O Plano Eterno da Cruz

Na hora de sua morte, Jesus disse: “Está consumado”. Tudo ocorreu conforme planejado desde a eternidade. Nada esteve no controle dos líderes religiosos e nem dos romanos. Ele morreu na mesma hora em que os cordeiros pascais estavam sendo sacrificados. Deus estava no controle de tudo. Os principais sacerdotes, os escribas e o Sinédrio imaginavam que eles estavam no comando. A cruz aconteceu no momento estabelecido por Deus, e não por eles.

Continuando nossa trilha no Evangelho de Marcos, vamos começar a olhar para Marcos 14:1-16. Esta seção nos leva à cruz, estamos agora à sombra da cruz.

Após relatar o grande sermão profético de Jesus, Marcos agora nos leva ao que considero o Santo dos Santos das Escrituras. Entramos no véu para ver o sangue aspergido. Este é o terreno sagrado da Sagrada Escritura, o relato da cruz, que está presente nos quatro evangelhos.

E à medida que avançamos nos capítulos 14, 15 e 16 – a cruz e a ressurreição são o tema deles – veremos os detalhes relacionados à morte do Senhor e à Sua ressurreição. Mas Marcos 14:1-16 trata de alguns personagens que atuaram neste drama.

Cristo é o centro de tudo que Marcos relata, mas há outros que participam deste momento: O Sinédrio, os líderes judeus, Maria (irmã de Marta), Judas (o traidor) e os discípulos.

Mas há alguém que não é mencionado aqui e que é a figura principal: Deus. Muito parecido com o livro de Ester – no qual tudo o que aconteceu foi sob a obra soberana de Deus, embora Deus não seja citado expressamente.

Tudo o que aconteceu ali, na preparação, no julgamento e na execução de Jesus, estava sendo realizado pela mão invisível do Deus Soberano. Deus estava cumprindo minunciosamente cada detalhe de Seu propósito.

Marcos 14
¹ Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam.
² Pois diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.
³ Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.
Indignaram-se alguns entre si e diziam: Para que este desperdício de bálsamo?
Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se aos pobres. E murmuravam contra ela.
Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo.
Porque os pobres, sempre os tendesconvosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes.
Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura.
Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.
¹⁰ E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.
¹¹ Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro; nesse meio tempo, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.
¹² E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa?
¹³ Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água;
¹⁴ segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?
¹⁵ E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos.
¹⁶ Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.

A Cruz foi planejada por Deus desde a eternidade

Deus orquestrou cada detalhe da morte de Cristo. Este foi o desdobramento do plano divino, estabelecido por um o propósito predeterminado de Deus (Atos 2:23).

A morte de Jesus não foi um acidente, não foi uma tentativa de revolução que fracassou e não foi uma ideia fracassada. Foi um plano divino desde a eternidade. Jesus havia dito: “O filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Marcos 10:45).

A morte e ressurreição de Jesus Cristo sempre foi o ponto central do Cristianismo, o coração da salvação, a realidade chave do evangelho e o tema central de toda a Bíblia.

A cruz é o ápice da história redentora, a ratificação da Nova Aliança, a única expiação pelo pecado, a satisfação da justiça divina, a propiciação da ira santa, a síntese do amor soberano e da graça soberana, o elemento necessário da fé salvadora, e a única esperança de vida eterna.

Por isso Paulo disse aos coríntios: “nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Coríntios 2:2).

Pela importância da cruz, ela é prevista no jardim do Éden, quando Deus matou um sacrifício para cobrir Adão e Eva com vestimentas de pele, depois de terem pecado (Gênesis 3:21).

É prevista na promessa, momentos após a queda e a maldição, quando Deus revela que viria um homem que seria ferido por Satanás, mas que esmagaria a cabeça de Satanás (Gênesis 3:15).

A cruz é prevista no sacrifício aceitável de Abel (Gênesis 4:4). A cruz está prevista na arca que salvou oito almas (Gênesis 6 a 8). A cruz é vista no animal sacrificial que foi encontrado no lugar de Isaque no Monte Moriá (Gênesis 22).

A cruz está presente nos cordeiros pascais que foram abatidos no Egito, cuja morte e sangue protegeram as famílias dos hebreus do julgamento divino (Êxodo 11 e 12).

A cruz é retratada na rocha ferida no deserto que deu água ao povo sedento (Êxodo 17:1-7). A cruz é antecipada na serpente de bronze levantada no deserto para cura (Números 21:4-9). A cruz pode ser vista na ação de Boaz, o parente redentor (Rute 2 a 4). A cruz é antecipada em todos os sacrifícios levíticos.

E a cruz é explicitamente profetizada em detalhes no Salmo 22, Isaías 53 e Zacarias 12, até mesmo nas próprias coisas que aconteceram com Jesus e nas próprias palavras que Ele disse.

Quando João Batista identificou Jesus como o Messias, ele disse: “Eis é o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (João 1:29). Todos sabiam que um cordeiro só seria útil e aceitável a Deus se fosse morto. João Batista sabia, então, que o Messias tinha que morrer. Todos eles sabiam; foi isso que o Antigo Testamento deixou claro.

Apocalipse 13:8 fala do “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. O que significa que o plano para a morte de Jesus Cristo foi desde a eternidade.

A cruz não foi resultado de algo que deu errado, ela foi planejada por Deus desde a eternidade. Somente a cruz fornece ao crente penitente em Cristo o perdão de todos os seus pecados para sempre, bem como a promessa do céu eterno e da alegria eterna.

A cruz e a ressurreição são o testemunho supremo da bondade de Deus, do seu amor salvador, da sua justiça, graça, misericórdia, sabedoria, justiça, santidade e de todos os outros atributos divinos.

É por isso que todos os quatro escritores dos evangelhos terminam as suas histórias de Jesus com os detalhes relativos à Sua morte e ressurreição; este é o ponto alto de toda a história.

Jesus havia falado de Sua morte em diversas ocasiões. Ele fez referência especificamente que seria preso em Jerusalém, seria maltratado, seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia (Marcos 8:31, 9:31, 10:33, e, em forma de parábola, 12:7). Jesus não foi surpreendido com a cruz, e nenhum leitor das Escrituras pode ficar surpreso.

Deus conduziu a vida de Jesus para a cruz, algo que Ele mesmo planejou desde os tempos eternos, a cruz era um elemento essencial na história da redenção.

E quando entramos em Marcos 14, o evangelista começa a nos levar em direção à cruz e à ressurreição. Veremos a agonia de Jesus, a traição de Judas Iscariotes, a prisão e julgamento de Jesus, a negação de Pedro, a crucificação e a ressurreição de Jesus.

Como vimos no sermão anterior, quando olhamos o final de Marcos 13, era noite da quarta-feira da semana da cruz. Faltavam dois dias para a cruz. O Senhor estava no Monte das Oliveiras, olhando para o templo, no lado oriental de Jerusalém, proferindo um grande sermão profético.

Jesus havia terminado a quarta-feira com os discípulos, falando sobre sua segunda vinda e Seu reino. Enquanto isso, os líderes religiosos estavam decididos a planejar e executar seu assassinato.

Os personagens que dominaram a cena entre a quarta-feira e a sexta-feira da cruz

Em Marcos 14 vemos diversos personagens que fizeram parte de tudo que culminou na cruz, o primeiro grupo que encontramos são os líderes religiosos.

Marcos 14
¹ Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam.
² Pois diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

Mas antes de olharmos para os líderes religiosos, em Marcos 14:1-2, temos que recuar um pouco e identificar aquele que está orquestrando tudo pelo Seu poder providencial, e esse não é outro senão Deus.

A morte de Jesus aconteceu na forma e no tempo que Deus planejou

Faltavam dois dias para a Páscoa. Essa não é uma informação qualquer. Era o propósito de Deus que, naquela Páscoa, na mesma hora em que os cordeiros pascais estavam sendo sacrificados na Páscoa – na sexta-feira, às três horas da tarde – a verdadeira Páscoa, Jesus Cristo, morresse na cruz.

Jesus morreu às três horas da tarde daquela sexta-feira, na Páscoa. O que torna tudo interessante é que aquele era exatamente o momento em que os líderes não queriam matá-lo (Marcos 14:2). Mas eles não estavam no comando, esse era o tempo de Deus. A mão invisível de Deus guiou tudo em cada detalhe.

Havia três festas principais que os judeus celebravam: a Festa de Pentecostes (Levítico 23:13-25) , que era uma espécie de primícias. A Festa dos Tabernáculos (Levítico 23:33-44), onde eles lembravam a peregrinação no deserto. E a Festa dos Pães Asmos (Êxodo 12:15-20), em que se comemorava o êxodo, quando eles fizeram os pães asmos e deixaram o Egito.

A Festa dos Pães Asmos durava sete dias (Levítico 23:4-8), era realizada de 15 a 21 do mês de nisã, que seria por volta do mês de abril. Originalmente, era durante a colheita de trigo, cevada e grãos na festa da colheita ou sega (Êxodo 23:14-19).

Um dia antes da Festa dos Pães Asmos era a Páscoa (Êxodo 23:1-14). E é nessa ordem que aparecem em Marcos 14:1. A Páscoa era no décimo quarto dia de nisã, e, no dia quinze, e durando sete dias, ocorria a Festa dos Pães Asmos.

Na Páscoa eles lembravam da saída do Egito. Naquela ocasião, o sangue dos cordeiros sacrificados foi colocado na ombreiras e vergas das portas de cada família dos hebreus. Assim, quando o anjo da morte passou para matar os primogênitos, ele poupou os primogênitos hebreus (Êxodo 11 e 12:1-14).

Páscoa vem de uma palavra hebraica que significa “pular”. O anjo da morte pulou sobre as casas dos hebreus salpicadas de sangue dos cordeiros. E a Festa dos Pães Asmos foi então ligada à Páscoa. O propósito de Deus era fazer com que o Senhor Jesus comesse a Páscoa com Seus discípulos, na noite de quinta-feira.

Marcos 14:1 identifica o fato de que faltavam dois dias para a Páscoa e os Pães Asmos, então ainda era quarta-feira. Jesus morreria na sexta. Esse era o plano de Deus. Jesus disse: “Ninguém tira minha vida de mim, eu mesmo a dou” (João 10:18).

Quem estava no controle de tudo era Deus. Na hora de sua morte da cruz, Jesus disse: “Está consumado” (João 19:30). Ou seja, tudo ocorreu conforme planejado desde a eternidade. Nada esteve no controle dos líderes religiosos e nem dos romanos.

Ainda quando criança, Herodes tentou matá-lo (Mateus 2:16-18), pois considerou que Jesus era uma ameaça ao seu trono.

No início de seu ministério, em Nazaré, Jesus foi à sinagoga para pregar. Ali, o povo daquela cidade, em que ele foi criado, tentou jogá-Lo de um penhasco, porque seu ensino os ofendeu muito (Lucas 4:16-30).

Quando Jesus curou um paralítico que jazia no tanque de Betesda, em um dia de sábado, “os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5:18).

Depois, na Festa dos Tabernáculos, muitos, ao ver Jesus pregando, diziam: “Não é este aquele a quem procuram matar?” (João 7:25). Ou seja, nem o chamavam pelo nome, mas por “aquele a quem procuram matar”.

Os guardas do templo que foram lá para prender Jesus, por ordem dos principais sacerdotes e fariseus (João 7:45), voltaram perplexos e de mãos vazias, dizendo: “Jamais alguém falou como este homem” (João 7:46). Eles ficaram impressionados com Seu poder e autoridade.

Em João 8:58, quando Jesus falou de sua divindade, os fariseus “pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo” (João 8:59).

Certamente, muitos atentados contra a vida de Jesus não foram registrados nos evangelhos. Mas, todos eles falharam, porque ainda não havia chegado a hora que Deus havia determinado para o Cordeiro ser morto.

O Cordeiro seria morto na Páscoa. Na última ceia, Jesus disse: “Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído!” (Lucas 22:22).

No seu sermão no dia de Pentecostes, Pedro disse que Jesus foi “entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus” (Atos 2:23).

O propósito da cruz

A morte de Jesus foi decretada divinamente para ocorrer na Páscoa, quando os cordeiros estavam sendo sacrificados, porque Ele era o Cordeiro de Deus, cuja morte tiraria o pecado do mundo.

Ao pregar a um etíope, Filipe, citando Isaías 53:7, disse que Jesus foi “levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca” (Atos 8:32). Paulo escreveu que “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1 Coríntios 5:7).

Pedro escreveu que fomos resgatados “pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo” (1 Pedro 1:19,20).

Ao ver Jesus, João Batista declarou: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Na visão que recebeu do Apocalipse, João escreveu:

Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor (Apocalipse 5:11,12).

Toda a Bíblia vê Cristo como o Cordeiro sacrificial. Ele foi injustamente preso, julgado e executado. Ele sofreu uma série hedionda de crimes. Foi o homem mais injustiçado da toda a história, pois Ele era o Filho de Deus sem pecado, perfeitamente justo e santo.

Ele enfrentou o mais terrível e incomparável sofrimento, pois teve que suportar o derramar do cálice da ira de Deus sobre si, ou seja, a ira de Deus sobre o pecado da humanidade foi colocado sobre seus ombros. Isaías escreveu:

Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos (Isaías 53:5,6),

Mesmo diante de todas as calúnias, difamações e falsas testemunhas vinda dos líderes religiosos, o próprio Pilatos sabia que Jesus estava sendo vítima de acusações falsas e injustas e que não havia nele culpa alguma (Mat. 27:18-24). Ele sabia que aquele julgamento era injusto. Pedro escreveu:

[Jesus] não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados (1 Pedro 2:22-24).

Seus acusadores e algozes o puniram pelo que Ele não fez. Mas Deus também o puniu pelo que Ele não fez. Jesus sofreu como se fosse culpado. Ele carregou sobre si o castigo que era nosso. Paulo escreveu:

Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Coríntios 5:21).

Deus o matou pelos nossos pecados.

Ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos” (Isaías 53:10).

O escritor da epístola aos Hebreus diz que “temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”, e que “Jesus, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus” (Hebreus 10:10-12).

Se você não entende a cruz desta forma, você não pode ser um cristão.

Há uma heresia liberal que nega a expiação de Cristo, negando Sua morte substitutiva, negando que Ele foi um sacrifício em nosso lugar. Diz ainda que Jesus é apenas um exemplo de se entregar por alguém, um modelo de amor.

Jesus foi morto pelo Santo que o amava. Ele foi morto por Aquele que o amou perfeitamente. Ele morreu para satisfazer a justiça divina, para que pecadores indignos pudessem formar um povo redimido para adorar a Deus eternamente.

Você entende isso? A razão pela qual existem pecadores redimidos é para que o céu possa ser povoado com pessoas que dão glória a Cristo. O Pai amava o Filho. O Pai desejava dar ao Filho uma homens redimidos, para que possam louvá-lo, adorá-lo, amá-lo e servi-lo para sempre.

Os redimidos são esse presente de amor do Pai ao Filho. Olhando de outra forma, o Pai procurava uma noiva para Seu Filho; os redimidos são a noiva, e Ele dá a noiva ao Seu Filho. Tudo converge para Cristo, tudo foi por ele e para ele.

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude (Colossenses 1:13-19)

O preço que Jesus teve que pagar foi a cruz, ele teve que se oferecer como sacrifício para satisfazer a justiça de Deus. Foi o maior sacrifício já feito, o mais puro ato de amor já feito. Libera a graça da salvação para os eleitos do Antigo Testamento e do Novo Testamento,

Deus ficou totalmente satisfeito com o sacrifício de Jesus. Por isso Paulo escreveu:

Jesus, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. (Filipenses 2:6-11)

Jesus sabia que sua hora havia chegado

Por vezes Jesus disse que sua hora ainda não havia chegado (João 2:4; 7:6). Mas em João 12 ele diz: “É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem” (v.23); “com este propósito vim para esta hora” (v.27).

Joao 13:1 diz “sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai”. Na sua oração em João 17:1 ele diz: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti”.

Em Mateus 26:18 ele diz: “O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos”. Deus estava dirigindo tudo. Os líderes religiosos almejaram matar Jesus várias vezes, mas isso só aconteceu quando o tempo determinado por Deus chegou.

Mas vamos conhecer agora apenas o primeiro grupo que participou de todo o drama que culminou na crucificação de Jesus Cristo: os principais sacerdotes e os escribas.

Marcos 14
¹ Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam.
² Pois diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

Era Páscoa, Jerusalém estava repleta de centenas de milhares de peregrinos, todos vindo para a festa mais concorrida do ano. A liderança religiosa precisava se unir para matar Jesus. Eles tinham um plano, mas não queriam fazê-lo durante aquela semana (Marcos 14:2).

Mateus 26:3 diz que eles se reuniram na casa do Sumo Sacerdote Caifás para planejar como matar Jesus Cristo.

Jesus havia atraído o interesse do povo naquela suposta entrada triunfal em Jerusalém, quando foi aclamado como rei por um povo superficial (Marcos 11:1-11).

Jesus havia atacado a liderança religiosa que administrava o Templo de Jerusalém (Marcos 11:15-19) e ensinou publicamente no Templo durante toda aquela semana, contrariando tudo o que eles ensinavam (Marcos 12 e 13).

O evangelho de João registra o teor dessa reunião na casa de Caifás:

Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação […] Desde aquele dia, resolveram matá-lo. (João 11:47-48, 53)

O Sumo Sacerdote e os principais sacerdotes eram predominantemente saduceus. Eles tinham muita força no Sinédrio, uma espécie de tribunal supremo judaico formado por 70 anciãos e o sumo sacerdote. A religião do povo era a religião dos fariseus, mas a estrutura do poder estava nas mãos dos saduceus.

E João 11:53 diz que “desde aquele dia, resolveram matá-lo”. E passaram a arquitetar um esquema para consumar a morte de Jesus. A única coisa que sabemos sobre o plano deles é que eles não queriam matá-lo naquela semana de festa, conforme registra Marcos 14:2, pois temiam tumulto entre o povo.

Eles tinham uma avaliação incorreta de uma suposta lealdade do povo em relação a Jesus. Eles pensaram que a multidão havia realmente crido em Jesus. Eles queriam esperar o dispersar da multidão após o fim da festa dos Pães Asmos.

A Páscoa seria o pior dos cenários para o plano deles. Mas eles não estavam no comando da morte de Jesus. Tudo iria acontecer na hora de Deus.

Deus os moveu tão rápido que eles o prenderam durante a noite da quinta-feira, o julgaram e o crucificaram na manhã da sexta-feira. E Jesus morreu às três horas da tarde, na mesma hora em que os cordeiros pascais estavam sendo sacrificados na Páscoa.

Eles não podiam adiar o que Deus havia planejado. Eles o assassinaram no exato momento em que queriam evitar matá-Lo.

Na hora nona (3 horas tarde), Jesus bradou: “Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46), e disse “está consumado” e “entregou o seu espírito” (João 19:30)

Ele morreu no mesmo momento em que os sacerdotes sacrificavam os cordeiros. Ele era o verdadeiro cordeiro de Deus que estava sendo sacrificado pelo próprio Deus em favor dos pecadores.

Deus estava no controle de tudo. Os principais sacerdotes, os escribas e o Sinédrio imaginavam que eles estavam no comando. A cruz aconteceu no momento estabelecido por Deus, e não por eles.

A rejeição que Jesus sofreu foi devidamente profetizada no Antigo Testamento. Isaías 53:3 diz: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso”.

A crucificação de Jesus foi uma das maiores obras providenciais que Deus fez. Os líderes judeus fizeram planos, mas eles foram frustrados e substituídos pelo plano de Deus. Continuaremos na próxima vez. Vamos orar.

Senhor, maravilhosa é a Tua verdade. Não há tesouro maior, como disse o salmista: “São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos” (Salmos 19:10).

Quão preciosa é a verdade, especialmente quando demonstra a Tua glória, o Teu poder, a Tua Soberania, o Teu propósito, em oposição à tolice dos homens. Quão preciosa é aquela verdade que exalta a Cristo.

Senhor, agradecemos-Te porque quando olhamos para a cruz vemos a tua mão soberana controlando tudo, foi do Teu agrado esmagar o Teu Filho por nós.

Somos gratos a ti pelo glorioso evangelho, por nos amares e por teres enviado o Teu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados. Ele veio para satisfazer a Tua justiça, carregando nossos pecados em Seu próprio corpo. Esta verdade gloriosa é a nossa salvação quando cremos nela.

Senhor, eu clamo pela salvação de todos que estão aqui ouvindo a tua Palavra e ainda não conhecem a Cristo como Salvador e Senhor. Peço que o Senhor desperte suas almas mortas, dê visão aos seus olhos cegos, audição aos seus ouvidos surdos e vontade de crer.

Agradecemos-te porque mesmo na hora mais sombria da história humana, do ponto de vista humano, foi a hora em que a luz da Tua presença e Teu propósito brilhou intensamente.

Agradecemos-te por podermos Te adorar e pedimos mais uma vez por salvação neste dia. Obrigado por tudo o que desfrutamos juntos neste culto. Nossos corações se alegram novamente com as bênçãos que recebemos por meio de Seu Filho, nosso Salvador, em cujo nome oramos. Amém.


Esta é uma série de  sermões de John MacArthur sobre o Evangelho de Marcos.

Clique aqui e veja o índice com os links dos sermões traduzidos já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “Players in the Drama of the Cross, Part 1”, de John MacArthur, em 10/4/2011.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/41-71/players-in-the-drama-of-the-cross-part-1

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno.


 

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