A Derrota do Inimigo de Israel

Nada na história pegou Deus de surpresa. Tudo  está no cronograma de Deus. E continua. Deus está agindo na história. A história é verdadeiramente a história dele. Não fique fora do que ele está fazendo por seu povo. Não há sentido na vida, a menos que você conheça aquele que está conduzido todas as coisas de acordo com seu propósito eterno glorioso

O salmista escreveu: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós suas algemas” (Sl 2.1-3). Ele nos apresenta algo da turbulência, inquietação e do sentimento contra Deus no mundo. E sabemos que o mundo está em constante estado de rebelião contra Deus. E não há demonstração mais clara dessa rebelião do que a maneira como o mundo trata constantemente a nação de Israel.

Isto se torna o tema do livro de Zacarias. Israel já havia sofrido nas mãos de nações na época em que Zacarias escreveu, e continuaria a sofrer muito além do período em que essa profecia foi escrita. E é sobre esse assunto que Zacarias trata. Ele consola Israel em meio ao tempo de provação, tribulação e sofrimento causado por nações que se enfurecem contra Deus e contra o seu povo.

Vimos, nos sermões anteriores, que Zacarias consola o seu povo, e o faz através de uma série de visões que recebeu de Deus. Deus lhe concedeu visões de consolo para transmitir ao povo de Israel, a fim de lhes dar a confiança de que Deus agirá em seu favor no final.

Breve revisão sintética da primeira visão de Zacarias

Na última vez, discutimos a primeira visão em Zacarias 1.7-17. Vimos que Deus estava confortando o seu povo com a certeza de que eles estariam novamente em posição de vitória, que voltariam a ser uma nação com o seu templo, com a sua cidade e com o seu muro.

Mas também notamos que havia um cumprimento futuro distante daquela profecia. Que, embora tivesse uma identidade imediata, também possuía um significado futuro. Que chegaria o dia em que o grande Anjo do Senhor, ninguém menos que o Senhor Jesus Cristo, viria e, de uma vez por todas, estabeleceria Israel na terra do grande reino milenar. E naquele momento, eles retornariam à proeminência. Naquele momento, eles reinarão, e Cristo se assentará no trono de Davi, no Monte Sião. Os tempos dos gentios terá terminado, e Deus governará o mundo novamente por meio de sua nação, Israel.

Assim, vimos um cumprimento histórico imediato e um cumprimento futuro profeticamente naquela primeira visão. Basicamente, o que Deus estava dizendo ali está resumido no versículo 15: “Estou muito descontente com as nações que estão em paz; pois eu mesmo fiquei um pouco descontente, e elas contribuíram para o agravamento da aflição”. Deus diz: “Fiquei muito descontente e vou fazer algo a respeito”. Deus vai agir contra os opressores do seu povo, os perseguidores do seu povo, os inimigos do seu povo.

O tempo dos gentios

Agora, ao chegarmos à segunda visão, encontramos basicamente o mesmo assunto abordado, só que em uma escala muito maior. Lembrem-se de que Deus acabou de dizer a eles:

E, com grandíssima ira, estou irado contra as nações em descanso; porque, estando eu um pouco desgostoso, eles auxiliaram no mal. Portanto, o Senhor diz assim: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; a minha casa nela será edificada, diz o Senhor dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém. Clama outra vez, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: As minhas cidades ainda aumentarão e prosperarão; porque o Senhor ainda escolherá a Jerusalém (Zc 1.15-17).

E se você analisar a longo prazo, verá que isso ainda não aconteceu de verdade. Se você fosse judeu hoje e olhasse para Deus, poderia dizer: “Deus, já faz muito tempo de opressão. Somos pequenos, somos fracos e nos perguntamos se algum dia teremos esperança de libertação do poder de nossos agressores.”

Em Lucas 21.24 Jesus disse que Jerusalém seria pisoteada pelos gentios até que o tempo dos gentios se cumprissem. E o que ele quis dizer a respeito de Jerusalém era mais amplo do que apenas a cidade. Jerusalém representa toda a terra que Deus deu a Israel na promessa da aliança, desde o Eufrates até o Mediterrâneo, e toda a região norte e sul também (Gn 15.18; Ex 23.31 etc.). E tudo isso jamais lhes pertencerá até que o tempo dos gentios terminem. O consolo final que Zacarias diz ainda está distante no futuro, na volta de Jesus.

O tempo dos gentios é o período em que Jerusalém ficará subjugada por poderes gentios. Começou quando Jerusalém caiu sob domínio de Nabucodonosor (por volta de 600 a.C.). E Jerusalém continuará sendo pisoteada até o fim deste período. E ainda não terminou; continua sendo pisoteada. Embora Jerusalém hoje seja a capital de Israel, existem vários outros grupos políticos espalhados por toda a terra que Deus deu originalmente a Israel.

O reinado do Anticristo consumará o tempo dos gentios. E, no auge do seu reinado, Jesus retornará, e o tempo dos gentios terminará, e Cristo estabelecerá o seu reino, restabelecerá Israel integralmente na terra prometida e reinará no trono de seu pai Davi. A promessa do trono davídico se cumprirá (2Sm 7). São os termos das alianças abraâmica, davídica e da nova aliança. Mas até lá, estaremos vivenciando o tempo dos gentios.

Ora, não creio que alguém, com qualquer sistema filosófico ou teológico que busque compreender o significado da história, possa ignorar essa análise monumental. O palco da história é Israel, e não se pode ignorar esse conceito. As nações podem, tolamente, se enfurecer contra Deus, podem perseguir o seu povo, mas, ainda assim, a Bíblia diz que Deus triunfantemente colocará o seu Filho no trono em Sião. O salmista diz:

Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião (Sl 2.4-6).

A segunda visão de Zacarias

A história é a história de Deus retomando a sua terra para o seu povo. No época de Zacarias, o tempo dos gentios já havia começado. Mas Deus deu a Israel uma segunda visão, por meio de Zacarias, que lhes mostra que nem sempre será assim. Os inimigos de Israel serão derrotados diante deles. E a mensagem da segunda visão é muito direta.

Zacarias 1
18 Levantei os olhos e vi, e eis quatro chifres.
19 Perguntei ao anjo que falava comigo: que é isto? Ele me respondeu: São os chifres que dispersaram a Judá, a Israel e a Jerusalém.
20 O Senhor me mostrou quatro ferreiros.
21 Então, perguntei: que vêm fazer estes? Ele respondeu: Aqueles são os chifres que dispersaram a Judá, de maneira que ninguém pode levantar a cabeça; estes ferreiros, pois, vieram para os amedrontar, para derribar os chifres das nações que levantaram o seu poder contra a terra de Judá para a espalhar.

Todas as oito visões de Zacarias (Zc 1 a 6) vieram em sucessão na mesma noite, enquanto o profeta estava acordado, porque uma visão não é um sonho. Em todas elas Zacarias começa dizendo que levantou os olhos. Após cada visão ele inclinava sua cabeça a meditar e orar, então o anjo intérprete o cutucava para levantar os olhos e olhar para a próxima visão. Ele conseguia perceber o imperceptível.

O significado da palavra hebraica traduzida como “chifres”

Ele começa o relato da segunda visão falando que viu quatro chifres (Zc 1.18). São chifres de animais, provavelmente de carneiros. A palavra hebraica traduzida como “chifres” frequentemente significa “trombetas”. Quando Israel cercou Jericó, por seis dias, sete sacerdotes levaram sete trombetas de chifres de carneiro (Js 6.4). Há referência de um chifre usado para transportar azeite (1Sm 16.1).

Mas o uso mais frequente de chifre é como símbolo de poder, porque é assim que um animal o usa. Esta mesma palavra hebraica aparece quando a Escritura diz que o poder (o chifre) de Moabe foi cortado (Jr 48.25); que o poder (o chifre) de Israel foi cortado (Lm 2.3) e que Deus quebrantaria o poder (o chifre) dos ímpios (Sl 75.10).

Cortar o chifre é o símbolo da conquista do poder. No Salmo 18.2, esta palavra hebraica aparece quando Davi chama o Senhor de “chifre de minha salvação”, o texto foi traduzido como “a força da minha salvação (ARC). Deus é o chifre definitivo, ele é o poder supremo.

Portanto, chifre é usado nas visões de Zacarias como um símbolo de poder. E assim, quando ele levanta os olhos, vê quatro poderes. O chifre pode expressar o poder de um indivíduo ou o poder de uma nação, como no caso do chifre de Moabe ou do chifre de Israel. Frequentemente simboliza um rei gentio como representante de um reino.

Observe no sonho de Daniel: “Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles” (Dn 7.21). Esse chifre é o que chamamos de Anticristo. Portanto, aqui ele é usado para se referir a um indivíduo, mas representa todo um sistema. Em seguida, ele diz: “os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino” (Dn 7.24), os chifres são usados para se referir a reis gentios, que representam nações gentias.

E assim Daniel descreve o Império Medo-Persa: “então, levantei os olhos e vi, e eis que, diante do rio, estava um carneiro, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos, mas um, mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último” (Dn 8.3).

Os dois chifres representam os reinos da Medo e da Pérsia, que se uniram para formar o Império Medo-Persa, em que o Persa era mais forte. Portanto, é melhor entender que esses chifres representam reis gentios associados aos seus reinos.

O significado dos quatro chifres

Zacarias 1
18 Levantei os olhos e vi, e eis quatro chifres.
19 Perguntei ao anjo que falava comigo: que é isto? Ele me respondeu: São os chifres que dispersaram a Judá, a Israel e a Jerusalém.

Trata-se das nações que dispersaram Judá, Israel e Jerusalém. Todas as designações para o povo de Deus são usadas: Judá, Israel e Jerusalém. O verbo hebraico traduzido como “dispersaram” pode se referir a uma ação concluída no passado, no presente ou no futuro. Não tem fator temporal. Portanto, em vez de colocá-la no passado, leríamos assim: “Estes são os chifres que dispersaram, estão dispersando e dispersarão Judá, Israel e Jerusalém”. Tudo isso no tempo dos gentios.

Naquele momento em que Zacarias teve a visão, não conseguimos identificar claramente quatro nações como os quatro chifres. Isso nos leva a duas possíveis explicações:

a) Os quatro chifres seriam simplesmente um símbolo dos inimigos de Israel em geral, e que o número quatro, simboliza o mundo inteiro: os quatro ventos, os quatro cantos da Terra e assim por diante, de modo que o quatro simboliza a ideia de perseguição mundial e universal. Isso é possível, mas apresenta algumas fragilidades.

b) Os quatro chifres que dispersaram, estão dispersando e dispersarão — usando toda a plenitude desse possível tempo verbal hebraico, representam os quatro grandes impérios mundiais que compõem a época dos gentios. O que é mais provável.

O profeta Daniel, que era quase contemporâneo de Zacarias, escreveu sobre quatro impérios. Muito embora esses quatro impérios possam se referir ao Egito, Assíria, Babilônia e o Medo-Persa, é mais provável que se refira aos impérios babilônico, medo-persa, grego e romano. Na época em que Zacarias escreveu, existia apenas o medo-persa, que havia derrotado o babilônico (Dn 5).

Os quatro chifres no sonho de Nabucodonosor

Vemos em Daniel 2 que Nabucodonosor teve um sonho em que viu uma enorme e esplendorosa estátua que representa quatro impérios. A estátua tinha quatro partes: 1) a cabeça de ouro; 2) peito e braços de prata; 3) ventre e coxas de cobre (ou bronze); 4) as pernas de ferro e os pés em parte de ferro, e em parte de barro (Dn 2.31-33). E sobre o sonho de Nabucodonosor, Daniel, a quem Deus revelou o sonho, lhe disse:

Quando estavas vendo isso, uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o cobre, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra que feriu a estátua se fez um grande monte e encheu toda a terra (Dn 2.34-35).

Deus deu a Daniel a capacidade de conhecer o sonho do rei e de fazer a interpretação. Aquela estátua retratava toda a história, desde o início do tempo dos gentios até a volta de Jesus Cristo. Na interpretação que Deus deu a Daniel, a cabeça de ouro representava o próprio Nabucodonosor. Daniel diz:

Tu, ó rei, rei de reis, a quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a força e a glória; a cujas mãos foram entregues os filhos dos homens, onde quer que eles habitem, e os animais do campo e as aves do céu, para que dominasses sobre todos eles, tu és a cabeça de ouro (Dn 2.37,38)

O ouro simboliza riqueza. Isaías 14.4 chama a Babilônia de a cidade dourada (ARC). O segundo reino, peito e braços de prata, foi o Medo-Persa. Sabemos disso porque os medos e os persas conquistaram a Babilônia. O império Medo-Persa foi conquistado pelo Império Grego, por Alexandre, o Grande. Esse é o reino com ventre e coxas de cobre (ou bronze).

O reino com as pernas de ferro e os pés em parte de ferro, e em parte de barro, foi o Império Romano, num futuro distante do tempo de Daniel. Consistia em duas pernas, e o reino seria dividido. Existiu o Império Romano do Oriente e o Império Romano do Ocidente, exatamente como Deus havia dito. Os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim o Império Romano seria em parte forte e em parte frágil.

O desfecho final dos quatro chifres

Nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre. Da maneira como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ela esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o ouro… (Dn 2:44,45)

O cortador de pedra sem mãos é Cristo. Refere-se ao seu nascimento virginal. Ele não tem origem humana. Ninguém o criou. Ele sempre existiu. Ele é o Deus eterno em forma humana. Ele destruirá os impérios do mundo e estabelecerá seu reino para sempre. Esse é o reino do Senhor Jesus Cristo.

O caso específico do último império

Na descrição do quarto império há uma atenção especial aos dez dedos dos pés:

E o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro, esmiúça e quebra tudo; como o ferro que quebra todas as coisas, assim ele esmiuçará e fará em pedaços. E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois viste o ferro misturado com barro de lodo. E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil (Dn 2.40-42),

Muitos estudiosos tentaram descobrir quando foi que o Império Romano teve uma confederação de dez nações. Porque há dez dedos em dois pés. Eles tentaram encontrar isso na história, e não há nenhum período histórico que corresponda aos dedos da imagem. Esse mesmo império é descrito em uma visão de Daniel como um animal terrível com dez chifres:

O quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres (Dn 7.7).

Ele está se referindo novamente ao Império Romano. Há uma imagem com dez dedos nos pés no sonho de Nabucodonosor (Dn 2) e há uma besta com dez chifres na visão de Daniel (Dn 7). De alguma forma, o Império Romano vai se concretizar em uma confederação de dez nações. Ora, isso nunca aconteceu na história do Império Romano.

O Império Romano nunca foi conquistado por outro império. Ele simplesmente caiu em decadência devido à sua deterioração interna. E o que a Bíblia diz é que o Império Romano será revivido no fim dos tempos na forma de uma confederação de dez nações. Elas formarão o governo mundial definitivo contra o qual o próprio Senhor Jesus lutará e destruirá com o seu poder para estabelecer o seu reino eterno.

A visão dos quatro animais em Daniel 7

Daniel diz que os quatro ventos do céu agitavam o grande mar. E quatro grandes animais saíram do mar, diferentes uns dos outros (Dn 7.2-3). Ele diz que o primeiro era semelhante ao leão e tinha asas de águia (Dn 7.4), e diz: “enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem” (Dn 7.4)

O leão é o rei dos animais e a águia é o rei das aves. Esses animais apontam para Nabucodonosor, o rei do Império Babilônico. As asas foram arrancadas e a mente de homem, possivelmente se referindo à sua humilhação de sete anos como juízo de Deus por sua auto-exaltação (Dn 4).

Daniel prossegue falando do segundo animal: “semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas; e lhe diziam: Levanta-te, devora muita carne” (Dn 7.5). A descrição é semelhante ao se erguer o braço mais forte. E a razão é que a Pérsia era mais forte que Medeia. Assim, o urso tinha dois braços, mas um era mais forte e estava erguido. Isso representava a superioridade da Pérsia no império Medo-Persa, que conquistou extensas áreas.

Então há o terceiro animal: “semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio” (Dn 7.6). O leopardo é veloz e feroz, e essa é uma imagem de Alexandre, o Grande, o líder do Império Grego. E esse leopardo tem quatro asas e quatro cabeças. Alexandre dividiu seu império entre seus quatro grandes generais.

E, por fim, Daniel fala do quarto animal: “terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres” (Dn 7.7). Os dez chifres é o ápice, do Império Romano, uma confederação de dez nações. A visão descreve o tremendo poder militar do Império Romano. Alguns dizem que Roma governou o mundo por 1.500 anos.

Então, Deus mostra a Daniel novamente os quatro reinos. O leão devora. O urso esmaga. O leopardo ataca sua presa. E as diferentes feras destroem seus inimigos. Essa é a história dos gentios. E as vítimas, ao longo de toda essa jornada, são frequentemente o povo de Deus.

Os quatro grandes impérios contra Israel

Cada um desses impérios perseguiu a Israel. A Babilônia conquistou e massacrou os judeus de 605 a 586 a.C. O registro de 2 Reis 25 diz que Nabucodonosor sitiou Jerusalém, não permitindo que ninguém entrasse ou saísse. Todos ficaram sem comida e água; houve doenças, pestes e muito canibalismo. Os horrores da fome e das doenças que se seguiram foram devastadores.

Além do massacre, os babilônios incendiaram e saquearam tudo, inclusive o templo de Jerusalém. O povo enfrentou o cativeiro por setenta anos. Deus havia advertido Israel que traria juízo à nação por causa de sua rebeldia. Seiscentos e cinquenta anos depois de os filhos de Israel, sob a liderança de Josué, terem pisado na Terra Prometida, eles haviam partido. Jeremias os advertiu: “Eis que farei das cidades de Judá uma desolação, sem habitantes” (Jr 34.22).

O império Medo-Persa não foi tão violento na perseguição a Israel, porque, naquela época, Israel não passava de um grupo de escravos vivendo na Babilônia. O tipo de perseguição que eles praticavam era a indiferença quando Israel precisava de ajuda. Eles mantiveram Israel sob domínio absoluto por dois séculos. E mesmo com a reconstrução da cidade e do templo, Israel era pobre e politicamente insignificante. Tinha pouquíssima liberdade. Era silenciosamente escravos dos gentios.

E a situação piorou com Império Grego, o leopardo. A devastação e violência foi terrível. Fontes históricas como o livro dos Macabeus e Flávio Josefo, dizem que, em 195 a.C., Antíoco Epifânio tornou-se o líder ou governador de Israel para os gregos. Ele tentou destruir o judaísmo, sacrificou um porco no altar e enfiou carne de porco goela abaixo dos sacerdotes. Por fim, Antíoco Epifânio saqueou e profanou o templo, incendiou a cidade, demoliu as casas, fez mulheres e crianças prisioneiras e roubou todo o gado. E estabeleceu o culto a Zeus no altar do templo de Deus.

A maioria das pessoas decidiu não lutar contra isso, mas alguns decidiram lutar. Um homem chamado Matatias e seus filhos lideraram uma revolução. Matatias morreu e seu filho mais velho, Judas Macabeu, assumiu a revolução e liderou o que ficou conhecido na história de Israel como a Grande Revolução Macabeia. Isso aconteceu exatamente cem anos antes da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Eles tiveram êxito na resistência.

O domínio do Império Romano sobre Israel

Mas a liberdade dos judeus não durou muito. Em 63 a.C., Pompeu, o general romano, marchou com suas tropas para Jerusalém, e a grande, esmagadora e poderosa besta romana tomou conta, e Judá se tornou uma província romana. Tinha sido uma província babilônica, uma província medo-persa, uma província grega e, agora, uma província romana.

Os evangelhos registram a relação tensa entre os romanos e os judeus. Havia grupos judeus chamados zelotes. Eles estavam sempre tentando derrubar Roma. E as revoltas continuavam acontecendo, até que finalmente, a pequena Jerusalém desafiou a Roma imperial. Nero convocou seu melhor general, que mais tarde se tornaria o próprio imperador, Tito Vespasiano. Ele levou suas tropas e marchou para a pequena Jerusalém.

Primeiro chegou à Galileia e atacou o norte. E o massacre sangrento começou. E em outubro de 67 d.C., a Galileia estava subjugada. Seis mil judeus foram levados como escravos para construir o Canal de Corinto. Antes de começar a marcha contra Jerusalém, Nero suicidou-se. Tito se esforçou ainda mais na batalha para se tornar imperador.

Em 70 d.C., Tito reapareceu, na primavera daquele ano, nos arredores de Jerusalém, com um exército de 80.000 homens. A cidade santa estava repleta de peregrinos porque era a Páscoa. Os soldados romanos começaram a destruir tudo, rompendo a muralha e ocupando o norte da cidade. Eles exigiram rendição total dos judeus. Os romanos pediram ao historiador Flávio Josefo para que interviesse por uma rendição dos judeus, mas eles recusaram.

Então, o exército romano simplesmente avançou. Tito crucificava até 500 judeus por dia em cruzes do lado de fora da cidade. De fato, ele devastou a floresta ao redor da cidade fazendo cruzes. Um fedor insuportável emanava dos crucificados, dos mortos de fome e dos mortos em batalhas cujos corpos não foram removidos. Eles jogaram cem mil corpos por cima do muro apenas para que o fedor se espalhasse para fora da cidade.

Para que ninguém pudesse escapar, os romanos construíram uma enorme muralha de terra do lado de fora, impedindo qualquer fuga. Fome e doenças levaram pessoas à morte agonizante, e alguns relatos indicam que alguns até começaram a comer seus próprios filhos.

Estima-se que 1.356.400 judeus foram mortos. Um grupo de judeus fugiu para uma alta montanha chamada Massada, no final do Mar Morto. Foram cercados pelos romanos, mas preferiram suicidar-se a se renderem. Jerusalém e o templo foram saqueados e destruídos.

Os arqueólogos não encontraram nenhuma evidência da existência de Israel depois de 70 d.C. Nem mesmo uma lápide com uma inscrição judaica. Eles foram dizimados. Toda aquela destruição foi resultado do juízo de Deus sobre a nação, conforme profetizado por Jesus (Mt 23.37-38; 24.1-2; Mc 13.1-2; Lc 21.5-6).

Os quatro ferreiros na visão de Zacarias

Agora, voltemos a Zacarias 1. Como vocês podem ver, na segunda visão de Zacarias (Zc 1.18-21), ele observa essa cena: O tempo dos gentios. E então a cena tem outro elemento, e este é muito breve.

Zacarias 1
20 O Senhor me mostrou quatro ferreiros.

O termo original para “ferreiros” descreve artífices que trabalham com pedra, metal e madeira, e moldavam esses materiais com martelos e cinzéis. Ele está falando de marteladores. “Eu vi quatro marteladores.” Um martelo para cada chifre. O que um martelador faria? Ele martelaria.

Zacarias 1
21 Então, perguntei: que vêm fazer estes? Ele respondeu: Aqueles são os chifres que dispersaram a Judá, de maneira que ninguém pode levantar a cabeça; estes ferreiros, pois, vieram para os amedrontar, para derribar os chifres das nações que levantaram o seu poder contra a terra de Judá, para a espalhar.

Os “martelos” são as nações que derrubam os quatro chifres (Zc 1.18). Como no caso dos quatro animais em Daniel, cada império é derrubado pelo seguinte e o último é substituído pelo reino do Messias (Dn 2.44; 7.9-14,21-22). Para cada chifre, há um martelo para o esmagar. Para cada um destes impérios mundiais, há um destruidor. Martelos para esmagar os chifres.

A Babilônia foi destruída em uma noite pelos medo-persas (539 a.C.). Com a vitória de Alexandre sobre Dario em 333 a.C., os gregos derrubaram o “chifre” dos medo-persas. No século II a.C., o Mediterrâneo Ocidental tornou-se um lago romano, que derrubou os gregos e se expandiu em conquistas. E o quarto martelo é o Senhor Jesus Cristo. Ele virá para encerrar a quarta fase do governo, o Império Romano revivido.

E Deus está dizendo: “Consolem-se, Israel, porque para cada nação que se levantar contra vocês, haverá um martelo para esmagá-la”. E o que Deus está realmente dizendo é que Israel é indestrutível. A sarça da murta pode queimar, mas jamais será consumida. Seus inimigos ergueram a cabeça e serão esmagados.

Conclusão

Deus está no comando da história. Não é maravilhoso estar do lado Dele? Fantástico. Deus cuida do seu povo. Deus protege o Seu povo. Deus abençoa o seu povo e Deus lida com severidade com aqueles que o tratam mal. Sejam bons com os cristãos. Sejam bons com o povo de Israel.

A história está caminhando para algum lugar. Caminhando diretamente para a consumação do Senhor Jesus Cristo. Onde você estará quando tudo terminar? Eu sei onde estarei. Paulo escreveu: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.4). Não será maravilhoso?

Se você não é cristão e não conhece a Bíblia, imagino que você olha para as coisas ao seu redor e pensa: “Nossa, que bagunça. Será que isso vai dar em alguma coisa? Será que significa alguma coisa? O que é este mundo?”

Você vê as nações enfurecidas, os povos tramando coisas vãs e se opondo a Deus, e tudo parece tão sem sentido e inútil. E de repente você ouve algo assim esta noite e diz: “Nada pegou Deus de surpresa. Está tudo profetizado na Escritura, tudo no cronograma de Deus”.

E continua. Deus está agindo na história. A história é verdadeiramente a história dele. Não fique fora do que ele está fazendo por seu povo. Não há sentido na vida, a menos que você conheça aquele que está conduzido todas as coisas de acordo com seu propósito eterno glorioso. Vamos orar.

Pai, somos imensamente gratos por estarmos juntos hoje. É emocionante saber que fazemos parte do que o Senhor está fazendo. É emocionante perceber que Jesus voltará em breve para levar a Sua Igreja, para salvar o Seu povo, Israel, e dar-lhes o reino que Ele prometeu. Obrigado, Deus, por cumprir as suas promessas. Obrigado por amar o Seu povo e defendê-lo. Obrigado por nos defender como o Anjo do Senhor defendeu Israel.

E, Pai, ajuda-nos a estarmos dispostos a defender-Te perante o mundo como um ato, se não por outro motivo, de gratidão pela Tua constante defesa contra o mundo e contra o próprio Satanás. Oramos em nome de Cristo, amém.


Clique aqui e leia outros sermãos traduzidos do livro do profeta Zacarias.


Este texto é uma síntese do sermão “The Conquest of Israel’s Enemy ”, de John MacArthur, em 20/2/1977.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/2156/the-conquest-of-israels-enemy

Tradução e síntese feitas pelo site Rei Eterno


 

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