Autoridade Perdoadora de Jesus

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Os doze primeiros versículos de Marcos 2 trazem uma das histórias mais maravilhosas e memoráveis ​​da vida e do ministério de nosso Senhor Jesus. Antes de olharmos para texto, no entanto, quero fazer um questionamento.

Pode parecer uma pergunta com uma resposta óbvia, mas às vezes as coisas não são tão óbvias quanto deveriam para alguns, então, deixe-me perguntar: Qual é o benefício principal que o cristianismo tem para oferecer ao mundo?  Suponho que haveria muitas respostas sugeridas.

  • Há pessoas que pensam que o grande legado do cristianismo é um tipo de moralidade, um tipo de abordagem ética da vida.
  • Outros pensam que o grande legado do cristianismo é que ele fornece um certo tipo de amor e carinho sacrificial pelas pessoas, a responsabilidade social.
  • Outros pensam que o principal benefício do cristianismo para o mundo é que ele proporciona uma espécie de tranquilidade na vida, à qual eles chamam de paz.
  • Há quem pense que o que o cristianismo realmente oferece às pessoas é satisfação na vida, ou um sentimento de realização ou propósito.
  • Resumindo tudo, há quem pense que o maior benefício do cristianismo é proporcionar às pessoas uma medida de felicidade religiosa.

Bem, eu concordo que há nas páginas das Escrituras um padrão moral, um padrão ético. Concordo que os cristãos são marcados por amor, paz e felicidade, que os cristãos expressam responsabilidade social com base em uma motivação maior do que qualquer outra pessoa, e que há uma incrível satisfação, propósito, realização no cristianismo. Mas, nada disso é o grande benefício do cristianismo. Esses são simplesmente subprodutos do grande benefício.

Há um grande benefício que o evangelho cristão oferece, que transcende todos os outros benefícios e leva a todos os outros benefícios. É um benefício, francamente, que corresponde diretamente à maior necessidade do homem. E é aí que o cristianismo se destaca de todas as outras religiões do planeta.

Somente o verdadeiro cristianismo atende à maior necessidade do homem. Existem religiões que oferecem ética, moralidade, responsabilidade social, valores familiares, uma medida de amor, paz, uma certa realização, satisfação, talvez até uma certa medida de felicidade.

Mas qual é a maior necessidade do homem?

A maior necessidade do homem, em resumo, é escapar da ira de Deus, que é derramada sobre os pecadores eternamente no inferno. Somente o Evangelho oferece o benefício que atende a essa necessidade. Somente através do Evangelho alguém pode escapar da ira de Deus derramada sobre os pecadores eternamente no inferno.

O que leva as pessoas para o inferno?

Você diria: o pecado. Não. Não é o pecado apenas que envia as pessoas para o inferno. Mas, é o pecado não perdoado. O inferno é ocupado apenas por pessoas cujos pecados nunca foram e nunca serão perdoados. O céu, por outro lado, é ocupado por pessoas cujos pecados foram todos perdoados.

Portanto, o que leva as pessoas a escaparem da ira de Deus no inferno eterno é o perdão de seus pecados. Essa é a maior necessidade do homem: mover-se do inferno para o céu. Somente o cristianismo verdadeiro oferece esse benefício, o perdão dos pecados. A maior necessidade de toda alma é o perdão divino de todo pecado, e o maior benefício do cristianismo é a provisão desse perdão completo.

Deus se apresenta, de maneira única nas Escrituras, como um Deus que está disposto a perdoar, que está ansioso por perdoar, que por natureza é compassivo, gentil, amoroso, misericordioso e procura salvar os pecadores de Sua própria ira. Essa é a mensagem do evangelho cristão. Se você pensava que a igreja cristã, o evangelho cristão ou a religião cristã tem alguma outra mensagem além dessa, você está enganado. Essa é a mensagem.

Em Atos, capítulo 13 e versículo 38, lemos: “Seja-vos pois notório, varões, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados.” Quando você crê no evangelho, recebe perdão dos pecados.

No capítulo 1 de Efésios, temos esta familiar declaração no versículo 7: “em quem…”, isto é, em Jesus, “…temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça”. Esta é a mensagem do cristianismo: Deus perdoará seus pecados. É o desejo de Deus perdoar seus pecados. O perdão é consistente com a Sua natureza.

Não apenas no Novo Testamento, mas também no Antigo, vemos o mesmo. Em Êxodo 34, versículos 6 e 7, Deus está Se apresentando, está falando sobre Si mesmo, e diz:

Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; que usa de beneficência com milhares; que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado; que de maneira alguma terá por inocente o culpado; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração.

Isso é Deus Se apresentando.

  • Em Neemias, capítulo 9, versículo 17, lemos: Tu, porém, és um Deus pronto para perdoar, clemente e misericordioso, tardio em irar-te e grande em beneficência, e não os abandonaste.”
  • No Salmo 103, versículo 12, temos esta memorável declaração: “Quanto o oriente está longe do ocidente, tanto tem ele afastado de nós as nossas transgressões.”
  • Isaías 38:17 diz: “tu, porém, amando a minha alma, a livraste da cova da corrupção; porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados.”
  • Em Isaías 43:25, Deus diz: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.”

Isso é incrível! Não há nada mais ofensivo para Deus do que o pecado, porque Ele é absolutamente santo. Mas, ainda assim, encontra glória no perdão dos pecadores. Nada é mais divino que o perdão. Nada é mais estranho à natureza humana do que o perdão. Nada é mais estranho para nós do que o perdão, porque nada é mais consistente com ser pecador do que ser vingativo.

Deus entende que a justiça deve ser perseguida. Deus realmente disse que é uma abominação para os homens justificarem um pecador. É igual à injustiça de declarar uma pessoa inocente culpada. Em Provérbios 17:15, as Escrituras dizem: “O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao Senhor.” E, no entanto, Deus faz isso, e somente Deus o faz, porque somente Deus pode perdoar o pecado. É Deus, de acordo com Romanos 4, que justifica os ímpios.

Como Deus pode justificar ímpios?

Sua justiça foi satisfeita na morte de Jesus Cristo, que substituiu o pecador, que morreu no lugar do pecador. Todos os pecados de todos aqueles que se arrependerão e crerão foram colocados em Cristo, e Ele morreu em nosso lugar, satisfazendo, portanto, a justiça de Deus.

Como a justiça de Deus é satisfeita por um sacrifício substitutivo perfeito, Deus pode perdoar pecadores que se arrependem e creem. E assim, esses pecadores escapam do inferno e a eles é prometido o céu eterno. Esta é a mensagem do evangelho cristão: Jesus veio para perdoar pecadores.

As Escrituras são muito claras de que somente Deus pode fazer isso, que somente Deus, aquele que é o juiz, o legislador e o que vai executar a sentença de condenação, e que também é o ofendido, é o único que pode perdoar. E Ele o faz, Ele deseja fazê-lo, Ele se deleita em fazê-lo, e Ele continuará a fazê-lo.

Esta história é sobre perdão. Vamos lê-la. Marcos 2, a partir do versículo 1:

1 E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa.
2 E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra.
3 E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.
4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.
5 E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados.
6 E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo:
7 Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?
8 E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações?
9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?
10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico),
11 A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
12 E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.

Agora, estamos apenas no segundo capítulo de Marcos, mas:

  • Nosso Senhor já demonstrou Sua autoridade sobre as doenças, não é mesmo? Sobre todos os tipos de doenças.
  • Ele demonstrou Sua autoridade sobre os demônios. Eles devem obedecê-Lo.
  • Ele demonstrou Sua autoridade no ensino, proclamando a verdade de uma maneira que nunca havia sido feita antes.

Ele tem autoridade sobre doenças. Ele tem autoridade sobre demônios. Ele tem autoridade sobre o reino da verdade. Agora, Ele quer que entendamos que Ele tem autoridade para perdoar pecados. É isso que está no coração deste milagre inesquecível.

Agora, essa história está cheia de pessoas. Então, vamos olhar para ela como se estivéssemos olhando através dos personagens que desempenham papéis na história. Nela, vemos a multidão, o paralítico, o Salvador, os líderes. E então, voltamos à multidão no final. A história se divide em três partes. Temos um cenário, a ação e a reação.

À medida que você passa pelas histórias do registro da vida de nosso Senhor, é assim que sempre ocorre. Há uma certa configuração que dá sentido à história. Há a ação na história. Depois, há a resposta, a reação, e é para isso que vamos olhar.

1. A MULTIDÃO CURIOSA

O cenário é a multidão curiosa. A ação envolve o paralítico crente, o Salvador perdoador e os líderes hostis. Aí veremos a resposta, novamente, da multidão atônita. Vamos trabalhar a história. Vamos começar com a multidão curiosa e entender o cenário:

1 E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa.
2 E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra.

Agora, “alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum” indica-nos que Ele esteve em algum outro lugar. E Ele esteve, por um período de tempo. Vários dias se passaram. Esse é um termo muito amplo. De fato, Lucas é igualmente indefinido. Lucas diz: “E aconteceu um dia”, ou literalmente traduzido do grego, “E aconteceu.”

Agora, sabemos onde Jesus esteve. Volte ao versículo 45 do capítulo 1. Ele não podia entrar em uma cidade, porque o homem que Ele havia curado da lepra havia sido instruído a não dizer nada, a não ser ficar quieto, seguir até Jerusalém, mostrar-se aos sacerdotes e fazer a purificação e o sacrifício necessários para que voltasse ao convívio em sociedade sem ser mais considerado um pária. Ele não fez isso. Mas, foi a todos os lugares e contou a todos sobre a cura. Isso despertou a empolgação da multidão, porque a lepra era a pior das piores doenças na época.

E assim, em vez de obedecer a Jesus, ele espalhou a notícia de sua cura milagrosa por toda parte, de modo que Jesus não podia mais entrar publicamente em uma cidade, permanecendo em áreas despovoadas para onde as multidões vinham a Ele de todos os lugares. Ele não podia entrar em uma cidade porque o excitamento das pessoas era avassalador.

Agora, lembre-se, em todos os lugares que Ele foi, Ele curou a todos. E isso se tornou um elemento debilitante para Ele no tocante à Sua mobilidade, por causa do enxame da multidão de pessoas com todas as suas enfermidades e necessidades físicas.

Jesus estava certamente disposto a curar, e Ele o fez. Mas, o que era mais importante para Ele, segundo o versículo 38 do capítulo 1, era pregar. Ele estava em Cafarnaum, quando disseram a Ele, no verso 37: “Todos te buscam.” Depois de Suas curas em Cafarnaum, curas em massa, como a da sogra de Pedro, houve uma inundação de pessoas em Sua vida, e tornou difícil para Ele pregar. Todo mundo estava clamando para ser curado.

E então, Ele disse, no verso 38: “Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue; porque para isso vim.” E Ele foi às sinagogas por toda a Galileia, ao redor do lago, pregando e expulsando demônios. Então, durante semanas, estendendo-se por meses, Ele esteve longe de Cafarnaum, e esteve por todo o lado, curando, expulsando demônios e pregando o glorioso evangelho da salvação, arrependimento e fé na graça de Deus e perdão.

Agora, o excitamento das multidões havia esfriado um pouco, porque Ele já estava no deserto há um tempo. Ele sente que poderia entrar novamente em Cafarnaum e que não seria completamente sufocado. Então, é hora de voltar. E aí, Marcos diz: “E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum…”. Vários dias depois de completar esse passeio pela área do lago, Ele volta, e o final do versículo diz: “… e soube-se que estava em casa.”

O lar de Jesus, durante o Seu ministério galileu, que durou cerca de um ano e meio, era em Cafarnaum e, muito provavelmente, Ele ficava na casa de Pedro e André. Essa era a Sua base. Ele volta ali, a maior cidade do lago, centro comercial norte e sul, leste e oeste, local movimentado. A guarnição romana estava lá, um escritório fiscal também. Era um lugar significativo.

O que Ele fez enquanto esteve fora? Expulsou demônios, curou, pregou. Então, Ele voltou. Quando chegou na casa de Simão e André, que é onde estava hospedado, o versículo 2 diz: “E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam”. Provavelmente essa expressão é um eufemismo. Significa que era uma cena de multidão. Não havia mais espaço para ninguém, nem mesmo perto da porta. Estava completamente lotado o lugar.

Agora, você precisa entender algo, e isso será uma verdade através do ministério de Jesus: as multidões não foram uma medida do sucesso do Seu ministério. As multidões não eram uma medida do sucesso espiritual. Marcos nunca diz que as multidões vinham a Jesus em arrependimento e fé. Nunca diz isso. Geralmente, elas eram curiosas. Por isso chamei esse primeiro ponto de “A multidão curiosa”.

Aquelas pessoas estavam espiritualmente passivas. Elas eram espiritualmente indiferentes. Elas não estavam comprometidas espiritualmente. Elas queriam a cura, assim como em João 6 elas queriam a comida. Mas, realmente não estavam buscando nada espiritual de Jesus, em geral.

É claro, existiam alguns verdadeiros seguidores e verdadeiros crentes, mas eles eram uma minoria.

  • A multidão realmente funcionou para obstruir Jesus, mais do que tudo, para dificultar que Ele ensinasse, por causa do clamor das pessoas que queriam que suas necessidades físicas fossem atendidas.
  • Se Ele estivesse na praia, tinha que entrar em um barco e ir para o mar, apenas para obter um pouco de espaço para respirar.
  • Eles tornaram difícil para Jesus ministrar, ensinar.
  • E mesmo quando Ele estava ensinando, as interrupções eram constantes, como essa incrível interrupção da história que estamos vendo, em que as pessoas começaram a cavar através do telhado, no meio da Sua pregação.

Apenas em particular, com Seus discípulos, Ele explicava a verdade em detalhes. Portanto, multidões não eram uma medida do Seu sucesso. As multidões curiosas eram atraídas pelo desejo de mais milagres. Elas geralmente eram indiferentes aos ensinamentos de Jesus, exceto pelo fato de perceberem sua singularidade, como no versículo 27, do capítulo 1, onde dizem: “Que é isto? Que nova doutrina é esta?”.

Uma reação semelhante a essa vemos no final do Sermão da Montanha, em Mateus 7:28-29: “E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.”

Mas, aquelas pessoas não estavam particularmente interessadas ​​na verdade espiritual. No entanto, Jesus estava pregando a Palavra para elas. A Palavra significa o evangelho, a Palavra de Deus, a Palavra sobre salvação, sobre o Reino, sobre entrar no Reino através do arrependimento e fé. Foi a mesma mensagem que pregou em Nazaré.

  • E você lembra que Lucas, no capítulo 4, registra que Jesus foi a Nazaré, a cidade em que viveu muitos anos, pregou uma mensagem lá, disse que era o ano favorável do Senhor, que Ele veio pregar o evangelho aos pobres, cegos, oprimidos, que veio para libertar os cativos, para proclamar a gloriosa liberdade da salvação.
  • No final desse sermão (Lc 4), os ouvintes tentam jogá-Lo de um penhasco e matá-Lo. Eles não tinham interesse na mensagem espiritual, e ficaram profundamente ofendidos por ela, porque lhes foi dito que deveriam reconhecer sua própria miséria e pecaminosidade, pobreza espiritual, cegueira, falta de liberdade, opressão espiritual. E eles não queriam se ver assim, pensavam que eram os santos.

E assim, Ele pregou a mesma mensagem, certamente, em Cafarnaum. Até onde sabemos, não houve reação como em Nazaré. Eles não tentaram matá-Lo em Cafarnaum. Ele fez de lá a Sua casa, e ficou lá. Então, surge uma multidão curiosa.

  • A propósito, apenas uma nota de rodapé, Lucas (5:17) acrescenta, sobre a mesma história que Marcos está nos contando: “estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judeia, e de Jerusalém.” Esses eram os guardiões da forma populista do judaísmo apóstata.
  • Eles eram os fundamentalistas, legalistas, arquitetos e promotores da salvação pelas obras, salvação pela justiça própria. Esse era o sistema que dominava o povo. Sim, eles acreditavam no Antigo Testamento, eles acreditavam na ressurreição. Eles acreditavam em anjos, em demônios, na predestinação, na responsabilidade humana, na lei escrita, lei oral.
  • Eles acreditavam na vinda do Messias, o Reino Messiânico. Eles não eram sacerdotes. Eles eram dedicados a manter o povo fiel à lei do Antigo Testamento e, mais importante, à tradição. Eles tinham um conjunto complexo de regulamentos que haviam desenvolvido, e que se tornou um muro em torno da lei, com a ideia de que isso protegeria a lei.
  • Mas, o que essas tradições e preceitos fizeram foi obscurecer a lei e colocar algo em seu lugar. Não era mais possível ver a lei. Tudo que se via eram os regulamentos que estavam em torno da lei. E, é claro, era um sistema condenatório, porque ninguém poderia ser salvo através de cumprir a lei.

Havia apenas cerca de seis mil fariseus naquele tempo, mas sua influência era difundida no sistema da sinagoga em toda a terra de Israel. O grupo dos fariseus teve sua origem depois que os judeus voltaram do cativeiro babilônico, no tempo de Esdras, cerca de 400 anos antes de Jesus vir. Eles desenvolveram, por 400 anos, esse sistema de judaísmo legalista, que não passava de apostasia.

E os fariseus estavam misturados na multidão naquele dia na casa em que Jesus estava pregando, porque começaram a marcar os passos de Jesus, já que estavam muito preocupados com o que Ele estava dizendo. Eles O viam como uma ameaça. Eles queriam pegá-Lo em alguma blasfêmia, para que tivessem um motivo para executá-Lo.

Agora, dentro do grupo dos fariseus, havia também o grupo dos escribas. Se você descer para o versículo 6, poderá ver que alguns escribas também estavam sentados lá. Os escribas eram os teólogos que pertenciam ao sistema dos fariseus.

  • Os fariseus eram os pregadores e mestres do sistema.
  • Os escribas eram os que organizavam o sistema. Eles eram os escolásticos, os estudiosos.
  • Nem todos os escribas eram fariseus. Nem todos os fariseus eram escribas.
  • Havia escribas que eram do grupo dos saduceus, e havia escribas independentes também.

Jesus seria considerado um escriba, completamente independente de qualquer uma dessas ordens ou seitas. Mas o Novo Testamento faz várias referências aos escribas do grupo dos fariseus. Cada sistema religioso, fossem os essênios, os saduceus ou os fariseus, tinha seus estudiosos que montavam seu sistema e, certamente, os fariseus tinham o deles. Alguns deles estavam sentados lá, ouvindo Jesus, de acordo com Lucas, capítulo 5, versículo 17.

Os escribas – fossem fariseus, saduceus ou independentes – eram chamados de “rabinos”, que significa “grande”. Era um título de honra que eles adoravam ouvir. Até Jesus, pelo menos cinco vezes no Evangelho de João, você se lembra, foi chamado de rabino ou rabi.

Então, eles eram os professores e teólogos, e estavam lá também. Eles estavam todos lá, querendo prender Jesus. Lucas 5:17 acrescenta algo que não está em Marcos: “E a virtude do Senhor estava ali para os curar.” Lembre-se, Jesus havia se restringido ao poder do Espírito Santo. O Espírito Santo estava lá com poder total para curar, e é por isso que as pessoas estavam lá, elas estavam lá para as curas. Mas, Jesus estava também pregando para a essa multidão movida pela curiosidade.

2. O PECADOR QUE CREU

E passamos do cenário para a ação. A ação começa com o pecador crente. Vamos chamá-lo de pecador crente, versículo 3: “E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.” Essa é uma cena comum, eu creio. De acordo com o Evangelho de Mateus, capítulo 4, versículo 24, Jesus curou muitos paralíticos.

Essa é a única descrição de um incidente em que Jesus cura um paralítico, no livro de Marcos. Mas, Ele curou muitas pessoas paralíticas, fossem paralíticas por razões genéticas, acidentais, ou decorrentes de alguma doença. Essa é a única cura registrada de um homem paralítico em Marcos e Lucas, embora Ele tenha curado muitos.

Lucas nos diz também que aqueles quatro homens que carregavam o paralítico queriam levá-lo a Cristo. Eles não conseguiram entrar pela porta, porque estava atolada, obstruída por conta de o local estar lotado. Então, eles trouxeram seu amigo, esse homem paralisado, que poderia ser paraplégico ou tetraplégico.

O versículo 4 diz: “não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão…”, o que nos lembra novamente que essa era uma multidão curiosa, não uma multidão particularmente simpática. Eu diria que se você tivesse em um local com alguém capaz de curar qualquer doença, e você estivesse em pé na porta, você poderia se mover e deixar alguém que fosse um tetraplégico passar. Mas, aquela era uma multidão muito egoísta, e eles não se mexeram para ajudar aquele homem.

Aqueles quatro homens que estavam carregando o paralítico estavam incapazes de levá-lo para dentro – e eles tentaram. Lucas 5:18 e 19 nos diz que eles tentaram. A multidão formava uma barreira. A multidão é sempre vista como uma obstrução ao que tinha que acontecer – inflexível, sem compaixão, indiferente. Mas, aqueles quatro homens eram pessoas bem determinadas. Então, eles removeram o teto da casa. E, quando cavaram uma abertura, desceram a maca em que estava o paralítico.

Deixe-me contar como as casas eram feitas naqueles dias:

  • Eram térreas e havia uma grande sala central, com um telhado plano, ao qual se tinha acesso através de uma escada externa.
  • O telhado era feito de grandes vigas e, entre as vigas maiores, havia pedaços menores de madeira, paus e palha.
  • Então, havia uma camada grossa de lama sobre a palha, e sobre a lama havia algum tipo de ladrilho.

Esse era o teto. E é por isso que a Bíblia diz que eles cavaram o telhado, porque precisariam remover o ladrilho, cavar o barro e a palha para encontrar um lugar grande o suficiente entre as vigas para abaixar um homem numa maca através do telhado.

Eles subiram no telhado e, antes de tudo, tiveram que determinar exatamente onde Jesus estava, porque não queriam abaixar o homem em outro lugar da sala. Se eles abaixassem o homem em qualquer outro lugar da sala, teriam que trabalhar no meio da multidão imóvel, para fazerem uma boa avaliação de onde Jesus estava.

Então, você pode simplesmente imaginar o Senhor lá, ensinando, pregando o evangelho do Reino e, de repente, a lama começa a cair em Sua cabeça, a palha começa a cair por todo o lugar. As pessoas estão olhando para cima. Essa era uma distração horrível!

Mas essas eram pessoas determinadas a fazer esse homem passar pelo buraco no teto. Certamente era perigoso. Lucas diz que eles calcularam com precisão e deixaram o homem bem na frente de Jesus. Marcos diz: “e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.”

Agora, a multidão estava concentrada nessa cena. Sabemos algo sobre aqueles quatro homens: eles criam que Jesus poderia curar aquele paralítico. Você concorda com isso? Quero dizer, eles se esforçaram ao extremo para levar aquele homem a Jesus. Eles só podiam crer que Jesus poderia curá-lo. Certamente o paralítico também cria.

Antes de tudo, ele poderia temer a vergonha de ter que se expor em público, porque qualquer tipo de enfermidade era considerada um castigo de Deus contra o homem, e pessoas assim não tendiam a sair em público. Então, esse homem realmente acreditou que Jesus poderia curá-lo, e sabemos que sim, porque no versículo 5, Jesus vê sua fé.

3. O SALVADOR QUE PERDOA

As pessoas que atravessaram o paralítico pelo telhado não disseram nada – pelo menos nada está registrado – nem mesmo: “Com licença… odeio interromper sua pregação, mas…”. Porém, Jesus fala, e isso é incrível, no versículo 5: “E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados.” Essa é uma afirmação realmente interessante.

Aqueles cinco homens tinham fé que Jesus poderia curar. Como eles tiveram essa fé? Isso era algum tipo de fé sobrenatural? Não. Eles acreditavam que Ele poderia curar. Por quê? Porque Ele estava fazendo isso o tempo todo. Isto é fé natural. Essa é a fé humana. 

  • É a mesma fé que permite que você entre no hospital e faça uma cirurgia. Porque você faz isso? Por que você deixa alguém te anestesiar? E então, eles te levam para uma sala e alguém te abre e manipula você. Por que você faz isso? Você não conhece o médico, não sabe como ele trata a esposa, filhos, amigos e inimigos.
  • Porque você faz isso? Porque você já sabe, por experiência, que os hospitais são projetados para ser lugares seguros, e os médicos são projetados para ser pessoas confiáveis. E todas as pessoas que trabalham lá, como enfermeiros, anestesiologistas etc, são altamente treinados e experientes, e já fizeram isso muitas vezes, e você pode se colocar nas mãos deles e confiar. Isso é fé humana.
  • É a mesma fé que você exercita quando vai comer em um restaurante. Você nunca esteve na cozinha daquele lugar em sua vida – e provavelmente nunca deveria estar [risos]. Mas há algo na experiência humana que ensina que isso é algo no qual podemos confiar.

E é exatamente por isso que aqueles homens estavam ali diante de Jesus. Evidentemente, eles tinham fé de que Jesus poderia curar. E era uma fé forte pois, caso contrário, eles não passariam por tudo aquilo. Eles teriam, inclusive, que pagar pelo reparo de todo o telhado. Eles teriam apenas submetido o paralítico à vergonha pública, se eles não acreditassem que Jesus poderia curá-lo. Eles tinham muita confiança.

Por quê? Porque Jesus não apenas podia curar, mas curava todos. Nós já aprendemos isso. Por isso, não houve hesitação por parte deles. Todos eles tinham esse tipo de fé. A propósito, esta é a primeira menção à fé em Marcos, e está ligada à ação, quando diz: “Jesus, vendo a fé deles…”. O que significa isso? Ele podia ver que eles tinham esse tipo de fé em Sua capacidade de cura, por causa do que eles fizeram. Aquele era o tipo de fé que se pode ver.

A propósito, biblicamente, a fé está sempre ligada à ação. Tiago coloca desta maneira: “A fé sem obras é morta.” A fé age. A fé vence. A fé persegue. A fé se esforça para atingir seu objetivo. Mas, havia algo mais com aquele paralítico do que apenas a fé humana, porque, embora Jesus visse a fé de todos eles, Ele disse especificamente ao paralítico: “Filho, perdoados estão os teus pecados.”

Não os pecados daqueles cinco homens, mas apenas do paralítico. Ele viu nele uma fé que não era visível nos outros. Jesus não perdoa pecados, a menos que o pecador se arrependa e creia, certo? Então, o que Jesus viu naquele homem? Que tipo de fé? Não uma fé natural, não uma fé humana, mas uma fé espiritual.

A fé daquele homem não se limitou a crer no poder de cura de Jesus. Mas, ele acreditava que Jesus é o único que oferece salvação aos que se arrependem. Jesus viu aquela fé real. E, é claro, de acordo com João 2:25, Jesus não precisava que ninguém Lhe dissesse o que estava no coração de um homem, porque sabia o que estava no coração de cada um.

Ele viu o verdadeiro tipo de fé, a fé que salva, a fé que não vem da experiência, mas vem da convicção e que vem da regeneração soberana.
E Ele se dirigiu àquele paralítico, em uma expressão muito carinhosa: “Filho”. Lucas acrescenta que também o chamou de “amigo”, que é um tom carinhoso e compreensivo. E aí declara: “Seus pecados estão perdoados.”

Jesus sabia o que aquele homem realmente queria. Ele queria cura, com certeza. Mas muito mais do que isso, ele queria perdão. Os outros homens que o carregavam não pareciam se importar com isso. Mas, talvez eles não tivessem realmente sendo confrontados com seu próprio pecado, porque eram saudáveis.

O pecador que estava paralisado poderia ter uma visão diferente sobre sua própria miséria, e poderia ver essa paralisia como um julgamento divino. Certamente, isso acontecia naquela cultura, em que a doença era conectada com o pecado.

Mas, seja qual for a motivação ou o estímulo, o homem sabia que era miserável por dentro e miserável por fora, e Ele não queria apenas uma cura, mas queria perdão. Ele acreditava que Jesus era Aquele que podia trazer-lhe o perdão de Deus.

E então, Jesus, neste momento, com base em Sua própria autoridade pessoal, absolveu o homem de todos os seus pecados. Ouça com atenção: o homem não precisou praticar qualquer obra para ser perdoado, certo? Jesus eliminou sua culpa, e esse homem passou de um condenado ao inferno eterno para receber o privilégio do céu eterno. O coração do homem deve ter sido como o publicano, em Lucas 18, que disse: “Deus, seja misericordioso comigo, um pecador”. Aquele homem foi para casa justificado, disse Jesus.

Bem, isso é exatamente o que os líderes judeus hostis estavam procurando. Então, nos versículos 6 e 7, nós os encontramos: “E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” A propósito, eles estavam certos em seu questionamento. Estavam exatamente certos.

Agora, aqui está o tipo de blasfêmia que eles estavam procurando: uma reivindicação, feita por Jesus, de que podia fazer o que apenas Deus pode fazer, que é perdoar pecados. Isso estava fora dos limites, isso era blasfêmia.

Agora, o que é fascinante sobre isso, diz o versículo 6, é que eles não estavam dizendo isso, estavam apenas pensando. Eles “arrazoavam em seus corações”. O coração é igual à mente no pensamento hebraico. Falamos sobre o coração, geralmente pensamos em emoção, mas eles associavam ao pensamento. Quando falavam de emoção, falavam de “splagchna”, intestino ou entranhas.

Então, Jesus estava lendo suas mentes. E eles estavam dizendo em suas mentes, não em voz alta: Por que esse homem fala dessa maneira? Ele está blasfemando. Quem pode perdoar pecados, senão somente Deus?” Eles estavam certos. E aqui está a conclusão deles: Jesus era um blasfemador. O certo é que: ou Ele é um blasfemador, ou é Deus.

Concentre-se nisso, ok? Porque este é o ponto de toda a história: ou Jesus é um blasfemador ou Ele é Deus. Não há meio termo. Não pense que Ele era um professor bom e bem-intencionado. Não. Ou Ele é quem pode perdoar pecados, ou não é. Se Ele o pode, Ele é Deus; se Ele não pode, é um blasfemador, e está dizendo que pode fazer algo que não pode fazer, sendo uma fraude, um enganador. Não há meio termo.

Agora, nas mentes daqueles líderes judeus, Ele era um blasfemador, e eles sabiam o que a lei levítica dizia. Veja Levítico 24:10-23, que trata do assunto. E, no versículo 23, temos:

E disse Moisés, aos filhos de Israel que levassem o que tinha blasfemado para fora do arraial, e o apedrejassem; e fizeram os filhos de Israel como o Senhor ordenara a Moisés.

Em outras palavras, matem o blasfemador. Aqueles judeus devem ter pensado: “agora temos a blasfêmia da boca Dele, temos a lei levítica, que O condena à morte. Nós conseguimos o que queríamos!”.

Agora, Jesus sabia o que eles estavam pensando. Então, Ele fala com eles, versículo 8: “E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações?”

Que choque isso deve ter sido para eles! Ele leu suas mentes. Ele estava ciente dos pensamentos deles. Agora, se você estivesse debatendo se Jesus é um blasfemador ou Deus, poderia começar por aqui: blasfemadores não sabem o que as pessoas estão pensando, somente Deus sabe. Veja:

O Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração. (1 Sm 16:7).

Ouve tu então nos céus, assento da tua habitação, e perdoa, e age, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, e segundo vires o seu coração, porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens. (1 Rs 8:39).

Porque esquadrinha o Senhor todos os corações, e entende todas as imaginações dos pensamentos. (1 Cr 28:9).

Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações. (Jr 17:10).

Assim diz o Senhor: Assim haveis falado, ó casa de Israel, porque, quanto às coisas que vos sobem ao espírito, eu as conheço. (Ez 11: 5).

Portanto, se a questão era se Ele é um blasfemador ou se é Deus, esses homens tinham provas em primeira mão quando Ele leu seus pensamentos. Bem, então Jesus se move para uma segunda realidade. No versículo 9, Jesus lhes diz: “Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?”

Agora, numa análise superficial à pergunta, você poderia dizer: “Bem, é mais fácil dizer ‘pegue sua cama e ande'”. Mas isso se você não considerar o que significa “dizer”. O que significa é simplesmente o seguinte: dizer no sentido de afirmação e verdade verificáveis. Em outras palavras, dizer com convicção, porque é evidentemente verdadeiro, dizer de uma maneira crível.

“O que é mais fácil dizer, é mais fácil dizer com credibilidade, que seus pecados são perdoados?” A resposta é não. Por quê? Como provar isso? Qual é a evidência disso? Como você sabe quando os pecados de alguém foram realmente perdoados? Isso não é verificável. Você não pode dizer isso com evidência de que é realmente verdade.

Agora, por outro lado, Jesus diz: “é mais fácil dizer: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda”, e isso de forma verificável? Ora, se Ele pode fazer isso, então está provado que pode perdoar pecados. Ele provaria que tem o poder de fazer o paralítico andar, e todos iriam afirmar que o que Ele disse sobre perdoar pecados é verdade. Se o homem fosse curado ali por Jesus, ficaria provado que Ele não era um blasfemador, então Ele é Deus.

E se Ele é Deus, que pode criar qualquer coisa e fazer com que um tetraplégico ou paraplégico em um momento fique completamente bem, completamente são, completamente restaurado, Ele é Deus. E se Ele é Deus, então pode perdoar pecados, pois é algo que somente Deus pode fazer. Se Ele mostrasse ali o poder de curar, se Ele mostrasse o poder de fazer milagres, de criar, Ele tem que ser Deus.

E se Ele é Deus, então tem autoridade para perdoar pecados. Portanto, se Ele dissesse: “Pegue sua cama e ande”, e o homem pegasse sua cama e caminhasse, isso seria evidência de que Ele é Deus, e validaria o fato de que Ele disse: “Seus pecados estão perdoados”. Isso também se tornaria realidade, pois somente Deus pode fazer as duas coisas.

Como Deus Salvador, Ele perdoa pecados e também tem o poder de anular os efeitos do pecado. Ele tem autoridade sobre as conseqüências do pecado, como a doença, e tem autoridade sobre o próprio pecado, no sentido de retirar o poder do pecado na vida de um indivíduo, espiritualmente.

Ele tem poder sobre os efeitos temporais e eternos do pecado, efeitos físicos e espirituais. Ele tem poder sobre os demônios. Ele tem poder sobre a doença. Ele tem poder sobre a morte. Tudo isso é poder sobre as forças do mal. E, quem tem poder sobre as forças do mal, também tem poder sobre o próprio mal. Os dois são inseparáveis.

A propósito, mais tarde Jesus delegou Seu poder sobre os efeitos do mal a Seus seguidores. Por um breve período de tempo, deu-lhes poder de curar e a capacidade de expulsar demônios, mas nunca delegou a ninguém o poder e a autoridade para perdoar pecados.

Então, Ele está provando que pode perdoar pecados, provando que Ele é Deus, fazendo este milagre. E é isso que Ele explica nos versículos 10 e 11:

Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.

Você ainda está fazendo a pergunta? Ele é Deus ou é um blasfemador? Blasfemadores não leem mentes, não criam novos membros, novos corpos. Ele tem que ser Deus. Se Ele é Deus, não é uma blasfêmia Ele dizer: “Seus pecados estão perdoados”.

Ele deu três comandos distintos no versículo 11: “Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. E aquele homem fez isso. Ele se levantou, pegou sua cama e foi para casa. Exibição instantânea, total e inconfundível do Deus Criador.

Lucas acrescenta que ao sair, ele estava glorificando a Deus. Ele pegou o pacote completo, certo? Um novo corpo e um novo coração. Que dia! Tenho certeza de que ele estava ansioso para dar qualquer contribuição necessária para a reparação do telhado, não é?

A propósito, o Senhor se refere a Si mesmo aqui no versículo 10 como “Filho do homem”. É muito interessante pensar nisso. Por que Ele Se chama assim? Por que não Filho de Deus? Por que não o Messias? Por que não o Ungido? Por que não o Filho de Davi? Por que Filho do Homem?

As pessoas dizem: “Bem, Filho do Homem é um título messiânico”. Bem, esse título está no Antigo Testamento, Daniel 7:13 e 14. E é a única vez em que o Filho do Homem se refere ao Messias. Em todas as outras vezes que você vê filho do homem no Antigo Testamento, significa homem, apenas homem, simplesmente homem, como no Salmo 8:4, Salmo 144:3, Salmo 145:12, Ezequiel 2, cerca de quatro vezes lá. Ezequiel é chamado de filho do homem, o que significa apenas que ele é humano. Por que Jesus escolheria usar esse título? E é usado 80 vezes no Novo Testamento, sendo 14 vezes em Lucas.

Era realmente o termo favorito de nosso Senhor para Si mesmo. Por quê? Por que Ele não se chamou Filho de Deus? Por que Ele não se chamou Filho de Davi, Messias, Ungido, Cristo? Bem, algumas pessoas dizem que é porque Ele era humilde. E é verdade. Era um título de humildade.

Mas era um título de humildade, porque não era necessariamente um título messiânico. Mas esse título fornecia cobertura para Ele, a fim de não inflamar Seus seguidores, ou inflamar Seus inimigos, o que ocorreria se Ele andasse constantemente se referindo a Si mesmo como o Filho de Deus.

Ele realmente não queria exacerbar os elementos políticos desnecessários, indesejáveis, vinculados à expectativa messiânica. E não ficamos surpresos com isso, porque você já aprendeu em Marcos que Ele disse às pessoas: “Não diga nada sobre isso”, certo? E no capítulo 3, versículo 12, Ele sinceramente os advertiu a não dizer quem Ele era.

Havia um fator de sigilo em Seu ministério, e Marcos ressalta repetidas vezes que Jesus estava tentando desacelerar a multidão, o frenesi. Ele estava tentando ser capaz de fazer o que precisava, que era ir de cidade em cidade para transmitir a mensagem da salvação, o Reino.

E as multidões, assim que ficavam cada vez maiores, tornavam-se um fator de obstrução. Elas algumas vezes tiveram expectativas messiânicas desproporcionais à realidade, tentando até forçá-Lo a ser um rei, e Ele precisando escapar. Então, eu penso que “Filho do Homem” era um título que certamente tinha uma indicação messiânica no sétimo capítulo de Daniel, mas na maioria das vezes servia para não aumentar a expectativa messiânica, e demonstrava Sua maravilhosa humildade.

4. A REAÇÃO DA MULTIDÃO

Vimos a multidão curiosa e o pecador crente, o Salvador que perdoa, os líderes hostis, agora de volta à multidão, veremos a sua reação. No versículo 12, o homem, à vista de todos, sai com a cama enrolada debaixo do braço, a pequena esteira, que era como um tapete macio. Todos ficaram maravilhados, glorificando a Deus, dizendo: “Nunca vimos nada assim!”. A multidão estava atônita.

Lucas 5 diz que eles ficaram cheios de medo – “phobeō”, palavra grega da qual nós temos a palavra fobia, que significa pânico. Era uma combinação de pânico, confusão, admiração, reverência. Mas, tal reação fica aquém do arrependimento e da fé. A multidão não chegou a reconhecê-Lo por quem Ele realmente era.

Creio que Mateus 9:8 é o versículo chave para entendermos a reação da multidão. Mateus escreve sobre esse mesmo milagre, dizendo também que a multidão ficou maravilhada e glorificava a Deus, mas, no fim do verso, veja o que ele acrescenta: “a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens.”

Qual é a palavra operativa aí? Homens. Jesus ainda era apenas um homem para eles. Mas, como Ele poderia ser um homem? Como Ele poderia ser meramente um homem, quando Ele podia operar milagres como aquele, em que Seu poder criador ficava evidenciado? Aquelas pessoas testemunharam esses milagres repetidas vezes.

Jesus também já tinha demonstrado Sua autoridade sobre demônios. Como Ele poderia ser apenas um homem? Como eles poderiam ser tão cegos? Como eles puderam ter ficado maravilhados, encantados, surpresos, glorificando a Deus, agradecendo a Deus pelo que viram e, ainda assim, chegar à conclusão de que, de alguma forma, Ele era apenas um homem?

Seria melhor que eles fossem como os demônios, que estavam pelo menos aterrorizados porque realmente sabiam quem Ele era. Eles sabiam. Como ouvimos do demônio, no capítulo 1, “Você é o Santo de Deus”.

Jesus fez todos esses milagres para mostrar que Ele é Deus, para que assim Ele pudesse dizer que veio perdoar pecadores. Não apenas para perdoar pecadores, mas para fornecer o sacrifício no qual esse perdão se baseia. E, a propósito, Ele ainda está fazendo isso. Ele ainda diz aos paralíticos espirituais: “Filho, seus pecados estão perdoados”. Ele te dirá, se você se arrepender e crer Nele. Vamos orar.

Pai, agradecemos novamente esta manhã por passarmos uma parte do dia com nosso Salvador na casa de seus amigos em Cafarnaum, e por termos nossos corações tocados pelo poder de Sua vida e ensino. Oramos agora para que o Senhor, de uma maneira poderosa e única, toque em todos os corações aqui, examine cada coração, onde Tu vês algo mais do que apenas a fé humana, onde Tu vês a verdadeira fé.

Senhor, alcança e perdoe esse pecador, esse pecador penitente e crente, e dê a ele o maior presente que o evangelho cristão tem a oferecer, o resgate de Tua ira eterna no inferno. Forneça perdão. Que ninguém que hoje está aqui pereça por não ter obtido o perdão dos pecados . Que todos conheçam o perdão completo e suficiente que Tu ofereces àqueles que confiam em Cristo. Amém.


Esta é uma série de  sermões de John MacArthur sobre o Evangelho de Marcos.

Clique aqui e veja o índice com os links dos sermões traduzidos já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “Jesus’ Authority to Forgive Sin″, de John MacArthur em 10/05/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/41-8/jesus-authority-to-forgive-sin

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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