A Supremacia de Cristo

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Continuamos hoje nossa trilha na carta aos Colossenses, uma parte muito vital das Escrituras, a qual se fala sobre o Deus do céu revelado como o Filho. Este é o próprio coração do cristianismo, a essência da fé. A questão da divindade do Senhor Jesus Cristo é o tema nos versos 15-19 do capítulo 1.

Alguém disse que a Bíblia é o “Livro de Jesus”. De certo modo, isso é verdade. No Antigo Testamento, há a preparação para a vinda de Jesus. Nos evangelhos, há a apresentação do Cristo que veio. Em Atos, há a proclamação. A mensagem da salvação em Cristo é anunciada. Nas epístolas, estudamos a personificação de Cristo na igreja, isto é, “para mim, o viver é Cristo” (Fp. 1:21), o Cristo, que morreu e ressuscitou dos mortos, vive em Seu povo. Em Apocalipse, há o Cristo no trono, o Rei do Reis, o Cordeiro no trono. Então, em todos os sentidos, a Bíblia é a história de Cristo. É o livro que nos fala sobre Ele.

Lucas 24:27 retrata Jesus conversando com dois discípulos no caminho para Emaús: “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras”. Então, a Bíblia é o livro sobre Cristo. É o livro sobre a revelação de Deus e a vinda de Cristo ao mundo. É sobre Deus se tornar um homem. A Bíblia é muito clara a respeito disso. E Colossenses 1:15-19 descreve esta verdade de forma sublime:

15 Este [Jesus] é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.
17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.
18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,
19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude.

Essa é uma declaração tremenda, vital para a compreensão da fé cristã e para a remoção de qualquer confusão sobre quem realmente é nosso Senhor Jesus Cristo.

Paulo sabia, através de Epafras, provável fundador e pastor da igreja em Colossos, que havia um sistema falso de doutrina sendo propagado em Colossos. Uma dessas heresias se relacionava com a divindade de Jesus Cristo. Os hereges diziam que Cristo não é Deus e não é suficiente para salvação. E que Ele seria apenas um de uma longa linhagem de espíritos que emanam de Deus. Ensinavam adoração de espíritos, visões e busca de um super conhecimento muito além do Evangelho.

Assim, o ataque dessa heresia que aparentemente evoluiu mais tarde para o que conhecemos como gnosticismo, era contra a divindade de Cristo e Sua total suficiência como Salvador. Paulo combate fortemente essa heresia e declara que a esperança de Deus é Cristo no homem, o qual ele anunciava e ensinava para apresentar todo homem perfeito em Cristo (Col. 1:27-28). Ou seja, não é necessário haver nada além de Cristo para levar o homem à perfeição. O homem só pode ser perfeito em Cristo Jesus.

No capítulo 2, verso 2, Paulo nos diz que no mistério Deus-Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. O verso 9 diz que em Cristão “habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”. O verso 19 diz que Cristo é a “a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus”. O sentido dos versos 18-19 é de que devemos rejeitar tudo que não estiver fundamentado em Cristo. Por quê? O capítulo 1:19 diz que “agradou a Deus que em Jesus residisse toda a plenitude”. Em Cristo temos tudo que precisamos.

O capítulo 3, verso 1 diz que “se fortes ressuscitado juntamente com Cristo”, isto é, se você é de fato um cristão, “buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus”. O verso 2 ordena que você defina seu afeto nas coisas celestiais e não nas coisas da Terra. Por quê? O verso 3 responde: “porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”.

Quando Paulo diz que em Jesus habita toda a plenitude da divindade, ele está neutralizando a heresia que havia chegado a Colossos, baseada no dualismo filosófico que dizia que a matéria é má e que o espírito é bom. E, como Deus é Espírito, Ele é bom. Mas toda a criação é matéria, então ela é má. Como consequência, essa heresia pregava que um bom Deus não poderia criar algo mau.

Para essa heresia, Deus começou a enviar emanações (ou espíritos ou anjos), que começaram a sair de Deus como ondas. Eles continuavam vindo, os primeiros eram bons e depois ficaram ruins. E então, esses últimos foram ruins o suficiente para criar o mundo, porque segundo essa heresia toda a matéria é má. Então, Jesus seria apenas um dessas boas emanações, seria como um anjo. É por isso que eles adoravam essas emanações ou espíritos ou anjos.

O argumento de Paulo aqui é dizer aos colossenses que Jesus não é uma emanação de Deus. Ele é Deus em carne humana. Ele tratou diretamente deste assunto. Por isso ele diz que em Jesus temos o perdão dos pecados, e que Ele é a imagem de Deus, que Nele foram criadas todas as coisas, que Ele é antes de tudo e que tudo é sustentado por Ele (Col. 1:14-17).

Quando olhamos para os versos 15 a 19, iremos olhar para Jesus Cristo com relação a cinco realidades: em relação a Deus, ao universo, ao mundo invisível, à igreja, e em relação a qualquer outra coisa mais.

Primeiro de tudo, vejamos Jesus em Sua relação com Deus. versículo 15. Aqui está uma grande definição de Jesus em termos de seu relacionamento com Deus: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.”

Os hereges tentavam ensinar que Jesus era simplesmente uma emanação, uma onda do caráter de Deus. Mas Paulo diz: “Cristo é Deus”. De fato, no versículo 16, ele diz: “Ele criou tudo”. Ele é o único que fez isso. Os hereges foram tão longe ao ponto de ensinar que Deus nunca poderia ter se encarnado, porque se isto acontecesse, Ele estaria em forma de matéria, que é má.

Para eles, Jesus era uma boa emanação, e, portanto, nunca poderia ter um corpo, porque uma boa emanação não poderia assumir um corpo de matéria ruim. Então, eles ensinavam que Jesus não tinha um corpo, que Ele não passou de uma mera aparição, um fantasma. Paulo deixa claro que Jesus é Deus, que Ele é o Deus Eterno em carne humana e que Ele é o Criador do Universo. Dizer isso foi um grande golpe contra os hereges. Deus é invisível, mas se tornou visível. Deus se tornou homem e Cristo é o Deus visível. Ele é a imagem do Deus invisível.

Gênesis 1:27 diz que Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança. Mas não é sobre isso realmente que Paulo está falando aqui. É um conceito diferente. I Coríntios 11:7 diz que o homem é a imagem e a glória de Deus. Deus criou o homem à Sua imagem, mas o homem não é uma imagem perfeita de Deus. Somos feitos à imagem de Deus em termos da capacidade de pensar, sentir e decidir. Não somos feitos à imagem moral de Deus. Ele é santo. Mesmo Adão não foi criado santo, Ele foi criado inocente, mas falhou no primeiro teste. Nós não fomos criados à imagem de Deus moralmente. Não temos a essência de Deus, ou seja, onipotência, imutabilidade, onisciência etc.

Então, nós não somos criados à imagem de Deus em essência. Nós não somos criados à imagem de Deus moralmente, mas somos criados à imagem de Deus no sentido de personalidade. Ou seja, podemos pensar, sentir e tomar decisões. Nesse sentido, fomos feitos à imagem de Deus. Mas é uma imagem prejudicada pela queda.

A visão de Deus em Adão foi muito mais clara. Em certo sentido, Adão estava perto o suficiente de Deus para representá-Lo em um sentido moral e para representá-Lo essencialmente, porque Adão não podia morrer. Portanto, ele tinha uma qualidade eterna sobre ele. Havia certa imutabilidade sobre Adão. A única maneira de restaurar essa imagem é quando uma pessoa chega ao conhecimento de Jesus Cristo.

Veja, quando você é salvo, então a imagem de Deus em você é restaurada. Porque Deus te faz moralmente como Cristo. De certa forma, você entra na qualidade do caráter de Deus essencialmente, porque Deus faz de você um possuidor da vida eterna. Essa é a qualidade da existência de Deus. Por isso Efésios 4:24 diz: “e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”. Ou seja, o novo homem tem restaurada nele a santidade, uma expressão da imagem de Deus. É a manifestação da vida de um salvo. Colossenses 3:10 diz:

E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;

Há um sentido em que o homem reflete a imagem de Deus. Penso que todos os homens refletem a imagem de Deus em termos de poder pensar, sentir e tomar decisões. Essas decisões são baseadas em fatos e lógica, não apenas no que você chamaria de instinto animal. Mas também, quando você se torna um cristão, há um sentido em que a imagem moral e a imagem essencial de Deus são restauradas em você. Mas tudo isso somado é imperfeito neste corpo.

Cristo é a única imagem verdadeira, perfeita e absolutamente exata do Deus invisível. Hebreus 1:3 diz que Jesus é a imagem exata de Deus e o resplendor da Sua glória. Jesus procede de Deus e nos revela a essência de Deus.

Tal como vimos agora em Hebreus 1:3, Jesus é a imagem exata de Deus. A substância é a mesma. A palavra grega traduzida como “imagem” significa reprodução exata, ou seja, sem qualquer variação. João 1:14 diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Em João 14:9, Jesus diz a Filipe: “quem me vê a mim vê o Pai”. Filipenses 2:6-7 diz que Jesus “subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo”.

Os hebreus sempre pensaram na revelação da personalidade de Deus em termos do que Deus disse. Eles não podiam ver Deus. Eles sempre pensaram em Deus sendo expresso em termos de falar. A manifestação de Deus era verbal. Não admira que quando Jesus Cristo veio ao mundo, João escreveu: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Os judeus sempre pensavam em Deus como revelado em Sua Palavra. Hebreus 1:1-2 diz:

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

A revelação de Deus sempre foi Sua Palavra, e a Palavra é Cristo. Cristo é o pensamento e expressão idêntica de Deus. É por isso que Jesus disse: “quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9). Em Mateus 17, na transfiguração, Jesus exibiu toda glória de Deus diante de Pedro, Tiago e João.

O Filho, então, é a única representação perfeita de Deus. Homens não são. Eles são uma imagem estragada, mesmo quando restaurados em Cristo. Somente em Cristo é que Deus é visto em absoluta perfeição. II Coríntios 4:6 diz: “Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”. Isso é tremendo! Como Deus deu ao homem a luz do conhecimento da glória de Deus? Aqui vem, “diante de” quem? “Jesus Cristo”. Deus declarou Sua glória na face de Jesus Cristo. É aí que Deus é manifesto.

Agora, voltando a Colossenses 1 e olhando para essa palavra “imagem”, isso significa uma cópia precisa, uma réplica. Cristo é a perfeita e imaculada réplica de Deus. Ele não é apenas um esboço; Ele reproduz a plenitude de Deus. Colossenses 2: 9, “Nele habita toda a plenitude da divindade corporalmente”. Jesus é a completa e definitiva revelação de Deus. Pensar qualquer coisa menos sobre Jesus Cristo é blasfêmia contra Deus, idolatria.

Gênesis 32:30 diz: “Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva”. Peniel significa “face de Deus”. Ele viu a manifestação pré-encarnada de Jesus.

Somos uma imagem estragada, inadequada. Cristo é o único adequado. Mas eu vou te dizer algo que é emocionante para mim: I João 3:2 diz que um dia nós seremos como Cristo. Essa é uma realidade desconcertante e impressionante. Pensar que Deus se tornou um homem, Deus invadiu o mundo em forma humana é um pensamento surpreendente.

Efésios 4:13 diz que nosso objetivo como cristãos, aqui e agora, é alcançar a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ser homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Nós vamos ser como Ele. Estamos estragados agora, mas um dia (na glorificação) nós seremos como Ele. Devemos buscar nos parecer com Ele desde já.

Cristo é Deus revelado no mundo. Se você quiser saber como é Deus, olhe para Cristo. Ele te dirá como é Deus. Se Deus fosse homem, nós esperaríamos que Ele fosse sem pecado. Jesus foi assim. Se Deus fosse homem, esperaríamos que Ele falasse as maiores palavras já ditas. Jesus fez isso. Se Deus fosse um homem, esperaríamos que Ele exercesse uma influência profunda na personalidade humana, como nenhum outro ser que tenha vivido. Jesus fez isso. Se Deus fosse um homem, esperaríamos que Ele fizesse tremendos milagres. Jesus fez. Deus não pode ser conhecido senão através de Jesus Cristo. Não podemos nem mesmo chamar Jesus de Senhor, exceto pelo Espírito Santo. Então, é uma questão de revelação divina.

Colossenses 1:15 diz que Jesus “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”. Essa frase causou muitos problemas às pessoas, porque elas não entendem o que o texto está dizendo. O primeiro gerado, ou o “primogênito de toda a criação” é uma referência à posição, não ao tempo.

A palavra grega para “primogênito” pode referir-se a alguém que nasceu primeiro de acordo com a ordem cronológica, mas com mais frequência diz respeito à preeminência quanto à posição. Tanto na cultura judaica como na grega, o primogênito era o filho que tinha recebido o direito de herança de seu pai, tivesse ele nascido primeiro ou não. Era a palavra usada para Israel, que mesmo não sendo a primeira nação, era a nação proeminente (Ex. 4:22; Jr. 31:9). Nesse sentido, o primogênito significa claramente o mais alto quanto à posição e não o primeiro a ser criado. Os irmãos em colossos entenderam bem o que Paulo quis dizer.

Cristo não pode ser primogênito e unigênito ao mesmo tempo e nem ser criatura e criador ao mesmo tempo. Quando alguém é primogênito de uma classe, essa classe aparece no plural (Rm. 8:29). Se Paulo estivesse ensinando ser Cristo um ser criado, ele estaria concordando com as heresias que ele mesmo combatia. Jesus é o primogênito no sentido que Ele tem a preeminência (Cl. 1:18) e possui o direito à herança de toda a criação (Hb. 1:2; Ap. 5:1-7). Ele existia antes da criação e é exaltado numa posição acima dela. Nos versos 16-17 de Colossenses, Paulo diz: “Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste”.

O Salmo 89:27 diz: “Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra”. Há uma definição aqui: o primogênito é alguém que é o mais elevado, o mais proeminente. Hebreus 1:2 diz que Deus constituiu Jesus como herdeiro de tudo. Apocalipse 5 relata Jesus em toda a proeminência recebida do Pai:

12 Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor.
13 Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.

Esta verdade é o grande alvo de Satanás. Ele luta incansavelmente para que o homem não creia naquilo que a Bíblia revela sobre Jesus. Reduzir a glória de Jesus é o grande veneno herético. II Coríntios 4:4 diz:

O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.

Satanás não quer que as pessoas saibam que Jesus é a imagem de Deus, que Ele é o único que tem o direito de governar no mundo. Satanás cegou as mentes através da incredulidade. Quando você ouve alguém depreciar a glória de Cristo, você sabe de onde procede tal atitude.

Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais? Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. (João 10:32-33)

Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo. (João 8:57-59).

Antes de subir ao céu, Jesus disse a Seus discípulos: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mateus 28:18). Ele reivindicou autoridade divina sobre a lei, o sábado e sobre a tradição dos anciãos. Ele reivindicou poder para perdoar o pecado e ressuscitar os mortos. Ele provou isso.

Jesus não é uma emanação de Deus. Não é um sub-Deus. Ele é Deus. Em Colossenses 1:15-16 vemos que Ele é a imagem do Deus invisível e que “nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele”. Ele é o Deus criador. Ele criou tudo para a Sua glória. Hebreus 1:2 diz que através de Jesus o Universo foi criado.

A imensidão e complexidade do Universo é algo espantoso. A estrela mais próxima da Terra fica a 200 bilhões de quilômetros. Dentro do Sol caberiam mais de 1 milhão de planetas do tamanho da Terra ou mais de quatro milhões de luas. É humanamente incompreensível a grandeza do Universo. Jesus fez tudo isso. Certo cientista disse que rejeitava a ideia de um Deus criador, então ele disse que não havia alternativa senão se apegar à insanidade da teoria da evolução, que é o refúgio da ignorância e da descrença intencional.

Então, na carta aos Colossenses, Paulo deixa muito claro para aqueles irmãos a verdade suprema de quem Jesus é. E podemos resumir nas palavras de Cristo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap. 22:13). Ele disse: “Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã” (Ap. 22:16). Como pode Ele ser a raiz e a descendência de Davi? Como pode Ele ser pai e filho de Davi? Porque Ele antes de todas as coisas. Por isso ele disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (João 8:58). Hebreus 1:3 diz que Jesus “sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder”.

Todo o Universo está sustentado por leis. O Sol e a Lua estão na distância exata da Terra e qualquer alteração dessa distância seria o fim da humanidade. A rotação e a translação da Terra ocorrem na medida exata e qualquer alteração desses movimentos seria o fim da humanidade. Há infinidade de relações perfeitamente equilibradas e por isso existimos. Quem mantém tudo isso? Cristo.

Li um artigo de Chestnut, um médico que é também físico nuclear. Ele diz que toda a substância do Universo é construída de átomos, e cada átomo tem três pequenas partículas fundamentais chamadas prótons, elétrons e nêutrons. Estudamos isso na escola. O núcleo do átomo é constituído de prótons e nêutrons, em torno dele há elétrons orbitando.

Ele diz que como essas peças subatômicas são os menores fragmentos do Universo, elas devem guardar os segredos do design e do comportamento. Ele diz que se Deus é Deus, então essas coisas apontarão para Ele. Então, diz ele:

Vamos desconsiderar os elétrons para desenvolver um pequeno pensamento e nos concentrar no núcleo de um átomo, que é uma combinação de prótons e nêutrons. Cada próton carrega uma carga positiva de eletricidade. O nêutron não carrega nenhuma carga elétrica. Os cientistas evitam discutir o motivo. Francamente, eles não sabem. Mas a parte estranha disso é que por décadas os cientistas tiveram uma lei inviolável que diz: ‘cargas de eletricidade e magnetismo se repelem.

A questão é: se você tem uma pilha inteira de pequenos prótons disparando uma carga elétrica, por que eles não estão explodindo? O que é que mantém esse núcleo unido? A lei científica diz que os prótons não devem poder viver lado a lado no núcleo de um átomo, porque as cargas se repelem.

Cientistas nucleares nos anos 30 concluíram que a lei de Coulomb de repulsão mútua entre objetos está em ação no núcleo de cada átomo, tentando implodi-lo. Hoje os cientistas dizem que não há como se entender isto. Então, eles dizem que há uma segunda força em um núcleo que luta contra a força que o divide e o mantém unido. Eles a chamam de cola nuclear. Mas eles não têm a menor ideia do que isso seja.

Então, aqui está um átomo. Dentro dele existem duas leis conflitantes presentes. Quando o homem, com todo o seu conhecimento científico, chega à coisa mais básica, ele descobre um problema sem resposta. Suas leis da ciência dizem que aquilo deveria ter implodido, mas há algo que impede. A Lei de Coulomb está tentando destruir o átomo, e algo desconhecido o mantém unido.

Karl Darrow, físico do Bell Labs em Nova York, disse que “esses núcleos não poderiam estar vivos. De fato, eles nunca deveriam ter sido criados; e se eles foram criados, eles deveriam ter implodido instantaneamente. Mas lá estão eles. Alguma coisa inflexível os mantêm implacavelmente integros”.

George Gamow, professor de física na George Washington University, disse: “Todo objeto é um potencial explosivo nuclear”. É incrível, não é? Quem mantém os átomos? Nós sabemos quem. A ciência pode chamar isso de “cola nuclear”. Eles até criaram o nome “Colosso”. Não é “Colosso”. É Colossenses. Eu digo que é Colossenses 1:17, que diz que em Cristo tudo subsiste. II Pedro 3:10 diz:

Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.

Os elementos se desfarão, ou seja, esse equilíbrio inexplicável na matéria será afetado. Isso descreve o fim da “cola nuclear”. Quando chegar a hora, Deus vai soltar os átomos. O Universo explodirá em fissão nuclear. Os céus passarão com uma explosão, que é chamada de “grande estrondo”. E os elementos vão se derreter com calor ardente, outro resultado das terríveis cargas elétricas que atravessam o Universo. Tudo vai derreter.

A cola nuclear se irá e tudo se dissolverá e derreterá. A liberação, a perda da força de ligação destruirá os núcleos de todos os átomos. A lei da repulsa assumirá o controle. A lei de Coulomb destruirá o Universo. Tudo subsiste em Cristo, é Ele quem mantém o Universo.

De volta a Colossenses 1, o verso 16 diz:

Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

As coisas “invisíveis” são diferentes tipos de anjos, diferentes categorias: Tronos, domínios (ou soberanias), principados, poderes (ou potestades). Todos foram criados por Ele. Nós não sabemos qual é a organização dos anjos, mas sabemos que eles têm diferentes posições. Então, quaisquer que sejam os anjos, Jesus criou todos eles. Ele os fez. Jesus não é uma das emanações. Ele fez todas as emanações. Jesus não é um anjo, Ele está acima de todos os anjos.

Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. (Fp. 2:9-11).

O qual Deus exerceu em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. (Ef; 1:20-21)

O qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes. (I Ped. 3:22)

Em Colossenses 1:18, vemos Jesus em relação à igreja. Nós já vimos muito sobre isso recentemente, vou apenas destacar alguns pontos rapidamente.

Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a preeminência.

Quatro grandes verdades são apresentadas aqui sobre Cristo. Ele é a cabeça do corpo, a igreja. A igreja é chamada de “corpo de Cristo”. Existem muitas metáforas usadas para a igreja. Somos chamados uma família, um reino, uma vinha, um rebanho, um edifício, uma noiva. Mas ser “corpo de Cristo” é uma singularidade que não tem equivalência no Antigo Testamento para Israel. É algo orgânico. Cristo é a cabeça e nós somos os membros que funcionam em resposta à dominação do cérebro. Vimos isso com profundidade quando estudamos I Coríntios 12.

É suficiente dizer que a igreja é um organismo. Estamos inseparavelmente amarrados pelo Cristo vivo. Como Ele vive dentro de todos nós a mesma vida, estamos unidos inseparavelmente a Ele e inseparavelmente uns aos outros. Todos nós ministramos como um corpo. Temos que ministrar em conjunto uns aos outros. Todos nós temos a responsabilidade de suprir uns aos outros.

I Coríntios 12 apenas expõe isso em detalhes tremendos. O corpo deve ser caracterizado, em primeiro lugar, pela unidade. Estamos unidos e somos obedientes. Em segundo lugar, pela diversidade. Mesmo que haja uma mentalidade única e uma unidade de resposta à cabeça, que é Cristo, existe ao mesmo tempo a diversidade de diferentes dons, ministérios e operações. Em terceiro lugar, existe no corpo a mutualidade. Ou seja, o ministério comum de um membro do corpo ao outro membro. Isso é vital.

Então, nós somos o corpo e Cristo é a cabeça. Ele é o divino, guiando e dirigindo, a força dominante. Paulo diz isso aos colossenses. Nós não somos dependentes de anjos e de visões. Nós não dependemos de nenhum outro conhecimento que não seja Cristo. Cristo é a cabeça e Ele governa a igreja.

Na base do crânio humano está localizada a glândula pituitária que, entre outras coisas, controla o hormônio do crescimento. Você cresce em resposta à sua cabeça. O cerebelo no cérebro é chamado de “harmonizador da ação muscular”. Você se move, funciona e é guiado pelo cérebro. Da mesma forma, Cristo causa crescimento e faz com que a orientação ocorra no corpo. Ele é a cabeça. Ele governa a igreja. Agimos em resposta a Ele. Ele domina. Ele não é apenas um entre muitos. Ele não é apenas um anjo que escolhemos para adorar, e assim temos que adicionar suplementos. Ele é a cabeça da igreja, o corpo. Ele é tudo.

Colossenses 1:18 diz que Cristo é o princípio da igreja, ou seja, o começo, o fundamento, a fonte. Poderia ser traduzido como “chefe” ou como “pioneiro”. Ele é tanto a fonte da igreja como seu poder originário. Segue dizendo que “Ele é o primogênito de entre os mortos“. Vimos há pouco que primogênito aqui significa que Ele tem a preeminência e todos os direitos de herança da criação. Jesus foi o primeiro a ser ressuscitado para nunca mais morrer. Ele é supremo.

Por fim, o verso termina dizendo “para que em todas as coisas ter a preeminência”. O que deu a Ele a preeminência foi o fato de que Ele morreu na cruz, ressuscitou dos mortos e o Pai O exaltou acima de todos e de tudo. Ele está exaltado sobre tudo no Universo. Ele é o ponto de referência para a História. Ele sustenta todas as coisas e reina soberanamente. Ele é a cabeça da igreja, o começo, a fonte e o chefe. Ele é o primeiro entre todos os ressuscitados.

Por fim, o verso 19 de Colossenses 1 diz que “aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude”. Não há nada de Deus em mais ninguém. Está tudo em Cristo. Os poderes da divindade, os atributos da soberania não foram distribuídos entre uma multidão de seres. Eles estão todos em Cristo. Você não precisa anjos, espíritos e seres para ajudá-lo a se salvar. Cristo não precisa de complementos. Ele é suficiente. Paulo anima os irmãos em colossos a “compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão escondidos” (2:2-3), pois “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (2:9).

Nada mais é necessário. João 1:16 diz que “todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça”. Quando você se torna um cristão, tudo o que Jesus é se torna seu. Grande verdade. Cristo foi colocado “acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia” e Deus “sujeitou todas as coisas a seus pés” e o “constituiu como cabeça da igreja”. E o que é a igreja? “seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Ef. 1:21-23). John Owen disse:

A revelação de Cristo e do evangelho é muito mais excelente, gloriosa e cheia de sabedoria e bondade de Deus do que toda a criação. Sem o conhecimento dessa verdade, a mente do homem pode se orgulhar de invenções e descobertas, mas permanece tomada de trevas e confusão. Esse conhecimento merece o mais severo dos nossos pensamentos, a melhor das nossas meditações e a nossa maior diligência. Pois se a nossa futura bem-aventurança consiste em viver eternamente com Ele e contemplar a Sua glória, que melhor preparação pode haver para ela, do que uma constante contemplação prévia daquela glória, na revelação feita no evangelho até aquele dia, para que, em vista disso, possamos ser gradualmente transformados na mesma glória?.

Pedro escreveu: “Crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (II Pedro 3:18). Vamos orar.

Pai nosso, somos gratos pelo que o Senhor nos ensinou novamente hoje à noite, como vimos a Cristo. Obrigado pelo maravilhoso milagre de Tu teres entrado em nosso mundo. Eu Te agradeço por estas pessoas preciosas, por seu amor por Ti, por sua fidelidade em vir, ouvir, ensinar e viver estas verdades. Obrigado pelo que eles significam para mim, por como eles me encorajam, e como eles se esfregam contra mim como pedra sobre pedra para me aguçar, como eles me forçam a ser diligente para que eu possa alimentar suas almas.

Eu agradeço porque eu posso ir até o Senhor e ser alimentado. Para que eu, assim. possa alimentar esse rebanho. Minha maior oração nesta noite foi que tudo o que fosse pregado aqui viesse a exaltar o Filho, e eu peço ao Pai que isso tenha sido feito e que possamos sair deste lugar vendo Jesus Cristo em toda a majestade de Sua pessoa. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “Christ Above All”, de John MacArthur em 28/03/1976.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/2135/christ-above-all.

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno.


Leia também: Jesus, o Verbo Eterno!


 

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