O Novo Céu e a Nova Terra

Um anseio verdadeiro pelo céu é uma evidência de fé e salvação genuínas; é um forte impulso à santidade, pois tal pessoa anseia por Deus; é o caminho para uma vida de alegria, pois sua esperança é real e inabalável; é a melhor proteção contra o pecado, pois quanto mais voltado para o céu, menor a chance de se rebaixar ao nível degradante deste mundo. 

Ao longo da história da igreja, o céu tem estado na mente do povo de Deus. Muitas músicas se concentraram no céu, porque os cristãos, ao longo dos anos da vida da igreja, estiveram frouxamente ligadas à terra e, por isso, ansiavam pelo céu.

A maioria dos cristãos, suponho, ao longo dos séculos, poderia dizer com o salmista no Salmo 73.25-26: “A quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti […] Deus é a fortaleza do meu coração e a minha porção para sempre”.

Essa é a expressão do coração que anseia por Deus, muito parecido com o Salmo 42.1-2, onde o salmista diz: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?”.

O desejo de ver Deus, de estar na presença de Deus para sempre e de desfrutar de Deus eternamente sempre esteve no coração dos verdadeiros cristãos. De fato, os puros de coração, segundo as palavras de Jesus no Sermão do Monte, recebem a promessa de que um dia verão Deus (Mt 5.8).

Mas não é assim na cultura atual. Vivemos numa sociedade que anseia por prazer imediato, conforto material e desejos infinitos. E a igreja se tornou mundana. A falta de interesse no céu é uma prova disso.

A maioria dos cristãos está, em algum grau, mais interessada em acumular tesouros na Terra do que no Céu. Eles estão mais preocupados com seus investimentos, sua aposentadoria e seu próprio futuro na Terra do que com o Céu.

Suponho que a maioria dos cristãos sacrifica a bênção eterna da glória no altar da satisfação temporal. Não falamos muito sobre o Céu. Não cantamos muito sobre o Céu, porque realmente não estamos tão interessados assim.

A velha canção diz: “O céu em minha mente”. Mas isso não é mais verdade. Como os crentes não têm o céu em mente, eles desperdiçam suas vidas, atrapalham o poder da igreja e são consumidos por coisas passageiras.

Filipenses 3.20 diz que nossa cidadania está no céu. Colossenses 3.1 diz que devemos buscar “as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus”; 1 João 2.15-17 diz:

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

Veja, tudo relacionado à nossa vida espiritual e nosso destino no céu. Nosso Pai está lá; nosso Salvador está lá; nosso Consolador está lá; nossos irmãos na fé estão lá; nosso nome está lá; nossa vida está lá, nossa herança está lá; nosso lar está lá; nossa cidadania está lá; nossa recompensa está lá; nosso tesouro está lá. Tudo o que nos pertence em Cristo está lá.

A razão pela qual devemos ansiar pelo céu é porque Deus está lá. E quem temos no céu senão Ele? E quem desejamos na terra senão Ele? Ele deve ser a nossa afeição suprema, o nosso amor supremo, o nosso desejo supremo. E se Ele está no céu, então o céu deve ser o lugar que desejamos estar.

Em 1 Reis, capítulo 8, diz oito vezes que Deus está no céu. E se temos por Deus a mais suprema afeição, se ele é o nosso grande amor, se amamos o Senhor nosso Deus de todo o coração, alma, mente e força, então ansiamos por estar no céu com ele. Em 1 João 3.1-3 diz:

Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

Implicações e benefícios por termos anseio pelo céu

Um anseio verdadeiro e vívido pelo céu tem muitas implicações e benefícios maravilhosos. Por exemplo, é uma evidência de salvação genuína, porque quando uma pessoa anseia pelo céu, sabemos que ela anseia por Deus. Ela está demonstrando amor pelo Senhor. Ela está mostrando onde está o seu coração.

E não apenas isso, onde se vê um forte anseio pelo céu, há um incentivo para a mais alta excelência do caráter cristão. Por quê? Porque todo aquele que ama e anseia o céu, seu coração está no céu e vive em comunhão com o Deus vivo. Vive sob a influência do céu através de sua vida de meditação na Palavra e oração, em uma comunhão purificadora.

Um anseio verdadeiro e vívido pelo céu é o caminho mais verdadeiro para uma vida de alegria, porque se você realmente vive no céu, e se toda a sua expectativa está lá, e você reconhece que esse é o grande desejo do seu coração, então você pode suportar absolutamente qualquer coisa nesta vida e nunca ter sua alegria afetada. Que importância tem o que acontece aqui em vista da glória do céu?

Um anseio verdadeiro e vívido do céu é a melhor proteção contra o pecado, porque quanto mais voltado para o céu você for, menor a probabilidade de se rebaixar ao nível degradante deste mundo. Quanto mais você coloca suas afeições nas coisas do alto, menor a probabilidade de seguir impulsos carnais.

Um anseio verdadeiro e vívido pelo céu manterá o vigor do seu serviço espiritual. Aqueles cristãos que correm devagar, trabalham pouco e que se esforçam minimamente para servir a Deus demonstram pouca consideração pelas coisas eternas.

Muitos deles trabalham arduamente nas coisas terrenas e muito pouco nas eternas. Por quê? Porque, em suas mentes, projetaram que o prêmio a ser conquistado aqui é mais digno de seus esforços do que o prêmio a ser conquistado lá. Que terrível engano!

Fervor, diligência e fidelidade no serviço estão relacionados a um anseio pelo céu. Eu me pergunto isso constantemente: “Qual é o benefício celestial da minha vida? Qual será o benefício celestial desse esforço? Que importância isso tem para a eternidade?”

Um anseio verdadeiro e vívido pelo céu honra a Deus acima de tudo, porque quando seu coração está no céu é porque ele está lá, e ele é o Supremo. E uma verdadeira devoção e anseio pelo céu também retribui a bondade de Deus.

Você pergunta: “Em que sentido?” Bem, quando colocamos nossas afeições nas coisas do alto, em certo sentido devolvemos a Deus o que Ele nos deu, porque Seu coração está sempre voltado para nós; e certamente o nosso deveria estar voltado para Ele.

Portanto, quando você quiser encontrar uma evidência de salvação genuína na vida de alguém; quando quiser encontrar um motivo ou incentivo para a mais alta excelência da virtude cristã; quando estiver procurando por alguém que tenha verdadeira alegria, alguém que resista à tentação, alguém que mantenha o vigor e a diligência do serviço espiritual, alguém que honre a Deus acima de tudo e alguém que queira retribuir a Deus por Sua bondade, você encontrará alguém cujo coração está no céu.

O mais nobre de todos os cristãos, o mais piedoso de todos os santos, o mais virtuoso de todos os crentes terá uma mentalidade celestial e viverá na vida da eternidade.

Onde está o céu?

Então, quando falamos sobre o céu em nosso estudo do livro de Apocalipse, nos capítulos 21 e 22, não estamos falando apenas de uma ilusão, estamos falando de algo com imensas implicações para a maneira como vivemos. E, francamente, estamos falando de algo que deveria trazer grande convicção.

O céu é mencionado cerca de 550 vezes nas Escrituras e 54 vezes no livro do Apocalipse. A palavra hebraica no Antigo Testamento é “shamayim” que significa “as alturas“. A palavra no Novo Testamento é “οὐρανός” (ouranos), de onde deriva o planeta Urano. Significa “aquilo que é elevado / levantado”. O Céu é o lugar elevado, as alturas.

As pessoas têm perguntado ao longo dos séculos: “Onde fica o céu?” É um lugar porque há algumas pessoas lá que realmente têm corpos. Enoque, que foi trasladado para não ver a morte (Gn 5.24; Hb 11.5); o profeta Elias, que foi arrebatado ao céu em um redemoinho, numa carruagem de fogo, sem passar pela morte (2Rs 2.11); e o Senhor Jesus Cristo, que está lá em um corpo glorificado, o mesmo corpo que todos os redimidos receberão (Fp 3.20-21).

Você diz: “Não é apenas uma espécie de consciência espiritual?” Não, é um lugar. É um lugar onde os corpos espirituais e transcendentes glorificados dos santos habitarão com o Cristo glorificado e os santos anjos. Não sabemos onde está, mas podemos afirmar que ele está em cima (Ap 4.1; 2Co 12.1-4), em uma dimensão diferente do tempo e do espaço.

O que sabemos sobre o céu?

O profeta Ezequiel tentou explicar no capítulo 1 de seu livro. Ele falou sobre tempestades, fogo flamejante, joias, metal brilhante, seres vivos, bronze e rodas girando dentro de rodas. E do versículo 4 até o 28, ele se esforçou ao máximo para descrever o indescritível. E Paulo foi lá e voltou, em 2 Coríntios 12; mas o Senhor não o permitiu falar sobre o que ele viu.

A melhor visão do céu está no livro de Apocalipse, que o descreve como o futuro lar eterno dos redimidos. Em João 14.1-3 Jesus disse que iria preparar um lugar para nós, e este é o lugar.

Apocalipse 21
¹ Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
² Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.
³ Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.

Ao abrir o capítulo 21 de Apocalipse, na cronologia do fim dos tempos, demônios, homens não redimidos de todas as eras, Satanás, o falso profeta e o Anticristo já estarão no eterno lago de fogo (Ap 19 e 20). Eles sairão da presença de Deus, dos santos e dos anjos para sempre. Além disso, todo o universo como o conhecemos já estará destruído. Toda a matéria que compõe o universo inteiro será reduzida a energia.

Então Deus então toma os santos anjos e os homens piedosos de todas as eras e cria para eles um novo universo, que será a morada eterna dos redimidos e dos anjos que adoram a Deus. A plenitude dos tempos haverá chegado, ou seja, a reunião de todas as coisas, nos céus e na terra (Ef 1.10). Este é o estado eterno.

A sequência escatológica

No capítulo 19.11 João diz: “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça”, retratando a volta de Cristo. Quando ele diz “Eu vi o céu aberto”, estava fazendo uma declaração muito importante para nos guiar passo a passo pela cronologia da vinda de Cristo. A declaração foi usada para a volta do Senhor, a derrota do Anticristo e para introduzir o banimento de Satanás no início do reino milenar.

No início do capítulo 20 ele diz: “Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente” (v.1). Mas uma vez ele diz: “Vi”. É uma introdução ao reino milenar, a libertação e destruição de Satanás. No versos 11 e 12, ele volta a dizer “vi”, para introduzir a cena no grande trono branco.

E, então, no capítulo 21.1 ele volta a dizer “vi”. Agora é usada para introduzir o novo céu e a nova terra. É uma expressão técnica que introduz cada um dos eventos sequenciais, desde o retorno de Cristo até o estabelecimento do estado eterno.

O novo céu e a nova terra

Então, no capítulo 21, João começa dizendo: “Vi um novo céu e uma nova terra”. Após todos os acontecimentos nos capítulos 19 e 20, ele introduz o novo céu e a nova terra. E aí temos a sequência escatológica que leva ao estado eterno, sinalizada pela breve frase: “Eu vi.” O que ele viu? Um novo céu e uma nova terra. Essa terminologia é retirada do Antigo Testamento.

Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas. Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém alegria e para o seu povo, regozijo. (Is 65.17-18)

Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome (Is 65.22)

Isaías se refere duas vezes ao novo céu e à nova terra. E assim, João está tirando essa frase diretamente do profeta. O que Isaías havia predito agora é uma realidade na visão que João está tendo.

A terra em que vivemos é temporária, descartável. Não devemos preservá-la, isso é inútil. Não estou dizendo que devemos ser destruidores, mas que a ideia de preservar este mundo é contrária ao plano de Deus. A Terra é descartável, está se desfazendo, declinando e se desintegrando. A lei da entropia, que diz que a matéria está sempre se decompondo e tendendo à desordem, está de fato ocorrendo.

Deus não pretende que o planeta permaneça. Os objetivos de todos aqueles que querem salvar o planeta são realmente perda de tempo, porque a criação será substituída por um novo céu e uma nova Terra eternos. Na verdade, a Terra não está caminhando para uma crise ecológica, mas para um holocausto escatológico.

A palavra grega traduzida como “novo” não tem significado de oposição a antigo, mas de “novo em qualidade”. Ela não mede a atualidade de algo ser novo em termos de cronologia, mas simplesmente que é “novo em qualidade”, “diferente”.

Deus criou originalmente o universo e a Terra para ser o lar permanente da humanidade. Mas o pecado e a morte entraram e corromperam tudo. A queda dos anjos, é claro, contribuiu para a corrupção. A decadência entrou na Terra, ela começou a se desfazer e a decair; e, por fim, Deus terá que eliminá-la.

Virá um novo céu sem tempestades e demônios vagando por aí. Haverá uma nova terra sem as misérias da impiedade e sem mais sofrimentos. Será uma terra cujas colinas eternas fluirão com santidade e o rio da salvação, e cujos vales eternos conhecerão apenas a paz do paraíso de Deus.

E Isso tem que acontecer, pois “o primeiro céu e a primeira terra passaram…” (Ap.21.1). Isso foi descrito em Apocalipse 20.11, que diz: “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles”. O universo deixará de existir quando Deus reunir os ímpios no grande trono branco e os enviar para o lago de fogo.

Os profetas do Antigo Testamento disseram que os céus não são puros aos olhos do Senhor (Jó 15:15). Isaías escreveu: “a terra está contaminada por causa dos seus moradores” (Is 24.5). O salmista escreveu:

Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados. Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim (Sl 102:25-27).

Essa mesma passagem é citada em Hebreus 1.10-12. Em Lucas 21.33 Jesus disse: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão”. Então, o céu e a terra, como os conhecemos, serão incriados, e então, em seu lugar, um novo céu e uma nova terra.

O texto bíblico diz: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1). Não haverá mais o mar. É tudo o que ele diz. 75% da Terra está coberta por água e o ser humano é composto entre 55% a 78% de água, sendo maior em crianças e diminuindo com o envelhecimento.

Vivemos é basicamente um mundo aquático. A Terra é o único lugar no universo conhecido onde há água suficiente para sustentar o homem, as plantas e os animais. Mas o texto bíblico diz que o novo céu e a nova terra não funcionarão mais com água. Isso basta para dizer que será muito diferente. Em nossa forma glorificada, nenhuma água será necessária.

Provavelmente não haverá sede no novo céu e nova Terra. Lá haverá o “rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro” (Ap 22.1). Essa será a única água que existirá lá: A água da vida. Não será uma substância química chamada H₂O. Se lá não haverá água e nem mar, então a vida será completamente diferente de qualquer coisa que possamos entender em sua forma glorificada. O estado eterno é totalmente diferente.

Seremos ressuscitados e receberemos corpos ressurretos, habitaremos em um céu e uma terra eternamente novos, baseados em um princípio de vida completamente diferente do que conhecemos agora neste universo criado.

A nova Jerusalém

E então João escreveu: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”.

Ele começou com o aparecimento do novo céu e da nova terra; e, em segundo lugar, com a capital do novo céu e da nova terra: a Nova Jerusalém.

Antes de qualquer coisa, temos que entender que a Nova Jerusalém não é tudo o que existe no céu. O novo céu e a nova Terra será um reino vasto, infinito e eterno, e no meio dele haverá uma capital chamada Nova Jerusalém, descrita, inclusive com dimensões, nos versículos 9 a 27, de Apocalipse 21.

Você pergunta: “Tem certeza de que isso é literal?” Bem, se não for, não tenho a mínima ideia do que ele está falando. Há quem diga que não é uma cidade real. E quem vai desvendar o mistério do que ele quer dizer se ele não diz o que quer dizer?

João diz que viu a “a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”. Então, sabe a que concluo? Havia uma cidade santa, chamada Nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus. E foi isso que João viu. É a terceira cidade chamada Jerusalém na história da redenção.

A primeira é a histórica Jerusalém, a Cidade de Davi, que existe até hoje e é a capital de Israel. A Escritura a chama repetidamente que a cidade santa (11.2; Ne 11:1; Is 52.1; Dn 9.24; Mt 4.5; 27.53), porque ela foi separada para os propósitos de Deus.

A segunda Jerusalém será a Jerusalém restaurada onde Cristo governará durante o reino milenar. Também será santa, pois Cristo se assentará no trono de Davi, na cidade de Jerusalém e governará com cetro de ferro (Lc 1.32-33; Ap 19.15; Sl 2.9). E, assim, haverá uma santidade ainda maior para essa cidade, pois Cristo, o Santo, reinará ali e manterá a ordem por meio de um julgamento rápido.

Mas a nova Jerusalém não pertence à primeira criação, por isso não é nem a cidade histórica, nem a cidade milenar. É uma nova cidade eterna (Ap 21.10; 3:12; Hb 11.10; 12.22-24; 13.14). É chamada também a cidade santa, porque todo mundo nela é santo.

O conceito de uma cidade inclui relacionamentos, atividades, responsabilidade, união, socialização, comunhão e cooperação. Ao contrário das cidades do mal da Terra atual, as pessoas, perfeitamente santas na Nova Jerusalém, vivem trabalhando juntas e em perfeita harmonia.

A cidade foi mencionada pela primeira vez no livro de Apocalipse na carta à igreja de Filadélfia: “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome” (Ap 3.12).

Hebreus 11.10 fala que Abraão aguardava a “cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador”. Ele buscava o céu.

No capítulo 12.22-23, de Hebreus, diz: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados”.

Abraão buscava aquela cidade e um dia foi para lá. E todos os santos que morreram já se foram para lá, e estão lá em seus espíritos. É aquela cidade. Acho que a melhor maneira de entender isso, amados, é que qualquer santo que morre vai para a Jerusalém celestial; esse céu é a Jerusalém celestial.

De fato, poderíamos dizer que todo o céu está contido atualmente na Jerusalém celestial, porque o universo, tal como existe, foi tocado e manchado pelo pecado. Portanto, até que sejam criados o novo céu e a nova terra, o céu não preenche todo o infinito.

Ao falar aos discípulos sobre sua iminente partida, Jesus disse: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver”. (Jo 14.1-3).

Creio que Jesus deixou a Terra e voltou para a Jerusalém celestial, a cidade que tem fundamento, cujo construtor e criador é Deus. Ele voltou para a Jerusalém celestial, onde existem apenas santos, os anjos santos estão lá e Deus está lá e, claro, Cristo está lá; e Ele voltou para lá para preparar um lugar para nós. E um dia Ele nos levará a esse lugar.

É importante, então, ver que a Nova Jerusalém existe mesmo agora, de alguma forma. É realmente o céu, é onde Deus está. E quando um crente morre, ele vai para o lugar que o Senhor reservou para ele. Mas um dia, quando Deus criar um universo infinito totalmente novo – esse céu, esse terceiro céu, essa casa do Pai, essa Nova Jerusalém, essa cidade cujo construtor e criador é Deus – descerá e se instalará no meio do novo universo. E será o lar de todos os piedosos.

Todos os glorificados de todas as eras viverão naquela cidade, porque todos viverão na casa do Pai, para onde Jesus foi. E se ele foi para preparar uma morada para nós, ele tem que estar preparando em um lugar que já existe.

De fato, em Apocalipse 21.10 João diz: “e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus”. Isso indica que a cidade não vem à existência, apenas desce de Deus para o novo céu e a nova terra. O Senhor está agora preparando um lugar para nós na casa do Pai, a casa do Pai está na Jerusalém celestial, ou céu como o conhecemos, e algum dia tudo descerá ao estado eterno, o novo universo.

Portanto, a cidade celestial já terá sido preparada; Jesus está preparando agora. E quando ele vier para os seus, ele os levará para aquele lugar. E quando o arrebatamento da igreja ocorrer, iremos para aquele lugar que ele está preparando para nós; e esse será o nosso lar, e habitaremos lá.

Mesmo durante o milênio, voltaremos à Terra em forma glorificada e retornaremos àquela cidade santa. E então, finalmente, a cidade santa se tornará a capital da eternidade.

A cidade nupcial e o casamento glorioso

João diz: “da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21.2). João toma emprestado essa imagem magnífica de um casamento. Um casamento hebraico consistia em três fases:

1) o noivado, realizado pelas famílias dos noivos (muitas vezes quando o casal ainda era criança);
2) a apresentação dos noivos um ao outro (as festas, muitas vezes durante vários dias, que precediam a cerimônia);
3) a cerimônia (a troca de votos). Depois que a cerimônia terminava, havia a consumação do casamento.

A igreja tornou-se a noiva de Cristo pela escolha soberana de Deus desde a eternidade passada (Ef 1.4; Hb 13.20), e lhe será apresentada no arrebatamento (Jo 14.1-3; 1Ts 4.13-18). A ceia final significa o fim da cerimônia. Essa refeição simbólica acontecerá no estabelecimento do reino milenar e se estenderá por todo o período dos mil anos (cf. 21.2).

O termo “noiva” muitas vezes se refere à igreja (2Co 11.2; Ef 5.22-24), mas se expande para incluir todos os redimidos de todos os tempos, o que fica claro na sequência de Apocalipse.

Ao final desse período, a cerimônia acontece. Podemos comparar a cerimônia ao reino milenar – a grande celebração, o grande banquete final, quando a noiva e o noivo se unem. E é seguida pela consumação, que é o estado eterno.

Então João diz: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21.2). Por que ele descreve a cidade dessa maneira? Porque a cidade continha a noiva, e então ele a vê como a cidade da noiva.

O plano redentor de Deus visava buscar uma noiva para o Seu Filho. E Ele buscou. E quando você chega a este ponto na cronologia do Apocalipse, a noiva é reunida. Todos os santos da tribulação são incorporados a ela; todos aqueles que foram convertidos durante o tempo do reino; toda a igreja está incluída; e todos estão na cidade nupcial, todos estão englobados na noiva que Deus escolheu para o Seu Filho. E a cidade desce com todos os redimidos nela para o estado eterno.

Em Apocalipse 19.7-9 João escreveu:

Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.

Nem todos os que estão naquele banquete, a celebração inicial, fazem parte da noiva, porque o texto diz: “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro”.

Esses que são chamados não se trata da noiva (a igreja), mas dos convidados. A noiva não é convidada, ela convida. Esses convidados são os salvos antes do Pentecostes, todos os crentes fiéis salvos pela graça mediante a fé até o nascimento da igreja (At 2.1 ss.).

Embora eles não sejam a noiva, são glorificados e reinarão com Cristo no reino milenar. É uma imagem diferente e não uma realidade diferente. Os convidados também incluirão os santos da tribulação e os crentes vivos em corpos terrenos no reino.

Assim, a igreja é a noiva durante a festa da apresentação no céu, e então ela vem a terra para a celebração da ceia final (o milênio). Depois desse acontecimento, a nova ordem será inaugurada e o casamento se consumará.

Então, aqui está a consumação. Todas as coisas resolvidas em Cristo e no Pai. E é isso que Paulo aponta em 1 Coríntios 15.28: “Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”.

No grande evento final da cerimônia durante o reino, seguido pela consumação, todos os santos de todas as eras podem ser trazidos à metáfora da noiva para que ela abranja a todos.

Então, João vê a capital, adornada como uma noiva, pois contém todos os redimidos de todas as eras, que, em última análise, são a noiva que o Pai procurou dar ao Seu Filho. Maravilhoso. E a Nova Jerusalém é uma cidade nupcial.

A casa do Pai

Conforme Apocalipse 11.8, a antiga Jerusalém histórica “espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado”, porque era podre e miserável. O reino milenar também não atingiu o nível de perfeição, a Jerusalém milenar foi sitiada por uma rebelião satânica (Ap 20.7-10) no fim do milênio.

Portanto, estamos lidando aqui com uma nova Jerusalém. Esta é a santa Nova Jerusalém. Assim, ao olharmos para o céu através dos olhos de João em sua visão, vemos a aparência do novo céu, da nova terra e de sua capital.

Então, um último ponto. Vemos a personalidade suprema do novo céu e da nova terra. E vou apenas dizer algo breve sobre isso, porque há tanto a dizer que quero guardar para a próxima vez. Veja Apocalipse 21.3, que diz:

Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.

Quem é a pessoa suprema do céu? É Deus. O salmista escreveu: “Quem mais tenho eu no céu?” (Sl 73.25). Uma grande voz saiu do trono, provavelmente algum anunciador angelical; e o anúncio é: ‘Eis o tabernáculo de Deus com os homens’. No grego, tabernáculo é “o lugar de morada”. Esta é a casa do Pai.

Na Nova Jerusalém está a casa do Pai, e a casa do Pai está entre os seus escolhidos. Jesus partiu para preparar um lugar para nós na casa do Pai, para que o Pai pudesse vir e morar em sua casa com todos nós.

Eis que Deus está vivendo na mesma casa com os homens redimidos. É uma realidade absolutamente impensável para um judeu que nem sequer diria o nome de Deus por causa de sua reverência temerosa.

E, no entanto, um judeu deveria se lembrar de que Levítico 26:11 e 12 diz: “Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos aborrecerá. Andarei entre vós e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”. Embora isso tivesse importância e significado histórico, não é nada comparado ao seu significado eterno.

O Deus Emanuel estará realmente conosco, não apenas encarnado em Jesus Cristo, mas agora Emanuel estará conosco em toda a sua plenitude. Esta é a casa do Pai, e estaremos todos juntos nela. Essa é a incrível realidade do céu. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5.8).

De acordo com Apocalipse 21.22, não há templo na nova Jerusalém, “porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro”. Um templo indicaria que você precisaria ir a algum lugar para ver Deus e contemplar a shekinah.

Isso é tão impressionante que João está ouvindo essa voz dizendo: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21.3).

Quando diz “habitará”, é a mesma raiz da palavra “tabernáculo”, e está relacionada ao termo “shekinah”, a própria presença de Deus. Shekinah significa “habitação” (Dt 12:5).

Primeiro ele diz: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens” (Ap 21.3). Depois, ele diz: “Deus habitará entre eles”. E então, ele diz: “eles serão povos de Deus”. É quase como se essa coisa fosse tão incompreensível que ele precisa ficar repetindo: “e Deus mesmo estará entre eles”. Esta é a presença de Deus como em nenhuma outra ocasião.

Queremos estar lá porque Deus está lá. É estar com Deus que faz do céu o céu. Jesus orou: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo…”. Que oração! E ela é atendida. Estaremos realmente na presença de Deus. Isso é incrível, maravilhoso e inimaginável; mas essa é a promessa do céu.

Pai, obrigado por esta grande esperança. Obrigado pelo que nos deste. Ó Pai, como tudo isso é maravilhoso. E, Senhor, oramos para que nos faças colocar nossas afeições nas coisas do alto e não nas coisas da terra. Desperdiçamos tanta força, tanta energia e tantos recursos nos preocupando com as trivialidades desta vida, em vez de investir nossas energias e nossos pensamentos naquilo que é eterno.

Obrigado pela esperança do céu, que nos capacita a suportar qualquer coisa aqui, à luz do que está por vir. Obrigado pela esperança do céu, que é o maior incentivo à excelência em nosso caráter cristão, que é o caminho mais verdadeiro para a alegria, que é a melhor defesa contra o pecado.

Obrigado pela esperança do céu, que fortalece nosso serviço espiritual e nos faz honrar a Ti. Ajuda-nos a viver na luz da glória vindoura e a tratar este mundo com muita leveza; pois há um peso de glória muito mais eterno. Que possamos nos apegar levemente às coisas passageiras e sentir o verdadeiro peso do que é eterno.

Senhor, se alguém ouve esta mensagem e não está a caminho do céu, oramos para que o Senhor o salve por Sua graça e transforme seu curso de um caminho para a destruição em um caminho para a glória, pelo amor de Jesus. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “The New Heaven and the New Earth, Part 1″, de John MacArthur em 8/1/1995.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/66-80/the-new-heaven-and-the-new-earth-part-1

Tradução e síntese feitas pelo site Rei Eterno


Clique aqui e veja os links de todos os sermões traduzidos de John MacArthur sobre o livro de Apocalipse.


 

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