A Criação: Por Quê?

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O texto abaixo é parte de uma série de sermões de John MacArthur sobre o livro de Gênesis. Clique aqui e veja os links dos sermões já publicados.
A Bíblia tem sido atacada pelos incrédulos. Até aí é compreensível. Mas, no meio do cristianismo, levantaram-se importantes figuras para negar a exatidão do livro de Gênesis, resumindo-o a alegorias, simbolismo e até mesmo a uma mera “estória”.
Segundo John MacArthur, a maioria dos seminários evangélicos nos Estados Unidos não crê mais nos relatos acerca da criação e do dilúvio contidos no livro de Gênesis, e tentam conciliar a fé com teorias ateístas da ciência evolucionista.
Ele tem dito que não imaginava que gastaria anos do seu ministério defendendo a Bíblia dos ataques da própria igreja.
Sabemos que o Espírito Santo de Deus instrui as verdadeiras ovelhas do Senhor a ouvir a sua voz através de toda a sua Palavra, de Gênesis a Apocalipse.


Este texto é uma continuação do sermão: A Criação: Quando? Como? Por quê?


Como você sabe, temos feito uma série nas últimas semanas sobre o tema das origens.  Obviamente, isso alertou minha mente para nossa sociedade, talvez de forma mais sensível do que no passado.  Penso que é seguro dizer que a mentira sobre a evolução do Universo, como o conhecemos hoje, é a mentira mais sofisticada, complexa e altamente educada que existe. 

Para todos os efeitos, cativou o mundo inteiro.  É acreditada pela maior massa da humanidade, pelo menos no mundo ocidental.  E mesmo que a evolução seja algo impossível e irracional, é perpetuada com grande força e com grande esforço acadêmico.

A teoria evolucionária moderna exigiu e recebeu aceitação quase universal no mundo.  É a teoria de que ninguém criou o Universo como ele é, mas que ele surgiu por acaso e progride por meio de constantes mudanças, mutações e transições ascendentes da simplicidade à complexidade, por meio de um processo aleatório que rege, basicamente, o pensamento humano.

E suponho que esperamos que acreditem na hipótese da evolução aquelas pessoas que rejeitam a Deus, que rejeitam a Bíblia, que dizem não amar o Senhor Jesus Cristo, que não O conhecem, que amam o pecado, que não querem um juiz moral  ou uma lei moral. Esperamos que esse tipo de pessoa fique feliz com uma explicação tão conveniente de como as coisas surgiram. 

E suponho que seja por isso que é tão chocante que essa mentira evolucionária tenha dominado a comunidade cristã evangélica também.  Teólogos, exegetas e comentaristas bíblicos acham necessário negar a explicação simples da Criação em Gênesis.

Estava lendo nessa tarde um comentário muito estabelecido e conhecido sobre o livro de Gênesis, no qual essa é precisamente a visão do autor, que diz que Gênesis realmente não quer dizer o que diz.  Para ele, Deus não quis dizer que Ele criou o Universo em seis dias, mas que Ele,  obviamente, queria dizer outra coisa, porque a ciência nos informa que não é possível que o relato de Gênesis tenha ocorrido.

Francamente, não é fácil defender que o conceito de  evolução se encontra em Gênesis 1. É uma tarefa muito difícil para qualquer comentarista ou exegeta, porque não há absolutamente nada naquela seção das Escrituras, ou em qualquer outro lugar na Bíblia, que permita tal bizarra  interpretação, como defender a evolução a partir do texto bíblico.

Não há absolutamente nada no texto de Gênesis 1:1 a 2:3 que de alguma forma descreva qualquer ideia evolucionária.  Consequentemente, para impor a evolução em Gênesis 1, essas pessoas precisam negar o relato simples, direto, inconfundível, claro e histórico da Criação.  E elas têm que reclassificar esse relato da Criação, colocando-o na categoria de uma alegoria, ou como mito, ou como lenda, ou como um estilo poético literário, mas não como um texto informativo que deve ser interpretado literalmente.

Eles fazem isso para acomodar a Bíblia à evolução ímpia, irracional e impossível.  E, novamente, digo que não há nada no texto que faça alguém concluir que ele é uma alegoria.  Não há nada no texto que esteja em alguma forma poética, na língua hebraica.  Não há nada lá que soe como mito ou lenda.  E então, eles criaram uma narrativa falsa, para introduzir o conceito ímpio da evolução nas Escrituras.

E você faz a pergunta: “Por que eles fazem isso?  Por que as pessoas que afirmam ser cristãs fazem isso?”  Bem, tenho grandes razões para apresentar:

  1. Esses estudiosos fazem isso para ser aceitos nos círculos acadêmicos.  É muito importante, se você está em um ambiente universitário, em um ambiente acadêmico, que você não seja um criacionista, se quiser manter sua posição, se quiser seu emprego.
  2. Em segundo lugar, as pessoas fazem isso porque são ignorantes acerca da verdadeira ciência.  Eles realmente não entendem a ciência e para onde a ciência pode ir e para onde ela não pode ir.  Eles foram, basicamente, enganados pela ciência, a falsamente chamada ciência.
  3. E em terceiro lugar, penso que eles podem ter sido compelidos da mesma forma que Darwin foi, ou seja,  pela ilusão da aparência.  Darwin desenvolveu todo o seu sistema com base em observações ilusórias que nada tinham a ver com DNA, com genética; com o que realmente estava acontecendo.

Portanto, por essas razões, essas pessoas que se dizem cristãs concordam e compram a ideia da evolução, que é construída sobre o conceito de uniformidade.  É o que chamamos de conceito uniformitarista, que defende que tudo continua da mesma maneira neste longo processo de bilhões de anos, tudo progredindo exatamente na mesma razão. 

Eles observam uniformidade no Universo.  Eles observam as coisas acontecendo em um certo ritmo e, a partir daí, extrapolam concluindo que tudo aconteceu sempre nesse ritmo e que, portanto, o Universo começou com algo muito simples e se manteve na mesma velocidade até chegarmos a  hoje.  Esse processo, eles supõem, levaria até 20 bilhões de anos.

No entanto, a Bíblia não permite tal coisa, tal ilusão.  Em 2 Pedro, capítulo 3, verso 4, ele nos diz que zombadores viriam e que diriam o seguinte: “Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.

E esses zombadores, que basicamente estão negando a Segunda Vinda, dizem que nada muda.  Tudo ocorre exatamente da mesma maneira uniformitarista.  Nada muda.  Obviamente, eles afirmam a Criação, mas dizem que desde a Criação nada violou um só processo uniformitarista.

Mas, os versículos 5 e 6 dizem: “Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio.” Pedro está se referindo à criação aqui, por meio da qual, ele diz, verso 7: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.”

Então, essas pessoas que dizem que tudo sempre continuou como era desde o início, esqueceram que houve um tempo em que os céus existiam, e a Terra foi tirada da água e pela água, e outro tempo em que foi destruída por ser  inundada.  Em outras palavras, Pedro está apontando para o fato de que nem tudo continuou através de um processo uniformitarista desde o início, mas sim que houve dois eventos cataclísmicos: a Criação, e o Dilúvio global. 

Nesses eventos, ocorreram imensas alterações na Terra.  A própria Criação foi cataclísmica.  Originalmente, os céus existiam, a Terra foi tirada da água e existe no meio da água. Comentaremos mais sobre isso mais tarde.  E houve um tempo em que todo o globo foi destruído, sendo inundado com água, que teve um impacto cataclísmico imenso na superfície da Terra.

A Terra não teve até aqui um tipo de existência uniforme.  Ao contrário, pois dois imensos cataclismos afetaram sua condição atual: a própria Criação e o Dilúvio.  Os uniformitaristas afirmam que os estratos nas rochas, os estratos sedimentados, os fósseis e a química que acompanha a datação geológica baseada na uniformidade exigem uma Terra com bilhões de anos. 

Durante o início do século XIX, o pressuposto central do uniformitarismo era que o presente é a chave do passado.  Em outras palavras, que tudo sempre transcorreu do jeito que está sendo agora. Esse pensamento foi popularizado por James Hutton e Charles Lyle, que por sua vez influenciaram Darwin.

O uniformitarismo é a crença de que a origem e o desenvolvimento de todas as coisas podem ser explicados exclusivamente em termos das mesmas leis e processos naturais vistos em operação hoje.  O uniformitarismo tem sido a espinha dorsal da geologia histórica moderna e é responsável pela suposição amplamente difundida de que a Terra tem bilhões de anos. 

Os uniformitaristas insistem que todas as características e formações geológicas, antes atribuídas a cataclismos geológicos, podem agora ser explicadas de forma satisfatória por processos comuns que funcionam por períodos de tempo imensamente longos.  Essa é, basicamente, a opinião deles.  Scott Hulse, escrevendo em “The Collapse of Evolution” [O Colapso da Evolução] nos deu essa definição.

Os criacionistas, no entanto, argumentam contra isso, dizendo que as evidências geológicas não sustentam o uniformitarismo, mas o cataclismo. E, em particular, a superfície da Terra demonstra um massivo cataclismo hidráulico universal, um cataclismo relacionado à água. 

Na Criação, havia uma Terra engolfada pela água, que foi remodelada cataclismicamente. Na época do Dilúvio, houve uma inundação que cobriu a Terra, novamente tendo um efeito imenso em sua formação. 

Dois teólogos e cientistas muito destacados, Henry Morris e John Whitcomb, reuniram evidências de processos naturais conhecidos, incluindo o escoamento hidrodinâmico da água do Dilúvio, para demonstrar a necessidade de um Dilúvio universal para explicar as atuais estruturas geológicas da Terra, que não podem  ser explicadas a partir dos atuais processos lentos defendidos pelos uniformitaristas.

Francamente, pessoal, a verdadeira ciência não está de forma alguma do lado dos evolucionistas.  Fenômeno geológico generalizado, como uma grande preponderância de rochas sedimentares e estruturas em toda a superfície da Terra, incluindo conchas no topo das montanhas mais altas, depósitos rápidos e quase repentinos de fósseis e cemitérios fósseis extremamente grandes e profundos, bem como a formação pressurizada  de carvão e gás, todos apontam para uma catástrofe aquosa, não para algum processo natural lento.  E mais e mais estudos recentes estão confirmando isso.

Scott Hulse resume algumas dessas evidências:

 “Os criacionistas mantêm os princípios do uniformitarianismo simplesmente não podem explicar a maioria das principais feições e formações geológicas.  Por exemplo, existe o vasto planalto tibetano que consiste em depósitos sedimentares com milhares de metros de espessura, localizados atualmente a uma altitude de três milhas [4.828m] acima do nível do mar.  A formação Karoo, na África, contém cerca de 800 bilhões de animais vertebrados.  O leito fóssil de arenque, da Califórnia, contém aproximadamente um bilhão de peixes em uma área de quatro milhas quadradas [10, 36 km2].  O conceito uniformitarista é igualmente incapaz de explicar o planalto de Columbia, no noroeste dos Estados Unidos, que é um incrível planalto de lava com vários milhares de pés de espessura, cobrindo uma área de 200 mil milhas quadradas [517.997,622 km2].  O uniformitarismo também falha em oferecer uma explicação razoável para conceitos geológicos importantes, como a formação das montanhas.

Todas essas coisas exigem mudanças repentinas e dramáticas, sepultamento rápido e litificação, que são essenciais para a formação e preservação dos fósseis.  A única maneira possível de ter conchas no topo de montanhas, a milhares de quilômetros do mar, é se já houvesse tido água lá.

Douglas Kelly, escrevendo em seu livro “Creation and Change” [Criação e Alteração], diz:

A suposição uniformitarista de que milhões de anos de trabalho geológico extrapolando a partir do presente, processos lentos e naturais, seriam necessários para explicar estruturas como o Grand Canyon americano, por exemplo, foi posta em séria desconfiança por conta da explosão do Monte Santa Helena, no estado de Washington, em 18 de maio de 1980. Uma enorme energia, equivalente a 20 milhões de toneladas de TNT, destruiu 400 quilômetros quadrados de floresta em 6 minutos, mudando a face da montanha e  cavando profundidades de terra e rocha, deixando formações semelhantes a partes do Grand Canyon maior.  Estudos recentes sobre o fenômeno do Monte Santa Helena indicam que se fossem feitas tentativas de datar essas estruturas com base na teoria uniformitarista, que foram formadas em 1980, milhões de anos de tempo de formação seriam necessariamente postulados.  Ironicamente, uma das peças centrais usadas para demonstrar a cronologia uniformitarista, a coluna geológica, em uma inspeção mais próxima, na verdade, testemunha a favor do catastrofismo.

Existem alguns outros indicadores interessantes que atestam que o Universo é jovem.  Um, que acho fascinante, é a questão da poeira lunar.  Antes de o homem chegar à Lua, os cientistas que defendiam a hipótese de uma Lua com provavelmente 3,5 bilhões de anos, presumiram que, portanto, haveria uma camada muito espessa de poeira na Lua. 

Porém, R.A.  Littleton, astrônomo e consultor do Programa Espacial dos EUA, escreveu o seguinte, antes de o homem chegar à Lua:

A superfície lunar é exposta à luz solar direta, à forte luz ultravioleta e os raios-x podem destruir as camadas superficiais de rocha exposta e reduzi-las a pó na taxa de  alguns dez milésimos de polegada por ano.  Mas mesmo essa pequena quantidade poderia ser suficiente para formar uma camada com vários quilômetros de profundidade no decorrer da existência da Lua.

Assim, sua teoria era de que a Lua estaria com vários quilômetros de poeira, devido à sua suposta idade de mais de 3 bilhões de anos. Agora, fomos informados de que o astronauta Neil Armstrong leu sobre isso, antes de chegar à Lua, e ficou muito preocupado com o fato de que, ao sair da espaçonave, afundaria para sempre em um sufocante pântano de poeira profunda. 

Porém a verdade foi que ele encontrou pouca poeira.  Assim, considerando os cálculos que indicavam a taxa de acúmulo de poeira lunar, não havia um bilhão de anos de poeira,  nem mesmo um milhão de anos de poeira.  Havia, na verdade, apenas alguns milhares de anos de poeira, considerando a hipótese de a poeira lunar ser formada pela ação da  luz ultravioleta do Sol.

Outra ponto interessante são os jatos de petróleo. Quando os reservatórios de petróleo são explorados pela perfuração, a imensa pressão no reservatório força o petróleo a subir  por meio de uma espécie de gêiser, e  jorrar.  A grande pressão que ainda envolve a formação de petróleo é considerada por alguns geólogos como um testemunho de uma Terra jovem. 

Um cientista chamado Dickey, e outros, publicaram os resultados sobre esse assunto em suas pesquisas em um volume chamado Science.  Eis o que eles escrevem:

Estudos mostram que qualquer pressão acumulada deve ser dissipada, vazando para as rochas circundantes em alguns milhares de anos.  As pressões excessivas encontradas nos leitos de petróleo, portanto, refutam a noção de que sua idade seja da ordem de milhões de anos e atestam uma idade juvenil da formação rochosa e do petróleo aprisionado nela, algo menos que dez mil anos.

E então, eu realmente gosto deste:  Henry Morris escreveu algo chamado Cosmologia Bíblica e Ciência Moderna.  No capítulo seis, ele trata da população mundial e da cronologia bíblica.  Com detalhes meticulosos e ajuda de equações matemáticas, ele mostra como a população mundial é um indicador da idade da Terra. 

Em um trabalho posterior, chamado Criacionismo Científico, ele mostra que considerando um crescimento populacional extremamente conservador, a população cresceria meio por cento ao ano, que é um quarto da nossa taxa atual.  Assim, a  população atual da Terra seria alcançada em apenas quatro mil anos.  E de acordo com a cronologia bíblica, isso é certo, porque há quatro mil anos foi o Dilúvio. Ele escreveu:

Começa a ficar gritante e evidente que a raça humana não pode ser muito antiga.  A cronologia bíblica tradicional é infinitamente mais realista do que os milhões de anos de história da humanidade presumidos pelos evolucionistas. Se eles estivessem certos e a Terra tivesse milhões de anos de existência, a população da Terra agora seria de 10 elevado à potência 5.000.  E, se eventualmente fôssemos capazes de colonizar todos os outros mundos do Universo e construir cidades espaciais em todos os lugares nos espaços interestelares, pode ser mostrado que um máximo que não mais de 10 elevado à potência 100 de pessoas poderiam ser amontoadas  em todo o Universo conhecido.

Você pode olhar para essa questão da idade da Terra, do ponto de vista da ciência honesta, e terá todas as afirmações que deseja para concluir que a Terra é jovem.  Vários cronômetros físicos, itens de medição química usados ​​para estabelecer a idade da Terra e do Universo, tudo isso faz  a ciência real dar uma resposta precisa sobre a idade da Terra e do Universo, se você entender algo muito importante:  quando Deus criou a Terra, Ele a criou como ela é.  Ele a criou madura, pronta.  Ele a criou com a aparência de ser mais velha.

O que quero dizer com isso?  Bem, no primeiro dia, Ele fez luz e trevas.  No segundo dia, os céus.  No terceiro dia, Ele retirou a parte seca  das águas.  No quarto dia, Ele fez os corpos celestes que fornecem luz.  No quinto dia, Ele criou animais aquáticos e voadores.  E no sexto dia, Ele criou as criaturas terrestres e o homem.  E Deus os criou todos maduros, totalmente desenvolvidos. 

Ele não criou sementes e células.  Ele não enviou uma pequena célula programada para se dividir continuamente ao longo de milhões de anos.  Não havia sementes, nem embriões, e não havia ovo. Havia uma galinha já crescida.  Ele não começou com luz parcial, gás parcial,  campo eletromagnético parcial e energia nuclear parcial. 

Ele criou um Universo totalmente maduro, com a aparência de ser mais velho.  Quando Adão foi feito, ele não era um embrião, ele não era um recém-nascido. Ele era um homem adulto.  Tudo estava totalmente crescido, totalmente desenvolvido.  A criação cataclísmica do Universo produziu uma criação madura com a aparência e a realidade de uma criação com mais idade.

Se você encontrasse um carvalho no Éden e fosse um botânico, poderia pegar seu pequeno serrote, começar a contar os anéis da árvore, e descobrir que, de acordo com os anéis, aquele carvalho  tinha 400 anos, mas na verdade tinha um dia de existência.  Foi criado totalmente maduro.  E se houvesse algumas águias voando pelo Éden, elas poderiam parecer ter 30 anos, mas tinham apenas um dia de existência. 

Se houvesse elefantes andando por lá, eles poderiam parecer ter muitos anos, 50, 60 anos, mas o fato é que eles tinham um dia.  E se houvesse montanhas ao redor e você visse essas montanhas, você poderia presumir que as montanhas e os cânions ao lado delas, os vales e as colinas tivessem sido formados por anos de vento, água, erupções e terremotos, porém o fato é que tudo foi feito em um dia. 

E se você olhasse para o céu, como Adão fez, veria a incrível expansão acima de você, e se perguntaria há quanto tempo ela existe, e a resposta seria há 48 horas.  Era como Jesus transformando água em vinho, mas sem um processo de transformação.  Ele simplesmente transformou água em vinho – criação instantânea, em uma fração de segundo.

Agora, como observamos ao longo desta série, a evolução é impossível porque “nada vezes nada igual a tudo” é algo impossível.  Não é apenas impossível, é ridículo.  Não há formas de transição, como vimos,  e a genética faz a involução, não a evolução.  Uma alteração na genética só pode ter resultado  negativo;  só pode cumprir a entropia, a segunda lei da termodinâmica, e não pode tornar nada melhor. 

Não existe nenhum tipo de código genético que possa fazer uma transição.  Qualquer ser vivo está sujeito à genética que possui, e nada além disso.  Como vimos, a geologia honesta não pode sustentar a ideia de um mundo antigo ou em evolução.  O registro fóssil não prova a antiguidade da Terra, mas prova que existiu um cataclismo, e assim por diante. E só estou dizendo isso, porque estou pedindo à ciência para ser honesta quanto a esse tema. 

Mas, após essa introdução, vamos para Gênesis 1 e vamos ver a história verdadeira aqui.

COMO DEUS CRIOU?

[Esse assunto foi tratado nos sermões anteriores.]

Como o Universo veio a ser o que é agora?  Veja como: versículo 1, “No princípio, Deus criou os céus e a terra.”  Os hebreus não tinham uma palavra para Universo.  Eles tinham uma frase para Universo:  “os céus e a Terra”, que simplesmente significa o Universo.  No princípio, Deus criou  “ex nihilo“, do nada, o Universo.  Sem matéria preexistente e sem energia preexistente, Deus criou o Universo inteiro.

Agora, lembre-se de que Deus não teve origem.  É por isso que em Êxodo 3:14, Ele diz: “Eu sou o que sou.”  Ele é o Eterno.  Ele, o Eterno, nem sempre foi o Criador, mas em algum ponto da eternidade, Ele se tornou o Criador.

Agora, fizemos a pergunta da última vez: como Ele criou?  E nós respondemos: por Sua palavra.  Versículo 3, “Então disse Deus: Haja luz.” Versículo 6, “E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas….”. E o versículo 9: “E disse Deus: Ajuntem-se as águas… ”, e assim por diante. Deus criou tudo o que existe simplesmente chamando à existência. 

QUANDO DEUS CRIOU?

[Esse assunto foi tratado nos sermões anteriores.]

E quando Ele criou?  Deus criou tudo em seis dias, há cerca de seis mil anos atrás – talvez um pouco mais do que isso – mas algo certamente abaixo de dez mil e perto de seis mil anos.

POR QUE DEUS CRIOU?

Agora, essa pergunta não respondi da última vez.  E, claro, a primeira resposta é: porque Ele quis.  E essa é a melhor e mais verdadeira resposta.  Então, a próxima pergunta é: por que Ele quis?  E a resposta a essa pergunta é bastante óbvia: porque pretendia exibir Sua glória, e a criação Lhe deu outra oportunidade de exibir Sua glória aos anjos celestiais, bem como à humanidade, que viria apreciar Seu grande poder criativo.

Em Apocalipse 4:11, está escrito: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.”  Deus quis criar todas as coisas. Ele desejou fazê-lo pela razão de que eternamente será louvado e glorificado por esta imensa demonstração de poder criativo, que coloca Sua majestade e Sua natureza em exibição. 

Em Isaías 43, versículo 7, lemos: “A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória: eu os formei, e também eu os fiz.” O versículo 20: “A esse povo que formei para mim; o meu louvor relatarão.

Dentro dessa criação, Deus fez o homem.  E para dar um passo além, Ele não só o fez para exibir Sua gloriosa, massiva inteligência, enorme poder, sabedoria, amor pela beleza, complexidade, mas para exibir algo que de outra forma não seria capaz de exibir, que são a Sua graça e a Sua misericórdia.  E assim, Deus criou tudo o que existe para colocar Sua glória em exibição, a glória de Sua criação e a glória de Sua redenção.

Podemos também afirmar que o propósito de Deus na Criação também foi providenciar uma noiva para Seu Filho.  As Escrituras dizem que Deus ama o Filho com um amor perfeito, e por causa desse amor Ele quis dar ao Filho um presente que seria a criação da humanidade e a redenção de um povo – que seria a noiva – a partir dessa humanidade.  E Deus trará essa noiva para a glória, que será vestida com justiça e santidade para sempre, levará a Sua imagem e irá adorar e servir ao Filho para todo o sempre. 

Esse é o glorioso plano de Deus: dar ao Seu amado, o segundo membro da Trindade, uma expressão de amor, de amor eterno e divino, concedendo a Ele uma humanidade redimida que refletirá Sua glória e O servirá e louvará para sempre.  Que pensamento grandioso!  Que pensamento glorioso!  E tudo isso está ligado ao propósito de Deus na criação.

Um escritor do século XII, Ricardo de São Vitor, em seu clássico “De Trinitate’, captou a essência dessa tremenda verdade.  Ele ensina que o Deus Pai infinito amou tanto ao Deus Filho, igualmente infinito, que Ele trouxe à existência, “ex nihilo”, um mundo material finito, para ser povoado com criaturas à semelhança de Seu Filho, a fim de que, como a noiva do Filho, elas pudessem compartilhar da bem-aventurança da vida divina, de uma maneira adequada às criaturas finitas, à imagem pessoal de Deus. 

Para providenciar uma linda noiva para Seu Filho, o Pai Eterno criou um Universo inteiro, e nele um mundo que antes não existia, como o berçário e a casa em que a noiva seria criada.  Um presente tão estupendo do Pai ao Filho exigia uma criação absoluta, a partir do nada. 

O PRIMEIRO DIA DA CRIAÇÃO

No princípio, Deus criou os céus e a Terra.”  Aliás, “no princípio” lança uma realidade anterior inexistente: o tempo.  Não existia tempo até que Deus o criou.  Em um certo ponto da eternidade, Deus declarou a existência do Universo, incluindo o tempo.  O tempo, assim como o espaço e a matéria, são criaturas e servos de Deus.

O tempo é criatura de Deus.  E o tempo forneceu a estrutura adequada para a criação, do primeiro ao sexto dia.  O tempo, espaço e matéria não são absolutos.  E o tempo, o espaço e a matéria, como os conhecemos, no futuro deixarão de existir. Antes de o reino material existir, antes de haver matéria no espaço, não poderia haver tempo. Agostinho colocou isso desta forma:

Com o movimento das criaturas, o tempo começou a correr.  É inútil procurar o tempo antes da Criação, como se o tempo pudesse ser encontrado antes do tempo.  Se não houvesse movimento de uma criatura espiritual ou corpórea movendo-se para o futuro através do presente, e com isso estabelecendo o passado, não haveria tempo algum.  Uma criatura não poderia se mover se não existisse.  Devemos, portanto, dizer que o tempo começou com a Criação, e não que a Criação começou com o tempo.  Ambos são de Deus, pois Dele e por meio Dele e Nele são todas as coisas.”

Então, Deus criou o tempo, junto com tudo o mais.  O versículo 1, de Gênesis 1, afirma o fato geral.  Em seguida, os versículos 2 a 31 decompõem os fatos, em sequência.  Vejamos o primeiro dia.  Isso é realmente emocionante. Versículos 2 a 5:

2 E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
3 E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
4 E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
5 E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

Agora, quando o primeiro dia começa, encontramos a Terra em uma condição única.  Três frases são usadas para descrevê-la: era informe e vazia, as trevas cobriam a superfície do abismo e o Espírito de Deus se movia sobre a superfície das águas.  Essas três descrições nos dão a condição da criação no primeiro dia.

A terra era sem forma e vazia

Vamos olhar para a primeira declaração:  “a terra era sem forma e vazia.”  Agora, a propósito, sempre que em hebraico o sujeito vem antes do verbo, a intenção é enfatizar algo novo sobre ele.  O sentido original do texto em hebraico pode ser traduzido assim: “Quanto à terra, era sem forma e vazia“, era “tohu wa bohu“, em hebraico.

Agora, como entender o que realmente significa “tohu wa bohu“, sem forma e vazia? Dessa vez vou tomar como fonte um comentarista judeu, Umberto Cassuto.  Quer saber o que os hebreus pensam disso?  O que os estudiosos judeus pensam sobre isso, e como eles definem a etimologia dessas palavras?

Tohu” significa deserto.  Significa lugar devastado, um lugar vazio.  E “bohu” significa vazio.  Era um lugar vazio e desolado.  Isso faz sentido.  Podemos aprender mais sobre esse assunto?  Sim, podemos, porque “tohu” e “bohu” são usados ​​juntos em algumas outras passagens das Escrituras.

Jeremias 4:23 é muito esclarecedor.  Agora, aqui está Jeremias, que está realmente com o coração partido, porque ele está com dor.  No versículo 19, temos:  “Ah, entranhas minhas, entranhas minhas! Estou com dores no meu coração! O meu coração se agita em mim. Não posso me calar; porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra.”  Este é um período doloroso na vida de Jeremias.

Verso 20: “Destruição sobre destruição se apregoa; porque já toda a terra está destruída; de repente foram destruídas as minhas tendas, e as minhas cortinas num momento.”  O que está acontecendo aqui é a destruição de Judá. E Jeremias também toma emprestado de Gênesis 1, versículo 23, “Observei a terra, e eis que era sem forma e vazia [‘tohu’ e ‘bohu’]; também os céus, e não tinham a sua luz.”  Ele toma emprestada a própria linguagem de Gênesis para descrever a condição de Judá sob a destruição devastadora que foi trazida por seu conquistador gentio. Ele ainda diz:

24 Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam.
25 Observei, e eis que não havia homem algum; e todas as aves do céu tinham fugido.
26 Vi também que a terra fértil era um deserto; e todas as suas cidades estavam derrubadas diante do Senhor, diante do furor da sua ira.

Você sabe o que Jeremias está vendo aqui?  Uma terra devastada por um exército estrangeiro, uma terra fumegante, em chamas, uma terra onde os pássaros fugiram da fumaça e da devastação, onde não sobrou ninguém, todos foram massacrados ou levados  em cativeiro. 

Então, Jeremias nos ajuda a entender “tohu” e “bohu“.  Ele usa a linguagem de Gênesis para descrever um lugar devastado, deserto, sem habitantes, que perdeu sua beleza anterior.  Não tem forma.  Não tem nenhuma beleza.  Está desolado e sem habitantes devido ao massacre e à fuga.

A mesma frase é usada em Isaías também, capítulo 34, versículo 11. Ele fala sobre o julgamento de Deus vindo sobre as nações.  Isaías falando no versículo 1: “Chegai-vos, nações, para ouvir, e vós povos, escutai; ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz.” E,  então, ele fala sobre a devastação que virá quando o julgamento de Deus cair sobre as nações do mundo. 

E, no versículo 11, ele fala sobre algumas coisas que vão acontecer com os animais e assim por diante, e então, no versículo 11, no meio do versículo, temos:  “Deus estenderá sobre Edom o caos como linha de medir…” – ou a linha de “tohu” – “e a desolação como fio de prumo” – ou “bohu“.  Vai ser um lugar desolado e sem habitantes.

Agora, essas palavras têm a ver com um lugar deserto, um lugar desolado sem habitantes, com devastação, despovoamento, algo sem forma e sem habitantes.  Então, quando você vê as palavras “tohu” e “bohu” em Gênesis, não é algum detalhe técnico complicado que você está vendo lá;  são apenas as palavras usadas para devastação e vazio. 

A Terra era um lugar desolado e não havia vida nela.  Isso é exatamente o que significa “sem forma e vazia“.  Talvez a melhor maneira de dizer isso seria: a Terra ainda estava inacabada,  quanto à sua forma, e despovoada.  Isso é exatamente o que significa, e isso é compreensível quando o primeiro dia começou.

A matéria já existia, bem como o tempo e o espaço, mas a Terra era informe e despovoada.  Os elementos originais criados são mencionados no versículo 1:

  • tempo – no princípio
  • os céus – espaço
  • a terra – matéria.

Deus os criou, Deus os chamou à existência.  Mas ainda eram indiferenciados, não separados, desorganizados e desabitados.  Deus ainda não os havia moldado, e Deus não havia povoado o cosmos.  Então, temos as matérias-primas mencionadas no versículo 1: tempo, espaço, matéria.  São descritos, antes de tudo, como inacabados quanto à forma e despovoados quanto aos habitantes.

Havia trevas sobre a face do abismo

Em segundo lugar, obteremos uma descrição adicional.  O versículo 1 diz: “havia trevas sobre a face do abismo”. E a razão para isso é que Deus não havia criado a luz ainda. Até esse ponto, por toda a eternidade, não houve luz criada. Tudo estava escuro.

A Terra informe, em algum grau, e desabitada, estava mergulhada em escuridão total e absoluta.  Não havia luz nenhuma, a escuridão se espalhava por tudo.  O texto diz que havia trevas  “sobre a face do abismo” e não  “sobre a face da Terra”.  Bem, isso é interessante e nos apresenta outro componente aqui.  O que era esse abismo primordial?

Abismo é um sinônimo usado nas Escrituras para o mar. As trevas estavam sobre a superfície do abismo, e o Espírito de Deus também estava se movendo sobre a superfície das águas, e aqui Deus, por meio do Espírito Santo, define o abismo como água.  A palavra abismo é usada como sinônimo de mar.  Você pode ver isso, por exemplo, em Isaías 51: 9 e 10.

Então, o que temos aqui?  Temos a Terra envolta em trevas, e a superfície da Terra era a superfície da água.  Portanto, a Terra estava coberta de água, um oceano global primordial, rodeado pela escuridão universal.  Isso também é referido no Salmo 104, versículos 5 e 6, onde é dito que Deus “Lançou os fundamentos da terra; ela não vacilará em tempo algum. Tu a cobriste com o abismo, como com um vestido; as águas estavam sobre os montes.

Como um manto que cobre você, a veste da Terra era a água, e o salmista diz que as águas estavam acima dos montes.  A Terra informe era, literalmente, coberta com água.

Em certo sentido, é como um oleiro que desejando moldar um belo vaso e enchê-lo para ser usado, primeiro pega um pedaço de barro e o coloca na roda para moldá-lo e ajustá-lo ao seu propósito.  Portanto, Deus primeiro obtém a matéria-prima, e é uma mistura de elementos cobertos de água existentes na escuridão universal – isso antes de começar a moldá-la.  E isso, aliás, eu creio que é o que Pedro, em 2 Pedro 3:5, quis dizer: “Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água…”, na Criação, “e no meio da água subsiste”, referindo-se ao Dilúvio.

Provérbios 8:27 diz: “Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo”.  Em primeiro lugar, a matéria se tornou esférica.  Então, Deus tinha essa bola de elementos que constituiria a Terra quando Ele a moldou, engolfada pela água.

O Espírito de Deus Se movia sobre a superfície das águas

E o terceiro comentário sobre o estado da Terra no primeiro dia é o mais notável: “O Espírito de Deus Se movia sobre a superfície das águas”.  Eu amo essa palavra “mover”. Também pode ser traduzida como “pairar”.  O Espírito de Deus – “ruach elohim“, no hebraico  –  estava pairando sobre esse material informe e sem vida, envolto em água e mergulhado nas trevas. E isso indica o  cuidado e a supervisão divinos.  Jó 33: 4 diz: “O Espírito de Deus [ruach elohim] me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida.

Esta palavra “pairando” é uma bela palavra.  Se você quiser comparar seu uso, para te dar uma analogia, você pode ir a Deuteronômio 32:11, e verá que é usada para descrever filhotes em um ninho, que não são capazes de se alimentar, incapazes de se defender,  de sobreviver, de se desenvolver e crescer. São seres  totalmente dependentes do cuidado dos pais que pairam sobre eles, fornecendo comida, proteção e calor, para que possam sobreviver, crescer e se desenvolver. 

E essa é precisamente a imagem aqui do texto de Gênesis, porque a mesma palavra hebraica é usada para o Espírito Santo pairando sobre essa massa de matéria não desenvolvida, sem forma e sem vida no espaço, coberta pela água, envolvida na escuridão.  E o Espírito de Deus estava pairando sobre a superfície dessa Terra, como se ela fosse uma ninhada sobre a qual o Espírito de Deus pairava.

Esse é um detalhe importante no relato da Criação e não algo de menor importância  Isso demonstra, por um lado, que a cosmovisão bíblica de Deus é que Ele está diretamente envolvido em Sua criação.  Sua mão nunca é levantada dos elementos e do funcionamento da ordem material.  Sua presença está ali superintendendo, pairando sobre tudo. 

Essa é a antítese do deísmo filosófico,  que diz que Deus é como o originador da criação, Ele a encerrou e depois se afastou dela;  ou do dualismo teológico, que vê uma lacuna entre um Deus bom e espíritual e um mundo mau e material.  Mas, ao contrário disso,  vemos  o Deus vivo superintendendo, meditando, pairando sobre as águas, sendo o responsável direto por todo o processo da Criação. 

Você lê a Bíblia e descobre que o Espírito de Deus é a fonte de toda a vida.  “Pelo seu Espírito ornou os céus”, diz Jó 26:12. Também, no Salmo 33:6, lemos: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca.” E há diversos outros textos semelhantes nas Escrituras.  Assim, o Espírito de Deus fornece a energia para moldar, organizar e trazer vida.  Essa é a obra de Deus.

A primeira coisa criada após a matéria original é informada no versículo 3, no primeiro dia:  “Então Deus disse:‘ Haja luz ’, e houve luz.” Os cientistas se debatem e se atrapalham há séculos tentando descobrir de onde veio a luz. Mas tudo o que você precisa é de um verso da Bíblia para obter a resposta.  Não havia luz, e Deus disse: “Haja luz”, e houve luz. 

Aquele que é a  Luz incriada trouxe à existência a luz criada. Aquele, que de acordo com 1 Timóteo 6:16,  “habita em luz inacessível” ordenou que a luz criada existisse no lugar onde havia apenas trevas, e a luz passou a existir.

Novamente, Douglas Kelly diz: “Ordenar a existência da luz é a primeira de uma série de três separações realizadas pelo Criador e que foram essenciais para transformar o caos em um cosmos.  No primeiro dia, a luz separa o dia da noite.  No segundo dia, o firmamento separa as águas superiores da terra, constituindo uma atmosfera ou espaço respirável.  No terceiro dia, as águas abaixo do céu são coletadas em mares e, portanto, separadas da terra seca.  Essas três separações mostram a mão poderosa de Deus moldando e organizando a massa escura e aquosa na direção de um lindo jardim, um lugar adequado e adorável para as plantas, animais e a humanidade.

E com a criação da luz, foi estabelecida uma sucessão cíclica de dias e noites, períodos de luz e períodos de escuridão.  Como veremos no versículo 5, Deus chamou a luz dia e as trevas noite, e com isso temos o ciclo noite-dia.  Isso significa que a Terra imediatamente começou a girar em seu eixo.

E havia uma fonte de luz em um lado da Terra correspondendo ao Sol – que nesse momento ainda não havia sido criado –  e havia escuridão no outro lado da Terra.  Deus criou a luz e houve luz, simplesmente porque Deus disse que ela existisse.  Como uma pessoa que veio arrumar várias coisas que estavam espalhadas na confusão em algum quarto escuro, antes de fazer qualquer outra coisa, acende a luz, assim fez Deus.

No versículo 4, “E viu Deus que era boa a luz.” Agora, essa declaração é repetida nos versículos 10, 12, 18, 21, 25 e 31. Tudo o que Deus criou era bom, certo? E quando tudo foi criado, o versículo 31 resume: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.”  As obras do Criador só poderiam ser boas, então isso não nos surpreende de forma alguma.  Tudo o que Ele fez foi bom.

Agora, quando Deus diz que algo é bom, esse é um padrão muito alto.  O próprio Deus é o padrão original do que é bom, e se Ele disse que é bom,  é bom.  O padrão de bondade de Deus não está fora de Si mesmo. Há muito tempo, um homem chamado Novaciano captou esse ponto em uma declaração do terceiro século sobre Deus.  Ouça o que ele escreveu no século III:

O que você poderia dizer, então, que seria digno Dele?  Ele é mais sublime do que toda sublimidade, mais alto do que todas as alturas, mais profundo do que toda a profundidade, mais claro do que toda a luz, mais brilhante do que todo o brilho, mais esplêndido do que todo esplendor, mais forte do que toda a força, mais poderoso do que todos podem ser, mais bonito do que toda beleza,  mais verdadeiro do que toda a verdade, mais duradouro do que toda resistência, maior do que toda majestade, mais poderoso do que todo poder, mais rico do que todas as riquezas, mais sábio do que toda a sabedoria, mais gentil do que toda gentileza, melhor do que toda bondade, mais justo do que toda a justiça, mais misericordioso do que  toda misericórdia  Todo tipo de virtude deve necessariamente ser menor do que Ele, que é o Deus e a fonte de tudo. 

Que declaração maravilhosa! A bondade incomparável de Deus exige que toda luz, terra seca, mares, vários tipos de vida animal, tudo o que existe, seja bom. E assim tudo o que foi criado era bom.  A razão de a criação ter se tornado ruim não é por causa de Deus, mas por causa da Queda e da rebelião do homem, da corrupção de Sua criação totalmente boa.  Mas, no início tudo era bom. 

E o versículo 4 diz: “E Deus separou a luz das trevas”.  É por isso que Isaías 45:7 diz: “Deus é quem forma a luz e cria as trevas.”  Isso inicia o ciclo dos dias.  Ele separou a luz das trevas.  Ele criou a luz, mas não destruiu as trevas.  Nunca foi Seu desejo, como Criador, que houvesse luz perpétua, de forma alguma. Mas que tanto a escuridão quanto a luz operariam consecutivamente, e isso era bom.  Luz e trevas operariam consecutivamente, por determinados períodos, em uma ordem cíclica imutável.  Ele fez isso porque se adequava ao Seu plano criativo.  Convinha a Seu plano ter a Terra girando, ter luz e escuridão.

No versículo 5,  “Ele chamou à luz dia, e às trevas noite.”  E assim foi e sempre foi.  Desde o primeiro dia houve luz e houve escuridão.  Houve dia e houve noite.  E esse ciclo constante de luz e escuridão, dia e noite, definiu o caráter deste Universo e desta Terra desde o primeiro dia.  E o versículo 5 ainda diz: “E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

Quando a luz do dia passou, o período designado para as trevas veio, e foi chamado de anoitecer, entardecer. E quando a noite passou, o período destinado à luz veio e foi chamado de manhã.  E com esse comentário, a Bíblia indica a conclusão do primeiro dia da Criação. O que foi criado naquele dia ?  Luz. 

Você diz: “Mas como poderia haver luz sem o Sol?”  Eu não sei.  Se a Bíblia dissesse, eu saberia.  Mas você certamente não acredita que o Deus que tem poder para criar o Sol, não tenha poder para criar a luz, não é mesmo?

Foi um primeiro dia espetacular, não foi?  Apenas no caso de alguém pensar que isso foi parte de algum processo evolutivo, enfaticamente diz o versículo 5: “E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.”  Essa é uma tradução literal do hebraico.  Não um bilhão de anos, mas um dia.  Um ciclo de luz e escuridão, tarde e manhã, e a Criação foi iniciada.  Mal posso esperar até chegarmos ao segundo dia.

O poeta inglês, John Dryden, com grande imaginação, escreveu uma canção para o dia de Santa Cecília.  Ele a escreveu por volta de 1687. E esta canção magnífica sobre a Criação foi posteriormente musicada por George Frederick Handel.  Vou deixar a música de lado e apenas ler a letra para você.  Isso é o que John Dryden escreveu, com grande imaginação, sobre a Criação:

Quando a natureza sob uma pilha de átomos dissonantes jazia e não conseguia levantar a cabeça, a voz melodiosa foi ouvida do alto: ‘Levantai-vos, mais do que mortos!’. Em seguida, frio, calor, umidade e secura saltam em ordem suas estações,  e o poder da música obedece.  Da harmonia celestial, esta moldura universal começou, de harmonia a harmonia através de todo o compasso das notas que corria, o diapasão fechando-se completamente no homem.  A partir do poder das configurações sagradas, as esferas começaram a se mover e cantaram o louvor do grande Criador a todos os abençoados acima.  Então, quando a última e terrível hora devorar este desfile em ruínas, a trombeta será ouvida no alto, os mortos viverão, os vivos morrerão, e a música desafinará o céu.

Esta criação gloriosa, corrompida pela Queda, algum dia em sua corrupção encontrará sua incriação, e então será criado um novo céu e uma nova Terra, para nunca conhecerem a corrupção. Nós moramos aqui e, bendito seja Deus, vamos morar lá. Vamos orar.

Pai, agradecemos pelo poder de Tua Palavra, por sua clareza.  Agradecemos por este relato direto de como tudo começou no primeiro dia, há relativamente poucos milhares de anos, quando Tu trouxeste a luz à existência e deste o primeiro passo para a existência do Universo e da Terra como os conhecemos agora.  Nós Te damos todos os louvores.  Tu és nosso Criador.  Tu fizeste tudo o que existe, e sem o Senhor nada do que foi feito se fez.  Agradecemos por criar, e por esse propósito de criar a fim de que Tu pudesses dar ao homem um mundo para viver, para que pudesses escolher dele uma noiva para Teu Filho trazer à glória.  Agradecemos por esse grande e tremendo propósito na Criação.  Agradecemos por ter nos tornado parte disso.  Estamos cheios de admiração e louvor, e agradecemos por nosso Salvador, Jesus Cristo.  Amém.

 


Esta é uma série de diversos sermões sobre Gênesis. Clique aqui e veja os links dos demais sermões já publicados.


Este texto é uma síntese do sermão “The How, Why, and When of Creation, Part 2”, de John MacArthur em 25/04/1999.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/90-212

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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