O Testemunho de João Batista (1)
Um pregador fiel se caracteriza pela humildade, não busca glória para si mesmo e nem qualquer outra coisa que não seja cumprir seu ministério de direcionar as pessoas aos pés de Jesus Cristo. João Batista declarou: “importa que ele cresça e que eu diminua”.
O Evangelho de João começa apresentando Jesus Cristo, afirmando que ele é Deus, mas, no entanto, distinto de Deus Pai — ele é o Criador; ele é o Verbo Eterno, isto é, ele é a expressão de Deus; ele é a Vida; ele é a fonte de tudo o que vive; ele é a Luz, ele é o resplendor da natureza de Deus nas trevas deste mundo; e que ele é o Filho eterno de Deus que se fez carne e habitou entre nós, quando a humanidade foi acrescida para sempre à sua divindade. Tudo isso temos em João 1.1-18.
João declarou o objetivo central que o levou a escrever seu evangelho: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida nele” (Jo 20.31). Por isso ele se concentrou em apresentar Jesus como o Cristo prometido, o ungido, o Rei prometido, o Filho de Deus. Sua divindade, sua humanidade, o Senhor e Salvador são o foco de João.
A partir de João 1.19 ele começa o relato histórico sobre o ministério de Jesus, incluindo sua morte e ressurreição. O primeiro testemunho que João relata veio de João Batista. E é por isso que João 1.19 começa dizendo: “Este foi o testemunho de João [Batista]”, o último profeta do Antigo Testamento e o primeiro pregador do Novo Testamento.
Jesus disse que João Batista foi o maior homem que já viveu até sua época (Mt 11:11), superior a Abraão, Moisés, Davi e qualquer outro. A sua grandeza não estava em seus atributos pessoais, mas na missão que lhe estava confiada: a de ser o precursor do Messias, do Cristo, do Filho de Deus, do Rei. Sua grandeza não foi medida por nenhum método humano, ele foi grande aos olhos do Senhor.
Quando o anjo do Senhor anunciou a Zacarias que Isabel daria luz a uma criança, ele disse que João Batista seria grande diante do Senhor e seria cheio do Espírito Santo já no ventre materno (Lc 1.15), que converteria muitos dos filhos de Israel ao Senhor (Lc 1.16) e iria “adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado” (Lc 1.17).
João Batista provavelmente era primo de Jesus, pois suas mães, Isabel e Maria, eram parentes. João Batista nasceu cerca de seis meses antes de Jesus, pois o anjo anunciou a concepção sobrenatural de Maria seis meses após João Batista ter sido gerado no ventre de Isabel (Lc 1.26). Quando Jesus começou seu ministério, aos 30 anos de idade, João Batista já estava no deserto chamando o povo ao arrependimento.
De acordo com o registro de Lucas 3.1-3, o início do ministério de João Batista foi entre os anos 26 e 27 d.C. Neste período, quando ele tinha 30 anos de idade, “veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Lc 3.2-3).
João Batista conhecia sua história. Ele sabia da visita angelical a seu pai e o ministério que lhe fora comissionado por Deus. E finalmente aconteceu, e a palavra do Senhor veio a ele. Ele apareceu repentinamente no deserto “pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Mc 1.4).
Os evangelhos apresentam João Batista como um profeta corajoso, ousado, poderoso e confrontador. Ele confrontou os fariseus e saduceus dizendo: “raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.7-8).
Ele veio de uma família sacerdotal, pois seu pai era sacerdote. E os sacerdotes eram respeitados como representantes de Deus, ensinadores das Escrituras e piedosos. Havia dezenas de milhares de sacerdotes por todo Israel, vivendo em todas as regiões, que algumas vezes por ano iam a Jerusalém para exercer suas funções sacerdotais no templo. Mas, na maior parte do ano, permaneciam em suas comunidades.
João Batista era muito popular porque falava da vinda do Messias. Após 400 anos sem profetas e silêncio de Deus, João Batista apareceu chamando o povo a se preparar para a chegada do Messias.
O caráter de um pregador fiel
João 1
15 João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.
Esta é uma declaração muito importante. Em outras palavras, João Batista afirmou: “ele nasceu depois de mim, mas já existia antes de mim, ele é eterno e superior a mim”.
Não havia profetas em Israel há 400 anos. E os profetas não eram populares. Mas João Batista, por anunciar a chegada do Messias, tornou-se popular, e ocupou um lugar superior à de todos os líderes religiosos que administravam o sistema falso, apóstata e legalista do judaísmo. Mas, João Batista não se via em posição elevada, ele apontou aquele que viria depois dele como superior, do qual ele não era digno de desatar a correia de suas sandálias (Jo 1.27), uma tarefa típica dos escravos que lavavam os pés naquela época.
E quando ele viu Jesus vindo para seu batismo, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim” (Jo 1.29-30). Então, qual é o caráter desse pregador fiel? Humildade. Ele não buscava honras, dinheiro, elogios, títulos, aprovação humana etc. Ele se declarou apenas como uma voz que clama no deserto (Jo 1.23)
Ele nem mesmo buscava discípulos. Quando lhe disseram que as pessoas estavam indo para Jesus e não para ele, João Batista respondeu: “Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua” (João 3.28-30).
Um pregador fiel se caracteriza pela humildade, não busca glória para si mesmo e nem qualquer outra coisa que não seja cumprir seu ministério de direcionar as pessoas aos pés de Jesus Cristo. João Batista declarou: “importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).
O caráter de um povo infiel
João 1
19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu?
Aqui encontramos as pessoas que rejeitaram o Senhor. Trata-se de uma delegação de sacerdotes e levitas vindas de Jerusalém, que era o centro religioso de Israel, onde ficava o Sinédrio, que administrava o sistema religioso.
O Sinédrio era o conselho judaico de setenta anciãos mais os sumos sacerdotes, e eles tomavam as decisões naquela religião apóstata. O termo “os judeus” aparece setenta vezes no Evangelho de João. Nunca é usado com conotação étnica ou racial, não se refere aos judeus como um todo. É usado apenas no evangelho de João com um único sentido: identificar os inimigos de Jesus, a elite religiosa de Israel, desde o sumo sacerdote até os fariseus, saduceus, sacerdotes etc.
Os poucos fiéis
Quando João Batista viu Jesus e declarou ser ele o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29), dois de seus discípulos imediatamente seguiram a Jesus (Jo 1.35-37). É assim que este evangelho se divide. Ao longo dele vemos as pessoas infiéis associadas aos líderes de Israel e os poucos fiéis que seguiram a Cristo. Assim, ao analisarmos essa passagem, vemos:
1) O caráter de um pregador fiel, uma voz que Deus levantou para clamar no deserto e chamar o povo ao arrependimento, desprezando qualquer bajulação e anunciando a chegada daquele que é infinitamente maior do que ele (Jo 1.27).
2) O caráter de pessoas infiéis, que mesmo diante dos sinais e testemunhos, não creram. E quando Jesus veio operando sinais e falando as Palavras de Deus, eles o desprezaram e odiaram.
3) E, por fim, há os fiéis, aqueles que depositam sua confiança em Cristo.
O contexto histórico do testemunho de João Batista (Jo 1.19-42)
O texto de João 1.19-42 narra acontecimentos que ocorreram em três dias sequenciais. Tal sequência é algo muito rara no Novo Testamento. O único exemplo próximo disso seria a Semana da Paixão, onde é possível conectar os eventos que aconteceram na segunda, na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, até o domingo, quando ocorreu sua ressurreição.
Temos especificamente três dias sequenciais do ápice do testemunho de João Batista, no segundo dia Jesus se aproxima e ele diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Vamos nos juntar a ele do primeiro dia até o terceiro dia. O apóstolo João nos deu esse relato — três dias específicos que nos fornecem o testemunho sequencial de João Batista sobre o Senhor Jesus Cristo.
Entre os anos 26 e 27 d.C. João recebeu a palavra do Senhor no deserto para começar a pregar (Mt 3). Mais ou menos na mesma época, o Senhor Jesus deixou Nazaré, onde viveu por trinta anos, trabalhando na carpintaria e cuidando de sua família após a morte de José.
Mas agora Jesus desce para o Vale do Jordão, em Betânia (Jo 1.28), indo até João Batista para ser batizado por ele, pois isso fazia parte do cumprimento de toda a justiça. Em outras palavras, Jesus fez tudo o que Deus exigia de todos.
Havia em Israel uma cidade chamada Betânia, a 2 km a leste de Jerusalém, que existe até hoje. É a mesma cidade onde moravam Marta, Maria e Lázaro, a quem ele ressuscitou (Jo 11). Foi nessa casa que Jesus se hospedou (Jo 11) na semana da cruz (Jo 11; Mc 11-13).
Mas o lugar em que João Batista batizava não era essa mesma Betânia. Havia em Israel cidades e vilarejos com o mesmo nome. Esta é a Betânia além do Jordão. Era preciso descer todo o Monte das Oliveiras, até Jericó, atravessar o Rio Jordão e, em algum lugar no deserto além dali, havia outra Betânia. E é lá que João Batista batizava.
Então Jesus saiu, caminhou cerca de 20 Km ao sul do Mar da Galileia, cerca de 40 Km ao sul e a leste de Nazaré, e chega ao local onde João estava batizando. Isso ocorreu antes deste relato, porque o apóstolo João está apenas relembrando o batismo de Jesus (Jo 1.32-33). E é aqui que Jesus inicia seu ministério.
João Batista estava pregando o arrependimento, chamando o povo para se preparar para o Messias. Quando Jesus chegou, João Batista realmente não sabia quem ele era. Ele disse: “eu mesmo não o conhecia” (Jo 1.31,33). Havia milhares de pessoas vindo de Jerusalém e da Judeia, e eis que surgiu Jesus, mais um judeu vestido como todos os outros.
Jesus se apresentou e João não quis batizá-Lo. Ele diz a Jesus: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3.14). Jesus lhe respondeu: “Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15), ou seja, Jesus passaria por tudo que Deus exigia de seu povo, ele demonstrou a todos o caminho da obediência.
Então Jesus foi batizado, o Espírito Santo veio e repousou sobre ele da mesma forma que uma pomba faz ao descer em algum lugar (Jo 1.32). Mas nunca pense a bobagem de que o Espírito Santo se tornou uma pomba ou veio no formato de uma pomba. Ele apenas desceu e repousou sobre Jesus, da mesma forma que uma pomba desce e repousa.
E então o Pai falou do céu: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). Não sabemos quantas pessoas ouviram isso e quantas entenderam o que estava acontecendo ali. Havia milhares de pessoas, e João Batizava a todas conforme chegavam. E então Jesus foi embora.
Para onde Jesus foi? Ele foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo diabo (Mt 4; Lc 4). E ali demonstrou e provou o seu triunfo sobre Satanás. Durante quarenta dias ele foi tentado no deserto, enquanto João Batista continuava pregando e batizando no Jordão.
Os judeus batizavam os gentios (prosélitos) que se convertiam ao judaísmo, como um símbolo do desejo deles de serem purificados interiormente. Os judeus que se batizavam, estavam dizendo: “Não sou melhor do que um gentio”. Essa é uma forte confissão para um povo tão presunçoso e espiritualmente orgulhoso.
No fim dos quarenta dias no deserto os anjos vieram e ministraram a Jesus (Mt 4.11). Ele comeu e recuperou as forças e desceu montanhas terrivelmente acidentadas, acima da cidade de Jericó ou em algum lugar por ali, e voltou para João. O ministério de João Batista já estava em andamento, mas este seria o ápice.
De forma sintética, podemos assim descrever os três dias que dizem respeito ao texto de João 1.19-42, conforme os detalhes relatados pelo apóstolo João:
1º dia: Começa em João 1.19, que diz: “Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu?”. E segue em diante até o versículo 28.
2º dia: Começa em João 1.29, que diz: “No dia seguinte, viu João [Batista] a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. E segue em diante até o versículo 34.
3º dia: Começa no texto de João 1.35-36, que diz: “No dia seguinte, estava João [Batista] outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus”. E segue em diante até o versículo 42.
No primeiro dia, João Batista disse à delegação do Sinédrio: “no meio de vós, está quem vós não conheceis” (Jo 1.26). No segundo dia, ele disse ao povo em geral: “Eis o Cordeiro de Deus!” (Jo 1.29). No terceiro dia, ele disse a seus próprios discípulos: “Sigam-no”, após dois deles o ouvirem apontar para Jesus e dizer ser ele o Cordeiro de Deus (Jo 1.35-37).
Três dias, três mensagens sequenciais para três grupos diferentes. Este é apenas um vislumbre maravilhoso dos três dias mais importantes do ministério do maior homem que havia vivido até então, o último profeta do Antigo Testamento, o primeiro pregador do Novo Testamento.
O testemunho de João no primeiro dia
João 1
19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu?
Um grupo foi a João Batista para fazer perguntas. Eles eram da elite religiosa, hostis, inimigos da verdade, da justiça, da piedade e do arrependimento. Eram inimigos de João Batista e, consequentemente, seriam inimigos de Jesus. Eles formaram uma delegação de sacerdotes e levitas.
Os sacerdotes eram pessoas comuns, embora religiosos, não faziam parte da elite. Havia dezenas de milhares deles. O pai de João Batista, Zacarias, era um sacerdote (Lc 1.5). Eles não pertenciam a elite religiosa, como eram aqueles que tinham dinheiro e poder.
Alguns levitas foram com eles. Os levitas faziam trabalhos braçais para sustentar os sacerdotes. Uma maneira de dizer isso seria que os sacerdotes eram os questionadores naquela delegação religiosa, enquanto os levitas eram os protetores. Uma das funções dos levitas era trabalhar no templo, sob o comando do capitão do templo e de seus tenentes, controlando as multidões. Os levitas trabalhavam para manter a paz; eram uma espécie de tropa de choque. Eram oficiais.
Então, eis que chegaram os sacerdotes que não conheciam as Escrituras. O apóstolo João diz que “os que haviam sido enviados eram de entre os fariseus” (Jo 1.24). Os fariseus eram inimigos declarados de Jesus e lideraram o ódio contra Jesus.
O Sinédrio estava por trás disso. Ele era o conselho governante de setenta anciãos, mais o sumo sacerdote. Os fariseus eram os guardiões da religião judaica apóstata, e enviaram aqueles sacerdotes e levitas comuns para fazer algumas perguntas a João Batista. Aquela foi uma missão do Sinédrio.
Eles perguntaram a João Batista: “Quem és tu?”. Eles queriam saber se João Batista era o Messias ou pensava que era o Messias. Havia uma expectativa no povo, todos se perguntavam se João Batista era o próprio Cristo (Lc 3.15). Multidões saiam da cidade de Jerusalém e da região circundante para ouvir João. Ele tinha muito mais influência religiosa do que qualquer outra pessoa em Israel.
João 1
20 Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo.
No grego, a resposta de João Batista tem um tom enfático e de indignação. Ele ficou furioso com essa pergunta. Ele respondeu enfaticamente: “Eu não sou o Cristo”. É preciso entender que eles não estavam buscando um Salvador, ele não pensavam em arrependimento, eles buscavam um rei para restaurar o poderio político e militar da nação.
Em outra ocasião, quando os discípulos de João Batista lhe disseram que as multidões estavam procurando Jesus, ele respondeu:
O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua (Jo 3.27-30).
João 1
21 Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não.
Eles perguntaram isso porque o último profeta, Malaquias, falando sobre a vinda do Messias, escreveu: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4.5-6).
Antes do retorno do Senhor Jesus Cristo para o julgamento, o grande e terrível dia do Senhor, Elias virá. É uma promessa do Antigo Testamento. Em outro momento, Malaquias o chamou de “mensageiro” que vem antes do retorno do Messias para estabelecer o seu reino (Ml 3.1).
Todos os rabinos, judeus, sacerdotes e levitas entendiam que antes da chegada do Messias, Elias viria. Mas essa promessa diz respeito a segunda vinda do Messias para julgar. Muitos consideram que Elias será uma das duas testemunhas de Apocalipse (Ap 11.3). Elias não morreu, ele foi para o céu em uma carruagem (2Rs 2.10-12).
Então eles perguntaram: “Você é Elias?” Ou seja, “Isso significa que esta é a vinda do Rei?” E, claro, eles pensaram que o julgamento seria sobre as nações ímpias e que o reino lhes seria dado. Mas João Batista responde: “Não sou Elias”.
A Escritura fala de duas vindas de Cristo. Na primeira vinda, ele foi precedido por alguém no espírito e poder de Elias (Lc 1.17). Na segunda vinda, ele será precedido por Elias. Portanto, João Batista não era Elias.
E fica bastante claro ao longo do testemunho de Mateus e Lucas que eles entenderam isso — que João Batista não era Elias, mas era aquele que viria no espírito e poder do profeta Elias, como disse Zacarias (Lc 1.17). Tal como João Batista, Elias era conhecido por sua posição firme e intransigente em relação à Palavra de Deus — mesmo diante de um rei implacável (cf. 1Rs 18.17-24; Mc 6.15). É neste aspecto que João Batista veio no espírito e poder de Elias.
Então, eles perguntaram: “Você é o Profeta?” Veja bem, eles disseram: “o Profeta”. Foi uma pergunta precisa. Eles estavam se referindo à profecia de Moisés, que dizia: “O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás […] Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar” (Dt 18.15,18).
Moisés falou sobre a vinda de um grande profeta, este seria associado à salvação, à restauração e à revelação da Palavra de Deus. Ao longo da história, os judeus sempre viram isso como uma profecia da vinda do Messias, e esse profeta seria o próprio Messias ou alguém que viesse na época do Messias.
No seu segundo sermão após o derramamento do Espírito Santo, Pedro disse que o profeta prometido por Moisés é Jesus Cristo (At 3.11-26). Estêvão transmitiu a mesma mensagem, identificando esse profeta como Jesus Cristo (At 7.37, 51-52).
Então João Batista negou veementemente que ele era o Cristo, negou que ele era Elias e negou que ele era o profeta prometido, sobre quem Moisés escreveu.
João 1
22 Disseram-lhe, pois: Declara-nos quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo?
23 Então, ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.
24 Ora, os que haviam sido enviados eram de entre os fariseus.
Agora, surge a grande pergunta da delegação oficial do Sinédrio: “Quem então você é? Precisamos de uma resposta”. João respondeu dizendo que era apenas “a voz que clama no deserto”. Essa é a essência da verdadeira grandeza: a humildade. Ele não alegou ser filho de um sacerdote, de ter sido cheio do Espírito ainda no vente materno e nem alegou os sinais que aconteceram em sua concepção e nascimento.
Ele disse: “Eu sou uma voz”, citando o profeta Isaías. Em outras palavras, ele disse: “Eu sou uma voz, mas sou uma voz que cumpre a profecia do Antigo Testamento. Eu sou o cumprimento de profecia de Isaías”.
E o que Isaías quis dizer com “a voz que clama no deserto”? Ele estava falando sobre a vinda do Messias, que seria precedido por uma voz que clamaria no deserto:
Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse (Is 40.3-5).
João Batista estava em um deserto físico, mas esse não é o ponto da palavra “deserto” na profecia de Isaías. Ele não apareceu no deserto para remover terra, tapar buracos e derrubar montanhas. Ele veio remover montanhas, elevar vales, endireitar caminhos tortuosos e remover obstáculos do caminho, mas em um sentido espiritual.
A voz que veio trazendo a verdade e a justiça não atraía as pessoas para si, mas para alguém de posição superior, cujas sandálias ele não era digno de desatar (Mt 3.11). Ele proclamava: “endireitai o caminho do Senhor”. Criar uma estrada no coração dos seus ouvintes era o que ele desejava. A desordem da vida precisava ser removida para que o caminho ficasse livre. Tudo isso faz parte da mensagem do arrependimento.
No exato momento em que João Batista respondia à pergunta deles, no primeiro dia, Jesus caminhava em direção a ele e chegaria no dia seguinte. Ele era uma voz. Não apenas uma voz no sentido figurado, mas a voz profetizada por Isaías, que veio clamar no deserto do pecado, da esterilidade, da perversidade, da degradação e da justiça própria.
João 1
25 E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
Se João Batista negou ser o que eles pensavam, e disse ser apenas uma voz, então eles queriam uma explicação de sua autoridade para batizar.
O Antigo Testamento associou a vinda do Messias com arrependimento e purificação espiritual (Ez 3. 6-37; Zc. 13.1). João Batista centrou a atenção na sua posição de precursor do Messias, que usava o tradicional batismo prosélito como símbolo para a necessidade de reconhecer os judeus que estavam fora da aliança salvadora de Deus, como os gentios. Eles também necessitavam de purificação e preparo espirituais (arrependimento – Mt 3.11; M c 1.4; Lc 3.7-8) para o advento do Messias.
Há muito o que se falar sobre isso, mas nosso tempo se esgotou, na próxima vez continuaremos [continuação será publicada antes de 5/3/2026]. Bem dramático, não é? Nem chegamos ao fim do primeiro dia, perdão. Vamos orar.
Pai, somos tão abençoados e gratos pela riqueza que foi colocada em nossas mentes, em nossas mãos, em nossos corações, por Tua Palavra. Cada palavra, cada versículo, cada texto, cada relato, cada testemunho é tão obviamente sobrenatural, vindo do céu. E hoje tivemos comunhão com o céu. Oferecemos nossas orações ao céu e ouvimos o céu falar através deste capítulo.
Obrigado pelo testemunho de João sobre a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo. Obrigado por enviar Teu Filho ao mundo para buscar e salvar os perdidos. E que todos nós possamos concluir, como João Batista concluiu, que este é o Filho de Deus. Aquele sobre quem o Espírito Santo desceu e de quem o Pai disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. E que possamos segui-Lo como fizeram aqueles discípulos de João Batista, fielmente até o fim, negando a nós mesmos, tomando a nossa cruz, seguindo-O.
Eu oro por aqueles que estão no deserto do pecado, cujos corações são áridos e vazios, cheios dos abismos da maldade, das alturas do orgulho, das curvas da perversão e das pedras de tropeço da desordem pecaminosa, para que o Senhor, por meio do Teu Santo Espírito, abra o caminho e prepare a vereda para o Senhor.
Pai, nós Te agradecemos por teres plantado isso em nossos corações e mentes. Usa-o, Senhor, usa-o. Que não termine aqui, que não seja apenas um recipiente que recebe algo e o guarda, mas que sejamos como um funil, onde o que ouvimos inflama nossos corações e preenche nossas conversas, tanto com aqueles que Te conhecem quanto com aqueles que não Te conhecem.
Usa esta verdade, Senhor, e espalha-a de maneiras que talvez nem possamos imaginar agora, para a Tua glória, oramos, e abençoa esta congregação em todos os casos, em cada vida. Que Cristo seja honrado em todos nós, oramos em Seu nome.
Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
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Este texto é uma síntese do sermão “The First Testimony Concerning Jesus – Part 1”, por John MacArthur em 18/11/2012.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/43-5/the-first-testimony-concerning-jesus-part-1
Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno





















