Diante do Trono da Graça

Por que diante das lutas vamos a tantos lugares e pessoas, menos ao trono da graça? O melhor que qualquer pastor piedoso pode fazer é conduzir as pessoas ao nosso grande sumo sacerdote, que é a fonte de toda provisão. Em Jesus, e somente nele, é que temos acesso à fonte de tudo que precisamos.

A igreja precisa continuamente vislumbrar a suficiência de Cristo em meio a um mundo em caos. Aqui estamos no auge do avanço tecnológico e da conquista educacional, mas o mundo nunca foi tão conturbado como hoje.

Parece que estamos regredindo a algum tipo de paganismo primitivo, onde acabaremos nos matando e mutilando uns aos outros. Usamos todas as invenções incríveis que nos proporcionam conforto, mas nenhuma delas se aplica ao coração, à alma e à mente, resultando em insatisfação, frustração, dor e sofrimento em níveis jamais visto.

Todo esse descontentamento, insatisfação, frustração e desilusão acabam se infiltrando até mesmo na igreja. E absorvemos esse vazio existencial do mundo ao nosso redor e, também, tentamos preencher nossas vidas com coisas passageiras e confortos materiais.

E quando chegamos àquelas inevitáveis horas da vida repleta de dor, sofrimento, confusão e problemas, damos ouvidos aos cantos de sereia do mundo e buscamos soluções criadas por homens, perdendo de vista aquele que é a única fonte de nossa plenitude: Jesus Cristo.

O nosso relacionamento com Jesus Cristo tem que estar no centro de tudo. Não queremos ser como os de Éfeso, que abandonaram o primeiro amor (Ap 2.4-5). Não queremos nos preocupar mais com nossa teologia, nosso estilo e nossas fórmulas do que com nosso Salvador.

Tudo o que precisamos para todas as questões da vida se encontra em Jesus Cristo. E se nosso relacionamento com Cristo é biblicamente satisfatório e for cultivado adequadamente, encontraremos nele o recurso para qualquer inquietação que nos atinja.

Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. (Fp 4.6-7).

O mundo está conturbado e difícil. Há muita dor nos relacionamentos humanos. Casamentos estão sendo sistematicamente destruídos, e as mesmas coisas que destroem casamentos seculares invadem a igreja e devastam os casamentos cristãos. Há muita tensão e dificuldade no processo de criação dos filhos diante de uma sociedade caótica que procura corrompê-los.

A desestruturação dos lares está por toda parte. Há uma tolerância à maldade, ao pecado e ao mal, e a normalização dos pecados mais grotescos nos choca profundamente. Este mundo conturbado nos deixa com uma dor profunda, e desejamos uma vida mais simples, um refúgio para um lugar saudável e um ambiente tranquilo. Mas o mundo não é assim, e não há escapatória.

Mas não precisamos nos preocupar, nem nos angustiar e nem perder a alegria de viver se cultivarmos o relacionamento que Cristo nos oferece. Ele não é apenas aquele que nos salvou no passado; ele anseia ser esse recurso e esse amigo suficiente para toda a nossa vida. É sobre isso que o escritor da carta aos Hebreus trata no texto que vamos estudar agora.

Hebreus 4
¹⁴ Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.
¹⁵ Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.
¹⁶ Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

Esta é uma declaração tão rica em verdades que espero, se o Senhor nos conceder neste momento, plantar uma porção dela em nossos corações. O autor da Epístola aos Hebreus está dizendo que em Cristo você encontra tudo o que precisa.

Ele está se dirigindo à alguns judeus que aparentemente estão convencidos de que Jesus é o Messias e a própria fonte da graça e provisão de Deus. Pelo menos eles fizeram alguma confissão disso, como indicado no final do versículo 14. Em outras palavras, é como se ele dissesse:

Fiquemos firmes na fé que professamos, pois temos um Grande Sacerdote poderoso. Não podemos ser como o solo rochoso em que sucumbe diante da angústia e da perseguição, e não permite que ela prospere. Não sejamos como o solo cheio de espinhos, que diante do amor às riquezas e as preocupações deste mundo sufocam a semente.

No início do capítulo, o escritor aos Hebreus disse que é melhor se apegar a Cristo para obter perdão, evitar a ira divina e o julgamento de Deus. Há uma razão para se apegar a Cristo: o fato de que você evitará a ira, o julgamento, o inferno e a destruição.

Mas o tom, a partir do versículo 14, muda para um lado positivo. Em outras palavras, ele diz: “Mantenha firme essa profissão de fé por causa do que você possui em Cristo”. De fato, Ele diz no versículo 16: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça”.

Então, o autor de Hebreus está dizendo:

Se vocês chegaram até aqui e fizeram algum tipo de confissão e profissão de fé, continuem se achegando a Deus, pois temos um grande Sumo Sacerdote. Ele lhes dará aquilo que seus corações anseiam, desejam e necessitam desesperadamente.

De fato, este é o ponto principal de toda esta epístola: mostrar quão grande Sumo Sacerdote Jesus é. Em Hebreus 2.16 diz: “Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão”. Ele não ajuda os anjos, Ele ajuda os crentes.

Os anjos santos e eleitos não pecam, eles não são tentados e testados. Eles não passam por provações pessoais, então ele não precisa ajudá-los. Eles são confirmados em santidade eterna. Eles não crescem em graça e santidade, pois já são perfeitamente santos. Por outro lado, os anjos caídos são totalmente impuros e não há redenção para eles. Portanto, o Senhor não ajuda os anjos, mas aos crentes.

Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados (Hb 2.17-18).

Jesus é o grande sumo sacerdote que ajuda o seu povo. A função de um sacerdote era conduzir as pessoas à presença de Deus, elevá-las à sala do trono de Deus e ao conhecimento de Deus. E Cristo faz isso perfeitamente. Ele é o sumo sacerdote perfeito e eterno.

Os judeus entendiam perfeitamente o conceito de sacerdócio. Eles sabiam que um sacerdote deve levar os homens a Deus, conduzi-los à presença de Deus para proporcionar algum meio de acesso a Deus por meio do sacrifício. Mas nunca houve um sacerdote como Jesus. Nunca houve ninguém tão grandioso.

Em Hebreus 3.1-2 Jesus é chamado de sumo sacerdote fiel. Aqui, em Hebreus 4.14-16 ele é visto como um Sumo Sacerdote misericordioso. Ele é realmente um sumo sacerdote perfeito porque une perfeitamente o homem e Deus. Somente ele é capaz de nos levar à presença de Deus.

Onde quer que você esteja em sua jornada cristã, prossiga se aproximando cada vez mais de Cristo. Diante das lutas, dificuldades, insatisfações, decepções, do caos, do trauma e da dor, a resposta aos problemas da vida não está em um recurso humano, em uma fórmula humana ou em um sistema humano, mas sim em Jesus Cristo.

Há pouco tempo, quando eu preguei na cidade de Montreal, um jovem veio até mim no início da noite e ficou agarrado ao meu ombro quase o tempo todo. Ele implorava que eu o ajudasse com um pecado em sua vida. Ele expressou um desespero: “O que eu vou fazer a respeito disso? Eu não tenho nenhum poder sobre isso. Para onde eu vou agora?”

Eu não podia ajudá-lo com seu pecado. Eu precisava guiá-lo até quem pudesse ajudá-lo: O Senhor Jesus Cristo. Minha responsabilidade era ser um sacerdote, por assim dizer, de uma forma humana e humilde, tentando elevá-lo à presença de Cristo.

Mas, de alguma forma, em sua experiência cristã, ele tinha a ilusão de que, se você tem necessidades profundas, persistentes, incessantes e insolúveis, precisa encontrar uma pessoa muito forte. E ele me via como essa pessoa, e eu estava ansioso para lhe dizer que eu era fraco demais para realizar o que ele precisava.

Ele precisava ir diretamente a Cristo. E menciono isso apenas para destacar como muitos cristãos não entendem o que está disponível para eles no cultivo desse relacionamento.

A grandeza de nosso sumo sacerdote

Hebreus 4
¹⁴ Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.

Temos um Sumo Sacerdote como nenhum outro, porque este Sumo Sacerdote penetrou nos céus. O sacerdote do Antigo Testamento passava por três lugares para chegar ao Santo dos Santos, a presença de Deus. Ele passava pelo pátio externo, pelo Lugar Santo e, finalmente, chegava ao Santo dos Santos, que era o lugar onde se encontrava o símbolo da presença de Deus, a Arca da Aliança.

E uma vez por ano, no Dia da Expiação (Lv 16), após passar pela purificação ritual e examinar seu próprio coração para garantir que estava puro, para que Deus não o matasse ao entrar no santuário, ele pegava o sangue que havia sido tomado do sacrifício pelos pecados do povo e ia do pátio externo, passando pelo Lugar Santo, até o Santo dos Santos, e aspergia o sangue sobre o Propiciatório para expiar os pecados de Israel.

Antes de fazer isso, ele tinha que fazê-lo por si mesmo, porque era um pecador. E quando entrava lá, não havia lugar para se sentar. Ele ficava de pé, cumpria seu dever e saía dali antes que Deus o matasse, porque nenhum pecador realmente tem direito na presença de Deus.

Deus só permitia isso para realizar a cerimônia de sacrifício. Costumavam colocar pequenos sinos nas vestes do sumo sacerdote, pois enquanto os sinos tilintassem, sabiam que ele estava vivo. Se os sinos parassem, sabiam que ele estava morto. Precisavam jogar uma corda por baixo da tenda e puxá-lo para fora.

Nosso eterno Sumo Sacerdote é diferente. Ele entrou nos céus, sentou-se à direita de Deus e lá permanece. Ele chegou ao terceiro céu (2Co 12.2). O primeiro céu é o céu atmosférico (as nuvens e a atmosfera ao redor da Terra); O segundo céu é o céu estelar (os corpos celestes); o terceiro céu é a morada de Deus, o céu dos céus. Ele chegou ao terceiro céu simbolicamente carregando consigo a expiação satisfatória que havia feito, derramando-a sobre o Propiciatório celestial.

A maravilha das maravilhas é que Jesus entrou nos céus e lá permanece. Assim, temos um Sumo Sacerdote como nenhum outro. Temos uma fonte que está lá, assentada permanentemente à direita do trono de Deus, intercedendo por nós com base em uma expiação suficiente.

Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles (Hb 7.23-25).

Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem (Hb 8.1-2).

Esta é a verdadeira morada de Deus, o céu dos céus. E Jesus está lá. Ele é sem pecado. Ele é perfeito. Ele realizou uma redenção perfeita. E Ele permanece lá, à direita de Deus, para interceder por nós, para que jamais caiamos em desgraça diante de Deus e percamos a vida eterna. Este é o nosso sumo sacerdote. Ele afirmou que dá a vida eterna para suas ovelhas e ninguém pode arrebatá-las de suas mãos (Jo 10.27-29).

A suficiência e misericórdia de nosso sumo sacerdote

Hebreus 2
¹⁵ Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

Se você enfrenta provações na vida, lutas, dificuldades, dor, para onde você vai? Se você quer acesso direto a Deus, você vai àquele que está à sua direita intercedendo por você, aquele que intercede incessantemente por você, aquele que conhece a Deus perfeitamente, aquele que conhece a vontade de Deus exatamente, aquele que te conhece perfeitamente, aquele que sabe o que é melhor para você.

Você pode vir a mim e eu posso te conhecer, mas não te conheço como Cristo te conhece. Você pode vir a mim e eu posso ter uma ideia de qual é a vontade de Deus, mas Cristo a conhece plenamente. Você pode vir a mim e eu farei o meu melhor para te ajudar, mas jamais posso resolver qualquer coisa. Em Jesus, e somente nele, é que temos acesso à fonte de tudo que precisamos.

Jesus é o Filho de Deus, isso quer dizer que ele tem a mesma essência de Deus, ou seja, ele é divino. E ele não é indiferente para com seu povo. Ele esteve entre nós em um corpo humano, sabe muito bem de nossas lutas e se compadece de nossas fraquezas (Hb 2.15).

O escritor aos Hebreus, em outras palavras, diz:

Ele é o seu sumo sacerdote. Ele é aquele a quem vocês devem recorrer. Cultivem esse relacionamento. Vocês já fizeram essa confissão, já fizeram essa profissão de fé, agora continuem se aproximando, porque Ele é a fonte. Ele é o seu sacerdote. Ele os conduz a Deus. Nenhum ser humano pode fazer o que ele fez. Nenhum ser humano carrega em seu coração as suas necessidades como Jesus carrega. Aproxime-se cada dia mais dele.

Ele foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado. Essa é uma afirmação notável. Temos um Sumo Sacerdote no céu intercedendo por nós o tempo todo, que possui uma capacidade inigualável de nos compreender e se compadecer de nós em todos os perigos, tristezas e provações que a vida humana pode infligir. Por quê? Porque Ele foi exposto a todas elas.

E Ele suportou, triunfantemente, todas as formas de provações que um homem pode suportar. Aliás, você pode pensar que a batalha dele foi mais fácil. Não foi. Foi mais intensa que a nossa. Eu vou lhe dar um exemplo para entender isso.

Vemos linhas de transmissão de energia elétrica que podem transportar 800.000 volts. Não devo tocá-las e nem chegar perto delas. Apenas 110 volts seria o suficiente para eu ser eletrocutado. A força que Satanás empregou contra Jesus não foi de 110 volts, mas de 800.000 volts.

Satanás foi até seu limite de poder para atacar Jesus, mas jamais obteve qualquer triunfo. A autenticidade da humanidade de Cristo é demonstrada pelo fato de que ele estava sujeito à tentação. Ao sofrer tentação, Jesus pôde entender perfeitamente nossas lutas e ter compaixão de nós. Ele sentiu a força total da tentação. Embora muitas vezes cedamos à tentação não muito intensa, Jesus resistiu mesmo quando Satanás empregou contra ele força máxima.

Existe um limite de dor que todos nós podemos suportar. Existe um ponto em que desmoronamos. Se não saímos da situação imediatamente, ela vai nos esmagar. Mas Jesus não tinha esse ponto de ruptura, ele suportou com toda a força, até o limite.

Então, quando se diz que ele pode se compadecer das nossas fraquezas porque foi tentado em todas as coisas como nós, mas sem pecado. Isso significa que não há nível de tentação que você sinta que ele não tenha sentido ainda mais. E porque ele nunca cedeu e enfrentou tudo até o fim, ele pode nos socorrer.

Você sabe o que é estar sozinho, mas não sabe o que é ser Deus e estar separado de Deus. Você sabe o que é sentir culpa, mas não sabe o que é ser o Filho santo e ter que carregar toda a culpa de nossos pecados, e, ainda receber sobre si o cálice da ira de Deus (Mc 14.36).

Isaías 53 diz que ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades. Diz que o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Diz que o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

Diz que ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca. E como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. Diz que ele foi cortado da terra dos viventes; por causa de nossas transgressões. E que agradou a Deus moê-lo para que ele se tornasse a oferta definitiva pelo pecado de seu povo.

Nós não podemos entender o nível de tentação que Jesus experimentou. Então, quando nos voltamos para ele, não encontramos apenas alguém sentado à direita do trono de Deus intercedendo por nós, mas alguém que conhece cada dor e dificuldade humana.

Os judeus não conseguiam entender Deus desta forma. Eles imaginavam que Deus pertencia a uma esfera de vida e existência completamente diferente da do homem. E, em suas mentes, não havia sentido pensar em Deus compartilhando de nossas experiências.

Eles entendiam que, diante do fato de sua divindade, Deus era incapaz de compartilhar nossas lutas. E usavam, por exemplo, o fato de Deus ter mandado o povo se afastar do Monte Sinai por causa de sua santa presença lá (Ex 19.12). Para os gregos, os deuses eram indiferentes. Os estoicos e epicuristas entendiam que os deuses eram apáticos e distantes.

Neste contexto há a encarnação de Jesus Cristo e o surgimento do cristianismo, que sempre afirmou que isso não é verdade. Deus não é indiferente, apático e distante. Ele veio ao mundo em um corpo humano e passou por todas as experiências humanas, exceto o pecado. Essa era a verdade de Cristo.

Deus esteve aqui como homem e sofreu nossas dores. Ele conhece e compreende nossas dores. Então, quando você se volta para o Senhor Jesus Cristo, você não só tem alguém à direita de Deus intercedendo por você, mas também alguém que entende completamente suas dores.

Permanecer diante de nosso sumo sacerdote

Hebreus 4
¹⁶ Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

Agora só me resta uma pergunta. Bem, fico feliz que Ele esteja aqui por mim, fico feliz que ele me tenha em seu coração incessantemente diante de Deus, fico feliz que ele esteja aqui me compreendendo com compaixão, mas há apenas mais uma pergunta: aprecio sua presença e aprecio sua compaixão, mas e quanto aos seus recursos? Ele pode fazer algo a respeito do meu problema?

Eu posso ser seu amigo e posso ter um pouco de compaixão, não como Cristo. Eu não tenho os recursos espirituais que há em Cristo. Você pode vir até mim e dizer: “Pastor, o senhor poderia orar por mim?” E eu posso fazer isso. “E o senhor entende o que estou passando?” E porque sou homem e porque sou humano, posso dizer: “Sim, eu entendo e me compadeço da sua dor.” Mas eu não tenho em mim o poder ou os recursos para mudar isso.

O trono para o judeu sempre foi um trono de julgamento, um trono de medo, e Cristo o transformou em um trono de graça. A Escritura nos convida a nos chegar com confiança ao trono da graça para alcançarmos misericórdia e rios de ajuda em tempo de necessidade. Ele tem os recursos, absolutamente, totalmente e completamente.

Não se trata apenas de compaixão, mas de recursos que precisamos. Somente ele pode nos conceder poder para que possamos superar as provações. Há um trono de graça, e é um lugar de misericórdia. Essa misericórdia olha para a nossa miséria e a graça se torna o suprimento para superar essa miséria. Aproximamo-nos do trono com pressa, ousadia, fervor e ansiedade, porque sabemos que não seremos rejeitados.

Não será para nós um trono de julgamento, porque Cristo está intercedendo por nós, tendo feito expiação pelos nossos pecados. Não será um trono de indiferença, porque Cristo é um sumo sacerdote compassivo que sabe exatamente o que sentimos. Será um trono de graça porque ali ele nos concederá a graça de que precisamos para cada questão da vida.

Por que vamos a tantos lugares e pessoas, menos ao trono da graça? Cultive seu relacionamento com Jesus Cristo. Seja o que for que você esteja fazendo em sua vida, encontre de alguma forma o caminho para prosseguir “para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.15).

Ele está preparado para receber o coração manchado pelo pecado que você lhe traz e purificá-lo. Ele está sempre pronto para enxugar suas lágrimas amargas. Ele está sempre pronto para encontrar esse espinho na carne que você sente profundamente, com as palavras que o Senhor disse a Paulo: “a minha graça de basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9), e então Paulo pôde dizer:

De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte (2Co 12.9-10).

Agora que você chegou até aqui, fez sua profissão de fé, fez sua confissão, continue vindo e continue buscando a Cristo. E repito, o melhor que qualquer ministro pode fazer é conduzir as pessoas ao grande sumo sacerdote, que é a fonte de toda provisão.

Pai, obrigado por este maravilhoso texto das Escrituras que acabamos de ver tão brevemente. Obrigado por tudo o que temos em Cristo. Senhor, ajuda-nos a perceber que, quando somos devastados pelas provações da vida e quando nos encontramos em momentos de desânimo e depressão, é porque de alguma forma perdemos a conexão contigo, perdemos o contato com a Tua mão, abandonamos o nosso lugar no trono. Ajuda-nos a saber que Tu estás presente e que toda a vida é para Te buscar.

Que possamos passar toda a nossa vida diante do trono, suplicando misericórdia e graça a um intercessor compassivo e cheio de recursos, que torna toda a riqueza do tesouro de Deus disponível aos Seus filhos. E que nos lembremos das palavras de Tiago: “Nada tendes porque não pedis”. Renova em nós o primeiro amor por Cristo e que possamos buscá-Lo através da oração e da Palavra. Oramos em Seu nome. Amém.


Esta é uma série de  sermões de John MacArthur sobre a carta aos Hebreus.

Clique aqui e veja o índice com os links dos sermões traduzidos já publicados desta série.


Este texto é uma síntese do sermão “The Benefits of Knowing Christ ”, de John MacArthur em 26/09/1993.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/80-122/the-benefits-of-knowing-christ

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


 

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