Que Ele Cresca e Eu Diminua!

Humildade é a essência do ministério pastoral. Um grande ministério nunca produz discípulos do ministério, mas discípulos de Jesus Cristo.  Quando Cristo é diminuído e o ministro é exaltado, temos a igreja de Satanás. Na igreja de Cristo, o ministro deve ser visto como mais um pecador salvo pela graça. A hierarquia na igreja é uma corrupção.

Vamos prosseguir agora no Evangelho de João, olhando para o capítulo 3, versículos de 22 a 30. Quero que você preste muita atenção agora no verso 30: “Convém que ele cresça e que eu diminua”. Isso é um axioma, ou seja, uma verdade inquestionável e evidente por si mesma. É a primeira lei do ministério: humildade.

Diante do partidarismo na igreja de Corinto, Paulo escreveu: “Quem é Apolo? E quem é Paulo? […] nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1Co 3.5,7). Ele escreveu:

Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus (1Co 2.1-5).

A primeira lei do ministério é a humildade. Este axioma expressa isso: “o Senhor precisa crescer, e eu preciso diminuir”. Pedro instruindo pastores, escreveu: “cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe 5.5-6). Ele os instruiu para não agirem como dominadores do rebanho, mas como modelos de santo procedimento (1Pe 5.3).

Todos os ministros fiéis e honrados glorificam a Cristo e nada fazem de si mesmos. É exatamente isso que João Batista declarou a seus discípulos: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27).

Qualquer pessoa no ministério que exalta seu próprio ofício e sua própria posição está pervertido em suas alegações. Há apenas um Sumo Sacerdote e um Mediador entre o homem e Deus, o homem Cristo Jesus. Não passa de um enganador e mentiroso aquele que declara autoridade sobre a igreja; que diz exercer poder sobre a igreja; que se considera algo mais do que um simples cristão; que alega ser o chefe da igreja; que assume o título de vigário ou substituto de Cristo etc. Isso desonra o Senhor Jesus Cristo, a quem pertence exclusivamente toda a honra.

Todos os ministros humanos são como estrelas noturnas, estrelas que aparecem na escuridão — sua luz trêmula, insuficiente para iluminar o mundo. Elas se apagam com o nascer do sol. Os ministros são como essas estrelas noturnas que desaparecem de vista com o nascer do sol. À medida que as igrejas se desviam, à medida que as igrejas caem em apostasia, elas pensam menos em Cristo e dão mais importância aos seus ministros.

Assim, elas continuam a exaltar homens, decorações resplandecentes, vestimentas, adereços etc. Para a igreja decadente e corrupta, o sol se apagou e as estrelas ascenderam à escuridão do céu. Em uma igreja verdadeiramente santa, é dada pouca importância aos ministros e muito a Cristo. E o próprio Filho brilha tão plena e intensamente em um céu sem estrelas que sua glória preenche tudo.

J.C. Ryle disse: “Todo ministro fiel deve se contentar em ser menos lembrado por seus ouvintes crentes, na medida em que eles crescem em conhecimento e fé e buscam a Cristo com mais clareza”. Quanto mais você vê de Cristo, menos você vê o ministro. “Ele precisa crescer, eu preciso diminuir”. Que horror um ministro se tornar um obstáculo para que apenas a glória de Cristo resplandeça.

João Batista foi o maior homem, profeta e servo de Deus que já existiu (Mt 11.11). Ele foi o último profeta do Antigo Testamento. Seu ministério foi numa época de densas trevas em Israel, quando não havia profeta há 400 anos. Ele era a única estrela em um céu em trevas, mas que se apagou quando o Filho da justiça surgiu. Sua alegria estava em se esconder, para que todos olhassem apenas para Cristo.

João Batista pregava dizendo: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3.11).

O impacto do ministério de João Batista é imensurável. Toda Jerusalém e Judeia iam vê-lo. Ele portava a maior mensagem que o mundo já viu; foi o arauto do rei, do Messias, do Redentor; foi aquele que disse à multidão: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Foi o maior pregador de todos os tempos. E a lição que ele nos ensina é: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).

O Filho de Deus viveu na obscuridade em Nazaré por 30 anos. Ele finalmente apareceu; foi batizado por João Batista. João enviou alguns de seus seguidores para seguir Jesus, e Jesus começou a reunir alguns. Foi para a Galileia; reuniu mais alguns. Tinha esse pequeno grupo de homens, mas ainda permanecia na obscuridade.

E então, como está registrado em João 2, Jesus veio a Jerusalém na Páscoa e entrou no Templo, ainda na obscuridade. E então ele quebrou essa obscuridade e pôs fim a esse anonimato quando pegou um chicote e atacou o Templo, expulsando os negociantes da fé, criando uma sensação enorme e sem precedentes. Mas ele ainda tinha apenas alguns discípulos.

E então Jesus começou a fazer milagres, expulsar demônios e a curar pessoas de todas as doenças. E as multidões começaram a vir a ele porque João Batista não fazia milagres. Ninguém jamais havia ensinado, falado e realizado sinais como Jesus.

João 1.19-37 relata três dias de testemunho de João Batista. No primeiro dia, ele diz a uma delegação hostil do Sinédrio: “Ele está aqui”. No segundo dia, ele diz à uma multidão: “Olhem para Ele”. E, no terceiro dia, ele diz a dois de seus discípulos: “Sigam-no”. Essa é a essência da fé salvadora. Você entende que ele veio; quem ele é; e dedica sua vida a segui-lo. Isso é o que significa ser cristão.

João Batista começou a perder força, seu ministério e o de Jesus estavam acontecendo ao mesmo tempo, mas havia uma transição ocorrendo.  E é nesse contexto, nesse tempo de transição que vemos em João 3.22-30. É um texto maravilhosamente urgente para qualquer pessoa no ministério, porque aqui temos o ministro sendo diminuído, desaparecendo, e Cristo sendo exaltado.

João 3
22 Depois disto, foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judeia; ali permaneceu com eles e batizava.
23 Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado.
24 Pois João ainda não tinha sido encarcerado.
25 Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação.
26 E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro.
27 Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada.
28 Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor.
29 O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim.
30 Convém que ele cresça e que eu diminua.

Esta é uma lição para todos nós. Esta é a lei mais básica do ministério. O ministério de João Batista se sobrepôs ao de Jesus, provavelmente por cerca de seis meses, talvez um pouco menos. Tinha que ser assim porque foi ele quem apresentou Jesus. Então, ele ainda ministrava, pregava o arrependimento, anunciava a vinda do Messias, revelava quem ele era e batizava os que se arrependiam. E Jesus também começou a fazer isso: pregar o arrependimento, pregar o reino, declarar-se o Messias e as pessoas eram batizadas. Os ministérios se sobrepunham.

Isso gerou um problema muito humano. Os discípulos de João estavam especialmente perturbados pelo fato de tantos estarem procurando por Jesus enquanto antes eles haviam ido a João Batista (Jo 3.26). Mas, conforme o sol nasce e a estrela começa a se apagar. João respondeu: “Quem vem das alturas certamente está acima de todos…” (Jo 3.31). Vemos um exemplo incrível de humildade, do maior homem que já existiu. Sua humildade é magnífica.

Os ministerios de Jesus e João Batista acontecendo ao mesmo tempo

João 3
22 Depois disto, foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judeia; ali permaneceu com eles e batizava

 “Depois disto”, ou seja, depois dos eventos descritos entre João 2.13 e 3.2, ou seja, em que Jesus foi a Jerusalém, e, no Templo, expulsou aqueles que profanavam o templo. E depois disso, o fariseu Nicodemos, um mestre em Israel, membro do Sinédrio, mas completamente ignorante sobre às Escrituras e as realidades espirituais, veio conversar com Jesus à noite.

Depois desses acontecimentos Jesus e seus discípulos foram para a terra da Judeia, ou seja, eles saíram da cidade e foram para o campo, deixando Jerusalém. Ele passou algum tempo com seus discípulos, provavelmente por 6 meses (com base em João 4.35). Foi um tempo preliminar de treinamento. Lá Jesus pregava o arrependimento e batizava.

Jesus mesmo não batizava, mas seus discípulos (Jo 4.2). Ele batizava no sentido de que ele mesmo providenciava o batismo.  A razão era óbvia. Imagine pessoas dizendo: “Quem te batizou? Ah, eu fui batizado por Jesus, e você?” Isso só alimentaria o orgulho humano. Jesus podia delegar o batismo, mas não a pregação e o ensino, pois os discípulos ainda eram muito inexperientes.

Esse batismo de arrependimento, o mesmo tipo de batismo que João Batista fazia, que era uma espécie de lavagem simbólica do Antigo Testamento, do exterior, para demonstrar o desejo de ser lavado interiormente para se preparar para a chegada do Messias e do Reino. Então Jesus está começando a fazer essencialmente o que João Batista fazia.

João Batista veio pregando o Reino, pregando Cristo, pregando o arrependimento, batizando pessoas que se arrependiam, e Jesus veio fazendo exatamente a mesma coisa. Portanto, há essa sobreposição de ministérios, e isso continua por vários meses, vemos isso no versículo seguinte:

João 3
23 Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado.

O texto diz que João Batista prosseguia em seu ministério e pregava em Enom em que havia muitas águas. Há duas possibilidades de onde ficava Enom, ambas em Samaria. É preciso muita água para batizar, água suficiente para submergi-las. Aquele era um lugar conveniente para João Batista, o que significa que ainda havia muitas pessoas vindo até ele.

Assim que Jesus foi para as regiões ao redor de Jerusalém e Judeia e começou seu ministério, João Batista foi para outro lugar. Ele saiu da Judeia e foi para Samaria. Este é o primeiro ato de um homem humilde que abandona o próprio local de seu sucesso e vai para outro lugar para abrir espaço para outra pessoa.

Nem João Batista e nem os discípulos de Jesus realizavam o batismo cristão propriamente dito. Este só entra em cena em Atos 2.41, após a morte e ressurreição de Cristo. O batismo cristão retrata que fomos sepultados com Cristo e ressuscitados com ele para uma nova vida. Portanto, os dois ministérios se sobrepõem. Eles acontecem simultaneamente.

João 3
24 Pois João ainda não tinha sido encarcerado.

Por que o apóstolo João acrescentou esta informação sobre João Batista? Nos evangelho de Mateus e Marcos, a prisão de João Batista é registrada logo após o batismo de Jesus (Mt 3.11 – 4.12; Mc 1.9-14). As pessoas já liam esses evangelhos quando apóstolo João escreveu seu evangelho.

Então, ele queria que o registro histórico ficasse correto e, por isso, simplesmente separou o batismo de Jesus da prisão de João Batista e inseriu essa passagem. Isso se encaixa na ordem cronológica em que deveria estar.

É nesses meses entre o batismo de Jesus e a prisão de João Batista que ocorre a sobreposição de seus ministérios. As pessoas migram de João para Jesus porque João Batista as envia e porque Jesus realizava sinais. É nesse contexto que surge uma questão:

João 3
25 Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação

Purificação se refere ao batismo, que era simbólico de arrependimento e purificação. Então, os discípulos de João Batista discutiram com um judeu sobre a purificação. Provavelmente o judeu fazia distinção entre o que Jesus fazia e o que João Batista fazia. É isso que desencadeia a questão.

Creio que, talvez, esse judeu fosse um discípulo de Cristo. Essa discussão começa sobre quem é supremo, quem é preeminente, cujo batismo é o mais importante, quem é maior. Será que os discípulos de João Batista não entenderam sua mensagem?

No primeiro capítulo do evangelho de Joao, o próprio João Batista disse: “Eu não sou o Cristo; sou apenas uma voz; não sou digno de desatar as correias da sandálias de quem é maior do que eu”. Quando ele viu a Jesus, bradou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! […] um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim […] mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água” (Jo 1.29-31).

Eles deveriam saber, mas tiveram dificuldade com isso. Em Mateus 11, quando João Batista foi preso, seus discípulos ainda tinham dificuldades em se converter a Cristo. Então João Batista os envia para ir até Cristo e perguntar se ele era mesmo o Messias.

E eles foram até Jesus fazer essa pergunta, e, em outras palavras, Jesus respondeu: “Bem, vejam, pessoas estão sendo curadas, cegos veem, surdos ouvem, o evangelho é pregado aos pobres. Que mais vocês precisam como prova?”

Os discípulos de João Batista estavam lutando pela superioridade dele sobre Jesus. Então, foram até João Batista para resolver essa questão.

João 3
26 E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro.

Observe que eles não mencionaram o nome de Jesus. O que estava na mente deles? Que Jesus estava competindo com João Batista.  Eles estavam lutando pela proeminência de João Batista, uma atitude estranha, contrária a tudo o que João Batista lhes havia dito.

João 3
27 Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada.

Essa afirmação de João Batista enfatiza a autoridade soberana de Deus em dar oportunidade para ministrar. Jesus disse: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Dons, posições e ministérios no reino de Deus repousam completamente na graça imerecida de Deus, no chamado soberano de Deus, no privilégio e na oportunidade.

O apóstolo Paulo escreveu: “portanto, vendo que temos este ministério, como nós temos recebido misericórdia, não desfalecemos” (2Co 4.1). Ministério é misericórdia. Algo que você não conquista, algo que você não merece, algo que lhe é dado mesmo sendo indigno. Paulo diz a Timóteo:

Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus (1Tm 1.12-14).

Você não conquista isso. Você não chega ao topo por ser mais santo que todos os outros. É pura misericórdia do Senhor. Aos Colossenses, Paulo escreveu:

Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus (Cl 1.24-25).

Paulo estava vivenciando a perseguição por causa de Cristo. Apesar de sua morte na cruz, os inimigos de Cristo ainda não haviam se cansado de causar sofrimento a ele. Assim, eles passaram a odiar aqueles que pregavam o evangelho.

A motivação de Paulo para continuar sofrendo era beneficiar e edificar a igreja de Cristo. A igreja é a família de Deus (1Tm 3.16), e Paulo havia recebido a tarefa de assistir, alimentar e conduzir as igrejas pelas quais era responsável perante Deus. Todos os cristãos são responsáveis por administrar as habilidades e os recursos dados a eles por Deus.

Ninguém recebe nada em termos de chamado, privilégio do ministério, poder para o ministério ou fruto do ministério, a menos que lhe seja dado do céu. Isso seria verdade até mesmo para Cristo. Sobre isso João Batista declarou: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo 3.35).

Aos coríntios, Paulo escreveu: “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (1Co 4.7). Isso é fundamental.

Portanto, o princípio é muito claro. O ministério é uma misericórdia que flui para um cristão indigno, baseada na graça soberana de Deus. Você não pode merecê-lo. Você não pode conquistá-lo. Você não pode alcançá-lo. Mas, aliás, você pode perdê-lo. Você pode ser desqualificado. Essa é a atitude de João Batista. Que humildade.

O que João Batista está dizendo? Se pudermos usar uma linguagem contemporânea: “não se trata de mim, trata-se do céu e do que o céu depositou em minhas mãos como misericórdia”. Essa é a única maneira de encarar o ministério.

E então, partindo dessa realidade, João Batista diz:

João 3
28 Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor.

Ele repete o que já havia dito e reafirmado anteriormente (Jo 1.15-37). Sabe, todo pastor precisa repetir isso sem parar: “Não se trata de mim; trata-se dele. Eu sou uma estrela que a luz da glória do Senhor ofusca, quanto mais rápido eu me apagar, melhor. Quanto mais rápido eu me perder na glória de Cristo, melhor”. E ele prossegue dizendo:

João 3
29 O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim.

Aquilo que estava deixando seus discípulos com ciúmes, alegrava João Batista. Essa é a atitude correta. Um ministro do evangelho deve se alegrar quando um pregador fiel da Palavra atrai cinco ou dez vezes mais pessoas para Cristo, mesmo que ele fundasse uma igreja na mesma rua. Não se trata de nós. Não se trata de mim. Trata-se de Cristo.

Paulo estava na prisão quando escreveu a carta aos Filipenses, alguns foram estimulados no Senhor por suas algemas e ousaram falar com mais intrepidez a Palavra de Deus. Mas, muitos aproveitaram a oportunidade para almejar uma posição de superioridade a Paulo, proclamando Cristo por inveja, porfia, discórdia, insinceridade e julgando suscitar tribulação aos sofrimentos de Paulo na cadeia (Fp 1.14-17). O que Paulo pensava sobre isso?

Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei (Fp 1:18).

De igual forma, João Batista não tinha nenhuma atitude de competição em relação a Cristo ou a qualquer outra pessoa que pregue Cristo. Ele é como um padrinho de casamento em Israel naquela época, um amigo do noivo que cuidava de todos os detalhes do casamento, se comunicava com a noiva, informando-a sobre quando, onde e como se encontrar para que tudo estivesse pronto. E então, quando o dia chegava e acontecia, ele levava a noiva e a apresentava ao noivo. João Batista diz, em outras palavras:

Esse é o meu trabalho. Eu não sou o noivo. Eu só quero conectar a noiva ao noivo. Eu só quero levar os pecadores a Jesus. É só isso que eu quero fazer. E quando eu tiver feito isso, eu me alegrarei, e esta minha alegria estará completa. Vocês estão com inveja. Vocês estão chateados porque Jesus tem mais pessoas do que eu. Eu digo a vocês, é por isso que eu vivo. É para isso que eu fui chamado. Esta é a minha alegria. Minha missão está cumprida.

A maior alegria do padrinho no casamento, o amigo do noivo, era ver a cerimônia de casamento se desenrolar sem problemas. E quando o noivo toma sua noiva, o padrinho desaparece. E assim João Batista diz:

João 3
30 Convém que ele cresça e que eu diminua.

Esta é a primeira lei do ministério. Humildade. Um grande ministério nunca produz discípulos do ministério; sempre produz discípulos do Salvador. Você entende isso? É fundamental. Sempre que as pessoas adoram o homem, algo está corrompido. Quando Cristo é diminuído e os ministros são exaltados, temos a igreja de Satanás.

Na igreja de Cristo, os ministros nunca podem se ver como algo além de iguais a qualquer outro cristão — um pecador salvo pela graça, agraciado com dons e uma mordomia misericordiosa do céu que não os eleva acima de ninguém, absolutamente ninguém. A hierarquia na igreja é uma corrupção.

No final desse processo de transição, João Batista foi decapitado por ordem de Herodes.  Sua decapitação o conduziu à alegria eterna. Ele ouviu do Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel”. Então, esse é o “é necessário que eu diminua”. Na próxima veremos a sequência: “é necessário que ele cresça”. Vamos orar.

Pai, viemos a Ti nesta manhã com corações gratos. Temos tanto a agradecer, tanto a louvar-Te. Tu nos deste a verdade. Obrigado por nos resgatares do falso cristianismo. Obrigado por resgatares todas essas pessoas de falsas religiões. E que juntos possamos exaltar a Cristo. Que possamos desaparecer à medida que Ele e a Sua glória preenchem tudo em todos. Que seja sempre sobre Cristo.

Agradecemos-Te por nos trazeres ao conhecimento dele e oramos por aqueles que estão entre nós hoje que ainda não conhecem a Cristo, que definham nas trevas, talvez nas trevas de uma religião falsa. Que Tu sejas misericordioso e permitas que a luz do evangelho brilhe sobre eles para que possam ver Cristo por quem Ele é e se prostrem aos Seus pés, compreendendo que a salvação é somente pela graça, somente pela fé nele, somente nele, e não por quaisquer obras que possam fazer ou qualquer ritual. E não é oferecida por nenhuma instituição. É uma dádiva para o pecador arrependido que vem somente pela fé, sem depender de suas próprias obras, e clama pela misericórdia do novo nascimento.

E nós Te agradecemos, Senhor, mais uma vez, pelo tesouro que entra em nossas mentes cada vez que nos reunimos em torno da Tua Palavra. Recebemos mais um tesouro, mais um investimento de ouro divino depositado em nossas mentes, em nossas vidas. Torna-nos espiritualmente mais ricos, mais úteis a Ti. Que possamos usar esse tesouro conforme necessário para declarar a verdade aos outros. E que a luz do evangelho brilhe nas trevas deste mundo e que se torne claro onde está a verdade, para que as pessoas possam evitar o engano. Exalta o verdadeiro evangelho, os pregadores fiéis, e humilha-os para que as pessoas se tornem seguidores do Cristo que eles pregam e não deles. Nós Te agradecemos em nome do Salvador. Amém.


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura. 


Este texto é uma síntese do sermão “Humility Is the First Law of Ministry ”, de John MacArthur, em 17/03/2013.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/43-18/humility-is-the-first-law-of-ministry

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

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