A Esperança da Glória

Nunca haverá uma apresentação eficaz da verdade divina sem uma luta, lidamos sempre com coisas que querem dificultar, o adversário sempre tenta impedir. E quando olhamos para a carta aos colossenses, Paulo está em uma luta profunda.

Ele escreveu a carta entre os anos 60-62 d.C., enquanto estava preso em Roma (Cl 4.3,10,18; Fm 9-10,13,23) por causa do evangelho. Naquela prisão ele foi visitado por Epafras, o pastor fundador da igreja em Colossos. Epafras relatou a Paulo os perigos que rondavam a igreja em Colossos. Entre esses perigos havia:

1) O gnosticismo, um heresia que afirmava existir um conhecimento elevado, uma “verdade superior”, conhecida apenas por uma classe privilegiada. Os gnósticos acreditavam que o corpo físico de Jesus Cristo não era real, mas apenas “aparentava” ser físico e que o seu espírito descera sobre ele no seu batismo e o abandonara bem antes de sua crucificação. Tais concepções destroem não só a humanidade de Jesus, mas também a expiação.

2) Falsos mestres diziam que Jesus não é Deus, nem Salvador e nem é capaz de levar o homem a Deus. Havia o ensino recheado de legalismo, misticismo, adoração de anjos e ascetismo (um asceta é alguém que vive uma vida de rigorosa abnegação, como meio de obter favores de Deus e buscar uma santidade de vida).

Foi a preocupação com esta situação que levou Paulo a escrever esta carta e a colocar nas mãos de Epafras. Paulo combate as heresias a respeito da pessoa de Jesus Cristo. E isso se torna o coração desta carta e o tema principal nos dois primeiros capítulos. Nos dois últimos capítulos, Paulo fala sobre o comportamento que os crentes devem ter em resposta à compreensão de quem Cristo é e o que ele realizou na obra redentora.

Ao escrever a carta aos colossenses, Paulo queria que eles cressem, ouvissem e obedecessem ao que ele disse. Mas como ele não era o pastor fundador da igreja em Colossos, foi importante que ele declarasse seu direito de falar, ser ouvido, ser acreditado e ser obedecido. Ele fez isso no capítulo 1, versículos de 24 a 29.

Colossenses 1
24 Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja;
25 da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus:
26 o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;
27 aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória;
28 o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;
29 para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.

Paulo apresenta oito característica de seu ministério. Na última vez vimos as quatro primeiras. Vamos agora fazer uma revisão rápida delas e olhas para as demais.

1) A fonte do ministério

Em Colossenses 1.23 Paulo fala da gloriosa mensagem do evangelho e termina dizendo: “do qual eu, Paulo, me tornei ministro”. Ele repete isso no versículo 25. Ele se refere ao ministério confiado a ele por Deus (Gl 1.1; At 26 etc.).

A fonte de qualquer ministério é Deus. É Deus que nos chama; nos concede Seu Espírito; nos direciona para o ministério que Ele quer para nós; nos dá os dons do Espírito para que possamos ministrá-los; nos equipa; nos dá capacidades e habilidades, humanamente falando, para funcionar em áreas que ele projeta para nós.

Portanto, qualquer ministério, dons e habilidades que alguém tenha são uma mordomia confiada por Deus para ser devolvida a ele em fidelidade. Nós não nos chamamos para o ministério. Eu não escolhi ser um ministro, foi Deus quem me inseriu nele, fazendo coisas suficientes na minha vida para confirmar seu chamado.

É assim que deveria ser com todos aqueles que estão ocupando tal posição. Se alguém recebeu uma dispensação de Deus, isso significa uma grande responsabilidade, uma mordomia, um chamado divino a cumprir.

Por vezes me perguntam se eu gostaria de me aposentar. Eu sempre respondo: “Aposentar? De quê? Aposentar de ensinar a Bíblia? Aposentar de falar às pessoas sobre Cristo? O que eu faria? Eu preferiria estar morto a me aposentar”. Esta é uma dispensação de Deus que me foi dada para toda minha vida.

Paulo sabia que sua morte estava próxima, mas ele permaneceu até o fim (2Tm 4.6-8). Pedro tinha a mesma convicção (2Pe 1.12-15). A vida de um ministro não termina em um resort, mas cumprindo seu ministério até o fim.

2) O espírito do ministério

Paulo diz: “agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós…” (Cl 1.24). O espírito do ministério é a alegria. Essa sempre foi sua atitude. Paulo sempre teve a atitude de alegria, que é um produto da humildade. Ele começou a carta dizendo: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus” (Cl 1.1). Ele declarou:

Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo (Fp 1.7-8).

Ele se completava em Cristo e servir no ministério era uma grande alegria. Sempre que Deus chama seus maiores servos, ele sempre os faz encarar sua total indignidade, para que qualquer coisa que eles tenham seja um motivo de alegria, porque é um presente da graça de Deus.

Moisés na sarça ardente só conseguia ver suas imperfeições, em Êxodo 3 e 4 ele declara várias vezes sua incapacidade. Ele disse: “Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? […] “Ah! Senhor! Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua” […] Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim” (Ex. 3.11; 4.10,13).

O Senhor disse a Moisés: “Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex 4.11-12).

Gideão disse ao Senhor: “Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (Jz 6.15). É gente assim que Deus usa. Gideão, ciente de sua indignidade, pede ao Senhor confirmações de que sua presença iria com ele (Jz 6.17-24; 36-40).

E Gideão iria enfrentar o grande exército dos midianitas com apenas 300 homens (Jz 7.1-7). Para que Israel não se vangloriasse em suas próprias forças, Deus não quis que Gideão encarasse aquela batalha com um multidão de soldados. Esses 300 homens nem precisaram lutar para conquistas a vitória (Jz 7.15-25).

Isaías ao ver a glória de Deus no tempo, bradou: “ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Is 6.5). Ele foi purificado e enviado por Deus para um ministério profético (Is 6.6-9).

Pedro viu a glória de Deus sendo manifesta na pesca maravilhosa, e temendo muito disse: “Senhor, afasta-te de mim, pois sou um homem pecador” (Lc 5.8). Ou seja, “eu não mereço estar na Tua presença”. Jesus gostou dessas palavras, e lhe respondeu: “Não temas; doravante serás pescador de homens” (Lc 5.10).

Em todos os servos escolhidos de Deus há um senso de indignidade, pecaminosidade, inadequação e de não merecimento. É por isso que há uma alegria. Paulo, como os demais, não merecia nada, mas tudo o que ele recebeu de Deus lhe deu motivo de alegria.

No ministério, enquanto você mantiver a humildade, você pode manter a alegria. Mas assim que você começar a pensar que não está recebendo o que merece, você estará em um monte crescente de problemas. E daí vem a amargura, murmuração e perda da alegria do ministério.

Eu conheço pessoas que perderam a alegria do ministério, cristãos que estão cansados de servir ao Senhor. Sabe por quê? Porque eles acham que deveriam ter mais do que têm. E a verdade é que todos nós não merecemos nada.

3) O sofrimento do ministério

Paulo escreveu: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24).

Paulo estava vivenciando a perseguição por causa de Cristo. Apesar de sua morte na cruz, os inimigos de Cristo ainda não haviam se cansado de causar sofrimento a ele. Assim, eles passaram a odiar todos aqueles que pregavam o evangelho.

Era nesse sentido que Paulo preenchia o que estava faltando nas aflições de Cristo. A motivação de Paulo para continuar sofrendo era beneficiar e edificar a igreja de Cristo

4) Cumprir a Palavra de Deus

Paulo escreveu: “da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à Palavra de Deus” (Cl 1.25).

Qual é o escopo do seu ministério? Apenas fazer o que Deus o chamou para fazer. Assim ele dedicou profundo esforço para cumprir a vontade de Deus. Isso significava pregar o evangelho, ensinar todo o conselho de Deus e proclamar a verdade. Isso é cumprir a Palavra de Deus.

Paulo sabia qual era seu chamado porque Deus lhe dissera: “terás de ser sua testemunha diante de todos os homens […] vai, porque eu te enviarei para longe, aos gentios” (At 22.15,21). E ele obedeceu. No final de sua vida ele escreveu:

Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda (2Tm 4.6-8).

O grande alvo e desejo do homem de Deus é cumprir a vontade de Deus, proclamando a sua Palavra com fidelidade e perseverança. Assim como nada poderia impedir o apóstolo Paulo de fazer o que ele sabia que Deus queria que ele fizesse, assim deve ser com cada homem de Deus.

Deus não chama homens para fazer um trabalho pela metade, mas para fazer tudo que ele deseja. Isso exige um tremendo comprometimento de vida.

Esses quatro pontos que vimos agora foram apenas uma pequena revisão do sermão anterior, agora vamos avançar para os demais.

5) O assunto do ministério: o mistério que esteve oculto no Antigo Testamento e agora revelado aos santos

Paulo escreveu: “o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos” (Cl 1.26).

Qual é o assunto do ministério? O mistério que fora escondido de séculos e gerações, mas que havia sido manifestado agora aos santos. Que mistério é esse? Precisamos entender algumas coisas para chegarmos à verdade que Paulo chama de mistério agora revelado.

a) Deus sempre guardou alguns segredos, há algumas coisas que somente ele sabe. Moisés escreveu: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29).

b) Deus tem alguns segredos que ele só revela aos justos. O Salmo 25.14 diz: “O segredo do Senhor é para os que o temem; e ele lhes fará saber o seu concerto”. Provérbios 3.32 diz: “Porque o perverso é abominação para o Senhor, mas com os sinceros está o seu segredo”.

c) E há alguns segredos que Deus escondeu de todos no passado, mas revelou a todos os santos no Novo Testamento. Esse é o mistério que Paulo está falando. Trata-se de algo que não foi revelado no Antigo Testamento a ninguém, mas agora é revelado no Novo Testamento a todos os santos.

Ele fala do “mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos” (Cl 1.26). Esse mistério é o Novo Testamento, a revelação do Cristo encarnado. A história de Deus se tornando homem, de Deus em carne humana. Esse mistério é abordado de muitas maneiras.

Essa verdade inclui o mistério do Deus encarnado (Cl 2.2-3,9); o mistério da incredulidade de Israel (Rm 11.25); o mistério da iniquidade (2Ts 2.7); o mistério da unidade entre os judeus e gentios tornados um na igreja {Ef 3.3-6) e o mistério do arrebatamento da igreja (1Co 15.51). Nessa passagem, o mistério é especificamente “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27).

Se alguém hoje cresse em cada palavra do Antigo Testamento e rejeitasse o Novo Testamento, estaria condenado. Cremos na mensagem de que as promessas do Antigo Testamento se tornaram realidade no Novo Testamento em Cristo. Esse é o mistério que estava oculto e agora foi revelado.

Ele diz: “aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27). Esse é o principal mistério quis nos revelar.

O Antigo Testamento predisse a vinda do Messias e que os gentios participariam da salvação (Is 42.6; 45.21-22; 49.6; 52.10; 60.1-3; SI 22.27; 65.5; 98.2-3), mas não revelou que, na verdade, o Messias viveria em cada membro de sua igreja redimida, composta, em sua maioria, por gentios. Que os cristãos, tanto judeus como gentios, agora possuem as riquezas inigualáveis da habitação de Cristo, é o glorioso mistério revelado (Jo 14.23; Rm 8.9-10; Cl 2.20; Eí 1.7,17-1 8; 3.8-10,16-19).

E essa é a mensagem que temos para anunciar ao mundo, que todo homem tem uma esperança de glória, glória manifesta agora, e uma esperança de glória futura com Deus em virtude de Cristo em nós.

Paulo fala sobre “a riqueza da glória deste mistério”. Os judeus do Antigo Testamento podem ter entendido o Messias relacionado a Israel, mas eles nunca entenderam o relacionamento de um Messias com os gentios.

Esta é a Igreja. Este é Cristo habitando em nós em sua igreja. Quão ricos somos. Quão ricos nos tornamos. Isso se torna um tema no coração de Paulo enquanto ele fala repetidamente sobre riquezas.

Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos (Ef 1.18)

Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor (Ef 3.16-17)

Somos ricos porque, como gentios e como igreja, Cristo está em nós. E esta é a mensagem. Este é o assunto do ministério, dizer às pessoas: “Você sabia que o Deus vivo quer habitar em sua vida?” Que realidade fantástica. Paulo diz:

Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo, o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito, a saber, que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho (Ef 3.4-6).

Essa é a nossa mensagem. Cristo habitando em nós é a verdade mais profunda e impactante que poderíamos ter. Nele somos completos e temos os recursos para as coisas mais importantes da vida. Deus quis viver no seu povo, o que mais poderíamos pedir? Esta é a mensagem; este é o assunto do ministério.

Paulo fala sobre o “mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3). Ele se refere ao fato de que o Messias, Cristo, é o próprio Deus encarnado (1Tm 3.16).

Os falsos mestres que ameaçavam os colossenses afirmavam possuir uma sabedoria secreta e um conhecimento transcendente ao alcance somente de uma elite espiritual. Num nítido contraste, Paulo declarou que toda a riqueza da verdade necessária para a salvação, santificação e glorificação é encontrada em Jesus Cristo, o qual é ele mesmo Deus revelado

Em Romanos 23.9 diz que Deus quis fazer “conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia”. No capítulo 11.33 diz: “Ó profundidade das riquezas da sabedoria e do conhecimento de Deus”. Deus é tão rico em conhecimento, em sabedoria, em misericórdia, em graça e em amor, e ele depositou tudo isso em nós. É uma realidade incrível!

Efésios 3.19 diz: “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”. Essa é a nossa mensagem e o assunto do ministério. Ele é a nossa esperança eterna, o garantidor de nossa segurança futura com Ele.

6) O estilo do ministério

Paulo escreveu: “o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria…” (Cl 1.28). Refere-se a declarar a verdade completa. É simplesmente proclamar a verdade, ensinando e advertindo, com a finalidade de que toda a sabedoria seja transmitida.

Como podemos transmitir sabedoria? Advertindo e ensinando. Advertir é admoestar, no texto grego tem o sentido de “conselho encorajador em vista do pecado e da punição vindoura”. Deve ser feito de forma gentil mas também firme.

Todo cristão tem a responsabilidade de admoestar

Em Colossenses 3.16 diz: “a palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros…”. É a responsabilidade que todos nós temos, de alertar uns aos outros se há pecado.

Romanos 15.14 diz: “Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros”. Devemos advertir uns aos outros. Se há pecado na vida de um crente, devemos alertá-lo amorosamente. Temos essa responsabilidade.

Todo pastor tem essa responsabilidade perante Deus. Em 1 Tessalonicenses 5.12 diz: “E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam”.

Assim como a admoestação faz parte do estilo no ministério, o ensino também é parte essencial dele. Ou seja, devemos transmitir a sã doutrina e alertar a igreja. É especialmente a responsabilidade dos líderes da igreja, que devem ser “aptos para ensinar” (1 Tm 3.2). Por isso Paulo disse a Tito:

Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo (Tt 2.1-3).

Mas também é responsabilidade de cada crente (Cl 3.16) e faz parte da Grande Comissão (Mt 28:20. O que devemos ensinar? Toda a sabedoria. Não deixar nada de fora. Sabedoria aqui significa princípios espirituais. Com base em princípios espirituais, nós avisamos os homens e os ensinamos.

Somos todos proclamadores da verdade, todos os cristãos são bocas do Senhor para alertar e ensinar. Não formos salvos para proclamar nossas opiniões e preferências sobre assuntos deste mundo, mas a verdade de Deus. Esse é o estilo de vida de um verdadeiro cristão. Temos que proclamar o mistério de Cristo em nós, e tudo o que isso significa para nossas vidas.

A quem ensinamos e admoestamos? “nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem” (Cl 1.28). A quem devemos ensinar então? Somente aos eleitos? Não. A todos os homens. Devemos ter uma resposta para cada homem que nos pergunta, seja qual for a pergunta. Pedro escreveu:

Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós (1Pe 3.15).

7) O objetivo do ministério

Paulo escreveu: “o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28). O objetivo do ministério é a maturidade dos santos. Paulo expressou isso claramente na carta aos Efésios:

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 4.11-13).

Esse objetivo foi compartilhado por Epafras, o fundador da igreja de Colossos. Sobre ele Paulo escreveu:

Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus (C1 4.12).

O objetivo do ministério não é apenas ganhar pessoas para Cristo, mas trazê-las à maturidade espiritual, sendo capazes de reproduzir a sua fé nos outros. Por isso Paulo deu um conselho a Timóteo:

E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros (2Tm 2.2).

Ser completo ou maduro é ser como Cristo. Embora todos os cristãos se esforçam para esse fim nobre, ninguém chegara lá nesta vida (Fp 3.12). Cada crente, no entanto, um dia vai alcançá-lo, quando nossa redenção for completada.

Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é (1Jo 3.2).

Os cristãos devem se mover em direção à maturidade, alimentando-se da Palavra de Deus, pois “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).

Os hereges em Colossos criam que a perfeição era apenas para uma elite, e esta é uma ideia partilhada por muitos outros ao longo da história. Em contraste, Cristo oferece a maturidade espiritual para todo aquele que nasceu de novo.

8) A força do ministério

Paulo diz: “para isso é que eu também trabalho, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.” (Cl 1.29).

A palavra grega traduzida com “trabalho” tem o sentido de “labutar até a exaustão”. Essa deve ser a disposição de quem está no ministério. E a palavra grega traduzida como “esforçando-me” tem o sentido de “agonizar”. E tal era essa disposição em Paulo, que ele escreveu:

Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no conhecimento, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo (2Co 6.4-10).

Isso não é fácil. Se alguém acha que pode realizar qualquer ministério para Deus sem trabalhar arduamente para tal, está muito enganado. O ministério fiel consome muito trabalho e esforço. Aos presbíteros de Éfeso, Paulo disse:

Vós bem sabeis como foi que me conduzi entre vós em todo o tempo, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram, jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus [Cristo]. E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus (At 20.18-24).

Se você é preguiçoso, jamais cumprirá a vontade de Deus como cristão, pastor, missionário ou em qualquer outra coisa. Cumprir a Palavra de Deus requer esforço. Por isso Paulo diz: “Eu trabalho”.

Ele diz: “esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Não estamos sozinhos nisso. Trabalhamos no poder de Deus. Por isso ele escreveu: “não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia” (2Co 4.16).

Eu sei que dia a dia o poder de Cristo, pelo Seu Espírito, está trabalhando na minha vida e renovando minhas forças. Há momentos em que me sinto incapaz de fazer algo, e ainda assim eu faço, então eu sei que o recurso veio de fora de mim, porque Deus me deu o poder.

Eu trabalho duro, do ponto de vista humano. Mas tudo seria cinzas absolutas se não fosse o poder de Deus me energizando; então quando algo é realizado, não é porque eu trabalhei duro, é porque ele fez isso. Ele deu o poder e o recurso.

Agora você pode resumir tudo em sua mente. Paulo declarou suas credenciais como ministro, e chama os colossenses para ouvir, crer e obedecer ao que ele diz. E ele nos dá uma tremenda visão do ministério. E tudo o que posso dizer é que vocês ouviram, e eu confio que vocês aplicarão isso. Vamos orar.

Pai, obrigado pelo tempo tão rico que tivemos aqui. Falamos sobre as riquezas espirituais que temos em Cristo. Grato pelos queridos irmãos que congregam aqui e pelo ministério que eles estão cumprindo.

E oramos, Senhor, para que possamos ser tão fiéis quanto aqueles que estabeleceram o padrão para nós, como o apóstolo Paulo e outros, para cumprir todas as características do ministério, para que Tu possas ser glorificado.

Dá-nos um senso contínuo de nossa própria indignidade e inutilidade, para que sempre tenhamos alegria em algo que Tu fazes através de nós. Agradecemos a Ti em Nome de Cristo. Amém.


Índice dos Sermões traduzidos das Cartas de Paulo


Este texto é uma síntese do sermão “The Mystery of Christ in You”, de John MacArthur, em 2/5/1976.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/2138/pauls-ministry-the-mystery-of-christ-in-you

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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