Quem é Jesus (Parte 1)

Em Joao 5.17-20 apresenta duas extraordinárias declarações de Jesus acerca de sua divindade. Diante dos líderes judeus que o perseguiam por curar no sábado, Cristo afirma sua igualdade com o Pai tanto em natureza quanto em obras, revelando a perfeita unidade existente entre eles. Reconhecer Jesus como o Deus eterno encarnado não é uma questão secundária, mas o fundamento da fé cristã e a verdade da qual dependem a salvação, a adoração e a vida eterna.

Prosseguindo no Evangelho de João, vamos começar a olhar agora para João 5.17-47. Vamos iniciar a passagem que pode ser o Santo dos Santos do Evangelho de João. Toda essa longa seção é um único discurso da própria boca do Senhor Jesus Cristo. Ele está falando aos líderes religiosos de Israel, que João os designa como “os judeus”.

Eles querem matá-lo, consideram-no um blasfemo da pior espécie. Estão convencidos de que Jesus é uma ameaça à sua religião apóstata. Jesus já havia atacado o Templo com tamanha paixão que o evacuou sozinho no auge da celebração da Páscoa (Jo 2.13-25). Foi assim que Jesus iniciou o seu ministério.

Os líderes religiosos o ouviram atacar repetidamente a hipocrisia de sua falsa religião. Viram-no demonstrar nada além de desprezo por suas tradições e acréscimos às Escrituras. Eles consideram Jesus como um perigoso inimigo. E agora, em João 5.17-47, Jesus fala diretamente com eles, e se declara como o Messias, o Deus eterno encarnado.

João fornece várias provas da divindade de Jesus Cristo, tais como os testemunhos do Pai, do Espírito Santo, das Escrituras, de João Batista, dos discípulos, de suas palavras, obras, milagres e autoridade. Mas agora João relata o próprio Jesus falando diretamente, e de forma cristalina, de sua identidade divina.

O coração e a alma da fé cristã e do evangelho é uma visão correta de Jesus Cristo. Qualquer pensamento que não o vê como o Deus eterno encarnado é falso. E foi exatamente por essa verdade que os líderes de Israel o rejeitaram e o odiaram. Suas declarações sobre sua divindade foram consideradas blasfêmias dignas de morte.

Ao longo de toda a história, e até hoje, os falsos eruditos e os céticos têm mantido ataques contra a identidade de Jesus Cristo. E isso acontece até mesmo dentro do que é chamado de cristianismo. O testemunho do Evangelho de João visa dissipar qualquer dúvida sobre quem Jesus é. Ele definiu muito bem a motivação para escrever seu evangelho: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).

Portanto, a questão de quem é Jesus Cristo é a mais importante. O Espírito Santo e os primeiros discípulos declararam que Jesus é o Filho de Deus (1.32-34,49). João Batista declarou que Jesus é o Cordeiro de Deus, o Messias, o Salvador (Jo 1.18,29-31). Sua autoridade sobre o Templo foi uma declaração de sua divindade (Jo 2.15-22). O fato de ele saber o que as pessoas pensam (Jo 2.23-25) e conhecer a história delas, mesmo sem nunca as ter encontrado (Jo 4.18-19,29), demonstram sua divina onisciência.

Em João 5.1-16 temos o registro de um dos milagres mais importantes que Jesus realizou. Aparentemente, esse milagre não levou à salvação do paralítico, embora ele estivesse nessa condição há 38 anos. Jesus realizou esse milagre propositalmente no sábado. Ele declarou sua divindade dizendo que é o Senhor do sábado, ou seja, como Deus, ele legisla sobre o sábado. (Mt 12.8; Mc 2.27-28). Ele não tinha interesse nas tradições judaicas sobre o sábado. E então, “os judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas no sábado” (Jo 5.16).

Ele poderia ter conversado com eles sobre o verdadeiro propósito do sábado. Ele poderia ter conversado sobre o paralítico curado carregando a cama e sobre o que deveria ser feito no sábado. Mas Jesus transformou tudo em uma discussão sobre quem ele é. No meio da hostilidade, ele fez a maior e mais extensa declaração de sua divindade.

Essa primeira seção de João 5.17-47, os versículos 17 a 24, é uma porção profunda, rica e complexa, que responde à pergunta: “Quem é Jesus Cristo?”. Os líderes judeus já haviam formado sua opinião: chamaram Jesus de samaritano (Jo 8:48), endemoninhado (Jo 8.48,52; 10.20), insano (Jo 10.20) e até insinuaram que fosse ilegítimo (Jo 8.41). Eles concluíram que seus atos eram realizados pelo poder de Satanás (Mt 12.24; Mc 3.22; Lc 11.15). Finalmente, perseguiram-no como blasfemo, porque compreenderam perfeitamente sua afirmação: ao chamar Deus de seu próprio Pai, Jesus estava se igualando a Deus.

Não existe uma posição intermediária. Se a afirmação de Jesus é verdadeira, ele é Deus; se é falsa, ele é o maior enganador, alguém que fundamentou toda a sua mensagem em uma mentira colossal. Não se pode reduzi-lo a um bom mestre, a um exemplo espiritual ou a alguém conveniente. Ele afirmou ser Deus, e rejeitar sua divindade significa rejeitar as Escrituras e demolir o próprio cristianismo. A escolha precisa ser feita com base na verdade e no testemunho que ele mesmo apresenta, confirmado por muitas outras testemunhas.

Ao longo de seu ministério, Jesus sustentou essa afirmação diante dos inimigos (Jo 5.17-18; 8.56-59), dos discípulos (Jo 14.7-11) e até mesmo em sua oração ao Pai (Jo 17.1-5). Assumiu prerrogativas pertencentes exclusivamente a Deus: declarou ter autoridade sobre o destino eterno das pessoas (Jo 5.21-29; 10.27-28), sobre a Lei divina (Mt 5.21-22,27-28; Mc 2.27-28), o perdão dos pecados (Mc 2.5-12), as orações (Jo 14.13-14), os anjos (Mt 13.41; 24.31) e o Reino de Deus (Lc 22.29-30; Jo 18.36). Reivindicou o direito de ser honrado (Jo 5.23), glorificado (Jo 17.5), adorado (Mt 14.33; 28.9,17) e obedecido (Jo 14.15,21). Aceitou os títulos de Filho de Deus (Jo 10.36; 11.27), Filho do Homem (Mc 14.61-62 – cf. Dn 7.13-14), Messias (Jo 4.25-26), Rei (Jo 18.37) e tomou para si o nome sagrado de Deus: “EU SOU” (Jo 8.58; 13.19 – cf. Ex 3.14).

Todas essas linhas de testemunho convergem para uma verdade incontestável: Jesus não afirmou ser outro Deus, mas ser um com o único Deus verdadeiro. “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30); “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9). Essa é uma verdade trinitária que ultrapassa a capacidade da razão humana, mas permanece claramente ensinada nas Escrituras. Seus discípulos e apóstolos, embora judeus monoteístas, reconheceram sua afirmação como verdadeira, e essa mesma convicção permanece no coração de seus verdadeiros seguidores. Negá-la é rejeitar o Jesus das Escrituras e tornar impossível a salvação.

O discurso iniciado em João 5.17 nasce da defesa do que Jesus fez no sábado, mas se transforma numa declaração majestosa de sua identidade. A cura provocou ódio e perseguição, que cresceriam até sua morte na cruz; contudo, Jesus não tentou suavizar suas palavras nem diminuir a gravidade de sua afirmação. Ele veio para morrer e sabia exatamente para onde aquele confronto o levaria. Diante de líderes hipócritas, apóstatas e pertencentes ao reino das trevas, apresentou o testemunho de sua própria boca. No fim, é isso que condena o ser humano: sua recusa em aceitar Cristo por quem ele verdadeiramente é.

Agora, quero que vocês observem os versículos 16 a 24, de João 5, como um todo. Neles, nosso Senhor afirma ser Deus de cinco maneiras: 1) igual ao Pai em natureza; 2) igual ao Pai em obras; 3) igual ao Pai em poder; 4) igual ao Pai em autoridade; 5)  igual ao Pai em honra e adoração.

João 5
16 E os judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas no sábado.
17 Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
18 Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
19 Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz.
20 Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis.
21 Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer.
22 E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento,
23 para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou.
24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

Os líderes religiosos entenderam exatamente o que ele estava dizendo e consideraram suas palavras uma blasfêmia além da blasfêmia. Aqui se traça a linha divisória em relação a Jesus: ou ele é um mentiroso, um enganador mortal, ou é quem afirmou ser — Deus. Essas são as opções, não há outras.

1ª afirmação de Jesus sobre sua divindade: possui a mesma essência e natureza do Pai

João 5
17 Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
18 Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.

Ele disse: “meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho”. É uma declaração simples, mas profundamente significativa. Os rabinos discutiam se Deus cumpria a Lei e, naturalmente, concluíam que sim, pois a Lei era dele. Mas isso criava um problema: se Deus descansava completamente no sábado, como diziam compreender Gênesis 2.2, então quem sustentava o universo? Se Deus nada fizesse cada vez que chegasse o sábado, tudo entraria em colapso.

Os judeus haviam criado 39 categorias de restrições para o sábado e, percebendo que o sol continuava nascendo, o vento soprando, a chuva caindo e a vida prosseguindo, inventaram formas de acomodar Deus dentro de suas regras. Diziam que ele poderia trabalhar, desde que fosse um trabalho leve, sem carregar nada acima dos ombros. Também permitiam que algo fosse transportado dentro de uma casa, mas não de uma casa para outra; como o universo inteiro seria a casa de Deus, ele jamais sairia dela. Essa era a estupidez a que haviam chegado tentando colocar Deus dentro de seu sistema.

Jesus desmonta todo esse discurso ridículo ao declarar: “Meu Pai está trabalhando até agora”. Deus nunca para, nunca diminui o ritmo e nunca reduz seus esforços. Ele trabalha continuamente, com a mesma intensidade, sustentando o mundo físico, mantendo tudo em órbita e governando toda a criação. Nunca deixa de julgar com justiça, nem de abençoar com misericórdia, graça e amor. Como diz Isaías 40.28, ele jamais se cansa ou se fatiga, porque sua energia não vem de qualquer fonte exterior: é eterna, inesgotável e infinita.

Mas havia outra coisa ainda mais perturbadora para aqueles homens: Jesus disse “Meu Pai”. Embora os judeus reconhecessem Deus como Pai da nação, nenhum deles ousaria chamá-lo de Pai pessoal dessa maneira tão íntima. Na linguagem deles, pai e filho compartilhavam a mesma natureza; portanto, ao dizer “meu Pai”, Jesus reivindicava para si a própria natureza de Deus. Ele não evitou essa conclusão nem suavizou suas palavras: aquele que possui a mesma natureza que eu trabalha continuamente.

Então vem o corolário chocante: “E eu também trabalho”. Jesus coloca sua obra no mesmo nível da obra de Deus. Em sua humanidade, submeteu-se à Lei; mas, em sua divindade, jamais deixou de trabalhar. João declara que ele criou o universo (Jo 1.1-3), e Hebreus afirma que ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3). Ali estava Jesus, diante daqueles homens, falando com eles e, ao mesmo tempo, sustentando todo o universo. O sábado não interrompe a obra de Deus nem a obra divina de Cristo. Ele possui a mesma natureza e a mesma essência do Pai; é o Senhor do sábado, aquele que criou o sábado para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2.27).

Ora, os judeus sabiam exatamente o que Jesus estava dizendo. Ao declarar que trabalhava continuamente como o Pai, ele reivindicava o mesmo padrão de atuação do Deus eterno. Por isso, conforme o versículo 18, “procuravam ainda mais matá-lo: não apenas porque, segundo suas regras, violava o sábado, mas porque chamava Deus de seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”. A frase “Meu Pai” afirmava uma natureza compartilhada, uma igualdade de essência que, para eles, constituía a mais extrema blasfêmia.

Na linguagem judaica, chamar alguém de filho significava atribuir-lhe a mesma natureza: os perversos eram chamados de “filhos de Belial” (Dt 13:13; Jz 19:22; 1Sm 2:12), e os impetuosos, de “filhos do trovão” (Mc 3:17; cf. Lc 9:54). Assim, quando Jesus chamou Deus de seu Pai, aqueles homens compreenderam que ele afirmava possuir a própria natureza divina. Não era somente uma discussão sobre o sábado. Jesus dizia que ele e Deus atuavam da mesma maneira, e essa declaração traçou a linha que conduziria, progressivamente, à decisão de matá-lo.

Esse propósito aparece repetidamente no Evangelho de João. No capítulo 7, Jesus evita andar pela Judeia porque os judeus procuram matá-lo; no capítulo 8, afirma que querem matá-lo porque sua Palavra não encontra lugar neles. Então faz a declaração suprema: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58). Eles entendem novamente e pegam pedras. Finalmente, no capítulo 11, todas as forças religiosas se unem e conspiram para matá-lo. A acusação central permanece a mesma: Ele reivindicava a natureza do próprio Deus.

2ª afirmação de Jesus sobre sua divindade: é igual ao Pai em obras

João 5
19 Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz.
20 Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis.

Jesus não diminui a tensão; Ele inflama ainda mais a fúria deles ao afirmar, nos versículos 19 e 20, que é igual a Deus também em obras. “Em verdade, em verdade”, diz Ele — verdade destemida e resoluta chegando àqueles que eram cativos do erro. “O Filho nada pode fazer de si mesmo, a menos que veja o Pai fazer.” Isso não significa fraqueza ou incapacidade; significa que o Filho jamais atua independentemente do Pai. Não existe separação, conflito ou divergência entre suas ações.

O Filho faz tudo o que o Pai faz e o faz exatamente da mesma maneira. Essa afirmação demonstra a impecabilidade de Cristo: Ele não pode pecar porque somente faz o que vê o Pai fazer, e o Pai não pode praticar o mal. Jesus sempre faz o que agrada a Deus e age exatamente conforme o Pai. Ver Jesus em ação é ver Deus em ação. Acusar Jesus de pecado é acusar Deus de pecado; acusá-lo de violar o sábado é acusar Deus; chamá-lo de blasfemo é chamar o próprio Deus de blasfemo.

Jesus não é outro Deus; Ele é um com o Pai. Tudo o que o Pai faz, o Filho também faz. O Pai ama o Filho e lhe mostra todas as coisas; assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho dá vida a quem quer; e o Pai confiou todo o julgamento ao Filho (Jo 5.20-22). Cristo realiza as obras divinas, possui o poder da vida e exerce o julgamento, tudo fundamentado no mesmo amor infinito e eterno. Essa linguagem funcional revela a realidade de seu ser: Ele faz como Deus porque é um com Deus em natureza, essência e obras.

Então, no versículo 19, Jesus os surpreende novamente: Ele não é apenas um com o Pai em essência e natureza, mas faz exatamente o que o Pai faz. Não pode agir independentemente, fazer algo errado ou pecar; suas obras são as obras que o Pai deseja e realiza. Ao acusarem Jesus, aqueles homens estavam acusando o próprio Deus. Quão longe de Deus eles estavam! Imaginando defendê-lo enquanto condenavam aquele que fazia perfeitamente a sua vontade!

O versículo 20 apresenta a maravilhosa razão dessa unidade: “Porque o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que faz”. Alguém poderia imaginar que o Filho vê apenas uma parte das obras do Pai, que seu conhecimento é limitado ou que não compreende o quadro completo. Mas não. O Pai mostra ao Filho tudo o que ele mesmo faz. Não existe conhecimento no Pai que esteja oculto ao Filho; não há segredos entre eles.

Durante a encarnação, Cristo restringiu voluntariamente o uso de seus atributos divinos em submissão ao Pai, mas jamais os abandonou, pois, se o fizesse, deixaria de ser Deus (Fp 2.5-11). Em sua pessoa divina, possui a plenitude do conhecimento, da sabedoria e dos atributos de Deus. Foi do agrado do Pai que toda a plenitude habitasse nele (Cl 1.19), e nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade (Cl 2.9). Tudo o que Deus é está presente em Cristo.

Em Cristo também estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3). O Pai possui toda a sabedoria; o Filho possui toda a sabedoria. O Pai não retém nada do Filho, embora muito do que existe em Cristo permaneça oculto para nós, porque não somos divinos. O Filho não possui menos conhecimento, menos poder ou uma obra inferior à do Pai. Essa união perfeita e eterna é sustentada pelo amor infinito que existe entre eles.

E aqui chegamos a uma verdade impressionante: no centro da obra da redenção não está, em primeiro lugar, o amor de Deus por nós, pelo mundo ou pelos pecadores. No centro da redenção está o amor do Pai pelo Filho (Jo 3.35; 5.20; 17.24,26) e o amor do Filho pelo Pai (Jo 14.31). Jesus morreu por nós, certamente (Rm 5.8; Gl 2.20; 1Pe 3.18); mas, em sentido primário, foi à cruz em amor e obediência ao Pai (Jo 10.17-18; 14.31; Fp 2.8). O Pai enviou o Filho porque amava o mundo (Jo 3.16; 1Jo 4.9-10), e nessa missão também manifestou seu eterno amor pelo Filho, entregando-lhe todas as coisas e conduzindo-o à glória (Jo 3.35; 5.20-23; 17.5,24).

O propósito da criação, da história e da redenção é que o Pai reúna uma noiva e a entregue ao Filho como expressão de seu amor (Jo 3.29; Ef 5.31-32; Ap 19.7). É por isso que Jesus chama os crentes de aqueles que o Pai lhe deu (Jo 17). Cada pessoa redimida é um presente de amor do Pai para o Filho. O amor perfeito não pode deixar de dar, e um amor infinito oferece um presente correspondente: uma humanidade redimida, reunida eternamente no céu para louvar, servir e glorificar o Filho.

Quando essa humanidade estiver finalmente reunida, o Filho a devolverá ao Pai, para que Deus seja tudo em todos (1Co 15;28). Estamos envolvidos nesse relacionamento eterno de amor: o Pai envia o Filho para dar-lhe o presente de uma humanidade redimida, e o Filho vai à cruz para devolver esse presente ao Pai. Deus poderia ter permanecido eternamente em sua existência trinitária sem criar coisa alguma; contudo, decidiu manifestar sua graça e misericórdia. Assim, estaremos para sempre no céu como presentes do Pai ao Filho e do Filho ao Pai, envolvidos no amor infinito e transcendente do Deus triúno.

E então Jesus conclui dizendo: “Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis” (5.20). Ou seja: “vocês viram algumas das evidências do amor do Pai, as obras que eu fiz, os milagres que eu realizei, evidências de onisciência e onipotência. Mas isso não é tudo. O Pai tem mais que ele compartilhará comigo, obras maiores, e vocês se maravilharão”.

Quais são essas obras maiores? Elas estão listadas nos versículos 21 e 22: poder da vida e da ressurreição; autoridade para julgar. O Pai concede ao Filho o poder de dar vida e o poder de proferir o juízo final. Essas são as obras maravilhosas. Elas convergem nos versículos 24 a 29 na ressurreição para a vida e do juízo justo e eterno

Portanto, o Senhor Jesus é um com o Pai em natureza e em obra. Ele faz exatamente o que o Pai faz. Essa é a visão de Cristo que você precisa ter. Muitos o reduzem a nada mais do que um homem bondoso e generoso. Esse não é o Jesus segundo as Escrituras, precisamos crer em Cristo tal como ele é, o Verbo Eterno encarnado, Senhor, Rei e Redentor.

Vimos agora que Jesus é igual ao Pai em natureza e em obras. Na próxima vez, veremos que ele é igual ao Pai em poder, em autoridade e em honra. Vamos orar juntos.

Pai, reconhecemos e mostramos tuas realidades transcendentes. Estamos falando de Ti, o Deus eterno, transcendente, glorioso e trinitário. Fizemos o nosso melhor para compreender estas verdades. Sabemos que até mesmo os hipócritas religiosos, incrédulos, hostis e odiosos, entenderam o que Jesus estava afirmando. Quanto mais nós entendemos? Eles se ressentiram. Nós o acolhemos. Eles o rejeitaram. Nós cremos. Eles foram condenados pela sua incredulidade e nós fomos salvos pela nossa fé.

E agradecemos-Te por nos teres trazido à compreensão destas verdades, não apenas para as compreendermos – até os seus inimigos o fizeram –, mas para crermos, as acolhermos e nos alegrarmos nelas. Obrigado por tudo o que Cristo é. E que possamos, como lemos anteriormente em Pedro, viver para honrar o seu glorioso nome através do nosso comportamento, manifestando as excelências da sua glória.

Pai, foi uma grande bênção estarmos juntos hoje, ouvindo a Tua Palavra ser lida e sendo revelada ao meu próprio coração. Sentimos como se estivéssemos à beira de um vasto oceano de realidade espiritual que não conseguimos compreender. Saímos daqui com um pequeno balde cheio, mas é o melhor que podemos fazer. Embora não possamos compreender tudo, cremos, e crendo, temos vida.

Obrigado por esse dom. Abençoe esta verdade em nossos corações, que ela nos dê conforto e encorajamento, que aumente nossa adoração e nosso amor pelo Salvador e que nos capacite a dar um testemunho eficaz dele àqueles que precisam conhecê-Lo. E oramos para que o Senhor realize a Tua obra de salvação nos corações, ainda hoje, em nome de Cristo.


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura. 


Este texto é uma síntese do sermão “The Most Startling Claim Ever Made, Part 1”, de John MacArthur, em 30/6/2013.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/43-26/the-most-startling-claim-ever-made-part-1

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

Compartilhe

You may also like...

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.