Cristo, Superior aos Anjos (1)

Estamos estudando o livro de Hebreus, e quero iniciar este sermão dizendo que você descobrirá que este livro é extremamente profundo, e neste sermão estaremos lidando com um tema complexo.

Não consigo me lembrar em meus próprios estudos, desde que estou na Grace Church, de uma passagem em particular na qual passei mais tempo do que nesses versículos. 

O texto de Hebreus 1:4-6, e até ao 14, pode parecer simples para você, mas são verdades profundas, não fáceis de entender. Se eu conseguir, em qualquer pequena medida, torná-las simples, então consegui fazer o que pedi a Deus para me ajudar a fazer, depois de muitos, muitos dias de estudo e labuta com estes versículos.

Agora, tenha em mente que o livro de Hebreus foi escrito para o povo judeu, principalmente para os crentes judeus, mas também tem como destinatários iniciais incrédulos judeus, para convencê-los de que a Nova Aliança é melhor que a Antiga.

Hebreus declara que Jesus Cristo é o melhor sacerdote e o melhor mediador, e que Ele é o sacerdote final e o sacrifício final ao mesmo tempo. E assim, em todo este livro, temos uma comparação entre a Nova e a Antiga Aliança, e entre Jesus Cristo e todos os outros, para mostrar que Jesus é superior.

Em nossa primeira mensagem, que tratou dos três primeiros versículos, vimos que Jesus Cristo é superior a tudo e a todos. Então, Hebreus vai começando a revelar todas as pessoas em relação as quais Cristo é superior, nos versículos 4-14. E o Espírito Santo nos ensina aqui que Jesus Cristo é superior aos anjos.

O homem é uma criação maravilhosa e surpreendente, superior às plantas e aos animais, Mas, acima do homem, há outro grupo criado ainda mais elevado que o homem: os anjos. Hebreus 2:9 nos indica que os anjos são superiores aos humanos, pois diz que quando Jesus se tornou homem, Ele foi feito um pouco menor do que os anjos:

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.

Assim, os anjos, como criaturas, ocupam um lugar mais elevado que os homens. E obviamente, após a queda dos anjos, aqueles que não caíram, os santos anjos, não estão mais sujeitos ao pecado. Eles são santos, poderosos, sábios. Eles não sofrem com as enfermidades que os homens sofrem.

E assim, eles são seres espirituais especialmente criados, feitos por Deus antes que o homem fosse criado. Eles estavam nos céus, de fato, observando, na Criação, quando Deus estava fazendo o mundo, e eles estão numa posição mais elevada do que a dos homens – pelo menos, do que a dos homens caídos.

O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE OS ANJOS?

Para começar, quero dar a vocês o que chamo de uma “pequena angelologia” – uma breve visão teológica a respeito dos anjos.

1) Anjos são seres espirituais: Jesus disse que um espírito não tem carne e ossos (Lc 24:39). Consequentemente, os anjos não têm carne e ossos como os humanos. Eles têm algum tipo de corpo. A Bíblia diz em 1 Coríntios 15 que existem corpos terrestres e corpos celestes; isto é, há corpos da Terra e há corpos dos céus.

Os anjos têm algum tipo de forma. Eles são até capazes de aparecer em uma forma humana. Em Hebreus 13:2, a Bíblia diz: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” Eles podem assumir uma forma humana.

Eles também parecem ter uma forma própria, como lemos, p. ex., em Mateus 28:3-4. Falando de um anjo, na ressurreição de Cristo – aquele que estava lá quando a pedra foi removida – Mateus diz: “E o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve. E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados, e como mortos.” Um tipo deslumbrante de glória brilhante e resplandecente.

Porém, quando dizemos que os anjos são espíritos, não queremos dizer necessariamente que eles não têm forma. Eles têm uma forma celestial e podem se manifestar como humanos ou de outra maneira. No Antigo Testamento, temos até os santos lutando com anjos.

2) Anjos não se reproduzem: Os anjos foram todos criados simultaneamente. De acordo com Colossenses 1:16-17, acreditamos que podemos concluir isso. Os anjos são incapazes de procriar. Apenas homens e mulheres se reproduzem. Não há anjos, então, adicionados ao grupo de anjos criados. Seu número permanece o mesmo.

Deus os fez. Ele os fez todos exclusivamente como identidades únicas. Eles não coabitam. Mateus 22:29-30 indica isso para nós:

29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.
30 Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.

Então, todos eles foram criados de uma só vez. Eles não procriam. O número de anjos não mudou desde que foram originalmente criados. Embora um grande número deles tenha caído, eles ainda existem como foram criados.

3) Anjos não morrem: Eles não estão sujeitos à morte. A Escritura em nenhum lugar indica que eles morrem, que eles são de alguma forma capazes de serem extintos. Seu número não diminui e não aumenta. Cada anjo, então, é uma criação direta de Deus, estando em relação pessoal imediata com Deus, o Criador que os fez.

4)  O Antigo Testamento trata sobre a existência de anjos: Existem 108 referências no Antigo Testamento a anjos e 165 no Novo Testamento. Então, não há dúvida sobre o fato de que os anjos existem, e os santos do Antigo Testamento estavam bem cientes disso.

5) Os anjos prestam adoração inteligente e serviço a Deus: Eles foram criados para isso. Eles foram criados como um grupo especial de seres espirituais para prestar serviço especial a Deus.

6) Anjos são seres inteligentes: Eles podem prestar serviço inteligente e adoração a Deus.

7) Anjos possuem emoções: Eles também são seres emocionais. A Bíblia fala sobre os anjos se alegrando quando os pecadores são salvos. Eles são capazes de sentir emoção.

8) Anjos falam: Os anjos podem falar, como vemos, p. ex, em Gálatas 1:8, onde o apóstolo Paulo diz: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.”

9) Anjos são seres muito velozes: Os anjos também, de acordo com Daniel 9:21, têm uma velocidade incrível. Às vezes eles são retratados com asas, não são? Às vezes com até seis asas.

10) Anjos habitam no céu: De acordo com Marcos 13:32 e Judas 1:6, respectivamente, eles têm uma morada especial nos céus:

Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.

E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia.

Eles habitam em todos os céus, e sabemos pela Bíblia que o céu onde Deus mora se chama terceiro céu. Esse é o céu onde Deus está. O segundo céu são os céus infinitos espaciais, o primeiro céu é aquele próximo à Terra. Eles habitam em todos esses céus. As pessoas dizem: “Existem seres em outras partes do Universo?” Por todo o Universo eles existem.

11) Anjos são muito numerosos: Existem seres angelicais habitando o Universo. São muitíssimo mais velhos que os homens, e há trilhões e trilhões deles, evidentemente. E mesmo depois que inúmeras hostes deles caíram com Satanás, ainda restam inúmeros santos anjos.

Por exemplo, em Daniel 7:10, Daniel disse, referindo-se aos anjos: “milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele.” Em Apocalipse 5:11, lemos: “E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares”.

Apenas multiplique dez mil vezes dez mil, e continue adicionando milhares de zeros e você concluirá que há muitos anjos. Você diz: “Quantos são?” Há exatamente o suficiente deles para fazer o trabalho para o qual foram criados para fazer. Não há um anjo vadio, desocupado.

12) Anjos são seres poderosos: Eles são mais poderosos que os homens, e os homens devem invocar o poder divino para lidar com eles, especialmente os caídos. A Bíblia nos diz em Efésios 6:10 a 12:

10 No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.
11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
12 Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

13) Há hierarquia de anjos: Eles são altamente organizados e estão divididos em fileiras, numa organização muito complexa. Alguns deles são tronos, alguns deles são domínios, outros são principados, alguns deles são poderes ou potestades e alguns são chamados autoridades.

Há querubins, serafins e seres viventes. Alguns têm nomes: Lúcifer, Miguel e Gabriel. Miguel é o chefe dos exércitos do céu, e Gabriel é chamado de o poderoso.

14) Anjos são ministros de Deus: Eles são vistos nas Escrituras como espectadores de todos os eventos redentores. Eles ministram a Deus e cumprem Sua vontade.

Eles ministraram a Cristo em Sua humilhação. Lembre-se, na conclusão de Sua tentação, a Bíblia diz: “Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.” (Mt 4:11).

Eles ministram aos salvos. Como? A Bíblia diz que eles observam a igreja, e eles observam o pregador. Eles também ajudam a igreja, são veículos das respostas de Deus às orações, livrando-nos do perigo, encorajando os cristãos e protegendo as crianças.

Eles também ministram aos não salvos, anunciando o julgamento e os afligindo – nesse caso, os anjos de juízo.

COMO OS JUDEUS CRIAM SOBRE OS ANJOS NA ÉPOCA EM QUE HEBREUS FOI ESCRITO?

Vimos até agora uma visão bíblica acerca dos anjos. Porém, o povo judeu, na época em que esta epístola foi escrita, tinha uma visão um pouco diferente.

Como muitos de seus pontos de vista começaram a se desviar do contexto básico do Antigo Testamento, por causa de todos os escritos talmúdicos e dos sentimentos e ideias rabínicos, eles começaram a se desviar dos principais pontos bíblicos acerca dos anjos.

Assim, eles criaram algumas visões interessantes sobre os anjos, de modo que o escritor de Hebreus está escrevendo não apenas com um verdadeiro pano de fundo de uma visão bíblica dos anjos, mas contra um pano de fundo do conceito judaico comum sobre os anjos. Em resumo, era assim que os judeus, da época em que Hebreus foi escrito, criam sobre os anjos:

  • Que os anjos foram muito importantes para a Antiga Aliança.
  • Sempre estimaram os anjos como os seres mais elevados, depois de Deus.
  • Que os anjos eram os mediadores entre os homens e Deus.
  • Que Deus vivia cercado de anjos.
  • Que os anjos eram os instrumentos para transmitir a palavra de Deus e a operação da vontade de Deus no Universo e nos homens.
  • Que os anjos eram criaturas etéreas feitas de substância ígnea como luz ardente, o que pode não estar longe de ser errado.
  • Que os anjos foram criados.
  • Que eles não comiam nem bebiam, e também que não se reproduziam.
  • Que os anjos eram o senado de Deus, e que Deus nunca fazia nada sem antes consultar os anjos. Eles eram Seu conselho.
  • Os judeus também criam que quando Gênesis informa, na Criação, Deus dizendo: “façamos o homem”, o verbo no plural aí se refere aos anjos, ou seja, Deus estava dizendo aos anjos “façamos o homem”.
  • Alguns judeus criam que houve anjos que se opuseram à criação do homem e que por isso foram aniquilados.
  • Outros criam que anjos se opuseram à entrega da lei e atacaram Moisés no caminho do Monte Sinai.
  • Os judeus até colocaram nomes nos anjos.
  • Que havia sete anjos que ficavam na presença de Deus o tempo todo.
  • Que havia 200 anjos que controlavam os movimentos das estrelas e mantinham os astros em seu curso.
  • Que havia um anjo super especial que controlava a sucessão interminável de dias, meses e anos. Ele era o anjo do calendário.
  • Que havia um anjo poderoso que cuidava dos mares, que havia anjos de geada, orvalho, chuva, neve, granizo, trovões e relâmpagos.
  • Que havia anjos que guardiões do inferno e torturadores dos condenados.
  • Que havia anjos registradores, que escreviam em um arquivo cada palavra que cada homem falava.
  • Que havia um anjo da morte.
  • Que cada nação tinha um anjo da guarda, assim como cada criança, e havia tantos anjos que um rabino disse, e cito: “Cada folha de grama tem seu anjo”.
  • Que a Antiga Aliança e o Antigo Testamento lhes foram trazidos da parte de Deus por meio de anjos. E isso exaltou os anjos na mente dos judeus.
  • Que os anjos eram os mediadores de sua aliança com Deus; que os anjos mantinham a administração entre eles e Deus, o tempo todo, e assim eles tinham uma visão elevada dos anjos.

E para mostrar que eles criam nisso, observe em sua Bíblia o que Atos 7:51-53 diz, no sermão pregado por Estêvão logo antes de ser executado:

51 Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.
52 A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas;
53 Vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes.

Veja Gálatas 3:19, que diz:

Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um mediador.

A Antiga Aliança foi trazida ao homem e mantida pela mediação feita por anjos. Os anjos ministravam entre Deus e os homens para continuar a obra da Antiga Aliança, a velha economia, e os judeus sabiam disso.

Alguns judeus acreditavam em anjos a tal ponto, que até adoravam anjos. Isso se desenvolveu em uma heresia conhecida como gnosticismo. O gnosticismo, dentre muitas outras heresias, envolvia a adoração de anjos e reduziu Jesus Cristo a um anjo.

A igreja dos colossenses estava sendo atacada pelo gnosticismo, e por isso Paulo escreveu em Colossenses 2, verso 18:

Ninguém vos domine a seu arbítrio com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando em vão inchado na sua carnal compreensão.

E assim, você vê, eles exaltaram tantos os anjos que incorreram no perigo de lhes prestar adoração. E alguns caíram nisso. Assim, espero que você perceba que para a mente judaica os anjos eram extremamente exaltados e importantes.

CRISTO E OS ANJOS EM HEBREUS

Dessa forma, já que o escritor de Hebreus deveria apresentar àqueles judeus que Cristo é o mediador de uma aliança melhor, então ele teria que lhes mostrar que Cristo é superior  aos anjos. Você vê isso? E esse se torna todo o objetivo dos versículo 4 ao 14.

Ele deveria mostrar que Cristo, o mediador da Nova Aliança – o Novo Testamento em Seu sangue – é o sacrifício perfeito, o sacerdote perfeito, e que crendo Nele pela fé, aceitando o que Ele fez na cruz, recebendo-O como Salvador, essa Nova Aliança é melhor que a Antiga, porque Cristo é um novo mediador, melhor que os antigos mediadores, que eram anjos.

Cristo, então, é melhor que os anjos. E assim, o escritor se propõe a fazer isso, e ele faz isso lindamente nos versículos 4 a 14, usando o Antigo Testamento. O escritor aos Hebreus prova a superioridade de Cristo sobre os anjos usando sete passagens do Antigo Testamento. Tremendo!

Uma observação importante é que se você comparar essas sete citações do Velho Testamento com as passagens reais do Velho Testamento, você descobrirá que elas não são citadas exatamente; que há uma pequena variação na citação. A razão para isso é que quando a Epístola de Hebreus foi escrita já existia a Septuaginta, que é a tradução do Antigo Testamento do Hebraico para o grego.

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Na época de Cristo, havia um número tão tremendo de judeus que falavam grego, que 70 homens se reuniram e traduziram o hebraico antigo para o grego, e essa é a Septuaginta. É uma tradução grega do Antigo Testamento.

Evidentemente, o escritor de Hebreus era um indivíduo de cultura grega, porque quando cita o Antigo Testamento, invariavelmente o cita da Septuaginta, ou tradução grega, e não diretamente do texto em hebraico.

E, assim, o texto pode variar um pouco da tradução hebraica. Mas, isso não compromete o conteúdo do texto. Trata-se de uma mera variação na tradução. Essa é uma das razões pelas quais não acredito que Paulo foi o escritor de Hebreus, porque quando ele cita o Antigo Testamento em suas cartas, ele usa mais o texto hebraico do que o da Septuaginta.

O escritor de Hebreus usa o Antigo Testamento com muita sabedoria, habilidade e beleza para mostrar aos judeus a partir de seu próprio Testamento, de sua própria Antiga Aliança, que Cristo é um mediador melhor. E assim, o argumento é poderoso.

Se tentássemos provar a Israel, usando o Novo Testamento, que Cristo é um mediador melhor, eles diriam: “Eu não aceito o Novo Testamento”, certo? E assim, o escritor diz: “Deixe-me provar isso para você com seu próprio Testamento. Abra-o e eu lhe mostrarei que Cristo é um mediador melhor, e a Nova Aliança é melhor que a Antiga.”

Vou tratar rapidamente de um ponto impotante:

Hebreus 4
1 Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

Muitas seitas e outras organizações religiosas, negam a divindade de Cristo, e muitas vezes vêm a esta passagem de Hebreus para provar que Cristo não é Deus, mas que Ele foi um ser criado.

E eles começam seus argumentos usando o versículo 4, a partir da declaração: “Feito tanto mais excelente do que os anjos…”. Com base nisso, concluem que Cristo não é Deus, mas um ser criado por Deus. Porém, a palavra grega traduzida como “feito” no texto não é “poieō”, que significa fazer ou criar, mas “ginomai”, que significa “tornar-se”.

Assim, o texto se refere à exaltação de Cristo, que Jesus Cristo se tornou melhor do que os anjos em Sua exaltação – inferindo uma vez que Ele tinha sido inferior aos anjos, e é exatamente isso que diz no capítulo 2, versículo 9: “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.”

O texto se refere a Cristo como o Filho. E, como Filho, Ele foi feito menor do que os anjos, na sua encarnação, mas por causa de Sua fidelidade, obediência e a obra maravilhosa que Ele realizou como Filho, Ele foi exaltado novamente acima dos anjos, onde Ele estava antes.

Por um tempo, Ele se tornou inferior aos anjos, mas, sendo fiel, realizando a obra de Deus, tornou-se melhor que os anjos, como Filho.

O que faz Jesus ser mais excelente ou superior aos anjos (v. 4)? Resposta: Seu título, Sua adoração, Sua natureza, Sua eternidade e Seu destino. E estes são os pontos do sermão do Espírito Santo em Hebreus. Vejamos cada um deles:

1 – A SUPERIORIDADE DE CRISTO POR CAUSA DE SEU NOME (OU TÍTULO)

Observe Hebreus 1, de 4 a 5:

4 Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?

O Espírito Santo aqui diz que Jesus é melhor que os anjos, porque Ele tem um nome melhor. A que anjo Deus alguma vez disse: “Tu és meu Filho, hoje te gerei”. A resposta é: para nenhum. Você vê? A que anjo Deus alguma vez disse: “Eu serei um Pai para você, e você será um filho para mim?” A resposta é: a nenhum anjo Deus disse isso.

Os anjos são ministros e mensageiros, mas Cristo é o Filho. Os anjos são servos, Cristo é Filho. Há uma grande diferença aí. Ele obteve um nome mais excelente do que eles.

Em nossa cultura, não damos muito valor aos nomes. Você nomeia seu filho como quiser, e não há realmente nenhuma conexão entre o nome e a criança. Os apelidos é que têm essa conexão, têm algum significado. Costumamos apelidar alguém de algo por causa de alguma característica particular.

Mas muitas vezes na Palavra de Deus, Ele escolheu nomes específicos que tinham a ver com caráter, ou com algum aspecto da vida do indivíduo. E, frequentemente, o nome correspondia a uma realidade interior.

Assim, Jesus Cristo recebeu um nome. A Ele foi dado, Paulo nos diz, “um nome que está acima de todo nome” (Fp 2:9). É um nome melhor do que “anjo”. Você sabe o que significa anjo? Mensageiro ou servo. O nome de Jesus é: Filho. Há uma grande diferença entre um filho e um servo. Para demostrar isso, o escritor de Hebreus cita duas passagens do Antigo Testamento:

  • Salmos 2:7 – “Proclamarei o decreto: O SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.”
  • 2 Samuel 7:14 – “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.”

O contexto do texto acima, de 2 Samuel, é Deus prometendo a Davi um descendente que teria um trono eterno. E Deus afirma que esse descendente seria Seu Filho. Qual anjo já foi chamado de filho? Nenhum.

Coletivamente, assim como os cristãos, os anjos são chamados filhos de Deus no sentido de que Deus os criou, mas nenhum anjo jamais foi chamado Filho de Deus individualmente. E a nenhum anjo ele jamais disse: “Hoje eu te gerei”. Mas, sobre Jesus, Deus declara que Ele é Seu Filho, que tem um nome superior ao de qualquer anjo.

O Antigo Testamento prediz que um Filho viria. Vimos isso tanto no Salmo 2:7, como em 2 Samuel 7:14. E assim, os anjos são criaturas excelentes; de todas as criaturas são as mais excelentes. Mas, se Cristo tem um nome mais excelente do que a mais excelente das criaturas, o Seu nome (ou título) é superior a todos os demais.

E assim, diz o escritor de Hebreus aos judeus, a partir de seu próprio Antigo Testamento, que Jesus Cristo é maior que os anjos, porque Ele obteve um nome maior. Deus nunca chamou nenhum anjo de Meu Filho.

2 – A SUPERIORIDADE DE CRISTO POR CAUSA DE SUA ADORAÇÃO PELOS ANJOS

Observe o versículo 6, de Hebreus 1:

E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

Esse é um versículo fantástico, e devemos investir nosso tempo lendo este capítulo de introdução à Hebreus, porque é fundamental para entendermos todo o livro. Mesmo Jesus Cristo tendo se humilhado, mesmo tendo sido feito por um tempo menor do que os anjos, ainda assim os anjos devem adorá-Lo.

E, se os anjos devem adorá-Lo, então Ele é o quê? Superior a eles. E, se Ele é superior aos anjos, então Sua aliança é superior à Antiga Aliança, mediada por anjos. O Cristianismo é superior ao Judaísmo. Observe que o verso 6 diz que é o próprio Deus quem convoca os anjos a adorar o Filho.

Até mesmo o salmista do Antigo Testamento declarou que todos os anjos deveriam adorar o Cristo (Messias) do Senhor. Veja o Salmo 97, verso 7: “Confundidos sejam todos os que servem imagens de escultura, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele todos os deuses.”

[Nota do tradutor: o Salmo 97 é uma profecia sobre a Segunda Vinda de Cristo, quando Ele implantará Seu reino terreno. O verso 7 enfatiza que nenhum falso deus ou nenhuma falsa religião serão permitidos no Reino.]

Isso está no Antigo Testamento. Os judeus não deveriam se surpreender com tudo isso, pois tais declarações são extraídas pelo escritor de Hebreus do próprio Antigo Testamento. E assim, os anjos são ordenados a adorar o Filho.

Você pode estar pensando: “Mas, os anjos já não adoravam Jesus na eternidade?” Sim, com certeza. Eles O adoraram durante todo o tempo de Sua existência antes de Sua encarnação; eles O adoraram como Deus. Porém, agora devem adorá-Lo como Filho.

Os anjos devem adorar Cristo, mesmo em Sua encarnação. O escritor de Hebreus está tentando mostrar que este Filho, que se tornou homem, é ainda superior aos anjos. Ele é o próprio Deus que os anjos sempre adoraram. Você sabe que é um pecado absoluto, uma violação de todas as leis de Deus, adorar alguém, menos a quem? Deus.

E se Deus está dizendo que todos os anjos devem adorar o Filho, então Ele tem que ser Deus. E Jesus não é apenas o Deus da eternidade, Ele é o Filho. Ele é Deus como Filho, e em Seu caráter encarnado Ele deve ser adorado.

Observe, ainda, que o verso 6 diz: “quando introduz no mundo o primogênito…”. Jesus é o primogênito. Aqueles que não interpretam corretamente o texto dizem que este verso prova que Jesus é um ser criado, é uma criatura apenas. Eles simplesmente não entendem que a palavra primogênito na Bíblia não tem a ver com com o tempo, com a ordem de nascimento de alguém.

A palavra traduzida como primogênito é “prōtotokos”, e tem a ver com posição, não com ordem cronológica. Em Colossenses 1:15, temos a seguinte declaração sobre Cristo: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”. Esse é outro texto usado para negar a divindade de Jesus.

Porém, a palavra grega “prōtotokos”, traduzida como “primogênito” não é uma palavra de tempo, mas de posição. Não é um adjetivo, é um título. E quando o texto diz que Ele é o primeiro gerado, não está se referindo ao fato de Ele ter sido gerado, mas se refere ao fato de que Ele é o cabeça, o soberano sobre tudo. Prōtotokos significa o cabeça, o preeminente.

E a razão pela qual “prōtotokos” está conectado com o conceito cronológico de primogênito é porque, nos tempos bíblicos, era o primeiro filho que geralmente seria o herdeiro de tudo, e que se tornava o chefe ou governante do patrimônio do pai. “Prōtotokos”, então, é aquele com toda a dignidade, com toda a honra, o governante.

E assim, Jesus Cristo é “prōtotokos”, ou primogênito. Isso é uma referência à Sua posição, não ao tempo de Sua existência, porque Ele não é um ser criado, é eterno. É uma referência ao direito e à autoridade, não ao tempo. Posso dar-lhe algumas ilustrações disso:

  • Havia dois irmãos no Antigo Testamento, Jacó e Esaú. Quem era o mais velho? Esaú. Quem foi o “prōtotokos”, ou primogênito? Jacó.
  • Em Gênesis 49:3, lemos a definição de um “prōtotokos”, ou seja, o conceito bíblico de primogênito: “Rúben, tu és meu primogênito, minha força e o princípio de meu vigor, o mais excelente em alteza e o mais excelente em poder.” O que primogenitura significa? Poder, força, dignidade.

“Prōtotokos” não é uma palavra que se refere a tempo de nascimento, mas a direito de governar. É uma palavra que se refere a autoridade. Jesus Cristo é o “prōtotokos” no sentido de que Ele tem o direito de governar.

 Colossenses 1:18 diz: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.” Observe, o texto diz que Jesus foi o primogênito, o “prōtotokos”, dentre os mortos. Eu pergunto a você: alguém já havia ressuscitado antes de Jesus? Claro!

Podemos citar Lázaro, aquelas pessoas que Jesus ressuscitou em Seu ministério terreno, todos os santos que ressuscitaram na crucificação, as pessoas do Antigo Testamento que ressuscitaram dos mortos. Ou seja, muitas pessoas foram ressuscitadas dos mortos antes de Jesus.

Você diz: “Sim, mas porque a Bíblia diz que Ele foi o primogênito dos mortos?” Obviamente, não significa que Ele foi o primeiro a ressuscitar. Isso mostra que a palavra primogênito na Bíblia não se refere à ordem cronológica, mas à posição. Se “prōtotokos” significasse que Jesus foi o primeiro a ressuscitar, então Colossenses 1:18 seria uma mentira.

“Prōtotokos” significa que Jesus é o principal, o mais importante, o preeminente. Ele é o mais honrado, o mais digno, superior a todos, o mais poderoso. O texto de Colossenses 1:18 significa que na ressurreição, de todos os ressuscitados, Ele é o principal, superior aos demais.

Então, o título “primogênito de toda a criação” se refere à glória de Cristo, à Sua dignidade, não ao tempo, e não ao conceito de ser criado antes de qualquer outra coisa ter sido criada.

Vamos voltar para o texto de Hebreus 1:6, e eu peço que você observe a palavra “primogênito” novamente aqui no texto, porque ela realmente causou muitos problemas aos comentaristas bíblicos.

E eu lutei com isso por muito tempo, até que finalmente peguei meu texto grego, e eu disse: “Agora, o que diz aqui no texto grego? O que Deus quis dizer?” Eu examinei o texto no grego, orando ao Senhor para que Ele me desse condição de compreender. E funcionou. Então guardei todos os outros livros de comentaristas sobre o assunto, pois o texto bíblico na língua original é suficiente. Novamente, vejamos o que diz o verso 6:

E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

Vale destacar que a palavra grega traduzida como “mundo” no texto não é a palavra comumente traduzida como mundo – “kosmos” – mas é a palavra grega “oikoumenē”, que significa “terra habitada”. Assim, quando o texto afirma “quando introduz no mundo o primogênito”, não pode ser interpretado como Jesus sendo o primeiro a ser criado, pois o texto está dizendo que a Terra já estava habitada quando Jesus, o primogênito, foi introduzido no mundo.

Você entende o que estou dizendo? O primogênito, o “prōtotokos”, o mais digno, o superior a todos, veio para uma Terra já habitada. Logo, não tem sentido afirmar que Ele é o primogênito porque foi criado em primeiro lugar. O primogênito foi introduzido em uma Terra já habitada. Logo, primogênito não pode ser interpretado como o primeiro a ser criado, a existir.

A tradução literal do verso 6 de Hebreus 1 é a seguinte: “Mas, quando outra vez introduzir o primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.” O texto está afirmando que o “Prōtotokos” será introduzido no mundo novamente, outra vez. Deus já introduziu o Filho ao mundo uma vez e vai fazê-lo novamente. Isso nos fala de futuro.

E isso acontecerá na Segunda Vinda de Cristo, quando Deus introduzirá novamente Cristo ao mundo em glória resplandecente. Assim, na Segunda Vinda de Cristo é que a plenitude dessa profecia acontecerá: “E todos os anjos de Deus o adorem.”

No momento, os anjos não compreendem o plano eterno de Deus o suficiente para dar a Jesus adoração completa. Você diz: “Com base em que você está afirmando isso?”. Com base em 1 Pedro 1:11-12, que diz:

11 Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.
12 Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.

O texto está dizendo que os profetas do Antigo Testamento escreveram todas aquelas profecias maravilhosas, e depois as leram para descobrir o que significavam; eles foram inspirados pelo Espírito Santo e, em muitos casos, não entenderam o que escreveram.

O verbo “indagando”, no início do verso 11, mostra que os profetas do Antigo Testamento estavam inquirindo, pesquisando tudo o que escreveram sobre o Messias, tentando compreender o que eles mesmos escreveram, e quando essas profecias iriam se cumprir.

Observe o versículo 12 novamente: “Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho…”. Eles estavam procurando compreender aquilo que não entendiam ainda, e que só foi compreendido quando Cristo veio, quando o evangelho aconteceu e o Espírito revelou.

Mas, eu amo esta declaração no final do versículo 12: “… para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.” [Na versão NTLH: “Essas são coisas que até os anjos gostariam de entender.”] Eles ainda não entendem tudo. Talvez os anjos presentes ao redor do Trono de Deus entendam, mas as vastas hostes angelicais ainda não são, evidentemente, capazes de discernirem tudo. Anjos não são oniscientes. Precisam aprender.

E assim, quando Deus trouxer novamente o “Prōtotokos” ao mundo, Ele dirá: “Agora, anjos, vocês têm a completa revelação”, e só então a adoração será plena e completa.

Eu creio que os anjos que habitam ao redor do Trono adoram a Deus. E acredito que, em certo sentido, talvez existam anjos que adoram o Filho. Mas, se eu ler minha Bíblia corretamente, verei que os anjos ainda estão olhando para as coisas que eles ainda não entendem.

Porém, meus amigos, quando chegar a hora da volta de Jesus, vocês gostariam de saber como os anjos vão reagir? Eles entenderão tudo claramente. Veja Apocalipse 5, e eu lhes mostrarei, começando pelo verso 11:

11 E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares,
12 Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.
13 E ouvi a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que estão no mar, e a todas as coisas que neles há, dizendo: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.

Você vê? Aqui está a adoração angelical. Por quê? Porque nesse ponto Jesus estará começando Seu movimento para voltar e tomar a Terra. No capítulo 5, Jesus vai ao Trono. No versículo 1, o Pai está ali, com o título de propriedade da Terra, o pequeno rolo. E todos eles estão dizendo: “Onde está aquele que pode abrir o pergaminho?”

E João está chorando, porque não há ninguém para abrir o pergaminho. E de repente, um dos anciãos diz: “Não chore João, lá vem Ele; o Leão da tribo de Judá”. E Jesus Cristo, o Cordeiro, pega o rolo, e Ele está prestes a desenrolar os julgamentos e tomar posse da Terra. Nesse ponto, tudo fica muito claro para os anjos, e louvores irrompem dos milhões de anjos, por todo o céu.

O versículo 13 diz: “E ouvi a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que estão no mar, e a todas as coisas que neles há, dizendo: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.”

Em resposta a isso, verso 14: “E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre.”

E assim, veja você, é na Segunda Vinda que Jesus se revelará em plena glória como Filho, como “prōtotokos”. Os anjos compreenderão tudo, quando O virem como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Portanto, Jesus é maior que os anjos, porque Deus ordena que os anjos O adorem. E, meus amigos, se Deus, no Antigo Testamento, ordenou aos anjos que adorassem Seu Filho, então Seu Filho também é Deus. Continuaremos no próximo sermão.

Vamos orar.

Nosso Pai, estamos simplesmente impressionados com o poder dessas verdades!

Senhor, quando vemos a tremenda pessoa de Jesus Cristo exaltada aos mais altos céus, acima dos anjos, à igualdade Contigo, nossas mentes e corações não podem compreendê-Lo.

E, no entanto, Pai, isso traz tanta alegria para nossos corações! Senhor, nós não entendemos os mistérios da divindade, mas sabemos disto: nós éramos pecadores, e o Senhor nos amou, e enviou Jesus Cristo, o Filho, para morrer por nós, para pagar a pena por nossos pecados, e ressuscitar, para que pudéssemos andar em novidade de vida. Pai, nós nos alegramos!

Nós nos regozijamos, porque em nossa fraqueza, em nossa mente limitada, e na estupidez de nossos cérebros humanos, finitos e frágeis, não podemos compreender as verdades que nos fisgaram e nos fizeram Teus para sempre.

E Pai, como vimos Jesus Cristo levantado e exaltado nesta noite, unimo-nos agora em louvor a Ele. Cristo, nós Te exaltamos. Nós Te louvamos. Nós Te adoramos. Pois sabemos que, de fato, Tu és maior que tudo e todos; o mediador de uma melhor aliança; o sacrifício total, final e definitivo, ao qual não se pode acrescentar nenhum outro; o último e grande Sumo Sacerdote.

Senhor, nós nos curvamos diante de Teus pés em adoração e louvor. Pai, nós oramos para que se houver alguns em nossa congregação esta noite que não estão Te adorando, que Tu voltes seus corações para Ti. Senhor, se há eleitos aqui nesse momento, Pai, pedimos que os chame para Ti. Ajude-os a ver que Jesus é o Messias. Que Ele é Teu Filho, Deus em carne humana, que veio ao mundo para redimi-los.

Ajude-os agora a olhar para Aquele a quem traspassaram e a chorarem por Ele, como se chora por um Filho único (Zc 12:10); vê-Lo como Filho de Deus; entregarem suas vidas a Ele. Que eles recebam as bênçãos, as recompensas e as riquezas da Nova Aliança, que é melhor do que a Antiga, que não podia tirar o pecado.

Pai, nós Te agradecemos por Jesus Cristo, e Seu sacrifício, que remove nosso pecado. E nos traga a comunhão com o Senhor, abundante e eterna. Oramos em nome de Cristo. Amém.


Leia também


Esta é uma série de  sermões de John MacArthur sobre a carta aos Hebreus.

Clique aqui e veja o índice com os links dos sermões traduzidos já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “Jesus Christ, Superior to Angels, Part 1”, de John MacArthur em 6/2/1972.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/1602

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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