Os Inimigos Dentro da Igreja

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Esta é uma série de sermões de John MacArthur sobre a Carta de Judas. Veja os links dos sermões já publicados no final do texto


A carta de Judas se relaciona maravilhosamente com as 3 cartas do apóstolo João. E quando estudamos I, II e III de João, falei muito de como sou muito apaixonado pela verdade, a verdade divina, a verdade de Deus. Toda a minha vida e ministério são dedicados e movidos pela verdade. Eu vivo e respiro pela verdade. Eu percebo que Deus exaltou Sua verdade tão alta quanto o Seu nome.

Ele é o Deus da verdade. Jesus Cristo, a glória de Deus em carne humana, de acordo com João, é cheio de graça e verdade. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Jesus disse que a verdade liberta o perdido do pecado e da morte. A Bíblia é chamada a Palavra da Verdade. Jesus disse ao Pai: “A tua palavra é a verdade”. E nas Escrituras somos ordenados a adorar a Deus em espírito e em verdade. Somos ordenados a obedecer à verdade, a amar a verdade, a julgar pela verdade, a falar a verdade em amor, andar na verdade e a amar na verdade.

Literalmente, estamos imersos na verdade. É por isso que a igreja é chamada pelo Apóstolo Paulo de “a coluna e baluarte da verdade” (I Tim. 3:15). Somos responsáveis por sustentar a verdade, usar a verdade contra todas as especulações levantadas contra o conhecimento de Deus. A igreja deve proclamar a verdade, trazer as almas enganadas ao conhecimento da verdade que salva e liberta.

Em nossos recentes estudos das epístolas de João, vimos em cada uma dessas três epístolas a centralidade da verdade. Em I João, capítulo 5:20 é dito:

E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

João menciona o que é verdade três vezes em um verso. Ele estava preocupado com a verdade, o verdadeiro evangelho, o verdadeiro crente. Não foi diferente em sua segunda carta, nos versos 1-4 ele diz:

O presbítero à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na verdade, e não somente eu, mas também todos os que têm conhecido a verdade, por amor da verdade que está em nós, e para sempre estará conosco: graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, seja convosco na verdade e amor. Muito me alegro por achar que alguns de teus filhos andam na verdade, assim como temos recebido o mandamento do Pai.

E quando chegamos à terceira carta de João, temos a mesma ênfase (v.3-4):

Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram, e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior gozo do que este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade.

Todas essas três maravilhosas cartas centraram-se na verdade, a verdade que é essencial para a justificação, santificação e a esperança da glorificação. De fato, todo o relacionamento que temos com Deus, em toda a sua plenitude, é baseado na verdade. Nós ouvimos a verdade, entendemos a verdade, cremos na verdade, concordamos com a verdade, vivemos a verdade, aprendemos a verdade, proclamamos a verdade. Jesus disse: “Tua Palavra é a verdade”. E é a Palavra que salva, santifica e dá a esperança da glória. A verdade, então, é mais preciosa para nós do que qualquer outra coisa.

Sendo a verdade algo de sublime importância, ela está sempre sob ataque. Ao longo dos milênios, desde a queda de Adão e Eva, Deus tem revelado Sua verdade, a verdade salvadora, começando com a revelação de que um verdadeiro viria e esmagaria a cabeça da serpente e providenciaria a verdadeira salvação do pecado, da morte e do inferno. E o desdobramento da mensagem da verdade é a verdadeira história das Escrituras.

E sabemos que ao longo dos séculos, Satanás fez tudo o que podia para destruir, esconder e distorcer a verdade, produzindo mentiras e enganos. A verdade sempre esteve sob ataque. Há realidades tristes ao longo da história do povo redimido de Deus, tanto Israel quanto a igreja. Muitas vezes, o assim chamado povo de Deus abandonou a verdade, perdeu o amor, interesse pela verdade, e não lutou pela verdade.

O diabo se envolveu em uma longa guerra contra Deus e a Sua verdade, ele empregou demônios, homens e mulheres. E, de forma mais eficaz, ele empregou aquelas pessoas que estão associadas à verdade de alguma forma. Os assaltos mais mortais contra a verdade vêm de dentro da igreja. Isso é o que chamamos de apostasia. Os maiores ataques contra a verdade não vêm de fora, eles vêm de dentro, de apóstatas, desertores que usam o nome de Cristo, mas são os inimigos de Cristo. Falam das Escrituras, mas se tornaram os inimigos da Escritura. Eles estão do lado de dentro. Observe esses versos da carta de Judas:

4 Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação…
12 Estes homens são como rochas submersas…

Eles estão dentro da igreja e são mortalmente perigosos, porque produzem uma corrupção devastadora contra a verdade. Judas escreveu preocupado com a corrupção mais perigosa que pode atentar contra a verdade, aquela que está no interior da igreja.

A longa guerra contra Deus certamente vem de fora, vem de todo sistema religioso falso no planeta. Paulo disse que militava “para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus” (II Cor. 10:4-5). Aqui ele trata de toda ideologia, teologia, religião e filosofia que se levantam contra a verdade.

Há uma guerra contra a verdade vinda de fora da igreja, mas os golpes mais devastadores contra a verdade vêm de dentro da igreja. O maior perigo para um exército são os traidores, desertores e espiões que estão trabalhando para o inimigo. Judas está preocupado com isso e ele quer que nos preocupemos também. Ele quer engajar todos nós na batalha pela verdade, a longa guerra pela verdade. Ele quer que sejamos os defensores contra os desertores. E assim, Judas escreve no versículo 3 de sua carta:

Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

Isso aparentemente indica que ele começou a escrever uma carta sobre a salvação, no entanto, foi tomado por uma forte necessidade de tratar da defesa da verdade e combate ao engano que se originava dentro da igreja. Essa necessidade foi inspirada pelo Espírito. A palavra traduzida como “batalhardes”, no grego, tem um sentido muito forte: “lutar poderosamente”.

A carta de Judas é um pequeno livro entre as três cartas de João e o Apocalipse, que também foi escrito por João. Parece quase como um intruso na seção de João, não é? Por que Deus deixou a carta de Judas aqui? Não é uma intrusão. Pela providência de Deus, a carta de Judas foi colocada no lugar perfeito.

Sabemos que o Apocalipse marca o fim da revelação, tudo termina no Apocalipse. Não há nada a acrescentar ao Apocalipse. Quando o Apocalipse termina, tudo o que Deus quis dizer foi dito. Ele termina com o retorno de Jesus Cristo, Seu Reino Milenar e todos os acontecimentos dos tempos do fim. Descreve o novo céu e a nova terra, o estado eterno dos crentes, bem como o lago de fogo, para onde irão Satanás e os ímpios. Esse é o fim. Sabemos que o Apocalipse se concentra na Segunda Vinda de Cristo.

Por que a carta de Judas foi colocada aqui? João nos alerta a lutar pela verdade. Todo o Novo Testamento está envolvido no ensino da verdade. João empenhou-se em alertar a igreja em conservar a verdade e fugir do engano. E então, Judas diz: “me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação” (v.3-4). Ele diz que a luta não será fácil.

Olhando para o quadro geral, o início da era da igreja é descrito nos Atos dos Apóstolos. O fim da era da igreja é tratado em Judas, que pode ser chamado de “atos dos apóstatas”. O livro de Atos descreve os feitos e ensinamentos dos homens de Deus, através dos quais, Cristo começou a edificar Sua igreja. Judas, a última epístola, relata os feitos e ensinamentos dos apóstatas que farão tudo o que puderem para destruir a verdade e a igreja. Judas é o único livro da Bíblia inteiramente dedicado a discutir a apostasia até o fim da era da igreja.

Portanto, a carta de Judas é o vestíbulo do Apocalipse. O livro de Apocalipse nos diz como Cristo vem para acabar com tudo. Judas descreve para nós a batalha pela verdade que vai durar até o final.. E o apóstolo Paulo, em 2 Tessalonicenses, dá-nos a indicação de que essa apostasia, à medida que se aproxima da vinda de Cristo, será transformada em uma grande apostasia. Jesus tratou desse assunto várias vezes, como nos exemplos abaixo:

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores (Mateus 7:15).

E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. (Mateus 24:11)

Paulo estava totalmente ciente do assunto:

Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. (Atos 20:28-30)

Nas epístolas dos apóstolos encontramos muitos alertas sobre os ataques à verdade. Paulo fez sérias advertências sem suas cartas; Tiago também tratou dos falsos mestres; Pedro usou quase toda a extensão dos capítulos 2 e 3 de sua segunda carta em advertências; João também falou sobre o assunto exaustivamente. E por fim, nas cartas às igrejas no livro do Apocalipse, João traz as advertências de Cristo à apostasia que já havia se alastrado na igreja. E sem a carta de Judas, todo esse desenvolvimento seria incompleto.

Eu poderia resumir citando Lucas 18: 8, onde Jesus diz: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?”. Essa é uma afirmação incrível. O mundo esperava há milênios para que a verdade encarnada viesse. E, finalmente, a verdade libertadora, o Senhor Jesus Cristo, veio. Qual foi a reação do mundo? Rejeição.

Desde Seu nascimento, o mundo odiou Cristo. Quando Ele iniciou seu ministério em Nazaré, terra onde ele viveu e cresceu, lugar onde se ansiava pelo Messias, o encanto inicial transformou-se em ódio mortal, a ponto de Lucas 4:28-30 dizer:

28 Todos na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.
29 E, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao cimo do monte sobre o qual estava edificada, para, de lá, o precipitarem abaixo.
30 Jesus, porém, passando por entre eles, retirou-se.

E falando da vinda do Senhor, João declarou: “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). Mas, no verso 11, João também diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Eles rejeitaram a verdade assim que ouviram. Depois de todo o maravilhoso ministério de Jesus em três anos, Paulo relata que 500 pessoas davam testemunho de Sua ressurreição (I Cor. 15:6) e Lucas diz que 120 estavam reunidas no cenáculo (Atos 1:15) para aguardar a promessa do Espírito Santo. E quando as igrejas foram estabelecidas, muitas começaram a desertar.

No momento em que João escreve o livro do Apocalipse, no fim do primeiro século (por volta do ano 96), cinco das sete igrejas na Ásia Menor, que tinham sido berços do ministério apostólico de Paulo, começaram a desertar, restando apenas as igrejas de Esmirna e Filadélfia, que ainda eram fiéis. A batalha pela verdade tem sido uma batalha muito, muito difícil.

Paulo advertiu Timóteo: “virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” (II Tim. 4:3). Pedro fala de “falsos profetas… falsos mestres… que introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (II Ped. 2:1).

Eles vão ter uma aparente identificação com Cristo, uma aparente identificação exterior com o evangelho e com o cristianismo, mas ensinarão heresias de perdição. Jesus disse que isso aconteceria. Paulo e Pedro disseram que já estava chegando. Todos eles viram isso chegando. Mas Judas diz: Eles já chegaram, estão aqui.

Pedro diz que falsos mestres se introduzirão no meio da igreja, Judas diz: “Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação” (v.4). Jesus, Pedro e Paulo falaram que viriam os falsos profetas, Judas diz que esses falsos profetas “foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus” (v.4). E isto se alastrou de forma terrível, a ponto de Jesus perguntar: “quando Eu voltar, acharei fé na terra?”. E Ele falava da fé verdadeira. Olhe o mundo cristão hoje, quantos falsos profetas exercem domínio?

Você considera o cristianismo um termo que define uma religião, mas a maioria das pessoas que se dizem cristãs, não é cristã. Há um pequeno grupo de pessoas dispostas a lutar pela fé verdadeira. E muitos estão desertando dessa luta e se aliando com o cristianismo nominal. A apostasia aumenta e se agrava. Quanto mais tempo o cristianismo existir no mundo, mais corrupto ele fica no interior, devido à presença dos apóstatas.

Não é o verdadeiro cristianismo que está se corrompendo, mas aqueles que estão rotulados como cristãos e abraçaram doutrinas de perdição, defendem as diversas teologias que destroem a essência do Evangelho e fazem da fé uma mercadoria. Por isso Judas disse: “exorto- vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (v.3). Essa é a fé bíblica.

A carta de Judas é sobre apostasia. Ele menciona a queda de Satanás, o marco do nascimento da apostasia. Ele menciona ícones da apostasia como Caim, Balaão e Coré. Ele faz um tratado histórico sobre a guerra espiritual. É um livro monumental e geralmente negligenciado. O primeiro comentário que fiz da carta de Judas foi: cuidado com aqueles que se apresentam diante da igreja com pretensões estranhas! A igreja está cheia deles. São agressores da verdade, criadores de ondas de apostasia. E isso cresce a cada dia.

A razão pela qual eles são tão perversos e enganosos é que eles não receberam o amor da verdade para serem salvos. Ninguém é salvo longe da verdade. Um falso evangelho não salva. Crer no erro não salva. Pensamentos errados sobre Deus e Cristo não salvam. Essas pessoas não apenas não creram na verdade e não receberam o amor da verdade, mas odeiam a verdade. Eles são inimigos da verdade que surgem sorrateiramente como rochas escondidas na água, que criam naufrágios no ambiente cristão.

A carta de Judas foi escrita, provavelmente, alguns anos depois de 2ª carta de Pedro, que foi dedicada à apostasia. As duas cartas estão intimamente relacionadas. A escrita por Pedro foi por volta do ano 68, antes da destruição de Jerusalém. As igrejas já haviam sido plantadas e Pedro diz que os falsos mestres viriam introduzir heresias destrutivas. Pedro diz que eles “introduzirão encobertamente heresias de perdição” (II Pedro 2:1).

É assim que os falsos mestres agem dentro do cristianismo, em seminários, igrejas, literatura etc. Eles fazem o que podem dentro da igreja para destruir a verdade. Eles vivem “blasfemando o caminho da verdade… e por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas… blasfemando do que não entendem” (II Ped. 2:2-3,12). Pedro diz que eles virão. Judas, talvez pouco antes da destruição de Jerusalém no ano 70, diz que eles já estão aqui. Virão os escarnecedores e falsos mestres, disse Pedro. Judas diz que eles já haviam chegado.

A igreja precisa estar ciente disso. Você não pode simplesmente aceitar todo mundo que diz ser um cristão. Judas fala do cumprimento da 2ª carta de Pedro. A apostasia havia começado e vai sempre crescer até que o Senhor retorne.

Quando lutamos pela verdade, estamos fazendo o que nos foi ordenado. É difícil encontrar pessoas que se doam pela pureza da verdade. Muitos que aparentavam lutar retrocederam. Um dos objetivos de nosso seminário é formar um exército de defensores da verdade. Temos uma responsabilidade nesta geração de criar uma geração que vai levar a verdade para a próxima, à medida que a apostasia cresce.

A apostasia era muito séria nos dias de Judas. Ela cresceu em proporções gigantescas. Naquela época não havia enormes estruturas religiosas heréticas com aparência cristã, falsos mestre divulgando seus enganos na TV e outras mídias, enxurradas de livros heréticos etc. Judas nunca teria concebido como um cristianismo apóstata poderia varrer o mundo em proporções gigantescas.

Agora, algumas outras coisas para manter em mente: a descrição de Judas desses falsos mestres não é doutrinária, ele não perde tempo para dissecar suas mentiras e heresias. Ele fala sobre a vida deles, ele os desmascara. Ele diz:

Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá… Estes homens são como rochas submersas… nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas; ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre. Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros. (vs. 11-13,16).

Ele não fala sobre suas doutrinas, apenas mostra seus frutos. A descrição de Judas sobre eles tem a ver com a vida, a conduta e de como eles vivem. Nós não sabemos sobre quem e nem para quem Judas escreveu sua carta. Mas sabemos que o assunto é uma sequência do que Pedro trata em sua segunda carta. Ele trata de cruéis desertores e da guerra pela verdade em que estamos envolvidos.

O nome Judas vem do grego, em hebraico é Judá. Não é interessante que um livro sobre apostasia tenha o mesmo nome do maior apóstata de todos os tempos, Judas Iscariotes? Mas, esse Judas da carta se declarou como “servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago”. Dos 12 homens chamados por Jesus, havia dois Judas, Iscariotes e Tadeu. E há outros. Em Atos 9:11 havia Judas de Damasco e em Atos 15:22 havia Judas Barsabas. De acordo com Atos 15, Judas Barsabas era um homem importante na igreja primitiva. Ele e Silas levaram a decisão do concílio de Jerusalém a Antioquia. Mas o escritor da carta de Judas não é nenhum desses. Este Judas da carta é o irmão de Tiago.

Tiago era meio irmão do Senhor Jesus. Era filho de José e Maria, enquanto Jesus era apenas filho de Maria, pois foi concebido sobrenaturalmente, pois José não teve parte alguma na sua concepção. Em Mateus 13:55 diz:

Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? (Mateus 13:55)

Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? (Marcos 6:3)

Tiago, irmão de Judas, é mencionado por Paulo em Gálatas 1:19 como o irmão de Jesus Cristo. Ele era um líder da igreja em Jerusalém. Isto é tremendo! João 7:5 diz que os irmãos de Jesus não criam Nele. Depois da ressurreição, isto mudou. Em Atos 1:14, eles estavam reunidos com os apóstolos no cenáculo. Dois deles foram usados pelo Espírito de Deus para escrever livros do Novo Testamento: Tiago, escrevendo o livro de Tiago e Judas escrevendo o livro de Judas. Ambos não se identificaram como apóstolos, que é o ministério exclusivo dos Doze e de Paulo. No verso 17, Judas diz: “lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele se distingue dos apóstolos.

Você diz: Por que ele não diz: ‘Judas, um irmão de Jesus Cristo. Por que ele diz um servo? Porque ele não se identificou com Jesus a partir do laço humano entre eles? Ele entendia qual era sua posição em relação a Jesus Cristo. Em Marcos 3:35, Jesus disse: “qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe”. Judas entendeu que não se tratava de relações humanas, pois Jesus era seu Senhor e Mestre. E assim, o Senhor escolhe esse notável homem para escrever este relato sobre apostasia.

Judas começa sua carta dizendo: “aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo” (v.1). Não se trata de um chamado geral, mas de um chamado irresistível e eletivo de Deus para a salvação. Chamados incondicionalmente por Deus. E Deus não somente os salvou, mas os conserva salvos. Por isso que no verso 24 ele diz:

Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória.

É assim que ele começa o livro. Você é “o chamado”. Você é “o amado” e você é “o mantido”. Entre na guerra e não tenha medo. O Senhor se comprometeu a impedir que você tropece, e te assegura que, ao final da batalha, você estará de pé na presença de Sua glória, inculpável com grande alegria. Na próxima vez vamos olhar para nossa posição segura. Vamos orar.

Senhor, nós Te agradecemos por este livro maravilhoso e por esta noite que serviu para levantar, espero, em nossas mentes e aguçar nossos apetites pelo que ainda nos aguarda enquanto estivermos vendo juntos a carta de Judas. Tu nos armaste de todas as maneiras, tudo o que resta é sermos fiéis e diligentes. E eu agradeço muito a Ti por essas pessoas nesta igreja que amam a verdade. Senhor, Tu de fato levantaste uma grande frente, uma grande força aqui para lutar pel a verdade. Obrigado por isso. E que esta epístola maravilhosa nos ajude a sermos mais eficazes do que nunca em participar desta batalha com a confiança de que não temos nada a temer do inimigo. Nós somos o chamado, o amado, o mantido e Tu nos impedirás de tropeçar, enquanto nos envolvemos com este inimigo, e nos levar no final para a Tua presença. Que sejamos fiéis a esta batalha e desfrutemos do triunfo que o Senhor promete, em nome de Cristo. Amém.


Esta é uma série de sermões de John MacArthur sobre a Carta de Judas. Abaixo links dos sermões já publicados.


Este texto é uma síntese do sermão “The Enemy Within″, de John MacArthur em 11/01/2004.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/65-1/the-enemy-within 

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno

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