O Fim do Pecado e dos Pecadores
Você já se perguntou por que Deus permite que o mal continue avançando? Vemos a injustiça, a mentira e a ganância prosperarem, e a pergunta surge: até quando, Senhor? As primeiras visões de Zacarias anunciavam restauração, mas uma dúvida permanecia: o que Deus faria com o pecado que ainda estava entre seu povo? Em Zacarias 5, o Senhor responde por meio de duas visões: o rolo voante e a mulher dentro do efa. A mensagem é clara: Deus cumprirá suas promessas e também executará seu juízo. Ele julgará o pecador, removerá o pecado e dará fim ao sistema de impiedade. O aparente silêncio de Deus não deve ser confundido com tolerância ao pecado, precisamos buscar hoje a salvação que Ele nos oferece em Jesus Cristo.
Ao chegarmos ao quinto capítulo de Zacarias, poderíamos intitulá-lo “A remoção final do pecado e dos pecadores”, pois é disso que trata. Temos aqui a sexta e a sétima visão do profeta Zacarias. Já vimos as cinco primeiras visões nos sermões anteriores, agora prosseguiremos. Permitam-me começar com uma breve introdução.
Deus é santo. O Salmo 99.9 nos chama a adorá-lo por sua santidade, e o Salmo 5:4 declara: “Porque tu não és um Deus que se agrada da impiedade, nem o mal habitará contigo”. Ele examina os homens, ama a justiça e se volta contra os que praticam o mal (Sl 11.4-7; 34.15-16). Por isso, Pedro também nos exorta: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1:15-16).
Mas essa verdade levanta uma pergunta: se Deus é santo e odeia o pecado, por que os ímpios parecem prosperar? Habacuque conhecia o caráter de Deus. Sabia que seus olhos eram puros demais para contemplar o mal. Mesmo assim, perguntou por que o Senhor permanecia em silêncio enquanto o perverso devorava alguém mais justo do que ele (Hc 1.12–13). Em outras palavras: “Deus, minha teologia me diz que o Senhor não aprova o pecado. Mas aquilo que estou vendo me faz perguntar: por que os pecadores se dão tão bem?”.
É uma pergunta que continua sendo feita. O salmista perguntou por que Deus parecia distante enquanto o ímpio perseguia o pobre (Sl 10.1-2). Asafe confessou ter invejado a prosperidade dos perversos (Sl 73.3). Jeremias também quis saber: “Por que prospera o caminho dos ímpios?” (Jr 12.1).
Até os mártires em Apocalipse clamam: “Até quando, Senhor, santo e verdadeiro?”, aguardando que seu sangue seja julgado e vingado (Ap 6.9-10). Observe: eles reconhecem a santidade de Deus. A pergunta é: “até quando? Quando o Senhor acertará as coisas?”
Deus não ficará em silêncio
A resposta da Bíblia é que Deus agirá. “O nosso Deus virá e não se calará”, anuncia o Salmo 50,3. Mais adiante, o Senhor repreende aqueles que confundiram seu silêncio com aprovação: “Tu fizeste estas coisas, e eu me calei. Pensavas que eu era totalmente igual a ti” (Sl 50.21). Você pensou que Deus simplesmente deixaria tudo passar? Ele diz que não. Seu silêncio não durará para sempre (Sl 50.21–22).
O Salmo 97 descreve fogo diante dele, a terra tremendo e os montes se derretendo como cera. Justiça e juízo são a base do seu trono (Sl 97.1-6). Pedro também anuncia o dia em que os elementos se desfarão pelo calor (2Pe 3.10-12).
Isaías apresenta a mesma certeza: depois de muito tempo em silêncio, o Senhor sairá como guerreiro e prevalecerá contra seus inimigos (Is 42.13-15). Ele denuncia a idolatria e a falsa piedade do povo e declara que não se calará, mas retribuirá suas iniquidades (Is 65.2-7). São palavras severas. Mas Deus é tão sério quando fala de julgamento quanto quando fala de graça.
Você pergunta: “Quando isso acontecerá?”. Quando Jesus vier estabelecer seu reino, julgará as nações (Mt 25.31-46). Governará com cetro de ferro, e seus santos reinarão com Ele durante mil anos (Ap 19.15; 20.4-6). Ao final, haverá o julgamento do grande trono branco (Ap 20.11-15).
Deus julgará na vinda de Cristo, durante o reino e ao final dele. Ele acertará as coisas. Até lá, porém, o mal continuará avançando. Os homens maus e enganadores irão de mal a pior (2Tm 3.13). O mistério da iniquidade já opera, e haverá apostasia e a manifestação do homem da iniquidade, a quem Jesus destruirá na sua vinda (2Ts 2.3-9). Apocalipse descreve juízos terríveis e homens que, mesmo assim, não se arrependem (Ap 9.1-21). É difícil admitir, mas, antes de melhorar, vai piorar. Então Jesus virá e julgará.
O consolo de Israel e a questão do pecado
Este é o assunto de Zacarias 5. Vamos analisá-lo. Até aqui, em Zacarias 1 a 4, vimos cinco das oito visões. Seu propósito era consolar Israel, e as cinco primeiras foram maravilhosamente consoladoras.
A pergunta natural de um judeu temente a Deus seria: “É maravilhoso ouvir que o Senhor restaurará Jerusalém, reconstruirá o templo, trará o Messias e purificará seu povo. Mas e quanto aos pecadores? Que lugar terão nessa restauração?”.
A preocupação era com o pecado dentro da própria nação. O povo havia voltado do cativeiro, e a rebeldia que trouxera aquele julgamento causara sofrimento a todos (2Cr 36.14-21). Era compreensível que perguntassem: “E os que continuam no pecado? O que acontecerá com eles?”. A resposta é que Deus lidará com eles no seu tempo. E cuidado ao questionar esse tempo: estamos tratando não apenas de sua soberania, mas também de sua graça. O Senhor é paciente e não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento (2Pe 3.9).
As primeiras visões ofereciam consolo imediato: o templo seria reconstruído sob Zorobabel, e Jerusalém voltaria a experimentar restauração (Zc 1.16-17; 4.6-10). Mais tarde, seus muros também seriam reconstruídos (Ne 6.15-16).
Mas Zacarias olhava muito além daqueles dias. Anunciava uma Jerusalém sem muros, tendo o Senhor como proteção e glória em seu meio (Zc 2.4-5). Anunciava também a purificação do povo, representada pela retirada das vestes sujas de Josué, o sumo sacerdote (Zc 3.1-5,9). Tudo isso era maravilhoso. Mas Deus precisava lidar com o pecado.
A restauração inclui julgamento
É isso que encontramos nas duas visões do capítulo 5: o rolo voante e a mulher dentro do efa (Zc 5:1–11). Deus julgará a transgressão e removerá a perversidade.
Baron resume a mensagem dizendo que a iniquidade precisa ser erradicada da cidade de Deus. Quando o pecador se apega ao pecado e não se separa dele, torna-se alvo do juízo divino. Essas visões nos lembram da gravidade do pecado, daquilo que Paulo descreve como sua extrema malignidade (Rm 7.13). Deus não o tratará como algo pequeno.
Antes de prosseguirmos, uma observação. Ironside destaca que, à medida que avançamos nas visões, recebemos menos explicações. As primeiras fornecem a base para compreender as seguintes. Portanto, vamos construir sobre o que já aprendemos. Deus prometeu restaurar, purificar e habitar entre seu povo. Agora veremos que essa restauração também exige julgamento. Deus consolará seu povo. Mas também lidará com o pecado.
1) O primeiro aspecto do julgamento de Deus: O julgamento de sobre o pecador (Zc 5.1-4) – Sexta visão de Zacarias
Zacarias 5
1 Tornei a levantar os olhos e vi, e eis um rolo voante.
2 Perguntou-me o anjo: Que vês? Eu respondi: vejo um rolo voante, que tem vinte côvados de comprimento e dez de largura.
3 Então, me disse: Esta é a maldição que sai pela face de toda a terra, porque qualquer que furtar será expulso segundo a maldição, e qualquer que jurar falsamente será expulso também segundo a mesma.
4 Fá-la-ei sair, diz o Senhor dos Exércitos, e a farei entrar na casa do ladrão e na casa do que jurar falsamente pelo meu nome; nela, pernoitará e consumirá a sua madeira e as suas pedras.
Aqui vemos Deus agindo contra os pecadores e purificando a terra para o estabelecimento do seu reino. É a escuridão antes do amanhecer. Zacarias levanta os olhos e vê um rolo voando, com vinte côvados de comprimento e dez de largura, aproximadamente nove metros por quatro metros e meio. O anjo explica que aquele rolo representa a maldição que se estende sobre toda a terra, alcançando tanto o ladrão quanto aquele que jura falsamente pelo nome do Senhor.
Observe a força dessa descrição: a maldição entra na casa do transgressor, permanece ali e a consome, juntamente com suas madeiras e pedras. É uma imagem de devastação completa. O pecador não pode se esconder do julgamento de Deus.
1.1 O critério para o julgamento de Deus (Zc 5.1-2)
O profeta vê um rolo voando. Um rolo era feito de papiro ou de couro, e seu conteúdo era lido à medida que ele era desenrolado. Mas este era extraordinário: suas grandes dimensões tornam a mensagem visível, e seu movimento indica que a maldição está em ação. O rolo tem o mesmo tamanho do Lugar Santo do tabernáculo (Êxodo 26:15-30, 33). Isso serve para mostrar que o julgamento vem de Deus e segue o padrão de santidade dele. Em resumo: o critério de avaliação é de Deus
Zacarias menciona um lado e o outro do rolo ao descrever a condenação dos transgressores (Zc 5.3). Isso nos lembra as tábuas da Lei, escritas de ambos os lados (Êx 32.15). Mais uma vez, a visão nos remete àquilo que Deus revelou como seu padrão. Todo julgamento vem do coração de Deus e reflete a sua perfeita santidade. Os critérios que medem a nossa vida pertencem unicamente a Deus.
E quais pecados são mencionados? O furto e o juramento falso. Ambos violam mandamentos expressos do Senhor (Êx 20.7,15; Lv 19.11-12) e apontam para as duas grandes responsabilidades resumidas por Jesus: amar a Deus e amar o próximo (Mt 22.37-40). Quem jura falsamente pelo nome de Deus desonra o Senhor; quem furta prejudica o próximo. O pecador, portanto, é confrontado com a Palavra que transgrediu, tanto em sua relação com Deus quanto em sua relação com as pessoas.
Entende o ponto? Deus não julga segundo os critérios mutáveis dos homens. Sua Palavra revela a verdade e expõe o coração. Ela é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, discernindo os pensamentos e as intenções humanas (Hb 4.12).
Paulo afirma que aquele que condena nos outros os pecados que também pratica é indesculpável. Em seguida, declara que o juízo de Deus é segundo a verdade (Rm 2.1-2). Isso não significa que as obras sejam ignoradas, pois Deus retribuirá a cada um segundo o seu procedimento (Rm 2.6). Significa que seu julgamento é verdadeiro e justo. E onde encontramos essa verdade? Jesus responde: “A tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).
O próprio Senhor declara que quem ouve a sua palavra e crê naquele que o enviou tem a vida eterna e não entra em condenação, mas passou da morte para a vida (Jo 5.24). E adverte que a palavra por ele anunciada julgará, no último dia, aquele que o rejeita (Jo 12.48).
Portanto, o critério para o julgamento de Deus é a sua Palavra. Os homens serão confrontados com a verdade que ele revelou. A grande questão é como respondem a essa Palavra e ao Salvador que ela anuncia, pois somente em Jesus Cristo há salvação (At 4.12).
1.2 A completude do julgamento de Deus (Zc 5.3)
Zc 5
3 Então, me disse: Esta é a maldição que sai pela face de toda a terra, porque qualquer que furtar será expulso segundo a maldição, e qualquer que jurar falsamente será expulso também segundo a mesma.
Observe o versículo 3: “Esta é a maldição que sai pela face de toda a terra” (Zc 5.3). Alguns entendem que essa expressão se refere apenas à terra de Israel. Outros compreendem que ela alcança o mundo inteiro, e creio que essa interpretação expressa melhor a amplitude da visão. O julgamento divino alcançará tanto judeus quanto gentios (Rm 2.9-11).
A maldição anuncia a punição daqueles que desafiam a lei de Deus. O rolo, portanto, representa a sentença divina contra o pecado. Encontramos uma imagem semelhante em Ezequiel: um rolo escrito dos dois lados, contendo lamentações, suspiros e ais (Ez 2.9-10).
Em Apocalipse, o Cordeiro toma o livro da mão daquele que está assentado no trono e abre seus selos, dando início a uma sequência de julgamentos (Ap 5.1-9; 6.1-17). Depois, vemos os juízos das trombetas e das taças (Ap 8.6–9.21; 11.15-19; 16.1-21). Essas imagens reforçam a seriedade da mensagem: Deus não deixará o pecado sem resposta.
O julgamento é abrangente. As Escrituras apresentam o julgamento das nações na vinda do Filho do Homem, o governo do Messias com cetro de ferro e o grande trono branco (Mt 25.31-46; Ap 19.15; 20.11-15). O Senhor estabelecerá a justiça, e a maldade não ficará impune.
Agora, observe os dois pecados mencionados na visão: furtar e jurar falsamente pelo nome de Deus (Zc 5.3-4). Por que destacar esses dois? Como já falei, um atinge o próximo; o outro afronta diretamente o Senhor. Ambos violam mandamentos expressos da Lei e representam essas duas dimensões da desobediência humana (Ex 20.7,15; Lv 19.12; cf. Mt 22.37-40). Não estamos diante de uma condenação restrita a dois atos isolados. A visão confronta o homem com sua responsabilidade diante de Deus e das pessoas.
E quem poderia permanecer de pé diante desse padrão? Você poderia? Eu poderia? Você já mentiu? Eu já. Já cobiçou? Eu também. Todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). E quem guarda toda a Lei, mas tropeça em um só ponto, torna-se culpado de todos (Tg 2.10).
Mas aqui está a nossa esperança: somos salvos pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo (Ef 2.8-9). Fomos justificados pelo seu sangue e, por meio dele, seremos salvos da ira (Rm 5.9). Por isso, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). Quem rejeita o Filho, porém, permanece sob condenação (Jo 3.18,36).
Por fim, observe a força do versículo 4: a maldição entra na casa do transgressor e a consome, juntamente com suas madeiras e pedras (Zc 5.4). A imagem comunica a completude do julgamento. Nenhum esconderijo poderá proteger o pecador da sentença de Deus.
O critério é a Palavra de Deus; a abrangência alcança todos os transgressores; e a completude mostra que o pecado não ficará impune. Nossa esperança está em Jesus, que nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se maldição em nosso lugar (Gl 3.13).
1.3) A certeza do julgamento de Deus (Zc 5.4)
Zacarias 5
4 Fá-la-ei sair, diz o Senhor dos Exércitos, e a farei entrar na casa do ladrão e na casa do que jurar falsamente pelo meu nome; nela, pernoitará e consumirá a sua madeira e as suas pedras.
Se alguém ainda duvida, o próprio Deus garante o cumprimento da sentença. Quem anuncia esse julgamento é o Senhor dos Exércitos, e ninguém poderá impedir sua execução. A maldição entrará na casa do ladrão e na casa daquele que jurar falsamente no nome do Senhor. E ali permanecerá e consumirá a casa, juntamente com suas madeiras e pedras.
Observe: ela entra, permanece e consome. O julgamento é completo e certo. Apocalipse apresenta uma cena terrível: os homens clamam aos montes e às rochas que caiam sobre eles e os escondam da face daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro. E perguntam: “Quem é que pode suster-se?” (Ap 6.15-17). Quando chegar o dia da ira, ninguém poderá escapar por suas próprias forças.
Hoje, Deus manifesta sua paciência enquanto o evangelho é anunciado. Sua aparente demora não significa indiferença diante do pecado, mas oportunidade para o arrependimento (Rm 2.4-5; 2Pe 3.9). Esse tempo, porém, não durará para sempre. Deus estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo (At 17.30-31).
Na vinda do Senhor, os ímpios enfrentarão seu juízo, e o Messias governará as nações com cetro de ferro (Mt 25.31-46; Ap 19.15). Seu reino será marcado pela justiça, e a rebelião não ficará impune (Is 11.4-5). Até mesmo a revolta final, depois do milênio, será definitivamente vencida (Ap 20.7-10).
Escute: o juízo que o pecador experimenta nesta vida não esgota a realidade do julgamento futuro. Judas recorda a profecia de Enoque: o Senhor vem com suas santas miríades para exercer juízo contra todos e condenar os ímpios por suas obras e pelas palavras que proferiram contra ele (Jd 1.14-15).
Em resumo: a sexta visão de Zacarias trata do julgamento de Deus sobre o próprio pecador. Seu critério é a Palavra de Deus; sua abrangência alcança os transgressores; e sua certeza repousa na declaração do Senhor: “Eu a farei sair” (Zc 5.4).
2) O segundo aspecto do julgamento de Deus: o julgamento sobre o pecado (Zc 5.5-11) – sétima visão de Zacarias
A sétima visão destaca o julgamento de Deus sobre a própria maldade, à qual o pecador está ligado. A visão se relaciona com a realidade dos judeus após o exílio e, na interpretação milenar aqui adotada, aponta para o julgamento do sistema mundial de impiedade nos últimos dias.
2.1) O materialismo após o exílio
Os judeus haviam retornado da Babilônia, mas ainda precisavam abandonar a ganância e o egoísmo. Neemias denunciou a exploração econômica entre o povo, enquanto Malaquias condenou a infidelidade nos dízimos e nas ofertas (Ne 5.1-13; Ml 3.8-9).
A restauração exterior precisava ser acompanhada de uma transformação interior. Esse contexto ajuda a compreender a visão: a maldade também se manifesta no uso das riquezas, na exploração do próximo e na busca de prosperidade sem submissão a Deus.
2.2) O efa e a mulher: a maldade representada
Zacarias 5
5 Saiu o anjo que falava comigo e me disse: Levanta, agora, os olhos e vê que é isto que sai.
6 Eu perguntei: que é isto? Ele me respondeu: É um efa que sai. Disse ainda: Isto é a iniquidade em toda a terra.
7 Eis que foi levantada a tampa de chumbo, e uma mulher estava sentada dentro do efa.
8 Prosseguiu o anjo: Isto é a impiedade. E a lançou para o fundo do efa, sobre cuja boca pôs o peso de chumbo.
O anjo manda Zacarias levantar os olhos. O profeta vê um efa, recipiente usado como medida de cereais e associado às atividades comerciais (Zc 5.5-6). Sua presença sugere a dimensão econômica da maldade: o comércio e as riquezas transformados em instrumentos de ganância.
Quando a tampa de chumbo é levantada, aparece uma mulher sentada dentro do recipiente. O anjo declara: “Isto é a impiedade” e lançou a mulher de volta ao efa e fecha sua abertura com o peso de chumbo (Zc 5.7-8). A mulher personifica a maldade, enquanto a tampa evidencia que ela está sujeita ao controle divino. Deus conhece o pecado, limita sua atuação e determina seu destino.
2.3) O julgamento da riqueza injusta
Tiago apresenta uma denúncia semelhante ao condenar os ricos que acumulam tesouros, retêm fraudulentamente o salário dos trabalhadores e vivem em luxo à custa da injustiça. O clamor dos explorados chega aos ouvidos do Senhor dos Exércitos, e as riquezas acumuladas tornam-se testemunhas contra seus possuidores (Tg 5.1-6). O alvo dessa condenação é a riqueza associada à fraude, à opressão e à satisfação egoísta. A prosperidade não oferece proteção diante do juízo de Deus.
2.4) Babilônia e o sistema mundial de impiedade
Zacarias 5
9 Levantei os olhos e vi, e eis que saíram duas mulheres; havia vento em suas asas, que eram como de cegonha; e levantaram o efa entre a terra e o céu.
10 Então, perguntei ao anjo que falava comigo: para onde levam elas o efa?
11 Respondeu-me: Para edificarem àquela mulher uma casa na terra de Sinar, e, estando esta acabada, ela será posta ali em seu próprio lugar.
Ao final da visão, o efa é transportado para a terra de Sinar, região associada à Babilônia, onde lhe será preparada uma casa (Zc 5.9-11; Gn 10.10; 11.1-9).Esse destino estabelece uma ligação com a Babilônia descrita em Apocalipse.
João apresenta Babilônia como um sistema que envolve as nações, seduz os governantes e enriquece os comerciantes por meio de seu luxo (Ap 18.2-3). Suas mercadorias revelam a extensão dessa riqueza, incluindo até o comércio de seres humanos (Ap 18.11-13). Entretanto, seu poder é passageiro. Deus a julga, e os que lucraram com ela lamentam a destruição de tamanha riqueza (Ap 18.8-19).
A visão de Zacarias anuncia, portanto, que a maldade não permanecerá para sempre entre o povo de Deus. O Senhor a identifica, contém e remove. Seu cumprimento final aponta para o julgamento do sistema de impiedade que faz das riquezas um ídolo e da exploração um meio de prosperidade.
Você diz: “Só há uma parte confusa nessa história: aquela mulher. O que ela está fazendo ali?” Ela está sentada no meio do efa, e o anjo declara: “Isto é a impiedade” (Zc 5.8). É simplesmente o seguinte: o efa representa o sistema, a economia, o materialismo; a mulher simboliza a maldade disso tudo.
Não sei como dizer isso delicadamente, mas a figura da mulher é usada nas Escrituras para representar o mal religioso. Antes que você se assuste, porém, lembre-se de que a igreja também é apresentada como a noiva de Cristo (2Co 11.2). A falsa religião, por sua vez, é retratada como uma prostituta. Vemos isso em Apocalipse 17, onde o falso sistema religioso é chamado de Babilônia, a mãe das prostitutas (Ap 17.1-5).
Assim, toda a Babilônia eclesiástica e econômica, toda a falsa religião e toda a economia materialista serão colocadas no mesmo cesto. Deus fechará a tampa de chumbo e agirá em julgamento. Ele julgará o pecador e o pecado.
E, quando Deus cuidar do pecado, ele estará resolvido, não é? Ao fim do reino, entraremos no novo céu e na nova terra, onde nunca mais haverá pecado (Ap 20.7–21.4). Não será maravilhoso? E o mais incrível é que você e eu poderemos estar lá, purificados, sem contaminar coisa alguma.
3) O terceiro aspecto do julgamento de Deus: o julgamento sobre o sistema do pecado (Zc 5.5-11) – sétima visão de Zacarias
Por fim, vemos o julgamento de Deus sobre o sistema do pecado. Zacarias 5.9 diz: “Levantei os olhos e vi…”. Depois do impacto da visão, Zacarias olha novamente e vê duas mulheres com asas como as de cegonha. O vento estava em suas asas, e elas levantaram o efa entre a terra e o céu (Zc 5.9). De repente, aquelas mulheres carregam pelos ares o recipiente com toda a maldade nele contida.
Zacarias pergunta ao anjo: “Para onde levam elas o efa?” E ele responde que vão construir uma casa para ele na terra de Sinar, onde será estabelecido sobre sua própria base (Zc 5.10-11). Vocês sabem o que é Sinar? É a região da Babilônia (Gn 10.10). Zacarias viu, lá atrás, a forma final desse sistema babilônico, como também vemos em Apocalipse 17 e 18.
Alguém pergunta: “Quem são essas mulheres? São anjos bons ou maus?” Minha convicção é que representam demônios. Os anjos santos não são apresentados nas Escrituras como mulheres.Essas mulheres estão associadas àquela que representa a maldade: transportam o efa e, aparentemente, participam do estabelecimento do sistema babilônico.
Além disso, a cegonha é uma ave impura segundo a Lei, e não creio que Deus usaria essa figura para simbolizar um anjo santo (Lv 11.19; Dt 14.18). Também sabemos que espíritos malignos atuarão na organização da rebelião final contra Deus (Ap 16.13-16). Por isso, entendo que essas duas figuras representam agentes demoníacos levando o efa para Babilônia.
A Babilônia nos faz lembrar de Babel, onde os homens se uniram para desafiar a Deus (Gn 11.1-9). E é em Babilônia que vemos a expressão final desse sistema de rebelião. Alguns acreditam que a cidade literal será reconstruída. Talvez. Não sei. Mas a questão aqui é o restabelecimento de uma mentalidade babilônica mundial: contrária a Deus, marcada pela falsa religião, pelo materialismo e pelo egoísmo.
Esse sistema será estabelecido sobre sua base, mas Deus virá em julgamento. A maldição anunciada na visão anterior também o alcançará (Zc 5.1-4). E veremos mais sobre o julgamento divino no capítulo 6. Escute: Deus julgará o pecado e o eliminará. Julgará os pecadores individualmente. Julgará também o sistema maligno em sua forma final, durante a tribulação. Então Cristo governará com vara de ferro (Ap 19.11-16). Quando isso acontecerá? Quando Jesus voltar.
Você diz: “Bem, talvez ainda tenhamos muito tempo. Quando Jesus voltará?” Ele mesmo responde: “À hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá” (Mt 24.44). E, quando vier, será tarde demais para muitos. “Então, o que fazemos?” Lembre-se do último capítulo de Malaquias: vem o dia ardendo como fornalha, quando os soberbos e os que praticam a impiedade serão como palha. O Senhor dos Exércitos os julgará, sem lhes deixar raiz nem ramo (Ml 4.1).
Esse dia é inevitável. Deus não ficará em silêncio nem permitirá que os ímpios prosperem para sempre. Mas ouçam a promessa: “Para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas” (Ml 4.2). É uma grande promessa, não é? Antes disso, o Senhor declara que os que lhe pertencem serão seu tesouro particular. Ele os poupará como um pai poupa o filho que o serve. Então ficará clara a diferença entre o justo e o ímpio, entre quem serve a Deus e quem não o serve (Ml 3.17-18).
Só existem duas possibilidades: ou você serve a Deus ou não. Se você o serve, é porque ama Jesus Cristo e recebeu sua salvação. Se não recebeu a Cristo, permanece sujeito ao julgamento de Deus. Paulo escreve: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gl 3.10). Isso inclui você? Você sempre obedeceu a todos os mandamentos? Se não, está debaixo da maldição da Lei.
Você pergunta: “Qual é a minha esperança?” O versículo seguinte responde: “O justo viverá pela fé” (Gl 3.11). Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós (Gl 3.13). Se depositarmos nossa fé em sua obra perfeita, temos esta promessa: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Se recusarmos a Cristo, porém, permaneceremos sujeitos ao julgamento. Por isso, faço o mesmo apelo de Paulo: “Reconciliai-vos com Deus” (2Co 5.20). Vamos orar.
Pai nosso, estamos profundamente divididos, assim como o apóstolo João quando comeu o pequeno livro: doce na boca, mas amargo no estômago (Ap 10.9-10. Quando falamos do dia em que Jesus virá, há doçura, porque Ele merece reinar. Por muito tempo, tem sido blasfemado, e os crimes contra Ele têm permanecido impunes. É doce saber que receberá o que é seu por direito. É doce porque o amamos. Mas também há amargura. É doloroso saber que, para estabelecer seu reino, Ele expulsará os rebeldes de Israel, como diz Ezequiel, e julgará os rebeldes do mundo (Ez 20.38; Mt 25.31-46).
Pai, nossa oração nesta noite, por aqueles que estão aqui e por todos os que ouvirem esta mensagem, é que venham a Jesus Cristo com fé simples. Que creiam naquele que morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação (Rm 4.25). Que se submetam a Ele como Rei, Senhor e Salvador e passem da condenação para a bênção eterna (Jo 5.24). Para esse fim oramos, para a glória de Jesus Cristo. Amém.
Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o livro de Zacarias.
Clique aqui e leia outros sermãos traduzidos do livro do profeta Zacarias.
Este texto é uma síntese do sermão “The End of Sinners and Sin”, de John MacArthur, em 3/4/1977.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/2160/the-end-of-sinners-and-sin
Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno





















