Jesus: Glória, Graça e Deus

A salvação sempre foi pela graça. Os santos do Antigo Testamento foram salvos olhando para frente, para aquele que haveria de vir. E os santos do Novo Testamento foram salvos olhando para trás, para aquele que veio e voltará. A cruz de Cristo é o centro da história da redenção.  A graça e a verdade vieram à existência por meio de Jesus Cristo.

Em tempos de escuridão é muito bom estarmos meditando no Evangelho de João. Nele somos apresentados ao Senhor Jesus Cristo. Ele é Deus, a Palavra, a Vida e a Luz, como aprendemos em João 1.1-13. Então, vamos olhar agora para João 1.14-18.

João 1
14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai
15 João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.
16 Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.
17 Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
18 Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

João inicia seu evangelho com 18 versículos que chamaríamos de prólogo, onde ele aborda uma verdade fundamental: Jesus é Deus em forma humana, o Criador do universo que se tornou parte de sua criação. A partir do versículo 19, ele entra na parte narrativa, na qual começa a contar a história da vida de Jesus no mundo. Ele descreve as declarações de Jesus, as obras que ele realizou e os milagres que fez, apresentando-nos a maravilhosa história até a cruz e a ressurreição.

Jesus é um ser santo em sua essência e eterno que se fez homem. Essa é a mensagem de João: Jesus não é um homem criado, ele é Deus em forma humana. É a doutrina mais essencial da fé cristã, a qual precisamos conhecer e crer. O tema do evangelho de João é que o Verbo Eterno se fez carne. Por isso ele escreveu:

Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo (1Jo 4:2-3).

Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo. Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão. Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho (2Jo 1.7-9).

Aprendemos em João 1.1-13 que o único, verdadeiro e eterno Deus se tornou humano. Que o Infinito se tornou finito, que o Eterno entrou no tempo, que o Onipresente ficou confinado no espaço de um corpo humano, que o Invisível se tornou visível. A verdadeira igreja de Jesus Cristo sempre declarou, creu e proclamou essa verdade.

Esta é a única visão de Cristo pela qual alguém pode escapar do inferno e entrar no céu. Esta é a razão pela qual João fala com tanta veemência sobre a divindade e encarnação de Jesus Cristo.

João disse que escreveu seu evangelho “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). A única maneira de ter a vida eterna é crendo nele, crendo em quem ele é e em toda sua obra.

Jesus, o Verbo Eterno, a Luz e a Vida

João começou seu evangelho apresentando Jesus como “o Verbo“. Esta é uma metáfora que fala de Cristo como vindo de Deus, como Deus se revelando, se manifestando e falando. E ele diz que “o Verbo estava no princípio com Deus“.

Em outras palavras, ele já existia quando tudo começou, o que significa que ele é eterno. Embora fosse Deus, era ao mesmo tempo distinto de Deus-Pai. Ele estava com Deus e era Deus. Isso é a gloriosa verdade da trindade. Há um só Deus e, no entanto, Deus coexiste em três pessoas.

A teologia aqui é profunda. E no princípio, quando tudo veio à existência, Ele “era” — o verbo “ser”, o puro ser, ele existia eternamente. Para provar isso, tudo o que veio à existência veio por meio dele, e sem ele nada do que veio à existência teria vindo (Jo 1.3) — e isso porque ele é a vida (Jo 1.4).

Ele tem vida em si mesmo. Ele é o Criador. E o Criador, cujo ser eterno, diz o versículo 5, veio à escuridão deste mundo como uma luz (Jo 1.5). E é assim que ele fala da chegada da Luz, a própria vida de Deus, a própria Palavra de Deus, ao mundo.

Sempre que alguém falar sobre religião e mencionar Jesus, concentre-se em qual Jesus essa pessoa está se referindo. Está falando daquele que é o Deus eterno encarnado e Criador? Ou está falando de algum outro Jesus? Essa é a ênfase de João: a divindade de Jesus Cristo. Ele escreveu:

O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (1Jo 1.1).

João está absolutamente maravilhado com o fato de ter ouvido, visto, contemplado a face e tocado o Criador do universo em forma humana. A comunhão com Deus e a alegria completa só é possível quando conhecemos Jesus. Ele escreveu:

O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa (1Jo 1:3-4).

Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai (1Jo 2.22-23).

João é absolutamente claro ao afirmar que a visão e fé que cada um tem de Jesus Cristo é determinante para sua eternidade:

Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado. Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito. E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus (1Jo 4.12-15).

O Deus Eterno encarnado: doutrina fundamental da fé cristã

Ele afirma que se alguém negar a divindade de Jesus Cristo, não entrará no reino de Deus:

Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus? […] também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna (1Jo 5.4-5,20).

Portanto, não é surpreendente que, de todas as doutrinas cristãs, nenhuma tenha sido tão atacada e questionada quanto a verdade concernente à encarnação de Jesus Cristo. Houve todo tipo de Cristo oferecido ao mundo. E, no futuro, somos advertidos de que, à medida que nos aproximamos da volta de Jesus Cristo, falsos Cristos se multiplicarão, e precisamos discernir se as pessoas estão falando do verdadeiro Cristo.

Em outras palavras, acreditar em um falso Cristo é tão condenável quanto não crer no verdadeiro. Acreditar no Jesus errado é tão condenável quanto acreditar que você é salvo por uma pedra ou por alguma religião. Você não pode ser salvo acreditando em um falso Cristo. Você precisa crer em sua divindade e humanidade. E é por isso que João se sente tão compelido em falar sobre isso.

João 1
14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e verdade.

O Verbo Eterno, o Filho de Deus, se fez carne. Aqui carne tem um sentido físico e não um sentido moral, quando se refere a obras das carne (Rm 8.1-11 e Gl 5.16-21). A Escritura diz que, humanamente, Jesus era o Filho de Davi segundo a carne (Rm 1.3). Portanto, a palavra “carne” pode ter um componente moral e, outras vezes, um componente físico, que é o caso em João 1.14.

O Verbo eterno se fez homem, então ele se tornou Deus-homem. O Deus eterno, que é puro ser eterno, tornou-se parte de sua criação. Deus e o homem estão unidos em uma só pessoa, para nunca mais serem separados. A humanidade foi adicionada a divindade de Jesus Cristo.

Sua natureza humana não se sobrepõe à sua natureza divina e sua natureza divina não se sobrepõe à sua natureza humana. Ambos são perfeitos, distintos e indivisíveis. A divindade de Cristo não é diminuída por sua humanidade, nem sua humanidade é subjugada por sua divindade.

A doutrina de que Jesus Cristo é Deus e homem ao mesmo tempo, possuindo duas naturezas (divina e humana) unidas em uma única pessoa, é conhecida como União Hipostática. Estabelecida no Concílio de Calcedônia, afirma que Cristo é 100% Deus e 100% homem, sem confusão, mudança, divisão ou separação dessas naturezas.

O Novo Testamento se refere a Jesus como o “Filho do Homem” por 88 vezes. “Filho do Homem” foi usado em referência à profecia de Daniel sobre o Messias, que diz:

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído (Dn 7.13-14)

É um título messiânico, Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Mas também fala da humanidade de Jesus, tal como Deus chamou o profeta Ezequiel de filho do homem por dezenas de vezes. 

Quando Jesus usou esse termo em referência a si mesmo, ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a si mesmo. Os judeus daquela época estavam bem familiarizados com o termo e a quem se referia. Ele estava proclamando ser o Messias.

O Cristo ressurreto, que foi elevado em um corpo humano às alturas diante dos apóstolos e foi encoberto nas nuvens (At 1.8-10), é o Homem-Deus que está assentado à direita do Pai intercedendo por seu povo (1Tm 2.5) e que voltará nas nuvens com poder e glória (Mt 13.26). Ele é exatamente o mesmo Deus-Homem que era quando caminhou na Terra na forma corporal pós-ressurreição, com quem os discípulos passaram quarenta dias (At 1.3-4). Ele é o mesmo Cristo.

Ele não se tornou uma névoa flutuante no céu, como alguns tolos dizem. Ele é exatamente quem ele é. Ele será sempre quem ele era na Terra após a ressurreição, plenamente homem, plenamente Deus, da mesma forma que caminhou na Terra. E os redimidos um dia receberão um corpo glorificado igual ao que Cristo tem (Fp 3.20-21).

Sua humanidade não é a humanidade de Adão antes da queda. Ele não possui uma humanidade pré-queda. Ele é plenamente homem no sentido em que Adão era depois da queda. Ele viveu, cresceu e morreu, e isso é um fator da condição humana decaída.

Além disso, se ele não estivesse na forma humana após a queda, não teria a capacidade de compreender nossas fraquezas e enfermidades, de ser tentado em todos os aspectos como nós somos tentados e de se revelar um sumo sacerdote misericordioso e compassivo (Hb 2.17-18; 4.14-16).

Portanto, ele é verdadeiramente humano, no mesmo sentido em que nós somos humanos no contexto pós-queda — com uma exceção: a ausência de pecado. Ele é sem pecado — santo e imaculado. Ele não conheceu o pecado (2Co 5.21) e não se achou engano algum em seus lábios (1Pe 2.22).

Ele foi “varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele” e a quem a morte não podia segurar (At 2.22-24). Ele foi aquele a quem Deus disse no Monte: “este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, a ele ouvi” (Mt 17.5).

João diz que o Verbo Eterno se fez carne e habitou em nós. A palavra grega traduzida como “habitou” significa “armar sua tenda”. Ele trouxe sua tenda para viver entre nós e se estabeleceu em nosso mundo. Por trinta e três anos, ele viveu em nosso mundo, assumiu a forma de um homem, veio e se tornou um de nós.

Mesmo sendo o Deus eterno, ele “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.7-8).

Deus em forma humana habitou conosco. João nos apresenta três afirmações muito importantes, e as palavras-chaves dessas afirmações é “glória”, “graça” e “Deus”.

A glória divina manifestada em Cristo

O Cristo encarnado manifesta a glória divina. João escreveu: “vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). A glória de Deus é intrínseca à sua natureza; é quem ele é. A soma de seus atributos em perfeita harmonia constitui a sua glória.

Mas também existe a sua glória manifesta. Moisés pediu a Deus para ver sua glória (Ex 33.18). Deus respondeu que lhe mostraria, mas não completamente, pois homem algum poderia ver a sua face e continuar vivo (Ex 33.19-20). Que glória é essa que o homem não pode vê-la completamente? É a natureza de Deus, a essência de Deus, tudo o que Ele é, o Deus todo-glorioso, manifesto em luz resplandecente.

Antes da queda o homem caminhava com a presença de Deus manifesta em luz, até certo ponto. E talvez Adão, antes da queda, fosse capaz de absorver mais da sua glória, mas, uma vez que caiu, foi expulso do Éden porque não podia mais contemplar a sua glória ou ter comunhão com Ele. O que Moisés pôde ver da glória de Deus?

Deus lhe respondeu: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer. E acrescentou: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Ex 33.19-20).

Tendo o Senhor descido na nuvem, ali esteve junto dele e proclamou o nome do Senhor E, passando o Senhor por diante dele, clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração! E, imediatamente, curvando-se Moisés para a terra, o adorou (Ex 34.5-8).

A glória de Deus é a soma de todos os seus atributos, e por vezes manifestava-se em luz resplandecente. Quando os filhos de Israel caminhavam pelo deserto, Deus os guiou como uma coluna de fogo à noite (Ex 13.17-22). E quando o tabernáculo foi construído, “a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo” (Ex 40.34-35).

Quando o templo foi construído, “uma nuvem encheu a Casa do Senhor, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a Casa do Senhor” (1Rs 8.10-11). Portanto, a glória de Deus são seus atributos, mas manifestamente vistos com frequência no Antigo Testamento como luz.

No futuro Jesus retornará em grande glória (Mt 24.29-30; 25.31). Após a abertura do sexto selo, no período da grande tribulação, “os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono” (Ap 6.15-16).

A manifestação dos atributos de Deus em luz já aconteceu no passado e acontecerá novamente no futuro. Enquanto isso, a glória vem à Terra em Jesus. Na transfiguração diante de Pedro, Tiago e João, Jesus “foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17.2). Pedro escreveu:

Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele (2Pe 1.16-18).

A glória que Jesus Cristo manifestou não foi apenas da representação dessa glória em luz, mas da realidade dos atributos que se manifestaram ao longo do ministério na vida de Cristo. Os discípulos puderam contemplar seu amor, misericórdia, sabedoria, conhecimento, poder, justiça, santidade, compaixão, onipotência, onisciência, ira, indignação, bondade, paciência etc.

Em Jesus temos uma representação visível da glória de Deus e uma representação invisível dessa glória em sua vida. João escreveu que Jesus “manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2.11). Jesus é Deus, o Deus-homem e Deus em carne humana. E sua glória foi manifesta. Ele é o resplendor da glória  de Deus e a expressão exata de Deus (Hb 1.3).

A graça divina manifestada em Cristo

João escreveu: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade…” (Jo 1.14). Não meias medidas de graça e verdade, mas cheio de graça e de verdade.

Graça e verdade estão juntas nesta passagem porque precisam estar juntas. A única maneira de experimentar a graça é crendo na verdade. Elas andam juntas. Em outras palavras, João diz: “nós cremos e experimentamos quem ele é em sua essência. Ele é o unigênito do pai, ou seja, o único em sua espécie. Essa é a sua essência. Nós também experimentamos a sua glória através da sua graça e verdade manifestas em suas obras, palavras e vida”.

João 1
15 João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.

Esse foi o testemunho de João Batista. Como pode alguém que vem depois de mim ter existido antes de mim? João diz: “o que vem depois de mim já existia antes de mim”. Ou seja, “ele nasceu depois de mim, mas já existia antes de mim”. Isabel estava no sexto mês de gravidez de João Batista quando Maria recebeu o anúncio da concepção de Jesus (Lc 1.26,36).

Essa declaração de João Batista aponta para a eternidade de Jesus. Então, o apóstolo João toma emprestado um testemunho de João Batista. Por que essa declaração de João Batista foi importante? Os judeus sabiam que tudo precisa ser confirmado pela boca de duas ou três testemunhas (Dt 19.15).

O testemunho de João Batista corrobora a afirmação do apóstolo João com relação à eternidade do Verbo encarnado. Eles se unem para declarar que Jesus é a glória divina, Deus em manifestação.

João 1
16 Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.
17 Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus.

Estamos tão felizes por sermos libertos da lei e termos sidos conduzidos à graça. A graça veio por meio de Cristo. Portanto, ele manifesta glória e concede graça. Esta é a evidência da sua divindade.

Ele é cheio de graça e verdade. Ele é pleno! João diz: “todos nós temos recebido da sua plenitude”, e então ele ilustra isso dizendo “graça sobre graça”, ou seja, “graça no lugar da graça”. É simplesmente um suprimento infinito e inesgotável de graça. Depois que essa graça se manifesta, há mais graça preenchendo o vazio. Nunca há diminuição da graça.

Há uma superabundante graça de Deus sobre seu povo (2Co 9.14), por isso “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5.20). É uma fonte inesgotável. Diante das lutas, Paulo ouviu de Deus: “a minha graça te basta” (2Co 12.9). O escritor da carta aos Hebreus disse: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16).

Há uma fonte inesgotável de graça para todas as nossas necessidades. João pergunta: “Como sabemos que Ele é Deus?” Porque vivemos nesta esfera de graça que é derramada continuamente sobre as nossas vidas. Tudo o que conhecíamos sob a lei eram ameaças, advertências, morte e julgamento, e então vem Cristo, e é graça em lugar de graça.

João 1
17 Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus.

Noé achou graça aos olhos do Senhor (Gn 6.8). Havia graça por todo o Antigo Testamento. Todos os que foram salvos na história do mundo foram salvos pela graça de Deus. Os santos do Antigo Testamento foram salvos olhando para frente, para a cruz de Cristo. Moisés “considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito” (Hb 11.26).

E os santos do Novo Testamento são salvos olhando para trás, também para a cruz. A graça e a verdade vieram à existência por meio de Jesus Cristo. Paulo escreveu: “ longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6.14).

O Cordeiro foi imolado desde a fundação do mundo, estava aplicando a graça que ainda não havia sido comprovada. E a graça que Cristo demonstrou e conquistou na cruz se estendeu para o passado tanto quanto se estende para o futuro. O Cordeiro Santo de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29), foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8).

Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus (1Pe 1.18-21).

Em síntese, João está afirmando:

A verdade do Evangelho nos diz que Jesus Cristo é o Filho do Deus vivo, o Deus-Homem, plenamente Deus e plenamente homem. Nós o vimos, o experimentamos, o tocamos, o ouvimos, ele demonstrou a glória de Deus e concedeu abundante graça.

O Cristo encarnado define Deus

João 1
18 Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

Ninguém jamais viu a Deus, ele é invisível. Há momentos em que Deus apareceu como fumaça, fogo e coisas semelhantes, mas ele não tem forma. Contudo, o unigênito, o Filho de Deus encarnado, aquele que está no seio do Pai, ou seja, em intimidade, amor e conhecimento mútuos que existem na divina trindade, revelou Deus. Jesus é a interpretação, revelação e explicação definitiva e total de quem Deus é. Ele traduz a natureza invisível de Deus em ações, palavras e caráter visíveis, sendo a expressão exata do Pai, tornando Deus conhecido.

Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas (Hb 1.1-3).

João diz que Jesus revelou o Pai (Jo 1.18). A palavra grega “exégeomai”, traduzida como “revelou”, é uma palavra da qual deriva “exegete”. Fazer “exegese” significa explicar, interpretar, dar o significado. Jesus é a exegese de Deus, ele interpreta Deus. Jesus define Deus. Ele manifesta a glória, concede graça e define Deus.

Muitos querem reduzir Jesus a um homem bom, um bom mestre, um líder religioso nobre etc. Isso não é uma opção, isso não fará diferença alguma na vida de ninguém. Mas se cremos e confessamos que ele é Deus, sabemos que “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12). Para ser filho de Deus, você precisa crer no seu nome. Para crer no seu nome, você precisa crer que Jesus Cristo é quem Ele é. Vamos orar.

Pai, somos gratos pela clareza e profundidade da Tua Palavra, e te agradecemos pelo tesouro que cada versículo, cada frase, representa para nós. Poderíamos passar um ano inteiro estudando apenas essa passagem. Precisaremos confiar no Teu Espírito Santo, e com alegria o faremos, para que ele nos revele as verdades contidas nela, enquanto meditamos, meditamos e meditamos sobre a Tua verdade.

Mais importante ainda, Senhor, eu oro por aqueles que ainda não confessaram Jesus como Salvador e Senhor, que ainda não conheceram o Deus-Homem que morreu na cruz para pagar a pena pelos seus pecados e ressuscitou para dar a vida eterna. Que esses corações sejam abertos hoje. Que eles creiam e entrem no descanso que só se encontra pela fé em Cristo. Oramos em Seu nome. Amém.


Esta é uma série de sermões traduzidos de John MacArthur sobre o Evangelho de João.
Clique aqui e acesse o índice ordenado por capítulo, com links para leitura. 


Este texto é uma síntese do sermão “Jesus: Glory, Grace, and God ”, por John MacArthur em 11/11/2012.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/43-4/jesus-glory-grace-and-god

Tradução e síntese feitas pelo Site Rei Eterno


 

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