Quem é Jesus (Parte 2)

Jesus não deixou espaço para ser considerado apenas um bom mestre: Ele declarou ser igual a Deus em natureza, obras, poder, autoridade, honra e verdade (Jo 5.17-24). Nos versículos 21 a 24, Jessu revela que possui poder para dar vida, autoridade para julgar e o direito de receber a mesma adoração prestada ao Pai. Rejeitar o Filho é rejeitar o próprio Deus. Nenhuma religião, mérito ou conhecimento bíblico pode salvar alguém fora de Cristo. Somente quem ouve sua Palavra e crê nele recebe a vida eterna, escapa da condenação e passa da morte para a vida.

Prosseguindo no Evangelho de João, vamos olhar novamente para o capítulo 5, versículos 17 a 24. Na última vez paramos no versículo 20.

A afirmação que Jesus faz aqui está ligada, no final de João 5.19, às próprias palavras dos judeus a quem ele a dirigiu. Eles entenderam que Jesus estava afirmando ser igual a Deus. É uma afirmação surpreendente e chocante para os judeus. Eles a repudiaram e a consideraram uma blasfêmia. E a única coisa que sabem fazer com tal blasfemo é matá-lo. Então, o versículo 18 diz: “procuravam ainda mais matá-lo”.

Essa afirmação de Jesus de ser igual a Deus nos coloca na posição de defini-lo e nos deixa com apenas três opções. 1) A primeira é que sua afirmação seja verdadeira e Ele seja, de fato, igual a Deus; 2) a segunda é que seja falsa e Ele saiba disso; nesse caso, seria um enganador e um blasfemo intencional. 3) a terceira é que seja falsa, mas Ele não saiba; então estaria delirando, desprovido de suas faculdades mentais.

Não existem outras opções. É um ultraje dizer que Jesus foi apenas um bom mestre, um exemplo espiritual ou um modelo de virtude. Exemplo de quê? De ilusão, engano ou blasfêmia? Essa simplesmente não é uma opção possível.

Até esse ponto, Jesus já havia demonstrado que as duas últimas alternativas eram absurdas, porque enganadores e pessoas iludidas não ressuscitam mortos, não controlam o mundo demoníaco, não vencem doenças nem exercem poder sobre a natureza. Também não falam com profunda razão, sabedoria divina e discernimento onisciente, conhecendo os pensamentos dos homens e a história de pessoas que nunca encontraram.

Portanto, a hipótese de que ele fosse um enganador desaparece diante do poder de seus milagres, e a possibilidade de que estivesse delirando desaparece diante da lucidez e da autoridade de suas palavras. Resta somente uma conclusão: Ele é quem afirmou ser.

Seus milagres eram inegáveis (Jo 11.47–48; At 2:22), chocantes (Mc 2:12), sobrenaturais (Mt 8.23–27), constantes (Mt 4.23–24) e realizados por toda parte (Mt 9.35; At 10.38). Ninguém jamais tinha visto algo semelhante em Israel (Mt 9.33), nem ouvido palavras como as que Ele proferia (Jo 7.46), cheias de conhecimento, sabedoria e discernimento sobrenaturais (Lc 2.46–47; Jo 7.15; Cl 2:3). Nicodemos, o mestre em Israel, reconheceu: “Sabemos que tu és um homem vindo de Deus, porque ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a menos que Deus esteja com ele” (Jo 3.2). Esse era o veredito geral sobre Jesus.

Ele não realizava seus milagres num canto nem em ambientes altamente controlados, como fazem os falsos milagreiros. Ele os realizava diariamente, ao ar livre, nas ruas e aldeias, diante de multidões, somando literalmente centenas de milhares de testemunhas oculares. As pessoas ficavam maravilhadas e reconheciam que Ele fazia coisas jamais vistas ou ouvidas.

Ainda assim, embora o seguissem com curiosidade e espanto, já no capítulo 6, do evangelho de João, começaram a se afastar. Apesar de todas as evidências, voltaram para seus antigos líderes. Isso demonstra o poder da falsa religião: ela mantém os homens cativos. Quando Paulo diz que “o deus deste mundo cegou o entendimento deles” (2Co 4.4), refere-se ao modo como Satanás, disfarçado de anjo de luz, cria sistemas religiosos falsos que conservam as pessoas em escravidão e cegueira.

O judaísmo apóstata, legalista, hipócrita e satanicamente controlado que dominava Israel era tão poderoso que, apesar de tudo o que Jesus fazia, as pessoas retornavam aos seus falsos líderes. O homem curado no tanque de Betesda (Jo 5.1-18) é uma ilustração disso. Ele sofria havia 38 anos e acreditava na superstição de que seria curado se entrasse primeiro na água quando ela se agitasse. Jesus aproximou-se, embora o homem nem soubesse quem ele era, e ordenou: “pegue a sua cama e ande”. Imediatamente, o homem foi completamente curado. Tudo isso aconteceu num sábado.

Os líderes judeus não demonstraram alegria nem compaixão. Repreenderam Jesus por realizar a cura no sábado, como se aquele ato de misericórdia fosse uma violação da Lei. Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Vá e não peque mais”. Não estava mandando que ele se consertasse sozinho, pois sabia que o homem não poderia vencer o pecado por suas próprias forças. Era uma advertência final para que abandonasse o pecado e abraçasse a salvação. Certamente Jesus lhe apresentou toda a verdade, mas o homem não o seguiu; voltou imediatamente aos líderes judeus e o denunciou para que pudessem encontrá-lo. Essa é a escravidão da falsa religião.

Eis um homem que sofrera durante 38 anos, fora libertado por Jesus em um instante e, ainda assim, retornou ao sistema que o mantinha cativo. Ele é um microcosmo de toda a nação. Durante os três anos do ministério de Cristo, pessoas eram curadas por toda parte e depois voltavam para o mesmo sistema religioso. Os líderes, representados no Evangelho de João pela expressão “os judeus”, já perseguiam Jesus e passaram a querer matá-lo ainda mais quando Ele declarou ser igual a Deus.

Esta é a triste realidade: Jesus, Deus em forma humana, veio trazer salvação primeiramente a Israel, mas encontrou uma nação dominada por uma falsa religião, oferecida pelos fariseus, escribas e demais integrantes da elite religiosa — uma escravidão tão poderosa que ninguém poderia escapar dela por suas próprias forças.

Jesus poderia ter amenizado o confronto. Poderia ter explicado que os líderes estavam exagerando as restrições do sábado, transformando um dia criado para descanso e benefício do homem num pesado sistema de regras. Poderia ter lembrado que boas obras devem ser realizadas no sábado e denunciado a falta de compaixão deles pelo homem curado. Mas não fez isso.

Em vez de manter a discussão em torno do sábado, elevou-a à Cristologia, à questão de sua própria identidade. Em vez de acalmar a fúria dos líderes, levou o confronto ao seu ponto máximo: a afirmação de que era igual a Deus. Ele sabia que isso o conduziria à morte e, ainda assim, prosseguiu, porque a cruz fazia parte do propósito divino.

Seu discurso, de João 5:17–47, declara sua igualdade com Deus de diversas maneiras. Sua resposta, em resumo, é esta: “Eu faço o que quero, quando quero, porque sou Deus. Não estou sujeito às suas tradições. O sábado foi feito para o homem, e eu não sou apenas homem”. Essa é a grande afirmação diante da qual todos precisam decidir quem Jesus verdadeiramente é. Essa é a grande resposta, e Ele começa a delineá-la fazendo essas afirmações em seis aspectos.

Revisão das duas primeiras afirmações no sermão anterior

1) Jesus afirmou ser igual a Deus em natureza e essência.

Ao afirmar “Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho” (João 5.17), chama Deus de seu próprio Pai e reivindica possuir a mesma essência divina. Os líderes judeus compreenderam perfeitamente essa afirmação e, por isso, procuravam ainda mais matá-lo: Jesus não apenas contrariava suas regras sobre o sábado, mas se fazia igual a Deus. Assim como o Pai trabalha continuamente e nunca descansa de sustentar sua criação, o Filho também trabalha sem cessar.

2) Jesus afirmou ser igual a Deus em obras

“Tudo o que o Pai faz, o Filho o faz igualmente” (João 5.19). Ele não age independentemente do Pai, porque ambos são um em natureza, vontade e ação. Essa perfeita unidade é fundamentada no amor existente na Trindade: o Pai não tem segredos para o Filho, e não existe algo que o Pai saiba, queira ou faça que o Filho também não saiba, queira e faça. Nenhum simples homem poderia reivindicar tamanha igualdade com Deus.

Essa igualdade será definitivamente demonstrada nas obras ainda maiores anunciadas por Cristo: a ressurreição dos mortos e o juízo final. Aqueles que agora o rejeitam serão ressuscitados por seu poder e comparecerão diante dele como Juiz eterno. Portanto, Jesus é igual ao Pai tanto em natureza quanto em obras, compartilhando perfeitamente o conhecimento, a vontade, a autoridade e a ação do Deus eterno.

Vamos prosseguir agora para as demais afirmações de Jesus sobre sua igualdade com o Pai.

3) Jesus afirmou ser igual a Deus em poder e soberania

João 5
21 Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer.

Existem muitas maneiras de falar sobre poder. Usamos essa palavra para todo tipo de coisa, mas este é o poder supremo. Qual é o poder supremo do universo? A capacidade de dar vida. O Pai dá a vida. Em Atos 17, Paulo, no Areópago, fala sobre Deus, que dá vida e fôlego a todos; Deus em quem vivemos, nos movemos, existimos e temos o nosso ser. Mas lembre-se de João 1, que diz a respeito do Verbo, que é Cristo: “Nada do que foi feito se fez, senão por intermédio dele, porque nele estava a vida”. Esse é o poder supremo.

É característico do Deus eterno que Ele tenha a vida como um atributo não derivado e não causado, mas que a vida faz parte de sua própria essência. Esta é a doutrina da aseidade divina, do latim “a se”, “de Si mesmo”. Você vive porque recebeu a vida. Você a recebeu de seus pais, que, por sua vez, a receberam dos pais deles, e tudo remonta a um ponto no tempo em que não havia vida, exceto o Deus trino, que é a vida eterna e deu vida a tudo. Essa vida se manifesta de muitas formas.

Falamos da vida biológica, que inclui os seres humanos e toda a criação viva e animada. Existe até mesmo vida naquilo que parece inanimado. Se você olhar para este púlpito, para o chão, para o prédio estático diante de seus olhos ou para qualquer outra coisa que não esteja visivelmente em movimento, poderá pensar que aquilo não tem vida. Mas, ah, como tem movimento! Os átomos que compõem o que você considera estático movem-se incessantemente, impulsionados por uma energia interna invisível, incalculável e imperceptível.

Existe também aquela outra vida invisível, a vida espiritual, que não podemos ver uns nos outros, mas cuja realidade é evidente. Toda essa vida, todo o universo — seja aparentemente inanimado ou animado, visível ou invisível — provém de Deus, que criou todas as coisas, e de Cristo, sem o qual nada do que foi criado teria existido. Aqui está este carpinteiro galileu dizendo que Ele é quem criou todo o universo e que dá vida a quem deseja. Nada existe sem a Sua vontade. Nada surgiu por acaso… nada. Ele é igual a Deus em poder e, no nível supremo, possui a capacidade de dar vida, de fazer existir aquilo que antes não existia.

É uma afirmação impressionante. Jesus declarou diante do túmulo de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11.25). Ele tem a vida em si mesmo, e essa verdade se repete, como veremos também no capítulo 6 de João. Portanto, nosso Senhor está fazendo afirmações extraordinárias: Ele é igual a Deus em natureza, igual a Deus em obra e igual a Deus em poder.

4) Jesus afirmou ser igual a Deus em autoridade

João 5
22 E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento.

Gênesis 18.25 apresenta Deus como o Juiz de toda a terra, e os judeus certamente criam nisso. Contudo, ouçam o que Jesus afirma: o Pai, que é o Juiz de toda a terra, confiou todo o julgamento ao Filho. Essas realidades internas da Trindade são impressionantes e realmente difíceis de compreender humanamente.

Ele é Deus e, ainda assim, está com Deus; é Deus e, ainda assim, distingue-se do Pai. No Antigo Testamento, Deus é apresentado como o Juiz de toda a terra (Gn 18:25), o justo Juiz que governa e julga os povos com retidão (Sl 7:11; 9:7–8; 50:6; 75:7; 96:13; Is 33:22).; no Novo Testamento, o Filho é o Juiz. Como isso é possível? Porque o Filho faz tudo o que o Pai faz, da mesma maneira que o Pai o faz. Esse profundo mistério, que os homens tentariam eliminar para resolver o aparente paradoxo, testemunha a origem divina das Escrituras.

Jesus está afirmando ser o Juiz supremo. Em João 3.8, ele declarou: “Quem crê nele, isto é, no Filho, não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do Filho unigênito de Deus”. O Filho rejeitado torna-se o Juiz. Aliás, a expressão “já está condenado” significa que as pessoas não estão simplesmente aguardando um julgamento futuro. Essa é a ilusão da religião: imaginar que alguém pode usar sua autojustiça para que Deus lhe conceda um veredito favorável. Não. Quem não crê no Filho já foi julgado. Todo esse esforço religioso nada significa para sua eternidade.

Você pergunta: “E quanto ao julgamento futuro?”. Esse será apenas a execução da sentença. O veredito foi proferido quando você veio a este mundo rejeitando o Filho, e continuará sendo o mesmo até que você creia. Se nunca crer, esse veredito estará definitivamente selado, e o julgamento final será sua execução. As boas obras realizadas ao longo do caminho não podem alterar essa condenação. Portanto, o Filho é igual ao Pai em autoridade para julgar — uma afirmação surpreendente sobre a plena divindade de Cristo.

5) Jesus afirma é igual a Deus em receber honra e adoração

João 5
23 a fim de que todos honrem o Filho do modo porque honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.

Essa é a consequência de tudo o que foi declarado anteriormente. Visto que o Filho dá vida a quem deseja e que todo o julgamento lhe foi confiado; visto que ele é a razão de sua existência e aquele que determina seu destino eterno; visto que é o princípio e o fim, o Alfa e o Ômega, deve ser honrado assim como o Pai é honrado. Você pode imaginar o impacto devastador dessa declaração vinda daquele homem que estava diante deles? A única resposta correta àquele que criou todas as coisas, sustenta-as pela palavra de seu poder e as conduzirá à consumação é prestar-lhe a mesma honra que pertence a Deus.

Encontramos teólogos afirmando: “Bem, Jesus nunca declarou ser Deus”. Isso é um absurdo. É claro que declarou — e aqui está uma dessas declarações, sem qualquer possibilidade de negação. Jesus diz que deve ser adorado da mesma forma que Deus é adorado. Ele deve ser honrado, louvado, respeitado, obedecido e receber nossa confiança da mesma maneira que Deus Pai. Essa é a afirmação positiva no início do versículo 23. Em seguida, ele a apresenta de forma negativa: “Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou”. Não existe a possibilidade de alguém afirmar que honra a Deus enquanto rejeita, despreza ou se recusa a adorar o Filho.

Os judeus, inclusive os apóstolos e discípulos de Jesus, eram extremamente leais à revelação do Antigo Testamento acerca do único Deus verdadeiro. A idolatria havia sido erradicada entre eles durante o cativeiro babilônico; eles não se envolviam mais com ídolos. Eram monoteístas até a medula, criam em um único Deus e não toleravam qualquer falso ídolo. Contudo, ali estavam, frente a frente com um carpinteiro galileu e pregador que realizava milagres, ouvindo-o declarar que deveriam adorá-lo da mesma maneira que adoravam o único Deus verdadeiro. Deveriam prestar-lhe igual honra, igual respeito… igual adoração.

Em João 6.28, as pessoas perguntam: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”. O que Deus quer de nós? Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou”. Você quer fazer a obra de Deus? Então precisa crer em Jesus, o que significa crer que Ele é quem afirmou ser e quem Deus declarou que Ele é. Lembre-se do que aconteceu em seu batismo, quando Deus disse do céu: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17).

Jesus disse: “Quem me odeia, odeia também o meu Pai” (Jo 15.23). É estranho, mas tornou-se comum no cristianismo evangélico imaginar que os judeus — e talvez outros grupos também — não precisam crer em Cristo; que, de alguma forma, basta serem bons judeus e crerem no Antigo Testamento, no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, no Deus de Israel, o Deus Criador. Essa doutrina é defendida por alguns pregadores evangélicos muito conhecidos. Mas, se fosse verdade, Jesus jamais teria dito: “Quem não honra o Filho não honra o Pai” (Jo 5.23). Ensinar que os judeus não precisam crer em Jesus é uma mentira condenatória transmitida justamente àqueles que também precisam ouvir e crer no evangelho.

6) Jesus e o Pai proclamam a mesma verdade

João 5
24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

Nesse contexto, ouvir significa receber a verdade com fé. Para ter a vida eterna, é necessário crer tanto na Palavra do Pai quanto na do Filho, pois ambos proclamam a mesma verdade. Não basta aceitar o Antigo Testamento e rejeitar Cristo: somente quem crê no Pai e no Filho escapa da condenação e passa da morte para a vida.

Toda a revelação bíblica aponta para Cristo e deve ser recebida como verdade. Por isso, afirmar que Jesus é inferior a Deus ou apenas um ser criado é uma heresia que produz condenação. Aqueles que estão presos a sistemas religiosos que negam a verdadeira identidade de Cristo precisam abandoná-los e crer no testemunho das Escrituras: Jesus é o Filho de Deus, igual ao Pai e o único que concede a vida eterna.

O testemunho do escritor aos Hebreus sobre Jesus

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas. (Hb 1.1-3)

O texto soa como um eco de João 5.17 a 24. O Pai e o Filho são iguais em verdade. Deus falou no Antigo Testamento por meio de visões, vozes do céu, sonhos, diretamente aos profetas e escritores das Sagradas Escrituras, de muitas outras maneiras, em muitas passagens diferentes. Nestes últimos dias, ele nos falou por meio de seu Filho. Esta é a apresentação de Cristo. Os profetas revelaram Deus, mas Jesus revela Deus plenamente. Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade (Cl 2.9).

Os profetas receberam muitas porções e, de muitas maneiras, a verdade sobre Deus. Foi uma revelação fragmentária de Deus. Jesus é a revelação plena de Deus. Nele, Deus não manifestou apenas algumas facetas de Si mesmo, mas se revelou completamente. Em Cristo, a revelação de Deus é plena, é completa, unindo em uma só pessoa todo o espectro da revelação divina. Cristo é Deus revelado em sua plenitude.

Cristo, é o fim de todas as coisas. Ou seja, ele é o herdeiro. Ele é o princípio e centro de todas as coisas. Ele é o criador e quem sustenta todas as coisas pela Palavra do seu poder. Ele declarou: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). Todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele (Jo 1.1-3; Cl 1.16).

Jesus é o resplendor da glória de Deus e a representação exata de sua natureza. Assim como o brilho do sol é inseparável do próprio sol e leva luz, calor e vida à Terra, Cristo manifesta a glória de Deus e produz luz e vida no coração dos homens. Ele disse ser a luz do mundo (Jo 8.12); a ressurreição e a vida (Jo 11.25); o pão da vida (Jo 6.35); o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6). Ele não é inferior nem posterior a Deus; é eterno, possui a mesma essência divina. Ele é Deus manifestado, a glória divina resplandecendo diante de nós.

Ele também sustenta todas as coisas pela Palavra do seu poder. É Cristo quem mantém o universo em seu delicado equilíbrio: a Terra, o Sol, a Lua, os oceanos e a atmosfera subsistem por meio dele. Aquele carpinteiro galileu que estava diante dos judeus era o Criador e Sustentador de tudo. Depois de realizar a purificação dos pecados na cruz e ressuscitar, Ele retornou ao lugar que lhe pertence e assentou-se à direita da Majestade nas alturas, de onde havia vindo. Por isso Paulo escreveu:

Jesus, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2.6-11)

Conclusão

Agora, voltemos a João 5 e vamos concluir. Qual é o desfecho disso? Qual foi a resposta daqueles judeus ao que Jesus disse?

O próprio Pai, que me enviou, testemunhou a meu respeito. Vocês nunca ouviram a sua voz, nem viram a sua forma, nem a sua palavra habita em vocês, pois não creem naquele que ele enviou. Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras porque consideram que nelas têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito. Contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida (Jo 5.37-40).

Poderia isso ser dito de maneira mais clara? Quem não vem ao Filho não tem vida. Esta é a mensagem cristã: não há salvação em nenhum outro nome, pois “não há debaixo do céu outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). Jesus declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

Essa é a mensagem simples proclamada desde aquele dia em Jerusalém por todos os pregadores e evangelistas fiéis ao longo da história da Igreja: não existe salvação fora de Cristo, o Filho de Deus. E não é possível considerá-lo apenas um bom mestre. Essa opção não existe. Jesus é quem afirmou ser. Você precisa crer nele para ser salvo. Confesse-o como Senhor, creia em seu coração e receba a vida eterna. Vamos orar.

Pai, nós Te agradecemos pela oportunidade de nos reunirmos e por nos conduzires a esta passagem, cuja verdade nos enriquece e abençoa profundamente. O que poderia ser mais maravilhoso do que conhecer a Cristo, compreender quem Ele é e aprender tudo o que pudermos sobre Ele? Esse conhecimento nos conduz à adoração, ao louvor, ao amor, à reverência, à obediência, à fidelidade e à justiça. Oramos por aqueles que não creem: dissipa as trevas, concede-lhes vida e atrai-os a Ti para que creiam. Que o pecador que rejeita a Cristo reconheça, com temor, que as consequências são terríveis e eternas. Exalta a Cristo e, por meio dele, atrai os homens a Ti.

Quanto a nós, que conhecemos o Senhor, permite que esta verdade nos leve a amá-lo mais e a obedecer-lhe com maior fervor e fidelidade. Quão grandes são a Tua bondade e a Tua graça para conosco, pois concedes vida em seu nome a pecadores indignos como nós! Enche nosso coração de gratidão e louvor. Pai, opera nos corações, pois não temos poder algum para fazer isso; todo o poder pertence a Ti. Tudo o que podemos fazer é semear a verdade. Pedimos que Tu a confirmes e a uses para penetrar os corações, para a Tua glória. Oramos em nome de Cristo. Amém.


Leia também: Quem é Jesus (Parte 1)


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.

Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura. 


Este texto é uma síntese do sermão “The Most Startling Claim Ever Made, Part 2”, de John MacArthur, em 14/7/2013.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/43-27/the-most-startling-claim-ever-made-part-2

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

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