A Vida na Eternidade
O céu é um lugar para verdadeiros adoradores, nossa vida lá será uma constante adoração. Lá contemplaremos a face de Deus, desfrutaremos do prazer de serví-lo, ele nos servirá e reinaremos com ele. Desfrutaremos da árvore da vida e do rio da água da vida que procede do trono de Deus e do Cordeiro em um fluxo de bênçãos eternas.
Quando Jesus pregou o Sermão da Montanha, ele falou de promessas maravilhosas aos crentes. Ele disse: “regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mt 5.12); “ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mt 6.20).
Ele disse ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” (Mt 19.21). Em Lucas 6.23 ele fala do grande galardão celestial. Ele falou sobre os tesouros do céu, a recompensa do céu e as riquezas do céu.
O apóstolo Paulo falou sobre a coroa da justiça que lhe estava reservada no céu (2Tm 4.8). O apóstolo Pedro falou sobre uma herança incorruptível, imaculada e que não pode murchar, reservada nos céus (1Pe 1.4).
O céu é o nosso lugar. É onde está o nosso tesouro, herança, recompensa, esperança, lar eterno e glória eterna. E assim, estamos olhando para o céu em Apocalipse 21 e 22, que descrevem a capital do estado eterno, a “nova Jerusalém”, a “cidade santa”, nosso lar para sempre. É o lugar onde passaremos a eternidade.
O novo céu, a nova terra e o aspecto geral da nova Jerusalém
Nos últimos 3 sermões vimos que Apocalipse 21 começa com João dizendo: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”. Ele viu o desaparecimento do universo atual e a criação de um novo céu e uma nova terra. Nesta nova terra o mar não existe, tudo será muito diferente do que vivemos agora.
Logo depois João declara: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21.2). Essa cidade chamada de noiva, que desce ao estado eterno, torna-se o ponto focal de atenção até o capítulo 22, versículo 5.
A nova Jerusalém existe desde a eternidade, mas o Senhor criará novo céu e nova terra para onde ela vai descer como a capital do estado eterno.
No último sermão vimos a aparência geral da nova Jerusalém (Ap 21.9-21), pois João tentou descrevê-la na medida do possível. Ele escreveu que um anjo “me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa Cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus”.
João tentou descrever o indescritível: a beleza exuberante da cidade da qual emana e brilha com perfeição a glória de Deus. Ele disse que a nova Jerusalém reflete o brilho da glória de Deus através de seus diamantes cristalinos. Descreve que sua grande e alta muralha tem fundamentos de pedras preciosas e estrutura de diamante, onde estão os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
A cidade é descrita em suas medidas, tem formato quadrangular e é formada por ouro puro, semelhante a vidro límpido. Diz que há “doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel” (Ap 21.12). Essas portas indicam que entraremos e sairemos da cidade, haverá um infinito para desfrutarmos.
A nova Jerusalém por dentro
A partir de agora veremos a nova Jerusalém por dentro. João nos leva para dentro da cidade para um vislumbre do nosso futuro lar. Ele começa dizendo:
Apocalipse 21
22 Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro,
Sem essa declaração teríamos que entender que haveria um templo no céu, pois na abertura do sétimo selo e no soar da sétima trombeta João escreveu:
Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono (Ap 8.3).
Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada. (Ap 11:19).
Concluímos que no estado eterno esse templo não mais existirá. Não há mais templo lá. E por que isso? Bem, não há necessidade de uma morada de Deus, porque Deus literalmente ocupará com glória resplandecente todo o novo céu e a nova terra. Não haverá nenhum templo “porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (Ap 21.22).
No novo céu e na nova terra, quando a glória de Deus encher a terra e o novo universo com toda a sua infinitude, não haverá necessidade de um templo, porque o próprio Deus será o templo em que tudo existirá. Por isso Apocalipse 21.3 diz: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles”.
Nunca haverá um momento em que não estejamos adorando e em perfeita e santa comunhão com o Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro. Seremos verdadeiros adoradores que o Pai sempre buscou. Nossa adoração será pura, verdadeira e perfeita. Adoraremos em espírito perfeito e em verdade perfeita em Sua presença eterna.
É muito interessante que essa tenha sido a primeira coisa que João observou, era prioridade para ele. Afinal, foi ele quem escreveu sobre Deus buscando verdadeiros adoradores (Jo 4.20-24) e quem tinha tido todas essas visões tremendas no livro do Apocalipse. Os vislumbres do céu onde a adoração é a ocupação constante foi marcante para ele.
Apocalipse 21
23 A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada.
Ela não será uma terra como a que conhecemos hoje, que depende do sol e da lua, do tempo para o sol brilhar e do tempo para a escuridão seguir seus ciclos normais. Será uma criação completamente diferente de tudo o que conhecemos hoje. Não haverá sol e nem lua, a glória de Deus é que a ilumina, e sua lâmpada é o Cordeiro.
E, novamente, são Deus e o Cordeiro. E você vê isso em praticamente todas as visões do livro do Apocalipse. Você vê o trono do Pai, mas o Cordeiro está sentado no trono (Ap 3.21). E você os vê compartilhando a responsabilidade. O tabernáculo de Deus está com os homens, mas também o tabernáculo de Jesus Cristo.
Você vê o grande trono branco e aquele que nele se assenta não é outro senão o Criador (Ap 20.11). E, no entanto, Deus confiou todo o julgamento ao Seu próprio Filho (Jo 5.22). E assim, você os vê juntos. O Criador e o Cordeiro são, então, a luz daquela cidade eterna. E lembre-se agora: a nova Jerusalém é um prisma de luz absolutamente deslumbrante.
Apocalipse 21
24 As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória.
Este é o novo céu e a nova terra que virão depois do milênio, ou seja, o estado eterno. Muitos questionam: “Se é o estado eterno, então como as nações e os reis chegaram lá?
A palavra grega “ethnē” pode ser traduzida como “nações” e como “povos”, mas na maioria das vezes no Novo Testamento é traduzida como “gentios”. No sentido mais amplo significa todos os povos de todas as línguas, tribos e nações reunidos como um só povo. Não haverá mais divisões como as conhecemos. Todos andarão em sua luz. A nova Jerusalém será a capital dos povos reunidos no céu como um só povo.
E então diz: “E os reis da terra trarão a ela a sua glória”. Essa frase pode indicar que não haverá nenhuma estrutura social ou classe, que aqueles que entram na cidade vão entregar sua glória terrena. Assim, todos estarão no mesmo nível. Outra interpretação possível é que esta frase se refere aos crentes que viverem no final do Milênio.
Apocalipse 21
25 As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite
Durante todo o interminável dia do estado eterno (não haverá noite lá) suas portas não serão fechadas. Em uma antiga cidade murada, os portões eram fechados ao cair da noite para proteção da cidade contra invasores, saqueadores e criminosos. Mas os portões da nova Jerusalém nunca serão fechados, retratando a segurança completa da cidade. Vai ser um lugar de descanso, segurança e refrigério onde o povo de Deus descansará de seus trabalhos (Ap 14:13).
Apocalipse 21
26 E lhe trarão a glória e a honra das nações.
Todas as pessoas, não importa quem sejam ou de que país ou nação tenham vindo, trarão toda a sua glória, tudo o que há de bom nelas, e isso se dissolverá, por assim dizer, na adoração eterna a Deus em Cristo. A glória e a honra de todas as nações se dissolvem, por assim dizer, na glória de Deus. Como os vinte e quatro anciãos, todos os que entram no céu irão lançar as suas coroas diante do trono de Deus (Ap 4.10).
Eu penso que isso nos fala algo sobre o que toda essa questão das recompensas significa, quando recebermos nossa glória e honra eternas. Eu realmente acredito que ao recebemos ela se difundirá na glória de Deus, porque, afinal, qualquer bem que tenhamos feito, qualquer coisa que tenhamos conquistado pela causa de Cristo, foi o Espírito de Deus que fez em nós. E Ele recebe toda a glória no final.
Portanto, todos os redimidos que entrarem na cidade eterna e receberem sua recompensa eterna, a devolverão a Deus, e Deus será tudo em todos, e a adoração eterna a Deus e ao Cordeiro será tudo.
A população da nova Jerusalém: Os inscritos no Livro da Vida
Apocalipse 21
27 Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro.
Tudo no céu será perfeitamente santo. Assim, nada imundo e ninguém que pratica abominação e mentira entrará na nova Jerusalém, mas apenas aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro. O Livro da Vida é um documento divino que registra os nomes de todos a quem Deus escolheu para salvar e que, portanto, hão de possuir vida eterna.
Daniel 12.1 diz: “será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro”. Jesus disse aos 70 discípulos: “alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lc 10.20).
Na carta aos Filipenses, Paulo escreveu: “A ti, fiel companheiro de jugo, também peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram comigo no evangelho, também com Clemente e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida” (Fp 4.3).
Quando falava sobre o juízo do grande trono branco, João escreveu: “se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (Ap 20.15). Aqueles que foram inscritos no livro da vida não se curvarão ao anticristo no tempo da tribulação (Ap 13.8). O rol dos eleitos existe desde a eternidade passada, cujos nomes foram inscrito no livro da vida antes dos tempos dos séculos (Ap 17.8)
O rio de água da vida e a árvore da vida
Apocalipse 22
1 Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.
Tudo é claro e cristalino, de modo que a glória de Deus brilhe através de tudo. O rio que João viu não é de água, como a conhecemos, essa “água da vida” é cristalina, refletindo o brilho da glória.
A água da vida é um símbolo da vida pura, santa e eterna que flui pela cidade, vinda do trono de Deus e do Cordeiro. No Jardim do Éden havia um belo rio com quatro braços, e esses quatro braços irrigavam o paraíso (Gn 2.10-14). O paraíso celestial terá um rio celestial, belo e cristalino, de vida eterna que banha a cidade santa enquanto flui do trono de Deus.
João realmente entendeu o significado da água em termos de sua referência à salvação, pois foi ele próprio quem escreveu as palavras de Jesus: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5).
Foi João quem escreveu as palavras de Jesus à mulher samaritana: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14).
Este rio celestial é o símbolo do fluxo constante da vida eterna que emana do trono de Deus em todas as pessoas na glória. Ele é a fonte da vida eterna. E, sem dúvida, é o que o salmista tinha em mente quando disse: “Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo” (Sl 46.4).
Apocalipse 22
2 No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos.
A frase “no meio da sua praça” seria melhor traduzida como “no meio do seu caminho”, conectada, sem vírgula, com a frase que se segue: “de uma e outra margem do rio estava a árvore da vida”.
A árvore da vida celestial é o equivalente celeste para a árvore da vida no Éden (Gn 2.9; 3.22-24). A árvore da vida era um símbolo de vida eterna, um símbolo de bênção. Mas esta é diferente – é celestial. Mas ela simboliza a bênção da vida eterna.
Os judeus tinham esse conceito de árvore da vida simplesmente se referindo à bênção:
• Provérbios 3.18 diz que “a sabedoria é árvore da vida”, ou seja, uma fonte de bênção.
• Provérbios 11.30 diz que “o fruto do justo é árvore da vida”, ou seja, o fruto da sua vida produz bênçãos.
• Provérbios 13.22 diz que “A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida”, ou seja, quando Deus nos leva a alcançar algo que desejamos, a vida se torna rica, plena e significativa.
• Provérbios 15.4 diz que “uma língua suave é árvore da vida”.
O texto diz que a árvore da vida celestial produz doze tipos de frutos mês a mês, ou seja, infinita variedade que vai encher o céu. Quando João disse que ela produz frutos mês a mês, ele não estava se referindo ao tempo, algo inexistente no céu, ele descreve de forma que possamos entender, ou seja, que ela produzirá frutos constantemente.
Em seguida, João diz que as folhas da árvore da vida são para a cura dos povos (ou nações). A palavra grega “therapeia”, traduzida como “cura” não implica cura de doença. A melhor tradução seria que “suas folhas são vivificantes”, pois não haverá doenças no céu.
O texto não diz se os santos vão realmente comer as folhas da árvore da vida, no entanto, isso é possível. Anjos comeram alimentos com Abraão e Sara (Gn 18. 1-8); o Senhor Jesus Cristo comeu com seus discípulos depois da ressurreição (Lc 24. 42-43). É concebível que os santos no céu vão comer, não por necessidade, mas por prazer.
As folhas simbolizam, de certa forma, o pleno desfrute da vida na nova Jerusalém. Não precisaremos de comida e nem de sermos curados de nada, mas haverá uma variedade infinita e uma infusão constante de grande e exultante alegria.
Os privilégios dos santos no céu
João teve uma visão geral, depois, o design exterior da nova Jerusalém, e, por fim, as características interiores. E agora chegamos, em quarto lugar, aos privilégios dos santos. Agora vamos falar sobre como será a vida lá.
Apocalipse 22
3 Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão.
Absolutamente nenhuma maldição haverá lá. Antes disso ele escreveu que lá nunca haverá lágrima, morte, luto, choro e dor (Ap 21.4). E tudo isso é para sempre. Lá estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. Não há templo lá, mas há um trono.
Em Apocalipse 4 há uma descrição do trono de Deus e do Cordeiro
1) Em Apocalipse 4.3 João descreve o trono de Deus e do Cordeiro como tendo aspecto de jaspe (provavelmente referindo-se ao diamante), sardônio (pedra rubi cor de fogo forte). E ao redor dele há um arco-íris (Ez 1.28) semelhante, no aspecto, a esmeralda. Desde o tempo de Noé, o arco-íris tornou-se um sinal da fidelidade de Deus à sua palavra, às suas promessas e à aliança celebrada com Noé (Gn 9.12-17).
2) Em Apocalipse 4.4 fala de vinte quatro anciãos em vinte e quatro tronos, vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro. Eles representam a igreja, que canta o hino da redenção (Ap 5.8-10). Eles são os vencedores que têm as suas coroas e vivem no lugar que lhes foi preparado, para onde foram com Cristo (cf. Jo 14.1-4). Isso acontece antes da tribulação, portanto ainda não estão lá os santos do período da tribulação e a nação de Israel redimida.
3) Apocalipse 4.5 diz que “do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus”. Não a fúria da natureza, mas a ardente tempestade de justa fúria por vir do temível e poderoso Deus sobre o mundo pecador no período da tribulação (Ap 8.5; 11.19; 16.18).
Quanto ao “sete espíritos de Deus” há dois sentidos possíveis: a) referência à profecia de Isaías concernente ao sétuplo ministério do Espírito Santo (Is 11.2); ou b) mais provavelmente é uma referência ao candeeiro com sete lâmpadas (o menorá) em Zacarias – e uma descrição do Espírito Santo (Ap 4.5; 5.6; Zc 4.1-10). Em cada caso, sete é o número da perfeição; assim, João está identificando a plenitude do Espírito Santo.
4) Apocalipse 4.6 diz: “Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás”. Não há mar no céu (21.1), mas o pavimento cristal que serve de piso para o trono de Deus se estende como um grande e reluzente mar (cf. Ex 24.10; Ez 1.22).
Os quatro seres vivente são os querubins, os anjos com frequência mencionados no Antigo Testamento em conexão com a presença, o poder e a santidade de Deus. Embora a descrição de João não seja idêntica a de Ezequiel, obviamente ambas se referem aos mesmos seres sobrenaturais indescritíveis (SI 80.1; 99.1; Ez 1.4-25; 10.15). Cheio de olhos indica que esses anjos, mesmo não sendo oniscientes, possuem conhecimento e percepção totais. Nada escapa ao escrutínio deles (Ap 4.8).
5) E então João descreve a adoração diante do trono:
E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir. Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (Ap 4.8-11).
Então, temos essa descrição de como é o trono, e esse é o trono que está no céu, e é aquele que está lá quando a cidade celestial desce. Vamos voltar ao nosso texto.
Os santos servirão ao Senhor eternamente
Apocalipse 22
3 Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão,
Os seus servos o servirão. É isso que faremos lá. Vamos servi-Lo. Faremos tudo o que Ele quiser que façamos. É isso que faremos para todo o sempre. A mente de Deus é infinita, imagine a variedade e a criatividade da mente de Deus! Será uma experiência incrível servi-Lo de maneiras que estão absolutamente além da nossa capacidade de compreensão.
Em Apocalipse 7.15 diz que os santos “se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo”. É por isso que não precisa haver um templo ou um tabernáculo, porque Ele vai estendê-lo sobre todos. E assim, todo o novo céu e a nova terra se tornam o seu tabernáculo ou o seu templo, e nós o serviremos nisso. Mas há algo incrível, Jesus disse:
Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lhe abram. Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. (Lc 12.36,37).
Isso parece inacreditável? Você sabe o que vai acontecer? Não vamos apenas servi-Lo, mas Ele vai nos servir.
Os santos contemplarão a face do Senhor por toda a eternidade
Apocalipse 22
4 contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele.
O Senhor disse a Moisés: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Ex 33.20). Como pecadores jamais poderíamos contemplar a face do Senhor, sua santidade nos destruiria. Mas no céu será diferente, o veremos em toda sua glória.
Lá no céu contemplaremos a face do “único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!” (1Tm 6.15).
João escreveu que “ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo 1.18), isso deixará de acontecer no céu, todos os santos contemplarão a face do Senhor. Em Mateus 5.8 Jesus disse: “bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”.
O texto de Apocalipse 22.4, versão ARA, diz que “contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele”. Na versão NVI diz: “eles verão a sua face, e o seu nome estará em suas testas”. Isso é segurança eterna sobre a quem pertencemos. Nós pertenceremos a Ele para sempre, seremos sua propriedade por toda a eternidade. Na carta a igreja de Filadélfia, Jesus disse:
Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome (Ap 3.12).
Nos tempos bíblicos, o nome de uma pessoa expressava o seu caráter. Escrever o seu nome sobre nós quer dizer que Deus imprime o seu caráter em nós e nos identifica como propriedade dele. O vencedor usufruirá cidadania eterna na nova Jerusalém.
Os santos reinarão eternamente
Apocalipse 22
5 Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos.
Esse versículo encerra a descrição da glória da cidade santa com uma repetição da verdadeira magnificência. Ele fala novamente sobre o brilho da glória de Deus na nova Jerusalém e diz que não seremos apenas servos, mas reinaremos eternamente.
Na carta à igreja de Laodiceia Jesus disse: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21). É inacreditável que possamos alcançar tamanha glória. Esta é uma verdade realmente impressionante ser eternamente abraçado nos braços da glória de Deus.
São verdadeiras e imensuráveis bênção eternas. Relembrando quem estará lá desfrutando de tamanha glória:
O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho. Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte (Ap 21:7-8).
As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. E lhe trarão a glória e a honra das nações. Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro (Ap 21:25-27).
Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira (Ap 22.14-15).
As únicas pessoas que estarão lá são aquelas cujos nomes estão escritos no Livro da Vida. Quando foram escritas lá? Desde a fundação do mundo. São os eleitos que foram purificados e lavados pela lavagem da regeneração. São os sedentos que receberão de graça a água da vida (Ap 22.17).
Por isso “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9). São os eleitos que vêm à fé, amam a Cristo e têm fome e sede de justiça.
São aqueles que pertencem a Deus — em primeiro lugar porque são escolhidos, mas vêm pela fé em Cristo, e foram transformados, santificados e tornados santos.
Você quer estar lá? Então confesse com a sua boca que Jesus é o Senhor, creia em seu coração que Deus o ressuscitou dos mortos, e você será salvo (Rm 10.9).
Você quer estar lá? João escreveu: “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12). Este é o lar eterno para os salvos.
Todos os outros estarão no lago de fogo – escuridão, choro, lamentação e ranger de dentes. E eu lhe pergunto: que tolo escolheria isso? Somente aquele que ama tanto o seu pecado que está disposto a pagar o preço do inferno eterno por ele. Apegue-se ao inferno se quiser; eu fico com o céu. Vamos orar.
Pai, que imagem gloriosa do lar eterno para todos aqueles que entregaram suas vidas a Cristo; que creram em Ti; que vieram a Ti com fome e sede de justiça; que pela fé venceram o mundo; que creram; aqueles cujos nomes escreveste no Livro da Vida desde antes da fundação do mundo; aqueles que vêm a Ti pela fé, sem depender de nada que tenham feito para ganhar a salvação ou o céu, mas reconhecendo que precisam vir como um pecador sedento, um pecador faminto, um mendigo implorando pela Tua graça e perdão que Tu lhes concedes tão livremente porque Jesus Cristo pagou a pena pelos seus pecados e satisfez a Tua justa exigência.
Pai, nós Te agradecemos pelo céu. Nós Te agradecemos, Senhor, por ser um lugar de santidade absoluta. Regozijamo-nos por lá estarem somente os puros, aqueles purificados pela Tua graça. Nós Te agradecemos por ser um lugar de perfeição. Mas, Senhor, isso não quer dizer que não nos entristecemos por aqueles que são excluídos por amarem o pecado tão profundamente que escolheriam o castigo eterno para se apegar a ele por um breve instante desta vida.
Ó Deus, eu oro para que convenças qualquer pecador tolo como este, e que ele se livre do inferno e abrace o céu. Que sejas gracioso com aquele pecador que se apega tão firmemente ao seu pecado, apegando-se ao castigo eterno como se fosse desejável e perdendo o céu. E que ele se solte e alcance o Salvador que pode perdoar seus pecados e levá-lo à glória da cidade eterna. A vida passa tão rápido; que possamos escolher à luz da eternidade. Opera a Tua obra em cada coração, oramos em nome de Cristo. Amém.
Este texto é uma síntese do sermão “The Capital City of Heaven, Part 2″, de John MacArthur em 5/2/1995.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/66-84/the-capital-city-of-heaven-part-2
Tradução e síntese feitas pelo site Rei Eterno
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