A Autoridade de Jesus

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Quando chegamos a Marcos, capítulo 1 versículos 21 a 28, percebemos que as notas preliminares, introdutórias estão concluídas e Marcos começa, então, seu relato dos eventos do ministério de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Marcos inicia a narrativa dos eventos do ministério de Cristo em seu Evangelho com um incidente que ocorre na sinagoga, na cidade de Cafarnaum.

E o objetivo de Marcos é demonstrar para nós o que é essencial para admitirmos Jesus Cristo, o Filho de Deus, como o novo Rei, como o Messias de Deus. Ele deve exercer poder sobre o atual governante deste mundo. Ele deve ser capaz de quebrar a escravidão sob a qual Satanás mantém a humanidade. Portanto, Marcos começa com um relato incrível de como Jesus venceu um demônio.

Essa é uma das muitas das declarações sobre o poder de Jesus para fazer o que foi feito durante o restante do primeiro capítulo, no terceiro capítulo, no quinto capítulo. Tudo isso porque é essencial que, se Cristo vier e estabelecer Seu Reino, Ele deve dominar o atual governante, que não é outro senão Satanás. Ele deve ter autoridade cósmica, autoridade que está além da autoridade humana, que está além deste mundo temporal.

Ele deve ter um poder que se estende ao Universo. Ele deve ter poder sobre todas as forças do mal que existem no Universo. Isso é necessário, se Ele quiser resgatar os pecadores da escravidão a esse poder maligno. E assim, encontramos Marcos nos dizendo que Jesus tem esse poder. Ele já registrou para nós, nos versículos 12 e 13, como Jesus venceu o próprio Satanás, o governante desse domínio, e agora temos um incidente no qual Jesus mostra Seu poder sobre os demônios.

E ainda haverá mais, no restante deste capítulo e nos capítulos seguintes, não deixando dúvidas na mente de ninguém sobre o Seu poder de quebrar a escravidão de Satanás, que mantém os pecadores em cativeiro e os leva até o inferno.

Vamos começar no versículo 21: “Entraram em Cafarnaum…”. É assim que Marcos começa a história do ministério de Jesus. Eles, ou seja, Jesus e os que estavam seguindo-O como Seus discípulos. E o texto continua:

21 Entraram em Cafarnaum; e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, pôs-se a ensinar.
22 E maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.
23 Ora, estava na sinagoga um homem possesso dum espírito imundo, o qual gritou:
24 Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.
25 Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele.
26 Então o espírito imundo, convulsionando-o e clamando com grande voz, saiu dele.
27 E todos se maravilharam a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Uma nova doutrina com autoridade! Pois ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!
28 E logo correu a sua fama por toda a região da Galileia.

Existem várias coisas que impressionam você nessa narrativa. O que me impressiona, primeiro de tudo, é a grande diferença entre a resposta dos demônios à autoridade de Jesus e a resposta do povo. Sua autoridade surpreendeu o povo. Isso é indicado no versículo 22 e, novamente, no versículo 27. As pessoas ficaram maravilhadas.

Por outro lado, os demônios estavam aterrorizados. As pessoas ficaram maravilhadas e os demônios ficaram aterrorizados. As pessoas se perguntavam sobre o que era aquilo, enquanto os demônios entraram em pânico.

Qual foi o motivo da diferença nas reações? Simplesmente isto: as pessoas não sabiam quem Ele era, mas os demônios sabiam. No versículo 24, o demônio que fala o faz em nome de todos os demais demônios, pois usa os pronomes no plural: “Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.” Os demônios sabiam quem Ele era, obviamente.

Nos capítulos 3 e 11, vemos que sempre que os espíritos imundos viam Jesus, caíam diante Dele e gritavam: “Você é o Filho de Deus!”. No capítulo 5, verso 2, um homem com um espírito imundo, saindo das tumbas onde ele morava, é confrontado por Jesus. Ele está gritando constantemente, noite e dia, nas tumbas e nas montanhas e ferindo a si mesmo com as pedras. Vendo Jesus à distância, ele correu, inclinou-se diante Dele, e, gritando em alta voz, disse: “Que negócios temos nós contigo, Jesus, filho do Deus Altíssimo?”

Na primeira metade do Evangelho de Marcos, os únicos seres que têm certeza de quem Jesus é são os demônios. Eles O conhecem desde que foram criados por Ele. Eles O conhecem desde que habitavam no céu, como santos anjos, antes de se rebelarem. Eles O conhecem desde que cercavam o Trono, antes de Lúcifer os liderar em sua rebelião. Lucas diz, no capítulo 4, versículos 40 e 41:

40 Ao pôr do sol, todos os que tinham enfermos de várias doenças lhos traziam; e ele punha as mãos sobre cada um deles e os curava.
41 Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus. Ele, porém, os repreendia, e não os deixava falar; pois sabiam que ele era o Cristo.

Não há dúvida sobre o conhecimento deles acerca de Jesus. Aqui temos, então, o primeiro testemunho no Evangelho de Marcos sobre a identidade de Jesus, e vem de um demônio. Eles sabem quem Ele é. De fato, na primeira metade do Evangelho de Marcos, eles são os únicos que têm essa certeza. No capítulo 3, versículo 6, os fariseus e os herodianos não O reconhecem como o Messias, e já estão tentando encontrar uma razão para matá-Lo.

No capítulo 3, versículo 22, os escribas desceram de Jerusalém e disseram sobre Ele: “Ele está possuído por Belzebul e expulsa os demônios pelo governante dos demônios Ele está possesso de Belzebu; e: É pelo príncipe dos demônios que expulsa os demônios.” No capítulo 6, Jesus começou a ensinar na sinagoga, versículos 2 e 3. Muitos ouvintes ficaram surpresos, dizendo:

Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele. 

Os fariseus não sabiam quem Ele era. Os herodianos não sabiam quem Ele era. Os escribas não sabiam quem Ele era. As pessoas não sabiam quem Ele era. E nem os próprios seguidores Dele tinham certeza.

Se você olhar o capítulo 8 e o versículo 17, Jesus percebe a discussão entre os discípulos sobre não ter pão suficiente. O problema com uma discussão como essa era que eles já haviam passado por duas refeições milagrosas, uma onde Jesus alimentou cinco mil, e outra onde Ele alimentou quatro mil, criando a comida. Quão cego você pode ser depois disso?

17 E Jesus, percebendo isso, disse-lhes: Por que arrazoais por não terdes pão? não compreendeis ainda, nem entendeis? tendes o vosso coração endurecido?
18 Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais?
19 Quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? Responderam-lhe: Doze.
20 E quando parti os sete para os quatro mil, quantas alcofas cheias de pedaços levantastes? Responderam-lhe: Sete.
21 E ele lhes disse: Não entendeis ainda?

Os discípulos não entenderam. Não até, finalmente, a grande confissão de Pedro no capítulo 8, versículo 29, “Tu és o Cristo”. Na primeira metade do livro de Marcos, os líderes não entenderam quem Ele era. As pessoas não entendiam quem Ele era. Até Seus discípulos não tinham certeza sobre quem Ele era. Essa foi a diferença. A multidão ficou impressionada. Os demônios estavam aterrorizados. A diferença? Os demônios sabiam que tinham motivos para ter medo.

Quando os pecadores chegam a um verdadeiro entendimento da pessoa de Cristo, da autoridade de Cristo como o Filho de Deus, eles também ficam aterrorizados. E pecadores aterrorizados tendem a correr com medo na direção de Cristo, clamando por perdão e graça, algo que os demônios não podem fazer. Eles estavam aterrorizados e não puderam ser salvos. As pessoas ficaram maravilhadas e não seriam salvas.

Assim, as pessoas maravilhadas e os demônios aterrorizados acabam no mesmo inferno. Tiago 219 diz: “Os demônios creem e estremecem.” O que faz os demônios estremecerem? O que faz os demônios gritarem? A propósito, há várias passagens em Marcos nas quais os demônios, quando falam, estão sempre gritando. E você precisa entender uma coisa: eles gritam, porque têm pavor de Jesus. Eles gritam, porque estão em pânico, porque sabem para onde estão indo.

Eles sabem sobre o Lago de Fogo muito antes de Jesus se referir a ele em Seu sermão no Monte das Oliveiras, em Mateus 25:41. Eles sabem sobre o Lago de Fogo e que estão indo para lá, muito antes de o livro de Apocalipse ter sido escrito para descrevê-lo, no capítulo 20. Eles sabem disso porque sabem – desde o momento em que foram expulsos do céu – para onde estão indo. Eles sabem que sua destruição está chegando. Eles estão aterrorizados e por isso sua reação é gritar de pavor.

Você notará, no versículo 23, no final do versículo, a frase “Ele clamou” – “anakrazō”, no grego – que significa gritar com forte emoção. Esses são os gritos profundos de alguém que sofre, alguém traumatizado. O mesmo verbo é usado mais tarde para se referir ao tipo de medo que é expresso por certas pessoas na presença de Cristo. Eles estão em pânico, porque Jesus chegou.

Agora, quero que você tenha algo em mente. Isso é algo importante para entendermos. Os demônios não atacam Jesus durante Seu ministério, mas eles atacam as almas dos pecadores. Eles sempre fizeram isso. Eles sempre farão isso. Eles não atacam Jesus. Jesus os ataca apenas aparecendo, e eles entram em pânico. Eles estão aterrorizados. Eles não podem conter seu medo, porque enquanto para nós eles são invisíveis, eles sabem que não são invisíveis.

E, quando estão na presença de Jesus, eles estão plenamente conscientes de que Ele os reconhece, e devem, portanto, gritar por causa do terror que agarra suas almas iníquas. O demônio nesse homem é um exemplo do medo que existe em todos os demônios, quando confrontados por Jesus. Portanto, esta passagem de Marcos não é uma ilustração de Jesus passando por Seu ministério atacando demônios. O foco não é esse.

Demônios estão sempre por aí. Eles estão por aqui agora. Eles já estavam por aqui antes. Eles estarão por perto, até que o Senhor venha e jogue todos eles no Lago de Fogo, no final do tempo do Reino Milenar. Mas eles estão sempre por perto. Porém,nem sempre se escondem.

Lembre-se que Satanás é um anjo de luz e todos os seus ministros estão disfarçados de anjos de luz. Eles querem se esconder na religião. A última coisa que um demônio queria fazer era se revelar em uma sinagoga, para não quebrar seu disfarce de anjo de luz, que fica bem protegido em um ambiente religioso. Em toda religião falsa, demônios habitam. Em um grau ou outro, eles possuem, oprimem, obcecam pessoas.

Os falsos mestres são demonizados, jorrando doutrinas de demônios pelo poder demoníaco sobrenatural. Os falsos mestres estão sob o domínio de Satanás. A falsa profissão de fé está sob o domínio de Satanás. Demônios vão às reuniões da igreja. Eles participam de todos os cultos religiosos.

Se você for à reunião mórmon – que faz parte do reino de Satanás, e é controlada por demônios – você não vê demônios gritando, porque eles não se revelam como tais. Eles estão escondidos em sua religião falsa. Porém, Jesus os expõe simplesmente aparecendo, e eles não podem conter seu terror.

Esse incidente também é registrado em Lucas 4:31 a 37, e responde a essa pergunta básica muito importante sobre se o Filho de Deus pode salvar pecadores do reino de Satanás. E a resposta é que Jesus tem poder completo sobre Satanás e também, como ilustrado aqui, sobre demônios.

Ele pode transferir pecadores do domínio das trevas para o Reino de Seu próprio poder? Ele pode fazer isso, como Colossenses 1:13 diz? Ele pode tirá-los do reino das trevas para o domínio da luz? Ele pode subjugar Satanás, que manteve os pecadores em cativeiro por toda a vida, de acordo com Hebreus 2:14 e 15?

Em João 8:44, Jesus disse: “Vós tendes por pai o diabo”. Em 1 João 5:19: “O mundo inteiro jaz no maligno“. Em 2 Coríntios 4:3 e 4, lemos: “o deus deste mundo cegou as mentes dos incrédulos”. Efésios 2:1 e 2, declara: “Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência

Em Atos 26:18, é dito que a salvação transfere alguém do domínio de Satanás para Deus. Agora, se os pecadores devem ser libertados do domínio satânico, então o libertador deve ter poder sobre esse reino. Jesus tem esse poder? Ele pode arrancar os pecadores das garras dos demônios? Bem, de acordo com 1 João 3:8, “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo.”

O novo rei precisa demonstrar Seu poder de destronar Satanás, de resgatar os pecadores de seu poder. A necessidade da raça humana é dupla. Primeiro, precisamos de um sacrifício pelo nosso pecado. Precisamos de um substituto que pague a penalidade pelo nosso pecado, para que não tenhamos que pagar a penalidade. E então, precisamos de alguém que tenha o poder de nos resgatar do domínio de Satanás.

E assim, nosso Senhor Jesus deixou o reino divino e entrou neste mundo para ser o sacrifício pelos nossos pecados na cruz, para demonstrar Seu poder de destruir o domínio de Satanás e dos demônios e, assim, resgatar pecadores. Os espíritos malignos, os demônios, sabem porque o Filho de Deus veio. Eles sabem que a batalha estava iniciando. Eles sabem que o Reino havia chegado, porque o Rei está presente. E eles estão bem cientes de que isso pode significar que sua destruição é iminente.

Portanto, mais do que em qualquer outro momento da História, eles aumentaram sua atividade e influência no reino do judaísmo. Eles não querem se expor, mas não podem evitar fazê-lo, quando confrontados por Jesus. E Sua invencibilidade sobre eles se torna manifestamente óbvia.

Agora, nessa passagem que estamos vendo, vamos fazer a pergunta: o que faz os demônios gritarem quando são confrontados por Jesus? O que há Nele que os faz entrar em pânico? O que há Nele que os aterroriza?

Número um, a autoridade da Sua Palavra. É tudo sobre a Sua autoridade cósmica. Versículo 21 e 22: “Entraram em Cafarnaum; e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, pôs-se a ensinar. E maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.”

Os demônios não gostam da verdade. Portanto, eles não gostaram do fato de que Jesus chegou e ensinou a verdade, porque eles também sabem que a única maneira possível pela qual pessoas enganadas podem ser libertadas de suas garras é por meio da verdade. Aí veio Jesus, ensinando a verdade – a verdade que causa dano ao reino das trevas. Sem a verdade, ninguém pode ser resgatado das garras do inimigo.

Agora, vamos olhar para a cena um pouco. “Eles” – ou seja, Jesus e Seus recém-chamados discípulos e aqueles que eram Seus seguidores – “entraram em Cafarnaum”. É aqui que Marcos começa. Lembre-se, Jesus foi batizado por João no rio Jordão, foi para a Judeia, ao sul, ao redor de Jerusalém, teve um ministério lá por alguns meses. Finalmente, quando chegam à Galileia, tudo o que Marcos nos diz é que entraram em Cafarnaum.

Cafarnaum – “Kfar Nahum”. Naum é o nome do profeta Naum. Kfar é uma vila. A vila chamada Nahum. Fica na borda noroeste do mar da Galileia, no topo do mar da Galileia. É uma cidade que se tornou a maior do lago, porque se localizava numa encruzilhada. As pessoas passavam por esta cidade indo para o norte e sul, e leste e oeste. Nela havia uma guarnição romana, porque era uma área potencial de crime, já que nela havia muita ação, muito comércio, muito tráfego de pessoas em viagem.

Também havia em Cafarnaum um escritório de cobrança de impostos alfandegários, o qual pertencia ao tetrarca Herodes Antipas, na fronteira do domínio de seu irmão Filipe. Cafarnaum se tornou a sede do ministério de Jesus, aparentemente, durante Seu ministério na Galileia. Não era Nazaré, de onde Ele veio, porque você se lembra da primeira vez que Ele foi a Nazaré, de acordo com Lucas 4, e pregou na sinagoga, eles tentaram jogá-Lo de um penhasco.

E, a propósito, Cafarnaum era um lugar bonito, ainda é, mas um lugar muito, muito pecaminoso, longe de Jerusalém, longe das assim chamadas “influências sagradas” do núcleo do judaísmo. Cafarnaum ficava num mundo gentio. Era um lugar muito mau. De fato, em Mateus, capítulo 11, Jesus realmente disse que a situação seria melhor para Sodoma, no dia do julgamento, do que para Cafarnaum.

Os pecados do povo de Cafarnaum, pecados vis, e o fato de ter tido a oportunidade de ser exposta a Cristo, deram-lhe uma maior responsabilidade. E é por isso que seria mais tolerável para Sodoma, do que Cafarnaum, no dia do julgamento, como está em Mateus 11:23 e 24. Cafarnaum era um centro de pesca, e era o centro comercial da região da Galileia. Só para lhes dar uma perspectiva, Nazaré está a 90 metros acima do nível do mar e Cafarnaum está cerca de 210 metros abaixo do nível do mar.

Jesus foi para lá, onde estabeleceu Sua base de ministério. E, chegando lá, no sábado, ele imediatamente entrou na sinagoga e começou ensinar, Lucas 4:16 diz, como era Seu costume. É claro que Ele ia à sinagoga todos os sábados. Agora, o que é uma sinagoga? Simplesmente, uma sinagoga é um local de encontro. Não há sinagogas no Antigo Testamento, pois eles tinham um templo. O templo era o foco de tudo. Não há indicação de que existam sinagogas no Antigo Testamento.

Havia sacerdotes espalhados por toda a terra de Israel, sacerdotes que ensinavam, ajudavam o povo, os aconselhavam, eram conselheiros espirituais, mas não existia sinagoga no Antigo Testamento. Porém, Israel foi levado em cativeiro pelos babilônios em 586 a.C.. Assim, os judeus foram para a Babilônia, lá não tinha o templo, e o templo em Jerusalém havia sido destruído. Mas no cativeiro, eles queriam se encontrar. E assim, eles se reuniam em pequenos grupos.

Sinagoga é simplesmente uma palavra que significa reunir-se. Quando eles retornaram do cativeiro, sob o ministério de Neemias, eles mantiveram o conceito da sinagoga que, aparentemente, surgiu de sua experiência em cativeiro.

As sinagogas começaram a proliferar após o cativeiro, e na época de Jesus, por exemplo, o Talmude diz que havia quinhentas delas somente em Jerusalém. Elas eram como igrejas locais, assembleias locais. Eram, de acordo com Filo, chamadas de “Casas da Instrução”, porque ali a lei era lida no sábado e explicada.

E durante a semana, a sinagoga funcionava como uma escola, e também como um tribunal civil. Os escribas e anciãos que ensinavam se tornavam juízes. Então, as sinagogas eram lugares muito, muito importantes nas cidades e aldeias. O historiador Josefo diz que havia cerca de 240 cidades e vilarejos na Galileia, e todos eles tinham sinagogas. Cafarnaum teria tido muito mais que uma sinagoga. Eram necessários apenas dez homens para estabelecer uma sinagoga.

Assim, eles se reuniam, a lei era lida no sábado e lhes era explicada. Cada sinagoga tinha um governante, um chefe, que era o seu organizador. Tratava-se de um cargo executivo. O chefe da sinagoga não era necessariamente um pastor ou professor. Havia também os anciãos. Eles seriam responsáveis pela leitura e explicação da lei, a menos que houvesse um escriba visitante que o fizesse.

Agora, as sinagogas forneceram uma oportunidade pronta para Jesus ir de um lugar para outro, de cidade por cidade, bairro por bairro, para ensinar e explicar Sua mensagem. Talvez, no plano de Deus, as sinagogas apenas passaram a existir para cumprirem esse objetivo. Era uma tradição as sinagogas serem visitadas por rabinos. Por isso não foi algo incomum Jesus ter tido as oportunidades que teve para pregar nas sinagogas.

Agora, quando Jesus chegou a Cafarnaum, de acordo com Lucas 4:14, Ele retornou à Galileia no poder do Espírito, e as notícias sobre Ele se espalharam por todo o distrito circundante. Esse texto também diz que Ele era admirado por todos. A Sua fama – de todo o Seu poder, Seus ensinamentos, Seus milagres – surgiu de Seu ministério na Judeia, que durou quase um ano. Eles estavam bem conscientes disso quando Ele chegou. E, quando Ele entrou em Cafarnaum, é claro que os judeus locais quisessem que Ele ensinasse nas sinagogas.

Ansiosos por ouvi-Lo, eles Lhe deram a oportunidade, e Ele começou a ensinar. Agora, Marcos não nos diz nada sobre o que Ele ensinou. O foco não está no conteúdo, na abordagem de Marcos. Mas, o que vemos é a resposta dos ouvintes ao ensino de Jesus, versículo 22: “E maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.”

O que isso significa? Havia objetividade em Seu ensino. Havia um tipo de caráter absoluto. Havia um nível de convicção a que aqueles judeus não estavam acostumados. Jesus não citou nenhum filósofo ou rabino. Assim como aconteceu quando Ele pregou o Sermão da Montanha – Mateus 7:28 e 29 diz que depois os ouvintes ficaram maravilhados, porque Ele falou como alguém que tem autoridade.

O que é autoridade? A palavra grega traduzida como autoridade aí é “Exousia”, que tem o sentido de regra, domínio, jurisdição, pleno direito, poder, privilégio, prerrogativa. Ele falou com absoluta convicção, objetividade, autoridade, domínio, como alguém que está no comando, como alguém que está falando a verdade. E diz o versículo 22: “Não como os escribas”.

Como os escribas falavam? Bem, eles não falavam com autoridade, eles citavam outros rabinos: “este rabino diz isso, este rabino diz aquilo, há algumas pessoas que pensam que esse rabino está certo, há algumas pessoas que pensam que o outro rabino está certo…”. Eles se orgulhavam de poder se apegar ao passado e citar vários rabinos reverenciados. Mas, diante deles, está alguém que não cita ninguém. Não recebe a teologia de ninguém. Não oferece pontos de vista. Eles não estavam acostumados com isso.

Havia outras diferenças também. O ensino de Jesus era absoluto, não arbitrário. Seu ensino era lógico, não evasivo. Seu ensino era concreto, não esotérico. Seu ensino era razoável, sistemático – não místico, confuso. Seu ensino era sobre assuntos essenciais, não trivialidades. Seu ensino era clareado por meio de ilustrações e progressão – não confuso, alegórico. Seu ensino tinha a convicção de veracidade, não apenas sugestão. Eles nunca ouviram nada parecido, nunca.

Por isso, aqueles ouvintes ficaram maravilhados. Há várias palavras do Novo Testamento que podem ser traduzidas como espantadas, atônitas ou admiradas. Mas a palavra usada por Marcos nesse texto é a mais forte, “ekplēssō”. Um léxico diz que significa: “tirar uma pessoa de seus sentidos por meio de sentimentos fortes”. Jesus, em outras palavras, explodiu suas mentes.

Os escribas se orgulhavam de ter familiaridade com todas as visões possíveis acerca de um assunto. Eles se orgulhavam de suas reflexões labirínticas, suas ideias obscuras, suas noções místicas, e nunca dizendo nada original. Os escribas, a propósito, eram os homens cruciais para o ensino. Somente homens poderiam ocupar essa posição na sociedade judaica do primeiro século.

Eles entendiam que sua origem estava em Esdras, que de acordo com Esdras 7, leu a lei e a explicou. Também encontramos o mesmo em Neemias 8. Esdras é o primeiro da linhagem de escribas, por assim dizer. Eles eram os que explicavam as Escrituras.

Lembre-se, a maioria das pessoas era analfabeta. As pessoas não tinham cópias das Escrituras, porque estavam em pergaminhos mantidos em lugares muito, muito particulares, disponíveis apenas na sinagoga para quem tinha acesso aos pergaminhos, que era o governante da sinagoga, responsável por isso.

Então, as pessoas tinham que ouvir a Escritura lida em alta voz, e elas tinham que ter uma explicação para o que ouviam. Assim, os escribas se tornaram os que lidavam com as Escrituras. Eles se tornaram tão reverenciados e honrados, que receberam o título de rabinos, que significa homenageado.

Eles também eram os juristas civis, como eu disse. O Sinédrio era constituído por eles, o corpo governante de Israel. Eles eram a elite, porque lidavam com as Escrituras. Lembre-se, os judeus viam sua nação como uma teocracia.

Então, o fato de Jesus ter ignorado a abordagem pomposa dos escribas, e ter adotado uma abordagem completamente diferente, foi um choque. E o fato de Jesus falar com autoridade, não citar nenhum rabino ou filósofo, falar de maneira concreta, objetiva e clara era algo a que eles não estavam acostumados.

Mas, se eles não estavam acostumados e essa autoridade os surpreendeu, mais ainda ela aterrorizou o demônio que estava vivendo em um homem. O versículo 23 diz isso: “nesse momento”, ou “imediatamente”, ou “ora” em algumas traduções. Como assim, imediatamente? No exato momento em que Jesus está ensinando e as pessoas estão absolutamente maravilhadas, havia um homem na sinagoga com um espírito imundo, e ele gritou.

Foi o que Jesus disse que atingiu aquele demônio na sinagoga naquele dia, e esse demônio explodiu em pânico, revelando seu disfarce. O que aterrorizou o demônio? O que o aterrorizou foi a verdade. Ele sabia que a chegada de Jesus era a chegada da verdade. Os demônios sabiam que haviam desenvolvido um sistema falso e uma falsa religião que obteve grande sucesso em Israel. E que mantinha as pessoas em cativeiro, até a sua condenação.

Eles, novamente, estão disfarçados de anjos de luz. Eles se escondem no meio da religião falsa. Satanás é, antes de todas as outras coisas, um mentiroso e um assassino. Ele quer pegar todo mundo em engano e depois matar sua alma eterna.

Portanto, a verdade é mortal para a operação demoníaca. É aqui que o conflito inicial ocorre. No capítulo 8 de João, versículos 44 e 45, isso é trazido para dar uma clareza. Jesus, falando aos judeus, diz:

Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira. Mas porque eu digo a verdade, não me credes.

Aí está o conflito. Satanás é um mentiroso, ele revela mentiras. Ele desenvolve doutrinas demoníacas da mentira. Ele inventa falsos sistemas de religião. Todos os sistemas de religião que não sejam o verdadeiro evangelho são mentiras de Satanás. Estas são as fortalezas de 2 Coríntios 10:3 a 5, as fortalezas que serão esmagadas para que os pecadores sejam libertados e levados cativos a Cristo.

Portanto, a característica essencial, a primeira coisa que faz os demônios gritarem, o primeiro ataque a eles vem da autoridade de Cristo, como exibida em Sua Palavra. A verdade esmaga as mentiras de Satanás. A verdade destrói suas fortalezas, suas fortalezas ideológicas. Por outro lado, negligenciar a verdade deixa suas vítimas em seu cativeiro. As forças do inferno têm um medo mortal da verdade. Elas têm um medo mortal do verdadeiro evangelho.

O mundo odeia as Escrituras. Você entende isso? Os homens, por natureza, odeiam a Bíblia, porque a verdade não está neles. Eles odeiam a verdade, porque pertencem ao reino das trevas. Eles são do pai deles, o diabo, e todos nós éramos também. Eles odeiam o verdadeiro evangelho. Eles odeiam a mensagem libertadora da salvação. Todos eles estão no controle de Satanás. Satanás odeia todos sob seu controle. E tais pessoas odeiam a verdade por natureza e por influência satânica.

Mas, quando se trata de demônios, nada os aterroriza mais do que a verdade. Nada é mais mortal para o domínio deles do que a verdade do evangelho. Os demônios também são aterrorizados pelo Filho de Deus, não apenas por causa da autoridade de Sua Palavra, mas a autoridade de Seu julgamento, em segundo lugar.

“Ora, estava na sinagoga um homem possesso dum espírito imundo, o qual gritou: Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus”, versículos 23 e 24. Um homem com um espírito imundo. Espírito impuro é sinônimo, no Novo Testamento, para um demônio, um anjo caído. Você encontra essa expressão novamente no capítulo 5, versículo 2, acerca do homem na terra dos gerasenos, saindo de os túmulos, pois tinha um espírito imundo.

Agora, novamente, apenas um lembrete, esse tipo de possessão demoníaca sempre foi uma realidade no mundo. Os demônios sempre tiveram seu caminho com aqueles em seu domínio. Mas o que aconteceu durante o ministério de nosso Senhor Jesus Cristo não tem paralelo antes nem depois. Por exemplo, não há lugar no Antigo Testamento em que você tenha uma ocasião de possessão demoníaca. Os demônios estavam lá? Sim. Mas eles estavam disfarçados, em segredo.

Depois do ministério de Cristo, depois dos evangelhos, existem apenas dois relatos de possessão demoníaca. Um está em Atos 16 e o outro em Atos 19, depois disso nenhum – nenhum nas epístolas. O que acontece é que os demônios estão muito contentes em permanecer disfarçados. Eles não querem ser expostos. Mas durante o ministério de Jesus, quando Ele apareceu, entraram em pânico e disseram em voz alta: “Você é o Filho de Deus!”, e quando disseram isso, Jesus os silenciou. 

Você vê no versículo 34, Ele não estava permitindo que os demônios falassem, porque eles sabiam quem Ele era, e Ele não queria demônios como Seus agentes de publicidade, porque isso apenas alimentaria o frenesi já crescente de que Ele fazia o que Ele fez pelo poder de Satanás. Quem poderia negar isso, se Seus agentes fossem os demônios? Então, sempre que eles afirmavam quem Ele era, Ele os calava.

A possessão demoníaca sempre existiu, mas nunca foi tão manifesta em toda a história bíblica como durante o ministério terrestre de Jesus e, em certa medida, no ministério extenso dos apóstolos, porque Ele lhes delegou poder sobre os demônios. E como eu disse, os demônios estão em todos os cultos religiosos. Eles estão em todo púlpito religioso falso.

Eles vestem roupas de líderes espirituais. Mas nos dias de Jesus, eles foram expostos com selvageria, deformidade física, convulsões violentas, tormento, automutilação, nudez, gritos – eles sempre gritam na presença de Jesus. Esse homem gritou. Ele gritou porque não conseguia se conter. Era o demônio gritando através das cordas vocais do homem. O demônio estremeceu, aterrorizado com a presença do Filho de Deus e Sua proclamação da verdade.

Ele está tão aterrorizado, que se revela, quebra seu disfarce, embora não o quisesse quebrá-lo. Depois que o demônio se revela, Jesus o silencia, porque não quer que ele promova Sua verdadeira identidade. Veja o que ele diz. “Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos?” Literalmente, no grego: “O que temos em comum? Este é o tempo de nossa destruição?”

Por favor, observe o “nós”, ele fala por todos os demônios. Ele quer saber por que Jesus agora invadiu o reino deles. “O que está acontecendo aqui? Que negócio temos um com o outro? Por que é agora? É a hora da nossa destruição final?” 1 João 3: 8 afirma que Cristo foi revelado para destruir as obras do diabo. Como eu te disse, o demônio sabia sobre o Lago de Fogo. Não só ele, mas todos os demônios sabem que eles foram expulsos do céu, sabem para onde estão indo, sabem que são irremediáveis.

O demônio conhecia o plano de Deus. Ele sabia que eles acabariam no Lago de Fogo. Os demônios fizeram tudo o que podiam para lutar contra isso. Mateus 11:12 diz: “O Reino de Deus sofre violência”. Uma das razões pelas quais há um movimento tão violento para entrar no Reino, é porque você tem que lutar contra sua própria carne, sua própria natureza caída e seu próprio orgulho. Você tem que estar disposto a crucificar você mesmo.

Você tem que estar disposto a pegar sua cruz, por assim dizer, seguir a Cristo. Você tem que estar disposto a obedecê-Lo, negar a si mesmo. E então, você tem que abrir caminho através da resistência demoníaca. O Reino sofre violência, muitas vezes essa violência envolve uma luta feroz contra os poderes demoníacos.

Mas os demônios sabem que sua condenação é inevitável. No capítulo 5, leremos sobre o homem possuído por demônios na terra dos gerasenos, que disse: “Você veio nos atormentar? Não nos envie para o poço! Envie-nos para os porcos.” O que faz os demônios gritarem? A autoridade de Jesus em Sua Palavra, porque Sua Palavra esmaga suas mentiras.

E, além disso, a autoridade de Jesus no julgamento, porque eles sabem que Ele é seu juiz, e eles sabem que o Lago de Fogo foi preparado para eles. Eles sabiam disso, mesmo antes de estar escrito nas Escrituras em Mateus 25:41, e sabiam que Jesus é o juiz que tem o poder de enviá-los para lá.

O que faz os demônios gritarem, em terceiro lugar, é a autoridade da pureza de Jesus. A propósito, eles o chamam de Jesus de Nazaré. Esse era o nome mais comum dado a Jesus, e era sempre um nome de desdém, porque Nazaré era vista como uma cidade insignificante. E assim, eles falam Dele com o mesmo desprezo que outros falaram Dele, fazendo uma espécie de chacota, com a noção ridícula de que o Messias viria de Nazaré.

Então, esses demônios demonstram seu desprezo por Jesus, ao mesmo tempo que expressam seu terror. Mas, é claro, você não poderia esperar que eles fizessem outra coisa. Os demônios sabiam muito bem quem Jesus é. Fim do versículo 24, “Bem sei quem és: o Santo de Deus.” Quando o anjo veio a Maria, Lucas 1:35, disse que ela teria um filho santo, Filho do Deus Altíssimo. Os demônios sabem disso. A expressão “Santo de Deus”, a propósito, está em forte contraste, no texto de Marcos, com a expressão “espírito imundo”.

Isso não é bizarro? Um demônio imundo e miserável dizendo: “Você é o Santo de Deus”? Os demônios sabem que o Filho é santo, como o Pai é santo. E os demônios, que são a maldade suprema, encolhem-se diante da perfeita santidade, assim como o pecado se encolhe na presença da virtude. O pecado absoluto se encolhe na presença da santidade absoluta. Eles sabem que Deus é santo. Eles sabem que o Filho é santo. Eles sabem que foram expulsos do céu porque são profanos.

Eles sabem que uma vez enfrentaram a santidade de Deus e foram expulsos de Sua presença, indo para um lago de fogo. Eles sabem que vão enfrentá-Lo novamente. Eles são permanentemente profanos, permanentemente miseráveis. Eles conhecem a experiência que o pecado original lhes trouxe, e sabem que a experiência que os espera no Lago de Fogo é ainda pior, mais confinante, e gritam sentindo a antecipação do tormento. O Santo lidará com esses espíritos imundos.

Quarto, eles gritam por causa da autoridade do poder de Jesus. Jesus repreendeu o espírito imundo, dizendo: “Cala-te, e sai dele. Então o espírito imundo, convulsionando-o e clamando com grande voz, saiu dele.” Nesse ponto, ainda não era hora da destruição dos demônios, que ainda está por vir. Mas esse demônio experimenta a autoridade e o poder que Cristo tem sobre todos eles. E esse é o próprio poder que um dia os levará ao Lago de Fogo.

Jesus o repreendeu. Ele tem autoridade instantânea para comandar. Sem diálogo, sem negociação, sem fórmula, sem oração, sem exorcismo – poder absoluto. Na Bíblia, não existe exorcismo. Não há isso lá. Jesus ordenou-lhes, e eles foram embora. Jesus delegou esse poder a Seus apóstolos, e eles fizeram o mesmo. E as únicas pessoas que podem ser possuídas por demônios são não-crentes. Esse é o padrão mostrado nas Escrituras

E, assim, Jesus falou pelo poder de Sua própria autoridade: “Fique quieto! Não quero que você declare quem eu sou. Não preciso de publicidade vinda de você.” É o mesmo que vimos no livro de Atos, capítulo 16, onde uma garota possuída por demônios está divulgando sobre Paulo, que ele é servo de Deus, e Paulo expulsa o demônio e diz, em outras palavras: “Não preciso de publicidade do inferno!”. Jesus diz: “Fique quieto e saia dele!”. Sempre que você leva o evangelho a um não crente, e ele deposita sua fé no Senhor Jesus Cristo, Ele os lava e os demônios fogem.

Bem, mas, o demônio queria ficar. Ele queria manter aquela alma em cativeiro para o inferno. E assim, ele protesta, versículo 26, “Então o espírito imundo, convulsionando-o [“sparassō”, no grego] e clamando com grande voz, saiu dele.” Um protesto final, mas com a obediência necessária. O poder os faz gritar, assim como a verdade os faz gritar, assim como a pureza os faz gritar. Sempre que são confrontados por Cristo, ficam aterrorizados, porque têm motivos para ficar aterrorizados.

Isso me lembra Mateus 17, a partir do verso 14:

14 Quando chegaram à multidão, aproximou-se de Jesus um homem que, ajoelhando-se diante dele, disse:
15 Senhor, tem compaixão de meu filho, porque é epiléptico e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água.
16 Eu o trouxe aos teus discípulos, e não o puderam curar.
17 E Jesus, respondendo, disse: ó geração incrédula e perversa! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui.
18 Então Jesus repreendeu ao demônio, o qual saiu de menino, que desde aquela hora ficou curado.

Ele tem poder para arrancar almas do reino das trevas? Absolutamente! Então, voltando a Marcos 1. Nesse caso, o homem entra em convulsão, mas Lucas nos diz, em Lucas 4:35, seu registro do mesmo incidente: “E o demônio, tendo-o lançado por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal algum.”. O homem não foi ferido.

Não há informações sobre aquele homem, porque ele não é o foco. Ele não é o ponto. A atenção está no Filho de Deus, que exibe publicamente o poder divino. Por Sua própria autoridade, Ele expulsou o demônio. Jesus está mostrando que Ele é o Messias, Ele é o Rei, Ele é o Salvador, Ele está trazendo o Reino. Ele tem o poder para quebrar a escravidão de Satanás. Ele pode destruir Satanás, suas forças, e libertar almas.

O poder do Rei agora era visível. Como nós sabemos? Versículo 27: “E todos se maravilharam a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Uma nova doutrina com autoridade! Pois ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!.” Isso é o que chamaríamos de burburinho, não um debate em sentido formal. É um burburinho. “O que é isso? Quem é Ele? Um novo ensinamento, nunca ouvimos ensinamentos como esse com autoridade. Ele comanda até os espíritos imundos e eles Lhe obedecem.”

Agora todo mundo sabia. Todos sabiam que Ele ensinava como ninguém ensinava, e todos sabiam que Ele tinha um poder que ninguém jamais possuiu. De acordo com Mateus 9:33, Ele expulsou um demônio de um homem mudo, e eles disseram que aquilo nunca tinha sido visto em Israel.

O que faz os demônios gritarem é a autoridade de Cristo. Isso os aterroriza. E deve aterrorizar você também. Deveria aterrorizar os pecadores, da mesma forma que aterroriza os demônios. A diferença é que os pecadores não entendem a realidade de sua destruição. Mas os demônios entendem muito bem.

Não basta se surpreender com Jesus. As pessoas maravilhadas e os demônios aterrorizados estarão para sempre no mesmo lago de fogo. Jesus não quer seu espanto. Ele não quer sua admiração. Ele quer o seu temor. Ele quer que você o tema como juiz, e depois corra para Ele como Salvador.

Verso 28: “E logo correu a sua fama por toda a região da Galileia.” E isso foi apenas o começo. Vá para o versículo 39: “Foi, então, por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demônios.” A tragédia foi que repetidamente as pessoas sempre ficaram maravilhadas, e foram para o mesmo inferno que os demônios aterrorizados ocuparão para sempre.

Os demônios sabiam quem Ele era e não podiam ser salvos. As pessoas não acreditavam que Ele era quem afirmava ser, e não seriam salvas. O que é necessário é uma combinação de ambos. Você precisa se surpreender e aterrorizar. Espantar-se com tal Salvador e aterrorizar-se com tal juiz. Oremos.

Pai nosso, vemos aqui novamente a majestade de Cristo, que é ao mesmo tempo Salvador e Juiz. Nunca escaparemos de um confronto cara a cara com Jesus Cristo, nem naquela hora em que Ele nos abraça em Seu amor eterno e nos leva a viver em Seu próprio lar preparado para nós, ou quando Ele nos enfrenta como nosso juiz e executor e envia o impenitente e incrédulo para um inferno eterno preparado para demônios. A evidência está aí. Os demônios sabem disso. Que os pecadores também o saibam. Sim, devemos ficar maravilhados por Ele, maravilhados por Seus ensinamentos, Sua clareza, Sua veracidade, Seu poder. Devemos estar aterrorizados por Sua santidade, Sua pureza e Seu julgamento. Que Sua graça seja abundante para os pecadores neste dia. Transfira as pessoas, Senhor, do reino das trevas, o reino de Satanás, para o reino da luz, o reino do Teu querido Filho. E que os pecadores que ficaram maravilhados ao ouvirem a respeito de Jesus, fiquem aterrorizados com a realidade de Seu julgamento, arrependam-se e clamem por perdão e salvação. Oramos em Teu nome. Amém.


Esta é uma série de  sermões de John MacArthur sobre o Evangelho de Marcos.

Clique aqui e veja o índice com os links dos sermões traduzidos já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “Cosmic Authority″, de John MacArthur em 19/04/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/41-5/cosmic-authority

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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