Fé, Juízo e Vida Eterna
O Evangelho é uma poderosa luz que revela o que o pecador é na realidade. O pecador arrependido, que ama a verdade, não teme o brilho da luz, pois ela revela o que está acontecendo em sua vida, e que está sendo feito por Deus. Isso gera segurança, paz, conforto, encorajamento, alegria e proteção.
Vamos prosseguir agora no capítulo 3, do evangelho de João, versículos 11 a 21. No último sermão paramos no versículo 14. Lembro que este capítulo é um momento notável na vida e no ministério de Jesus. Os mestres religiosos de Israel, os escribas, fariseus, saduceus e rabinos, que exerciam influência e poder espiritual, se voltaram contra o Filho de Deus.
E, um deles, o fariseu Nicodemos, o procura à noite. E ele vem com uma dor muito profunda no coração, cheio de ansiedade, medo e pavor. Ele era mais um daqueles sobre quem Jesus disse: “vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” (Mt 23.28).
Os hipócritas sabem que são hipócritas porque conhecem seus próprios corações. Sabem que o que fazem por fora não tem nenhuma relação com quem são por dentro. Jesus disse que eles próprios eram filhos do inferno, e que quando “percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês” (Mt 23.15).
Nicodemos era um mestre em Israel (Jo 3.10) e membro do Sinédrio (Jo 3.1; 7.50-51). Segundo fontes extrabíblicas, ele era um dos três homens mais ricos de Jerusalém e, talvez, o mais respeitado, de todos os mestres do judaísmo apóstata naquela época.
Mas, apesar de sua elevada posição na estrutura religiosa, ele não conhecia a Deus, vivia cheio de angústia e medo, e foi até Jesus na esperança de que ele pudesse lhe dizer o que lhe faltava. Ele estava convencido de que Jesus era um mestre enviado por Deus, muito diferente de si mesmo. Ele encontrou a oportunidade de obter respostas para a sua hipocrisia. E assim vemos Jesus evangelizando um mestre religioso de grande prestígio. O que Jesus lhe disse é extremamente instrutivo para nós.
A mensagem do evangelho diz que “todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.23-24). Toda a humanidade marcha para o inferno, ninguém escapa das trevas eternas por atos de justiça própria, pois “não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.10-12).
O evangelho diz que aqueles que foram alcançados pela graça salvadora também estavam mortos em seus delitos e pecados, mas foram vivificados por Cristo, por meio da graça, mediante a fé, e isto não ocorre por obras humanas, pois é um dom de Deus. Ninguém vai se gloriar diante de Deus por obras de autojustiça (Ef 2.1-10). Há dois destinos eternos: as trevas, para aqueles que não foram resgatados da escravidão do pecado; e o céu eterno, para aqueles que nasceram de novo, mediante a obra do Espírito Santo.
A escritura diz que “a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” e que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.1,6). Diz que Abraão “creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn 15.6; Rm 4.5). Ou seja, Deus deu a Abraão a sua própria justiça como cobertura, perdoando-lhe todos os pecados, tornando-o seu filho eterno, concedendo-lhe a vida eterna simplesmente com base na fé.
Essa sempre foi a mensagem bíblica. Somos “justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos” (Rm 5.1-2). O profeta Habacuque escreveu: “o justo viverá pela fé” (Hc 2.4; Hb 10.38).
A justiça vem pela fé, não por obras. O profeta Isaías escreveu: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” (Is 55.1). Este sempre foi o modo de Deus trazer os pecadores a Si mesmo pela fé.
Nicodemos era um mestre em Israel, conhecedor profundo do Antigo Testamento, ele deveria conhecer essa verdade. Mas ele era devotado à uma religião falsa que havia se apostatado da verdade, que ensinava a salvação como fruto da moralidade e boas obras. Ele vivia com medo porque conhecia o próprio coração e sabia que, apesar de sua posição de destaque como mestre, não passava de um hipócrita.
Nicodemos foi até Jesus porque queria uma realidade espiritual. Ele pensou que Jesus lhe diria o que lhe faltava, algo que ele precisava fazer ou deixar de fazer. Mas Jesus foi direto a seu coração, antes que ele lhe perguntasse qualquer coisa. Ele sabia o que estava na mente de Nicodemos, pois “não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo 2.25).
Ele lhe diz: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Quando Jesus diz: “em verdade, em verdade”, ele quis dizer: “essa é uma verdade suprema, vinda do céu”. Ou seja, tal como não podemos fazer nada para nascermos fisicamente, nada podemos fazer para nascermos novamente. O novo nascimento é uma realidade em que nada podemos contribuir. Isso foi um choque para a religião de obras de Nicodemos.
Jesus estava dizendo a Nicodemos: “a entrada no reino de Deus é algo para a qual você não pode contribuir. Você precisa que o céu desça, que você nasça da água e do Espírito. O Espírito vem e vai quando quer, e você não pode chamá-lo nem rejeitá-lo”. E essa é a doutrina do chamado divino, o chamado eficaz, o chamado eficiente. A graça irresistível. Esse é o chamado que identifica a verdadeira igreja do Senhor.
Restou a Nicodemos questionar: “Como pode ser isso?” (Jo 3.9). Jesus, reprovando-o disse: “Tu és mestre de Israel e não sabes isso?” (Jo 3.10). Ele era um conhecedor do Antigo Testamento, mas totalmente ignorante quanto à verdade. Ele não entendeu que somente um ato soberano vindo de Deus, sem qualquer participação humana, pode mudar a condição de miséria espiritual do homem. Os profetas falaram sobre isso.
Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis (Ez 36.25-27).
Ele bem conhecia, por exemplo, Jeremias 31 e Ezequiel 36-37, mas imaginava que entrada para o reino de Deus era sobre algo que ele tinha que fazer e não receber do alto. Ele parecia desconhecer o vale de osso secos, descritos em Ezequiel 37, em que o Senhor deu vida àqueles mortos. Os mortos nada podiam fazer para mudar aquela trágica situação.
Nicodemos não creu naquele momento. Em João 3.11-12, Jesus lhe diz, em outras palavras: “Eu vim a vocês com a verdade, a verdade eterna que sempre conheci, a verdade que procede de mim como o Filho eterno de Deus. Eu lhes dei essa verdade, mas vocês não creram e recusaram”.
E logo em seguida, em João 3.13, Jesus diz, em outras palavras: “Eu sou o único que desceu do céu. E a mensagem que trago é que a salvação é uma obra de Deus na qual vocês não participam. É um dom que Deus concede segundo a Sua vontade, e tudo o que vocês podem fazer é recebê-lo crendo. Essa é a verdade. E eu sou o único que desceu do céu com a verdade”. E ele completou dizendo:
E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna (Jo 3.14-15).
Assim como os israelitas foram salvos da morte ao olharem para a serpente de bronze erguida no deserto por Moisés (Nm 21), aqueles que olham para Cristo, que foi “levantado” na cruz, viverão espiritual e eternamente. Seu sacrifício e a sua ressurreição são o meio definitivo pelo qual o homem caído é resgatado da morte espiritual e da condenação eterna.
Nicodemos queria que Jesus lhe dissesse o que ele precisava fazer para entrar no reino dos céus, essa era sua religião de obras. Mas Jesus apenas disse que ele precisava de vida, de um milagre divino, sobre o qual ele não tinha controle. Ou seja, que toda aquela sua religiosidade de obras era vazia e apenas produziu mais um hipócrita. Isso abalou completamente a sua percepção da religião.
E agora vem o segundo choque. Jesus diz: “para que todo o que nele crê tenha a vida eterna”. Uma salvação que procede apenas da fé era algo inconcebível na mente de Nicodemos e de toda a liderança do judaísmo apóstata da época de Jesus. Mas a confusão na cabeça de Nicodemos ficou ainda maior quando Jesus disse que a salvação pela fé está acessível a todo aquele que crê.
Os judeus acreditavam que, quando o Messias viesse, ele salvaria Israel e puniria todas as nações. Mas agora Jesus diz que a salvação é para “todo aquele que crê”. E Ele não diz nada sobre Moisés, Abraão, o Templo, o tabernáculo e a Lei. Ele simplesmente diz que se trata de crer no Filho do Homem que seria levantado na cruz, e que todo aquele que crê terá a vida eterna.
Os reformadores, olhando para a Escritura, encontraram os cinco fundamentos do evangelho:
– Sola Scriptura (Somente a Escritura): A Bíblia é a única autoridade inerrante e infalível para a vida e doutrina da Igreja.
– Sola Fide (Somente a Fé): A justificação diante de Deus é alcançada exclusivamente pela fé, e não por boas obras ou méritos humanos.
– Sola Gratia (Somente a Graça): A salvação é um presente imerecido e gratuito de Deus, não podendo ser comprada ou conquistada.
– Solus Christus (Somente Cristo): Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, sendo a única fonte de salvação.
– Soli Deo Gloria (Somente a Deus a Glória): Toda a glória, honra e louvor devem ser dados exclusivamente a Deus.
Nicodemos creu que Jesus era um mestre que veio de Deus e que realizava sinais divinos. Mas isso não basta para a salvação. Nicodemos rejeitou a mensagem da fé para a salvação. Ele creu em algo, mas não creu no que precisava crer. Precisamos compreender, biblicamente, quem Jesus é e em sua obra; precisamos crer nele; precisamos fazer uma entrega pessoal a ele; e descansar na obra de Cristo. É a fé em ação, onde confiamos nossas vidas a Deus.
Nicodemos ouviu a revelação surpreendente dos lábios de nosso Senhor: a salvação é somente pela fé. Uma fé que se entrega ao Filho do Homem, e ao Filho do Homem levantado e crucificado, assume essa entrega plena, e qualquer pessoa, seja quem for, que assumir essa entrega terá a vida eterna — judeu ou gentio.
Isso é simplesmente devastador para a estrutura religiosa de Nicodemos. Assim como os outros judeus, ele odiava as nações blasfemas e idólatras. E agora ele ouviu Jesus dizer que a salvação estava acessível a todos os povos. Certamente estava na mente de Nicodemos as seguintes perguntas:
Por que Deus faria isso? Por que Deus daria a vida eterna a qualquer um que simplesmente cresse nele? Por que Deus não reservaria a vida eterna para as pessoas que guardavam as regras? Para as pessoas que seguiam a Lei, para as pessoas que guardavam o sábado, para as pessoas zelosas pelas coisas sagradas, que realizavam as cerimônias, que ofereciam os sacrifícios e dízimos? Como isso é possível?
E enquanto ele estava em choque, Jesus lhe diz:
João 3
16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Nossa familiaridade com este conhecido versículo por vezes nos impede de compreender as suas verdades. A explicação teológica desse texto é:
1) A causa eficiente remota da salvação: o amor de Deus.
2) A causa eficiente aproximada da salvação: a graça de Deus.
3) A causa instrumental da salvação: a fé.
4) A causa material da salvação: a cruz.
E o resultado? a vida eterna. Falando de uma forma mais simples, o motivo da salvação é que Deus amou muito, por isso a salvação alcançou pessoas de todos os povos. Nicodemos odiava as outras nações, e pensava que Deus também odiava. E isso era um engano na sua mente. Isso foi chocante para ele.
Quando Jesus disse que “Deus amou o mundo”, o sentido de mundo aqui é a “humanidade”. Os anjos que pecaram estão perdidos para sempre, a eles não foi estendida a salvação. O motivo da salvação é o amor, e o objeto da salvação é a humanidade.
O motivo da salvação
O amor de Deus se manifesta em todo o mundo na graça comum e no convite do Evangelho. A graça comum é o favor imerecido de Deus concedido a toda a humanidade, independentemente de salvação. Através da graça comum Deus “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45).
Essa graça comum preserva o mundo do caos total, através do: 1) refreamento do pecado (Deus impede que a maldade humana atinja o seu potencial máximo de destruição na sociedade); 2) manutenção da ordem (leis da natureza, a moralidade, a consciência humana e o governo civil para viabilizar a vida na Terra); 3) distribuição de talentos (Deus concede habilidades, inteligência, ciência, arte e virtudes cívicas tanto a crentes quanto a não-crentes).
E sobre os eleitos, pessoas de todas as tribos, línguas, povos e nações (Ap 5.9; 7.9), Deus concede a graça especial (graça salvadora ou eficaz). Não somente a Israel. É o favor imerecido de Deus direcionado exclusivamente aos eleitos para a salvação eterna. Enquanto a graça comum sustenta a vida terrena de todos, a graça especial transforma o coração do pecador. A graça comum limpa as feridas temporais do mundo, enquanto a graça especial cura a alma humana para a eternidade.
O Objeto da salvação
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
É, sem dúvida, o versículo mais conhecido e amado em toda a Escritura. Toda a humanidade estava completamente perdida em seus pecados e morta espiritualmente, incapaz de salvar a si mesma. Não havia nada no homem que pudesse atrair o amor de Deus. Ele amou, porque soberanamente quis amar.
Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. (1Jo 4.10),
Esse amor é tão grande, maravilhoso, e incompreensível, que João, evitando todos os adjetivos, só poderia escrever que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu próprio Filho Amado. “Mundo” aqui é um termo inespecífico para a humanidade em um sentido geral. Logo em seguida, em João 3. 17-18, a Escritura destrói a heresia de salvação universal, pois Jesus trata do juízo sobre os incrédulos.
Nosso Senhor está dizendo que existe apenas um Salvador, mas apenas aqueles que são regenerados pelo Espírito Santo e que creem no evangelho, receberão a salvação e a vida eterna por meio dele.
Paulo usou o termo “mundo” de uma maneira similar: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19), não no sentido de uma suposta salvação universal, mas no sentido de que o mundo não tem outro reconciliador. Mas nem todos vão crer e se reconciliar, por isso Paulo escreveu: “de sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2Co 5.20).
O Filho Unigênito
“Unigênito” é a tradução da palavra grega “monogenes”, que possui dois significados:
a) “ser o único de seu tipo dentro de um relacionamento específico.” Este é o significado ligado ao seu uso em Hebreus 11.17, quando o escritor se refere a Isaque como o “filho unigênito” de Abraão. Abraão tinha mais de um filho, mas Isaque era o único filho que tinha com Sara e o único filho da aliança.
b)“ser o único de sua espécie ou classe, único no gênero”. João usa esta palavra para destacar Jesus unicamente como o filho de Deus – compartilhando da mesma natureza divina que Deus – ao contrário de crentes que são filhos de Deus através da fé.
E Deus amou tanto que deu seu único Filho. Em outras palavras, a extensão do Seu amor é medida pela extensão do seu dom. A coisa mais magnânima que Deus poderia fazer seria dar aquilo que ele mais amava. E Deus estabeleceu o meio para salvação: a fé. Crer em tudo que a Escritura diz sobre Jesus; crer que Deus o ressuscitou dos mortos; crer no significado da cruz e da ressurreição. Crer no evangelho.
A oferta gratuita do evangelho é ampla o suficiente para incluir o pior pecador que crê. Um homem muito religioso, mas que acredita em seus méritos e obras para ser salvo, não alcançará a salvação que o mais miserável dos pecadores alcançará por meio de um verdadeiro novo nascimento, mediante a fé em Cristo. O pecador precisa ir a Jesus de acordo com o evangelho, e se assim ele faz, Jesus deu uma maravilhosa promessa: “o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37).
E qual é o resultado? “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” A palavra grega traduzida como “pereça” é muito usada no Novo Testamento para ruína eterna, refere-se ao inferno. Mas aqueles que creem verdadeiramente em Jesus tem a vida eterna.
Salvação e Juízo
João 3
17 Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
Deus enviou o seu Filho para demonstrar a sua graça e misericórdia, para salvar pecadores de sua ira. O amor dele o motivou a salvá-los de sua ira. Isso é outra coisa divina. O propósito da vinda do Messias não foi a condenação; não foi o julgamento. Os judeus esperavam que Deus enviasse o Messias para julgar as nações. O Messias veio e Israel rejeitou. Deus acabou jugando Israel e levou o evangelho até os confins da terra, “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Mas um dia Jesus voltará para julgar. Mas, há dois mil anos atrás “o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). No entanto, muito importante entender que: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.
A palavra “já” é a chave. Cristo veio por amor para salvar porque Deus, em amor, o enviou para salvar. Deus é, por natureza, um Salvador. Cristo é, por natureza, um Salvador. Creia e você será salvo. A Bíblia diz que você entra em um estado que pode ser definido como: Sem condenação, com pleno perdão, resgatado da maldição da Lei, absolvido de toda culpa, declarado justo, agraciado com a vida eterna, para nunca ser removido”. Que graça, que misericórdia, que imenso amor.
Mas, por outro lado, se você não crê, já foi julgado, porque não crê no Filho único de Deus. O veredito sobre a sua vida foi dado quando você nasceu. O julgamento final já foi feito há muito tempo. Nenhum veredicto futuro será proferido. O que causou isso? “Não crer no nome do Filho unigênito de Deus.”. A condenação não é por algo que você fez, mas pelo que deixou de fazer: crer no Senhor Jesus Cristo.
Todo pecador já está condenado. A única maneira de esse veredicto ser revertido é crer no Filho único de Deus. O que leva os pecadores à condenação é porque eles não creem em Jesus Cristo. Essa é a questão. Esse é o único pecado imperdoável.
Quando os pecadores comparecem perante Deus no julgamento do Grande Trono Branco, descrito em Apocalipse 20, você pode supor que eles vão reclamar, dizendo: “o que eu tenho a ver com isso, Deus? A culpa é sua!”. E vão reclamar como Adão fez: “A mulher que você me deu, a culpa é sua.” Mas a Escritura diz:
Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram […] assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. […] Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos (Rm 5.12,18-19).
Alguém poderia pensar que poderá debater com Deus dizendo: “Bem, é da minha natureza; o que eu poderia fazer? A natureza adâmica me foi transmitida? Vim de pais corruptos, o que você esperava?”. Mas, o problema real é a recusa do pecador em crer em Jesus Cristo, e por isso vem o julgamento e a sentença. E quem permanecer na incredulidade perecerá.
E por que não creem?
João 3
19 O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
20 Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras.
Há um motivo pelo qual as pessoas não creem em Cristo, apenas um: Elas amam o seu pecado. Não querem se aproximar de Cristo porque a sua luz expõe o pecado. Pecadores amam o pecado e a escuridão moral. Não é falta de compreensão, é amor à sua corrupção. Deleitam-se na sua maldade e amam as trevas, odeiam a luz, não querem vir para a luz porque, se vierem, serão expostos pelo que são.
Mas Jesus disse: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Mas o mundo se ressente contra essa verdade, contra as Escrituras, contra a igreja e contra os cristãos. É uma forte compulsão dominante em um coração caído.
Jesus disse: “Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más” (Jo 7.7). O mundo odeia Cristo porque ele expõe seus pecados. Falando sobre Jesus, João escreveu: “o Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.10-11).
Nada além do evangelho pode mudar a eternidade do pecador. Por isso João escreveu: “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.12-13).
Não trate o pecador com psicologia e sabedoria humana. Isso não mudará a eternidade dele. Não tente produzir falsos convertidos. Tudo que provém da sabedoria humana é mentira. Você deve iluminar o pecador com a luz do puro evangelho de Cristo. Se o pecador rejeitar crer em Cristo, ele selará sua sentença eterna, pois preferiu amar sua iniquidade.
João 3
21 Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.
O evangelho é uma poderosa luz que revela o que o pecador é. O pecador arrependido, que ama a verdade, não teme o brilho da luz, pois ela revela o que está acontecendo em suas vidas está sendo feito por Deus, isso gera segurança, conforto, encorajamento e proteção. Eu nunca tenho luz suficiente em minha vida, eu desejo mais luz a cada dia.
Nós viemos para a luz, amamos a luz, acolhemos a comunhão com Cristo. E não há medo; há completa aceitação, segurança, alegria, proteção e amor. Que mensagem Nicodemos recebeu naquele dia, e ele nem sequer fez uma pergunta. Ele simplesmente teve seu coração lido. Como vimos no pernúltimo sermão, tempos depois ele creu em Cristo e morreu pelo testemunho de Cristo. Vamos orar.
Pai, nós Te agradecemos pela Tua Palavra, agradecemos pelo seu poder, pela sua clareza, pelo seu encorajamento, que nos abençoa profundamente. Agradecemos por esta preciosa congregação. Agradecemos porque, pela Tua graça e poder, nos fizeste um povo que recebeu vida, e agora temos a alegria de praticar a verdade, e viemos para a luz, abraçamos a luz e amamos a luz, não nos fartamos da luz. Porque, embora ela exponha os resquícios da nossa pecaminosidade, também nos mostra que Tu estás agindo em nós. Nós nos avaliamos pela Palavra de Deus e dizemos: sim, esta é a obra que Tu estás fazendo em mim.
Que alegria! que bênção! Oro por aqueles que ouvem esta mensagem e ainda não creram no Senhor Jesus Cristo. Que eles compreendam que nada está em questão neste momento; nada ainda está por ser determinado no futuro; eles já foram julgados. E que corram para Cristo, para Aquele que foi erguido na cruz para levar os seus pecados e ressuscitou para a sua justificação, e que creiam nele como Senhor e Salvador. Que se neguem a si mesmos, tomem a sua cruz e o sigam. Que o céu desça e lhes dê vida. Que os pecadores creiam na Tua glória.
Pai, somos tão ricos porque temos a verdade. Quando nosso Senhor diz “em verdade, em verdade”, dizemos “Amém”, afirmamos. Mas o Senhor já nos trouxe a verdade, e o que o Senhor já nos ensinou, aprendemos com o Espírito Santo. Obrigado pela Sua Palavra viva e permanente. Sele-a em nossos corações e use-nos para transmitir esta gloriosa mensagem de Cristo. Que possamos advertir os pecadores com amor. Que possamos lembrá-los de que Deus os ama e que todo aquele que estiver disposto a crer em Seu Filho será completamente perdoado, a sentença será revertida.
Nenhuma condenação jamais cairá sobre eles, e em vez disso, receberão a Sua própria justiça como cobertura e a vida eterna em Sua presença — que dádiva! E que o Senhor diminua a atração do pecado que aprisiona os pecadores; faça-o pelo Seu poder. Isso nos lembra do hino que cantamos anteriormente. “Por muito tempo meu espírito aprisionado jazia; preso ao pecado e à escuridão da natureza; Teu olhar difundiu-se em raio vivificante; eu despertei, a masmorra flamejou com luz; minhas correntes caíram, meu coração se libertou; eu me levantei e fui Te seguir.” Esse é o nosso desejo para cada coração. Em nome de Jesus Cristo, amém.
Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura.
Este texto é uma síntese do sermão “Belief, Judgment, and Eternal Life”, de John MacArthur, em /02/2013.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/43-17/belief-judgment-and-eternal-life
Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno





















