A Glória de Jesus Cristo

Cristo é a prova da veracidade divina. Negar a Cristo é negar a verdade de Deus. Crer em Cristo é crer em Deus. A fé no Deus verdadeiro é validada pela fé em Jesus Cristo. Há uma relação inseparável entre Deus e seu Filho. Se alguém não crê que Jesus é o Filho de Deus, não pode crer em Deus. Não há possibilidade de se ter uma fé verdadeira em Deus, se há rejeição a Jesus.

Continuando no evangelho de João, vamos olhar agora para os versículos 31 a 36, do capítulo 3. Na última vez olhamos para os versículos 22 a 30, que finaliza com a marcante declaração de João Batista sobre Jesus: “é necessário que ele cresça e eu diminua”. Trata-se da preeminência de Cristo e da diminuição do ministro.

Jesus disse: “em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mt 11.11). João Batista foi o maior dos profetas do Antigo Testamento, ele viu com os olhos, preparou o caminho e anunciou a chegada daquele que outros profetas apenas profetizaram. Mas todos os cristãos são ainda maiores, porque participam da plena compreensão e da experiência de algo que João Batista apenas previu: a obra de expiação de Cristo.

Como vimos na última vez, essas palavras basicamente estabeleceram a primeira lei do ministério: a humildade. Eu devo diminuir, Cristo deve crescer e ser exaltado. Ao escrever para pastores e ministros, Pedro disse: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe 5.6). E o maior exemplo de humildade, sem dúvida, é o Senhor Jesus Cristo. Embora eternamente igual a Deus, não considerou isso algo a que se apegar, mas humilhou-se, assumiu a forma de servo e tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2.5-11). Ele é o modelo supremo de um ministro humilde.

A realidade da igreja apóstata é evidenciada quando Cristo é diminuído e os ministros são exaltados. Os ministros devem ser como estrelas que são ofuscadas pelo brilho do sol. A Igreja Católica Romana exalta o Papa e os cardeais, diminuindo Cristo. Mas isto também ocorre em muitas igrejas evangélicas que, infelizmente, colocaram pastores no centro das atenções. Onde há verdadeiro ministério, no Espírito, Cristo será tudo em todos, Cristo preencherá a todos, Cristo será o sol radiante e os ministros serão minimizados.

Pessoas que se exaltam no ministério são desprovidas de graça, pois “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6). O caminho da humildade e de buscar apenas a glória do Senhor é o único caminho que um ministro fiel deseja seguir.

Conforme vimos na última vez, ao olharmos para João 3.22-30, os ministérios de João Batista e Jesus se sobrepõem, eles estavam, ao mesmo tempo, pregando o arrependimento, a chegada do reino do céus e batizando. Sabemos que Jesus mesmo não batizava, mas seus discípulos (Jo 4.2). João Batista se submeteu a Jesus, deixou a Judeia, onde ministrava a leste do Jordão, e foi para Samaria. Ele entregou o território da Judeia ao Senhor Jesus, mas ambos continuam exercendo esse ministério simultaneamente em dois lugares diferentes.

Houve alguns meses em que o ministério de João Batista ocorria ao mesmo tempo que o ministério de Jesus, mas então João Batista foi preso e, então, Jesus foi para a Galileia pregar o evangelho de Deus. (Mc 1.2-14). Até o terceiro capítulo do evangelho de João há o registo desse período dos dois ministérios ocorrendo ao mesmo tempo, pois João Batista ainda não havia sido preso (Jo 3.24).

Os discípulos de João Batista se envolveram numa discussão sobre qual ministério era o mais importante, se o de João Batista ou de Jesus. Incomodados com o fato de a maioria buscar Jesus, eles foram a João Batista e relataram o fato. Eles não haviam entendido o que João Batista disse muitas vezes, conforme vemos no capítulo 1, do evangelho de João, que ele não era o cristo, que era apenas uma voz que clamava no deserto e que veio apenas para preparar o caminho do Senhor e dizia: “o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim […] do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias” (Jo 1.15,27).

Aquelas pessoas eram seguidoras muito leais de João Batista, se arrependeram sob a pregação dele, reafirmaram seu compromisso de serem obedientes a Deus. Queriam estar prontos para a chegada do Messias e o estabelecimento do Reino. Mas eles ficaram incomodados com o fato de Jesus ministrar na Judeia, onde João Batista pregava e batizava, e agora João Batista foi para Samaria. Eles queriam que João Batista defendesse sua posição e seu lugar. Então João Batista voltou a lhes falar as mesmas coisas:

O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua (Jo 3.27-30).

João Batista reconhece que o ministério não é algo que se mereça, ou se conquiste, ou algo que se seja digno de alguma forma. Não. O ministério é um dom do céu. É uma misericórdia e graça, é algo que Deus lhe dá quando você não merece.

João Batista não tinha nenhuma atitude de competição em relação a Cristo. Ele era como um padrinho de casamento em Israel naquela época, um amigo do noivo que cuidava de todos os detalhes do casamento. E então, quando o dia chegava e acontecia, ele levava a noiva e a apresentava ao noivo, e então padrinho desaparecia da cena. Foi isso que ele quis dizer: “convém que ele cresça e eu diminua” (Jo 3.30).

Os discípulos de João Batista estavam incomodados porque Jesus estava atraindo muitos seguidores e estava ocupando o espaço que antes pertencia a João Batista. Motivados por lealdade e ciúme em favor de seu mestre, tentaram levá-lo a reagir e defender sua posição.

Isso nos lembra um episódio da vida de Moisés, quando dois homens, Eldade e Medade, começaram a profetizar no acampamento de Israel. Algumas pessoas, incluindo Josué, viram isso como uma ameaça à liderança de Moisés e sugeriram que eles fossem impedidos. Moisés respondeu a Josué: “Tens tu ciúmes por mim? Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito!” (Nm 11.29). Em vez de sentir inveja ou competição, ele se alegrou ao ver outros servindo ao Senhor.

Da mesma forma, João Batista não caiu na armadilha do ciúme quando seus discípulos tentaram provocá-lo. Líderes verdadeiramente humildes não veem o sucesso de outros servos de Deus como uma ameaça, mas como motivo de alegria. A competição e o ciúme no ministério são incompatíveis com a humildade cristã e não têm lugar entre aqueles que servem para a glória de Deus.

Tudo isso vimos na última vez, eu estou apenas reforçando em suas mentes. Agora vamos avançar para analisar João 3.31-36. Nesses versículos está presente uma cristologia completa e rica. A doutrina de Cristo é revelada aqui em termos muito profundos. E, aliás, João dá cinco razões pelas quais Cristo deve ser o foco do ministério e não o ministro. Gostaria que tivéssemos tempo para desenvolvê-la completamente, mas faremos isso ao longo do caminho.

1) A supremacia de Cristo: Ele é celestial

João 3 31 Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos

O apóstolo João diz que escreveu seu evangelho “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). Esse foi seu foco principal do início ao fim. E aqui ele relata o consistente testemunho de João Batista: Jesus veio do céu, tem uma mensagem celestial e tem que crescer.

João Batista disse que Jesus, a Palavra encarnada, deve tornar-se maior porque somente ele vem do alto, e, portanto, está acima de todos. A expressão grega traduzida como “acima de todos” lembra o versículo 3, onde o novo nascimento “de cima” somente pode ser experimentado pela fé naquele que vem “do alto”. Todos os outros são “da terra”, o que significa finitude e limitação. Embora João Batista chamasse ao arrependimento, ele não podia revelar o conselho do céu como Jesus, o Deus-homem.

A palavra grega que João Batista usou para “terra” foi “γῆς” (gēs), que significa terra ou vida terrena. Se ele usasse a palavra grega “κόσμον” (kosmon), traduzida como “mundo”, teria conotações morais na Bíblia, mas terra não. Então, ele está dizendo simplesmente que qualquer ser humano terreno é da terra, fala da terra, mas aquele que veio do céu está acima de todos. Há apenas uma pessoa que é do céu.

Ele sabia que Jesus era o Messias, o ungido de Deus, o Salvador. No entanto, quando estava preso e definhando na prisão, sabendo que muito provavelmente seria morto, ele enviou seus discípulos a Jesus para lhe fazer uma pergunta: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mt 11.3).

O que João Batista esperava que acontecesse não estava acontecendo. Ele estava se questionando: “Onde está o Reino? Onde está a demonstração de poder, a derrubada dos romanos, o cumprimento das promessas de Davi?” Foi um testemunho da condição terrena de João Batista. Mesmo os melhores homens e os maiores profetas, convivem com elementos de sua condição pecaminosa que se manifestam em dúvidas. Mas Jesus é de uma natureza completamente diferente porque ele vem do alto, sua origem é celestial.

Quando Jesus acabou de alimentar uma multidão com pães e peixes, ele passou a falar de si mesmo como o pão da vida. Ele disse: “porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo […] Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou […] Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente” (Jo 6.33,38,50-51).

Isso não deixa dúvidas sobre a origem do Senhor Jesus Cristo. Ele desceu do céu, distinguindo-o claramente das pessoas nascidas na Terra, que constituem toda a raça humana. Quando Jesus confrontou líderes religiosos, ele disse: “Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou […] Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.42,58). Isso é fundamental a divindade de Cristo.

2) A supremacia de Cristo: Ele tem conhecimento divino perfeito, compartilhado eternamente com o Pai

Jo 3 32 e testifica o que tem visto e ouvido; contudo, ninguém aceita o seu testemunho.

O segundo argumento de João Batista para exaltar a superioridade de Cristo: Jesus possui conhecimento perfeito e direto de Deus porque veio do céu e testemunha aquilo que viu e ouviu pessoalmente .

Diferentemente de todos os seres humanos, que dependem de ensino e revelação para conhecer as coisas divinas, Jesus possui conhecimento absoluto por sua própria natureza. Ele é onisciente, conhece todas as coisas, inclusive os pensamentos dos homens, e não adquiriu esse conhecimento por aprendizado, mas o possui eternamente por sua união com o Pai.

Embora, durante sua encarnação, Jesus tenha crescido como uma criança normal, desenvolvendo-se física e intelectualmente, isso não significou uma aquisição de conhecimento divino. Em sua humilhação voluntária, Ele limitou o uso independente de alguns atributos divinos, mas ninguém poderia acrescentar algo ao seu conhecimento. Sua sabedoria e autoridade não derivavam de mestres humanos, mas de sua condição eterna como Filho de Deus. Por isso, quando falava das coisas celestiais, falava com conhecimento de primeira mão, algo impossível para qualquer outro homem.

Os profetas e João Batista receberam suas mensagens por revelação divina, enquanto Jesus falava a partir de sua experiência eterna com o Pai. Passagens de João 5 e João 8 mostram que Cristo compartilha o mesmo conhecimento de Deus e revela ao mundo aquilo que viu e ouviu na comunhão eterna da Trindade. Sua mensagem, portanto, possui autoridade incomparável, pois procede diretamente do céu.

Apesar dessa autoridade divina, a maioria das pessoas rejeitou o testemunho de Cristo. Sua mensagem era considerada estranha porque transcendia os sistemas religiosos e as categorias humanas. As verdades que Jesus anunciava eram celestiais, e os homens, incapazes de compreender plenamente até mesmo as coisas terrenas, resistiam a recebê-las. Assim, João Batista afirma a supremacia de Cristo por duas razões principais: Ele tem origem divina e possui conhecimento divino perfeito, compartilhado eternamente com o Pai.

3) A supremacia de Cristo: Não se Pode Crer em Deus e Rejeitar Jesus Cristo

João 3 33 Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez, certifica que Deus é verdadeiro.

Cristo é a prova da veracidade divina, quem rejeita Cristo chama Deus de mentiroso. Negar a Cristo é negar a verdade de Deus. Crer em Cristo é crer em Deus. A fé no Deus verdadeiro é validada pela fé em Jesus Cristo. Há uma relação inseparável entre Deus e seu Filho.

Se alguém não crê que Jesus é o Filho de Deus, não pode crer em Deus. Não há possibilidade de se ter uma fé verdadeira em Deus, se há rejeição a Jesus. Aquele que recebe o testemunho a respeito de Cristo, confirma que Deus é verdadeiro. Não há como alguém dizer que Deus é verdadeiro e negar a Jesus.

O povo judeu pensa que está afirmando o Deus do Antigo Testamento. Eles falam do Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus das Escrituras do Antigo Testamento, e afirmam que esse é o Deus deles e que esse é o Deus verdadeiro. Mas, na verdade, por eles rejeitarem o Messias, o Senhor Jesus, eles chamam Deus de mentiroso.

Foi o Deus do Antigo Testamento quem revelou cada profecia, direcionada e cumprida na primeira vinda de Jesus Cristo. É o Deus do Antigo Testamento quem fala da descendência de uma mulher (Gn 3); é o Deus do Antigo Testamento quem fala daquele que seria crucificado, traspassado e ferido pelas transgressões do Seu povo (Is 53). No monte da transfiguração, Deus disse: “Este é o meu Filho amado, em quem tenho muita alegria. Escutem o que ele diz!” (Mt 17.5).

Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu (1 Jo 5.10).

A fé em Jesus Cristo está inseparavelmente ligada à fé no próprio Deus. Quem rejeita Jesus está, na prática, chamando Deus de mentiroso, pois recusa acreditar naquilo que Deus declarou sobre Cristo. Portanto, não é possível afirmar que se crê em Deus e, ao mesmo tempo, rejeitar Jesus como o Filho de Deus. Se Cristo não for quem Deus disse que Ele é, então as declarações mais importantes de Deus seriam falsas, comprometendo toda a confiabilidade das Escrituras.

Esse é um tema recorrente nos escritos de João. Em João 7:16, Jesus afirma que seu ensino não procede de si mesmo, mas do Pai que o enviou. Assim, rejeitar as palavras de Cristo equivale a rejeitar o próprio Deus. Da mesma forma, em João 5, Jesus ensina que existe perfeita unidade entre Ele e o Pai: o Filho faz as obras do Pai, compartilha Sua vontade e é digno da mesma honra que é dada a Deus. Consequentemente, quem não honra o Filho também não honra o Pai.

Jesus disse que Deus é quem testifica dele, que ele não recebe testemunho de homens e que não testifica de si mesmo (Jo 5.31-4). Em João 14:10-11 Jesus declara que está no Pai e que o Pai está nele. Suas palavras e obras são a expressão da ação divina. Essa união perfeita entre o Pai e o Filho é fundamental para compreender a identidade de Cristo. Assim, a cristologia bíblica ensina que não existe verdadeira fé em Deus sem fé em Jesus Cristo, pois rejeitar o Filho é rejeitar o Pai, enquanto receber o Filho é reconhecer a veracidade e a fidelidade de Deus.

4) A supremacia de Cristo: O relacionamento trinitário

João 3 34 Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida.

Jesus possui a plenitude do Espírito Santo. Essa afirmação reforça a singularidade de Cristo e explica por que Ele deve ser exaltado acima de qualquer profeta, pregador ou líder religioso.

Jesus deve ser exaltado porque tem origem celestial, enquanto os homens têm origem terrena; porque possui pleno conhecimento divino e onisciente, enquanto os seres humanos dependem de aprendizado; e porque é o Filho que o Pai confirmou e autenticou.

Agora João Batista acrescenta que Cristo também se distingue por possuir o Espírito Santo em sua plenitude absoluta. Enquanto os servos de Deus recebem capacitação limitada do Espírito para cumprir suas missões, Jesus recebeu o Espírito “sem medida”, isto é, de forma infinita e ilimitada.

O texto bíblico enfatiza que toda a obra terrena de Jesus foi realizada pelo poder do Espírito Santo (At 10.38). Durante sua encarnação, Cristo assumiu plenamente a condição humana e voluntariamente restringiu o uso independente de seus atributos divinos.

Em sua humilhação, Jesus se submeteu à vontade do Pai e à atuação do Espírito Santo. Por isso, quando os fariseus atribuíram seus milagres ao poder de Satanás, Jesus declarou que estavam blasfemando contra o Espírito Santo, pois era o Espírito quem operava através dele (Mt 12.22-32).

João Batista foi uma pessoa extraordinária, cheia do Espírito Santo desde o ventre materno (Lc 1.15). Seu ministério foi poderosamente guiado pelo Espírito. Contudo, mesmo João recebeu apenas uma medida da atuação do Espírito. Cristo, por outro lado, recebeu o Espírito sem qualquer limitação. A expressão “sem medida” significa sem fronteiras, sem limites, sem restrições, em perfeita correspondência com sua natureza divina. Em Jesus habita toda a plenitude do Espírito de Deus.

A descida do Espírito Santo sobre Jesus em forma de pomba (Jo 1.32-34), é apresentada como um sinal visível dessa realidade. Esse evento não marcou o início da união entre Cristo e o Espírito Santo, mas revelou externamente uma comunhão que já existia eternamente dentro da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo compartilham a mesma essência divina e atuam em perfeita unidade. Aquele evento serviu para identificar Jesus como o Messias prometido e aquele que batizaria com o Espírito Santo.

Em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). Jesus não é apenas um homem cheio do Espírito, como os profetas do Antigo Testamento. Ele é o próprio Filho eterno de Deus, em quem reside plenamente a realidade divina. Sua relação com o Pai e com o Espírito Santo é única e incomparável.

Não faz sentido exaltar ministros humanos acima de Cristo. João Batista, apesar de sua grandeza espiritual, era apenas um homem terreno, dependente da revelação divina e capacitado por uma medida do Espírito. Jesus, porém, veio do céu, possui conhecimento perfeito e eterno, confirma a veracidade de Deus e desfruta da plenitude infinita do Espírito Santo. Por essas razões, Cristo é infinitamente superior a qualquer servo de Deus, somente ele deve receber toda a honra, glória e exaltação.

5) A supremacia de Cristo: O Pai lhe confiou todas as coisas

João 3 35 O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos.

O Pai entregou todas as coisas ao Filho e lhe concedeu autoridade sobre toda a criação. Essa afirmação revela que toda a obra da criação, da redenção e da consumação da história está centrada em Cristo. O plano eterno de Deus não é apenas salvar pecadores, mas glorificar Seu Filho, dando-lhe como herança uma criação renovada, um povo redimido e um reino eterno.

O amor eterno do Pai pelo Filho é o fundamento de toda a história da redenção. Deus criou o universo e planejou a salvação para que, ao final, pudesse apresentar ao Filho uma humanidade redimida, juntamente com os novos céus e a nova terra. Paulo escreveu:

Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (Ef 1.17-23).

Jesus é o soberano absoluto sobre o presente e o futuro, sobre a Igreja e sobre toda a criação. Após exaltar a pessoa e a autoridade de Cristo, João Batista encerra seu testemunho com um apelo evangelístico.

João 3 36 Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

A fé não é apresentada como uma mera sugestão, mas como uma ordem divina. Por isso, João alterna entre os termos “crer” e “obedecer”: crer em Cristo é obedecer ao mandamento de Deus, enquanto rejeitar Cristo é desobedecer à sua ordem.

João Batista terminou seu ministério como um pregador fiel do evangelho. Sua última mensagem registrada nas Escrituras ecoa a mesma verdade: a salvação está exclusivamente em Cristo (Jo 3.16,36). Diante do Filho de Deus, não existe neutralidade; cada pessoa deve escolher entre a vida eterna e a condenação eterna.

Por denunciar publicamente o pecado de Herodes Antipas, que havia tomado para si a esposa de seu irmão, João Batista foi preso. Posteriormente, influenciado por Herodias e por sua filha, Herodes ordenou a decapitação de João durante uma celebração marcada pela corrupção moral.

Assim, o maior profeta do Antigo e do Novo Testamento teve uma morte aparentemente humilhante e injusta (Mt 14.1-12). Mas João não morreu como um derrotado. Ele morreu como um servo satisfeito, porque sua missão havia sido cumprida. Sua alegria estava completa porque a verdade que proclamara se tornara realidade: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (João 3.30). João não buscava seguidores para si mesmo; seu objetivo era conduzir as pessoas a Cristo. Após sua morte, seus discípulos foram até Jesus, demonstrando que o ministério de João havia alcançado seu propósito.

João Batista se tornou o modelo da verdadeira humildade ministerial. Ele reconheceu a superioridade de Cristo em todos os aspectos: sua origem celestial, sua onisciência, sua perfeita unidade com o Pai, sua plenitude do Espírito Santo e sua autoridade universal. Por isso, João Batista é apresentado como um exemplo para todos os servos de Deus: o verdadeiro ministério não busca exaltar o pregador, mas levar as pessoas a glorificarem exclusivamente a Cristo. Vamos orar.

Senhor, somos gratos neste dia pelas alegrias que tivemos juntos, contemplando a Tua verdade e o nosso Salvador, cantando hinos e canções, compartilhando comunhão, contribuindo e orando juntos, desfrutando da companhia uns dos outros. Somos tão ricos. Temos o melhor que o mundo não pode oferecer, o melhor que o céu pode oferecer. Somos tão gratos. Realiza a Tua obra nos corações, Senhor, dá vida aos pecadores, traz convicção do pecado. E que Cristo preencha toda a nossa visão. Que a Ele seja dada toda glória. Que nunca nos fartemos dele. Que o amemos mais, o sirvamos com mais fidelidade, busquemos ser mais semelhantes a ele. E pedimos a Sua glória. Amém.


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura. 


Este texto é uma síntese do sermão “Jesus Is Superior to John”, de John MacArthur, em 24/03/2013.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/43-19/jesus-is-superior-to-john

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

 

 

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