Introdução a Colossenses

Satanás orquestrou uma miscelânea de filosofia, legalismo, cerimônias vazias e culto aos anjos para atacar a suficiência de Cristo. A mensagem para a igreja em Colossos foi: Cristo é Deus, é suficiente, é tudo. Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Cristo em nós é a esperança da Glória.

Ao apresentar um livro como Colossenses é de fundamental importância que tenhamos alguma compreensão geral e contexto. Há muitas razões importantes para estudar esta carta no contexto de mundo em que vivemos. Entre essas razões podemos citar:

1) Vivemos em uma época de explosão de conhecimento. Como Deus se relaciona com isso? Como Cristo se relaciona com a criação, com a ciência e com as descobertas? Ele está dentro ou fora disso? Colossenses 1.16 diz: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”.

2) Esta também é uma era de ecumenismo, em que as pessoas trabalham por uma igreja mundial. Uma unidade sem doutrina verdadeira e sem Cristo como cabeça da igreja. Colossenses 1.18 diz: “Cristo é a cabeça do corpo, da igreja”.

3) É uma era sem autoridade, de relativismo, em que as pessoas negam quaisquer absolutos. Há a religião do homem, sem regras, sem absolutos, apenas experiências, ética flutuante e criação de ídolos. E Jesus é visto apenas como mais um guru, sua Palavra não é aceita como absoluta e sua divindade é rejeitada ou relativizada.

Colossenses 1.15 e 2.9 dizem que Jesus “é a imagem do Deus invisível, o preeminente de toda a criação” e que “nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”. Colossenses diz que existem absolutos, e Jesus é o principal.

4) Esta é uma era de pragmatismo, ou seja, as ideias só têm utilidade quando produzem efeitos práticos desejáveis. As pessoas querem saber o que funciona. O que importa não é a verdade, mas se algo funciona. E muitos vão a Cristo com algumas perguntas: Ele funciona? Ele dá felicidade? Ele dá sentido à vida? Ele dá esperança?

Colossenses 1.22 e 2.10 diz que Cristo “vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis” e que “também, nele, estais aperfeiçoados”. Somos completos em Cristo. Tudo que precisamos é a pessoa de Jesus Cristo.

5) Esta é uma era de relacionamentos frustrados. A maioria das pessoas em nosso mundo busca relacionamentos significativos. A maioria das pessoas está desesperadamente insatisfeita, muitas pessoas se sentem solitárias. Mesmo no ambiente familiar, muitas pessoas não conseguem isso. Elas têm dificuldade em construir pontes umas com as outras.

Colossenses 3.18-22 e 4.1 ensinam como podemos desenvolver relacionamento sólidos na família e no trabalho. E Colossenses 3.12-14 diz:

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição (Cl 3.12-14).

6) Esta é uma era escatológica. Há uma expectativa de que estamos perto do fim. Colossenses diz que devemos dar graças ao Pai que “nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz. Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.12-13); e que “quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.4).

Podemos perceber que Colossenses responde às questões atuais e é crucial para os dias de hoje. Apresenta um Cristo eterno como a solução para o dilema da humanidade.

Que a era da ciência saiba que Jesus é o arquiteto, o Criador e o sustentador do universo.
 Que a era do ecumenismo saiba que Jesus é o único e verdadeiro chefe da única igreja verdadeira, Seu próprio corpo. Ele é o Salvador todo-suficiente, a fonte de sua unidade vital.
 Que a era da ausência de autoridade saiba que Jesus é a única autoridade, a imagem do Deus invisível, o preeminente no universo, a personificação da plenitude divina, a fonte de todo conhecimento e de toda sabedoria.
 Que a era do pragmatismo saiba que Jesus pode mudar totalmente uma vida de forma milagrosa. Somente Ele pode dar amor, alegria, paz, perdão etc.
 Que a era dos relacionamentos frustrados saiba que Jesus é a fonte do verdadeiro amor e compreensão. Ele constrói famílias, casamentos e amizades.
 E que a era escatológica saiba que Jesus é a esperança e o Rei vindouro, Aquele em quem toda a história se resolve.

Vamos começar examinando os dois primeiros versículos. E esta é apenas a introdução:

Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, aos santos e irmãos fiéis em Cristo que estão em Colossos: graça a vós e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo (Cl 1.1-2).

Paulo começa a carta com seu nome

Seguindo a prática de correspondência do mundo antigo, Paulo começa a carta com o seu nome. De ascendência judaica, um “hebreu de hebreus” (Fp 3,5), ele era um fariseu (Fp 3,5) educado por Gamaliel (At 22.3), um dos principais rabinos daquela época.

Ele era também cidadão romano por nascimento (At 22,28) e exposto à cultura grega em sua cidade natal de Tarso. Tal condição o qualificou para comunicar o evangelho no mundo greco-romano. Foi em grande parte por seus esforços que o cristianismo se espalhou em todo o Império Romano.

Para que ninguém duvidasse de sua autoridade, Paulo descreve a si mesmo como um apóstolo de Jesus Cristo. Ele não era apenas um mensageiro, mas, na condição de um dos apóstolos de Cristo, um representante oficial do Senhor. O que ele escreveu nesta carta não é a sua opinião, mas a Palavra de Deus com toda sua autoridade.

Como os demais apóstolos de Cristo, Paulo não se tornou um apóstolo através de seus próprios esforços e nem foi indicado por uma organização humana, ele era um apóstolo pela vontade de Deus. O Senhor o escolheu soberanamente e o chamou no caminho de Damasco (At 9.1-9) e foi separado para o serviço missionário pelo Espírito Santo (At 13.2).

Timóteo, o fiel colaborador de Paulo

Como era seu costume ao escrever uma carta, Paulo mencionou um colaborador que estava com ele: Timóteo, que também foi mencionado nas introduções de 2 Coríntios, Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Filemon. Tal referência não indica coautoria dessas epístolas, Pedro afirmou que o próprio Paulo escreveu as epístolas paulinas (2 Pe. 3.15-16).

Paulo tinha confiança especial e amor por Timoteo, a quem conheceu em sua segunda viagem missionária (At 19.22). Embora Paulo estivesse preso, o fiel Timoteo ainda estava com ele. Talvez nenhuma outra passagem expresse sentimentos de Paulo sobre seu jovem amigo mais claramente do que Filipenses 2.19-22, onde Paulo diz:

Espero, porém, no Senhor Jesus, mandar-vos Timóteo, o mais breve possível, a fim de que eu me sinta animado também, tendo conhecimento da vossa situação. Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai.

Apesar de seus muitos pontos fortes, Timoteo estava frequentemente doente (1 Tm 5.23), era tímido, hesitante, talvez envergonhado e desleal para com seu dom e dever, e estava precisando de encorajamento e força (cf. 2 Tm 1. 5-14).

Ainda assim, ele serviu a Paulo fielmente na propagação do evangelho (Fp 2.22). Ele era verdadeiro filho de Paulo na fé (1 Co 4.17). Foi a Timóteo que Paulo escreveu suas últimas palavras na Escritura (2 Tm) e lhe passou o manto da liderança (2 Tm 4).

Saudação aos destinatários da carta

Paulo se dirige a seus leitores como “santos e fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos” (Cl 1.2). A palavra “santo”, no grego original, não tem nenhum significado ético ou moral. Simplesmente significa “separado; um separado”. O verdadeiro cristão é santo, ou seja, ele foi separado do mundo para pertencer a Deus.

Ele se referia àqueles que haviam sido separados do pecado e reservados para Deus. Fiéis é uma palavra usada no Novo Testamento exclusivamente para falar dos cristãos verdadeiros.

Ele segue dizendo: “graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai” (Cl 1.2). Graça é a tradução da palavra grega “χάρις”, que significa bondade de Deus para com pessoas que não a merecem. “Graça a vós outros e paz” era uma saudação comum na Igreja primitiva, que Paulo usa em todas as suas cartas.

No Novo Testamento “paz” é a tradução da palavra grega “εἱρήνη”. No Antigo Testamento, paz vem da palavra de “Shalom” (“שלום”). A graça é a fonte e a paz é o rio que nasce dela. Porque tenho fé em Deus, tenho paz com Deus.

A cidade de Colossos

Colossos era uma das três cidades no vale do Rio Lico, região da Frigia, na província romana da Asia Menor (parte da atual Turquia), a 170 km a leste de Éfeso. Embora a população de Colossos fosse essencialmente de gentios, havia lá uma grande colônia judaica. Na época de Paulo, a cidade estava decadente.

A fundação da igreja em Colossos

Na terceira viagem missionária de Paulo, ele foi a Éfeso, um grande centro da Ásia Menor, e ficou lá por 3 anos (At 20.31). Não há registro que Paulo tenha visitado a cidade de Colossos, mas pessoas de toda a Ásia Menor vieram a Paulo e ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos (At 19.10,26).

Durante os três anos de Paulo em Éfeso foram fundadas as sete igrejas de Apocalipse (Ap 2 e 3): Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. E assim aconteceu com a igreja em Colossos.

Pessoas que Paulo se refere na carta aos Colossenses

Na Carta aos Colossenses Paulo faz referências às pessoas que teve contato direto com ele. Ele fala de Arquipo (Cl 4.17), provável filho de Filemon (Fm 2) e fala de Epafras (Cl 4.12-13). Epafras ficou muito preocupado com a invasão de heresias na igreja em Colossos e fez uma longa viagem a Roma para ver Paulo, que estava preso.

A carta foi escrita da prisão em Roma (At 28.16-31), em alguma época entre 60-62 d.C., e, portanto, é conhecida como uma das epístolas da prisão (juntamente com Efésios, Filipenses e Filemom). Provavelmente, foi escrita quase ao mesmo tempo que Efésios e, a princípio, foi enviada com essa epístola e a de Filemom por Tíquico (Ef 6.21-22; Cl 4.7-8).

O pastor da igreja em Colossos

Em Colossenses 4.12-13 Paulo faz uma referência especial a Epafras, dizendo:

Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus. E dele dou testemunho de que muito se preocupa por vós, pelos de Laodiceia e pelos de Hierápolis.

Aparentemente Epafras havia sido usado para fundar essas três igrejas (Colossos, Laodiceia e Hierápolis). E o que aconteceu foi que Paulo agora havia completado seus três anos em Éfeso. Ele passou um inverno na Grécia e voltou para Jerusalém, onde foi preso, levado para Cesareia e depois para Roma (Atos 21 a 28).

Ao escrever esta carta, ele estava preso em Roma, mas podia receber visitas. Foi nessa situação que Epafras, o pastor da igreja em Colossos (Cl 1.7), o encontra e lhe fala de suas preocupações com a invasão de heresias na igreja.

O que ameaçava a igreja em Colossos?

Paulo inicialmente dá graças e ora pela igreja. Ele diz:

Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos […] Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual. (Cl 1.3-4,9)

Mas ele demonstrou preocupação dizendo:

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo. (Cl 2:8).

Havia uma heresia dupla se infiltrando na congregação, que era formada essencialmente de cristãos novos. Uma heresia vinha do paganismo, a atração das trevas e da sensualidade vinda de cultos idólatras era grande. Esse era o ambiente hostil em que aquela igreja estava. Paulo os alerta contra esse terrível perigo.

Paulo os exortou a permanecer alicerçados e firmes na fé, a não se afastar da esperança do evangelho que eles ouviram (Cl 1.23). Ele também diz para eles pensarem nas coisas do alto e não nas que são da terra, pois a vida deles estava oculta juntamente com Cristo, em Deus (Cl 3.1-3).

Ou seja, Paulo os exorta a não retroceder e a se afastar de tudo que a carne pecaminosa deseja.

As duas maiores falsas doutrinas que ameaçavam a igreja em Colossos

1) A filosofia falsa.

Paulo escreveu: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8).

Os gregos amavam o conhecimento, eles se vangloriavam do que sabiam. Os hereges diziam que a simplicidade do evangelho não é suficiente e que Jesus Cristo não basta.

Eles alegavam visões secretas, sobrenaturais, percepções de mistérios, conhecimento superior etc. Eles introduziam coisas estranhas na igreja, tornando Cristo e o evangelho insuficientes. Sobre isso Paulo escreveu:

Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem-vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus (Cl 2.18-19).

Aqueles falsos mestres diziam que toda a matéria é má, e, então, se Deus é bom, jamais poderia ter criado a matéria. Eles diziam que Deus criou semideuses, que ficaram cada vez mais perversos e então eles criaram a matéria.

Eles diziam que Jesus é apenas uma das emanações boas e as más eram os demônios. E entre o homem e Deus havia essa barreira de demônios, e a única maneira de atravessá-la era ter um super conhecimento e adorar as emanações boas que poderiam ajudá-los a atravessar a barreira dos demônios.

É por isso que eles adoravam anjos, porque sentiam que precisavam dos anjos para romper a barreira e chegar ao reino divino, e ensinavam que Jesus era apenas um desses anjos, negando sua divindade e suficiência. Isso mais tarde se tornou plenamente desenvolvido no Gnosticismo.

Essa filosofia dizia que Jesus não é Deus e não pode salvar. Dizia que precisamos da ajuda de Jesus tal como precisamos dos outros anjos, porque eles têm conhecimentos. Então eles ensinavam adoração de anjos, uma heresia que Paulo repudiou (Cl 2.18-19).

O ponto central dessa filosofia era negar a divindade de Jesus e sua plena suficiência, heresia que Paulo combateu na carta aos Colossenses, declarando a divindade e suficiência de Cristo. Ele escreveu:

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste (Cl 1.13-17).

Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade (Cl 2.9-10).

O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo (Cl 1.26-28).

… tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes (Cl 2.2-4).

Ou seja, Jesus Cristo é Deus, ele é suficiente, não precisamos de mais nada. Nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. A filosofia humana é totalmente inútil, ela não conduz o homem à verdade. Temos tudo que precisamos em Cristo.

Pedro declarou que “pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2Pe 1.3)

2) O cerimonialismo judaico, o legalismo.

Paulo combate a ideia de alguns que diziam que a circuncisão era necessária para a salvação (Cl 2.11). Na verdade, eles diziam que a salvação não vem somente de Cristo, mas também das obras.

A filosofia dizia: “Cristo mais conhecimento é igual a salvação”;
Os legalistas diziam: “Cristo mais obras é igual a salvação;
O evangelho diz: “Cristo mais nada é igual a salvação”.

Paulo escreveu:

E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos (Cl 3.10-11).

E tal era o perigo dessa heresia, que Paulo exorta: “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?” (Cl 2.20-22).

Ele diz que tais coisas são inúteis (Cl 2.23) e que são apenas sombras das coisas que haviam de vir (Cl 2.16-17). Os aspectos cerimoniais da lei do Antigo Testamento (regras quanto à alimentação, festas, sacrifícios) eram meras sombras que apontavam para Cristo. Desde Cristo, a realidade veio, e as sombras não têm valor algum (Hb 8.5; 10.1)

Então, aqueles irmãos eram alvos de falsos mestres imersos na filosofia grega e no cerimonialismo judaico. Esses hereges estavam apenas começando a atacar a igreja em Colossos.

Você diz: “Que mistura estranha. De onde veio?” Não sabemos de onde veio e nem sabemos quem eram essas pessoas, mas há um precedente para isso. Havia em Israel três grandes seitas religiosas do judaísmo apóstata: fariseus, saduceus e essênios.

Os essênios eram ascetas, eles acreditavam que você não deveria ter nada e ser privado de tudo. Eles eram gnósticos. Eles acreditavam que o corpo era mau e o espírito bom e imperecível. Eles tinham a mesma linha filosófica que atacava em Colossos.

Tal como no conceito grego, eles viam a alma na prisão do corpo. Eles eram legalistas extremamente rigorosos e excediam muito os fariseus. Eram celibatários e adotaram crianças para propagar sua teologia. Alguns deles se casaram, mas se casassem, davam à esposa um período probatório de três anos. Não sei com base em quais critérios eles decidiam se deveriam continuar casados depois disso ou não.

Eles odiavam riquezas. O historiador Flávio Josefo escreveu que eles adoravam anjos e eram vegetarianos. Todas essas coisas que estavam afetando a igreja de Colossos podem ter vindo desse grupo.

Satanás havia orquestrado toda essa miscelânea de filosofia, legalismo, cerimônias vazias e culto aos anjos para atacar a suficiência de Cristo. Satanás sempre procura fazer isso de várias formas. Paulo tinha uma mensagem em mente para a igreja em Colossos: Cristo é Deus, é suficiente, é tudo. Essa é a mensagem da carta aos Colossenses. Vamos orar.

Pai, nós simplesmente sentimos como se tivéssemos sido elevados às alturas. Eu só quero agradecer porque Jesus Cristo é tudo em todos, e nada mais é necessário. Oh, que alegria é saber que não precisamos de nada mais que Jesus Cristo. Oramos para que possamos ver o milagre da salvação na vida de muitos e que todos nós tenhamos uma nova experiência de adoração e amor por Cristo, nosso salvador. Amém.


Índice dos Sermões traduzidos das Cartas de Paulo


Este texto é uma síntese do sermão “Introduction to Colossians”, de John MacArthur, em 8/2/1976.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/2130/introduction-to-colossians

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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