A Salvação é Apenas pela Fé

Qualquer outra mensagem que difere do evangelho de Jesus Cristo produz condenação. O falso evangelho dá origem aos falsos sistemas religiosos, que são obra de Satanás. São uma combinação de ideias humanas e sedução demoníaca. O evangelho de Jesus Cristo, em toda a sua riqueza, com todos os seus elementos, é a única mensagem que procede do céu.

Continuando no evangelho de João, vamos começar a olhar agora para os versículos 11 a 21, do capítulo 3, parte de uma das porções mais importantes das Escrituras. Esta seção do Evangelho de João, começando no versículo 1 e indo até o versículo 21, é o Senhor ensinando sobre a salvação. E tudo acontece em uma conversa com um fariseu chamado Nicodemos, como vimos no sermão anterior.

Revisão do sermão anterior (João 3.1-10)

Nicodemos foi até Jesus à noite, ele era um fariseu, mestre em Israel e membro do Sinédrio, ou seja, um homem muito imponente e respeitado. Mas Jesus o tratou como um pecador perdido e que vivia em função de uma religiosidade vazia e hipócrita. Pelo fato de Nicodemos ter procurado Jesus à noite, é uma evidência que ele vivia sem paz, segurança, perturbado e que compreendia sua própria hipocrisia.

Ele vinha observando Jesus. Ele lhe disse: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2). Ele tinha várias questões em mente e esperava que um mestre verdadeiramente vindo da parte de Deus pudesse responder as questões que lhe angustiavam.

Ele percebia que estava fora do reino de Deus, ele queria saber o que precisava fazer para entrar nele. Essa era a grande questão em sua mente. Jesus não considerou suas palavras, ele foi diretamente à grande questão que estava oculta na mente de Nicodemos. Jesus lhe disse: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Jesus bem sabia o que estava no coração do homem sem que ninguém lhe falasse alguma coisa (Jo 2.24-25).

A primeira coisa que Jesus lhe disse sobre entrar no reino de Deus foi, em outras palavras: “não é algo que você possa fazer ou contribuir”. Mais adiante ele lhe diz: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”, fazendo referência ao ensino do Antigo Testamento, tal como registrado, por exemplo, em Ezequiel 36.25-28 e 37.1-14. Jesus estava diante de um homem reconhecido como mestre em Israel, um especialista no Antigo Testamento, mas que não conseguia entender a necessidade de uma obra soberana e exclusiva de Deus para resgatar o homem da morte espiritual.

Jesus usou a analogia do nascimento, ou seja, da mesma forma que não contribuímos para o nosso nascimento físico, não podemos contribuir para o novo nascimento, é uma obra exclusiva de Deus. Estávamos mortos em delitos e pecados (Ef 2.1-2), um morto não contribui em nada para melhorar seu estado. Lázaro em nada contribuiu para ser ressuscitado por Jesus, mas se levantou da sepultura quando Jesus lhe ordenou: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11.43).

Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. (Ez 36.25-27).

Esse é o nascer da água e do Espírito. É uma obra executada exclusivamente por Deus. Isso foi devastador para Nicodemos, essa afirmação de Jesus fez ruir toda sua estrutura religiosa falida. O que ele aprendeu, vivia e ensinava era uma religião de obras, de merecimentos, rituais, cerimônias etc. Ele aprendeu que tinha que seguir tudo isso à risca para alcançar uma posição elevada diante de Deus.

E Jesus lhe disse: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo 3.8). Não temos nada a ver com a ação do vento, não podemos controlá-lo, dar ordens a ele, mandá-lo vir ou ir embora, e não sabemos de onde ele vem e nem para onde vai, assim é a obra que Deus opera no novo nascimento. É algo sobre o qual não temos qualquer participação, é uma obra soberana e exclusiva de Deus.

Essa foi uma mudança completa e drástica no pensamento de Nicodemos. É por isso que, por duas vezes, nos versículos 3 a 10, do evangelho de João, Jesus diz: “em verdade, em verdade”. Essa afirmação é uma contraposição às mentiras em que eles acreditaram por tanto tempo. Atônito, Nicodemos ainda perguntou: “Como pode suceder isto?” (Jo 3.9). Jesus fez então uma reprovação contundente a sua estrutura religiosa: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?” (Jo 3.10).

Eis aqui esse hipócrita autocondenado, com a consciência pesada, cheio de angústia porque sabe que está afastado de Deus, sabe que ele mesmo é uma farsa, um morto espiritual secreto. E agora ouve que não pode fazer nada a respeito, sendo que tudo o que sempre soube em sua vida era que podia fazer algo a respeito de qualquer coisa, até mesmo que seu relacionamento com Deus estava em suas mãos.

Então, nosso Senhor detém o pecador em seu caminho. A única coisa que o pecador pode fazer é orar como o publicano: “Senhor, tem misericórdia de mim, pecador” (Lc 18.13). Tudo o que o homem pode fazer é crer e pedir.

Por um lado, você não pode fazer nada a respeito de sua salvação, é uma obra soberana de Deus, mas, por outro, você é responsável pela sua fé ou incredulidade. Como vimos em outro sermão, há duas verdades aqui: a responsabilidade do homem e a soberania de Deus. Elas correm em paralelo e só podem ser conciliadas em Deus, nossas mentes finitas não podem compreender.

Portanto, a mensagem para o pecador é: você não pode fazer nada para obter a sua salvação. Você não pode contribuir para ela, mas precisa crer no que Deus fez para providenciá-la, crer no que Deus fez em Cristo para oferecer a salvação como um dom da graça. Você precisa orar como o publicano: “Senhor, tem misericórdia de mim, pecador” (Lc 18.13).

Com isso em mente, vamos prosseguir de onde paramos no último sermão:

João 3
11 Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho.
12 Se, tratando de coisas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?
13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem [que está no céu].
14 E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15 para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
20 Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras.
21 Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.

O foco desses versículos desvia-se de Nicodemos e centra-se no sermão de Jesus sobre o verdadeiro significado da salvação. A palavra-chave nesses versículos é “crer”, usada sete vezes. O novo nascimento deve ser apropriado por um ato de fé.

Enquanto os versículos 1 a 10 centram-se na iniciativa divina na salvação, os versículos 11 a 21 enfatizam a reação humana à obra de Deus na regeneração. A seção dos versículos 11 a 21 pode ser dividida em três partes: 1) o problema da incredulidade (vs. 11-12); 2) a resposta à incredulidade (vs. 13-17); e 3) Jesus condena a incredulidade (vs. 18-21).

O problema da incredulidade

João 3
11 Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho

Jesus usa pela terceira vez, no capítulo 3 de João, a expressão “em verdade, em verdade”. Esta expressão traduzida do grego é uma fórmula de solenidade e autoridade máxima. Ela serve para confirmar a infalibilidade do que está sendo dito, indicando que o ensino é uma verdade divina absoluta. Ao repetir “em verdade” (dupla afirmação), Jesus, como Filho de Deus, sublinha que suas palavras não são apenas opinião, mas uma certeza vinda diretamente do Céu.

Jesus usou o pronome “nós” para falar de si mesmo. Alguns pensam que ele está incluindo todos os outros que pregariam essa mensagem, mas é uma declaração tão singular que acho melhor vê-la simplesmente como um “nós” editorial, algo muito comum em todas as línguas do mundo.

Às vezes, quando você se refere a si mesmo, evita dizer “eu” e diz: “bem, nós cremos”, e você entende que isso se refere a você, mas há uma verdade além de você, representada por isso, que também é crida por outros. Então, nosso Senhor usa o “nós” editorial. “Dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto”, ou seja, ele está dizendo: “Estou falando com vocês o que sei eternamente”.

Mas ele diz: “não aceitais o nosso testemunho”. Chocante! Ele está se referindo aos fariseus, os líderes de Israel, à nação e o mundo. João escreveu: “o Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.10-11).

Ele quis dizer: “Eu vim a vocês com a verdade, a verdade eterna que sempre conheci, a verdade que procede de mim como o Filho eterno de Deus. Eu lhes dei essa verdade, mas vocês recusaram”.

Temos aqui a representação de uma conversa que pode ser lida em poucos minutos, mas que provavelmente durou horas durante a noite, enquanto Nicodemos e Jesus conversavam. Nicodemos, o mestre em Israel, tão eminente, talentoso e habilidoso, acabara de conversar com o mestre perfeito, o próprio Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, o Messias.

Jesus havia lhe dito a verdade de que a salvação não é uma questão de obras, mas de uma questão de um milagre divino que Deus realiza independentemente do pecador. Não foi algo que ele aprendeu de alguém há algum tempo, mas algo que ele sabe desde a eternidade, e estava transmitindo com toda sua autoridade divina. Mais adiante ele disse: “Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai” (Jo 8.38).

Onde está Nicodemos depois do que acabou de ouvir? Ele era um descrente e não conseguiu entender. Foi um golpe forte contra toda sua estrutura religiosa. Jesus virou sua teologia de cabeça para baixo. Tudo o que ele conhecia eram obras, legalismo e autojustiça pelo seu próprio esforço.

Todas as religiões do mundo são assim, inclusive o judaísmo apóstata. E o que Jesus lhe disse foi simplesmente devastador. Como vimos no sermão anterior, futuramente Nicodemos iria experimentar essa obra milagrosa de Deus, o que lhe custaria toda sua reputação religiosa, riqueza, posição social etc., mas faria dele uma das ovelhas do reino de Deus. Mas, neste momento, quando ele procurou Jesus, ele ainda estava na condição de cego espiritual, imaginando que poderia impressionar a Deus com seus esforços humanos.

Entrar no reino sem que o homem tenha que fazer sua parte era algo inconcebível para ele. Jesus já havia dito a Nicodemos: “Tu és mestre em Israel, e não compreende isso?”(Jo 3.10). Ele era um homem de grande prestígio, reverenciado e respeitado, por isso que ele chegou ao Sinédrio. Mas Jesus não o trata dessa maneira, ele diz aos religiosos que estavam ali:

João 3
12 Se, tratando de coisas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?

Jesus focou na ideia de que a descrença é a causa da ignorância. No fundo, o fato de Nicodemos não compreender as palavras de jesus, centrava-se não tanto no seu intelecto, mas em não crer no testemunho de Jesus. Em outras palavras, Jesus quis dizer:

O nascimento acontece na Terra, não acontece no céu. É uma ilustração terrena simples, e vocês não entendem, não aceitam e não acreditam. Como vocês acreditariam se eu abandonasse a analogia terrena e começasse a falar sobre a Trindade? Sobre a predestinação eterna? Sobre a relação do Pai com o Filho e o papel do Filho na expiação para propiciar e satisfazer a Deus? Como posso lhes falar sobre toda a gama de glórias que estão ligadas à obra de Deus na salvação? Como posso explicar toda essa teologia celestial se vocês não conseguem nem acreditar em uma simples ilustração terrena?

A incredulidade produz ignorância. Se você quer ouvir interpretações ignorantes da Bíblia, ouça os incrédulos. Eles distorcem as Escrituras constantemente. Eu nunca espero ouvir um incrédulo interpretar a Bíblia corretamente. E muitos seminários estão cheios deles. A incredulidade aprisiona a pessoa na ignorância. Paulo escreveu: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14).

E assim vemos a passagem começar com esse confronto realmente surpreendente entre a condição do coração de Nicodemos e a condição universal de todo coração incrédulo: aprisionado e prisioneiro das trevas espirituais, da ignorância espiritual.

A resposta à incredulidade

Então, qual é a solução? O confronto com a incredulidade leva à exaltação da fé, e a partir do versículo 13 o Senhor diz:

João 3
13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem [que está no céu].
14 E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15 para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.

Nicodemos estava preso na incredulidade e duplamente preso nas trevas e na ignorância. O que ele podia fazer? Sua religião de obras e moralidade não poderia contribuir em nada para a sua entrada no reino. O que o pecador pode fazer? Crer. Isso basta.

Jesus disse que “ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem” (v.13). Essas palavras de Jesus contradiz quaisquer sistemas religiosos que dizem receber revelação especial de Deus. Jesus insistiu que ninguém subiu ao céu de maneira tal a retornar e falar sobre coisas espirituais. Somente ele teve sua residência permanente no céu antes de sua encarnação e, por isso, somente ele tem o verdadeiro conhecimento a respeito da sabedoria celeste.

A única pessoa que desceu do céu com a verdade sobre a salvação foi Jesus. Todas as outras religiões não procedem de Deus, pois contradizem o ensino de Jesus Cristo. Todo sistema religioso é terreno, demoníaco. Só existe um evangelho celestial, uma única mensagem celestial que veio do céu, e essa mensagem é de Jesus. Em outras palavra, Jesus quis dizer:

Eu sou o único que desceu do céu. E a mensagem que trago é que a salvação é uma obra de Deus na qual vocês não participam. É um dom que Deus concede segundo a Sua vontade, e tudo o que vocês podem fazer é recebê-lo crendo. Essa é a verdade. E eu sou o único que desceu do céu com a verdade.

Jesus se refere a si mesmo diversas vezes com a mesma expressão:

Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou (Jo 6.38).

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. (Jo 6.51).

Replicou-lhes Jesus: Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou (Jo 8.42).

Sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus (Jo 13.3).

Vim do Pai e entrei no mundo; todavia, deixo o mundo e vou para o Pai (Jo 16.28).

E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo (Jo 17.5).

Jesus é a única fonte celestial da verdade celestial. E a mensagem é que a salvação é somente pela fé. Ele desceu e trouxe essas duas verdades paralelas: a salvação é um milagre divino, um novo nascimento, nascer do alto, e a salvação é recebida pelo pecador que crê.

Ele é o Filho do Homem, um título messiânico (Dn 7.13); o profeta prometido, sobre quem Moisés escreveu (At 3.16-26); o Messias prometido (Jo 1.41; Mt 1.16; Mc 8.29; Jo 4.25-26). Cristo é o equivalente grego para a palavra hebraica traduzida como Messias.

Nicodemos estava conversando com o Deus eterno encarnado, com um ser celestial, com o Filho eterno de Deus. E o Filho eterno de Deus está dizendo: “Não acredite em nada além disto, porque ninguém jamais subiu ao céu e trouxe a verdade. Eu vim do céu com a verdade”.  E foi isso que os apóstolos pregraram. Eles ouviram o evangelho do Verbo Eterno, e pregaram sobre a verdade suprema revelada. É por isso que Paulo, Pedro e João escreveram:

O evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens, porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo (Gl 1.11-12).

Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (2Pe 1.16-17).

O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada, o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo (1Jo 1.1-3).

Qualquer outro evangelho que não se conforma com a sãs palavras de Jesus Cristo produz condenação. Esse falso evangelho dá origem aos falsos sistemas religiosos, que são obra de Satanás, que se disfarça de anjo de luz (2Co 14-15). Ele são uma combinação de ideias humanas e sedução demoníaca. O evangelho de Jesus Cristo, em toda a sua riqueza, com todos os seus elementos, é a única mensagem que desceu do céu.

Jesus é o único que desceu do céu, o Filho eterno de Deus, Senhor dos Senhores, a segunda pessoa da Trindade, a fonte da verdade. Ele mesmo é a verdade, o caminho, a ressurreição e a vida, a luz do mundo, o pão da vida que desceu do céu, a pedra angular, o bom pastor que deu sua vida pela suas ovelhas. Pedro declarou perante as autoridades, os anciãos e os escribas:

Tomai conhecimento, vós todos e todo o povo de Israel, de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós. Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (At 4.10-12).

João 3
14 E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15 para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.

Em Números 21, os filhos de Israel, em sua desobediência, foram punidos por Deus. Então Deus enviou serpentes para mordê-los. E eles foram mordidos com esse veneno tóxico e mortal e entraram em pânico. Clamaram a Deus, e o que Deus fez? Deus, em Sua compaixão e misericórdia, disse: “Peguem uma haste, coloquem uma serpente de bronze na haste, e qualquer pessoa que olhar para a haste, eu providenciarei cura imediata”.

Deus usou este acontecimento como uma analogia, uma ilustração. Da mesma forma que os filhos de Israel, carregando o veneno mortal da mordida dessa serpente, puderam ser libertados da morte olhando para uma serpente de bronze erguida no deserto; assim também os pecadores, que carregam o veneno da serpente e o pecado que ela perpetrou contra a raça humana, podem ser libertados da morte olhando para o Salvador crucificado.

Assim como Moisés levantou a serpente na haste para que todos os que olhassem para ela vivessem fisicamente, assim aqueles que olham para Cristo, que foi “levantado” na cruz, viverão espiritual e eternamente. Jesus disse que em sua morte ele seria exaltado. Seu sacrifício e a ressurreição são o meio definitivo pelo qual o homem caído é resgatado da morte espiritual e da condenação eterna.

Mas isso vai além de simplesmente ser exaltado em sua morte. Significa dedicar-Lhe toda a sua atenção. Elevá-Lo acima de todos os outros, acima de tudo, como o preeminente, e olhar para ele com fé, e somente para ele em busca de salvação.

Os judeus mordidos foram curados do veneno com um olhar de fé. Eles precisavam crer. Eles pensaram: “Vou até onde está a serpente erguida e vou olhar para ela”. E, se fizessem isso, seriam curados. Assim também, tudo o que Deus nos pede é que olhemos para o seu Filho, que o exaltemos.

Os judeus mordidos não precisaram fazer nada. Não havia obras. Nada a expiar. Nenhuma restituição, nada. Bastava olhar e teriam vida. Que bela analogia! E eu sei que, quando aconteceu, estava nos planos de Deus que fosse a analogia da simplicidade da salvação pela fé: Cristo exaltado; olhamos para Ele e isso basta, temos vida.

E aqui está o cerne da mensagem celestial que Jesus trouxe: “Para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.” (Jo 3.15). Isso é tudo o que o pecador pode fazer: Crer — esse é o coração do evangelho. Vamos prosseguir no próximo sermão. Inclinem-se comigo em oração.

Senhor, estamos tão maravilhados com a majestade das Escrituras, com a sua maravilha, tão gratos pela graça que nos dá, sabendo que tudo o que precisa ser feito é feito por Ti. Tu providenciaste o sacrifício. Tu nos dás o poder, a vontade. Tu realizas a obra. Tu nos dás a vida do céu, do alto, pelo Espírito. Tu nos regeneras. Tudo é obra Tua, e a Ti é dada toda a glória.

E a única coisa que podemos fazer, a única coisa, é erguer os nossos olhos para ver Jesus acima de todos os outros — o único Salvador, morrendo na cruz, pendurado ali por nós, carregando em Seu corpo os nossos pecados, e crendo nele temos a vida eterna. Que dádiva maravilhosa! Essa vida eterna nos liberta da ignorância e a verdade se torna clara para nós, e o que antes era loucura se torna uma verdade alegre e evidente.

Pai, desperta os corações! Chama os pecadores à fé, para que desviem o olhar de religiões humanas ou líderes religiosos, e elevem os olhos somente a Cristo, olhando para Ele com fé como Salvador e Senhor, e recebam a vida eterna.

Pai, pedimos agora que nos confie a verdade e que possamos expressá-la nesta semana, comunicando o que aprendemos para que possamos conhecê-la ainda mais profundamente por tê-la compartilhado, e para que ela seja útil na vida de outros. Conceda-nos essa oportunidade, oramos, e abençoe cada alma aqui presente. Que cada um olhe para Cristo e encontre nele a vida eterna. Amém.


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura. 


Este texto é uma síntese do sermão “Simply Believe ”, de John MacArthur, em 24/02/2013.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/43-16/simply-believe

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

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