A Escritura ou a Psicologia?
A igreja precisa recuperar sua confiança nos recursos espirituais infinitos que procedem de Deus. Não precisamos da sabedoria secular, mas de um retorno à convicção de que a Escritura é “inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (1Tm 3.16). Ela é suficiente.
Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos (Sl 119:105)
Há um forte movimento no cristianismo para substituir o aconselhamento bíblico pela “psicologia cristã”, que mistura ideias teológicas com ideias da psicologia secular de pensadores anticristãos como Freud.
Esse movimento está distanciando a igreja da direção bíblica, prevalecendo a ideia de que o aconselhamento é tarefa de especialistas bem treinados e equipados com a sabedoria humana.
Tal fato evidencia que muitos consideram que a Palavra de Deus é insuficiente, ultrapassada e incapaz de responder aos problemas espirituais e emocionais das pessoas. E assim muitos cristãos estão recorrendo à psicologia em busca de respostas, desprezando a Palavra de Deus.
A “psicologia cristã” se transformou em uma indústria bilionária, viciando milhões de pessoas em terapias humanas de conselheiros profissionais. Porém, há muitas vozes se levantando para chamar a igreja de volta para a Palavra de Deus, afirmando que ela é suficiente e insubstituível.
As Escrituras são superiores à sabedoria humana (1Co 3.19) e oferece discernimento incomparável sobre o coração humano (Hb 4.12). O Espírito Santo é quem pode operar eficaz recuperação e regeneração (Ef 5.18-19), pois todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento são encontrados em Cristo (Cl 2.3).
Essas verdades são fundamentais à fé cristã, no entanto, lamentavelmente, tem sido atacadas dentro da própria igreja nos últimos séculos. Foi assim que a psicologia ganhou espaço dentro da igreja em detrimento da Palavra de Deus.
Muitos “especialistas” em aconselhamento na igreja afirmam que a Bíblia não possui instrumentos suficientes para tratar as necessidades pessoais e emocionais mais profundas, que ela não é um recurso adequado para lidar com os problemas espirituais das pessoas.
Tem crescido assustadoramente o número de consultórios psicológicos evangélicos, os quais, em regra, servem psicologia secular revestida de terminologia espiritual. As ideias freudianas abundam nos livros sobre aconselhamento.
O ministério de aconselhamento bíblico está sendo progressivamente enfraquecido. Muitos acreditam na mentira de que existe uma fonte de sabedoria além da Palavra de Deus. E assim, o aconselhamento tem se fundamentado no engano.
Um verdadeiro estudo da alma não pode ser feito por incrédulos. A psicologia é fundamentada em suposições ateístas e evolucionistas. O pai da psicologia moderna, Freud, era um humanista incrédulo que criou a psicologia, com bases antibíblicas, para substituir Deus. O humanismo freudiano é a raiz de onde brota as ideias da psicologia moderna. E muitos cristãos estão tentando conciliar essas ideias com a verdade bíblica.
As concepções da psicologia que invadiram a igreja incluem a ideia de que a natureza humana é boa; que o ser humano tem dentro de si as respostas para seus problemas; a chave para correção de atitudes e atos estão em algum ponto do passado; os problemas pessoais são resultados do que os outros fizeram; os problemas humanos podem ser apenas psicológicos, não espirituais ou físicos; problemas profundos são apenas resolvidos por conselheiros profissionais ou terapias; as Escrituras, oração e o Espírito Santo são ineficazes para certos tipos de problemas.
A Palavra de Deus é o único manual confiável para o estudo verdadeiro da alma. Os cristãos piedosos sempre creram que a única ajuda confiável para a alma humana é a verdade das Escrituras aplicadas pelo Espírito de Deus.
Devemos considerar também que muitos doenças mentais são oriundas de causas físicas e que certos traumas, como violências sofridas, podem demandar cuidados específicos, mas isso não respalda o uso indiscriminado de técnicas psicológicas seculares para problemas essencialmente espirituais.
A psicologia significa “estudo da alma”, mas hoje ela não se refere mais ao estudo da alma, mas às teorias e terapias humanistas, as quais são incorporadas pela chamada “psicologia cristã”. Há uma incompatibilidade irreversível entre a psicologia e a verdade cristã.
A vitória perfeita sobre todas as dificuldades da vida precisa ser o resultado da semelhança com Cristo. O conselheiro espiritual precisa fazer o trabalho da alma utilizando os poderosos recursos da Palavra de Deus e do Espírito Santo. Com muita oração e fidelidade ele deve aplicar os recursos espirituais que emanam de Deus ao processo de santificação, moldando pessoas à imagem de Cristo.
Muitos psicólogos chamam suas técnicas de “aconselhamento cristão”, mas, em regra, simplesmente utilizam teorias seculares para tratar problemas espirituais, incorporando-lhes referências bíblicas. Tal realidade tem levado àqueles que usam a Palavra de Deus serem considerados desqualificados para aconselhar as pessoas.
A Palavra de Deus, o Espírito Santo, Cristo, a oração e a graça são as verdadeiras soluções para a alma, mas a “psicologia cristã” diz que nada disso oferece cura para as dor humana.
A psicologia é uma pseudociência cheia de suposições frágeis e que parece sobreviver através de uma aliança diabólica entre a igreja e a cultura popular. Quando a igreja estava flertando com a ciência comportamental, aqueles que conheciam bem a psicologia estavam questionando sua cientificidade.
Os psicólogos não só vendem supostas curas, como também inventam doenças para criar uma demanda por tratamentos e remédios. Problemas que eram vistos como dores do egoísmo agora são consideradas enfermidades.
O egocentrismo se tornou uma grande estratégia de marketing para os psicoterapeutas, que, no máximo, podem modificar superficialmente o comportamento, mas são incapazes de oferecer qualquer solução para os problemas espirituais.
O pecado é chamado de doença para que as pessoas acreditem que precisam de terapias e não de arrependimento. O pecado habitual é chamado de “vício” ou “comportamento compulsivo” que demanda ajuda médica e não correção moral.
As terapias humanas, em geral, são abraçadas mais fortemente por pessoas superficiais, espiritualmente fracas, que ignoram a verdade bíblica e que não estão dispostas a aceitar o caminho do sofrimento que leva à maturidade espiritual e a uma comunhão mais profunda com Deus. Essas pessoas permanecem imaturas e impossibilitadas de um verdadeiro crescimento.
Quanto mais a psicologia secular influenciar a igreja, mais as pessoas se afastarão do que a Bíblia ensina sobre os problemas da alma e suas soluções. Os terapeutas estão substituindo a Palavra de Deus, o principal meio divino de graça santificadora, e oferecendo, muitas vezes, conselhos espiritualmente desastrosos.
Damos graças a Deus por irmãos que confiam na Palavra de Deus quando aconselham; pelos conselheiros piedosos que incentivam pessoas aflitas a orar e que as levam às Escrituras, a Deus e à abundância de seus recursos para toda necessidade.
Esses irmãos sabem que terapias comportamentais não passam da superfície, ficando muito aquém de soluções verdadeiras para as necessidades reais da alma, que só podem ser resolvidas em Cristo.
Não podemos tolerar aqueles que exaltam a psicologia acima das Escrituras, da intercessão e da perfeita suficiência no nosso Deus. Deus rejeita os conselheiros que alegam representá-lo, mas na verdade confiam na sabedoria humana.
Deus despoja e demite os conselheiros, e faz os juízes de tolos. Tira as algemas postas pelos reis, e amarra uma faixa em torno da cintura deles. Despoja e demite os sacerdotes, e arruína os homens de sólida posição. Cala os lábios dos conselheiros de confiança, e tira o discernimento dos anciãos […] priva da razão os líderes da terra, e os envia a perambular num deserto sem caminhos. Andam tateando nas trevas, sem nenhuma luz; ele os faz cambalear como bêbados. (Jó 12.17-20; 24-25).
Jó teve que suportar a tolice de conselheiros humanos bem-intencionados. Eles encheram Jó de conselhos desprezíveis e insignificantes, produzindo tanta tristeza quanto as aflições satânicas que ele teve que suportar.
A igreja precisa recuperar sua confiança nos recursos espirituais infinitos que procedem de Deus. Precisa retornar para a convicção de que a Escritura é “inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça (1Tm 3.16). Ela é suficiente.
Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus (Fp 4.6-7).
A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos (Sl 19.7-10)
Este post é uma breve síntese do texto “Redescobrindo o Aconselhamento Bíblico”, contido no primeiro capítulo do livro “Introdução ao Aconselhamento Bíblico”, de John MacArthur, publicado em português pela Editora Thomas Nelson. O site Rei Eterno recomenda a leitura dessa obra graciosa e necessária para a igreja do Senhor.





















