A Luz do Mundo Restaurada
Na quinta visão de Zacarias, Deus revela seu propósito eterno para Israel e que a sua obra jamais é realizada pela força humana, mas pelo poder do Espírito Santo. A tremenda visão do candelabro de ouro, do azeite e das duas oliveiras, mostra como Deus restaurará Israel para ser novamente sua testemunha entre as nações sob o governo do Messias. Ao mesmo tempo, traz uma poderosa aplicação para a Igreja de hoje, lembrando-nos de que fomos chamados a ser luz em um mundo de trevas, sustentados não por nossa capacidade, mas pela atuação soberana do Espírito de Deus.
A quinta visão de Zacarias (Zc 4.1-14)
Introdução
Continuando no livro de Zacarias, olharemos agora para o quarto capítulo, a quinta visão de Zacarias. Reconheço que nosso estudo de Zacarias não tem sido dos mais leves. Pelo contrário, trata-se de um livro denso e profundo. Nossa oração é que o Espírito de Deus use a Palavra de Deus para abençoar o coração de cada um. E sei que aqueles que desejam sondar as profundezas das Escrituras têm se alegrado com tudo o que Deus nos tem ensinado por meio desta maravilhosa profecia do Antigo Testamento.
Desde a criação, Deus sempre falou ao homem. Antes da queda, no caso de Adão, a Bíblia diz que Deus caminhava e conversava com ele na viração do dia (Gn 3.8). O homem desfrutava de um conhecimento perfeito da verdade de Deus e de plena comunhão com sua presença. Mas o pecado entrou no mundo, e uma de suas consequências foi que o homem perdeu esse conhecimento e tornou-se espiritualmente ignorante.
Em Efésios 4.17–19, o apóstolo Paulo descreve alguns dos resultados da queda. Ele afirma que os homens vivem “com o entendimento obscurecido, separados da vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, devido ao endurecimento do seu coração”. Um dos efeitos da queda foi justamente a interrupção da comunhão e da comunicação entre Deus e o homem. Aquele que antes conhecia plenamente a Deus, desfrutava de sua presença e conversava com Ele passou a viver em uma dolorosa condição de isolamento.
Entretanto, Deus não permaneceu em silêncio. Ele não abandonou a humanidade à sua ignorância nem desistiu de falar com ela. A um mundo agora pecador, Deus começou novamente a dirigir sua palavra, revelando-se para redimir os pecadores. Desde o instante em que Adão pecou, Deus tomou a iniciativa de falar. E suas primeiras palavras foram: “Adão, onde estás?” (Gn 3.9). Era como se dissesse: “quero encontrá-lo, porque desejo falar com você.” Deus sempre falou. Deus sempre se comunicou. Deus sempre revelou sua vontade ao homem.
No período do Antigo Testamento, o instrumento escolhido por Deus para transmitir essa revelação foi a nação de Israel. Depois de formar esse povo, Deus o constituiu como o canal por meio do qual sua verdade seria comunicada ao mundo. Pense comigo, por um momento, em Romanos 3.1–2. O apóstolo Paulo, desenvolvendo cuidadosamente sua argumentação teológica, levanta uma pergunta e, em seguida, oferece a resposta: “Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?”
Em outras palavras, a conclusão do capítulo 2 é que tanto judeus quanto gentios estão igualmente debaixo do pecado. Sendo assim, qual seria a vantagem de ser judeu? A resposta vem no versículo 2: “muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.” Mais adiante, em Romanos 9.4–5, Paulo volta a falar sobre seus compatriotas segundo a carne e declara: “São israelitas. A eles pertencem a adoção, a glória, as alianças, a promulgação da Lei, o culto e as promessas. Deles são os patriarcas, e deles descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém.”
Observe a ênfase do apóstolo: aos israelitas foram confiadas as alianças, a Lei e as promessas divinas. Israel foi o instrumento escolhido por Deus para transmitir sua revelação ao mundo. Desde o princípio, Deus sempre falou ao homem, e, durante a era do Antigo Testamento, fez isso por intermédio do povo de Israel.
Em Isaías 43.21, Deus declara a respeito de Israel: “Este povo formei para mim, para que proclamasse o meu louvor.” Essa era a razão da existência da nação: glorificar a Deus diante do mundo. O mesmo propósito aparece em Deuteronômio 4.5–6. Moisés diz ao povo:
Eis que vos ensinei estatutos e juízos, como me mandou o Senhor, meu Deus, para que assim procedais na terra à qual ides para a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: ‘Certamente este grande povo é gente sábia e inteligente.’
Em outras palavras, Deus desejava que Israel vivesse de tal maneira que as nações reconhecessem a sabedoria divina refletida em seu povo e fossem levadas a buscar o Deus verdadeiro. Essa mesma missão é reafirmada em diversas passagens do Antigo Testamento. Em 1 Crônicas 16.23 lemos: “Anunciai, entre as nações, a sua salvação, de dia em dia.” No Salmo 18.49, o salmista declara: “Por isso eu te glorificarei entre as nações, ó Senhor.” E o Salmo 96.3 ordena: “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas.” A responsabilidade de Israel era clara: tornar conhecido o nome, a glória e a salvação do Senhor diante de todos os povos.
Entretanto, Ezequiel registra o triste fracasso dessa missão. Em Ezequiel 5:5–6, Deus declara:
Esta é Jerusalém. Eu a coloquei no meio das nações, com terras ao seu redor. Mas ela se rebelou contra os meus juízos, tornando-se mais ímpia do que as nações, e contra os meus estatutos, mais do que as terras que a cercam; porque rejeitaram os meus juízos e não andaram nos meus estatutos.
Que contraste lamentável! Deus havia escolhido Israel para ser uma vitrine da sua verdade no mundo, mas a nação tornou-se mais desobediente do que os próprios povos pagãos ao seu redor. O propósito divino era claro: “Vocês são o meu povo. Proclamem a minha verdade. Revelem às nações quem eu sou e qual é a minha vontade.” Contudo, em vez de cumprir essa vocação, Israel violou os princípios de Deus, desprezou os seus mandamentos, silenciou quanto à sua Palavra e fracassou exatamente na missão para a qual havia sido chamado.
Em essência, quando Deus escolheu Israel no Antigo Testamento, fê-lo para que fosse um povo testemunha. Esse testemunho deveria manifestar-se de duas maneiras: por meio de uma vida santa e por meio da proclamação da verdade. Não bastava apenas falar; era necessário viver. O estilo de vida de Israel deveria ser tão distinto, tão santo e tão diferente das demais nações, que se tornasse, por si só, um poderoso testemunho da realidade e da glória do Deus de Israel.
E então eles deveriam verbalizar as coisas que Deus lhes revelou. E a tragédia é que eles falharam. É tudo o que se pode dizer; eles simplesmente falharam, e Deus teve que rejeitá-los. E Israel hoje não é a nação testemunha de Deus, e não tem sido desde o tempo em que Jesus esteve na Terra. E é por isso que o Senhor Jesus teve que encontrar um novo grupo, um novo povo testemunha. E esse novo povo testemunha é a Igreja.
Breve resumo panorâmico das visões anteriores
Ao chegarmos a Zacarias 4, encontramos uma profecia maravilhosa que revela que, no futuro, Israel será restaurado como a nação testemunha de Deus. Tudo o que Deus originalmente planejou para Israel se cumprirá. Esta visão segue a mesma sequência cronológica das demais.
Como vimos desde o início, Zacarias recebeu oito visões, todas relacionadas à restauração de Israel: historicamente, na reconstrução da cidade após o cativeiro, e profeticamente, na participação da nação no glorioso reino vindouro de Deus. As primeiras visões apresentaram a restauração externa do reino, com a reconstrução da cidade e do templo. Em seguida, o foco voltou-se para a restauração interior, mostrando que o reino exterior jamais se estabelecerá antes que ocorra a salvação espiritual do povo.
No capítulo 3, vimos essa salvação representada pela purificação de Josué, o sumo sacerdote. Josué simbolizava a própria nação de Israel e, assim como ele foi purificado, Israel também será purificado. Agora, no capítulo 4, a profecia avança mais um passo. Depois da purificação interior, vemos a utilidade de Israel no reino exterior.
Deus restaurará seu povo para um lugar de extraordinária utilidade, cumprindo o propósito para o qual o escolheu. Esse é sempre o modo de Deus agir: Ele tem um plano para o mundo e o realiza por meio de um povo salvo, capacitado para servi-lo. Assim, profeticamente, Israel é salvo no capítulo 3 e restaurado como testemunha de Deus no capítulo 4.
A quinta visão de Zacarias
1) Apresentação da visão
Zacarias 4
1 Tornou o anjo que falava comigo e me despertou, como a um homem que é despertado do seu sono.
2 e me perguntou: Que vês? Respondi: olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro.
3 E, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda.
É realmente uma visão muito impactante e incomum. O mesmo anjo intérprete das outras visões despertou Zacarias, que estava em profunda meditação com as visões anteriores naquela mesma noite. Zacarias via um candelabro, não como de mesa (Menorá), que havia no tabernáculo de Moisés (Ex 25.31-40) e no templo de Salomão. O candelabro que Zacarias viu era diferente em quatro detalhes: o vaso, os tubos, as oliveiras e os bicos de ouro. O candelabro tinha sete lâmpadas e sete tubos, dando a ideia de um suprimento de azeite abundante e ilimitado.
A lâmpada era acesa com azeite, que fluía para cada uma das sete lâmpadas no grande candelabro através de sete canos que saíam de uma grande bacia cheia de azeite. E a bacia recebia azeite das oliveiras. No templo, o óleo do candelabro tinha que ser reposto pelos sacerdotes, mas no candelabro da visão de Zacarias, havia as oliveiras que forneciam azeite sem necessidade de intervenção humana. É uma operação estritamente divina.
2) Propósito da visão
Zacarias 4
4 Então, perguntei ao anjo que falava comigo: meu senhor, que é isto?
5 Respondeu-me o anjo que falava comigo: Não sabes tu que é isto? Respondi: não, meu senhor.
2.1) O que representa o candelabro da visão de Zacarias?
A interpretação judaica tradicional e a interpretação cristã são quase unânimes quanto ao fato de que o candelabro representa o testemunho conjunto de Israel como nação sob a proteção de Deus, que o candelabro é Israel reacendido para ser a luz do mundo que Deus originalmente pretendia que a nação fosse.
Essa é basicamente a interpretação mais simples. Zacarias está tendo visões. Na quatro primeiras visões temos a restauração do povo, a reconstrução do templo, a reconstrução da cidade e a salvação da nação, e, agora, na quinta visão. o ministério de testemunho da nação. E é exatamente isso que vemos aqui: uma nação restaurada, revivida e regenerada é novamente o povo de Deus que testemunha.
Agora, em última análise, no candelabro você vê um símbolo daquele que é verdadeiramente a luz do mundo: Jesus Cristo. Isaías escreveu:
Mas agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó e para reunir Israel a ele, porque eu sou glorificado perante o Senhor, e o meu Deus é a minha força. Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra (Is 49.5-6).
Isaías está se referindo ao Messias. Deus está dizendo por meio de Isaías: “Restaurarei a nação e farei do Messias a luz, para que tu sejas a minha salvação até os confins da terra”. Portanto, basicamente, a luz suprema é Jesus Cristo. O pai de João Batista, Zacarias, disse:
Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados, graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz (Lc 1.76-79).
Ao ver Jesus ainda bebê, Simeão declarou: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel”(Lc 2.29-32). O Senhor declarou: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12).
Assim, o candelabro representa Israel em plena comunhão com o Messias. A bênção de Deus está sobre a nação. Eles são restaurados ao seu lugar de utilidade e são o testemunho para o mundo. E isso acontecerá, amados, no futuro.
Em Apocalipse 1.19-20 encontramos uma declaração muito significativa. O Senhor diz a João: “Escreve, pois, as coisas que viste, as que são e as que hão de acontecer depois destas”. Esse é, aliás, o grande esboço do livro de Apocalipse. Em seguida, Cristo explica o significado da visão: “O mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete candeeiros de ouro: as sete estrelas são os anjos [ou mensageiros] das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”. Assim, o candelabro representa, nesta era, a Igreja, chamada para ser a luz de Deus no mundo.
Mas chegará o dia em que a verdadeira Igreja será retirada da terra no arrebatamento. Restará apenas a falsa religião, retratada em Apocalipse como Babilônia, a grande meretriz, a prostituta espiritual. Deus não utilizará esse sistema religioso para cumprir o seu propósito. Então, voltará sua atenção para Israel. Com a Igreja já ausente, Deus levantará novamente Israel como seu povo testemunha. A nação será restaurada, regenerada e redimida, ocupando, enfim, a posição para a qual sempre foi destinada: ser a luz de Deus para as nações.
2.2) O significado do vaso de azeite
Lembre-se que na visão de Zacarias, ele viu “um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do candelabro. E, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda” (Zc 4.2-3).
O que seria esse vaso de azeite? O anjo não lhe oferece uma explicação detalhada; é como se dissesse: “olhe atentamente, Zacarias, e reflita sobre o que está vendo”. A resposta está na própria visão. O que representaria um vaso repleto de azeite? Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, o azeite é um símbolo do Espírito Santo. Assim, a tigela colocada no topo do candelabro representa o Espírito de Deus como a fonte inesgotável de todo o poder espiritual. Dela fluem quarenta e nove canais que alimentam continuamente as lâmpadas, retratando um suprimento ilimitado da energia do Espírito para o testemunho futuro de Israel. É exatamente isso que Joel anunciou ao declarar: “Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2.28). No reino milenar, Israel será novamente o candelabro de Deus, iluminado pelo abundante derramamento do Espírito, refletindo a glória daquele que é a verdadeira Luz do mundo, o Messias.
Outro aspecto impressionante da visão é que todo esse processo acontece de forma automática. Não há esforço humano para manter as lâmpadas acesas; o azeite flui continuamente da fonte até o candelabro. Essa é uma poderosa figura do reino futuro. O testemunho de Israel não dependerá de estratégias humanas, de organização ou de capacidade própria, mas será produzido espontaneamente pela operação sobrenatural do Espírito Santo sob o governo direto de Cristo. Quando observamos o retrato do reino nas Escrituras, percebemos exatamente isso: não encontramos uma estrutura meramente organizacional, mas vidas transformadas, conduzidas e capacitadas pelo poder do Espírito de Deus.
2.3) O significado das duas oliveiras
Mas, e as duas oliveiras? A resposta aparece no versículo 14. Zacarias volta a perguntar: “Quem são estes?” O anjo responde: “São os dois ungidos que assistem junto ao Senhor de toda a terra”. Em Israel, havia dois ofícios especialmente marcados pela unção: o rei e o sumo sacerdote. Historicamente, esses dois personagens eram Zorobabel, o governador da nação, e Josué, o sumo sacerdote. Coube a eles conduzir o povo no período da restauração pós-exílio, reconstruindo o templo e reorganizando a vida nacional para que Israel voltasse, ainda que de maneira limitada, a ser testemunha da verdade e do poder de Deus diante das nações.
Entretanto, a visão ultrapassa em muito a realidade histórica. Ela aponta para aquele que reúne em si os dois ofícios: o Messias. Em Zacarias 6:12-13, o Renovo é apresentado como aquele que edificará o templo do Senhor, receberá a glória, se assentará em Seu trono para governar e, ao mesmo tempo, exercerá o sacerdócio. Um sacerdote assentado sobre um trono é, necessariamente, um Rei-Sacerdote. Essa união jamais foi plenamente realizada na história de Israel, mas encontra seu perfeito cumprimento em Jesus Cristo, que reinará e intercederá eternamente por seu povo.
Assim, toda a visão converge para o Messias. O óleo de ouro, símbolo do precioso poder do Espírito, flui para o candelabro de Israel a partir da fonte estabelecida por Deus, para que a nação cumpra finalmente sua vocação de ser luz para o mundo. O ciclo se completa: o Messias, pelo Espírito Santo, capacita Israel a exercer o ministério que Deus lhe designou desde o princípio. Aquilo que jamais foi plenamente realizado na história encontrará seu cumprimento perfeito no reino vindouro.
É exatamente isso que anuncia Isaías 62.1-2: “Por amor de Sião não me calarei… até que a sua justiça resplandeça como a luz, e a sua salvação, como uma tocha acesa. As nações verão a tua justiça, e todos os reis, a tua glória”. Deus declara que não descansará enquanto Israel não ocupar a posição para a qual foi escolhido: ser sua luz entre as nações.
A visão de Zacarias apresenta esse propósito glorioso, mas também levanta uma pergunta inevitável: quem poderia realizar uma obra dessa magnitude? Quem possui o poder para transformar uma nação rebelde em um testemunho resplandecente da glória de Deus? A resposta vem no versículo seguinte e constitui o coração de toda a visão: somente o poder soberano do Espírito de Deus pode cumprir esse propósito.
3) O Poder na visão
Zacarias 4
6 Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Este é um dos textos mais conhecidos de Zacarias. A pergunta é: quem realizará essa grande obra? A resposta é clara: o Espírito de Deus. Este é um dos grandes versículos das Escrituras. Há, inclusive, uma distinção importante no texto hebraico. A expressão “não por força” refere-se ao poder de muitos homens reunidos, enquanto “nem por poder” descreve a força de um único homem extraordinário. Em outras palavras, Deus exclui tanto o esforço coletivo quanto o heroísmo individual como meios para realizar sua obra.
Assim, a restauração de Israel jamais acontecerá por meio da capacidade humana. Não será resultado de campanhas, estratégias, recursos financeiros ou da atuação de um grande líder. Nenhuma força física, intelectual, política ou moral, seja coletiva ou individual, será capaz de restaurar a nação. A salvação de Israel será exclusivamente uma obra do Espírito Santo. Quando tudo estiver consumado, ninguém poderá reivindicar qualquer mérito, pois todos reconhecerão que foi o próprio Deus quem realizou a obra.
Esse princípio permanece verdadeiro em toda a história da redenção. Ninguém deve imaginar que, por si só, será capaz de produzir a obra de Deus. O verdadeiro testemunho sempre é realizado no poder do Espírito Santo. Em Atos 1.8, Jesus declarou: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas.” Da mesma forma, em Atos 4.31, depois que a igreja orou, todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam a Palavra com ousadia. A eficácia da evangelização não depende, em primeiro lugar, da educação, da metodologia ou das técnicas empregadas, embora essas tenham seu lugar. Ela depende, acima de tudo, do poder do Espírito Santo atuando por meio de vasos humildes e disponíveis.
A palavra é dirigida especificamente a Zorobabel, o governador de Judá. Ele era o líder civil da nação restaurada, enquanto Josué exercia a liderança sacerdotal. Ageu 2 mostra Deus encorajando ambos: “Sê forte, Zorobabel… sê forte, Josué.” Em Esdras também encontramos Zorobabel conduzindo o povo no retorno do exílio (Ed 2). Sua tarefa era monumental. Ele enfrentava oposição constante, dificuldades internas e obstáculos aparentemente intransponíveis na reconstrução do templo e na restauração da nação.
Entretanto, Deus assegura a Zorobabel que aquela obra seria realizada pelo seu Espírito (Zc 4.6). Historicamente, isso de fato aconteceu. O Espírito Santo levantou homens como Neemias para reconstruir Jerusalém, realizando uma obra que humanamente parecia impossível. Em apenas cinquenta e dois dias, os muros foram reconstruídos, de tal maneira que até os inimigos reconheceram que aquilo só poderia ter sido feito pela mão de Deus (Ne 6.16).
Contudo, Zorobabel não representa apenas um personagem histórico; ele também simboliza a futura restauração nacional de Israel. Assim como viu uma restauração parcial em seus dias, Israel experimentará, no futuro, uma restauração muito mais ampla, quando toda a nação contemplará novamente o poder soberano do Espírito de Deus.
O texto afirma: “mas pelo meu Espírito.” A palavra hebraica “ruach” significa vento, sopro ou espírito. É o mesmo Espírito que participou da criação, comunicando vida ao universo. É o Espírito que operou no livramento do povo durante o êxodo e que, em Ezequiel 37, soprou sobre os ossos secos, trazendo-os novamente à vida. Será esse mesmo Espírito que regenerará, restaurará e renovará completamente Israel no reino futuro. Essa é a grande esperança anunciada por Zacarias.
Há aqui um princípio que transcende a restauração de Israel: toda a obra de Deus é realizada pelo Espírito de Deus. Qualquer obra que não seja produzida pelo Espírito, ainda que receba o nome de obra cristã, não possui verdadeiro valor espiritual diante do Senhor. O Espírito opera por meio dos dons espirituais, da santidade, da Palavra de Deus e da humildade. Onde esses elementos estão presentes, ali o Espírito está agindo poderosamente em qualquer geração. É exatamente por isso que o azeite, nesta visão, simboliza a abundante atuação do Espírito Santo.
Vale a pena fazer um estudo específico sobre o simbolismo do azeite nas Escrituras.
a) O azeite cura. O Salmo 23 fala do pastor que unge a cabeça da ovelha com óleo para aliviar suas feridas. Em Lucas 10.34 e Tiago 5.14, o azeite também aparece associado ao cuidado e à restauração. Da mesma forma, o Espírito Santo consola o crente em suas dores, fortalece os abatidos e traz paz ao coração ferido.
b) O azeite produz luz. Nesta própria visão, ele alimenta continuamente as lâmpadas do candelabro. Assim também o Espírito Santo ilumina a mente do crente, conduz à verdade, convence o pecador do pecado e abre o entendimento para compreender a Palavra de Deus.
c) O azeite também produz calor. Era utilizado para alimentar o fogo das lâmpadas e aquecer. O Espírito Santo aquece o coração endurecido, produzindo ardor espiritual, como aconteceu com os discípulos no caminho de Emaús, quando confessaram: “Porventura não nos ardia o coração?” (Lc 24.32).
d) O azeite é um símbolo de alegria. No Antigo Testamento, ele não era usado em períodos de luto, mas nas ocasiões de celebração e regozijo, como mostram o Salmo 104.15 e 2 Samuel 12.20. Da mesma maneira, o Espírito Santo produz verdadeira alegria no coração do povo de Deus. Como afirma Romanos 14.17, o reino de Deus consiste em “justiça, paz e alegria no Espírito Santo.”
Assim, o azeite torna-se um retrato da obra abundante do Espírito: Ele cura, ilumina, aquece e alegra. É por esse suprimento inesgotável do Espírito de Deus que Israel realizará a obra de Deus com o poder de Deus, e é exatamente isso que tornará o reino messiânico um tempo de bênçãos incomparáveis.
4) Como o plano da visão se desenrola?
Zacarias 4
7 Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma campina; porque ele colocará a pedra de remate, em meio a aclamações: Haja graça e graça para ela!
“Quem és tu, ó grande monte?” Essa pergunta é fascinante. Zorobabel enfrentava obstáculos aparentemente intransponíveis, mas, depois da grandiosa promessa de Deus, havia motivos de sobra para caminhar com confiança. O monte simboliza toda oposição ao propósito divino, e a resposta é um desafio de fé: “Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma campina.” A Palavra de Deus transforma a perspectiva do servo. Aquilo que parecia intransponível seria completamente nivelado. O obstáculo desapareceria, e Zorobabel traria a pedra de remate, concluindo a obra, enquanto o povo clamaria: “Graça, graça para ela!”
Essa é uma declaração ousada contra toda força que tenta impedir Deus de realizar sua obra pelo poder do seu Espírito. Historicamente, Deus estava afirmando: “Reconstruirei esta cidade e este templo, e nada poderá frustrar o meu propósito.” Profeticamente, a promessa vai ainda mais longe: Deus estabelecerá o seu reino definitivo, e nenhum poder da terra poderá impedir esse plano. O monte cairá, porque a obra pertence ao Senhor.
A pedra de remate era a última pedra colocada na construção, o símbolo de uma obra completamente terminada. Deus garante que Zorobabel seria o homem que a colocaria. O templo seria concluído pelas mesmas mãos que lançaram seus fundamentos. Contudo, essa realização histórica apontava para algo muito maior: assim como Zorobabel concluiria o templo restaurado, o descendente maior de Davi, o Messias, consumará plenamente a restauração prometida no reino futuro.
Quando essa pedra fosse colocada, haveria uma explosão de alegria. O texto fala de aclamações intensas, de um clamor coletivo. A palavra hebraica descreve um brado tão forte que é usada em Jó 36 para retratar o estrondo do trovão. Não se tratava de uma celebração tímida, mas de gritos de triunfo. O povo clamava: “Graça, graça para ela!”, reconhecendo a beleza, a perfeição e a bondade da obra realizada por Deus.
Curiosamente, durante a construção, muitos não compartilhavam desse entusiasmo. Comparavam o templo de Zorobabel ao magnífico templo de Salomão e concluíam que a nova construção era insignificante. Ageu 2.3 registra esse sentimento: “Quem dentre vós viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é esta como nada aos vossos olhos?” Enquanto a obra estava em andamento, predominavam as críticas e o desânimo. Entretanto, Deus já anunciava que, quando tudo estivesse concluído, a murmuração daria lugar ao júbilo.
Essa profecia cumpriu-se exatamente como Zacarias havia anunciado. Esdras 3.11 registra que, ao verem a obra avançar, o povo cantava alternadamente, louvando e dando graças ao Senhor porque a sua misericórdia dura para sempre. Houve grande clamor de alegria. Alguns dos mais idosos choravam ao lembrar do antigo templo, enquanto outros gritavam de alegria pelo novo começo. A cena era exatamente aquela prevista por Zacarias: uma celebração ruidosa diante da fidelidade de Deus em cumprir Sua palavra.
Entretanto, essa alegria histórica também prenuncia uma alegria muito maior. Quando o Messias entrou em Jerusalém no chamado Domingo de Ramos, multidões o receberam com ramos e aclamações (Mt 21; Mc 11; Jo 12), mas o reino não foi estabelecido, porque, poucos dias depois, ele foi rejeitado e crucificado. No futuro, porém, quando Cristo retornar para estabelecer seu reino, haverá uma celebração infinitamente superior. As profecias de Isaías 12 descrevem esse dia como um tempo de louvor, cânticos, salvação e gritos de alegria, porque o Santo de Israel habitará no meio do Seu povo.
Zacarias 4
8 Novamente, me veio a palavra do Senhor, dizendo:
9 As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa, elas mesmas a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exércitos é quem me enviou a vós outros.
Deus não apenas prometeu a conclusão da obra, mas garantiu que ela seria realizada durante a vida de Zorobabel. Sua Palavra é irrevogável. Quando o templo fosse terminado, todos saberiam que o Senhor havia enviado o seu Mensageiro. É muito provável que a expressão “a mim” se refira novamente ao Anjo do Senhor, a manifestação pré-encarnada de Cristo. Assim, mais uma vez, o Messias aparece como aquele que dirige a realização do plano estabelecido pelo Pai.
Percebemos, então, a atuação harmoniosa da Trindade. O Pai estabelece o plano da restauração. O Filho dirige e garante seu cumprimento. O Espírito Santo fornece o poder necessário para que tudo aconteça. Essa realidade é vista tanto na reconstrução do templo nos dias de Zorobabel quanto na restauração futura de Israel. O príncipe davídico concluiu o templo histórico; o grande Filho de Davi edificará o templo do reino milenar e consumará todas as promessas feitas ao povo da aliança.
Zacarias 4
10 Pois quem despreza o dia dos humildes começos, esse alegrar-se-á vendo o prumo na mão de Zorobabel. Aqueles sete olhos são os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra.
Uma poderosa lição: “Quem despreza o dia dos humildes começos?” Muitos olhavam para aquela pequena construção e a consideravam insignificante. Deus, porém, via algo completamente diferente. Os sete olhos do Senhor — símbolo de sua perfeita onisciência — alegravam-se ao ver o prumo na mão de Zorobabel. Deus se alegra porque contempla o fim desde o princípio.
Aquilo que para os homens parecia pequeno fazia parte de um plano eterno. Por isso, nunca devemos desprezar aquilo que alegra o coração de Deus. O templo de Zorobabel parecia modesto, mas preservou a nação, manteve viva a esperança messiânica e preparou o caminho para o cumprimento do grande plano divino. Se Deus se alegra com os pequenos começos porque conhece o glorioso desfecho, nós também devemos aprender a enxergar sua obra com os olhos da fé.
A promessa da visão
Zacarias 4
11 Prossegui e lhe perguntei: que são as duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro?
12 Tornando a falar-lhe, perguntei: que são aqueles dois raminhos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado?
13 Ele me respondeu: Não sabes que é isto? Eu disse: não, meu senhor.
14 Então, ele disse: São os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a terra.
Assim como o candelabro simboliza Israel em plena comunhão com Deus, abastecido continuamente pelo Espírito Santo e chamado a irradiar sua luz ao mundo, as duas oliveiras representam o meio pelo qual essa bênção divina flui para a nação. Elas simbolizam os dois grandes ofícios estabelecidos por Deus: o sacerdócio e a realeza. Os “dois ungidos” — expressão que significa literalmente “filhos do azeite” — apontam para o rei e o sacerdote.
É interessante notar que a palavra hebraica empregada para azeite é “yitshar”, referindo-se ao azeite fresco que flui diretamente da oliveira, e não ao azeite produzido pelo homem. Mais uma vez, a precisão das Escrituras ressalta que a fonte desse poder não possui qualquer intervenção humana. Trata-se do puro poder do Espírito de Deus fluindo através dos ofícios sacerdotal e real para que Israel cumpra sua missão de manifestar a verdade messiânica ao mundo.
Mas sabemos quem é o verdadeiro Rei-Sacerdote: ninguém menos que o próprio Cristo. Nele convergem perfeitamente os dois ofícios. É Cristo quem inicia e conclui toda a obra redentora. Por isso, a pessoa central da visão não é apenas Zorobabel nem Josué, mas o próprio Messias. O versículo 14 afirma que os dois ungidos estão diante do “Senhor de toda a terra”, um título claramente messiânico que identifica Cristo em seu governo universal. Ele é a fonte da bênção, o canal por meio do qual o Espírito comunica vida ao seu povo e através do qual esse povo reflete novamente a sua glória. Toda a visão converge para Cristo, o Senhor de toda a terra.
Sabemos que esse título possui um sentido escatológico porque reaparece em Miquéias 4. Ali, no contexto dos últimos dias, da restauração de Israel e do estabelecimento do reino messiânico, Cristo é novamente chamado de “Senhor de toda a terra”. O capítulo descreve o período do reino futuro, após os grandes acontecimentos escatológicos, mostrando que Zacarias não está tratando apenas da reconstrução do templo histórico, mas também da restauração definitiva que ocorrerá sob o reinado do Messias. O elemento profético e futurista da visão torna-se, assim, evidente.
O Senhor de toda a terra é, portanto, a chave para compreender toda a visão. Cristo permeia cada um de seus símbolos. O candelabro, o azeite e as oliveiras convergem para sua pessoa e sua obra. Contudo, o texto parece introduzir uma mudança de perspectiva. Inicialmente, as duas oliveiras representam os ofícios sacerdotal e real cumpridos em Cristo. Entretanto, no versículo 14, os ungidos passam a ser descritos como aqueles que permanecem ao lado do Senhor de toda a terra, quase como se fossem pessoas específicas.
Essa mesma transição aparece de forma explícita em Apocalipse 11.4, onde as duas testemunhas da tribulação são chamadas de “as duas oliveiras e os dois candelabros que estão diante do Senhor da terra”. A linguagem é claramente extraída de Zacarias 4, estabelecendo um paralelo inegável entre as duas passagens. Essas testemunhas anunciarão ao mundo que o grande Rei-Sacerdote está prestes a estabelecer Seu reino. Dessa forma, é perfeitamente possível que Zacarias 4.14 possua um duplo alcance profético:
a) Em primeiro lugar, aponta para Cristo como o perfeito Rei-Sacerdote, por meio de quem o Espírito de Deus concede vida e poder ao Seu povo.
b) Em segundo lugar, projeta-se para as duas testemunhas descritas em Apocalipse 11, que proclamarão a chegada do Messias durante a tribulação.
E, como o próprio livro de Apocalipse demonstra, nos capítulos 6 a 19, todo esse processo culminará quando Cristo assumir plenamente seu domínio como o Senhor de toda a terra.
Considerações finais
Zacarias teve uma visão. Sua visão mostra Zorobabel concluindo o templo e o povo restaurado. Mas muito além disso, ele vê a nação restaurada, redimida, trazida de volta ao lugar de testemunha, energizada pelo poder do Espírito de Deus para irradiar a verdade do próprio Messias, que é a fonte de sua bênção.
E você sabe o que vai acontecer naquele dia? Em Apocalipse 7 diz que Israel se tornará essa nação testemunha. Os primeiros oito versículos mostram 144.000 judeus, 12.000 de cada tribo de Israel, saindo a proclamar. Nos versículos 9 e 10 temos o resultado:
Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação (Ap 7.9-10).
Agora observem, essa é uma multidão de gentios que foram salvos na tribulação, e eles são o resultado direto do testemunho dos 144.000 judeus. Quando Israel for libertado como nação testemunha de Deus no período conhecido como a tribulação, em antecipação ao reino, à medida que forem libertados, haverá mais gentios convertidos do que se pode contar. O maior avivamento da história do mundo.
Quando Israel finalmente fizer o que Deus o chamou para fazer desde o princípio. Em Apocalipse 12.17, encerrando aquele capítulo onde Satanás persegue Israel, “o dragão irou-se contra a mulher” – isto é, Satanás estava irado com Israel – “e foi fazer guerra ao restante da sua descendência”.
Agora observem. Sua descendência é Israel, que guarda os mandamentos de Deus — observem bem — e tem o testemunho de — quem? — Jesus Cristo. Israel terá o testemunho de Cristo, o proclamará, e um mundo de gentios será redimido para Deus. Grande dia! E assim, Isaías diz:
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu (Is 60.1-3).
Essa profecia aguarda cumprimento futuro. Mas você pode perguntar: “Tudo isso é maravilhoso para o futuro, mas o que isso tem a ver conosco hoje? Como essa verdade se aplica ao presente?” A resposta é simples: até que esse dia chegue, a luz do mundo somos nós. Ouçam as palavras de Jesus em Mateus 5.14: “Vós sois a luz do mundo.” Essa é a responsabilidade da igreja nesta presente era.
Por isso Jesus também disse em Lucas 12.35: “estejam cingidos os vossos lombos e acesas as vossas candeias.” Em Efésios 5.8, Paulo declara: “outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor; andem como filhos da luz.” E, em Filipenses 2.15, ele acrescenta: “sejam irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, na qual vocês brilham como astros no mundo.”
Onde está a luz de Deus hoje? Ela está na igreja. Somos nós que fomos chamados para iluminar um mundo mergulhado em trevas. Contudo, essa luz somente brilhará com intensidade quando estivermos cheios do poder do Espírito Santo. Essa é a nossa missão nesta era. Oro a Deus para que sejamos mais fiéis à nossa vocação do que Israel foi em sua história passada. Vamos orar.
Pai, não conseguimos descrever o quão emocionante e maravilhoso é estudar a Tua verdade. Tu nos deste um amor imenso pela Tua Palavra, e mesmo que muitas coisas que já conhecemos bem nos entusiasmem quando as revisitamos, ajuda-nos a nunca tratar as Tuas Escrituras como algo banal. Ajuda-nos a nunca subestimar o seu impacto e o seu poder. Dá-nos um apetite insaciável por elas, uma sede insaciável, um amor que se expande e cresce constantemente.
Obrigado, Pai, pelo Teu plano para Israel, porque ele prova que Tu és um Deus fiel, que cumpre alianças e promessas, Tu és um Deus em quem podemos confiar. Obrigado porque um dia Israel voltará a ser essa luz, para a Tua glória, pelo Teu Espírito, e que nós, que fomos comissionados para sermos a luz, possamos compreender essa mesma verdade, não pela força nem pelo poder, mas pelo Teu Espírito. E que possamos iluminar o nosso mundo, para a Tua glória e para a salvação de muitos, em nome de Jesus, amém.
Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o livro de Zacarias.
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Este texto é uma síntese do sermão “Israel: The Light of the World”, de John MacArthur, em 27/3/1977.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/2159/israel-the-light-of-the-world
Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno





















