O Plano Divino para Jerusalém (2)
O Senhor Jesus Cristo, o Anjo do Senhor no Antigo Testamento, é o nosso defensor e protetor. Ele é quem defende a nossa causa. Mas ele não se revela dessa forma enquanto estivermos vivendo em um estado de pecado impenitente e não confessado. De certa forma, perdemos a sua proteção. Ele nos entrega às consequências dos nossos pecados. Mas quando nos arrependemos e confessamos, ele volta para nos defender.
Na última vez começamos a ver Zacarias 1.7-17, porção bíblica que intitulei “O Plano Divino para Jerusalém”, a qual pretendo concluir agora.
Acho fascinante e interessante que, nos dias de hoje, Jerusalém tenha se tornado novamente o ponto central da história em muitos aspectos. Nossos olhos estão voltados para Israel e, particularmente, para sua capital Jerusalém. E isso não é por acaso, é como Deus planejou na história e nas profecias.
Desde o início da relação de Deus com o seu povo, Israel, essa nação ocupou um lugar muito especial no plano de Deus. Deus escolheu Israel puramente por seu amor soberano e não por algum mérito do povo. Simplesmente Deus a escolheu em sua soberania.
A Escritura diz: “Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor, teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt. 10.14). Tudo pertence a ele e ele escolhe a quem quer . E Deus escolheu Israel para demonstrar seu amor por aquela nação em particular.
Por que Deus precisou escolher uma nação?
Muitos perguntam: “Por quê? Por que Deus escolheu Israel e não outra nação?” Não sabemos. Apenas sabemos alguns motivos para Deus escolher uma nação:
1) Deus queria uma nação que proclamasse seu nome e declarasse sua verdade. E dissesse a todos os povos que “o Senhor nosso Deus é o único Deus” (Dt 6.4). Deus disse: “porque porei águas no deserto e rios, no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43.20-21).
2) Deus precisava de uma nação através da qual pudesse revelar o Messias. O Senhor disse a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Através dos lombos de Abraão veio o Messias. Foi isso que Jesus quis dizer ao falar que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22).
3) Deus precisava de uma nação para ser sacerdote entre os homens. O sacerdote é alguém que fala com Deus em nome dos homens, que intercede pelos homens e que fala aos homens sobre Deus. Ele é um intermediário. E Deus precisava de uma nação para que fosse o intermediário entre os homens e ele. Deus disse que Israel seria um reino de sacerdotes (Ex 19.5-6), ou seja, deveria representar Deus no mundo.
4) Deus precisava de uma nação para transmitir e preservar as Escrituras. Deus precisava de um povo que fosse um depositário onde ele pudesse colocar sua Palavra, onde ela estaria cuidada e preservada. E é por isso que Deus mandou Israel guardar, conservar e preservar tudo que ele tinha ordenado (Dt 4 e 6).
5) Deus precisava de uma nação que pudesse mostrar ao mundo a sua fidelidade. O salmista escreveu: “cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó Senhor; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade” (Sl 89.1).
6) Deus precisava de uma nação para mostrar ao homem a sua graça ao lidar com o pecado. Deus queria mostrar ao mundo que ele é misericordioso, e não há prova melhor disso do que ver como ele abençoou Israel apesar de seus pecados, liberando perdão. O profeta Jeremias escreveu: “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22-23).
7) Deus precisava de uma nação para mostrar ao mundo a sua reação contra um coração impenitente. O Senhor disse a Israel: “Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes” (Dt 11.26-28).
Isso aconteceu na história de Israel, e tem acontecido repetidamente, sempre que eles não se arrependeram, negaram o pecado e deixaram de se curvar a um Deus santo. Eles descobriram que isso se repetiu inúmeras vezes, até mesmo nos tempos modernos.
Pequena revisão do sermão anterior
O tema principal dos primeiros seis capítulos de Zacaria é o consolo que Deus deseja dar a Israel. E isso se apresenta em uma série de oito visões. Eles foram afligidos por 70 anos em cativeiro na Babilônia e foram afligidos desde que retornaram à sua terra. As coisas não estavam como eles queriam que estivessem. Foi um momento muito difícil. E eles estavam, de certa forma, sob o peso disso. E então, eis que surgiu esse tremendo encorajamento.
Na última vez começamos a ver a primeira visão de Zacarias (Zc 1.7-17). Vamos fazer uma pequena revisão do que vimos e avançar para concluírmos a primeira visão de Zacarias.
Zacarias 1
8 Tive de noite uma visão, e eis um homem montado num cavalo vermelho; estava parado entre as murteiras que havia num vale profundo; atrás dele se achavam cavalos vermelhos, baios e brancos.
Zacarias viu um homem montado em um cavalo vermelho. Vimos que esse homem era Cristo, que era denominado no Antigo Testamento com o Anjo do Senhor. Estar montado num cavalo vermelho é um símbolo de guerra e batalha.
Atrás dele havia outros cavaleiros em cavalos vermelhos, cavalos brancos e alguns que eram uma mistura de vermelho e branco. Vimos que o branco na profecia tem a ver com vitória ou triunfo.
Então vimos que uma guerra está chegando, e a ideia é que haverá sangue, mas também haverá vitória. Todas as hostes angelicais designadas para esta missão específica estão em um vale profundo, provavelmente seria onde o vale de Cedrom e o vale de Hinom, na parte sul de Jerusalém, se encontram.
E a imagem nos mostra neste lugar em meio a um grupo de murtas, que representavam Israel. E aqui está Israel em um lugar humilde, em um vale de desespero, fora de sua cidade, sem realmente possuir seu reino, e se perguntando por que isso não acontece.
É uma imagem fantástica. Eles estão nos arredores de Jerusalém, em um vale profundo. Estão esperando para entrar e tomar a cidade. É uma imagem do povo de Deus humilhado e de seu defensor e protetor angelical, pronto para liderar a batalha, conquistar a vitória e reconstruir a cidade.
Que imagem tremendamente reconfortante deve ter sido para aquele grupo de patriotas que retornaram do cativeiro para restabelecer sua terra. Castigados por um tempo, mas prestes a ver o fim de todo castigo, pois o Anjo do Senhor estava pronto para conquistar.
A imagem da visão explicada pelo anjo
E essa é a imagem que vimos na última vez. Vamos prosseguir agora para entender toda a primeira visão de Zacarias. Ele diz:
Zacarias 1
9 Então, perguntei: meu senhor, quem são estes? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são eles.
O anjo que falava com Zacarias não é o mesmo que o Anjo do Senhor. Ele é diferente. É outro anjo. Vamos chamá-lo de ‘anjo intérprete’, porque essa foi a sua função naquele momento. Seu trabalho é explicar a visão a Zacarias.
Zacarias 1
¹⁰ Então, respondeu o homem que estava entre as murteiras e disse: São os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra.
O homem montado no cavalo vermelho e parado entre as murteiras no vale profundo (Zc 1.8) é Cristo. Mas o anjo está se referindo agora sobre os homens montados nos cavalos vermelhos, baios e brancos. Ele diz que são os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra, a equipe de reconhecimento de Deus. A palavra hebraica tem um sentido militar, um patrulhamento para verificar a situação do inimigo.
Você sabia que Satanás faz a mesma coisa? Vemos isso em Jó 1.7 e 2.2. Ele diz que percorre a terra e anda por ela, ou seja, a mesma coisa de uma patrulha na terra. Ele está por toda parte, verificando tudo. E Deus também, com suas hostes celestiais. E essa é uma das razões pelas quais a guerra entre anjos e demônios acontece em toda parte.
O esquadrão do Senhor foi enviado em missão mundial e retornou para prestar contas ao Anjo do Senhor. Assim como os monarcas persas – o que é muito apropriado para esta época, pois os monarcas persas usavam mensageiros em cavalos velozes para se manterem informados sobre tudo o que acontecia em seu império. E assim, o Senhor sabia tudo sobre a Terra porque seus anjos estavam se movendo por ela nesta visão.
A perplexidade resolvida
Zacarias 1
¹¹ Eles responderam ao anjo do Senhor, que estava entre as murteiras, e disseram: Nós já percorremos a terra, e eis que toda a terra está, agora, repousada e tranquila.
Ou seja, os anjos disseram ao Anjo do Senhor: “verificamos tudo e vimos que todos estão agora em repouso e tranquilos“. Pela primeira vez eles chamam o cavaleiro de Anjo do Senhor, que é Jesus Cristo, a segunda pessoa da Trindade. Todo judeu sabia que o Anjo do Senhor era seu protetor e defensor.
O Anjo do Senhor não aparecia há 200 anos na história de Israel. E agora, de repente, o Anjo do Senhor está de volta, e durante todos esses 200 anos, enquanto Israel estava em miséria e pecado, seu protetor, advogado e defensor não estava presente. Mas quando o castigo terminou e o arrependimento aconteceu, ele retornou, pronto para defender o Seu povo.
O Senhor Jesus Cristo, o Anjo do Senhor, é o nosso defensor e protetor. Ele é quem defende a nossa causa. Por isso Paulo escreveu:
Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e intercede por nós (Rm 8.33-34).
Mas Jesus não se revela dessa forma enquanto estivermos vivendo em um estado de pecado impenitente e não confessado. De certa forma, perdemos a sua proteção. Ele nos entrega às consequências dos nossos pecados. Mas quando nos arrependemos e confessamos, ele volta para nos defender.
E agora Ele está de volta entre o seu povo arrependido, para assumir a sua causa. E ele sempre assumirá a causa das pessoas que estão corretamente relacionadas a ele. Sempre.
Os anjos disseram: “toda a terra está, agora, repousada e tranquila”. O sentido é que é um momento pacífico, sem guerras. Os persas conseguiram estabelecer uma paz quase mundial em seu território. As condições relatadas pelos anjos eram, de fato, comuns no segundo ano de Dario. As rebeliões foram reprimidas, restando apenas alguns resquícios no segundo ano de Dario.
Mas a palavra hebraica traduzida como “repousada” também tem outro significado. É uma palavra usada diversas vezes no Antigo Testamento para se referir à inatividade egoísta. Essa palavra aparece em Jeremias 48.11 e Ezequiel 16.49, e em ambas as passagens têm um sentido negativo, expressando que Moabe e Samaria eram egoisticamente indiferentes à situação difícil de alguém que tem necessidade.
É como aquela frase que diz: “Se você consegue ter paz nesta situação, é porque não a compreende”. Em outras palavras, a paz de algumas pessoas não é paz de verdade, mas pura indiferença. Se você vive em uma sociedade em caos, e mesmo assim se sente completamente feliz, isso não é paz de verdade, é indiferença. É uma paz que não dura muito, é fadada ao fracasso.
As nações estavam em paz, mas era uma paz de indiferença, era a paz da presunção. A questão que realmente está na mente dos judeus, as murtas no vale, é esta: “Por que os injustos prosperam? E por que o mundo inteiro está em paz e tão indiferente enquanto nós sofremos humilhação, sendo nós o povo de Deus?”
Então, você vê que o contraste entre a paz indiferente da Terra e a situação de Israel torna tudo ainda mais angustiante. O Senhor diz: “E, com grande indignação, estou irado contra as nações que vivem confiantes; porque eu estava um pouco indignado, e elas agravaram o mal” (Zc 1.15). Era a paz da injustiça, a paz da desumanidade, a paz da indiferença que caracteriza muitas de nossas vidas na maior parte do tempo.
Os judeus nunca presumiram que teriam os recursos financeiros para reconstruir toda a cidade sozinhos. Eles contavam muito com empréstimos do governo persa (Ed 6.4). Mas a riqueza persa havia sido distribuída de outras maneiras, e eles não estavam interessados. Tudo estava bem no mundo para todos, exceto para Israel.
O descanso que Deus lhes havia prometido quando retornaram do cativeiro babilônico ainda não havia se concretizado. Eles não podiam descansar naquele estado de indefesa. Ainda estavam sob o jugo do poder gentio. Dario era o rei deles, e ele era gentio.
Eram constantemente assediados pelas nações inimigas dentro da fortaleza. Estavam indefesos porque não tinham muralhas, nem exército. A promessa de Deus de abalar as nações não havia se cumprido. Sua paz e segurança não haviam se concretizado, e eles tremiam naquele vale, naquela ravina, esperando que Deus fizesse algo.
Então, quando o esquadrão angelical voltou e disse: “O mundo está em paz”, isso só piorou a situação para eles. Por que o mundo pagão deveria descansar enquanto o povo da aliança de Deus permanece inquieto? Será que Deus vai consertar as coisas? Será que Deus vai equilibrar a balança para o Seu povo? Assim, a imagem foi vista, a perplexidade resolvida.
O apelo feito
Zacarias 1
¹² Então, o anjo do Senhor respondeu: Ó Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estás indignado faz já setenta anos?
Uma cena fantástica. Cristo, o Intercessor, advogado, defensor e protetor assumindo a causa do seu povo. É emocionante saber que, quando me meto em um problema e o Senhor precisa me disciplinar, e a disciplina se prolonga por um tempo, o grande protetor e defensor, que conhece todas as coisas e conhece o plano e a mente de Deus, pode clamar em meu favor e dizer: “Até quando Senhor?”
Não é um clamor de questionamento, dúvida, ignorância e súplica. Ele clama para se revelar como o defensor do seu povo. É um clamor de expectativa e de compaixão, não de dúvida. A intercessão é feita com base na promessa de Deus. E o anjo ora em conformidade com a vontade de Deus em favor do povo.
Zacarias 1
¹³ Respondeu o Senhor com palavras boas, palavras consoladoras, ao anjo que falava comigo.
A resposta vem através do anjo intérprete, “com palavras boas e consoladoras”. Essa é a essência e a chave de todo o livro de Zacarias. É um livro sobre boas palavras e palavras de consolo. Essas palavras são ditas nos versículos de 14 a 17, do primeiro capítulo.
Zacarias 1
¹⁴ E este me disse: Clama: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Com grande empenho, estou zelando por Jerusalém e por Sião.
O anjo intérprete, em outras palavras, diz a Zacarias: “esta não é uma mensagem privada, grite!”. Ele diz que o Senhor dos Exércitos zela por Jerusalém e por Sião com grande zelo. É uma mensagem que todos devem ouvir e proclamar para que todos sejam consolados e encorajados.
A raiz da palavra hebraica traduzida como “empenho” ou “zelo” tem o sentido de amor e ódio juntos. Humanamente podemos explicar assim: “eu amo tanto minha esposa e filhos que odeio tudo que os machuca”. E Deus ama tanto o seu povo que ele odeia tudo que o machuca. E é essa mistura que se torna zelo.
Deus tem um lugar especial em Seu coração para Jerusalém e para o povo. E isso não vai mudar. Ele disse que escolheu Jerusalém para seu nome estivesse lá (2Cr 6.6). E algum dia, mais uma vez no futuro, o nome Dele estará lá. E o Seu Filho estará lá, reinando no reino.
A Escritura diz que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29). Jerusalém ainda é cidade de Deus. O profeta Isaías escreveu que “o Senhor dos Exércitos amparará a Jerusalém; protegê-la-á e salvá-la-á, poupá-la-á e livrá-la-á” (Is 31.5). Deus ama Israel e ama Jerusalém, isso não vai mudar. Através do profeta Oseias, Deus falou:
Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz. Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira. (Os 11.7-9).
Quando Deus fez a aliança com Abraão, Ele disse: “abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gn 12.3). E Deus nunca quebra sua aliança. Nunca, jamais. Ele prometeu preservar Seu povo.
O castigo estabelecido.
Zacarias 1
¹⁵ E, com grande indignação, estou irado contra as nações que vivem confiantes; porque eu estava um pouco indignado, e elas agravaram o mal.
O sentido o hebraico literal é que Deus está em grande ira contra as nações que ofenderam seu povo e estavam confiantes e em paz. Em oito passagens do Antigo Testamento a expressão “em paz” é usada de forma pejorativa, e às vezes, até significa arrogância.
Quando o Salmista diz: “a nossa alma está saturada do escárnio dos que estão à sua vontade e do desprezo dos soberbos” (Sl 123.4), a mesma palavra hebraica, por vezes traduzida como “em paz, é usada para falar de soberba.
As nações se deleitaram com o sofrimento de Israel. Elas se alegraram com isso. Prolongaram o sofrimento de Israel. E isso agravou a ira de Deus. As nações não compreenderam que a intenção de Deus era punir Israel por um momento e depois demonstrar grande compaixão. É sempre assim.
Então, o castigo das nações está selado. Ele virá. E veio. Eles reconstruíram sua cidade e seus muros. E ainda há um futuro pela frente.
A promessa cumprida
Imaginem o ânimo dos judeus após ouvirem a primeira mensagem de Zacarias! Uma alegre expectativa de vitória, reparação dos males sofridos pelo povo e de que Deus fará justiça em favor do seu povo. O profeta Isaías escreveu:
Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados. (Is 40:1-2).
Deus havia dito às nações: “chega! Agora consolem Israel!”. E as nações não o fizeram e continuaram a maltratar o povo de Deus, que ficou irado.
Zacarias 1
¹⁶ Portanto, assim diz o Senhor: Voltei-me para Jerusalém com misericórdia; a minha casa nela será edificada, diz o Senhor dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém.
¹⁷ Clama outra vez, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: As minhas cidades ainda transbordarão de bens; o Senhor ainda consolará a Sião e ainda escolherá a Jerusalém.
E esse é o fim da primeira visão. A promessa está garantida. Há quatro coisas que podemos destacar no versículos 16 e 17:
1) “Voltei-me para Jerusalém com misericórdia”. Ou “terna afeição”, ou “amor”. Literalmente, com as entranhas, sentimentos profundos de emoção.
2) A segunda palavra que vejo aqui é restauração. Ele diz: “a minha casa nela será edificada”, ou seja, o templo será reconstruído e a Shekinah retornará. Quatro anos depois dessa profecia, o templo foi concluído e Deus o ocupou.
3) “E o cordel será estendido sobre Jerusalém”. Uma linha será estendida sobre Jerusalém, eles vão planejar a cidade para reconstruí-la. Deus diz: “Eu vou voltar. O culto no Templo será restaurado. A cidade será reconstruída”. 80 anos depois Neemias terminou o muro, e tudo estava concluído. E o versículo 17 diz: “Que as minhas cidades se espalhem pela prosperidade”. O lugar transbordará de prosperidade. E eles a reconstruíram. Tiveram anos maravilhosos de prosperidade.
4) E a última palavra que vejo é de consolo. O final de 17. “E o Senhor ainda consolará Sião e ainda escolherá Jerusalém.” Que mensagem maravilhosa para o pequeno remanescente atribulado. Deus cumprirá sua promessa ao Seu povo, não importa o que o mundo esteja fazendo, não importa quão indiferentes eles sejam e não importa a aparência das coisas.
Que grande esperança. E, amados, é uma grande esperança para nós também. Deus ainda está lidando com Israel. Deus lidará com o seu povo; Ele consolará Israel no futuro. Ele trará o seu Messias e os redimirá.
Mas vejo a mesma característica de Deus em relação à Igreja. Não é maravilhoso saber que Cristo está no meio da sua Igreja? De muitas maneiras, estamos no vale do mundo. Não reinamos neste mundo, Satanás é o príncipe deste mundo. Somos os excluídos. Somos nós que estamos no vazio, fora dos reinos do mundo, olhando para dentro.
Somos nós que o mundo despreza. Somos nós que existimos em uma espécie de humilhação. Mas bem no meio de nós está o Cristo vivo. E Ele está dizendo: “Não demorará muito para que entremos e dominemos este mundo, e eu reinarei como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.”
A visão de Zacarias se concretizou em um total de 80 anos. Mas não podemos parar por aí, porque essa profecia tem um duplo significado. O profeta também se referia ao reino do Messias que ainda virá. A reconstrução do templo sob Zorobabel e a reconstrução do muro da cidade sob Neemias foram muito temporárias e de curta duração. Eles ruíram novamente.
Mas ainda há um futuro. E haverá outro templo, e Ezequiel o descreve como o templo milenar (Ez 40 a 48). E Deus estará nele. E Jesus Cristo estará no trono. E o povo será reunido no reino milenar, e reinaremos com Ele como Rei dos reis e Senhor dos senhores. E a terra prosperará. E todas as maravilhas descritas pelos profetas para o reino se cumprirão.
O futuro de Jerusalém está assegurado na promessa de Deus. Ele reconstruirá a sua casa. Ele restaurará o seu reino. Ele reinará em seu trono, e você e eu, juntamente com o povo redimido de Israel que vier a Jesus Cristo na tribulação, que olhar para aquele a quem traspassaram e chorar por ele como a um Filho único (Zc 12.10-11), nos reuniremos aos pés do Rei e reinaremos com Ele para sempre. Esse é o futuro.
Quando vejo o que está acontecendo em Israel hoje, fico empolgado. Deus começa a lançar as bases para construir sua cidade, para construir seu reino. Os templos foram destruídos repetidas vezes em Israel. Não há ninguém lá. Não há templo. Mas na grande tribulação, Israel estará novamente no vazio, humilhado, degradado e fora de Jerusalém.
Mas então virá o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores e estabelecerá o novo reinado na terra. O reino será restaurado. Deus reinará. O templo será reconstruído. A cidade será edificada. As cidades prosperarão. Sião será consolada. As nações serão punidas. E nós entraremos em seu maravilhoso reino.
Conclusão
Bem, espero que vocês consigam juntar tudo isso. Há história aqui que já aconteceu. Há profecia aqui que ainda está por vir. Ambas estão relacionadas especificamente a Israel. Além disso, há o caráter geral de Jesus Cristo que se manifesta. E ele, em seu caráter, manifesta para a sua Igreja o mesmo espírito, a mesma atitude e o mesmo poder que manifesta para Israel.
Então, o resumo de tudo isso é que se trata de uma palavra tremenda e profunda para todos nós. E nós nos gloriamos e nos regozijamos nela. Mantenham os olhos em Israel. Os arbustos de murta estão no vale, e creio que o cavaleiro do cavalo vermelho está lá com eles, e ele pode estar suplicando a Deus para retomar a terra e julgar as nações muito em breve.
Não é interessante que provavelmente acontecerá num momento em que o mundo falará em paz? E não é essa a característica dos primeiros três anos e meio da tribulação? Mas eles estão de volta à sua terra. Esse é o cenário. E que cenário!
Esta é apenas a introdução. Vamos analisar este futuro e grandioso reino de Israel repetidamente em detalhes, para que possamos entender melhor o que vimos na primeira visão de Zacarias. À medida que examinarmos o restante das visões no livro, tudo ficará muito claro. Vamos orar.
Pai, obrigado por esta noite de comunhão, pela tremenda verdade da Tua Palavra e pelo Teu poder. Acima de tudo, Pai, ao olharmos para o Antigo Testamento, vemos não tanto o caráter de Israel, mas o Teu caráter, o Teu poder, a Tua justa ira ao lidar com o pecado; a Tua graça para perdoar; a Tua suave disciplina que dura apenas um tempo e depois restaura; o Teu amor eterno e infinito pelo Teu povo; as Tuas promessas infalíveis; a Tua Palavra segura; o Teu grande, vitorioso e conquistador poder; a Tua suprema soberania sobre a história. Tudo está lá.
Obrigado, Pai, por nos mostrar isso, e obrigado pelo Senhor Jesus Cristo, o Anjo do Senhor, o cavaleiro do cavalo vermelho, o Salvador, o Conquistador, o Defensor, o Protetor, o Advogado do Seu povo – não apenas de Israel, mas da Igreja que Ele ama e comprou com o Seu próprio sangue.
Obrigado porque o Senhor Jesus Cristo está disponível para nós pela fé, e nós o recebemos, assim como tudo o que Ele fez por nós. Obrigado, Pai, pela tremenda e absoluta realidade de que o Senhor está ao nosso lado, e que a história terminará, para aqueles que amam o Senhor Jesus Cristo, em absoluta bênção e felicidade para sempre. Obrigado por tornar isso possível para nós.
E, Pai, oramos para que ninguém saia daqui sem ter resolvido em seu coração uma questão de destino, e que tudo seja resolvido em Cristo. E que possamos dizer com João, tendo ouvido que Jesus disse: “Eis que venho em breve”, ora, vem, Senhor Jesus! E Te louvaremos em nome do nosso Senhor, amém.
Leia também: O Plano Divino para Jerusalém (1)
Clique aqui e leia outros sermãos traduzidos do livro do profeta Zacarias.
Este texto é uma síntese do sermão “The Divine Plan for Jerusalem, Part 2”, de John MacArthur, em 13/2/1977.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/2155/the-divine-plan-for-jerusalem-part-2
Tradução e síntese feitas pelo site Rei Eterno





















