Eis o Cordeiro de Deus: Siga-o!
João 1.19-37 relata três dias de testemunho de João Batista. No primeiro dia, ele diz a uma delegação hostil do Sinédrio: “Ele está aqui”. No segundo dia, ele diz à uma multidão: “Olhem para Ele”. E, no terceiro dia, ele diz a dois de seus discípulos: “Sigam-no”. Essa é a essência da fé salvadora. Você entende que ele veio; quem ele é; e dedica sua vida a segui-lo. Isso é o que significa ser cristão.
O Evangelho de João tem um propósito bem definido: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). Esse é seu ponto central. Nele encontramos vastas evidências da divindade e messianidade de Jesus Cristo; de que Ele é o Deus eterno encarnado, o Salvador, em quem temos perdão e vida eterna.
Em João 1.1-18 é declarada a divindade de Jesus Cristo. E então, a partir de João 1.19 são apresentadas as evidências que comprovam essa declaração. Ele começa falando do Senhor Jesus Cristo como o Verbo Eterno que estava desde princípio com Deus e que é Deus. Diz que dele emana a verdade; a luz que penetra nas trevas de um mundo caído; e que ele é a fonte de vida.
Em João 1.14, o apóstolo João resume sua declaração dizendo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. E então, a partir do João 1.15, ele traz uma declaração pública de João Batista sobre Jesus.
Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim. Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou (Jo 1.15-18).
Por que é tão importante que o apóstolo João se baseie nesse testemunho inicial de João Batista sobre Jesus Cristo? João Batista foi um profeta, o único profeta que houve em Israel em cerca de 400 anos. Todos o reconheciam como profeta (Mt 14.5; 21.26).
João Batista não era um homem comum. O primeiro capítulo de Lucas diz que ele veio de uma família sacerdotal, o que lhe conferia ainda mais credibilidade, pois os sacerdotes eram reverenciados, honrados e respeitados em toda a terra de Israel. O seu nascimento foi milagroso, seus pais eram idosos.
O anjo que apareceu a seu pai Zacarias, ao anunciar que sua esposa Isabel teria um filho, profetizou que João Batista seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lc 1.13) e “irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado” (Lc 1.17).
Outro componente que torna João Batista tão singular é que ele viveu completamente fora do sistema religioso de Israel. A partir do momento em que ele desaparece no capítulo 1 de Lucas, ele foi para o deserto e, pela maior parte de trinta anos, viveu como um eremita no meio do deserto. Era um nômade completamente alheio ao sistema religioso.
Na primeira vez que vemos os líderes de Israel vindo até ele, João Batista lhes diz: “Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.7-8). Ele não apenas se distingue deles, como também fala profeticamente contra eles e os adverte sobre o julgamento vindouro.
Este é o homem em quem João se baseia para o testemunho inicial. Ele não foi um produto do sistema religioso. Ele não foi, em certo sentido, simplesmente um produto de uma vida humana. Ele foi uma criança divinamente preparada. Ele não foi um homem que encontrou uma carreira porque tinha alguma inclinação para isso. Ele foi ordenado por Deus e, portanto, profetizou para fazer o que fez. E ele foi, acima de tudo, um verdadeiro profeta, uma lâmpada brilhante e ardente.
A questão é a seguinte: se você vai escolher alguém para iniciar o testemunho, escolha a pessoa mais confiável. E é exatamente isso que o apóstolo João faz ao citar o testemunho de João Batista. E para obter o testemunho de João Batista (Jo 1.19-37), o apóstolo João concentra-se em três dias do ministério duradouro de João Batista. Ele ministrou por meses a fio, mas desse período há um ápice de três dias, e são três dias importantes porque no segundo dia Jesus de fato aparece.
Em três dias sequenciais João Batista testemunhou para três grupos diferentes. No primeiro dia, ele diz a uma delegação hostil do Sinédrio: “Ele está aqui”. No segundo dia, ele diz à uma multidão presente: “Olhem para Ele”. E no terceiro dia, ele diz a alguns de seus próprios discípulos: “Sigam-no”.
1º dia: O testemunho de João Batista à delegação do Sinédrio
João 1
19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu?
O primeiro dia foi dedicado à delegação judaica que veio de Jerusalém para confrontar João Batista e fazer-lhe as perguntas que os líderes religiosos queriam ver respondidas.
Jerusalém era a sede da religião judaica. O poder no conselho judaico, chamado Sinédrio, era exercido por setenta membros (na maioria saduceus, mas havia também fariseus), além do sumo sacerdote, que administrava o judaísmo.
Os saduceus eram liberais religiosos, aceitavam apenas o Pentateuco (os cinco livros de Moisés) como autoridade divina, rejeitavam os profetas e escritos posteriores. Eles negavam a ressurreição, a imortalidade da alma e a existência de anjos e demônios. Eles controlavam o funcionamento do templo, o dinheiro, o poder e as conexões com Roma.
Os fariseus eram fundamentalistas. Criam na ressurreição dos mortos, na imortalidade da alma e na existência de anjos e demônios. Criam em todo o Antigo Testamento e nas tradições orais. Eram os especialistas na lei de Deus.
João usou a expressão “os judeus” setenta vezes em seu evangelho para se referir àqueles que eram hostis a Jesus, esta expressão não se referia a todos os judeus como etnia ou raça. Por isso ele usa a expressão “os judeus” para se referir àqueles que enviaram à delegação que veio lhe interrogar.
Em João 1.24 diz: “os que haviam sido enviados eram de entre os fariseus”. O melhor que podemos dizer é que provavelmente se tratava de uma coalizão vinda do Sinédrio, e os fariseus se tornaram os principais questionadores nesse grupo.
Aquela delegação veio para fazer perguntas a João Batista. As perguntas parecem refletir a compreensão farisaica, porque estão ligadas à interpretação do Antigo Testamento, que era seu principal campo de atuação.
Eles perguntam a João Batista: “Quem és tu?”. O que está implícito nessa pergunta é: “És tu o Messias?” Como sabemos que isso está implícito? Por causa da resposta de João Batista: “Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo” (Jo 1.20). No grego a resposta de João Batista é uma veemente e contundente negação.
Joao Batista e o profeta Elias
João 1
21 Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não.
Eles perguntaram se ele era Elias. Eles estavam olhando para a profecia de Malaquias: “eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml 4.5). João Batista respondeu que ele não era Elias.
Você deve estar pensando: “Mas Jesus relacionou João Batista a Elias ao descer do monte da transfiguração”. De fato, Mateus registrou isso:
Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista (Mt 17.10-13).
Conciliar as duas afirmações é muito simples. Em Lucas 1.17, o anjo disse a Zacarias que João Batista viria “no espírito e poder de Elias”, ou seja, com a mesma ousadia e o mesmo poder na pregação, e o mesmo chamado ao arrependimento que marcou o ministério profético de Elias. Sobre ele Isaías profetizou: “voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus” (Is 40.3; cf. Mt 3.3; Mc 1.3; Lc 3.4-6; Jo 1.23). Sobre ele, Malaquias escreveu:
Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos. (Ml 3.1).
Mas a Escritura fala que Elias precederá a segunda vinda de Cristo, no tempo da grande tribulação: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml 4.5). Moisés e Elias apareceram juntos no monte da Transfiguração (Mt 17.1 -4) e talvez sejam as duas testemunhas da Grande Tribulação (Ap 11.1-3).
Todos os rabinos, judeus, sacerdotes e levitas entendiam que antes da chegada do Messias, Elias viria. Mas essa promessa diz respeito a segunda vinda do Messias para julgar. Muitos consideram que Elias será uma das duas testemunhas de Apocalipse (Ap 11.3). Elias não morreu, ele foi para o céu em uma carruagem (2Rs 2.10-12).
Então eles perguntaram: “Você é Elias?” Ou seja, “Isso significa que esta é a vinda do Rei?” E, claro, eles pensaram que o julgamento seria sobre as nações ímpias e que o reino lhes seria dado. Mas João Batista responde: “Não sou Elias”.
A Escritura fala de duas vindas de Cristo. Na primeira vinda, ele foi precedido por alguém no espírito e poder de Elias (Lc 1.17). Na segunda vinda, ele será precedido por Elias. Portanto, João Batista não era Elias.
E fica bastante claro ao longo do testemunho de Mateus e Lucas que eles entenderam isso — que João Batista não era Elias, mas era aquele que viria no espírito e poder do profeta Elias, como disse Zacarias (Lc 1.17). Tal como João Batista, Elias era conhecido por sua posição firme e intransigente em relação à Palavra de Deus — mesmo diante de um rei implacável (cf. 1Rs 18.17-24; Mc 6.15). É neste aspecto que João Batista veio no espírito e poder de Elias.
João Batista e o profeta prometido
Diante da negativa veemente de João Batista de que ele não era Elias, a comitiva no Sinédrio perguntou: “Tu és o profeta?”. Veja bem, eles disseram: “o Profeta”. Foi uma pergunta precisa. Eles estavam se referindo à profecia de Moisés, que diz:
O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás […] Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar (Dt 18.15,18).
Moisés falou sobre a vinda de um grande profeta, este seria associado à salvação, à restauração e à revelação da Palavra de Deus. Ao longo da história, os judeus sempre viram isso como uma profecia da vinda do Messias, e esse profeta seria o próprio Messias ou alguém que viesse na época do Messias.
No seu segundo sermão após o derramamento do Espírito Santo, Pedro disse que o profeta prometido por Moisés é Jesus Cristo (At 3.11-26). Estêvão transmitiu a mesma mensagem, identificando esse profeta como Jesus Cristo (At 7.37, 51-52). Mas João lhes respondeu: “Eu não sou o profeta profetizado por Moisés”.
João Batista não era o Messias, nem Elias e nem o profeta prometido. Ele Era apenas uma voz.
João 1
22 Disseram-lhe, pois: Declara-nos quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo?
23 Então, ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.
24 Ora, os que haviam sido enviados eram de entre os fariseus
Após João Batista negar que era o Messias, Elias ou o profeta, a comitiva do Sinédrio queria uma resposta sobre quem ele se dizia ser para levar ao Sinédrio. João Batista respondeu apenas: “Eu sou uma voz”. Ele não reivindicou títulos, honras, posições, seguidores e nem discípulos. Sua função era apontar para Cristo, sobre quem ele disse: “do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias” (Jo 1.27) e que “importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30),
Então ele diz: “Eu sou a voz que clama no deserto”, e ele tira isso diretamente da profecia de Isaías. O deserto não era necessariamente o deserto da Judeia, mas o deserto espiritual de Israel, de corações sem vida. “Estou entrando nesse deserto. Sou uma voz, nada mais”. E digo: “endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (Is 40.3-5).
Então ele diz que seu trabalho é ser uma voz que clama para que as pessoas preparem seus corações para a vinda do Rei. Ele é o arauto do grande Rei que estava chegando. Ele é apenas uma voz, e está apontando para Jesus Cristo. E ele está dizendo ao povo:
Endireitai o vosso caminho, eliminem os obstáculos, as curvas, os vales, os lugares altos e os lugares baixos em suas vidas, eles precisam ser erguidos. Derrubem os lugares orgulhosos e pervertidos, eles precisam ser endireitados; eliminem os lugares bagunçados, eles precisam ser limpos para preparar o caminho para aquele que está vindo. Eu sou apenas a voz que clama neste deserto espiritual.
Os líderes religiosos viam João Batista como uma ameaça
João 1
25 E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
A comitiva do Sinédrio, em outras palavras, estava lhe dizendo: “Afinal de contas, quem você pensa que é para batizar as pessoas? Poderíamos até permitir que Elias ou o profeta prometido por Moisés fizesse isso. De onde você pensa ter recebido o poder ou a autoridade para batizar?” É isso que está por trás da pergunta. Mais adiante João Batista disse que recebeu de Jesus Cristo o poder e a autoridade para batizar (Jo 1.33).
João 1
26 Respondeu-lhes João: Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis,
27 o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias.
Em outras palavras: “por que vocês estão tão preocupados comigo? Eu batizo na água, isso é apenas um símbolo externo”. No dia seguinte ele disse que Jesus, aquele que batiza com o Espírito Santo, lhe ordenou a batizar com água (Jo 1.33). Ou seja: “Vocês precisam se preocupar com aquele que lida com os corações, que batiza com o Espírito Santo, cuja obra será a de uma verdadeira purificação e regeneração”.
João sempre direcionava todas as coisas para Jesus. Nos dias seguintes, por duas vezes ele viu Jesus e disse a todos a seu redor: “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1.29,36). Mas na ânsia de expor todos os falsos Messias e de se exaltarem, os líderes religiosos de Israel não conheceram o verdadeiro Messias.
João Batista negou veementemente que ele era o Cristo, negou que ele era Elias e negou que ele era o profeta prometido, sobre quem Moisés escreveu. E a pergunta que estava por trás das perguntas era esta: “Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta” (Jo 1.25). As questões deles sempre giravam em torno de poder e autoridade.
Eles foram completamente hostis a Jesus porque ele assumia autoridade no que dizia e fazia. Ele não havia passado por nenhum sistema rabínico, ou instituição rabínica, ou treinamento rabínico. Ele não tinha autorização de ninguém com poder religioso, mas agiu por sua própria autoridade que lhe foi dada pelo Pai.
Jesus declarou a um grupo de judeus hostis: “assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem” (Jo 5.26-27). Jesus representava uma grande ameaça à autoridade religiosa deles. E com João Batista era a mesma coisa, pois as multidões iam até ele para o ouvirem e serem batizadas.
O judaísmo tinha um batismo para prosélitos, ou seja, gentios que queriam fazer parte da religião judaica. Eles passavam por um batismo de prosélito, entrando na água, simbolizando externamente o que estava acontecendo internamente. Em outras palavras, o gentio convertido, no batismo, estava confessando publicamente: “eu quero ser purificado do meu paganismo e quero entrar na religião do verdadeiro Deus de Israel”.
Os líderes religiosos questionaram a autoridade de João, pois seu batismo exigia arrependimento, algo que os fariseus, com sua postura hipócrita, não aceitavam. Eles não se viam como pecadores necessitados de arrependimento e questionavam a autoridade de João, já que ele não era o Messias nem Elias. O batismo de João era de arrependimento, e a rejeição dos fariseus demonstrou sua falta de submissão ao plano de Deus. Lucas escreveu:
Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele (Lc 7.29-30).
Então, no primeiro dia, João dá seu primeiro testemunho ao grupo do Sinédrio, dizendo: “O Messias está aqui.” Esta mensagem teria chegado imediatamente a Jerusalém e a toda a elite religiosa. Eles foram avisados sobre a chegada do Messias, antes mesmo de Jesus começar seu ministério. Desde este relato, a hostilidade da elite religiosa se estende até a cruz, onde finalmente executam o Messias.
João 1
28 Estas coisas se passaram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.
O apóstolo João diz que tudo aconteceu em Betânia, onde Joao Batista estava batizando. Havia duas cidades chamada Betânia em Israel. Uma perto de Jerusalém onde Maria, Marta e Lázaro moravam (Jo 11.1), e outra “além do Jordão”, perto da região da Galileia. Aqui João, provavelmente, tem em mente a segunda.
João Batista batizava principalmente no rio Jordão, região próxima à Judeia, incluindo áreas como o deserto da Judeia e Betânia (além do Jordão). Embora Jesus tenha vindo da Galileia para ser batizado, o ministério de João Batista foi principalmente nas margens do Jordão e na Judeia.
2º dia: O testemunho de João Batista à uma multidão
João 1
29 No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
No segundo dia temos todas as pessoas ali reunidas, toda a multidão. E a mensagem de João Batista é: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”. Ou seja, “não olhem para mim, olhem para ele”.
Mas os líderes religiosos não esperavam um cordeiro, que passa a imagem de alguém fraco, indefeso e dependente. Cordeiros eram sacrificados o tempo todo no templo por causa do pecado.
Eles sabiam que a Escritura falava do cordeiro que Deus providenciou para morrer no lugar de Isaque (Gn 22); do servo sofredor que “como cordeiro foi levado ao matadouro” (Is 53.7), a quem “ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado” (Is 53.10).
Eles sabiam de tudo isso. Sabiam sobre o sacrifício. Mas não sabiam como isso se encaixava neles, porque nunca se viram como um povo que precisava de sacrifício por seus pecados. Eles presumiam que a combinação de uma retidão externa e obediência ao oferecer um animal era suficiente. Eles não aceitavam a necessidade de um novo coração.
Eles não reconheciam sua pecaminosidade; recusavam pensar que estavam sob juízo; e não podiam entender que precisavam de um sacrifício definitivo. Eles não tinham noção de que precisavam de um Messias como cordeiro. E então João diz: “Eis o Cordeiro de Deus” — o cordeiro que Deus escolheu para ser o sacrifício.
Cada família escolhia seu cordeiro, Jesus é o cordeiro que Deus escolheu. Ele veio para lidar com o pecado de uma vez por todas, para ser ferido por nossas transgressões. A Escritura diz que “aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21).
Os judeus queriam um grande profeta, um grande rei, um grande líder triunfante, mas receberam um cordeiro. Queriam um Messias exaltado, mas receberam um sacrifício humilhante. Queriam alguém que pudesse matar todos os seus inimigos, e receberam aquele a quem seus inimigos mataram. Mas, eles nunca poderiam ter um rei até que tivessem um cordeiro perfeito e definito. Nunca poderia haver um Messias em glória para reinar até que houvesse primeiro um Messias que viesse primeiro em humilhação para morrer.
Quando João Batista viu a Jesus, ele disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Só existe um que poderia tirar o pecado. E ele morreria como o cordeiro sacrificial que Deus aceitaria. E ele repetiu o que havia dito antes: “É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim” (Jo 1.30).
João 1
31 Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água
João Batista diz que não reconheceu Jesus a princípio, embora suas mães (Isabel e Maria) fossem parentes e sabiam perfeitamente quem eram seus filhos. Será que essas mulheres não contaram a seus filhos quem eles eram? E será que João Batista não sabia que Jesus era o Filho de Deus? Não há como acreditar nisso. Certamente era um fato conhecido na família.
Mas Jesus passou trinta anos de completa obscuridade em uma carpintaria. Nada aconteceu neste período. Mesmo após Jesus estar plenamente em seu ministério, João Batista, que estava preso, enviou mensageiros a Jesus para lhe perguntar: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mt 11.3).
Ele estava compreensivelmente confuso com o desenrolar dos acontecimentos: ele estava preso e Cristo estava desenvolvendo um ministério de cura, não de julgamento, na Galileia, longe de Jerusalém, a cidade do Rei — e não estava sendo bem recebido. João Batista ponderou se havia compreendido de modo incorreto os planos de Jesus
João tinha informações de sua família sobre Jesus. Ele também tinha informações do ministério de Cristo. Mas, como Jesus não estava agindo da maneira que ele achava que um Messias deveria agir, seja por ser obscuro no início, seja por ser cada vez mais odiado em seu ministério público, surgiram questões, mas isso não quer dizer que houve oscilação na sua fé.
No caso de João 1.31, o texto grego tem o sentido de que João Batista não reconheceu Jesus em seu sentido pleno e profundo. Isso é mais uma evidência da verdadeira humanidade de Jesus. Não havia nada em seu corpo físico que pudesse indicar que ele era o Deus Eterno encarnado. João Batista simplesmente diz que não o reconheceu. Porém, logo em seguida, diz: “mas, para que ele fosse manifestado a Israel, é que vim batizando em água”.
João 1
32 E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.
33 Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza no Espírito Santo.
34 Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus.
No batismo de Jesus (Mt 3.13-17; Lc 3.21-22), o Espírito Santo desceu sobre ele e o Pai disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Nunca pense a bobagem de que o Espírito Santo se tornou uma pomba ou veio no formato de uma pomba. Ele apenas desceu e repousou sobre Jesus, da mesma forma que uma pomba desce e repousa.
Naquele momento João Batista realmente sabia quem era Jesus. Então, no segundo dia, ele disse à multidão: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, o Filho de Deus!”. Esse é o ministério de João: ser o arauto do Rei. Ele ouviu a voz do Pai vinda do céu e viu o Espírito Santo descendo sobre Jesus. Portanto, temos a voz mais refinada, crível e confiável em Israel afirmando que este é o Cordeiro de Deus, o Filho de Deus.
3º dia: O testemunho de João Batista a seus discípulos
João 1
35 No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos
36 e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus!
37 Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.
Este é agora o terceiro dia na sequência. O primeiro foi com a delegação de investigação do Sinédrio; o segundo foi com a multidão; o terceiro grupo é o menor, consistindo apenas em dois dos discípulos de João Batista: André (Jo 1.40) e João (que nunca fala seu nome no seu evangelho).
João Batista olhou para Jesus, que passava nas proximidades e repetiu aos seus discípulos o que ele já tinha proclamado à multidão: “Eis o Cordeiro de Deus”. Então aqueles dois discípulos passaram a seguir a Jesus. A disposição de João de entregar seus discípulos a Jesus, sem qualquer hesitação, é mais uma prova de sua humildade e completa aceitação de seu papel de ser apenas o arauto do Rei.
André e João tiveram a primeira exposição a Jesus. Mais tarde, eles se tornaram seus discípulos permanentes (Mt 4:18-22). Esta é única resposta adequada a Cristo: segui-lo.
Tendo servido o seu propósito como um testemunho da verdadeira identidade de Jesus, João Batista apareceu apenas mais uma vez no evangelho de João, onde ele diz:
Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua (Jo 3.28-30).
E assim ele desaparece do Evangelho de João. Quando ele foi preso e estava se perguntando como sua prisão se encaixava com a glória antecipada do reino do Messias, João Batista foi atingido com dúvidas sobre Jesus ser o Messias. O Senhor graciosamente dissipou essas dúvidas, informando o registro de seus milagres (Mt 11.25.; Lc 7.19-22).
Esse foi o ministério do evangelho puro e abençoado, exemplificado para nós por este homem altruísta, humilde e manso. Sua mensagem foi: “Olhem para Ele. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele é o Filho de Deus. Sigam-no para sempre”.
Como eu disse, em três dias sequenciais João Batista testemunhou para três grupos diferentes. No primeiro dia, ele diz a uma delegação hostil do Sinédrio: “Ele está aqui”. No segundo dia, ele diz à uma multidão presente: “Olhem para Ele”. E no terceiro dia, ele diz a dois de seus próprios discípulos: “Sigam-no”.
Essa é a essência da fé salvadora. Você entende que ele veio. Você entende quem ele é. E você dedica sua vida a segui-lo. Isso é o que significa ser cristão. Vamos orar.
Pai, reconhecemos a bela simplicidade e a evidente consistência das Escrituras, que transmitem uma única mensagem pregada de diversas maneiras, e essa mensagem é sobre Cristo Jesus, o Filho de Deus, o único Salvador. E essa mensagem é saber que ele veio para crermos na verdade a respeito dele e segui-Lo.
Pai, agradecemos-Te pelo testemunho de João. Agradecemos-Te porque esse testemunho continua a partir de João, como aconteceu esta manhã através da compreensão deste capítulo, e que se estende por todo o Novo Testamento e por toda a história através de pregadores fiéis que proclamam a vinda de Cristo como o Cordeiro e que chamam as pessoas a depositar sua confiança e fé nele e a segui-Lo permanentemente.
Oro para que o Espírito Santo, ó Deus, toque o coração daqueles que podem estar em perigo, como aqueles em Hebreus 6, de conhecer a verdade, compreendê-la, até certo ponto, mas nunca se entregar a Cristo — em perigo de se afastarem, de nunca serem renovados para o arrependimento. Eu oro, Senhor, para que o Teu Espírito Santo os atraia para Cristo.
Não desejamos que as pessoas sejam nossos discípulos ou que se apeguem a nós, mas sim que sigam a Cristo. Falamos dele, da sua vinda, da sua vida, da sua identidade e, como João, chamamos os pecadores a segui-lo, a ir aonde ele for e a permanecer onde ele permanecer. Eu oro, Senhor, para que concedas esse maravilhoso dom da salvação a alguns ainda hoje;
E agora, Senhor, opera em nossos corações, em todos nós, para que, antes de tudo, possamos alcançar uma nova compreensão da glória de Cristo e da doce verdade do Evangelho; e faze-nos sempre gratos pelo conhecimento que nos salvou, concedido pelo Teu Espírito, pela Tua vontade e pelo Teu poder. Oro por aqueles que não conhecem a Cristo — que este seja o dia da salvação deles. Oro para que nos encorajes com a verdade, enchas nossos corações de alegria e nos tornes testemunhas fiéis para que outros conheçam o nosso Cristo. Oramos em Seu nome. Amém.
Leia também;
Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura.
Este texto é uma síntese do sermão “The First Testimony Concerning Jesus – Part 2”, por John MacArthur, em 25/11/2012.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/43-6/the-first-testimony-concerning-jesus-part-2
Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno





















