Jesus, o Perfeito Sacerdote
Hebreus 5.1-9 trata da perfeição de Jesus Cristo como o grande Sumo Sacerdote, comparando as limitações do sacerdócio levítico e a plena suficiência de Cristo. O sacerdote deveria ser escolhido por Deus, compadecer-se dos homens e oferecer sacrifícios por seus pecados; Jesus cumpre perfeitamente todas essas qualificações e as transcende: foi constituído por Deus, entrou verdadeiramente na condição humana e conhece nossas fraquezas sem jamais ter pecado, e ofereceu não um sacrifício alheio e repetitivo, mas a Si mesmo, realizando de uma vez por todas aquilo que nenhum sacerdote da antiga aliança poderia realizar. Em Cristo encontramos, portanto, tudo aquilo de que o pecador necessita para aproximar-se de Deus: um Sacerdote perfeito, um sacrifício perfeito e uma salvação eterna. Por isso, não precisamos procurar outro mediador nem outro caminho; podemos nos aproximar de Deus com confiança, porque Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito que nos conduz à presença de Deus e nos salva completamente
O propósito do livro de Hebreus é muito simples: apresentar a superioridade de Cristo. Hebreus foi escrito a judeus para mostrar-lhes que haviam dado o passo correto ao receber Jesus Cristo. A antiga ordem deu lugar à nova. Ao mesmo tempo, ao longo do livro encontramos advertências dirigidas aos judeus incrédulos, mostrando-lhes que Jesus Cristo é superior a todas as figuras do Antigo Testamento e que a nova aliança é superior à antiga aliança (Hb 8.6-13).
Mas aqui surge uma pergunta muito natural. Dizer a um judeu que a nova aliança é superior à antiga significa dizer alguma coisa a respeito do sacerdócio da antiga aliança. Afinal, toda a economia levítica estava fundamentada no ministério dos sacerdotes, que mediavam entre os homens e Deus, apresentando sacrifícios e intercedendo pelo povo (Lv 16.1-34; Hb 5.1).
1) A primeira pergunta de um judeu atento seria: Se essa nova aliança é realmente melhor, onde está o seu sumo sacerdote? Onde está o mediador que leva o homem a Deus?
Talvez um judeu incrédulo dissesse, até mesmo em tom de desprezo: “O cristianismo é deficiente justamente no ponto mais importante. Vocês não têm sumo sacerdote. Como seus pecados serão perdoados se ninguém oferece sacrifícios por vocês? Quem intercederá por vocês? Como podem afirmar que essa nova aliança substitui a antiga se não possuem um sumo sacerdote?”
A resposta aparece de maneira clara e simples no final do capítulo 4: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus…” (Hb 4.14). Preste atenção: nós temos um grande Sumo Sacerdote. O cristianismo não está sem sacerdote. A nova aliança não está sem mediador. Nós temos um grande Sumo Sacerdote. E não temos uma multiplicidade de sacerdotes, como acontecia no sistema levítico. Temos um único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1Tm 2.5).
2) Depois de declarar essa extraordinária verdade em Hebreus 4.14, o autor passa a demonstrá-la. De Hebreus 5.1 até 10.39, encontramos uma grande seção dedicada a provar que Jesus Cristo é, de fato, o grande Sumo Sacerdote.
Esse é o coração do livro de Hebreus. É a maior seção dedicada a um único tema e está estrategicamente colocada no centro da epístola. Tudo gira em torno desta grande verdade: Jesus Cristo é o grande Sumo Sacerdote, infinitamente superior a Arão e a qualquer outro sacerdote que tenha vivido.
Portanto, o cristianismo possui um Sumo Sacerdote. Possui aquele que leva os homens a Deus. E esse é o grande tema de Hebreus 5–10: o sacerdócio eterno, perfeito e superior de Jesus Cristo (Hb 7.23-28; 9.11-15; 10.11-14). E aqui está a verdadeira chave para a superioridade da nova aliança sobre a antiga. É isso que estabelece a superioridade do cristianismo sobre o judaísmo: nosso Sumo Sacerdote é infinitamente superior. Ele realizou aquilo que todos os sacerdotes da antiga aliança, juntos, jamais poderiam realizar (Hb 7.23-28; 10.11-14).
Precisamos manter em mente uma verdade fundamental: Deus é santo por natureza (Is 6.3; 1Pe 1.15-16). Isso significa que Deus está separado dos pecadores. Ele é transcendente, infinitamente acima de nós. E, sendo Deus santo e, do ponto de vista do homem pecador, inacessível, surge um grande dilema: quem levará o homem até Deus? Quem abrirá o caminho para Sua presença?
3) O sacerdócio na antiga aliança
Na antiga aliança, Deus escolheu determinados homens para exercerem essa mediação. Eram homens divinamente escolhidos, preparados e submetidos a exigências específicas para que pudessem aproximar-se de Deus em favor do povo (Ex 28.1; Nm 18.1-7). Mas havia um problema: eles próprios eram pecadores. Por essa razão, antes de oferecer sacrifícios pelos pecados do povo, o sacerdote precisava oferecer sacrifício por seus próprios pecados (Lv 16.6,11; Hb 5.1-3; 7.27). Somente então, de acordo com aquilo que Deus havia estabelecido, poderia aproximar-se da presença divina e representar o povo.
Todo aquele sistema sacerdotal funcionava, portanto, como uma ponte entre o homem e Deus. Os homens não podiam simplesmente entrar na presença de Deus. Por isso, Deus designou sacerdotes para conduzi-los, por assim dizer, à Sua presença. E o caminho para Deus permanecia aberto somente mediante uma sucessão contínua de sacrifícios. Dia após dia, os sacerdotes ministravam e apresentavam sangue diante de Deus (Hb 7.27; 9.6-7; 10.11). Assim, os sacerdotes eram mediadores que representavam os homens diante de Deus.
Há aqui uma distinção importante. Reis, profetas e juízes, em diferentes sentidos, representavam o governo e a palavra de Deus diante dos homens. Os sacerdotes faziam o movimento contrário: levavam os homens a Deus. Esse era o seu papel dentro da ordem estabelecida pelo próprio Deus.
4) O fim do sistema sacerdotal da antiga aliança
Mas quando chegamos à nova aliança, todo esse sistema sacerdotal chega ao fim. Acabou. Todo aquele padrão encontra seu cumprimento. E agora apenas um permanece como o grande Sumo Sacerdote: Jesus Cristo (Hb 4.14).Cristo realizou um único e perfeito sacrifício. E aqui está algo extraordinário: Ele é, ao mesmo tempo, o Sacerdote e o Sacrifício. Ele não ofereceu um animal; ofereceu a Si mesmo (Hb 7.27; 9.11-14,26; 10.10). Por meio desse único sacrifício, abriu definitivamente ao homem o acesso à presença de Deus. Isso foi dramaticamente simbolizado no momento de Sua morte. Quando Jesus morreu, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo (Mt 27.50-51; Mc 15.37-38).
Aquele véu separava o Santo dos Santos e simbolizava a impossibilidade de o homem pecador entrar livremente na presença de Deus (Êx 26.31-33; Hb 9.3,7-8). Mas agora o véu está rasgado. O caminho está aberto. Por meio de Seu próprio sangue, Jesus inaugurou para nós “um novo e vivo caminho” para a presença de Deus (Hb 10.19-22).
Em um único ato, num único momento da história, Jesus Cristo realizou aquilo que milhares de sacerdotes e milhões de sacrifícios jamais poderiam realizar. Ele abriu permanentemente o caminho para Deus. Agora, qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode aproximar-se de Deus mediante a fé em Cristo (Hb 7.25; 10.19-22). É exatamente por isso que, ao final do capítulo 4, lemos: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16).
Você percebe? O grande Sumo Sacerdote abriu o caminho. Podemos chegar diretamente ao trono da graça porque Cristo realizou a obra necessária. Consequentemente, não são necessários novos sacrifícios para expiar pecados. Cristo ofereceu o sacrifício definitivo (Hb 10.11-14,18). Ele agora está à direita de Deus e intercede por nós (Rm 8.34; Hb 7.25; 10.12). Ele é o nosso Mediador vivo e suficiente, o único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5).
É interessante, à luz disso, que o título latino Pontifex Maximus, tradicionalmente associado ao papa, signifique “sumo pontífice” ou “supremo pontífice”. Atribuir a qualquer homem uma posição sacerdotal que concorra com a exclusividade de Cristo compromete a verdade central exposta na carta aos Hebreus: Jesus Cristo é o grande Sumo Sacerdote e não possui igual (Hb 4.14; 7.24-28).
Na nova aliança, Seu sacerdócio é permanente e suficiente. Cristo não necessita de sucessores, porque “permanece para sempre” e possui um sacerdócio imutável (Hb 7.23-25). Acrescentar outro mediador sacerdotal necessário entre o homem e Deus diminui a exclusividade e a suficiência de Seu sacerdócio.
E aqui estava uma das maiores dificuldades para os judeus aos quais Hebreus foi dirigido. Um dos elementos mais fortes da economia mosaica era justamente o sacerdócio aarônico. Arão havia sido escolhido por Deus para o sumo sacerdócio, e seus descendentes continuaram nesse ministério (Êx 28.1; Nm 18.7; Hb 5.4).
Durante séculos, a vida religiosa de Israel estivera profundamente ligada a sacerdotes, sacrifícios, cerimônias e rituais. Tudo isso estava gravado na consciência judaica. E agora vem a mensagem da nova aliança dizendo: tudo aquilo encontrou seu cumprimento em Cristo (Hb 8.6-13; 9.11-15; 10.1-14).
Não era fácil abandonar aquilo que durante tantas gerações havia ocupado o centro da vida religiosa de Israel. Podemos compreender a dificuldade. Mas essa é precisamente a mensagem de Hebreus: o que era sombra deu lugar à realidade; o sacerdócio temporário deu lugar ao sacerdócio eterno; os muitos sacrifícios deram lugar ao único sacrifício perfeito; e os muitos sacerdotes deram lugar ao único e grande Sumo Sacerdote — Jesus Cristo.
Esses padrões religiosos foram difíceis de abandonar. Por isso, escrevendo aos hebreus, o autor precisava demonstrar que a nova aliança também possui um sacerdócio e, sobretudo, um grande Sumo Sacerdote. Jesus Cristo ofereceu um sacrifício único e definitivo, tornando desnecessários todos os demais sacrifícios (Hb 7.27; 9.12,26; 10.10-14).
Isso era fundamental porque os judeus estavam acostumados à ideia de que a expiação exigia um sacrifício oferecido por um sacerdote. Assim, em Hebreus 5–10, o Espírito Santo demonstra que Cristo realizou exatamente isso, mas de uma maneira que nenhum sacerdote da antiga aliança poderia realizar.
Todo aquele sistema de rituais que prendia a mente dos judeus à antiga ordem precisava ser deixado para trás. Eles precisavam compreender que Jesus Cristo é, de fato, o grande Sumo Sacerdote, e não há outro (Hb 4.14; 7.23-25). Embora a nova aliança apresente a simplicidade de um relacionamento com Cristo, seu sacerdócio é infinitamente mais glorioso e perfeito que o sacerdócio levítico.
Ao chegarmos especificamente ao capítulo 5, o Espírito Santo começa estabelecendo as qualificações de um sumo sacerdote. E digo Espírito Santo porque não sabemos com certeza quem foi o autor humano de Hebreus; sabemos, contudo, quem é o Autor divino (2Tm 3.16; 2Pe 1.20-21).
5) Nos primeiros quatro versículos, encontramos as qualificações sacerdotais reconhecidas pelos judeus (Hb 5.1-4). Depois, nos versículos 5 a 9, o autor demonstra como Jesus satisfaz perfeitamente essas qualificações (Hb 5.5-9).
Isso era especialmente importante porque, do ponto de vista judaico, Jesus não parecia qualificado para o sacerdócio levítico: Ele não pertencia à tribo de Levi, mas à tribo de Judá (Hb 7.13-14). A estrutura do argumento é muito simples. Em Hebreus 5.1-4 aparecem três grandes qualificações do sacerdote: ele é escolhido por Deus dentre os homens, é solidário com os homens e oferece sacrifícios em favor dos homens. Em seguida, Hebreus 5.5-9 demonstra que Jesus Cristo cumpre essas qualificações de maneira perfeita.
Hebreus 5.1 declara: “Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens”. E o versículo 4 acrescenta: “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão” (Hb 5.4; cf. Êx 28.1).
Temos, portanto, três elementos envolvidos nessa escolha: o sacerdote precisava ser homem, precisava representar os homens e precisava ser chamado por Deus. Ninguém poderia simplesmente decidir tornar-se sumo sacerdote. O verdadeiro sacerdócio dependia da escolha soberana de Deus. E é exatamente isso a respeito de Jesus Cristo: Ele não tomou para Si a honra do sumo sacerdócio; foi designado pelo próprio Deus (Hb 5.5-6).
5.1) O sumo sacerdote precisava ser escolhido por Deus dentre os homens
Todos os sacerdotes do Antigo Testamento eram escolhidos por Deus dentre os homens. Em Êxodo 28, Deus diz a Moisés: “Faze também vir para junto de ti Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes” (Ex 28.1). Deus escolheu diretamente Arão e seus filhos para o sacerdócio.
Isso era fundamental. Ninguém poderia assumir para si uma função sacerdotal para a qual Deus não o tivesse chamado. Corá, Datã e Abirão tentaram exercer uma função que Deus não lhes havia concedido, e o juízo divino caiu sobre eles (Nm 16.1-35). Ezequiel também descreve a terrível profanação do templo por homens que corrompiam o culto estabelecido por Deus (Ez 8–10). O verdadeiro sacerdócio dependia da escolha divina (Hb 5.4).
Mas observe outra expressão de Hebreus 5.1: “todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens”. Na antiga aliança, Deus escolheu sacerdotes dentre os próprios homens porque aquele que representa os homens precisa compartilhar de sua natureza. Deus não escolheu anjos para serem sacerdotes. Escolheu homens para representarem homens. O sacerdote precisava conhecer a condição humana, suas fraquezas, tentações e sofrimentos, para exercer seu ministério com misericórdia e compaixão (Hb 5.2). Somente um homem poderia representar adequadamente os homens.
E aqui encontramos uma verdade extremamente importante para os leitores de Hebreus. Os judeus tinham dificuldade não apenas com a cruz, mas também com a encarnação. Como poderia o Messias ser Deus e, ao mesmo tempo, verdadeiramente homem?
Uma das respostas está justamente no sacerdócio de Cristo. Para ser nosso grande Sumo Sacerdote, o Filho de Deus precisava tornar-se homem. Ele precisava compartilhar de nossa humanidade, experimentar sofrimento e enfrentar tentações, embora sem pecado, para tornar-se um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel (Hb 2.14-18; 4.15).
Deus não permaneceu distante. O Filho entrou no mundo dos homens. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Ele participou de nossa condição humana para poder representar-nos diante de Deus. Por isso, Hebreus declara que Ele precisava tornar-se “semelhante aos irmãos” para ser “misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus” (Hb 2.17).
Nesse sentido, a encarnação não era opcional. Era necessária para a realização da obra sacerdotal de Cristo. Para oferecer a Si mesmo como sacrifício pelos pecados e representar os homens diante de Deus, o Filho precisava assumir verdadeira natureza humana (Hb 2.14-17; 10.5-10).
Era necessário Cristo tornar-se verdadeiramente homem, pois somente compartilhando de nossa natureza poderia representar-nos e reconciliar-nos com Deus. Sua humanidade nãodiminui Sua dignidade; ao contrário, revela Sua perfeita adequação como nosso Mediador. Em termos simples, Ele precisava descer até onde estávamos para nos levar de volta a Deus.
Desde a queda, a pecaminosidade humana tornou impossível ao homem aproximar-se de Deus por seus próprios meios. Depois do pecado, Adão e Eva foram expulsos do jardim, e querubins guardaram o caminho para a árvore da vida (Gn 3.22-24). No Sinai, o povo não podia aproximar-se livremente do monte onde Deus manifestava Sua presença (Ex 19.10-13,21-24). No tabernáculo e, posteriormente, no templo, o Santo dos Santos permanecia separado por um véu (Ex 26.31-33; Hb 9.2-8).
O homem precisava, portanto, de um mediador. Na antiga aliança, esse acesso era representado pelo sacerdote escolhido dentre os homens. Mas tudo aquilo apontava para alguém infinitamente maior. Jesus Cristo tornou-se verdadeiramente homem para ser o perfeito representante dos homens diante de Deus. Ele foi tomado dentre os homens no sentido de compartilhar plenamente de nossa humanidade e, sendo ao mesmo tempo o Filho de Deus, tornou-se o único e perfeito Mediador capaz de nos conduzir definitivamente à presença do Pai (1Tm 2.5; Hb 4.14-16).
Somente um sacerdote que pertencesse ao povo poderia representá-lo diante de Deus. E foi exatamente isso que Cristo fez de maneira perfeita. Depois de oferecer Seu grande sacrifício, Ele atravessou os céus e entrou no verdadeiro Santo dos Santos, na presença de Deus (Hb 4.14; 9.11-12,24). E não apenas entrou por nós: por causa de Sua obra, nós também podemos entrar (Hb 4.16; 10.19-22). Isso é algo inteiramente novo.
Observe Hebreus 5.1: “Todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens”. A ideia de “constituído” é a de uma nomeação autorizada para determinado ofício. O sacerdote não escolhia a si mesmo; era designado por Deus. Isso aparece em Hebreus 8.3: “Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios”.
Essa é, portanto, a primeira característica fundamental do verdadeiro sumo sacerdote: ele precisa ser chamado por Deus. “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão” (Hb 5.4; cf. Êx 28.1). Ninguém poderia legitimamente assumir esse ofício por iniciativa própria.
Quando a autoridade sacerdotal de Arão foi contestada, Deus confirmou sobrenaturalmente sua escolha. Sua vara brotou, produziu flores e deu amêndoas (Nm 16.1-11; 17.1-10). Era uma demonstração inequívoca de que Deus o havia escolhido. O princípio é claro: a verdadeira autoridade espiritual procede do chamado de Deus e manifesta frutos que somente Deus pode produzir.
5.2) O verdadeiro sumo sacerdote precisava ser compassivo com os homens
Não bastava representá-los formalmente; precisava compreender suas fraquezas e tratá-los com misericórdia. Hebreus 5.2 afirma que ele deveria ser capaz de “condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas”. A expressão traduzida por “condoer-se” vem do verbo grego metriopatheō (μετριοπαθέω), que transmite a ideia de tratar alguém com moderação, paciência e compreensão.
O sacerdote podia agir assim porque conhecia pessoalmente a fraqueza humana. Ele vivia entre os homens, conhecia suas lutas, tentações, quedas, alegrias e sofrimentos. Ele podia tratar gentilmente as fraquezas dos outros porque também conhecia a fraqueza em si mesmo (Hb 5.2-3).
Aqui começamos a perceber novamente a perfeição do sacerdócio de Cristo. Jesus não precisava adquirir conhecimento, pois, como Deus, conhece todas as coisas. Mas, mediante a encarnação, experimentou pessoalmente a realidade do sofrimento e da tentação humana — sem jamais pecar (Hb 4.15). Por isso, Sua compaixão não é distante ou meramente teórica. Ele entrou em nossa condição, sofreu e foi tentado. Como já declarou Hebreus: “naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18).
Os gregos entendiam a virtude como um equilíbrio entre dois extremos. E essa ideia ajuda a compreender a palavra usada em Hebreus 5.2 para descrever a atitude do sacerdote. Ele deveria “condoer-se dos ignorantes e dos que erram”. O verbo grego metriopatheō (μετριοπαθέω) expressa uma atitude equilibrada diante das fraquezas alheias. Não significa irritação severa nem indiferença; não é sofrimento descontrolado nem apatia. É compaixão equilibrada: sentir a dor e a fraqueza do outro sem perder a firmeza necessária para conduzi-lo ao caminho correto.
Era assim que o sacerdote deveria tratar o pecador: com paciência, tolerância e firmeza. Sendo também homem, conhecia a realidade das tentações e fraquezas humanas. Por isso podia “condoer-se” dos outros, pois ele próprio estava “rodeado de fraquezas” (Hb 5.2).
Observe também quem recebia essa compaixão: “os ignorantes e os que erram” (Hb 5.2). A ideia pode ser entendida como aqueles que se desviam por ignorância, isto é, pecam sem plena intenção ou conhecimento. A própria Lei previa expiação para esse tipo de pecado: “O sacerdote fará expiação pela pessoa que pecar por ignorância perante o SENHOR; fazendo expiação por ela, será perdoada” (Nm 15.28; cf. Lv 4.1-35).
No sistema da antiga aliança havia, portanto, uma distinção importante entre pecados cometidos por ignorância e a rebelião deliberada e desafiadora contra Deus. Para esta última, a Lei não estabelecia o mesmo sacrifício expiatório; aquele que pecava “atrevidamente” colocava-se conscientemente em desafio à palavra do Senhor (Nm 15.30-31).
O ponto de Hebreus, contudo, está na compaixão sacerdotal. O sacerdote, sendo ele próprio pecador, conhecia a fraqueza humana e deveria tratar com misericórdia aqueles que se desviavam. Sua própria condição deveria torná-lo sensível à condição daqueles que representava diante de Deus (Hb 5.2).
5.3) O verdadeiro sumo-sacerdote precisava oferecer sacrifícios pelos homens.
Hebreus 5.1 afirma que ele era constituído “nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados”. Esse era o centro de seu ministério. O sacerdote representava os homens diante de Deus oferecendo os sacrifícios determinados pelo próprio Deus para tratar do problema do pecado (Lv 16.15-17; Hb 9.6-7).
Mas havia uma limitação fundamental no sacerdócio levítico: o próprio sacerdote era pecador. Por isso, Hebreus 5.3 declara: “por esta razão, deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo” (cf. Lv 16.6,11). Temos, portanto, as três grandes qualificações apresentadas em Hebreus 5.1-4: o sumo sacerdote precisava ser escolhido por Deus dentre os homens, precisava ser compassivo com os homens e precisava oferecer sacrifícios pelos homens.
6) Jesus Cristo satisfaz essas três qualificações de sumo-sacerdote?
A resposta dos versículos seguintes será inequívoca: sim — e Ele as satisfaz de maneira infinitamente superior a qualquer sacerdote da antiga aliança (Hb 5.5-10).
Hebreus 5.1 afirma que o sacerdote era constituído “a favor dos homens, nas coisas concernentes a Deus”. Em outras palavras, sua função era representar os homens diante de Deus, ministrando justamente naquilo que lhes proporcionava acesso à presença divina.
E qual era sua principal atividade? Oferecer dons e sacrifícios. Essa expressão aparece repetidamente em Hebreus (Hb 5.1; 8.3; 9.9). Podemos entender, portanto, o ministério sacerdotal sob esses dois aspectos:
a) Os “dons” provavelmente incluem as ofertas apresentadas a Deus e podem ter referência especial à oferta de manjares, descrita em Levítico Diferentemente das principais ofertas sacrificiais, ela não envolvia derramamento de sangue. Era composta de flor de farinha, azeite e incenso e expressava gratidão e dedicação a Deus (Lv 2.1-3). Essa oferta não deveria conter fermento nem mel e deveria ser temperada com sal (Lv 2.11-13). O simbolismo apontava para uma dedicação íntegra e permanente ao Senhor. Parte da oferta era queimada sobre o altar, como aroma agradável ao Senhor, e o restante pertencia aos sacerdotes (Lv 2.2-3,9-10).
b) Mas o sacerdote oferecia não apenas dons. Hebreus 5.1 acrescenta: “sacrifícios pelos pecados”. Aqui estava uma das funções centrais do sacerdócio. Sacrifícios eram continuamente apresentados para tratar dos pecados do povo, especialmente conforme as prescrições das ofertas pelo pecado e pela culpa (Lv 4.1–6.7). Esses sacrifícios precisavam ser repetidos porque não podiam resolver definitivamente o problema do pecado. O sistema levítico exigia uma sucessão contínua de ofertas (Hb 10.1-4,11). Cada novo pecado tornava evidente a insuficiência daquele sistema para produzir uma expiação final.
Além disso, havia outro problema: o próprio sacerdote era pecador. Hebreus 5.3 afirma que, por estar também cercado de fraquezas, “deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo”. No Dia da Expiação, por exemplo, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos com sangue oferecido primeiramente por si mesmo e depois pelo povo (Lv 16.6,11-17; Hb 9.7).
E aqui aparece novamente a extraordinária superioridade de Cristo. Jesus nunca precisou oferecer sacrifício por Si mesmo, porque não tinha pecado (Hb 4.15; 7.26-27). Os sacerdotes levíticos precisavam tratar primeiro de sua própria culpa; Cristo entrou na presença de Deus como o Sumo Sacerdote perfeitamente santo e sem pecado. Isso, por si só, já demonstra que Ele é superior a qualquer sacerdote que tenha existido. Cristo não ofereceu sacrifícios repetidamente nem precisou oferecer primeiro por Si mesmo. Ele ofereceu a Si mesmo, uma vez por todas, pelos pecados do povo (Hb 7.27; 9.12,26; 10.10-14).
6.1) A natureza dos sacrifícios da antiga aliança e a superioridade do sacrifício de Cristo
O pecado separa o homem de Deus, e o sistema sacrificial proporcionava, dentro da aliança mosaica, o meio estabelecido por Deus para tratar da culpa e restaurar a comunhão. Entretanto, havia uma distinção importante entre os pecados para os quais havia provisão sacrificial e o pecado deliberadamente desafiador (Lv 4.2,13,22,27; Nm 15.27-31).
Para os pecados cometidos por ignorância ou inadvertência, havia sacrifício e perdão. Se a própria congregação pecasse dessa maneira, deveria apresentar a oferta determinada por Deus, e o texto afirma: “ser-lhes-á perdoado” (Nm 15.22-29). Essa provisão incluía também pecados dos quais o pecador posteriormente reconhecia sua culpa e buscava a expiação estabelecida por Deus.
Em contraste, aquele que pecava “atrevidamente”, desprezando conscientemente a palavra do Senhor, não encontrava no sistema levítico um sacrifício prescrito para essa rebelião obstinada e impenitente; ele levaria sobre si a sua iniquidade (Nm 15.30-31). O episódio do homem que deliberadamente violou o sábado ilustra imediatamente a seriedade desse princípio (Nm 15.32-36). Davi conhecia esse perigo quando orou: “Também da soberba guarda o teu servo” (Sl 19.13).
Essa distinção ajuda a compreender, em seu próprio contexto, a solene advertência de Hebreus: “se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados” (Hb 10.26). O ponto não é simplesmente a ocorrência de um pecado consciente, mas a rejeição deliberada e persistente da verdade conhecida e, consequentemente, do único sacrifício capaz de salvar. Há perdão para aquele que se arrepende e crê; rejeitar Cristo, porém, significa rejeitar o único sacrifício oferecido pelos pecados (At 2.38; 10.43; Hb 10.26-29).
O sacerdócio levítico, portanto, possuía limitações evidentes: seus sacerdotes eram pecadores, seus sacrifícios precisavam ser repetidos e jamais podiam solucionar definitivamente o problema do pecado. Tudo isso apontava para o Sacerdote perfeito e para o sacrifício perfeito. Esse Sacerdote é Jesus Cristo. Sem pecado, Ele não precisou oferecer sacrifício por Si mesmo; ofereceu-Se pelos outros, não repetidamente, mas uma vez por todas (Hb 7.27; 10.10-14).
Chegamos, assim, ao final das três qualificações apresentadas em Hebreus 5.1-4. O verdadeiro sumo sacerdote precisava ser escolhido por Deus, ser compassivo com os homens e oferecer sacrifícios em favor deles.
6.2) Jesus: o sumo-sacerdote escolhido por Deus
A primeira qualificação era ser escolhido por Deus. Observe Hebreus 5.5: “Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote”. Cristo não tomou essa honra para Si. Foi o Pai quem O designou. Para demonstrar isso, o autor recorre ao Antigo Testamento: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Sl 2.7; Hb 5.5). Jesus mesmo declarou: “Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai” (Jo 8.54). Assim, Cristo satisfaz perfeitamente a primeira exigência do verdadeiro sacerdócio.
Hebreus, porém, acrescenta algo extraordinário. O mesmo Deus que declarou: “Tu és meu Filho” também declarou: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4; Hb 5.6). Sua autoridade sacerdotal, portanto, não depende da descendência levítica nem da linhagem de Arão.
Mas por que “segundo a ordem de Melquisedeque”? Hebreus desenvolverá esse assunto detalhadamente no capítulo 7, mas podemos antecipar o ponto principal. Melquisedeque aparece em Gênesis 14.18 como “rei de Salém” e “sacerdote do Deus Altíssimo”. Ele reunia em uma única pessoa duas funções: era rei e sacerdote. Arão era sacerdote, mas não era rei; Cristo, porém, é Rei e Sacerdote. Nesse aspecto, Melquisedeque fornece um padrão mais apropriado para apontar para Cristo (Gn 14.18; Hb 7.1-3).
Há ainda outra característica fundamental: “Tu és sacerdote para sempre” (Sl 110.4; Hb 5.6). O sacerdócio aarônico era necessariamente temporário, pois seus sacerdotes morriam e precisavam ser substituídos. Cristo, ao contrário, “porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável” e pode salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus (Hb 7.23-25).
Melquisedeque também serve como figura desse caráter permanente. Gênesis não registra sua genealogia, nascimento ou morte, e Hebreus utiliza esse silêncio do relato bíblico para apresentá-lo tipologicamente como alguém que “permanece sacerdote perpetuamente” (Hb 7.3). Isso não significa que Melquisedeque fosse literalmente eterno, mas que a maneira como aparece no relato o torna uma figura apropriada do sacerdócio eterno de Cristo.
Sua grandeza também aparece no fato de Abraão lhe ter entregado o dízimo (Gn 14.19-20; Hb 7.4-10). Esse fato será importante para o argumento posterior de Hebreus: o sacerdócio representado por Melquisedeque é apresentado como superior ao sacerdócio levítico, que posteriormente procederia da descendência de Abraão.
Portanto, Jesus satisfaz plenamente a primeira qualificação: foi escolhido por Deus como Sumo Sacerdote. Mas Hebreus vai além: Ele não pertence à ordem temporária de Arão. É Rei e Sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5.5-6).
6.3) Jesus: o verdadeiro Sumo Sacerdote precisa ser compassivo com os homens.
Jesus também satisfaz perfeitamente a segunda qualificação: ser compassivo com os homens. Hebreus 5.7 introduz essa verdade com uma expressão significativa: “Ele, Jesus, nos dias da sua carne…”. O Filho não começou a existir em Belém. Ele já existia e, na encarnação, assumiu verdadeiramente a condição humana (Jo 1.1,14; Fp 2.6-8). “Os dias da sua carne” referem-se, portanto, ao período de Sua vida terrena, quando esteve sujeito às fraquezas próprias da humanidade e foi tentado, embora permanecendo absolutamente sem pecado (Hb 4.15).
Durante esses dias, Cristo ofereceu “orações e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que o podia livrar da morte” (Hb 5.7). A expressão “forte clamor” traduz kraugē (κραυγή), palavra que descreve um grito decorrente de intensa angústia. O Getsêmani oferece a demonstração mais clara dessa realidade. Ali Jesus declarou: “A minha alma está profundamente triste até à morte” e prostrou-Se em oração (Mt 26.36-44). Lucas acrescenta que Sua agonia foi tão intensa que Seu suor tornou-se “como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22.44).
Hebreus acrescenta que Ele orou “àquele que o podia livrar da morte” e “foi ouvido por causa da sua piedade” (Hb 5.7). A ideia pode ser entendida não simplesmente como ser poupado de morrer, mas como ser retirado da morte. Jesus sabia que havia vindo ao mundo para aquela hora (Jo 12.27; 18.11). Sua oração, portanto, não expressava rebeldia diante da cruz, mas perfeita submissão: “não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26.39). Ele Se entregou à vontade do Pai, que O ressuscitaria dentre os mortos (At 2.24,32).
É à luz dessa experiência que devemos entender a declaração seguinte: “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8). Cristo não precisou aprender a deixar de ser desobediente, pois sempre foi perfeitamente obediente e sem pecado (Jo 8.29,46; Hb 4.15). “Aprendeu”, aqui, significa que, em Sua humanidade, conheceu experimentalmente a obediência quando ela exigia suportar a dor, chegando finalmente à morte de cruz (Fp 2.8).
Em seguida, Hebreus 5.9 afirma: “e, tendo sido aperfeiçoado…”. Novamente, isso não indica qualquer deficiência moral que precisasse ser corrigida. Cristo sempre foi perfeito. O sentido é que Ele foi completamente qualificado para Seu ministério sacerdotal. A encarnação e tudo aquilo que percorreu até a cruz cumpriram plenamente o caminho necessário para que exercesse esse ofício.
Por essa razão, temos um Sumo Sacerdote capaz de “se compadecer das nossas fraquezas” (Hb 4.15). Sua compaixão não é distante da experiência humana: tendo sido tentado sem pecado, “é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18). Podemos, assim, aproximar-nos com confiança do trono da graça para alcançar misericórdia e encontrar graça em ocasião oportuna (Hb 4.16).
Jesus, portanto, satisfaz perfeitamente a segunda qualificação: Ele é o Sumo Sacerdote compassivo, verdadeiramente participante de nossa humanidade, mas inteiramente sem pecado.
6.4) Jesus ofereceu sacrifício definitivo pelos pecados
Cristo satisfaz também a terceira qualificação de maneira infinitamente superior. Hebreus afirma que Ele “tornou-se o Autor da salvação eterna” (Hb 5.9). Os sacerdotes da antiga aliança ofereciam continuamente sacrifícios que jamais podiam solucionar definitivamente o problema do pecado. Cristo, porém, ofereceu-Se a Si mesmo e, “com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hb 10.11-14; cf. 7.27; 9.12).
A palavra traduzida por “Autor” comunica a ideia de causa ou fonte. Cristo tornou-Se a fonte da salvação eterna mediante Seu próprio sacrifício. Não se trata de uma purificação que necessita de novos sacrifícios, mas de uma salvação fundamentada em uma obra consumada. O sacrifício não precisa ser repetido porque sua eficácia é permanente.
E para quem é essa salvação? Hebreus responde: “para todos os que lhe obedecem” (Hb 5.9). Isso não significa conquistar a salvação mediante a observância de regras. O Novo Testamento relaciona a obediência ao evangelho com a resposta da fé, falando da “obediência da fé” (Rm 1.5; 16.26). Por isso Paulo afirma que nem todos “obedeceram ao evangelho” (Rm 10.16) e adverte sobre aqueles que “não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (2Ts 1.8). Obedecer ao evangelho é responder a Cristo com fé, recebendo-O como o único e suficiente Salvador (Jo 3.36; At 16.31).
Assim se completa o argumento de Hebreus 5.1-9. O verdadeiro Sumo Sacerdote precisava ser escolhido por Deus, ser compassivo com os homens e oferecer sacrifício em favor deles. Jesus satisfaz perfeitamente todas essas qualificações: foi designado pelo Pai (Hb 5.5-6), participou verdadeiramente de nossa condição humana sem pecado (Hb 5.7-8) e ofereceu o único sacrifício capaz de produzir salvação eterna (Hb 5.9).
Que Sumo Sacerdote nós temos! Perfeitamente qualificado, eternamente suficiente e capaz de “salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus” (Hb 7.25).
Pai, somos gratos por contemplarmos novamente a pessoa de Jesus Cristo. Que essas verdades não alcancem apenas nossa mente, mas também nosso coração e nossa vontade. Que recebamos pela fé a Cristo e descansemos inteiramente Nele como nosso grande Sumo Sacerdote. Em Seu nome. Amém.
Esta é uma série de sermões de John MacArthur sobre a carta aos Hebreus.
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Este texto é uma síntese do sermão “Jesus Christ, the Perfect Priest”, de John MacArthur em 07/05/1972.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/1611/jesus-christ-the-perfect-priest
Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno





















