Paz Em Um Mundo Perturbado] lembre-se de que nosso Senhor disse: “Pare de se preocupar com o amanhã, pois amanhã cuidará de si mesmo. Cada dia tem problemas suficientes. Pare de se preocupar.” Conversamos sobre isso em Mateus 6: “Não andeis ansiosos”. Você esqueceu quem é seu Pai? Você pertence ao Senhor. Você esqueceu a que família você pertence? Você não faz parte daquelas pessoas no reino das trevas, você faz parte do reino de Deus.

Você faz parte da família de Deus. Vocês são filhos de Deus, devem ser cuidados como membros de Sua família eterna. Lembre-se quem é seu pai, lembre-se quem é sua família. E terceiro, falamos sobre o fato de que você pode ter esquecido qual é o seu futuro. Você não precisa se preocupar com o seu futuro, pois está nas mãos de nosso Senhor.

Lembre-se de quem é seu Pai, lembre-se da sua família, lembre-se do seu futuro. Nós conversamos sobre isso da última vez. Você tem problemas suficientes hoje, não precisa projetar problemas que talvez nunca venham ocorrer no futuro. Todos nós temos problemas suficientes para o dia de hoje, já entendemos isso.

Saúde, emprego, dinheiro, casamento, filhos, pessoas difíceis, quero dizer, todas as categorias que nos trazem problemas. Mas essa crise é maior do que nunca na história recente da humanidade, e temos que admitir isso, e esta é uma boa ilustração para esse texto de Mateus 6.

Se você não estivesse sendo maciçamente informado sobre a crise atual, sobre o que está acontecendo em todo o mundo, provavelmente você estaria vivendo sua vida normalmente, sem alterações significativas em sua rotina.

Mas, não vivemos mais nesse mundo sem informação. Todos sabemos tudo, e o que isso faz é basicamente aumentar o fardo que carregamos. Já é o suficiente lidar com o problema em sua própria vida. E agora, por causa da mídia, temos literalmente de lidar com os problemas de todos no planeta, que são superexpostos a nós, gerando um fardo que se torna totalmente esmagador e debilitante, em alguns casos insuportável, e até deprimente.

O mundo pode ser um lugar difícil. Isaías 8:22 diz: “olhando para a terra, eis que haverá angústia e escuridão, e sombras de ansiedade, e serão empurrados para as trevas.” Nós entendemos isso. Em um nível mais pessoal, Salomão, escrevendo em Eclesiastes, capítulo 2, verso 17, disse: “Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito.”

Agora, esse é um homem que viveu antes da mídia. É um homem analisando a vida dentro de um contexto restrito de existência. Jesus disse, em João 16:33: “no mundo tereis aflições”, ou seja, você terá problemas! A palavra no grego traduzida como aflição quer dizer realmente “pressão”.

A Bíblia, no entanto, sempre nos diz isso: que Deus está presente em meio aos problemas, que Ele não está apenas olhando para o problema, Ele não está apenas permitindo o problema, Ele está no problema. Ouça Isaías 14:24: “O Senhor dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.”

Isaías diz, no capítulo 46, verso 10: “O meu propósito será firme, e farei toda a minha vontade.” Em outras palavras, Deus está dizendo “assim como eu falei, verdadeiramente vou fazer acontecer. Eu planejei, com certeza vou fazer”. E do que Deus está falando? De tudo, na verdade.

No profeta Amós, há uma declaração feita, na verdade algumas declarações feitas no terceiro capítulo de Amós, que quero ler para você. Amós é um livro muito breve, mas um livro muito rico, e essa parte em particular é muito útil para nós, quando pensamos em nosso estresse atual.

Amós capítulo 3, versículo 6: “Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” Algumas pessoas querem defender Deus pela responsabilidade pelo que dá errado. Essa não é a abordagem correta.

O versículo 7, de Amós 3, diz: “Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.” Então, Deus é quem faz as coisas. Mesmo a calamidade é feita dentro da estrutura da vontade do Senhor. E Ele diz que não faz esse tipo de coisa, a menos que revele Seu segredo a Seus servos, os profetas.

O que isso está nos dizendo é que, na História antiga, registrada na Palavra de Deus, quando Deus provocava uma calamidade, era inevitavelmente um julgamento, e esse julgamento tinha um aviso, e o aviso sempre vinha de Deus através dos profetas. Os profetas avisariam o povo, e então Deus levaria Seu julgamento onde houvesse um fracasso em se arrepender.

Deus não está se escondendo de Seus próprios julgamentos. Deus declarará Seu direito como um Deus justo e santo para julgar o pecado e a iniquidade; e quando chega o julgamento, Deus assume total responsabilidade por ele.

As pessoas querem exonerar Deus dos problemas, como se de algum modo os problemas O tornassem menos santo e puro, quando o fato é que a santidade, a absoluta pureza e a retidão de Deus exigem justiça e julgamento. A questão não é: “Por que Deus permite que essas coisas aconteçam?” A pergunta é: “Por que Deus não permite que elas aconteçam com mais frequência, ou até de maneira totalmente destruidora?”

No capítulo 3 de Lamentações, lemos no versículo 37: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?” Que afirmação incrível! Então, você vê a calamidade acontecer. Acontece porque o Senhor ordena. Versos 38 e 39: “Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem? De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.” Todos nós somos pecadores; não temos o direito de reclamar contra a santidade de Deus. Não podemos reclamar, somos pecadores.

Há um livro, escrito pelo rabino Kushner anos atrás, chamado “Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?”. E ele foi capítulo após capítulo tentando discutir porque coisas ruins acontecem a pessoas boas. Mas o livro poderia ter sido muito simples. Você abriria o livro e leria: “Não há pessoas boas!”. “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Coisas ruins sempre acontecem porque não existem pessoas boas; todos somos pecadores.

Agora, nos tempos antigos, como lemos anteriormente em Amós, Deus revelaria Seu próximo julgamento através de Seus profetas. Deus revelaria Seu propósito para que Seu povo soubesse o que estava por vir, e o motivo pelo qual estava por vir. Isso aconteceu muitas vezes nas Escrituras.

Mas não aconteceu assim em todos os julgamentos de Deus, e não é o caso agora, porque não existem mais profetas, como os profetas do Antigo Testamento. Não há nova revelação, Deus não está revelando coisas; a revelação de Deus já está completa, tendo sido concluída no livro de Apocalipse, nas Escrituras.

Então, estamos olhando o mundo e vendo as coisas acontecerem, mas não temos os profetas, como o pessoal do Antigo Testamento tinha. Assim, podemos dizer com Isaías 45:15: “Verdadeiramente, Tu és um Deus que se esconde”. Não recebemos uma palavra do céu agora. Não estamos ouvindo Deus falar sobre o motivo de tudo isso estar acontecendo. Isso nos coloca em uma situação interessante. Isso nos coloca em um lugar muito parecido com um personagem da Bíblia, e esse personagem é Jó.

viveu no período patriarcal, naquela época de Gênesis. Ele nos é apresentado no primeiro capítulo como um homem na terra de Uz, sem culpa, justo, temente a Deus, e que se afastava do mal. Isso é o melhor que se pode dizer sobre alguém, isto é, que a salvação e a santificação já estavam operando no período patriarcal. E todos nós sabemos a história. Ele tinha uma grande riqueza, uma família numerosa e, de repente, tudo começou a dar errado em sua vida, e ele não soube o porquê.

Nós sabemos o porquê, já que nos capítulos 1 e 2 de Jó, Satanás vem a Deus e diz: “Jó teme a Deus em troca de nada?” Em outras palavras, segundo Satanás, a razão pela qual Jó teme a Deus, a razão pela qual ele é justo, a razão pela qual ele é um homem tão bom, a razão pela qual ele O adora da maneira que ele faz é porque Deus o abençoou muito. Deus fez uma cobertura de proteção ao redor dele, de sua casa e de tudo o que ele tem. Deus abençoou o trabalho das mãos dele, deu a ele bens e riquezas. Essa é a lógica de Satanás.

E então, Satanás diz a Deus, Jó 1:11: “Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.” Em outras palavras, Satanás estava dizendo: “Jó Te adora, serve, porque Você o abençoou. Tire a benção, e ele Te amaldiçoará.”

Portanto, este é o teste: “Um homem fiel e justo será fiel e justo quando tudo lhe tiver sido retirado?” E a história se desenrola a partir daí. Deus diz: “Vou provar o caráter da fé salvadora. Vou provar o poder da vida espiritual. Vou provar o poder da santificação.” E assim, Deus permite que Satanás desencadeie todos os tipos de horrores em Jó.

E Jó perde tudo. Seus amigos aparecem, e dão conselhos muito ruins, e ele está lutando com tudo isso. Ele está lutando porque não entende o que está acontecendo. Ele não sabe sobre a conversa entre Deus e Satanás. Deus está oculto, a conversa está oculta. Ele não sabe porque tudo está acontecendo. Seus amigos lhe deram respostas erradas. Eles lhe dão boa teologia em um sentido genérico, mas mal aplicada e irrelevante no caso dele.

Finalmente, depois de ouvir maus conselhos, más ideias e condenação de seus amigos que não são legítimos, Deus fala a Jó. Isso está no capítulo 38 de Jó. E Deus não dá nenhuma explicação a Jó. Deus não diz: “Olha, Satanás e Eu estávamos em um confronto, e é por isso que estou fazendo isso, porque quero provar a validade de tua fé. Quero provar que a fé salvadora é eterna e não pode ser quebrada. Eu quero provar o poder da santificação.” Ele não diz nada sobre isso. Ele não conta nada a Jó sobre a conversa com Satanás.

Então, aqui Deus esconde a realidade; e o que Deus faz dos capítulos 38 a 41 é uma enxurrada de perguntas que dizem essencialmente a Jó: “Você nem tem o direito de fazer esta pergunta!”. O Senhor diz:

2 Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
3 Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.
4 Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-me saber, se tens inteligência.
5 Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
6 Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina,
7 Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?
8 Ou quem encerrou o mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre;
9 Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa?
10 Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos,
11 E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?
12 Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar.

E o texto continua nesse mesmo tom. Versículo 16: “Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo?” Versículos 19-20: “Onde está o caminho onde mora a luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar; para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa?”

Em outras palavras: “Você não tem o direito de saber nada! Quem você pensa que é, para me questionar? O que Eu faço está tão acima de você, tão infinitamente acima de você, que não faz sentido que você me questione.” No versículo 31, Deus até se refere ao fato de que Ele projetou e pôs em funcionamento as constelações e as identificou. Verso 39, Ele fala sobre os animais e entra no verso 1, do capítulo 39, falando mais sobre mais animais.

Capítulo 40, versículo 2: “Porventura o contender contra o Todo-Poderoso é sabedoria? Quem argui assim a Deus, responda por isso.” Jó, finalmente, entende a mensagem e diz nos versículos 4 e 5: “Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho à boca. Uma vez tenho falado, e não replicarei; ou ainda duas vezes, porém não prosseguirei.” Em outras palavras: “Ok, isso está muito além de mim. Não tenho como entender.”

Deus não terminou de falar com Jó. No capítulo 41, Ele começa tudo de novo: “Você consegue pescar com anzol o leviatã ou prender sua língua com uma corda? Consegue fazer passar um cordão pelo seu nariz ou atravessar seu queixo com um gancho?“, falando de grandes monstros marinhos. E Deus continua com a mesma abordagem durante todo o capítulo 41.

E Jó, finalmente, no capítulo 42, verso 1, diz: “Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” O que Jó aprendeu de tudo isso? Deus é soberano. Jó declara: “Entendi! Esse conhecimento está oculto, é maravilhoso demais para mim. Eu não consigo entender o porquê de tudo isso.”

E ele diz nos versículos 5 e 6 do capítulo 42: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza”. Jó pede perdão por presumir que ele poderia entender os propósitos de Deus. Mas Deus lhe estava ensinando que: “Você não precisa saber tudo, Jó. Confie em Mim. Confie em Mim.”. E Jó responde: “Eu me arrependo. Eu confio em Ti.”

Conhecer a mente divina em todas as suas infinitas complexidades não é possível para nós. As inúmeras, incalculáveis, infinitas complexidades e contingências que funcionam na mente de Deus, que O levam a fazer o que faz, da maneira que faz, e onde faz, estão muito além da nossa capacidade de compreensão.

E certamente, saber as razões pelas quais Deus faz alguma coisa, e conhecer o futuro, está além de nós. Não está apenas além de nós, mas não é bom para nós termos esse conhecimento. Você não gostaria de saber o seu futuro. Você pensa que sim, mas não gostaria.

Se você conhecesse o futuro, isso lhe roubaria a alegria no presente. Se você soubesse que o futuro será melhor, isso lhe roubaria a alegria atual, porque você estaria antecipando algo melhor. Se você soubesse que o futuro será pior, isso lhe roubaria a alegria presente, porque você viveria com medo. Você não quer saber que sofrerá um acidente de carro em seis meses. Você não quer saber que terá câncer em três anos.

Você não quer saber que seu filho vai morrer. Você não quer saber que sua esposa vai deixar você. Você não quer saber que alguém que você ama sofrerá um acidente de avião. Você não quer saber que a morte está pairando sobre sua casa, você não quer saber disso. Você não pode viver com isso agora, isso roubaria toda a sua alegria.

Deus é complexo demais para você entendê-Lo, e Ele permite que você apenas saiba o que precisa saber. E o que você precisa saber é que Ele nos promete – como lemos no Salmo 103 – compaixão, bondade, graça, misericórdia, perdão, amor paternal e carinho, por sermos Seus filhos. É isso que você precisa saber, e é realmente tudo o que você precisa saber. “Confie em Mim. Confie em Mim”, diz Deus.

Então, estamos vendo as coisas acontecerem em nossa vida, em nosso mundo, e elas acontecem muito mais rapidamente do que talvez no passado, porque a lei da entropia está funcionando, as coisas estão se deteriorando. Talvez, mais especificamente, elas tenham um volume muito maior, porque nós, pela mídia, sabemos tudo o que há de errado em todos os lugares.

Então, o que fazemos? Como Jó, dizemos: “O que está acontecendo, Deus? O que está acontecendo? Eu exijo saber! Eu quero saber?” E Deus nos diz: “Está muito além da sua capacidade de compreensão”. Basta olhar para toda a criação: macrocriação, microcriação, tudo o que existe, todos os corpos no espaço, todas as moléculas da vida neste planeta. A complexidade é tão grande! E Deus trabalha tudo simplesmente nessa complexidade, de modo que uma explicação dada a você estaria completamente além da sua compreensão.

Há algumas coisas que Deus quer que você saiba com certeza, e aqui está a principal: que Ele trabalha todas as coisas de acordo com Sua vontade. Deus “faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade”, Efésios 1:11. É isso que você precisa saber.

E então, você precisa saber disso, Romanos 8:28: “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Ele faz tudo de acordo com Sua vontade no Universo. E Jó é o testemunho de Deus de que Ele comanda tudo no Universo.

A segunda verdade que Deus quer que você saiba é que Ele está encarregado de absolutamente tudo, em um nível de complexidade que está tão além da sua compreensão, que explicar isso seria inútil. Ele quer que você saiba disso: tudo opera segundo a vontade Dele. Ou seja, Ele é absolutamente soberano no mundo. Ele está no controle, e o que Ele decreta é exatamente o que acontece. E Ele quer que você saiba que se você pertence a Ele, tudo está trabalhando junto para o teu bem.

E então, há uma terceira verdade que Ele quer que você saiba, e é que, no final, tudo é para a Sua glória. Ele está fazendo o que quer, o que deseja, em tudo. Ele está operando para o teu bem em tudo, porque Ele ama você e você é Seu filho. Ele deve receber a glória no final por tudo isso. John Piper estava olhando para Romanos 8:28, “Todas as coisas operam juntamente para o bem”, e ele escreveu o seguinte, extraindo exemplos de vários textos bíblicos:

Todas as coisas incluem a queda de pardais, o lançamento de dados, o massacre de Seu povo, as decisões dos reis, a falta de visão, a doença das crianças, a perda e o ganho de dinheiro, o sofrimento dos santos, a conclusão de planos de viagem, a perseguição de Cristãos, o arrependimento das almas, o dom da fé, a busca da santidade, o crescimento dos crentes, a doação da vida e a morte, e a crucificação de Seu Filho.

Em Isaías 46:9-10, Deus diz: “Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.” Isso não quer dizer que Deus cria o mal. Mas, significa dizer que Deus não é dominado pelo mal, mas que Deus controla o mal para Seus próprios fins e propósitos, todos justos e gloriosos.

Então, o que estou tentando propor é que você se coloque no lugar de Jó, e também tentando te informar que Deus está se escondendo nesse evento [a crise mundial de saúde], e não há profetas para declarar o que Ele está fazendo. Então, o que devemos fazer em resposta a isso?

Saiba disso, que tudo o que está acontecendo está sob Sua vontade, que tudo o que acontecer será bom para aqueles que O amam e são chamados de acordo com Seu propósito e, finalmente, será tudo para Sua própria glória, porque: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:36).

Ele não nos diz o porquê de tudo o que faz. Ele não nos diz o futuro, porque não podemos nem lidar com o problema do presente. Deus nos poupa misericordiosamente do conhecimento do futuro. A informação que Deus nos dá é tudo o que precisamos. A ignorância do futuro leva à confiança em Deus, que assegurou eternamente o nosso futuro, e a ignorância sobre o futuro é um presente doce e gentil de Deus para nós.

Se Deus nos desse mais informações, não entenderíamos. Não faria sentido para nós, porque só faz sentido para Deus, que é uma mente infinita. As contingências relacionadas a qualquer informação que nos foi dada seriam tão complexas, que nos sobrecarregariam. Deus quer que saibamos isso: “Você é Meu. Eu te amo. Enviei Meu filho para morrer por você. Você é meu filho. Confie em Mim. Confie em Mim.”

Deus está no comando de tudo. Ele não está revelando tudo, mas está fazendo algo, e isso está nos ensinando a confiar Nele. Ele está nos ensinando a confiar Nele. E a maioria dessas lições é muito mais aprimorada, muito mais intensa e muito mais eficaz quando estamos com problemas.

Não aprendemos muito quando tudo está indo bem, não ouvimos muito bem. Começamos a ouvir quando estamos no fim de nossa capacidade de controlar algo, quando a vida está se afastando de nós, quando forças além de nós assumiram o controle.

Talvez nos tornemos um pouco mais atentos para ouvir. E o que Deus nos diria? Que lições Ele deseja que aprendamos? Vou dar algumas dessas, apenas uma lista tirada de várias passagens das Escrituras.

Mas deixe-me contar o que Deus está fazendo na sua vida e na minha vida neste momento de angústia:

Número um: Deus usa problemas para testar a força de nossa fé e isso em um sentido geral, em um sentido amplo, mas é aplicável em um sentido específico. E, a propósito, Ele não precisa testá-lo para obter Suas informações, Ele já sabe a força de nossa fé. Mas nós não sabemos. Assim, Ele nos testa para nossa informação, para que saibamos.

Ouça Êxodo, capítulo 16, versículo 4: “Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.” O povo deveria coletar o maná para cada dia, e confiar que Deus lhes daria provisão no dia seguinte. E no sexto dia, eles poderiam coletar o dobro, porque não haveria maná no sábado (verso 5). O povo obedeceria?

Tratava-se de um teste. Eles precisavam de comida. Eles não sabiam de onde viria a comida. Eles estariam dispostos a fazer o que Deus disse quando estivessem colocando suas vidas em risco? Provavelmente, o que estava na mente de qualquer judeu no deserto naquela época era: “vou coletar tudo o que puder!”.

Eles fariam com o pão o que todo mundo está fazendo com os suprimentos agora no mercado, estocando o máximo de comida e outros itens. Há um pânico generalizado, que é uma prova para a fé. Você crê que Deus fornecerá seu alimento no dia seguinte? Ele te disse: um dia de cada vez. Este é um teste para ver se você realmente confia Nele.

No capítulo 8 de Deuteronômio, Deus ainda está testando o povo de Israel:

1 Todos os mandamentos que hoje vos ordeno guardareis para os cumprir; para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR jurou a vossos pais.
2 E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não.
3 E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem.

Outra ilustração disso pode ser encontrada na profecia de Habacuque. O profeta vê a desgraça no horizonte e diz na abertura de sua profecia:

1 O peso que viu o profeta Habacuque.
2 Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás?
3 Por que razão me mostras a iniquidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio.
4 Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida.

E qual a resposta de Deus a Habacuque? Veja:

5 Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada.
6 Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas.
7 Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua dignidade.
8 E os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, e mais espertos do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; os seus cavaleiros virão de longe; voarão como águias que se apressam a devorar.
9 Eles todos virão para fazer violência; os seus rostos buscarão o vento oriental, e reunirão os cativos como areia.
10 E escarnecerão dos reis, e dos príncipes farão zombaria; eles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão.

Em outras palavras: “Você está perguntando até quando? Olhe para as nações! Observe!”, responde Deus. Ele estava dizendo: “Porque eu vou fazer algo nos seus dias que você não acreditaria, se te contassem. Não vai parecer bom. Mas, confie em Mim.” Essa é a lição. Esse foi um teste para a fé de Habacuque.

Como Habacuque se saiu com o teste? Bem, no capítulo 3 de Habacuque, há uma das partes mais maravilhosas das Escrituras. O versículo 16 relata a reação imediata de Habacuque : “Ouvindo-o eu, o meu ventre se comoveu, à sua voz tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e estremeci dentro de mim; no dia da angústia descansarei, quando subir contra o povo que invadirá com suas tropas.” Ele está aterrorizado, porque a profecia está dizendo a ele que os invasores estão chegando, e eles estão vindo com poder e juízo sobre o povo judeu.

Mas, observe a fé de Habacuque, a partir do versículo 17:

17 Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;
18 Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.
19 O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. 

Lembre-se que aquela era uma cultura totalmente agrária, que dependia do campo. Se tudo o que é previsível – figueiras florescendo, frutas aparecendo nas videiras, o fato de o azeite não falhar há centenas de anos da mesma árvore – se tudo o que é normal e rotineiro mudasse dramaticamente, a alegria, confiança e paz do profeta permaneceriam. Na verdade, no final do texto ele dá instruções para o diretor do coral transformar o texto em uma música em um instrumento de cordas.

Em outras palavras: “Se tudo no meu mundo que eu sei que é rotineiro e normal desaparecer, e for tão dramaticamente alterado como se não existisse, eu ainda me regozijarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força. Eu sou como uma cabra da montanha em lugares altos.”

É por isso que Deus traz os problemas. E não precisa nos explicar nada. O que Ele faz nesse problema, antes de tudo, é testar nossa fé Nele. 2 Crônicas 32:31 diz sobre Ezequias: “Contudo, no tocante aos embaixadores dos príncipes de babilônia, que foram enviados a ele, a perguntarem acerca do prodígio que se fez naquela terra, Deus o desamparou, para tentá-lo, para saber tudo o que havia no seu coração.” Não que Deus não soubesse, mas para que Ezequias pudesse saber. Deus sabe o que está em nosso coração. Deus sabe tudo. O teste é para nós, para que possamos fazer uma avaliação honesta de nossa fé.

Então, como você está nesse caos momentâneo por causa de um vírus? Como está tua fé? Você deve se regozijar, de acordo com Pedro, em 1 Pedro 1: 6-7:

Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.

Pedro está dizendo: “Você deveria estar agradecido por estar passando por uma provação, porque ela provará a validade de tua fé”. Essa é a razão pela qual, no que diz respeito aos crentes, Deus permite que essas provações venham para nós e testem a força de nossa fé.

Em segundo lugar, Deus tem um segundo propósito nas provações, que é nos humilhar. Alguém que passa por um teste de fé, de forma legítima e honesta vai constatar: “Preciso de mais fé, preciso de mais fé” – e isso nos humilha. A prova mais severa de fé, na pessoa mais fiel, provavelmente não fará com que essa pessoa se orgulhe de sua fidelidade, mas a pessoa mais piedosa e espiritual no meio da provação, diria: “Senhor, creio. Fortaleça minha fé.”

Em 2 Coríntios 12, há um texto que fala muito diretamente sobre isso. Paulo está sofrendo com um espinho na carne. Esse espinho na carne provavelmente não é uma doença física. É descrito como um “mensageiro de Satanás”. A palavra “mensageiro” aí é “angelos”, ou seja, um anjo satânico, um demônio.

Muito provavelmente esse demônio o atormentava não em um nível pessoal, mas o atormentava liderando os ataques à sua amada igreja de Corinto, e isso tornou-se doloroso e angustiante para Paulo, o fato de que os falsos mestres, liderados por demônios, estavam destruindo sua amada igreja de Corinto.

Então, no versículo 7, ele diz: “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.” Por que Deus permitiria que os falsos mestres, de inspiração demoníaca, causassem danos à igreja de Corinto? A resposta é: para humilhar Paulo.

Quando você pensa em Paulo, você pensa no mais piedoso dos homens. E, no entanto, a tentação do orgulho era uma realidade em sua vida, por causa das muitas revelações que ele teve. E ele diz, em outras palavras: “Até eu, no meio dessa provação, reconheço que Deus está me humilhando.” Nos versos seguintes, ele diz:

8 Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.
9 E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
10 Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.

Paulo está sendo esmagado em seu coração. É como uma lança sendo empurrada através dele. A palavra “espinho” aí se refere a muito mais do que a um pequeno espinho. É essencialmente uma lança sendo conduzida por seu corpo por ver o que está acontecendo com a igreja de Corinto. Mas o Senhor está permitindo que isso o humilhe, porque ele teve muitas revelações. Ele precisava ser humilhado. Ele precisava reconhecer que o poder espiritual é aperfeiçoado na fraqueza.

O Senhor nos coloca em provações, então, para testar a força de nossa fé, e para nos mostrar que nossa fé é muito menor do que deveria ser – até no mais nobre de nós, como Paulo – e, portanto, nos humilhar até o ponto de dizermos, como Paulo: “Estou bem contente com as fraquezas. Me dê mais provações, se elas vão me humilhar.”

Quaisquer que sejam as angústias atualmente, você deveria estar dizendo:

Senhor, eu não sou o que deveria ser. Agradeço-Te pela realidade da minha fé, a veracidade da minha fé. Ela é real, pois minha fé se mantém e permanece em meio às provas. Este teste provou a validade da fé que o Senhor me deu em Cristo.

Mas você ainda pode dizer: “Senhor, traga mais provas, o que for preciso para me humilhar, porque sei que o Teu poder está aperfeiçoado na minha fraqueza.” Você já orou assim? Orar assim é como dizer: “Eu nunca quero ser a explicação para minha utilidade ao Senhor. Quero que a explicação sempre seja o poder Dele em mim.”

Paulo estava contente, diz o versículo 10. Ele estava contente com as fraquezas, insultos, angústias, perseguições e dificuldades por causa de Cristo, porque eles o levavam à realidade de sua fraqueza, que então se relaciona ao fato de que ele precisava depender de Deus.

Portanto, o Senhor traz essas provas para nossas vidas para testar a força de nossa fé. E nos testes, inevitavelmente, nosso orgulho e autoconfiança são expostos e somos humilhados.

Ainda existe uma terceira razão pela qual o Senhor testa a nossa fé com provações: o Senhor está nos afastando das coisas terrenas. Em Colossenses 3:1-2, Paulo diz: “buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra.”

Sabemos que precisamos buscar as coisas do alto, acreditamos nisso, mas isso é difícil de fazer, porque estamos muito envolvidos com as coisas da terra. E não estamos vivendo em uma cultura como era a cultura nos tempos bíblicos, em que as coisas da terra eram bastante minimalistas, onde as pessoas não acumulavam coisas, mas viviam com o básico. A vida era escassa. Você tinha a roupa do corpo e, talvez, uma ou duas peças a mais.

As pessoas tinham comida para pouco tempo, e sempre tinham que encontrar uma maneira de conseguir mais comida. Elas tinham que cultivar seu alimento, e tinham que processá-lo si mesmas. Mas, mesmo naquele mundo, era fácil se envolver com as coisas terrenas. Então, Paulo diz, versos 2 e 3: “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.”

Quais são as coisas terrenas das quais você precisa se afastar? A partir do verso 8, Paulo nos responde: imoralidade, impureza, paixão, desejo maligno, ganância, raiva, ira, malícia, calúnia, discurso abusivo. Não minta. Coloque o seu eu renovado em um conhecimento verdadeiro, de acordo com a imagem de quem o criou.

Seja marcado por compaixão, bondade, humildade, gentileza, paciência, perdoando um ao outro, quem quer que tenha uma queixa contra alguém, assim como o Senhor te perdoou, você também deveria fazê-lo.

Além de todas essas coisas, tenha amor, que é o vínculo perfeito da unidade. Deixe a paz de Cristo reinar em seu coração, para a qual de fato você foi chamado em um corpo, e seja grato. E então, deixe a palavra de Cristo ricamente habitar dentro de você, com toda a sabedoria, ensinando e admoestando uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando com gratidão em seu coração a Deus.

Tudo o que você fizer em palavras ou ações, faça tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças por meio dele a Deus Pai. Uau! Essa é uma vida divina. É isso que significa fixar sua mente nas coisas de cima e não nas coisas da terra.

Um dos benefícios de um teste massivo como esse sob o qual estamos agora, com essa epidemia e todos os seus efeitos, é o fato de que, em certo sentido, o botão de “reset” foi acionado em todas as nossas vidas. Não sabemos como será o próximo capítulo. Mas sabemos disso: que é para o nosso bem, está de acordo com a vontade de Deus e trará glória a Ele.

E assim, abordamos esse assunto com alegria, paz, amor, pureza, santidade, virtude e bondade. Em outras palavras, compreendemos todas as realidades celestiais que nos foram confirmadas pela obra do Espírito Santo em nossos corações.

Há um quarto motivo pelo qual Deus nos testa: as provações nos chamam à esperança celestial. Em 2 Coríntios, capítulo 4, Paulo encerra o capítulo reconhecendo as dificuldades. Versículo 16 de 2 Coríntios 4: “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.”

No meio dos problemas, além de estarmos focados naquelas coisas celestiais, estamos focados na renovação do homem interior. Em outras palavras, fomos afastados do mundo, agora estamos andando mais no Espírito e estamos em contato com o que o Senhor está fazendo em nossos corações.

Versículo 17: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente.” Em outras palavras, como você responde à provação está diretamente relacionado à sua recompensa eterna. Verso 18: “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.”

Ele continua dizendo, no capítulo 5, verso 1: “Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus.” Quando as coisas começam a ser tiradas de você neste mundo, seu foco muda para a glória eterna. Na linguagem de Romanos 8, você está buscando a redenção do seu corpo. Você já teve a redenção da alma, mas está buscando a redenção do corpo, quando seremos transformados na própria imagem de Jesus Cristo.

Há ainda uma quinta razão pela qual Deus nos prova: para revelar o que realmente amamos. O que você ama? Esta crise atual é o tipo de situação que irá revelar isso. Tem algo especialmente querido para você? Vai aparecer em um momento de estresse.

Não posso deixar de pensar em qualquer outra passagem, exceto em Gênesis 22, quando a mais horrível de todas as situações ocorre. Deus diz a um homem que tire a vida de seu filho amado, o filho da aliança. O homem é Abraão, o filho é Isaque e Deus diz: “Quero que você tire a vida dele”. Todas as esperanças de Abraão, e todas as suas conexões com a promessa de Deus, estavam em Isaque.

Mas Abraão levou Isaque, diz Gênesis 22, amarrou-lhe, colocou Isaque no altar, em cima da madeira, estendeu a mão, pegou a faca para matar o filho. “Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho.” (Versos 22-23).

Temer, não no sentido de terror, mas no sentido de respeito. Abraão tem tanto respeito por Deus, que quando Deus lhe disse para tirar a vida de seu filho, ele estava pronto para mergulhar a faca. O escritor de Hebreus nos diz o que estava na mente de Abraão: ele acreditava na promessa da aliança de Deus com tanta força, que sabia que Deus ressuscitaria Isaque dentre os mortos para cumprir essa aliança. Não há dúvida de que Abraão amava Isaque. Também não há dúvida de que ele amava mais a Deus.

É o que acontece em tempos de angústia. O que você realmente ama, quem você realmente ama se manifesta. E se você realmente ama a Deus, então, no meio de toda a angústia, você se regozijará, porque Deus está na angústia. É a vontade Dele para o teu bem e para a Sua glória.

Ouça Deuteronômio 13, versículos 3 e 4:

Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma. Após o Senhor vosso Deus andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis.

É isso que você está fazendo agora: está descobrindo quem você realmente ama.

Há outra razão pela qual Deus está trabalhando em nossas vidas por meio das provas: Ele está nos colocando em provações que nos permitirão ajudar outras pessoas em suas provações. Penso em Lucas 22, onde Jesus diz, em outras palavras: “Pedro, você vai passar por isso. Você vai me negar três vezes. Mas, no final, quando você se converter, quando se virar e seguir o caminho certo, fortalecerá os irmãos.”

O Deus de todo conforto, diz Paulo, nos conforta, para que possamos consolar os outros. Esta é a obra de Deus. Tornamo-nos mais úteis para os outros. Tornamo-nos mais dedicados ao Senhor, porque O amamos mais do que qualquer outra coisa. E qualquer outra coisa que possa ser tirada de nós só nos deixará com menos, o que torna mais fácil focar em quem realmente importa, isto é, Deus. Você acredita que O ama com todo o seu coração e com toda a sua alma? Esse é o teste!

E, por fim, uma palavra de conclusão bem simples: Deus faz o que Lhe traz glória. Se você O ama, você se alegra com essa realidade. Nós cantamos sobre isso. Cantamos o que os anjos declararam: “Glória a Deus nas alturas!”. Dizemos que queremos dar-Lhe glória em tudo.

Usamos a palavra “glória”. Queremos trazer honra e glória a Deus. É isso que Ele está fazendo através de todas as coisas. Deus receberá glória através desse estresse atual. Nós não sabemos exatamente por quais meios isso ocorrerá, mas Ele sabe, e é por isso que está acontecendo.

O final de tudo o que tenho a dizer para você é o seguinte: você faz parte de algo que Deus está fazendo, e você está numa posição privilegiada, se é um filho de Deus. Você está do lado celeste. Você está olhando para isso da perspectiva celestial. Você tem a visão de Deus sobre isso agora. E, novamente, sabe que tudo está dentro da Sua vontade, cada elemento dessa crise. É para o teu bem e, finalmente, para a glória de Deus. E o teu bem maior deve ser a glória de Deus.

Não nos preocupamos, porque sabemos quem é nosso Pai, sabemos quem é nossa família e sabemos qual é o nosso futuro. Nós não caímos na ansiedade. Mas nos tornamos aprendizes nesse tipo de situação. Temos a responsabilidade de aprender as lições que o Senhor está nos ensinando. Você pode dar uma olhada em tua própria vida e examinar onde você está em relação às coisas sobre as quais conversamos.

Mas, se você olhar para elas corretamente, verá essa crise não como uma ameaça, mas como uma oportunidade incrivelmente maravilhosa e promissora de crescer na graça e no conhecimento de Cristo, e se tornar mais como o Salvador, mais fiel ao Senhor, mais obediente, mais útil para Ele, mais alegre, produzindo mais fruto piedoso do que produziria sem essa provação.

Deveríamos ser as luzes brilhantes no meio de tudo isso. E quando isto passar, você será um discípulo fiel, todas essas lições terão sido para o teu bem e para a glória de Deus. Oremos:

Pai, agradecemos por termos podido ouvir de Ti em Tua palavra esta manhã. Obrigado por todos aqueles que se reuniram conosco em todo o mundo. E nossos corações são encorajados. Hoje nos alegramos. Nós não temos medo. Não temos nada a temer. Não temos preocupação ou ansiedade, porque Tu estás no controle de tudo. Tudo foi projetado para a Tua glória e para o nosso bem, enquanto o Senhor derrama graça sobre graça, misericórdia sobre misericórdia para o Teu povo, isso redunda em Tua glória através do aumento da adoração daqueles que são receptores dessa bênção.

Senhor, mostra a Tua glória. Deixe claro para todo o mundo observador que o Senhor reina e que és um Deus de salvação que a oferece pela fé em Jesus Cristo. E nos alegraremos com os resultados. Embora ainda não saibamos o que está acontecendo em todas as situações, sabemos que o Senhor está no controle de nossas bênçãos e da glória do Teu grande nome, e isso é para nós o suficiente. Agradecemos-Te, em nome do Salvador. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Finding security in a troubled world″, de John MacArthur em 22/03/2020.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/81-73/finding-security-in-a-troubled-world-

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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