Jesus Alimenta uma Multidão

João 6.1-15 relata a primeira multiplicação dos pães e peixes como uma demonstração pública do poder criador e da divindade de Jesus, capaz de suprir abundantemente uma multidão. Também revela a pequena fé dos discípulos e a superficialidade da multidão, que desejava os benefícios materiais de Cristo, mas não sua verdade nem seu senhorio. Os verdadeiros convertidos não vão a Cristo para receber simplesmente aquilo que desejam, mas para responder ao que Ele exige. Jesus chama os pecadores a lamentarem seus pecados, arrependerem-se, reconhecerem-no como Senhor soberano e viverem em obediência a Ele.

Prosseguindo no Evangelho de João, iniciaremos agora o sexto capítulo. Os primeiros quinze versículos nos leva a uma das histórias mais conhecidas de toda a Bíblia: a multiplicação dos pães e peixes. De todos os milagres que Jesus realizou, este é o maior em termos de número de pessoas. Havia no local 5 mil homens, além das mulheres e crianças (Mt 14.21), que, provavelmente, significa entre 20 mil e 25 mil pessoas no total. Além da ressurreição de Cristo, é o único milagre relatado pelos quatro evangelhos.

A primeira multiplicação de pães (Jo 6.1-14; Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Lc 9.10-17) ocorreu em um lugar deserto, próximo da região de Betsaida, na margem nordeste do Mar da Galileia (ou Tiberíades), em que a multidão passou um dia com Jesus.
A segunda multiplicação de pães (Mt 15.29-39; Mc 8.1-10), ocorreu na região de Decápolis (predominantemente gentia), na margem leste do Mar da Galileia, e havia lá 4 mil homens, além das mulheres e criança, em que a multidão passou três dias com Jesus.

Nas duas ocasiões ocorreram a manifestação do poder criativo de Jesus. Ele criou alimento do nada para saciar multidões.

A primeira multiplicação de Pães é o quarto milagre que João registrou em seu evangelho. O primeiro foi a transformação de água em vinho, no casamento em Caná (Jo 2.1-12). O segundo foi a cura do filho do oficial do rei (Jo 4.46-54). O terceiro foi a cura de um homem paralítico havia 38 anos, que padecia junto ao tanque de Betesda (Jo 5.1-18).

João inicia seu Evangelho, inspirado pelo Espírito Santo, estabelecendo desde o princípio a identidade de Jesus: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Jesus é o Filho eterno, plenamente Deus, por meio de quem todas as coisas foram criadas e em quem está a própria vida (Jo 1.3-4). O Verbo “se fez carne e habitou entre nós”, revelando a glória do Deus unigênito, cheio de graça e de verdade (Jo 1.14). Assim, João nos apresenta Jesus como verdadeiro homem, com uma história vivida na Terra, mas também como verdadeiro Deus em forma humana.

Esse é o propósito de todo o Evangelho: demonstrar, por meio dos testemunhos, das declarações de Jesus e dos sinais miraculosos, que Ele é o Cristo, o Filho de Deus, para que, crendo nele, tenhamos vida eterna em seu nome (Jo 20.31). O homem Jesus — nascido em Belém, criado em Nazaré, morto, sepultado, ressuscitado e assunto aos céus — é o Deus eterno que prometeu voltar. Ele mesmo afirmou repetidamente sua divindade: “Eu Sou” (Jo 8.12,24,58; 14.6 etc.), “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9) e “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).

Portanto, a vida eterna está em crer em sua pessoa e em sua obra. Jesus disse aos escribas e fariseus: se não crerem que Eu Sou, vocês morrerão nos seus pecados” (Jo 8.24). Eles lhe perguntaram: “Quem é você?” (Jo 8.25). Ele lhes respondeu falando de sua iminente morte na cruz: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, então saberão que Eu Sou e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou” (Jo 8;28).

Temos o testemunho de João Batista, o testemunho do próprio Jesus e a evidência de seus milagres, que comprovam sua divindade. Como Ele declarou: “As obras que o Pai me deu para realizar […] testificam de mim, de que o Pai me enviou” (Jo 5.36). Esse testemunho aparece também em Mateus, Lucas e na pregação de Pedro no Pentecostes: Jesus é o Cristo, o Messias, confirmado por Deus mediante milagres, sinais e maravilhas (At 2.22). Foram tantas as obras realizadas que João afirma que, se todas fossem registradas, nem o mundo inteiro poderia conter os livros escritos (Jo 21.25). Os Evangelhos apresentam apenas uma amostra das obras de Cristo, mas uma amostra suficientemente convincente.

Os milagres eram públicos, numerosos e evidentemente sobrenaturais; por isso, ninguém entre os contemporâneos de Jesus tentou negá-los como fraude, truque ou ficção. Até Nicodemos reconheceu: “Ninguém pode fazer o que tu fazes, a menos que Deus esteja com ele” (Jo 3.2). Contudo, embora os sinais comprovassem quem Jesus era, os líderes religiosos não conseguiam conciliar sua divindade com o monoteísmo que professavam. Poderiam ter reconsiderado sua compreensão à luz das Escrituras — do “Façamos o homem à nossa imagem” (Gn 1.26), da presença do Espírito de Deus (Gn 1.2) e das indicações de uma pluralidade pessoal em Deus —, mas sua religião apóstata e profundamente enraizada os impediu.

Mais do que uma dificuldade teológica, porém, eles rejeitaram Jesus porque odiavam sua mensagem. Jesus denunciava sua hipocrisia, sua justiça própria e a falsa ideia de que poderiam alcançar a salvação por meio de seus próprios esforços religiosos. Assim, apesar das evidências incontestáveis, declararam-no blasfemo e procuraram matá-lo (Jo 5.17-18). Sem negar os milagres, negaram o realizador dos milagres; sem rejeitar suas obras, rejeitaram sua pessoa. Essa é a obstinação do coração humano e a natureza enganosa da falsa religião.

O cenário da primeira multiplicação de pães e peixes

No capítulo 6 do Evangelho de João, veremos repetir-se exatamente o mesmo padrão do capítulo 5. No capítulo 5, ocorre um milagre: a cura do homem junto ao tanque. Em seguida, Jesus apresenta um discurso acerca de sua divindade, fundamentado no milagre realizado. O discurso, porém, é seguido por rejeição e apostasia e, finalmente, pelo desejo de matá-lo (Jo 5.18). A mesma coisa acontece no capítulo 6. Começa com um milagre, a alimentação da multidão, seguido por um discurso, seguido por rejeição, apostasia e pelo desejo de matá-lo (Jo 7.1)

João 6
1 Depois destas coisas, atravessou Jesus o mar da Galileia, que é o de Tiberíades.
2 Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos.
3 Então, subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos.
4 Ora, a Páscoa, festa dos judeus, estava próxima.

A frase “depois destas coisas” (v.1) não significa que os eventos registrados no capítulo 6 aconteceram imediatamente após os eventos registrados no capítulo 5. Ele simplesmente indica que o que aconteceu no capítulo 6 ocorreu em momento posterior aos eventos no capítulo anterior. Houve um intervalo de tempo significativo entre os capítulos 5 e 6.

De acordo com o versículo 4, os acontecimentos do capítulo 6 ocorreram pouco antes da Páscoa.
João 5.1 diz que Jesus subiu para uma festa em Jerusalém.
Se foi na Festa dos Tabernáculos, cerca de seis meses teria decorrido entre os dois capítulos;
S
e foi a Páscoa, a diferença teria sido um ano.
Durante esse intervalo, Jesus continuou ministrando na Galileia (Mt 5.1 a 8.1; 8.5-13,18,23-34; 9.18 a 11.30; 12.15 a 14: 12; Mc 3.7 a 6.30; Lc 6.12 a 9.10).
A disseminação de sua fama ao longo desse período de seis a doze meses explica o enorme tamanho da multidão que se reuniu nesta ocasião.

Os Evangelhos Sinópticos sugerem duas razões que Jesus e os discípulos se retiraram para o lado oriental do lago. Os doze tinha acabado de voltar de uma missão de pregação (Mc 6. 7-13, 30), e Jesus também tinha sido fortemente envolvido no ministério enquanto eles estavam fora (Mt. 11.1). O Senhor sabia que os discípulos precisavam de um tempo de descanso e instrução (Mc 6.31-32). A notícia da morte de João Batista (Mt 14.1-12) ofereceu uma razão adicional para a sua retirada: “ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte; sabendo-o as multidões, vieram das cidades seguindo-o por terra” (Mt 14.13).

Eles atravessaram o Mar da Galileia por barco (Mc 6.32), mas uma grande multidão das cidades vizinhas (Mt 14.13) o seguiam a pé ao longo da costa (Mc 6.33). Quando eles chegaram ao seu destino, uma multidão já estava esperando por eles (Mt.14.14). A multidão não foi motivada pela fé, arrependimento ou amor verdadeiro, mas porque eles viam os sinais e milagres (Jo 6.2). Eram caçadores de emoções que não conseguiram compreender o verdadeiro significado dos sinais milagrosos de Jesus: testificar que ele é o Filho de Deus e o Messias. Como veremos ao longo de João 6, eles se reuniram para ver suas obras, mas recusaram suas palavras. Eles queriam os benefícios do seu poder, mas nenhum compromisso com ele.

Depois de chegar na costa oriental do lago, Jesus subiu ao monte e sentou-se com seus discípulos (Jo 6.3). Apesar da multidão reunida, o Senhor queria algum tempo a sós com os doze. O fato da proximidade da Páscoa sugere que muitos na multidão eram peregrinos que se preparavam para ir a Jerusalém. A Páscoa comemora a libertação da nação do Egito, que os sentimentos nacionalistas dos judeus atingiram o seu pico. Isso pode ajudar a explicar tentativa da multidão, em face do milagre operado diante deles, de fazer de Jesus um rei (Jo 6.15).

Então, esse é o cenário. Pessoas com interesses: terrenos, temporais, de bem-estar pessoal e bem-estar nacional. Elas querem o que todas as pessoas não regeneradas querem. E nesse contexto, Jesus se tornou popular. Elas queriam receber tudo que pudesse extrair de Jesus, mas não estavam interessadas em sua mensagem.

Jesus entrou na multidão e passou lá o dia curando os enfermos (Mt 14.14), falando sobre o reino de Deus e a salvação (Lc 9.11). Marcos diz: “ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6.34). O seu coração se comove com a multidão por causa do sofrimento deles no mundo físico, por causa da condição espiritual desesperadora em que se encontram. Então, ele os cura e prega a salvação no Reino. Ele faz isso o dia todo.

Jesus testa a fé de seus discípulos

João 6
5 Então, Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pães para lhes dar a comer?
6 Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer.
7 Respondeu-lhe Filipe: Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço.

No relato de Mateus, os discípulos haviam pedido a Jesus que mandasse à multidão sair para todos comprarem comida para si, pois já era tarde e o lugar era deserto (Mt 14.15). Então Jesus pergunta a Filipe: “onde vamos comprar comida para eles?” (Jo 6.5). Jesus falava de algo impossível, não havia comida por ali para a multidão e nem recursos para tal. Jesus sabia muito bem o que ia fazer, mas disse isso para ver qual seria a resposta de Filipe (Jo 6.6).

Filipe deve ter pensado: “Por que Jesus diz isso? O que se passa na cabeça dele? Isso é impossível, não temos recursos para tal e isso aqui é um deserto. Mesmo que tivéssemos onde comprar, isso custaria 200 denários, não temos esse valor”. Um denário equivalia a 1 dia de salário de um soldado romano, então seriam necessários 8 meses de salário de um soldado romano.

Sua fé foi testada e reprovada. Ele deveria ter dito: “Senhor, para Ti nada é impossível, Tu és o Deus eterno encarnado. Por que me fazes essa pergunta?”. Os discípulos haviam testemunhado Jesus operar sinais e milagres, mas consideram aquela situação impossível para Jesus resolver.

João 6
8 Então um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse:
9 Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos. Mas o que é isso para tanta gente?

Marcos acrescenta que Jesus disse aos discípulos para verificar a existência de alimentos na multidão (Mc 6.38). Foi então que André tentou encontrar uma solução, mas caiu no mesmo erro de Filipe. Ele informou que havia um menino com cinco pães de cevada e dois peixinho, e, de forma incrédula, disse que aquilo não era nada para alimentar uma multidão faminta (Jo 6.9). A resposta de André mostrou que ele, Filipe e o resto dos doze, foram reprovados no teste de fé. Ninguém respondeu afirmando o poder de Jesus para alimentar aquela multidão.

Jesus manda os discípulos organizar a multidão

João 6
10 Disse Jesus: Fazei o povo assentar-se; pois havia naquele lugar muita relva. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.

Com os discípulos atordoados, Jesus assumiu o comando da situação. Em vez de repreender a fragilidade da fé deles, Jesus os coloca para trabalhar. Seguindo as instruções do Senhor, eles organizam a multidão, fazendo-a sentar-se na relva verde. Marcos acrescenta que eles dividiram a multidão em grupos de cem e de cinquenta (Mc 6.40), com pequenos corredores entre os grupos. A fé deles falhou, mas a obediência não.

Por toda a encosta gramada, aquela multidão de 20 mil a 25 mil pessoas estava sentada. Como Jesus conseguiu que toda a multidão cooperasse? Provavelmente se explica pelo fato de que todos sabiam que ele tinha tanta autoridade por meio dos milagres que havia realizado, e assim fizeram tudo que ele havia mandava fazer.

Jesus multiplica 5 pães e 2 peixes e alimenta a multidão

João 6
11 Então Jesus pegou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os entre eles; e igualmente os peixes, tanto quanto queriam.

Parece algo extraordinário, não? Jesus deu graças porque tinha apenas cinco pães e dois pequenos peixes para alimentar uma multidão. Agradeceu ao Pai pela maravilhosa refeição que todos estavam prestes a desfrutar e, então, sem alarde, sem voz do céu, relâmpagos ou trovões, começou a distribuir o alimento aos que estavam sentados.

Ele continuou repartindo pães de cevada e peixes, criando-os diante de todos. Eram pães que não vieram de grãos, que nunca cresceram nem estiveram na terra, e peixes que jamais nadaram. Eram alimentos perfeitos, sem os efeitos da maldição — talvez semelhantes ao maná que veio do céu.

Jesus distribuiu o alimento a todos os que estavam sentados, e cada um pôde comer quanto quisesse. Portanto, esse milagre não pode ser reduzido a uma simples lição sobre partilha, pois, quando uma quantidade limitada é dividida entre muitos, todos recebem menos do que desejam. Aqui aconteceu exatamente o contrário: sem qualquer explicação natural e diante de milhares de testemunhas, todos comeram à vontade e ficaram satisfeitos.

Gosto especialmente da palavra “satisfeitos”, usada também no contexto da pecuária para descrever animais alimentados até não quererem mais. A multidão se fartou daqueles pães e peixes. Não era uma iguaria sofisticada, mas alimento vindo do céu, preparado pelo próprio Criador. Talvez muitos tenham contado aos filhos sobre a melhor refeição que já haviam experimentado: comeram plenamente e, satisfeitos, afastaram-se como um animal que, depois de se alimentar o bastante, deixa o cocho.

João 6
12 E, quando já estavam satisfeitos, Jesus disse aos seus discípulos: — Recolham os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
13 Assim, pois, o fizeram e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram depois que todos tinham comido.

E ainda houve sobra. Não foi apenas uma refeição completa e farta, mas também perfeitamente calculada. Os discípulos recolheram os pedaços que restaram e encheram doze cestos — exatamente o suficiente para os doze. Esse foi um poderoso milagre de criação, mas também um milagre de extraordinária precisão: houve alimento suficiente para satisfazer toda a multidão e suprir os apóstolos. Sua precisão é tão impressionante quanto seu poder. Jesus podia fazer isso quando quisesse: mais tarde, alimentou quatro mil pessoas e, em João 21, preparou de modo semelhante o café da manhã dos discípulos à beira do mar da Galileia.

Como poderiam os discípulos ainda demonstrar falta de fé depois de presenciarem e experimentarem tudo isso? Eles viam diariamente Jesus curar coxos, paralíticos, mudos e cegos, levando as multidões a glorificarem o Deus de Israel. Ainda assim, no momento de sua prisão, abandonaram-no e fugiram. Por que nenhum deles pensou: “Sabemos do que Ele é capaz; vamos permanecer aqui e observar”? Eram alunos de pequena fé, incapazes de compreender plenamente o que seus olhos testemunhavam.

Pouco depois, quando se esqueceram de levar pão e começaram a discutir por causa disso, Jesus os repreendeu: “Homens de pequena fé, por que vocês discutem entre si sobre não terem pão?” (Mc 8.17-21). Então os fez recordar os cinco pães repartidos entre cinco mil pessoas, os sete pães distribuídos a quatro mil e todos os cestos recolhidos. Eles já haviam presenciado dois milagres de multiplicação e, mesmo assim, continuavam preocupados com a falta de alimento. É realmente decepcionante: quantas evidências ainda seriam necessárias para que compreendessem quem Jesus era?

A falsa coroação da multidão

João 6
14 Quando as pessoas viram o sinal que Jesus havia feito, disseram: — Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.
15 Jesus ficou sabendo que estavam para vir com a intenção de fazê-lo rei à força. Então ele se retirou outra vez, sozinho, para o monte.

Enquanto os discípulos ainda procuravam fortalecer a fé diante de tudo o que haviam presenciado, chegamos ao desfecho: a falsa coroação. Ao verem o sinal realizado por Jesus, as pessoas disseram: “Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo”. Talvez se lembrassem da profecia de Deuteronômio 18.15-19, na qual Moisés anunciou a vinda de um profeta maior do que ele. Pedro, em Atos 3.20-22, confirma que Jesus é esse profeta. A multidão percebeu corretamente que Ele era o Messias e o Libertador prometido, mas respondeu de maneira completamente errada.

Em vez de dizerem: “Ele é um profeta de Deus; vamos ouvir sua mensagem”, eles tentaram tomá-lo à força para fazê-lo rei. Queriam um rei que estabelecesse o sistema de bem-estar perfeito: alguém capaz de realizar milagres, curar os enfermos e alimentar a todos. Jesus, porém, enviou os discípulos de barco para o outro lado do lago, dispensou a multidão e retirou-se sozinho para o monte. Se fosse apenas um homem ambicioso, aquele teria sido o momento ideal para assumir o poder. Mas Ele não permitiu que o transformassem no tipo de rei que desejavam. Jesus não aceita ser apenas um provedor de benefícios passageiros nem uma solução rápida para necessidades momentâneas.

A multidão teve uma oportunidade extraordinária de reconhecê-lo como o Filho de Deus e dizer: “Ensina-nos a verdade de Deus”. Mais adiante, no mesmo capítulo, Jesus lhes ensinaria que Ele é o Pão da Vida e falaria sobre salvação, céu e riquezas eternas. Eles, contudo, rejeitariam sua mensagem. Jesus não se submete aos caprichos humanos nem pode ser manipulado para satisfazer interesses egoístas. Ele não vem a ninguém nos termos dessa pessoa. Apresentá-lo como alguém que existe apenas para conceder prosperidade e satisfação passageira é apresentar um falso Jesus.

Os verdadeiros convertidos não vão a Cristo para receber simplesmente aquilo que desejam, mas para responder ao que Ele exige. Jesus chama os pecadores a lamentarem seus pecados, arrependerem-se, reconhecerem-no como Senhor soberano e viverem em obediência a Ele. Chama-os a servi-lo, sofrer por Ele e, se necessário, morrer por Ele. Quando apresentou essas exigências no restante do capítulo, a multidão superficial lhe deu a costas e foi embora. Jesus sempre dispersa os seguidores superficiais por meio das rigorosas exigências do evangelho. Portanto, onde um falso pregador reúne uma multidão que permanece fiel a ele, isso acontece porque ela ainda não ouviu as duras exigências do verdadeiro evangelho. Vamos orar.

Pai, agradecemos pelo tempo que passamos hoje tua Palavra nesta manhã e pela vivacidade desse encontro extraordinário, transmitido a nós pelos evangelistas. Reconhecemos Jesus Cristo como Senhor e Salvador e buscamos nele aquilo que é eterno. Somos gratos pela provisão e pela saúde nesta vida, se assim desejares e se servirem aos teus propósitos. Mas também te agradecemos pelas privações, pelos sofrimentos, pelas perseguições, pelas doenças e até pela possibilidade da morte, se tudo isso contribuir para a glória de Cristo, nosso Mestre, de quem somos servos. Viemos em busca das palavras da vida. Quando Jesus perguntou: “Vocês também querem ir embora?”, Pedro respondeu: “Para quem iremos? Só tu tens as palavras da vida eterna”.

Queremos Jesus por causa de suas palavras; queremos a verdade. Podemos viver sem saúde e riqueza, mas não podemos viver sem a verdade. Nós o recebemos como Salvador e Senhor porque Ele verdadeiramente o é e porque cremos no evangelho que anunciou — o evangelho de que precisamos desesperadamente para sermos resgatados do inferno eterno e conduzidos à glória com Ele. Obrigado, Pai, pelo dom de teu Filho. Obrigado, Cristo, por teres vindo e por seres nosso Senhor e Mestre. Obrigado, Espírito Santo, por nos concederes a Palavra e o registro dessas verdades, orientando-nos para que nos aproximemos corretamente do Salvador. Queremos estar entre aqueles que não o abandonam, porque desejamos suas palavras, as quais produzem fé, concedem vida eterna e nos dão a esperança do céu.

Obrigado pelo tempo que passamos juntos em adoração. Abençoa cada vida e confirma a verdade em cada coração. Envia-nos agora em nosso caminho com corações agradecidos, mais uma vez transbordando da riqueza de tua verdade e da promessa de vida que recebemos por meio de teu Filho. Oramos em nome dele. Amém.


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre todo o Evangelho de João.

Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura. 


Este texto é uma pequena síntese do sermão “Jesus Feeds the Multitudes”, proferido por John MacArthur, em 24/11/2013.

Você pode ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/43-32/jesus-feeds-the-multitudes

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

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