Dom de Línguas – Parte 2

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Este sermão faz parte de uma série de sermões de John MacArthur sobre dons espirituais e homens especialmente dotados. Para acessar os sermões anteriores, veja os links no final deste texto.


Temos o privilégio muito especial e maravilhoso agora de vermos o capítulo 13 de I Coríntios. Eu simplesmente amo estudar as Escrituras, e confio que Deus realmente abençoou vocês com esse mesmo amor.

I Coríntios 13
8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Iremos olhar para esse texto de uma forma mais técnica do que no passado. E, de certa forma, isso vai ser muito parecido com uma abordagem de sala de aula. Muitos de vocês são verdadeiros estudantes da Bíblia, e de vez em quando, meio que direcionamos a mensagem para aqueles de vocês que são verdadeiros estudiosos.

E então, mesmo para aqueles de vocês que não sejam tão ávidos estudantes da Palavra, sigam em frente e desfrutem do que estará sendo dito e, por graça, o Senhor falará com vocês também. Mas vamos nos concentrar em alguns dos pontos mais delicados do texto, a fim de tentar tirar uma conclusão sobre algo que tem sido uma área muito grande de discussão na igreja. Vamos falar sobre “aquilo que é perfeito”, mencionado no versículo 10.

Como vocês sabem, o capítulo 13 de 1 Coríntios é todo sobre amor. E o grande clímax deste capítulo vem, realmente, no versículo 8, nas palavras: “O amor nunca falha”. Esse é o auge do amor. O que Paulo está dizendo é que o amor é a única coisa eterna. O único vínculo que temos com a eternidade é o amor.

Os coríntios haviam enfatizado todas as coisas boas, os dons e os ministérios e assim por diante, mas haviam se esquecido do que era melhor. Paulo chama o amor, em 12:31, de o “caminho mais excelente”. E então, ele faz esta declaração importante sobre a essência, o caráter, as qualidades do amor.

  • Vimos, em primeiro lugar, a proeminência do amor, nos três primeiros versículos;
  • Depois as perfeições do amor;
  • E, a seguir, começando no versículo 8;a permanência do amor.
  • E ouvimos o apóstolo Paulo nos dizer que “o amor nunca falha”. Uma declaração tremenda! O que ele realmente está dizendo é que o amor é algo eterno.

E, se o amor é o único vínculo que você tem, realmente, com a eternidade, então é melhor você se especializar em amar, porque o amor é a coisa mais excelente de todas. Para enfatizar a prioridade do amor, Paulo o compara com o que mais atraía a atenção dos coríntios, que eram os dons espirituais.

Os coríntios eram orgulhosos, tinham um problema com egoísmo espiritual, e a maneira como se gabavam de sua espiritualidade era abusando dos dons e os falsificando. E assim, Paulo atrai o ponto de vista deles sobre os dons para seu ponto de vista sobre o amor, e faz uma comparação aqui, para mostrar que os dons não são aquilo que deve ser enfatizado. O amor sim, porque os dons estão passando, mas o amor é para sempre. Esse é o seu argumento principal.

Agora, da última vez olhamos para aquele pensamento de que “o amor nunca falha”. Existem muitos usos para este termo “falhar” no grego. Eu li um interessante esta semana, onde é usado para se referir a um mau ator sendo conduzido para fora do palco. Poderíamos dizer que o amor nunca sai do palco, no sentido de que o amor é algo que nunca é visto como um mau ator. O amor é algo honrado.

Porém, o mais próximo do significado que Paulo usa o termo “falhar” no texto é o uso técnico no grego clássico, onde a palavra é usada para falar de uma flor que murcha e apodrece, e suas pétalas começam a cair. E o que ele está dizendo é que o amor não é uma flor que apodrece. O amor nunca cai, nunca desaparece, nunca murcha. É a única coisa grande e eterna, o caminho mais excelente. Ele estava dizendo aos coríntios:

Melhor do que vocês se reunirem apenas para ensino ou doutrina, ou apenas para ministrar com dons e assim por diante, seria vocês se reunirem para o amor. Porque o fim de tudo o mais é que vocês possam amar uns aos outros e, assim, o mundo saberá que vocês são, de fato, filhos de Deus. Portanto, o amor é o caminho mais excelente.

Para fazer essa comparação entre o amor e os dons, Paulo aponta três características: os dons são temporários, são parciais e são elementares. Usando essas três características, ele compara os dons e o amor. Quero que você coloque sua camisa de estudante hoje e quero que reflita sobre esta passagem comigo.

Porque vamos olhar para isso em um sentido técnico, para tentar resolver um problema bastante antigo relativo ao significado de algumas dessas expressões. E, ao longo do caminho, estou meio animado que você possa ter uma ideia do processo que um estudioso da Bíblia usa para chegar a conclusões.

Muitas vezes quando prego, eu apenas lhes dou a conclusão. Mas hoje, pensei em guiá-los pelo processo, para que vocês possam ver como eliminamos certas discussões e certos pontos de vista para chegar ao ponto de vista correto, e como é o processo para chegar a isso.

Lembre-se de quando discutimos o primeiro subponto da permanência do amor. Os dons são temporários. Observe o versículo 8, “O amor nunca falha”. Essa é a grande declaração que cobre o resto do capítulo. Paulo começa, então, a discutir a natureza temporária dos dons: “mas havendo profecias, serão aniquiladas”, ou “elas serão tornadas inoperantes” ou “abolidas”, “anuladas”. E, “havendo línguas, cessarão”, no sentido de que as línguas “cessarão por si próprias”. E ainda, “havendo ciência, desaparecerá” ou “havendo conhecimento, será tornado inoperante”, no sentido de ser abolido ou extinto.

O que Paulo está fazendo aqui é abordando os dons num conjunto. O dom mais significativo para os coríntios era a profecia, o menos significativo eram as línguas, ou idiomas, e o conhecimento ficava como intermediário. E ele está simplesmente dizendo: “Os dons são uma realidade passageira. Eles não são um item para sempre. Eles têm seu tempo, eles têm seu lugar. Mas eles não são permanentes; eles não são eternos.”

Sem dúvida, os dons são muito essenciais. Atrevo-me a dizer que a profecia, o conhecimento e o dom de línguas – a habilidade de falar uma língua estrangeira desconhecida do orador – nos dias da igreja primitiva eram tremendamente importantes, muito essenciais. Mas, por mais essenciais que tenham sido em seu tempo, são apenas para o tempo e não para a eternidade. E o único vínculo que você tem com a eternidade é o amor e, portanto, o amor deve dominar.

Agora, vimos da última vez que há uma distinção interessante feita no uso dos verbos que acompanham as palavras profecia e conhecimento em oposição a línguas. E em relação às línguas, vimos que o verbo é usado numa forma que significa que as línguas parariam por si mesmas. E então, discutimos se elas tinham, de fato, parado. Concluímos também que as línguas tinham, biblicamente, três propósitos:

1. Propósito revelador – Em outras palavras, Deus estava revelando Sua Palavra por meio desse dom ocasionalmente. E uma vez que a revelação já foi dada “uma vez por todas entregue aos santos”, o propósito das línguas teria cessado.

2. Propósito de confirmação – as línguas também foram uma confirmação, um dom maravilhoso, confirmando os apóstolos e os profetas e seu ministério apostólico. E visto que não há mais apóstolos e profetas, como vimos em Efésios 2:20, o dom de línguas não precisaria mais existir, porque não há autenticação de tais homens hoje.

3. Propósito de sinal de julgamento – vimos no Novo Testamento que as línguas eram um sinal de punição judicial para o povo da aliança, Israel, punição essa que foi executada em 70 DC. Consequentemente, o sinal não precisa mais existir hoje. E a história nos atesta que as línguas, de fato, cessaram até aproximadamente 1900, quando o movimento pentecostal moderno começou.

Então, vimos no sermão anterior que as línguas cessaram, e a manifestação atual que estamos vendo pode ser explicada de outras maneiras, que não o dom de línguas, ou idiomas, do Novo Testamento.

Mas, em contraste com a cessação das línguas, percebemos que o verso 8 diz que a profecia e o conhecimento seriam interrompidos ou tornados inoperantes. O verbo usado aí está na voz passiva, significando que algo iria fazer parar a profecia e o conhecimento. Algo iria detê-los, acabar com eles. E esse algo é a coisa perfeita mencionada no versículo 10.

Vamos discutir hoje o que significa “Mas, quando vier o que é perfeito”, verso 10. Bem, este é um estudo muito interessante, porque muitas pessoas ficam muito confusas sobre esse assunto. Ele tem sido discutido por tanto tempo, que espero que possamos dar a você uma interpretação que possa ser satisfatória para que você compreenda esse assunto.

A profecia e o conhecimento não cessaram juntamente com as línguas. Esses dons – profecia e conhecimento (ciência) cessariam quando viesse “o que é perfeito” (v. 10). O versículo 9 diz que: “Porque, em parte, conhecemos…” – isso é, o dom de conhecimento ou ciência – “e em parte profetizamos…”. Verso 10: “mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.”

Portanto, aquilo que é parcial – o conhecimento e a profecia – iriam parar quando viesse “o que é perfeito”. Eles são dons temporários. Eles são importantes. Na verdade, são essenciais. Mas eles apenas fazem parte do tempo, não da eternidade. Então, Paulo afirma que esses dons são temporários.

Paulo não apenas diz que esses dons são temporários, mas que eles são parciais. Leia os versículos 9 e 10 novamente: “Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.” Note que ele usa três vezes a expressão “em parte”. Observe o versículo 12, onde ele repete a mesma expressão: “agora conheço em parte”.

Assim, quatro vezes ele enfatiza o fato de que o conhecimento que temos é parcial, “meros” no grego, significando simplesmente “uma parte do todo”, não o todo. Os dons são parciais. É interessante ver que as línguas não aparecem nos versículos 9, 10, 11, 12 ou 13. Elas pararam, e os únicos desses dons que estarão em operação quando “o que é perfeito” vier são a profecia e o conhecimento, segundo Paulo ilustra no texto.

Haverá outros dons em operação quando “o que é perfeito” acontecer, é claro, mas os que Paulo se refere aqui são a profecia e o conhecimento. E as línguas cessariam antes. Agora, o versículo 9 diz: “em parte, conhecemos, e em parte profetizamos”. Agora, isso é verdade. Posso estudar diligentemente e fazer tudo o que estiver a meu alcance para pregar a você a Palavra de Deus, mas, na melhor das hipóteses, só posso pregar a você parte do que há para falar sobre a verdade de Deus. Eu sou limitado.

Estou limitado ao que Deus revelou, estou limitado ao meu entendimento, estou limitado ao fato de que uma mente humana não pode compreender um Deus sobre-humano em plenitude. Portanto, na melhor das hipóteses, a pregação é parcial.

  • Profetizar – que significa “falar perante uma audiência”, como já vimos no sermão que tratamos desse dom – é algo parcial.
  • A palavra de conhecimento também é parcial. Extrair da Palavra de Deus princípios de conhecimento é algo parcial. Não há como saber tudo o que há para saber.

Você sabe que é tão fácil nos tornarmos meio presunçosos doutrinariamente e pensarmos que temos todas as respostas. Nós ordenamos nossa teologia. Sabemos que há passagens que são difíceis de entender. Mas, em 1 Coríntios 8:2, Paulo diz: “se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber.” Assim, o conhecimento é limitado. E, especialmente, é limitado quando você pensa que sabe tudo. Então, você não sabe nada, porque a parte básica do conhecimento é que você não pode saber tudo.

Voltando ao Velho Testamento, quero mostrar a você que nenhum cristão pode ter conhecimento perfeito. Sabe, às vezes acho que pensamos que sim. Acho que algumas pessoas podem pensar que sim, você sabe. Elas pensam: “Bem, você sabe, ele é o pastor da igreja e fala a Palavra de Deus, e ele tem todo o conhecimento.” Mas, eu não o tenho. Meu conhecimento é muito limitado.

Sou o primeiro a admitir que cometo erros. E muitas vezes não tenho o conhecimento suficiente para saber se meu entendimento é certo ou errado. Esse é o problema. Mas o problema com a natureza humana é que ela é falível e comete erros. E há um limite para o conhecimento que podemos apreender. Penso que alguns professores da Bíblia talvez precisem se lembrar disso. Eu sei que eu e que você simplesmente não sabemos tudo. Você pode pensar que sim, mas não.

Olhe para Jó comigo por um minuto. Quero mostrar a vocês algumas passagens, apenas para nos ajudar um pouco com nossa humildade, para entendermos que há muitas coisas que não sabemos, e estamos apenas arranhando a superfície desse aspecto de conhecer a plenitude da natureza divina.

Em Jó 11:7, está escrito: “Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso?” Em outras palavras, “você pode verificar o conhecimento perfeito de Deus? “Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? É mais profunda do que o inferno, que poderás tu saber?” (v. 8).

Em outras palavras, é impossível atingir a plenitude do conhecimento de Deus. Você não pode alcançar algo tão elevado, assim como você não pode sondar algo tão profundo. Está além da capacidade do homem entender completamente. E você sabe, as pessoas às vezes perguntam, por que os professores de Bíblia discordam ou bons cristãos discordam entre si.

Não discordamos no básico, que é claro. Naquilo que discordamos é porque todos nós estamos lidando com limites em nosso conhecimento, tentando juntar as peças e tirar conclusões, embora sem uma plenitude de revelação. É por isso que é tão difícil sistematizar as coisas.

Em Jó 26:14, Jó acaba de falar muitas coisas sobre Deus e sobre quão maravilhoso, poderoso Deus é, e como Ele operou com Seu poder na criação, então, ele exclama: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem, pois, entenderia o trovão do seu poder?”

Está além de nossa capacidade compreender a plenitude do poder de Deus, os caminhos de Deus, a verdade de Deus e a natureza de Deus. Salmo 40, versículo 5. “Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.”

Em outras palavras, o salmista está dizendo: “Quando tento rotular, programar, sistematizar Deus, se eu quisesse declarar e falar sobre os pensamentos de Deus, eles são mais do que podem ser contados.” Sistematizar Deus é muito difícil, porque não temos todas as informações. No Salmo 139:6, lemos: “Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.” Está muito além de nós.

Apenas para comparar com uma palavra do Novo Testamento, para que você entenda que mesmo o Novo Testamento não preenche todo o conhecimento, lemos em Romanos 11:33 o seguinte: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Agora, ouça o próximo versículo: “Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?” Não temos como compreender os caminhos do Senhor.

Você diz: “Mas quando você conhece a Cristo, você não entende tudo?” Não, porque está escrito em Colossenses 2:3, “Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” Até mesmo conhecer a Cristo é saber apenas que Nele o conhecimento e a sabedoria estão ocultos, ou seja nem todos revelados. Só porque conheço Cristo, não significa que sei tudo. Está tudo Nele. Mas, está escondido.

Portanto, devemos lembrar que estamos sempre lidando com uma parte da verdade, em termos de seu todo. Agora, dizer que temos verdade parcial não significa que temos erro. Significa, simplesmente, que não temos toda a verdade que existe.

Por exemplo, você pode ensinar a seu filho que dois mais dois são quatro, e isso é verdade. Você ensinou a verdade a ele. Mas isso é muito distante de saber toda a álgebra, geometria, trigonometria e cálculo. Há muito mais coisas para saber, e que seu filho nunca conseguiria conceber, enquanto tudo o que ele pode apreender é que dois mais dois é igual a quatro.

Isso não significa que o conhecimento esteja errado. Isso não significa que não seja confiável. Significa, simplesmente, que o conhecimento ainda está incompleto. E aprendemos mais à medida que crescemos como cristãos, mas não conhecemos tudo. Devo acrescentar que temos tudo o que precisamos. Pedro disse: “Você tem todas as coisas que pertencem à vida e à piedade.” Você tem tudo que precisa.

I João 5:20: E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro.

1 Coríntios 2:12: “Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.

Portanto, sabemos o que precisamos saber. Sabemos tanto quanto precisamos saber para sabermos o que Deus deseja que saibamos, para fazer o que Deus deseja que façamos. Porém, não sabemos tudo. Somos apenas um bando de alunos tentando aprender o básico.

Você diz: “Bem, John, por que Deus não deu todo o conhecimento para nós?” Bem, eu acho, por um lado, que a mente humana nunca seria capaz de compreender tal conhecimento, então Deus manteve a simplicidade. O que Ele nos revelou é tão simples, que até uma criança pode saber.

E se Deus tivesse despejado sobre nós a plenitude de toda a verdade, seria uma verdade infinita. Se Deus é infinito, a verdade é infinita. A Bíblia seria infinita. E se tivéssemos um livro infinito, seria impossível para nós conhecê-lo todo. Seria um livro sem começo e sem fim.

É maravilhoso pensar que Deus condescendeu em colocar Sua verdade nesse pequeno exemplar que temos em nossas mãos. Mas, há muito mais verdade sobre Deus, muito mais. Ainda não começamos a tocar a superfície. Deus manteve as coisas simples para que não ficássemos confusos.

Além disso, uma mente humana corrompida pelo pecado, depravada, não poderia lidar com a verdade final em seu todo, a menos que fosse uma mente perfeita. Então, uma vez que nossa mente não é perfeita, Deus não se preocupou em revelar tudo para nós. Algum dia, quando tivermos uma mente perfeita, obteremos toda a verdade. Esse é o nosso futuro.

Então, nós temos esse conhecimento parcial agora. Esse conhecimento nos vem, em parte, por meio do exercício do dom de pregação – ou profecia – por outros. As pessoas nos declaram a Palavra de Deus, os princípios da Escritura e os ensinam a nós. Então, elas estão, em parte, contribuindo para o que sabemos.

Agora, vamos voltar a I Coríntios 13 e olhar novamente para os versículos 9 e 10: “Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.”

A palavra traduzida como “aniquilado” aí é “katargeō”, que significa eliminado, abolido, tornado inoperante. É o mesmo verbo usado no versículo 8, porque é isto que ele está tentando dizer: profecia e conhecimento estão conectados a “quando vier o que é perfeito” que tornará esses dons inoperantes.

Você sabe, quando “o que é perfeito” vier, Paulo diz, em outras palavras: “Fantástico! Você não precisará de pregação, porque você terá todas as informações. Você não precisará mais de ensino, porque terá todo o conhecimento. Você terá toda a verdade que existe.”

Na verdade, Paulo vai tão longe, que no versículo 12, ele diz: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Imagine!! Chegará um dia sem mais livros, sem sermões, sem aulas, sem estudos bíblicos, sem mais nada. Você terá tudo. Você saberá tudo. E não haverá mais necessidade de dons. Mas você sabe o que haverá? Haverá amor. Esse é todo o ponto de Paulo aqui.

“AQUILO QUE É PERFEITO”: O QUE É E QUANDO VIRÁ?

O que é “aquilo que é perfeito”? É isso que vamos estudar. E há muita discussão sobre isso. Francamente, não costumava haver. Costumava ser apenas um assunto simples, mas então, tudo se complicou, e todos os tipos de possibilidades foram contempladas nos últimos 100 anos. Bem, vamos falar sobre isso.

Em primeiro lugar, eu só quero lembrar a você que qualquer que seja “aquilo que é perfeito”, é algo que é realmente perfeito, porque o verso 12 diz: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face...”. Ele está se referindo à profecia (pregação da verdade). Ou seja, agora vemos. Podemos perceber o que Deus está fazendo, a Palavra de Deus, o programa de Deus, mas apenas parcialmente. Mas algum dia, veremos cara a cara, totalmente.

O verso 12 continua: “agora conheço em parte…” – aqui ele está se referindo ao dom do conhecimento – “…mas então conhecerei como também sou conhecido.” É incrível! Agora, olhe para a ilustração que Paulo está usando: vemos através de um vidro, obscuramente, ou em um espelho. Os coríntios saberiam exatamente do que ele estava falando, porque havia um negócio de fabricação de espelhos na cidade de Corinto. E, naquela época, eles faziam espelhos de metal. Eles achatavam e poliam o metal para ser usado como um espelho.

Mas, claro, se você já olhou em um espelho de metal, você sabe que ele tende a ter ondulações e outras imperfeições, por isso a imagem é um pouco distorcida. E, além disso, com o passar do tempo, esse espelho se deteriorava e manchava, o que desfiguraria ainda mais a imagem projetada nele.

Então, Paulo está dizendo: “Por enquanto, estamos olhando em um espelho, e isso nos revela uma imagem um tanto vaga e uma imagem bastante limitada.” Quando você está dirigindo e está olhando no espelho retrovisor, tudo o que você está vendo é o que está disponível para você naquela pequena coisa. E, às vezes, você começa a mudar de faixa, mas há um ponto cego no espelho retrovisor. E de repente, você ouve uma buzina, e você retorna à sua faixa, porque outro carro estava bem naquele ponto cego que o espelho não te mostrou.

É essencialmente isso que Paulo está dizendo. Existe uma imprecisão, uma obscuridade no que vemos. E há limitações para o que vemos, profeticamente, em termos de nossa pregação e ensino da Palavra de Deus. E, também, nosso conhecimento é limitado. Mas chegará o dia em que veremos, sem espelho, cara a cara, a imagem real.

E conheceremos, sem quaisquer limitações, a plenitude do conhecimento, da mesma forma que somos conhecidos. Essa é uma promessa fantástica. Apenas imagine o dia em que saberemos tudo e veremos tudo como realmente é. Estou animado com isso, você não está?

Você diz: “Bem, quando ‘aquilo que é perfeito’ vai acontecer?” Eu vou dar a vocês todas as visões mais populares, muito populares entre os evangélicos hoje, acerca desse assunto. E a primeira é essa: algumas pessoas dizem que a coisa perfeita já veio, e foi a conclusão das Escrituras.

Essa é uma visão muito, muito popular hoje: a conclusão do Novo Testamento adicionado ao Antigo Testamento é a “aquilo que é perfeito”, ou seja, a Escritura. E assim, através das Escrituras, vemos cara a cara e conhecemos assim como somos conhecidos.

Agora, penso que essa visão é fraca pelas seguintes razões. Você está pronto para isso?

1. Não creio que os coríntios teriam pensado nisso. E lembre-se, Paulo estava basicamente escrevendo para um grupo de pessoas, a fim de para passar uma mensagem que eles entendessem. E eu não penso que foi assim que os coríntios compreenderam o conceito de “perfeito”.

Veja, Jesus disse, em Mateus 5:48: “Sede perfeitos, como também é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. Onde então, na mente dos coríntios, estaria o conceito da perfeição? Bem, na minha opinião, seria no céu, pois ao dizer “como é perfeito vosso Pai que está nos céus”, Jesus estava estabelecendo o padrão final de santidade absoluta.

Isso é o que Ele deseja para você. E a perfeição sempre é o nível mais alto de realização. Assim, eu não penso que os coríntios teriam compreendido o conceito de perfeição como sendo a conclusão do Novo Testamento. Para eles, o perfeito seria ser como Cristo ou ser como Deus, estar plenamente amadurecido.

2. Em segundo lugar, se “aquilo que é perfeito” for as Escrituras, então a profecia e o conhecimento teriam que ter cessado junto com a conclusão das Escrituras. Assim, não há mais como proclamar as Escrituras e não há como extrair conhecimento das Escrituras. Você vê o que você faz ao presumir que “aquilo que é perfeito” é a Escritura? Você elimina uma das manifestações desses dons.

Por exemplo, mesmo enquanto as Escrituras ainda estavam sendo escritas (Novo Testamento), os seus escritores pregavam o Velho Testamento. E, assim fazendo, eles estavam profetizando, proclamando algo já revelado. Às vezes, o dom profético se manifestava como a proclamação de algo novo, não revelado por Deus anteriormente. Mas também como a proclamação de algo já revelado.

Logo, se considerarmos a completude da Bíblia como sendo “aquilo que é perfeito”, então a profecia e o conhecimento teriam cessado quando a Bíblia fosse completada. Assim, não haveria mais a manifestação do dom de profetizar (proclamação), no sentido de proclamar a verdade já revelada, nem do dom de conhecimento (interpretação).

E acho isso bastante difícil de aceitar, uma vez que foi exatamente isso que estava acontecendo no início da igreja, quando, de fato, Pedro citou ensino de Paulo e Paulo citou Jesus. Então, havia uma proclamação das Escrituras que já haviam sido escritas mesmo antes de termos o Novo Testamento pronto. Essas Escrituras já eram objeto de ambos os dons – o de profecia (na proclamação) e o de conhecimento (na interpretação).

3. Em terceiro lugar, se você admitir que a profecia e o conhecimento cessaram com a conclusão da Escritura, então você não tem como proclamar, profetizar e nem usar a palavra de conhecimento para extrair princípios da Palavra de Deus por toda a era da igreja, por toda a Tribulação, por todo o Reino, ou para sempre. E acho isso um pouco difícil de admitir como verdade.

  • Deixe-me mostrar a você o porquê. Em Joel 2:28, está escrito que no Reino “vossos filhos e vossas filhas” – o quê? – “profetizarão“. Agora, escute.
  • O que se seguirá à era da igreja? A Tribulação. O que virá após a Tribulação? O Reino. No Reino, haverá profecia, segundo Joel 2, Atos 2.
  • Bem, você diz: “E quanto à Tribulação?” O que acontece em Apocalipse 11? Imediatamente após o Arrebatamento, Deus levanta dois profetas. Lembra deles?

Haverá profecia na Tribulação e no Reino Milenar. E eu te faço a pergunta: a profecia cessou? Não. Ainda há um futuro para a profecia. E eu lembro a você que o verbo traduzido como cessar ou aniquilar, ou desaparecer, em 1 Coríntios 13:8 (“havendo profecias, serão aniquiladas”), significa “ser abolido”. Não significa parar um pouco e começar de novo.

A profecia vai parar, vai ser abolida. Agora, se você diz que parou com a conclusão do Novo Testamento, então como você explica a profecia acontecendo na Tribulação e no Reino, para não falar da proclamação da verdade acontecendo por toda a era da igreja? E quanto à palavra de conhecimento, à medida que as pessoas extraem princípios da Palavra de Deus?

Bem, alguns dizem: “Esses dons cessaram e voltarão novamente”. Bem, mas você não pode afirmar isso porque, número um, o verbo usado por Paulo significa “ser abolido”. E, em segundo lugar, defender tal ideia é destruir todo o argumento de Paulo, pois ele está simplesmente dizendo: “Algumas coisas param e acabam; mas o amor é para sempre.”

A ênfase que ele faz, contrastando esses dons com o amor, não é: “certas coisas vêm e vão, mas o amor é para sempre.” Esse seria um contraste fraco. Mas, o argumento de Paulo é: “algumas coisas cessam, mas o amor continua para sempre.” Esse é um forte contraste. Esse é o seu ponto.

4. Outro motivo pelo qual não penso que a conclusão das Escrituras seja “aquilo que é perfeito” é porque o verso 12 de 1 Coríntios 13 diz: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face…”. E então, eu lhe pergunto: você possui uma Bíblia e eu possuo uma Bíblia. Você já viu Deus face a face? Não. Na verdade, eu nem mesmo vi aquele que revela Deus, o Senhor Jesus Cristo.

1 Pedro 1:8 diz: “Ao qual, não o havendo visto, amais”. Ora, ter uma Bíblia, a Escritura completa, não significa dizer que eu tenha visto o Senhor cara a cara. Isso ainda vai acontecer. Acontecerá algum dia, quando formos para o céu, e a glória de Deus preencherá o novo Céu e a nova Terra e brilhará no meio da Cidade Santa. E veremos Sua glória, mas isso ainda não aconteceu.

5. E, além disso, se você admitir que a conclusão da Escritura é “aquilo que é perfeito”, você não tem como explicar a declaração do final do verso 12 de 1 Coríntios 13: “agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.”

Por ter uma Bíblia, conheço a Deus tão bem quanto Deus me conhece? Eu? Não. Deus me conhece perfeitamente. Eu O conheço em parte. Mesmo tendo uma Bíblia, não sei tudo o que há para saber sobre Deus. Em João 10:15, Jesus diz: “Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai”. Não posso dizer: “Oh, sim, e o Pai me conhece e eu conheço o Pai também”, no mesmo sentido, posso? Não. Meu conhecimento ainda é limitado.

Portanto, a partir desses pensamentos simples, o fato de ser um significado obscuro para os coríntios, o fato de que terminaria a profecia e o conhecimento muito antes do Reino e da Tribulação, onde eles aparecem, o fato de não poder explicar o “face a face”, não poder explicar o “conhecer como sou conhecido”, apenas me faz acreditar que você não pode dizer que “aquilo que é perfeito” é a Escritura.

A segunda interpretação muito comum advoga que “aquilo que é perfeito” é o arrebatamento .

E essa é uma interpretação mais robusta do que admitir que “o que é perfeito” são as Escrituras. Mas, também penso que não convence. É uma interpretação fraca. E a razão de ser fraca é, basicamente, porque também não há como explicar por que haverá profecia e conhecimento acontecendo na Tribulação e no Reino, se esses dons irão cessar no Arrebatamento.

Algumas pessoas dizem: “Esses dons cessarão com o Arrebatamento.” Então, segundo essa interpretação, até o Arrebatamento haverá profecia e conhecimento acontecendo, e o Arrebatamento vem e eles cessam. Porém, no Reino, esses dons voltam a operar. Mas, isso não faz nenhum sentido, pois quando esses dons cessarem, será de vez, eles serão “aniquilados”, cessarão definitivamente.

Então, se “o que é perfeito” for o Arrebatamento, como explicar Apocalipse 11, onde temos profecia acontecendo? Como explicar o Reino Milenar, onde haverá profecias e ensinamentos acontecendo por toda a terra, em todos os cantos do mundo? Em todo o mundo, por 1000 anos, todo mundo estará sendo ensinado. E vou te mostrar isso a seguir. Portanto, não parece ser o Arrebatamento “aquilo que é perfeito”.

A terceira interpretação para o que seja “aquilo que é perfeito” é o amadurecimento da igreja.

E essa é a mais recente de todas. Tem sido ensinada por muitos professores bíblicos populares. Segundo essa visão, quando a igreja atingir sua maturidade, ou seja, quando alcançar o número dos salvos e o Corpo de Cristo estiver completo, isso será “aquilo que é perfeito”.

Bem, essa é simplesmente outra maneira de dizer que o Arrebatamento é “aquilo que é perfeito”, porque quando o número estiver pleno e o corpo estiver completo, a igreja estiver completa, o que acontecerá? O Arrebatamento. É isso aí. Não haverá mais ninguém para conquistar, se a igreja estiver completa.

Mas, a razão de eles entenderem que “o que é perfeito” seja o corpo amadurecido, ao invés do Arrebatamento, é porque eles tomam a palavra “perfeito” em termos de maturidade. Mas, ainda permanece o mesmo problema, porque se a profecia e o conhecimento cessarão quando a igreja estiver madura e, portanto, será tirada do mundo, então, novamente, como explicar a profecia e o conhecimento na Tribulação e no Reino?

A quarta interpretação para o que seja “aquilo que é perfeito” é a Segunda Vinda de Cristo.

Cristo é “aquilo que é perfeito”. Ele está vindo. Mas o problema aí é que o pronome usado no grego, traduzido como “o que” ou “aquilo que” é perfeito, é um pronome neutro, só usado para coisas, e Cristo não é uma coisa. O pronome correto para se referir a Cristo é Ele, no masculino, “teleios” no grego.

E, novamente, se Cristo vem e a Sua vinda faz cessar a profecia e o conhecimento, então como pode imediatamente após Ele vir, estabelecer Seu reino, e a profecia começar em todo o mundo? Simplesmente não parece fazer sentido. O Reino estará repleto de ensino e pregação.

Uma coisa interessante que li esta semana. Há um estudioso da Bíblia que considera que “o que é perfeito” é a Escritura. Segundo ele, quando a Escritura foi completada, a profecia cessou, o conhecimento cessou, e assim por diante. E se você vai admitir essa visão, então você vai ter que admitir que quando o cânone da Escritura foi completado, fechado, todos os dons pararam de verdade.

E então, mais adiante, em outro livro, o mesmo estudioso afirma o seguinte: “Sem dúvida, haverá um ministério de ensino do Espírito Santo sem paralelo no Reino Milenar”. Achei interessante como ele poderia admitir a cessação dos dons de profecia e conhecimento na época da conclusão do Novo Testamento – em 96 DC – e ao mesmo tempo afirmar todo um ministério de ensino acontecendo no Reino. De um lado, ele afirma que esses dons cessaram e, por outro, que eles estarão presentes no Reino.

Deixe-me chegar a uma conclusão. Haverá ensino e pregação no Reino, numa quantidade enorme. Deixe-me levá-lo a Isaías e dar-lhe algumas escrituras para mostrar o que quero dizer. Isaías 11, agora, observe isto. Você vai achar isso interessante. Isaías 11:9. O capítulo trata do Reino, e se você ler o capítulo inteiro, ficará muito claro para você.

Ele fala sobre todas as coisas maravilhosas que vão acontecer, no início do capítulo 11. E, no versículo 9: “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte…”. Isso é o que vai acontecer no reinado de 1000 anos de Cristo na Terra, após a Segunda Vinda. E continua: “…porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.” Ouça: de alguma forma, o globo inteiro será engolfado em conhecimento, em instrução, ensino, pregação. Vai ser algo dominante nesse tempo.

Agora, veja o capítulo 12 de Isaías, que fala sobre este Reino. O versículo 3 diz: “E vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação.” Haverá salvação no Reino. E se haverá salvação no Reino, terá que haver proclamação no Reino, porque você tem que ouvir a mensagem antes de poder crer, pois a fé vem por ouvir a pregação sobre Cristo, como Romanos 10:17 diz.

O verso 4, de Isaías 12, continua: “E direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, fazei notório os seus feitos entre os povos, contai quão excelso é o seu nome.” Em outras palavras, Deus está chamando Israel para pregar e proclamar o Seu nome no Reino, para trazer pessoas à salvação.

O capítulo 29 de Isaías – e poderíamos estudar Jeremias, Miquéias, Habacuque, mas ficaremos por aqui por um minuto em Isaías. Isaías 29:17 fala sobre o que vai acontecer no Reino, bênção após bênção. Mas, o versículo 18 diz: “E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão.” Em outras palavras, haverá instrução. As pessoas não serão mais surdas para a verdade, não serão mais cegas. A instrução continuará e será realizada de forma eficaz.

No capítulo 30 de Isaías, versículos 20 a 21, lemos: “Bem vos dará o Senhor pão de angústia e água de aperto, mas os teus mestres nunca mais fugirão de ti, como voando com asas; antes os teus olhos verão a todos os teus mestres. E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda.”

Ouça: no Reino, haverá pessoas ensinando a verdade em todo o mundo, e elas dirão: “Não faça isso. Não vá por ali, vá por aqui. ” Deus realmente terá emissários em todo o mundo dirigindo as pessoas na maneira como devem andar e como devem seguir durante o tempo do Reino Milenar. Tremendo envolvimento e instrução aqui!

No capítulo 32 de Isaías, versículos 3 e 4, lemos: “E os olhos dos que veem não olharão para trás; e os ouvidos dos que ouvem estarão atentos. E o coração dos imprudentes entenderá o conhecimento; e a língua dos gagos estará pronta para falar distintamente.” No Reino, haverá conhecimento, haverá compreensão, haverá a apreensão de informações e verdades para levar as pessoas a um comportamento correto, bem como à salvação.

Isaías 41, versículo 15 a 20, também trata do mesmo assunto, do Reino Milenar. Não vamos ler todos eles, mas apenas o versículo 20: “Para que todos vejam, e saibam, e considerem, e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isto, e o Santo de Israel o criou.” No Reino, haverá recursos que ajudarão as pessoas a ver, saber, considerar e compreender. Haverá informações sendo enviadas para que as pessoas possam saber a verdade sobre Deus.

Em Isaías 2: 2 e 3, lemos: “E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.

No Reino, a Palavra de Deus irá – literalmente – proceder de Jerusalém para o mundo. Haverá pregadores da verdade por todo o lugar, proclamando, pregando e falando. E como Joel disse: “Teus jovens e tuas filhas profetizarão”. A palavra de conhecimento, a palavra de sabedoria, o dom de ensinar estarão funcionando, pelo poder divino, no tempo do Reino.

Apenas mais uma passagem, e então continuaremos. Mas eu quero que você entenda isso. Jeremias 23, versículo 4, trata do Reino: “E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o Senhor.” E o que um pastor espiritual faz para alimentar seu rebanho? Ele lhes dá a Palavra.

Portanto, está claro para mim – e ainda nem comecei a arranhar a superfície – que existirá ensino (conhecimento) e pregação (profecia) no Reino. Agora, me escute: se vai haver ensino e pregação no Reino, e os dons vão operar no Reino em algum sentido, então eles não cessaram. E se eles ainda não cessaram, então a “aquilo que é perfeito” ainda não veio.

Agora, isso nos deixa apenas uma outra possibilidade. E alguém veio até mim depois desta manhã e disse: “Onde devo ir para obter apoio para esta posição?” E eu disse: “Bem, não há para onde ir, realmente, porque esta é uma posição que eu não consegui encontrar em nenhum livro, mas é nisso que acredito.” E eu a verifiquei com algumas pessoas em quem confio – especialistas em teologia além de mim – e encontrei um consenso, o que foi emocionante.

Acredito que há apenas uma possibilidade para interpretarmos o que seja “aquilo que é perfeito”: o estado eterno. É o eterno novo Céu e nova Terra que terá início no final do Reino de 1000 anos. E isso se encaixa em tudo, porque é o paraíso. Assim, o que Paulo está realmente dizendo no texto de 1 Coríntios que estamos examinando é: “Você vai precisar de tudo isso por algum tempo, mas só vai precisar de amor na eternidade.” E esse é o contraste. É um contraste entre o tempo e a eternidade.

Agora, vou lhe dar várias razões pelas quais eu acredito que o nosso estado eterno é “aquilo que é perfeito”:

1. Essa interpretação permite o uso neutro do pronome “teleios”, no grego. [no português não temos um pronome pessoal neutro, ou seja, para se referir a coisas, lugares, eventos. No inglês existe o pronome ‘it’, que não pode ser usado para se referir a seres humanos. O pronome usado no texto de 1 Cor. 13:10, no grego, é neutro e, assim, não pode se referir a uma pessoa]. Assim, “aquilo que é perfeito” não é uma pessoa, mas uma coisa, e a coisa é o céu.

2. Considerar “o que é perfeito” como o céu, nosso estado eterno, corrobora com a existência da profecia e do conhecimento na Tribulação.

3. Também se encaixa no fato de que a profecia e o conhecimento continuarão no Reino Milenar. Mas um dia, quando formos para o céu, não precisaremos de pregadores, professores, estudos bíblicos e aulas. Porque seremos perfeitos como nosso Pai – onde? – no céu é perfeito (Mt 5:48).

4. Também acredito que essa é a melhor interpretação, porque se encaixa no contexto de I Coríntios 13. Paulo está dizendo que os dons são importantes, mas são apenas para o tempo. O amor é para a eternidade.

Note que o contraste que Paulo mostra entre a brevidade dos dons e a eternidade do amor se perde, se considerarmos que os dons iriam durar apenas até o fechamento do cânon, ou o Arrebatamento, ou a Segunda Vinda, porque nesses casos o tempo ainda não estaria acabado.

E ele está tentando contrastar o que é temporal com o que é eterno. Todo o objetivo é mostrar que o amor é a única coisa eterna. Ele não está dizendo que o amor seja a única coisa na era da igreja, ou na Tribulação, no Reino, mas que o amor é a única coisa que vai para a eternidade. E o contraste entre o amor e os dons é enfraquecido se considerarmos “aquilo que é perfeito” como algo menor que a eternidade.

5. Outro motivo pelo que acredito que “o que é perfeito” seja a eternidade, é porque essa é a única maneira de explicar a expressão “face a face” do verso 12: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face…”. Isso porque a única vez que veremos a glória da Shekinah de Deus se manifestar é quando estivermos no céu.

No estado eterno, veremos a glória de Deus, o novo Céu e a nova Terra. Apocalipse 21 e 22 fala acerca disso, informando que a nova Jerusalém descerá, Deus fará um novo céu e uma nova terra, e aí a glória de Deus se manifestará. Esse é o céu da eternidade. É aí que veremos Deus. É aí que veremos a Sua glória.

Você diz: “Bem, e quanto ao Reino? Os crentes não verão a glória do Senhor no Reino?” Não. No Reino haverá crentes vivendo ainda em corpos físicos na Terra, juntamente com os crentes já ressuscitados, em corpos glorificados, e ainda nascerão pessoas que nunca serão salvas.

Mas, a Nova Jerusalém, onde estarão todos os santos glorificados da igreja, descerá, Deus habitará naquela Nova Jerusalém. Porém, antes que isso aconteça, as pessoas na Terra, na época do Reino, não verão a glória de Deus. Elas verão o Seu Filho manifestado na Terra. Portanto, a ideia de ver Deus “face a face” não será cumprida, até que o Reino termine e estejamos nos céus eternos, e a glória de Deus seja manifestada a todos os santos glorificados.

6. Além disso, é a única visão que explica a afirmação: “mas então conhecerei como também sou conhecido”, verso 12. Só saberemos tanto quanto houver para saber quando estivermos no céu. Teremos conhecimento perfeito e seremos como Cristo, num corpo glorificado semelhante ao Dele.

Agora, observe: historicamente, “aquilo que é perfeito” é o estado eterno. Porém, pessoalmente, qualquer um dos salvos entra no estado eterno sempre que vai estar com Jesus Cristo. Se eu morrer agora, estarei “ausente do corpo”, mas “presente com o Senhor” e “serei como Ele; porque eu O verei como Ele é.” Esse já é o estado eterno para aqueles que já morreram em Cristo.

Se eu viver até o Arrebatamento, será quando o estado eterno começará. Historicamente, o estado eterno é no novo Céu e na nova Terra, quando todos os santos de todas as idades serão glorificados e aperfeiçoados. Essa é a parte histórica.

A parte pessoal é que o mesmo tipo de perfeição chega no momento em que vou estar com Cristo. No minuto em que entrar em Sua presença, não haverá necessidade de ensinar, nem de pregar, nem de estudar a Bíblia. Por quê? Porque o conhecimento será instantâneo, visão instantânea. Isso é o que Paulo está dizendo.

Agora, Paulo adiciona mais uma nota. Ele diz que os dons são elementares, no versículo 11: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” Penso que o que Paulo está simplesmente dizendo é: “eu atingirei minha maturidade em Cristo quando eu vir Cristo, e eu serei como Ele.”

Veja, para um menino judeu, a maturidade não era um processo, era um instante, um momento. Era o Bar Mitzvah. Até esse dia, um menino judeu não era maduro. Mas, no dia de seu Bar Mitzvah, ele era considerado maduro. O menino judeu se tornava um filho da lei a partir desse dia.

Paulo está usando essa figura no verso 11, quando diz, em outras palavras: “Vou lidar com essas coisas elementares até chegar ao meu Bar Mitzvah espiritual. E quando eu alcançá-lo, eu serei como Jesus, e colocarei de lado esses dons. Quando eu chegar ao Céu, não estarei mais pregando (profetizando) ou dando e recebendo ensino (conhecimento) . Eu só irei desfrutar. Não haverá mais trabalho para fazer.” Assim, os dons são temporários.

Bem, se os dons são temporários e o amor é para sempre, em que deveríamos nos especializar? No amor. E Paulo resume isso no capítulo 13, com uma declaração sobre a preeminência do amor, uma declaração tremenda. “E agora” – ou seja, nesse tempo, na Terra, no segmento de tempo – “permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”

O amor é o maior, porque a fé vai acabar. No momento, andamos por fé e não por vista. Mas, um dia andaremos por vista e não por fé. E agora, esperamos. Mas Paulo diz, em Romanos 8, verso 24: “Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?”

Um dia veremos e, então, não haverá nenhuma esperança. Portanto, a fé vai acabar, a esperança também, mas não o amor. Ame. O amor é o maior de todos. Seus dons, suas habilidades, seus ministérios, seus talentos, sua fé, sua esperança, todas essas coisas, por mais importantes que sejam, são apenas para o tempo. Mas o amor é para sempre.

E a questão é que é melhor você aprender a amar agora, porque o amor é o único vínculo que temos agora com a eternidade. É por isso que o amor é importante na assembleia dos crentes. A resposta a tudo isso, capítulo 14, versículo 1, é esta: “Segui o amor”. Esse é o “caminho mais excelente”. Vamos orar.

Pai, agradecemos por nossa comunhão nesta manhã e pelo amor que o Senhor nos deu em Cristo, por causa do qual podemos retribuir o amor ao Senhor. Pai, ministre a nós hoje através do amor do Seu povo, o amor do Espírito de Deus, para que possamos verdadeiramente amar os outros como o Senhor nos amou, para que o mundo Te veja em nós, para que Tu sejas louvado. Em nome de Jesus. Amém.


Esta é uma série de sermões sobre os dons do Espírito Santo e homens especialmente dotados, conforme links abaixo:


Este texto é uma síntese do sermão “The Permanence of Love, Part 3”, de John MacArthur em 06/02/1977.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1870

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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