A Futura Glória de Jerusalém

Jerusalém viu impérios surgirem e desaparecerem, foi destruída, reconstruída e disputada ao longo dos séculos. Mas sua história ainda não chegou ao capítulo final. Em sua terceira visão, Zacarias contempla a gloriosa promessa de Deus para a cidade escolhida: um tempo em que o próprio Senhor habitará no meio dela, será sua proteção e a encherá de paz, justiça e glória. Uma mensagem de esperança que revela não apenas o futuro de Jerusalém, mas a fidelidade de Deus em cumprir cada uma de suas promessas

Introdução

Chegamos agora ao segundo capítulo de Zacarias, e o assunto em questão é a futura glória da cidade de Jerusalém. Deus tem um plano maravilhoso para a cidade de Jerusalém. O salmista escreveu: “o Senhor escolheu a Sião, preferiu-a por sua morada” (Sl 132.13). Jerusalém é frequentemente chamada de Sião porque Sião é uma montanha proeminente na extremidade sul da cidade.

Os exilados na Babilônia jamais esqueceram sua amada Jerusalém. Longe de sua terra, lembravam-se dela com profunda saudade e entoavam os cânticos de Sião em meio à tristeza do cativeiro. O Salmo 137 registra esse sentimento:

Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha? Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Que me grude a língua ao céu da boca, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria (Sl 137.1-6).

Ao longo das Escrituras, Jerusalém é retratada como objeto de profundo afeto. Davi a descreveu como “a alegria de toda a terra”, a cidade do grande Rei, onde Deus se faz conhecido como fortaleza (Sl 48.2-3). Os salmistas oravam por sua restauração e prosperidade, pois ela representava a habitação de Deus entre o seu povo. “Tu te levantarás e terás piedade de Sião”, escreveu o salmista, acrescentando que os servos de Deus amavam até mesmo suas pedras e tinham compaixão do seu pó (Sl 102.13-14).

Esse amor por Jerusalém atravessou gerações. Muitos judeus conservaram uma profunda ligação com a cidade ao longo da história. Davi exortou: “Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam” (Sl 122.6). Seu interesse pela cidade não era meramente nacional ou sentimental, mas espiritual, pois ali estava a casa do Senhor, o lugar que simbolizava a presença de Deus entre o seu povo.

O livro de Neemias oferece uma das mais marcantes demonstrações desse amor. Ao receber notícias de que Jerusalém permanecia em ruínas, com seus muros derrubados e seus portões queimados, Neemias foi profundamente abalado. Ele relata: “Assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Ne 1.4). Seu coração estava quebrantado pela condição da cidade de seus pais.

Mais tarde, servindo como copeiro do rei Artaxerxes, Neemias não conseguiu esconder sua tristeza. Quando o rei lhe perguntou a razão de seu semblante abatido, ele respondeu: “Como não estaria triste o meu rosto, se a cidade onde estão os sepulcros de meus pais está assolada, e as suas portas consumidas pelo fogo?” (Ne 2.3). Neemias expressa o sentimento que caracterizou tantos homens piedosos ao longo da história de Israel: um amor profundo por Jerusalém, porque ela estava inseparavelmente ligada à glória de Deus.

A história de Jerusalém

A aproximadamente 22 Km a oeste do Mar Morto e 50 Km a leste do Mediterrâneo, erguida sobre um planalto rochoso, cerca de 750 metros acima do nível do mar, encontra-se Jerusalém. Naturalmente fortificada e abastecida pela Fonte de Giom, a cidade desfrutava de uma posição privilegiada. Isolada das principais rotas comerciais, rios e mares, não costumava atrair o trânsito de grandes exércitos. Contudo, não foi por razões geográficas ou estratégicas que ela se tornou singular, mas porque Deus a escolheu para ser sua santa habitação. Por isso, Jerusalém ocupa um lugar central tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

A primeira menção da cidade nas Escrituras ocorre em Gênesis 14, onde aparece como Salém, governada por Melquisedeque, rei e sacerdote do Deus Altíssimo. Muitos associam seu nome à palavra hebraica “shalom” (paz). Cerca de 600 anos depois, Jerusalém reaparece como uma fortaleza cananeia, . Em Josué 10, durante a conquista de Canaã, a cidade entra novamente em cena; e, em Josué 15, seu território é incluído na herança da tribo de Judá.

Embora pertencesse oficialmente a Judá, Jerusalém permaneceu nas mãos dos jebuseus até aproximadamente 1003 a.C., quando Davi a conquistou e a transformou em sua capital (2Sm 5.6-10; 1Cr 11.4-9). A partir de então, passou a ser conhecida como a Cidade de Davi. Contudo, foi sob o reinado de Salomão que Jerusalém alcançou seu maior esplendor. Os muros foram ampliados, magníficos edifícios foram erguidos e o templo foi construído, tornando a cidade o centro espiritual e político de Israel (2Cr 3-7).

Após a morte de Salomão, porém, iniciou-se um período de declínio. Em 586 a.C., Nabucodonosor destruiu Jerusalém e levou seu povo ao exílio (2Cr 36. 11-21). Mais tarde, Neemias retornou para reconstruir seus muros (Ne 3), mas a cidade jamais recuperou completamente a glória dos dias de Salomão. Em 70 d.C., os romanos a devastaram novamente, cumprindo as profecias de julgamento pronunciadas por Cristo (Mt 24.1-2; Mc 13.1-2; Lc 21. 5-6). Poucas décadas depois, em 132 d.C., o imperador Adriano esmagou o que ainda restava da antiga cidade judaica.

Ao longo dos séculos, Jerusalém permaneceu no centro de disputas entre impérios, religiões e nações. Muçulmanos, cristãos, turcos e diversos governantes lutaram por seu controle. Entretanto, um dos acontecimentos mais notáveis da história moderna foi o restabelecimento do Estado de Israel no século XX. Enquanto povos antigos como os jebuseus, amorreus, heveus, moabitas e edomitas desapareceram da história, Israel permanece, preservado pela providência divina e novamente estabelecido em sua terra.

O futuro de Jerusalém

Desde os dias de Melquisedeque até os tempos modernos, Jerusalém atravessa os séculos como nenhuma outra cidade. Ela foi a cidade de Melquisedeque, de Davi, dos profetas, de Cristo e dos apóstolos. Impérios surgiram e desapareceram, mas Jerusalém permaneceu. E, segundo as promessas das Escrituras, chegará o dia em que ela será novamente a cidade do grande Filho de Davi, o Senhor Jesus Cristo, que reinará para sempre.

O capítulo final da história de Jerusalém ainda não foi escrito. Seu Rei definitivo ainda não chegou, mas ele virá. Há quase dois mil anos, os judeus se dirigem ao Muro das Lamentações para orar pela paz de Jerusalém e suplicar a Deus que envie o Libertador prometido. Se fosse possível ler os pequenos bilhetes colocados entre as pedras daquele muro, muitos deles certamente expressariam o mesmo clamor: “Ó Deus, traze paz a Jerusalém.”

E Deus responderá a essa oração. Jerusalém não foi apenas o centro da história da redenção; ela será também o centro da consumação da redenção nos planos eternos de Deus. A cidade continuará sendo a habitação do Senhor e a capital do reino vindouro. Assim como Melquisedeque foi seu primeiro rei mencionado nas Escrituras, o último Rei será o grande Filho de Davi, o Senhor Jesus Cristo.

Até esse dia, porém, Jerusalém continuará sendo palco de conflitos. Daniel profetizou que haveria guerra na cidade até o fim (Dn 9.24-26). Ela jamais conhecerá a verdadeira paz até a chegada do Príncipe da Paz. Haverá uma paz temporária e enganosa promovida pelo Anticristo, mas não a paz duradoura prometida por Deus. Antes da restauração final, o mundo testemunhará o maior conflito de toda a história humana: a batalha do Armagedom. O vale de Megido, tantas vezes palco de guerras ao longo dos séculos, será o cenário do confronto culminante das nações contra Deus (Ap 16.12-16).

No desfecho dessa terrível batalha, o Senhor Jesus Cristo retornará em glória. O Apocalipse revela que as nações reunidas para a guerra se voltarão contra Ele, mas serão instantaneamente derrotadas pelo poder do Rei dos reis (Ap 19.11-21). Então Cristo estabelecerá seu reino glorioso sobre a terra (Ap 20.1-6). Nesse dia, Jerusalém será exaltada e ocupará o lugar que Deus sempre determinou para ela. As palavras de Isaías finalmente se cumprirão:

Regozijem‑se com Jerusalém e alegrem‑se por ela, todos vocês que a amam; regozijem‑se muito com ela, todos vocês que por ela pranteiam. Pois vocês irão mamar e saciar‑se nos seus seios reconfortantes; beberão à vontade e se deleitarão na sua fartura. Pois assim diz o Senhor: “Estenderei para ela a paz como um rio, e a riqueza das nações, como uma corrente avassaladora; vocês serão amamentados nos braços dela e acalentados nos seus joelhos. Como a mãe consola o filho, assim eu os consolarei; em Jerusalém vocês serão consolados”. Quando vocês virem isso, o seu coração se regozijará, e vocês florescerão como a relva; a mão do Senhor estará com os seus servos, mas a sua ira será contra os seus adversários (Is 66.10-14).

Os profetas contemplaram esse futuro com grande expectativa. Isaías declarou que Jerusalém seria chamada “Cidade da Justiça” e “Cidade Fiel”, redimida pelo Senhor e restaurada em retidão (Is 1.26-27). Mais adiante, no capítulo 62, ele descreve Sião como uma coroa de glória nas mãos de Deus. Nunca mais seria chamada desamparada ou desolada. Pelo contrário, seria conhecida como a cidade procurada e jamais abandonada. Deus não rejeitou Jerusalém; sua restauração está garantida pelas promessas divinas.

Entretanto, essa glória futura será precedida por uma profunda purificação espiritual. Em Isaías 4, o profeta diz que chegará o dia em que todos os que permanecerem em Jerusalém serão chamados santos, isso acontecerá quando o Senhor lavar a impureza de Sião e purificar a cidade por meio do seu juízo. Então a presença divina voltará a ser manifesta entre o seu povo, como nos dias do deserto, quando a nuvem os guiava de dia e o fogo iluminava a noite. Deus será novamente o refúgio, a proteção e a glória do Seu povo.

Jeremias anunciou que Israel serviria ao Senhor e ao Rei que Deus levantaria para governá-lo (Jr 30.7-9) — uma clara referência ao Messias. Em Ezequiel 34, o profeta declarou que Deus estabeleceria sobre seu povo um único Pastor, que os apascentaria e cuidaria deles. Esse Pastor é o próprio Senhor Jesus Cristo. Haverá restauração, purificação e renovação espiritual para a nação que hoje ainda vive em incredulidade.

Em Ezequiel 36-37, o profeta também diz que Deus reuniria Israel dentre todas as nações, trazendo-o novamente para sua terra. O povo seria reunificado, livre da idolatria e das transgressões que marcaram sua história. Deus faria com eles uma aliança eterna de paz, colocaria Seu santuário em seu meio para sempre e habitaria com eles. Então todas as nações reconheceriam que o Senhor santifica Israel e cumpre fielmente suas promessas.

Por isso, a paz de Jerusalém não é uma ilusão nem um sonho distante. Ela está assegurada pela Palavra de Deus. Isaías declarou que “o fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranquilidade e confiança para sempre. O meu povo viverá em locais pacíficos, em casas seguras, em lugares tranquilos e de descanso” (Is 32.17-18). Para quem conhece a longa história de guerras, cercos e conflitos daquela cidade, essa promessa pode parecer inacreditável. Mas o dia chegará. Jerusalém será restaurada, purificada e glorificada, porque o seu Rei virá e reinará para sempre.

Zacarias 9.10–17 descreve principalmente a futura manifestação gloriosa do Messias em sua segunda vinda, quando Jesus Cristo estabelecerá seu reino milenar sobre a terra. O Rei que entrou humildemente em Jerusalém (v. 9) retornará para exercer domínio universal a partir de Jerusalém, trazendo paz às nações e governando de mar a mar (v. 10). Em cumprimento às promessas da aliança feita com Israel, Deus reunirá e restaurará seu povo, libertando-o de seus sofrimentos e dispersão (vv. 11–12). O Senhor lutará em favor de Israel contra seus inimigos, concedendo-lhe vitória e proteção sobrenatural (vv. 13–15). Finalmente, Israel será salvo, exaltado e abençoado como o povo especial de Deus, desfrutando de prosperidade, segurança e alegria sob o reinado messiânico de Cristo no Milênio (vv. 16–17), cumprindo literalmente as promessas feitas aos patriarcas e aos profetas do Antigo Testamento.

Essa é a mensagem maravilhosa para Israel, que deveria alegrar o coração de todo judeu esperançoso. Deus ainda não terminou, a glória de Israel ainda está por vir. E esse tipo de mensagem de esperança seria emocionante para todo judeu e para todo cristão que guarda em seu coração um lugar especial por essa cidade, porque é a cidade onde nosso amado Senhor foi crucificado e ressuscitou. E essa é precisamente a mensagem que Zacarias entrega ao seu povo triste e humilhado.

A terceira visão de Zacarias

E em Zacarias, capítulo 2, a visão é para lhes contar esta maravilhosa notícia sobre Jerusalém. Eles estão em uma situação de terrível degradação, humilhação e tristeza. Os muros da cidade estão destruídos. Seu lugar, outrora glorioso, está em ruínas. Tudo o que conheciam da era de ouro de Salomão desapareceu. Estão desamparados, impotentes e amontoados, apenas uma pequena e insignificante minoria sem saber como se defender. Foram ameaçados por seus inimigos e pararam de reconstruir a cidade. Estão acuados temendo o fim.

E Zacarias traz essa terceira visão e lhes dá a mensagem de que Deus ainda tem um futuro maravilhoso para Jerusalém. E o que ele realmente está dizendo a eles é: “Sigam em frente e construam-na, o trabalho de vocês não vai perecer. Vocês fazem parte de um plano eterno.”

No primeiro capítulo do livro de Zacarias, temos as duas primeiras visões do profeta. Na primeira visão, o cavaleiro no cavalo vermelho previu esperança para o Israel oprimido. Na segunda visão, dos chifres e dos ferreiros, apresentou o fato de que as nações que triunfaram sobre Israel seriam esmagadas. E agora, no capítulo 2, a terceira visão diz: “sua esperança se realizará quando as nações forem esmagadas e Jerusalém for glorificada”.

O plano proposto

Zacarias 1
1 Tornei a levantar os olhos e vi, e eis um homem que tinha na mão um cordel de medir.

Como vimos na última vez, após cada visão naquela noite, ele abaixava a cabeça em meditação e oração. E então ele levantava os olhos novamente, talvez com o auxílio do anjo intérprete que o ajudava a compreender cada visão, e via outra.

Agora Zacarias vê um homem que tem na mão uma linha de medir. No capítulo 1, versículo 16, diz que “uma linha será estendida sobre Jerusalém”. Em outras palavras, quando a cidade for reconstruída, alguém medirá as dimensões da nova cidade. E aqui está essa visão. Ele vê um homem com uma linha de medir, um agrimensor, que está demarcando a cidade.

Quem é esse homem? Quem era o cavaleiro do cavalo vermelho (Zc 1.8)? O Anjo do Senhor ou Cristo? Quem é o último dos que martelaram o reino final (Zc 1.20-21)? É bem possível que o homem com a linha de medir seja Cristo. Não posso ser dogmático quanto a isso, e não quero que vocês pensem que essa é uma conclusão absoluta. Mas eu me inclino nessa direção com base em Ezequiel 40:

Em visões, Deus me levou à terra de Israel e me pôs sobre um monte muito alto; sobre este havia um como edifício de cidade, para o lado sul. Ele me levou para lá, e eis um homem cuja aparência era como a do bronze; estava de pé na porta e tinha na mão um cordel de linho e uma cana de medir (Ez 40.2-3).

Não há dúvida de que esse homem, na visão de Ezequiel, se trata de Cristo, do Messias, do Filho de Deus. Portanto, é muito possível que aqui na visão de Zacarias seja o mesmo, embora não queiramos afirmar de forma absoluta. Mas eu diria o seguinte: é definitivamente verdade que aquele que reconstruirá a cidade no reino será Cristo.

Zacarias 2
2 Então, perguntei: para onde vais tu? Ele me respondeu: Medir Jerusalém, para ver qual é a sua largura e qual o seu comprimento.

Quando Zacarias vê o homem com a corda de medir, surge uma pergunta natural: que Jerusalém está sendo medida? Seria a Jerusalém de seus dias? Essa interpretação apresenta algumas dificuldades. Na época da visão, por volta de 520 a.C., Jerusalém ainda estava em grande parte devastada pelo exílio babilônico. A cidade era praticamente um amontoado de ruínas, e suas muralhas sequer existiam. A reconstrução dos muros só aconteceria muitas décadas depois, sob a liderança de Neemias. Portanto, não havia uma cidade plenamente restaurada cujas dimensões precisassem ser definidas.

Além disso, como ocorre nas demais visões de Zacarias, o cenário possui um claro caráter profético e aponta para realidades futuras. Por essa razão, a melhor interpretação é entender que o homem não está medindo a Jerusalém contemporânea do profeta, mas a Jerusalém futura — a Jerusalém do Reino Messiânico. Essa compreensão também ajuda a explicar a reação de Zacarias. Se o mensageiro estivesse simplesmente medindo a cidade de seus dias, a cena seria facilmente compreendida pelo profeta. No entanto, Zacarias parece perplexo diante da visão. A razão pode ser que as dimensões da cidade que está sendo medida ultrapassam qualquer conceito que ele pudesse ter de Jerusalém naquele momento.

O homem com a corda de medir está, na verdade, delineando uma Jerusalém futura, ampliada e glorificada pela presença do próprio Senhor. Os versículos seguintes confirmam essa perspectiva ao descreverem uma cidade tão populosa que não poderá ser contida por muralhas e que terá o próprio Deus como seu muro de fogo ao redor. Assim, a visão não encontra seu cumprimento final na Jerusalém reconstruída após o exílio, mas na Jerusalém do Reino futuro de Cristo, quando Israel será plenamente restaurado, as nações se unirão ao Senhor, e Jerusalém ocupará seu lugar como centro do governo messiânico sobre a terra.

O plano predestinado

Zacarias 2
3 Eis que saiu o anjo que falava comigo, e outro anjo lhe saiu ao encontro.
4 E lhe disse: Corre, fala a este jovem: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão de homens e animais que haverá nela.

O anjo intérprete, que aparece repetidamente nas visões de Zacarias, entra novamente em cena. Diante da aparente perplexidade do profeta quanto ao significado do homem com a corda de medir, o anjo parece dirigir-se a ele para obter uma explicação. Enquanto se aproxima para compreender o propósito daquela medição, outro anjo surge repentinamente e vai ao seu encontro. A cena agora reúne quatro personagens: Zacarias, o homem com a corda de medir, o anjo intérprete e esse segundo anjo que chega trazendo uma mensagem urgente.

O segundo anjo falou ao anjo intérprete: “corra e fale com este jovem”. A ordem é clara e imediata. Antes que o anjo intérprete pudesse obter informações diretamente do homem que estava medindo a cidade, ele é interrompido e recebe instruções para retornar a Zacarias. Assim, o segundo anjo se torna o portador da revelação, enquanto o anjo intérprete assume a função de transmitir ao profeta a mensagem divina que explicará o significado da visão.

E aqui está a mensagem: “Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão de homens e animais que haverá nela”. Ou seja, “vá dizer a ele que a razão pela qual ele não consegue entender é porque será tão vasta que será como se houvesse uma cidade sem muros.” Uma cidade murada não possui grande extensão, por isso ele estava perplexo em saber que a cidade será tão grande que não haverá muros.

Imagine o conforto que isso representou quando Zacarias pregou para um grupo de pessoas amontoadas no vale de Hinom, que se perguntavam se algum dia teriam um muro. O profeta disse: “Tenho uma mensagem de Deus, e a mensagem de Deus é que um dia Jerusalém será tão grande que não haverá muros, e será habitada por uma multidão de homens e animais.

Ageu os havia incentivado a construir o templo e Zacarias os encorajava. Muitos judeus indagavam: “de que adianta construir um templo se não houver muros para protegê-lo? Precisamos construir os muros primeiro”. O povo dizia: “Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada” (Ag 1.2). A ideia de construir o templo antes dos muros não era popular.

Zacarias estava dizendo para eles cuidarem da prioridade espiritual. E, portanto, é um tremendo encorajamento para eles ouvirem a mensagem do anjo de que Jerusalém terá tanta gente que transbordará seus limites e será como uma cidade sem muros. Jerusalém se erguerá para a glória final. E Zacarias traz uma palavra do céu: “pois eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória”.

Um dia, Jerusalém será habitada como uma cidade sem muros, semelhante a uma vasta região aberta e sem limites visíveis. A palavra hebraica utilizada neste texto deriva da raiz perazah, que transmite a ideia de expansão, transbordamento e crescimento além das fronteiras estabelecidas. A visão comunica que Jerusalém não ficará confinada dentro de suas antigas muralhas, mas se expandirá extraordinariamente por causa da imensa multidão de pessoas e animais que nela habitarão (Is 49.19-20; Ez 38.11).

Isso nunca foi uma realidade. Essa profecia aponta para a Jerusalém do Reino Messiânico, quando Cristo retornar para reinar sobre a terra. Naquele tempo, a cidade experimentará uma prosperidade e um crescimento sem precedentes. Sua população será tão numerosa e sua extensão tão vasta que os limites físicos da antiga Jerusalém se tornarão insuficientes para contê-la. Ela se espalhará para além de suas fronteiras tradicionais, tornando-se o centro glorioso do governo do Messias.

Entretanto, a ausência de muros não significará vulnerabilidade. Nas cidades antigas, os muros eram essenciais para a proteção contra inimigos, mas Jerusalém não dependerá de fortificações humanas. O próprio Deus será sua defesa. Como o versículo seguinte declara, o Senhor será “um muro de fogo em redor” dela, garantindo sua segurança perfeita. Assim, a visão retrata uma Jerusalém futura marcada por expansão, prosperidade, segurança divina e pela presença gloriosa de Deus habitando no meio do Seu povo.

Satanás sabe disso. E, no início da tribulação, o homem montado no cavalo branco, com um arco sem flecha, ou seja, não virá para guerrear (Ap 6.1-2), mas fazer diplomacia para conquistar o poder, fará algum tipo de tratado de paz com Israel (Dn 9.27). O povo de Israel habitará em “aldeias sem muros” e viverá em aparente segurança e paz antes de ser atacado pela coalizão liderada por Gogue (Ez 38.1-12). Parece evidente que Israel pensará que o Anticristo será seu libertador, haverá falsa sensação de paz e segurança (1Ts 5.3).

Alguns intérpretes afirmam que a profecia de Zacarias 2.4 se cumpriu nos dias de Neemias, quando Jerusalém foi reconstruída e seus muros restaurados. No entanto, essa interpretação enfrenta sérias dificuldades. A própria situação descrita em Neemias demonstra que a cidade estava longe de transbordar seus limites ou de possuir uma população tão numerosa que tornasse os muros insuficientes.

Pelo contrário, a população era tão pequena que foi necessário lançar sortes para determinar quem deixaria suas terras e passaria a morar em Jerusalém. Neemias 11:1-2 registra que o povo precisou ser convocado e até incentivado a ocupar a cidade, evidenciando que ela estava pouco habitada. Portanto, a descrição de uma Jerusalém expandida, repleta de homens e animais e espalhando-se para além de suas fronteiras, não encontra cumprimento naquela época.

Por essa razão, a profecia parece apontar para um cumprimento futuro, associado ao reino messiânico. O quadro apresentado por Zacarias não retrata uma cidade lutando para ser povoada, mas uma Jerusalém tão próspera e populosa que ultrapassará todos os seus limites naturais. Ao interpretar as profecias, é importante não buscar correspondências superficiais em eventos históricos que apenas se assemelham parcialmente à previsão bíblica.

O profeta descreve uma realidade que se harmoniza muito mais com as promessas do reino futuro do Messias, quando Jerusalém será o centro de seu governo e experimentará uma expansão, uma glória e uma prosperidade sem precedentes. Nesse tempo, a cidade verdadeiramente transbordará de habitantes, cumprindo plenamente aquilo que Zacarias anunciou.

Em Isaías 49.19, o Senhor declara que os lugares antes desolados se tornarão pequenos demais para acomodar todos os seus habitantes. A população crescerá de tal forma que haverá necessidade de mais espaço para viver. Esse cenário aponta para uma expansão extraordinária da cidade, muito além de qualquer realidade experimentada na história de Israel. Durante o reino de Cristo, a multiplicação da população será uma das evidências visíveis da bênção divina, e Jerusalém se tornará o centro desejado de toda a terra.

A mesma promessa aparece repetidamente nos profetas. Isaías 44.26 anuncia que Jerusalém será novamente habitada e que as cidades de Judá serão reconstruídas. Jeremias 30.18-19 acrescenta que Deus restaurará seu povo, reedificará a cidade e multiplicará seus habitantes, de modo que não serão poucos nem insignificantes. Em Jeremias 31.24, encontramos uma imagem particularmente interessante: lavradores e pastores habitando juntos em Judá e em suas cidades. Essa descrição se harmoniza perfeitamente com Zacarias 2.4, onde a multidão de homens e animais ocupa a terra em tal abundância que os limites tradicionais da cidade deixam de existir.

Para os ouvintes originais de Zacarias, essa ideia era surpreendente. Eles conheciam apenas cidades cercadas por muros, claramente separadas dos campos e das áreas de pastagem. No reino futuro, porém, a expansão será tão grande que a distinção entre cidade e campo parecerá desaparecer. Pessoas e rebanhos ocuparão uma área muito mais ampla do que os antigos limites urbanos permitiam. Jeremias 31.38-40 descreve exatamente essa expansão ao mencionar a extensão das fronteiras da cidade para além de seus marcos tradicionais.

Os demais profetas reforçam o mesmo tema. Jeremias 33 retrata ruas cheias de alegria, celebração e adoração ao Senhor. Oséias 1.10 prevê uma multiplicação dos filhos de Israel tão grande que não poderá ser medida nem contada. O próprio Zacarias, em 8.4-5, descreve uma Jerusalém segura e próspera, onde idosos descansam tranquilamente nas ruas e crianças brincam livremente. Trata-se de uma cidade caracterizada por paz, segurança, longevidade e abundância, sob o governo justo do Messias.

Tudo isso prepara o caminho para a declaração culminante de Zacarias 2.5: “Eu serei para ela um muro de fogo ao redor, diz o Senhor, e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória.” A cidade não dependerá de muralhas construídas por mãos humanas, porque o próprio Deus será sua proteção. O Senhor cercará Jerusalém como um muro de fogo invencível e manifestará sua presença gloriosa em seu interior. Essa é a grande esperança do reino: uma Jerusalém expandida, povoada, segura e habitada pela própria glória de Deus.

O protetor divino

Zacarias 2
5 Pois eu lhe serei, diz o Senhor, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória.

Essa promessa nos remete aos dias do Êxodo, quando a glória de Deus habitava visivelmente no meio de Israel. Durante o dia, o Senhor guiava seu povo por meio da nuvem, e à noite essa mesma presença se manifestava como uma coluna de fogo. A glória divina desceu sobre o tabernáculo, encheu o Santo dos Santos e permaneceu entre o povo como sinal da presença, da direção e da proteção de Deus (Ex 40.34-38).

É esse mesmo Deus, a mesma Shekinah gloriosa, que em Zacarias declara: “Eu serei para ela um muro de fogo ao redor e a sua glória no meio dela” (Zc 2.5).” Jerusalém não dependerá de muralhas construídas por homens nem de recursos humanos para sua segurança, pois o próprio Senhor será sua defesa. Que promessa extraordinária! No reino do Messias, a cidade será protegida pela presença divina e iluminada pela glória de Deus, tornando-se um lugar de perfeita segurança, paz e alegria para Israel e para todos os que nela habitarem.

Em 2 Reis 6.15-17, encontramos uma ilustração impressionante dessa verdade. Quando o servo de Eliseu acordou e viu a cidade cercada pelo exército sírio, ficou apavorado e perguntou: “Ai, meu senhor! Que faremos?”. Humanamente falando, a situação parecia sem saída. Mas Eliseu respondeu com calma: “não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles”. Aos olhos naturais, aquela declaração parecia impossível, pois só havia dois homens diante de um poderoso exército inimigo.

Então Eliseu orou para que Deus abrisse os olhos de seu servo. Naquele momento, o jovem viu uma realidade invisível até então: os montes estavam cheios de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu. Deus havia cercado seu profeta com Sua proteção sobrenatural, formando uma muralha angelical de fogo que nenhum inimigo poderia atravessar. Essa cena antecipa aquilo que Zacarias anuncia sobre o futuro de Jerusalém. O Senhor será um muro de fogo ao redor da cidade e a sua glória estará no meio dela. Assim como protegeu Eliseu e seu servo, Deus protegerá Israel no reino vindouro, cercando Seu povo com Sua presença poderosa, invencível e gloriosa.

Isaías 60.18-21 descreve a glória incomparável do reino futuro: “não se ouvirá mais falar de violência na tua terra, nem de devastação ou destruição dentro dos teus limites.” Jerusalém desfrutará de uma paz perfeita, pois seus muros serão chamados salvação e suas portas, louvor. A própria presença de Deus tornará desnecessárias as fontes naturais de luz, porque “o Senhor será para ti uma luz eterna, e o teu Deus, a tua glória”. Seu povo será completamente justo, habitará a terra para sempre e refletirá a obra soberana das mãos de Deus para a sua própria glória.

Chegará o dia em que Jerusalém jamais precisará de muralhas defensivas ou exércitos protetores. A cidade será aquilo que Ezequiel chamou de Jeová-Shamah: “O Senhor está lá” (Ez 48:35). Que proteção maior poderia existir? Assim como o pastor acende uma fogueira durante a noite para afastar os predadores e guardar seu rebanho, o próprio Senhor será o fogo ao redor de Israel, sua defesa perfeita e inabalável. A glória de Deus (Shekinah) que havia saído de Jerusalém (Ez 9-11) será finalmente revertida e voltará para permanecer no meio do povo de Deus, quando o Messias estabelecer seu reino (Ez 43).

Ezequiel contemplou esse momento glorioso quando viu a glória do Deus de Israel vindo do oriente e enchendo novamente o templo (Ez 43:1-5). A terra resplandecia com sua majestade, e o profeta caiu com o rosto em terra diante daquela visão magnífica. Então Deus declarou: “Este é o lugar do meu trono e o lugar da planta dos meus pés, onde habitarei para sempre no meio dos filhos de Israel.” A presença divina retornará para nunca mais se afastar, e Israel não tornará a profanar o santo nome do Senhor. Que promessa extraordinária! O plano redentor de Deus culminará na manifestação plena de Sua glória, quando ele libertará, protegerá e habitará eternamente no meio do Seu povo.

O povo liberto

Zacarias 4
6 Eh! Eh! Fugi, agora, da terra do Norte, diz o Senhor, porque vos espalhei como os quatro ventos do céu, diz o Senhor.
7 Eh! Salva-te, ó Sião, tu que habitas com a filha da Babilônia.

Agora, espere um momento. Deus quer chamar a atenção do seu povo, e por isso diz: “Fugi da terra do norte”. A que terra ele se refere? À Babilônia. A mensagem é dirigida aos judeus que ainda permaneciam no exílio. Deus está lhes dizendo: “Jerusalém tem um futuro glorioso. Não permaneçam presos ao sistema deste mundo. Saiam da Babilônia antes que ela os absorva completamente. Voltem para a terra da promessa.”

Embora Babilônia estivesse geograficamente a Leste, todas as rotas que conduziam a Jerusalém passavam pelo Norte. Foi por esse caminho que vieram os conquistadores. Nabucodonosor chegou pelo Norte, e séculos depois Tito também avançou contra a cidade pela mesma direção. O Norte havia se tornado um símbolo da ameaça inimiga e do poder opressor de Babilônia.

Por isso, o Senhor declara no versículo 7: “Livra-te, ó Sião, tu que habitas com a filha da Babilônia.” Era um chamado urgente para abandonar o exílio e retornar à cidade de Deus. No versículo 6, Ele relembra: “Eu vos espalhei como os quatro ventos do céu.” De fato, os judeus estavam dispersos por uma vasta região, desde as áreas próximas ao rio Gozã até a Média, além de Moabe, Amom, Edom e Egito. Estavam espalhados por todos os lados. Mas Deus os convoca de volta: “Retornem. Há um futuro maravilhoso reservado para Jerusalém. Tornem a se identificar com a cidade de Deus. Saiam das nações que os conduzem à idolatria e voltem para o lugar das promessas.”

E há aqui também um vislumbre profético do futuro. Assim como Deus chamou seu povo para sair da Babilônia nos dias de Zacarias, chegará o tempo da tribulação em que Ele fará novamente esse chamado. Em Apocalipse 17 e 18, o sistema mundial rebelde é identificado como “Babilônia, a Grande, a Mãe das Prostitutas”. Quando esse sistema atingir sua expressão final, Deus convocará seu povo a separar-se dele. A mensagem permanece a mesma: “Não façam parte do sistema deste mundo.” Jerusalém possui um futuro eterno porque Deus a escolheu para manifestar sua glória. Portanto, voltem, identifiquem-se com a cidade de Deus, pois o Senhor restaurará Jerusalém e cumprirá todas as suas promessas.

Os poderes destruídos

Zacarias 2
8 Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Para obter ele a glória, enviou-me às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho.
9 Porque eis aí agitarei a mão contra eles, e eles virão a ser a presa daqueles que os serviram; assim, sabereis vós que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou.

Agora observe atentamente um dos versículos mais fascinantes desta passagem. No versículo 8 lemos: “para obter ele a glória, enviou-me às nações que vos despojaram…”. Mas surge uma pergunta inevitável: quem envia o Senhor dos Exércitos? A resposta aparece no versículo 9: “sabereis vós que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou.” Em outras palavras, o Senhor dos Exércitos é enviado pelo Senhor dos Exércitos!

Se alguém rejeita o Novo Testamento, essa declaração se torna um problema insolúvel. Mas para quem aceita a revelação completa das Escrituras, a resposta é clara: o Pai envia o Filho. O Senhor dos Exércitos, a primeira Pessoa da Trindade, envia o Senhor dos Exércitos, a segunda Pessoa da Trindade. Que extraordinária antecipação da revelação do Messias!

É ele quem vem para libertar seu povo, julgar as nações e reivindicar a glória de Deus. Tudo, absolutamente tudo, converge para esse propósito supremo: a glória divina. As nações serão julgadas porque desafiaram a Deus e oprimiram seu povo. O Messias é enviado pelo Pai para executar esse julgamento e restaurar a honra do nome de Deus diante do mundo. Durante séculos, Israel foi humilhado, disperso e desprezado, levando muitos a questionarem o poder e as promessas do Deus de Israel. Mas chegará o dia em que Deus exaltará Seu povo, e então todas as nações reconhecerão que ele é o Senhor.

Por isso o texto declara: “Eu lhes estenderei a minha mão, e eles serão despojo para os seus servos.” A situação será completamente invertida. Aqueles que pareciam derrotados serão exaltados, e aqueles que pareciam invencíveis serão humilhados. E Deus explica a razão de seu julgamento: “porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho”.

Muitas vezes interpretamos essa expressão de forma sentimental, mas o sentido hebraico é ainda mais forte. A expressão refere-se à pupila, ao globo ocular, a parte mais sensível e protegida do corpo humano. Deus está dizendo: “Quem toca no meu povo está enfiando o dedo no meu olho”. Não há imagem mais vívida para demonstrar a intensidade com que ele se identifica com Israel.

Pense em como o olho é cuidadosamente protegido. Ele está cercado por ossos, protegido pelas pálpebras, pelos cílios, pelas sobrancelhas e pelos canais lacrimais. É uma das partes mais delicadas e sensíveis do corpo. Nada é mais irritante do que alguém atingir o seu olho. Essa é exatamente a figura utilizada por Deus.

As nações que perseguiram Israel atingiram aquilo que lhe é precioso. Porque Deus ama seu povo e se identifica com ele, atacar Israel é atacar aquilo que está mais próximo do coração de Deus. É por isso que, em Mateus 25, Cristo julga as nações com base na forma como trataram Israel. O tratamento dispensado ao povo de Deus revela a atitude do coração para com o próprio Deus.

A perspectiva encantadora

Zacarias 2
10 Canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor.
11 Naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao Senhor e serão o meu povo; habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a ti.
12 Então, o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de novo, escolherá a Jerusalém.
13 Cale-se toda carne diante do Senhor, porque ele se levantou da sua santa morada.

O projeto de Deus para Jerusalém é glorioso. A cidade transbordará além de seus limites; o próprio Senhor será sua muralha protetora; Israel será libertado de seus inimigos; as nações rebeldes serão julgadas; e Deus habitará pessoalmente no meio do Seu povo. Mais do que isso, muitas nações se unirão ao Senhor naquele dia e se tornarão seu povo. Judá será novamente a herança do Senhor na Terra Santa, Jerusalém será mais uma vez escolhida, e a presença divina encherá a cidade.

Diante de uma promessa tão majestosa, resta apenas uma atitude apropriada: “Cale-se toda carne diante do Senhor, porque ele se levantou da sua santa morada”. Quando Deus se erguer para cumprir Seus propósitos redentores, toda a humanidade ficará em reverente silêncio diante da manifestação da Sua glória.

Percebe-se claramente quatro realidades centrais em Zacarias 2:10-13. Resumidamente são:

1) A presença de Deus, no versículo 10: “canta e exulta, ó filha de Sião, porque eis que venho e habitarei no meio de ti, diz o Senhor.” A marca daquele dia em Jerusalém será esta: Deus estará presente de maneira pessoal, real, visível e concreta na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Essa é a grande promessa. Deus estará ali. Portanto, o convite é claro: regozijem-se na presença de Deus.

2) Há o povo de Deus, no versículo 11: “naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao Senhor e serão o meu povo; habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a ti.” Não apenas Israel, mas muitas nações serão alcançadas. Haverá uma salvação de alcance mundial. Isso ecoa Apocalipse 7, onde uma multidão incontável, de todas as línguas, povos e nações, é redimida. E, naquele dia, Israel finalmente cumprirá plenamente seu chamado como instrumento de bênção para o mundo, conforme o propósito original de Deus.

3) Vemos a porção de Deus, no versículo 12: “então, o Senhor herdará a Judá como sua porção na terra santa e, de novo, escolherá a Jerusalém.” Essa é a única ocorrência da expressão “terra santa” nas Escrituras, e ela aponta para a futura realidade milenar. A terra não é santa por si mesma, nem foi plenamente santa no passado; mas será quando Deus a reivindicar como sua herança. Jerusalém será novamente escolhida, no tempo determinado por Deus, quando Ele estabelecer Seu reino.

4) Aparece o poder de Deus, no versículo 13: “cale-se toda carne diante do Senhor, porque ele se levantou da sua santa morada.” O universo inteiro é convocado ao silêncio reverente diante da ação divina. Aqueles que questionam, resistem ou zombam são chamados a se calar, pois Deus está se levantando para agir. Como o Salmo 121 declara, o guardador de Israel não dorme nem cochila.

O aparente silêncio de Deus não é ausência, mas preparação. E esse silêncio é rompido na consumação profética da história, quando Deus intervém em juízo e redenção, conforme descrito no Apocalipse. Tudo aponta para esse momento final em que o Senhor toma posse da história e estabelece o seu domínio. E a grande esperança permanece: aqueles que pertencem a Cristo, pela fé, participarão desse dia glorioso. Essa é a promessa para todos os que conhecem o Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo. Vamos orar.

Obrigado, nosso Pai, por nos dares este tempo para compartilhar esta noite. De fato, cantamos e nos regozijamos porque Tu és o Deus da história, que a traça passo a passo, a faz acontecer e nos permite participar dela. Obrigado. E se houver alguns queridos esta noite, em nossa presença, que nunca se entregaram a Ti, que estão perdidos para o propósito da existência e o destino da história redentora, que passarão uma eternidade sem Cristo e sem Deus, sem Ti, sem esperança, que isso termine esta noite, quando eles Te conhecerem pela fé em Jesus Cristo, em cujo nome oramos, amém.


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o livro de Zacarias.
Clique aqui e leia outros sermãos traduzidos do livro do profeta Zacarias.

Este texto é uma síntese do sermão “The Future Glory of Jerusalem”, de John MacArthur, em 27/2/1977.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/2157/the-future-glory-of-jerusalem

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

 

Compartilhe

You may also like...

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.