Jesus Substitui O Leproso

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Agora nos encontramos no último parágrafo do primeiro capítulo de Marcos. Eu lhes disse que estaríamos passando por Marcos mais rapidamente do que por Lucas, onde levamos dez anos pregando, ou Mateus, no qual gastamos cerca de oito anos. E só para provar isso para vocês, estivemos oito semanas em Marcos e agora chegamos à passagem em que Jesus está curando um leproso.

Se estivéssemos em Mateus, só chegaríamos a esse evento no capítulo 8, e já teríamos levado três anos em Mateus antes de chegarmos a essa passagem. Agora, se estivéssemos de volta a Lucas, veríamos essa cura no meio do quinto capítulo, e teríamos levado dois anos e meio para chegar a esse ponto. Então, definitivamente, estamos nos movendo mais rápido.

Como dissemos, o Evangelho de Marcos pode ser caracterizado pela palavra “imediatamente” [ou “logo”, em algumas versões] que é usada mais de quarenta vezes por Marcos. É um Evangelho acelerado, sem palavras perdidas. Ele se move rapidamente, e estamos fazendo a mesma coisa. Agora, quando chegamos ao relato que está diante de nós, incluído em Mateus 8:1 a 4 e Lucas 5:12 a 16, chegamos a uma das ocasiões nos quatro Evangelhos em que Jesus cura um leproso.

A hanseníase, ou lepra, era comum em Israel, de acordo com Lucas 4:27, há muito tempo. Portanto, é muito provável que Jesus tenha curado muitos leprosos. De fato, em Marcos, capítulo 14 e versículo 3, chegamos a uma ocasião em que Jesus está em uma reunião com muitas pessoas na casa de ninguém menos que “Simão, o Leproso”.

Bem, nessa época, Simão já não seria mais um leproso, porque se ele fosse, seria um pária e não poderia realizar uma festa em sua casa e ter pessoas presentes. Isso nos diz que esse Simão foi um leproso no passado e, provavelmente, deve ter sido curado por Jesus. Mas não há registro de sua cura nos Evangelhos. Existem apenas dois registros da cura de leprosos: este de Marcos, que veremos hoje, e a ocasião em Lucas 17, onde Jesus curou dez leprosos. Mas, novamente, isso não significa que Ele não tenha curado muito mais.

Lembre-se de que os milagres registrados por Mateus, Marcos, Lucas e João são seletivos. Para todos os efeitos, poderíamos resumir o ministério de cura de Jesus nas palavras de Lucas: “Ele curou todos eles”. Ele curou todos eles. Ele curou pessoas na casa dos milhares. O registro está no céu de todas as Suas curas. Nós temos apenas amostras dadas no Novo Testamento.

O objetivo de todos esses milagres, seja curar doenças, acabar com a morte, expulsar demônios, alimentar multidões, andar sobre a água, foi validar o fato de que Jesus é o Filho de Deus e, portanto, Ele não apenas tem poder sobrenatural, mas o que Ele diz é verdade. Afinal, a coisa mais importante para Jesus era a proclamação de Sua mensagem. Veja Marcos 1:38: “Respondeu-lhes Jesus: Vamos a outras partes, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; pois para isso é que vim.”

Ou como Jesus disse, em outra ocasião: “Eu não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento” (Lucas 5:32). Ele veio com o objetivo de fazer com que os pecadores ouvissem uma mensagem que os levaria ao arrependimento e à salvação. Na linguagem do versículo 38, Seu objetivo era pregar o Reino, pregar o evangelho, pregar a salvação. Por isso Ele veio. Todos os milagres realizados foram para validar a mensagem.

Naquela época, havia outros mestres em Israel correndo por toda parte ensinando certas coisas. Como aquelas pessoas saberiam quem estava dizendo a verdade? Bem, aquele que tivesse o poder para expulsar demônios, o poder sobre todo o reino das trevas, o poder para curar todas as doenças dia após dia, mês após mês, ano após ano, aquele que tivesse o controle total sobre a vida e sobre a morte, esse seria alguém divino, Jesus. E, se Ele tem poder divino, as pessoas poderiam confiar Nele para lhes ensinar a verdade divina.

Portanto, o testemunho do registro dos milagres de Jesus com relação aos milagres físicos e espirituais é para apontar para a validade de Seus ensinamentos. Agora, lembre-se de que no período de três anos de Seu ministério, Jesus passou pela Judeia, e depois por um ano e meio, pela Galileia. Depois, nos últimos meses antes de Sua crucificação, esteve no sul da Judeia, indo de cidade em cidade, vila a vila, lugar a lugar.

E, através de todas essas experiências, Ele estava ensinando e pregando o evangelho do Reino, que são as boas novas de salvação, perdão, vida eterna, e ao mesmo tempo validando Sua pregação através dos milagres incontáveis que fez.

Tanto é assim, que João fecha seu Evangelho dizendo que todos os livros do mundo não poderiam conter tudo o que Jesus fez. E olhe que o registro que temos já é enorme. Costumo dizer que Ele praticamente baniu doenças e possessão demoníaca da terra de Israel durante o tempo de Seu ministério. É uma demonstração maciça de poder divino, que deixou a nação plenamente consciente de quem Ele é.

Os judeus daquela época nunca negaram Seus milagres, nunca negaram Seu poder. Somente os líderes tiveram a ideia de espalhar o boato de que Ele fazia tudo pelo poder de Satanás, e não pelo poder de Deus. Portanto, toda a nação de Israel foi acusada e auto-condenada, pois O rejeitou como seu Messias e Salvador, porque as evidências que tinham eram indiscutíveis.

Agora, nos versículos diante de nós, 40 a 45, temos o registro sobre a cura de um leproso. É uma situação fascinante sempre que um leproso aparece na Bíblia, por causa da natureza da doença, e vou falar um pouco sobre isso. Mas, vamos ler o texto:

Marcos 1
40 E aproximou-se dele um leproso, que, rogando-lhe e pondo-se de joelhos diante dele, lhe dizia: Se queres, bem podes limpar-me.
41 E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo!
42 E, tendo ele dito isso, logo a lepra desapareceu, e ficou limpo.
43 E, advertindo-o severamente, logo o despediu.
44 E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.
45 Mas, tendo ele saído, começou a apregoar muitas coisas e a divulgar o que acontecera; de sorte que Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele.

Se você notou o título do sermão – “Jesus troca de lugar com um leproso” [título original do sermão] você pode ver como as circunstâncias dessa cura específica, literalmente, fizeram Jesus trocar de lugar com o leproso. Aquele homem doente, leproso, um pária, tendo que ficar em lugares isolados, entrou na cidade, encontrou Jesus. Jesus, que estava na cidade, por causa do leproso, acabou em lugares isolados. Jesus troca de lugar com um leproso. Falarei mais sobre isso mais tarde.

Vamos começar com a história simples, o relato simples e magnífico, analisando a situação do leproso. Depois, veremos a resposta do Senhor, a resposta do leproso e a situação do Senhor.

A SITUAÇÃO DO LEPROSO

A situação do leproso é declarada no verso 40: “E um leproso veio a Jesus”. Isso é tudo o que o texto diz sobre esse homem: ele era um leproso. A suposição é que ele tinha o tipo de lepra que fazia de alguém um pária. A palavra “lepra” significa “escamoso”. É um termo usado para marcar a doença manifestada na pele escamosa. E há muita discussão sobre exatamente o que essa doença era – patológica e clinicamente – nos tempos bíblicos.

Como realmente não existia a ciência da patologia nos tempos antigos, uma vez que eles não sabiam o que causava doenças, não sabiam sobre bacilos, bactérias, coisas assim, vírus, tudo o que podiam fazer era olhar para os sintomas e julgar a condição de uma pessoa. E havia muitos, muitos distúrbios de pele e doenças de pele que poderiam se manifestar como uma descamação, como lepra, psoríase, eczema e outros.

Muitos tipos bíblicos de lepra poderiam estar em vista para entendermos qual o tipo de lepra que havia acometido aquele homem. Mas penso que seja melhor supor que como o homem pede a Jesus para torná-lo limpo, ele estaria acometido do tipo de lepra que tornava alguém impuro. Temos uma situação semelhante no relato dos dez leprosos em Lucas 17, porque o texto diz que eles estavam longe.

Quando se considerava que uma pessoa tinha esse tipo de lepra, que hoje é conhecida como hanseníase, ela era completamente excluída da sociedade. E falaremos mais sobre isso também em um momento.

Os leprosos eram rotulados, então, como impuros. De acordo com Levítico 13, eles tinham que dizer: “Imundo! Imundo! Imundo!” onde quer que fossem, para avisar as pessoas que não se aproximassem deles. Eles tinham que rasgar suas roupas, para que fosse evidente para todos que eles eram leprosos. Era importante que eles fossem designados como impuros. E o fato de esse homem, que tem lepra, dizer: “se quiseres, bem podes tornar-me limpo”, indica que o tipo de lepra que ele tinha o tornou impuro.

A maioria dos historiadores da medicina acredita que a lepra se originou no Egito, e há uma razão interessante para isso. A bactéria causadora dessa doença foi encontrada em uma múmia do Egito. A bactéria foi mumificada junto com a múmia. De fato, alguns dizem que a bactéria da hanseníase foi a primeira bactéria a ser identificada como causadora de doenças humanas.

Em Levítico, capítulo 13, vemos que havia exames preliminares que deveriam ser feitos pelos sacerdotes no caso de suspeita de lepra. Os sacerdotes eram os protetores do povo, e se você tivesse algum tipo de desordem da pele, sua família, sua comunidade o enviaria ao sacerdote, e Levítico 13 dá uma longa lista de testes prescritivos que precisariam ser feitos para diagnosticar o que essa pessoa teria. De fato, existem cinquenta e nove versos nesse capítulo classificando as várias possibilidades de doenças de pele.

Eles buscavam um diagnóstico preciso para proteger as pessoas desse bacilo contagioso, que poderia passar de pessoa para pessoa. Havia sinais óbvios de hanseníase, e se uma pessoa os tivesse, seria logo diagnosticada como leprosa, sem a necessidade de passar por outros testes ou exames.

Porém, havia pessoas que tinham sintomas de um caso emergente de hanseníase, que estavam nos estágios iniciais da doença ou, pelo menos, os sintomas ainda não tinham se desenvolvido totalmente, para que houvesse certeza de um diagnóstico. Portanto, havia testes, previstos em Levítico 13, pelos quais os sacerdotes poderiam se guiar para diagnosticar a doença de pele como sendo lepra ou não. Quando você chega aos versículos 44 ao 46, no capítulo 13 de Levítico, lerá que:

Leproso é aquele homem, imundo está; o sacerdote o declarará totalmente por imundo, na sua cabeça tem a praga. Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o lábio superior, e clamará: Imundo, imundo. Todos os dias em que a praga houver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial.

Nos casos óbvios de lepra, haveria esse ritual, sem a necessidade de se fazer outras investigações. Hoje sabemos que a lepra é causada por uma bactéria. E o que essa bactéria faz é atacar os nervos da pessoa. Ataca os nervos da pele e abaixo da pele. Essencialmente isso leva a um estado de anestesiamento, de modo que a pessoa perde a sensibilidade nos membros atingidos pela doença. Dessa forma, a pessoa se machuca e se fere com muita frequência, já que está anestesiada, não sente nada.

Comumente, a doença começa com uma mancha esbranquiçada na pele, geralmente na testa, no nariz, na orelha, na bochecha ou no queixo. Depois começa a se espalhar em todas as direções. E um dos primeiros sinais do avanço da doença é que as sobrancelhas e os cílios desaparecem, e então, o inchaço tumoral esponjoso cresce no rosto e depois no corpo. A doença se torna sistêmica, envolvendo os órgãos internos e a pele. Os dedos das mãos e dos pés podem ser atrofiados, porque o bacilo que invade a medula óssea prejudica o suprimento sanguíneo, fazendo as extremidades do corpo atrofiarem.

E por causa da perda de sensibilidade e do terrível dano aos nervos, a vítima destrói seu próprio corpo, porque não tem mais sensibilidade. Há histórias de pessoas que, literalmente, amputaram os dedos fazendo coisas simples, como lavar a louça ou amarrar os sapatos. O bacilo pode destruir o olho, causar cegueira, penetrar nos dentes – fazendo com que os dentes caiam – penetrar nos órgãos internos, causar esterilidade. É uma doença horrenda. Um escritor, o Dr. Huizenga, diz sobre isso:

A hanseníase geralmente começa com dor em certas áreas do corpo, seguida de dormência. Logo, a pele em tais pontos perde sua cor original, torna-se espessa, brilhante e escamosa. As manchas espessadas tornam-se feridas e úlceras impuras, devido ao mau suprimento de sangue. A pele, especialmente ao redor dos olhos e ouvidos, começa a se enrugar, com sulcos profundos entre o inchaço, de modo que o rosto do indivíduo afetado começa a se parecer com o de um leão. O agente produtor da doença freqüentemente também ataca a laringe. A voz do leproso adquire uma qualidade irritante, sua garganta fica rouca. Agora, não apenas é incômodo ver o leproso, mas também sentir seu cheiro.

O especialista em lepra de renome mundial nos tempos modernos, é o Dr. Paul Brand. Você pode ter lido alguns dos escritos dele. Ele realmente ajudou essa geração a entender essa doença. Em 1982, foram desenvolvidos medicamentos que podem trazer alívio e cura, embora nenhum medicamento possa restaurar o que foi perdido no corpo do doente. Com relação a Paul Brand, o Dr. Huizenga diz:

A doença de Hansen é cruel, mas não da mesma maneira que outras doenças. Atua principalmente como anestésico, entorpecendo as células dolorosas das mãos, pés, nariz, olhos e ouvidos. Não é tão ruim, realmente, alguém poderia pensar. A maioria das doenças é dolorosa e gostaríamos que não fossem. O que torna uma doença indolor tão horrível? Bem, a qualidade entorpecente da hanseníase é precisamente o motivo de sua lendária destruição e decadência. Por milhares de anos, as pessoas pensaram que a doença de Hansen causava as úlceras nas mãos, pés e face, o que acabava levando à podridão da carne e à perda de membros. Principalmente através da pesquisa do Dr. Brand, foi estabelecido que em 99% dos casos, a doença de Hansen apenas entorpece as extremidades. A destruição segue lentamente, porque o sistema de alerta da dor se foi.

As pessoas com lepra, literalmente, desgastam seus membros. Em uma ocasião, conta o Dr. Brand, um médico tentou abrir a porta de uma pequena despensa, mas um cadeado enferrujado não cedia. Um paciente leproso, com dez anos de idade, desnutrido e fraco se aproximou dele, sorrindo: “Deixe-me tentar abrir, doutor Sahib”. O médico deu a chave ao menino. Com um puxão da mão, ele girou a chave na fechadura. Brand ficou pasmo. “Como esse jovem fraco pode fazer isso?” Sobre esse episódio, o Dr Huizenga conta que:

Os olhos do Dr Brand estavam treinados para reconhecer pistas da doença. Ele enxergou uma gota de sangue na mão do garoto. Ao examinar os dedos do garoto, Brand descobriu que o ato de girar a chave havia cortado o dedo no osso. Pele, gordura e articulação estavam expostas, mas o garoto não sabia disso. Para ele, a sensação de cortar o dedo no osso não era diferente de pegar uma pedra ou uma moeda no bolso. Brand diz: ‘A rotina diária da vida do paciente com hanseníase se baseia nas mãos e nos pés O corpo do garoto tinha perdido os sistemas de alerta contra danos assim.’

Que doença horrível! O doente tem a expectativa de vida entre dez a trinta anos. E as vítimas geralmente morrem, porque não têm resistência a outras doenças. A transmissão ocorre quando o bacilo é inalado, por isso é transmissível ou pelo contato corporal, ou pelo contato com a roupa de um leproso.

Os últimos números que eu vi, por volta do ano 2000, informam que foram registrados quase um milhão de casos de hanseníase no mundo. E a informação é que provavelmente isso seja apenas menos da metade dos casos reais, porque a maioria não é notificada.

Nos tempos bíblicos, Deus às vezes usava a lepra como julgamento. Era um horror visível. “Ordena aos filhos de Israel que tirem do arraial todo leproso.” Para a segurança de Israel, já no tempo de Moisés, os leprosos eram colocados fora do arraial.

Mas, o estigma cresceu ainda mais, por causa do que é dito em 2 Samuel 3:29: “Caia sobre a cabeça de Joabe e sobre toda a casa de seu pai, e nunca na casa de Joabe falte quem tenha fluxo, ou quem seja leproso, ou quem se atenha a bordão, ou quem caia à espada, ou quem necessite de pão.”. Era uma doença desprezível.

Acreditava-se que a lepra não era apenas uma maldição humana, mas um castigo divino. Lembre-se de que Deus feriu Uzias com lepra, 2 Crônicas 26, estigmatizando ainda mais suas vítimas. Os leprosos, além de terem uma doença horrível, deveriam sair do acampamento e dizer: “Imundo! Imundo!”

Além disso, era como se alguém, ou Deus, os tivesse amaldiçoado. Os leprosos eram religiosamente isolados. Eles não podiam ir ao templo ou à sinagoga. Eles não podiam ir para a própria casa. Não podiam se relacionar com a família. Eles tinham que ser isolados de todas as pessoas saudáveis, e só podiam se relacionar com outros leprosos miseráveis. É por isso que em Lucas 17, vemos os dez leprosos andando juntos – sem família, sem emprego, sem amigos, sem adoração, sem esperança.

Quão severa era a lepra desse homem do texto de Marcos 1? Em Lucas 5:12, lemos que esse homem estava “cheio de lepra“, o que mostra que a sua lepra era visível, feia, assustadora. Era um morto-vivo. Agora, o fato de ele ter vindo a Jesus foi algo chocante. Ele não poderia fazer isso. Párias eram proibidos de se aproximar de alguém. Um rabino que li, disse: “A favor do vento, um leproso pode chegar até um metro e oitenta de uma pessoa.” Josefo escreveu que “os leprosos eram tratados como se fossem mortos, cadáveres”.

Em Israel, os leprosos eram completamente banidos da cidade de Jerusalém, e de todas as cidades muradas. E se eles entrassem em qualquer outro lugar, teriam que manter essas distâncias. Se um leproso se aproximasse de uma sinagoga, ele seria rejeitado e enviado para uma pequena sala de espera, até que pudessem lidar com ele mais tarde.

Rabinos costumavam se orgulhar de evitar leprosos. Um rabino disse que não comeria um ovo comprado em uma rua onde um leproso havia caminhado. Outro rabino se orgulhava de atirar pedras nos leprosos.

Mas, esse leproso veio a Jesus, atravessando a multidão. Em seu desespero, ele violou todos os padrões de exclusão. Ele veio a Jesus, implorando, com forte pedido, mostrando seu desespero. Sua atitude era humilde, respeitosa. Marcos nos diz que ele estava ajoelhado diante de Jesus. Mateus revela que ele estava adorando, pois usa o verbo “proskuneō”, um verbo que sempre se refere à adoração a Deus toda vez que é usado em todo o Novo Testamento.

Ele tinha uma atitude de adoração, uma atitude respeitosa, reverente e humilde. Lucas diz que aquele homem doente “prostrou-se sobre o rosto”, Lucas 5:12. Ele não apenas se ajoelhou, mas se prostrou com o rosto em terra. Ele se curvou em humilde adoração diante de Jesus.

Lucas acrescenta que ele se referiu a Jesus como “Senhor”. Ele acreditava que Jesus era o Filho de Deus? O Messias? O cordeiro de Deus? O verdadeiro rei? O Ungido? Sua linguagem corporal pode indicar que sim. Ele estava disposto a arriscar passar vergonha, a zombaria, enfrentar o desdém. Estava disposto a arriscar ir aonde ele nunca poderia estar.

Isso mostra o quão desesperado ele estava, e o quão confiante ele estava no poder de Jesus, que agora era amplamente conhecido. Ele tinha grande confiança no poder de Jesus para curá-lo, e ele disse, versículo 40: “Se queres, bem podes limpar-me.” Ele não tinha dúvidas sobre o poder de Jesus. A única coisa que ele não sabia era se Jesus queria fazê-lo.

Há algo muito bom nisso. Ele reconhece a prerrogativa soberana. Ele sabe que não poderia apenas pedir a cura baseando-se no seu sofrimento, esperando que o seu estado de sofrimento pudesse persuadir Deus a fazer por ele algo que Deus não queria fazer.

Mas, ele sabia que não poderia reivindicar nada de Deus. Ele era bem ciente de sua própria miséria espiritual, sua própria pecaminosidade, bem como de sua própria miséria física. Ele sabia bem que era um pecador. Ele teria suportado fisicamente o estigma de seu pecado em sua própria mente, e sabia que não poderia reivindicar nada de Deus. O seu pensamento era de que se Deus o havia amaldiçoado daquela maneira, talvez Deus o quisesse mantê-lo doente. E assim, nenhuma cura viria através de Jesus, mesmo Ele sendo o Filho de Deus.

Portanto, embora ele seja respeitoso e reverente e chame Jesus de “Senhor”, incline-se e dê a Jesus a prerrogativa: “Se queres, bem podes limpar-me”, no entanto, ele estava desesperado o suficiente para aparecer ali em público. Desespero, reverência, adoração, humildade, fé confiante, respeito: essas são as atitudes certas. E ele pede ao Senhor o que ele precisa: limpeza.

Uma pequena nota de rodapé: as Escrituras falam apenas de purificar a lepra, nunca de curar a lepra. As Escrituras sempre falam de leprosos purificados, nunca de curados, porque a doença que é definida em Levítico 13, faz com que sua vítima se torne impura, socialmente isolada e ostracizada.

E, a propósito, o sofrimento advindo ao leproso pelo risco de contaminação que ele oferecia era pior que a doença. A doença era horrenda em si. Mas o sofrimento era agravado pelo fato de o doente não ter capacidade de interagir com ninguém, além das pessoas que também tinham a doença. A confiança daquele leproso no poder de Jesus o levou a violar todas as leis e expectativas. O horror deve ter varrido a multidão, pois, nas palavras de Lucas, ele estava cheio de lepra, ou seja, era evidente que ele era leproso.

A RESPOSTA DO SENHOR

Apenas uma observação aqui: Jesus curou pessoas que não creram Nele, que não Lhe mostraram respeito, que não se curvaram, que não O adoraram, Ele curou pessoas que não O chamavam de “Senhor”. De fato, Ele curou todos os tipos de pessoas, a maioria das pessoas certamente não acreditava Nele. Ele curou os não-crentes, Ele os curava, se eles tivessem fé ou não. Ele expulsou demônios de pessoas que não queriam que Ele fizesse isso, pessoas que estavam sendo controladas pelos demônios, que não queriam ser expulsos.

Portanto, a decisão do Senhor de curar ou não curar não tinha nada a ver com a atitude daquele homem. Sua atitude é interessante, mas não é a razão pela qual Jesus o curou. Lucas 4:40 diz que Jesus curava a todos. Ele não fazia distinções sobre o doente ter fé, fé suficiente, pouca fé. Como eu já disse, Ele baniu a doença em Israel.

A única coisa que levou Jesus a curar o homem é indicada no versículo 41: Sua compaixão. Ele foi movido por compaixão. Ele sentiu a dor do homem. Ele sentiu a agonia do isolamento daquele homem, seu sofrimento físico, o isolamento social, o isolamento religioso. A situação do homem provocou a compaixão de Jesus.

Deus é um Deus de compaixão. Deus é um Deus de toda compaixão. Deus sente a dor dos efeitos do pecado sobre os pecadores. Em Marcos, capítulo 6, por exemplo, e em muitas outras passagens, versículo 34, temos: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.”

Esse é o coração de Deus, que sente a dor do sofrimento neste mundo. Foi isso que O motivou. Não foi o nível de fé do homem, pois Jesus curava todo mundo o tempo todo, com ou sem fé. Jesus estendeu a mão para o leproso. Eu disse na semana passada que Ele curava com uma palavra e um toque. Ele estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: “Quero, sê limpo”, verso 41.

Agora, em Levítico 5:3, há uma lei que proíbe qualquer pessoa tocar em um leproso. Mas Jesus não poderia ser contaminado por ninguém. Você entende isso? Não há registro nas Escrituras de que Jesus tenha tido qualquer doença, nenhum registro de que Ele teve tosse, um resfriado, um espirro, nenhum registro de que alguma vez Ele feriu Seu corpo perfeito e sem pecado.

Você pode dizer: “Mas Ele morreu…”. Porém, nada O matou. Ele morreu apenas porque desistiu de Sua vida voluntariamente: “Ninguém tira a minha vida de Mim, Eu mesmo a dou…” (João 10:18). Ele não foi afetado quando uma prostituta passou as mãos pelos pés Dele. A maioria dos homens, se estivessem numa situação com uma prostituta lhes fazendo isso, estariam lutando contra pensamentos ilícitos. Jesus não. Tampouco Ele foi afetado quando um leproso o tocou, ou quando Ele tocou em um leproso.

Seu toque foi um toque de compaixão. Seu toque foi um toque de conexão. É Jesus se ligando diretamente à cura. Marcos menciona muito isso. Ele fala muito sobre toque. Lucas também. Provavelmente, há uma dúzia de vezes no Evangelho de Marcos, onde encontramos Jesus tocando alguém ou alguém tocando Jesus, e o mesmo é verdade sobre Evangelho de Lucas. Jesus gostava de dar às pessoas o toque de compaixão, o toque de ternura, o toque de bondade, especialmente às pessoas nas quais ninguém mais tocaria. Elas eram conhecidos como intocáveis.

E então, Ele lhe disse: “Quero, sê limpo”. O amor soberano respondeu, e o poder soberano agiu. E aqui vem a palavra favorita de Marcos, versículo 42, “Imediatamente”. O verso diz: “E, tendo ele dito isto, imediatamente a lepra desapareceu, e ficou limpo.” Instantaneamente e completamente. A lepra o deixou e ele foi purificado. Jesus o cura com uma palavra e um toque, instantaneamente, completamente, sem truques, sem processo e sem explicação.

Seus milagres traziam coisas à existência. Não existe medicamento que possa restaurar o que a hanseníase comeu, embora desde 1982 tenhamos um medicamento que pode parar o avanço da doença. Mas, ele não pode parar e reverter os efeitos já produzidos da doença. Jesus não tinha essas limitações. Se sua testa estava gasta, se seu rosto estava desfigurado, tudo isso desapareceu naquele momento. Se seus olhos estavam afundados e até ausentes, eles reapareceram, recém-criados.

Se suas sobrancelhas e cílios se foram, de repente eles voltaram. Se seus membros sangrentos tivessem sido desgastados, se sua garganta tivesse cicatrizes, se seus dedos das mãos e pés estivessem enrolados como garras e desgastados, tudo isso foi restaurado instantaneamente. Jesus é o verdadeiro curador. E tudo aconteceu instantaneamente.

Deixem-me contar outra coisa: aquele homem agora não estava apenas bem, mas estava em forma. Se alguém tiver algo parecido com hanseníase há anos, afetando gravemente inclusive os órgãos internos e o sangue, isso o tornará fraco. E o período de recuperação pode levar meses ou anos.

Mas, no caso desse homem, Jesus o advertiu severamente, no versículo 43, e o despediu. E no verso 44: “E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.”

Onde ele teria que ir para fazer isso? Jerusalém, ao templo, aos sacerdotes em serviço, onde eram feitas todas as ofertas e sacrifícios necessários. Em outras palavras, Jesus lhe ordenou que andasse cerca de 90 km até Jerusalém. Então, quando digo que ele foi curado e também estava em forma, é isso que eu quero dizer. Nas curas de Jesus, não há necessidade de processos de reabilitação. Tudo é instantâneo.

Agora, nosso Senhor dá a ele algumas instruções, que eu acho fascinantes, no versículo 43. Ele o advertiu severamente. Esse é um verbo interessante, vem das raízes do verbo que significa “expelir ar pelo nariz com força”. Essa é uma linguagem muito forte. Jesus não estava dando uma sugestão. O Senhor disse para ele, em outras palavras: “Estou avisando, saia daqui imediatamente, imediatamente!”.

E Ele lhe dá dois comandos, um negativo e um positivo. Em primeiro lugar, o versículo 44: “Olha, não digas nada a ninguém“. Oh, vamos concordar que essa ordem é contra-intuitiva. Isso seria muito difícil. Foi um teste de obediência. Por que ele não poderia contar nada a ninguém? Bem, Jesus não diz a ele o porquê.

Lembra do jovem rico? Jesus fez alguns testes, mas o jovem não estava disposto a obedecer e foi embora, certo? Você lembra que o jovem rico veio a Jesus e se curvou: “O que eu faço para herdar a vida eterna?” Ele tinha todas as perguntas certas, todas as posturas certas, muito parecidas com as desse leproso. Jesus disse para aquele jovem fazer duas coisas: basicamente fazer um inventário de sua vida e admitir que era um pecador, e segundo, estar disposto a dar seu dinheiro aos pobres.

Aí ele se afastou. Portanto, o teste ácido de uma verdadeira fé está na obediência. “Se você permanecer na minha Palavra, você é meu discípulo… Se você obedece à minha Palavra, você é meu verdadeiro discípulo…”, João 8. Jesus dá ao leproso curado um comando simples, não difícil, mas nesse momento Ele estava estabelecendo se o homem, quando disse “Senhor”, realmente quis dizer isso.

Agora, não era incomum Jesus silenciar alguém. Volte ao capítulo 1, versículo 25. O demônio na sinagoga em Cafarnaum, nos versículo 24 e 25: “Ah! que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus, dizendo: Cala-te, e sai dele.”

No versículo 34, fim do verso: “porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam.” Ele não queria publicidade de demônios. Então, Jesus silenciava os demônios, e agora ele vai silenciar as pessoas que são curadas. Isso se torna um padrão. Veja Marcos 3:10-12: “Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem. E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem.”

No capítulo 5 de Marcos, versículo 43, após o milagre com a menina de doze anos, Jesus surpreendeu a todos: “E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse…”. Isso parece estranho? “Não conte a ninguém!” No capítulo 7, versículo 36, temos a cura do surdo, e então: “E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam.”.

No capítulo 8, Jesus cura um cego e, no versículo 25, pôs as mãos nos olhos, olhou atentamente, foi restaurado, começou a ver tudo claramente, e o mandou para sua casa. E, então, Jesus disse ao ex-cego, verso 26: “Nem entres na aldeia, nem o digas a ninguém na aldeia.”

Agora, o que é isso? Bem, voltando ao leproso curado, do capítulo 1, Jesus não dá a esse homem nenhuma explicação sobre o que se trata aquela ordem. Mas eu vou lhe mostrar a explicação em um momento. Veja o versículo 44: “porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.” Esse é o lado positivo da ordem. O negativo é: “Não conte a ninguém”.

Agora, o Antigo Testamento trazia uma prescrição. Em Levítico 14, quando se pensava que um leproso estava curado, havia um processo pelo qual o leproso passava, um processo de exame, de ofertas e sacrifícios que deviam ser realizados no templo. Então, Jesus está aí defendendo a lei. Ele defendeu a lei moral e também, poderíamos chamá-la de lei médica ou parte da lei da saúde, que protegia a nação de Israel de doenças contagiosas.

Então, Jesus estava afirmando que o leproso curado deveria seguir a prescrição da Lei, de acordo com o capítulo 14 de Levítico: “Vá ao sacerdote”, pois eles exerciam também um papel de agentes de saúde da nação.

Agora, o ritual prescrito na Lei era muito interessante: o leproso era examinado por um sacerdote, dois pássaros eram capturados, um era morto por água corrente. Além disso, eles pegavam cedro, escarlate e hissopo, que eram levados junto com o pássaro vivo, mergulhados no sangue do pássaro morto, e então, o pássaro vivo era liberado. Tudo isso era simbólico. O homem, então, lavava a si mesmo e suas roupas, barbeava-se e, após sete dias, era reexaminado.

Ele deveria, então, raspar o cabelo novamente, a cabeça, as sobrancelhas. Outros sacrifícios seriam feitos, de dois cordeiros sem mancha, três décimos de uma quantidade de farinha fina misturada com óleo, e o leproso restaurado era, então, tocado na ponta da orelha direita, no polegar direito e no dedão do pé direito com uma mistura de sangue e óleo. Finalmente, seria examinado pela última vez. E se a cura fosse real, ele receberia um certificado de que estava limpo.

Jesus estava ordenando àquele homem que fosse cumprir tudo isso. Por quê? Fim do versículo 44: “para lhes servir de testemunho”. Para quem? Para os sacerdotes. Jesus queria que esse milagre fosse confirmado pelos sacerdotes.

Isso seria algo que eles não poderiam ignorar. Obviamente, o homem curado da lepra teria que levar algumas pessoas da família com ele, para confirmar a história, porque só de olhar para aquele homem, os sacerdotes nunca deduziriam que ele teve lepra, pois a restauração operada pelo Senhor em seu corpo foi completa.

Jesus queria que os sacerdotes tivessem que encarar Seu poder. Ele também queria que os sacerdotes soubessem que Ele defendia a Lei mosaica. O testemunho, então, condenará os sacerdotes. Se, de fato, eles encarassem a realidade de que aquele homem era um leproso que foi completamente restaurado por Jesus e, ainda assim, eles O rejeitassem, tais sacerdotes seriam condenados por seu testemunho.

Lembre-se agora, eles estão no templo, e desde que Jesus fez a primeira purificação do templo, os líderes judeus desenvolveram uma severa atitude contra Jesus. Se eles cressem em Jesus a partir daquele testemunho, seria porque fizeram a conexão óbvia, de que esse tipo de poder pertence apenas ao Filho de Deus.

Portanto, era importante testemunhar aos sacerdotes para a sua própria condenação, ou para que eles fossem convencidos e cressem no Senhor. Bem, sabemos que todos eles clamaram pela morte de Jesus, sendo condenados.

A SITUAÇÃO DO SENHOR

Jesus queria que o homem desse um testemunho aos sacerdotes. O que ele fez? O versículo 45 diz: “Mas, tendo ele saído, começou a apregoar muitas coisas, e a divulgar o que acontecera…”. Exatamente o que o Senhor lhe disse para não fazer.

Então, se você teve alguma grande ilusão sobre o interesse espiritual desse homem em Cristo, isso meio que parece desmoronar aqui, não é? A desobediência do homem eliminou a oportunidade do testemunho aos sacerdotes, que era o que o Senhor queria que ele fizesse.

Em segundo lugar, a desobediência do homem, espalhando a notícia da cura por toda parte, teve um efeito negativo sobre o trabalho de Jesus ali. Diz o versículo 45: “de sorte que Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele.”

Jesus já não podia entrar em uma cidade. Josefo diz que existiam cerca de 240 cidades e vilarejos ao redor da Galileia. Jesus queria ir a todos eles, foi o que Ele disse no capítulo 1, versículos 38 e 39, “vamos a todas as cidades e vilas para pregarmos”. Era isso que Ele queria fazer. Mas, havia muita histeria. E lembre-se, um momento atrás eu li outros textos, em que Jesus deu ordens para não contarem a ninguém o que Ele havia feito por eles. Quanto mais Ele os ordenou, mais eles continuaram a proclamar. E agora, Ele já não poderia nem chegar perto de uma cidade.

Em qualquer lugar que houvesse uma massa populacional, Ele era sufocado, não conseguia se mover. Ele tinha que escapar disso. Nós O veremos no deserto daqui em diante. Nós O veremos à beira-mar. Às vezes, Ele precisou entrar em um barco e flutuar apenas para se afastar das pessoas o suficiente para falar com elas.

O entusiasmo do povo atingiu um pico de histeria, e era tudo sobre cura. Havia uma expectativa messiânica irrealista. Sua popularidade estava explodindo. De fato, no capítulo 2, versículo 1, quando Ele volta a Cafarnaum, vários dias depois desse episódio com o leproso, e o povo soube que Ele estava em casa e muitos estavam reunidos, não havia mais espaço, nem mesmo perto da porta.

E isso levou à história sobre o homem sendo baixado pelo telhado para ser curado. Ele estava sendo sufocado em todos os lugares. E tudo o que todas aquelas pessoas queriam era a cura. Só isso. Por isso Jesus não queria mais esse tipo de promoção, essa publicidade. Bastava que aquele homem fosse dizer aos sacerdotes, para que eles tivessem que enfrentar a realidade do Seu poder divino.

Você sabe, este foi o primeiro sinal de que o ministério da Galileia estava chegando ao fim. De um lado, havia o ódio dos líderes judeus, por outro, a enorme popularidade de Jesus para com o povo. E isso estava sufocando o ministério de Jesus dentro das cidades e vilas. Ele já não podia mais entrar publicamente em uma cidade, mas permanecia em áreas despovoadas. Veja o versículo 13, do capítulo 2: “E tornou a sair para o mar, e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava.” Ele não podia mais ir a uma cidade. Capítulo 3, versículos 7 a 9:

7 E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galileia e da Judeia,
8 E de Jerusalém, e da Idumeia, e de além do Jordão, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele.
9 E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse.

Se aquele homem O tivesse obedecido, poderia ter diminuído a histeria da multidão. Poderia ter permitido que Ele fosse a uma cidade para a qual nunca pôde ir, talvez curar algumas pessoas que não puderam ser curadas. As pessoas doentes, as mais severas, não podiam deixar a cidade. Se Ele não pudesse ir à cidade, não poderia alcançá-las. Ainda assim, no final do versículo 45, “Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele.”

Agora, aqui está o título do sermão, “Jesus troca de lugar com o leproso” [título original]. O leproso começou a história no deserto isolado e, depois de conhecer Jesus, conseguiu se misturar na cidade. Jesus começou a história na cidade, e depois de conhecer o leproso, ficou isolado no deserto. Então, Jesus troca de lugar com o leproso.

E acho que essa é uma metáfora para concluir o que Ele fez na cruz, não é? Nós somos os leprosos espirituais que viviam em alienação e isolamento de Deus. Nós O conhecemos, fomos trazidos à presença de Deus no Reino. Mas a única maneira de sermos tirados do nosso isolamento e trazidos à presença de Deus era se Ele deixasse a presença de Deus e se isolasse. E foi o que Ele fez na cruz.

Porque Jesus foi abandonado, porque Jesus foi tratado como um pária, somos aceitos e bem-vindos à presença de Deus. Então aqui, veja, nesta pequena cura, Marcos usa uma linguagem que realmente nos leva irresistivelmente ao fato de que Jesus substitui os pecadores. Vamos orar.

Agradecemos, Senhor, novamente, por este maravilhoso vislumbre de nosso Senhor Jesus Cristo. Obrigado por cada vislumbre que temos Dele, eles nunca são suficientes. E mesmo quando olhamos, sabemos que há muito mais do que certamente imaginamos. Que alegria teria sido estar lá, naqueles dias, então! Pensamos que teríamos crido, mas a nação inteira O rejeitou. Parece-nos incompreensível. Nem sabemos o que aconteceu com esse homem que foi curado. Não temos ideia do que aconteceu com esse homem, mas sabemos que, quando ele teve a oportunidade de obedecer, ele recusou. Portanto, o que ele quis dizer com “Senhor” não parecia ser muito sério.

Pai, queremos agradecer-Te porque Jesus Cristo trocou de lugar conosco, tomou nosso pecado, nosso julgamento e nosso castigo. Ele se tornou um pária, foi abandonado por Ti, a fim de que pudéssemos ser recebidos, aceitos e sermos feitos filhos. Nós nos alegramos com isso, com corações agradecidos, e pedimos que Tu nos faças proclamar essa grande mensagem, que é uma bênção para nossos próprios corações. Podemos contar a história. A lepra é uma imagem do pecado. Existe alguma imagem física melhor do pecado? Destrói a pessoa inteira, aliena, isola, separa as pessoas de Ti.


Esta é uma série de  sermões de John MacArthur sobre o Evangelho de Marcos.

Clique aqui e veja o índice com os links dos sermões traduzidos já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “Jesus Trades Places with a Leper″, de John MacArthur em 03/05/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/41-7/jesus-trades-places-with-a-leper

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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