Como Suportar as Provações (3)
A verdadeira fé resiste à prova. E quanto mais é testada, mais é comprovada. E quanto mais é comprovada, mais confiança desfrutamos em nossa fé verdadeira e mais forte se torna a nossa esperança. A verdadeira fé persevera, não importa o que aconteça. A verdadeira fé é testada e comprovada em todos os casos
Continuamos agora nosso estudo, em Tiago 1.2-12, sobre as atitudes que devemos ter diante das provações, para que possamos prosseguir em triunfo.
Tiago 1
2 Meus irmãos, tenham por motivo de grande alegria o fato de passarem por várias provações,
3 sabendo que a provação da fé que vocês têm produz perseverança.
4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que vocês sejam perfeitos e íntegros, sem que lhes falte nada.
5 Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá com generosidade e sem reprovações, e ela lhe será concedida.
6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando, pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.
7 Que uma pessoa dessas não pense que alcançará do Senhor alguma coisa,
8 sendo indecisa e inconstante em todos os seus caminhos.
9 O irmão de condição humilde glorie-se na sua exaltação,
10 e o rico, na sua humilhação, porque ele passará como a flor do campo.
11 Porque o sol se levanta com seu calor ardente, a planta seca, a sua flor cai e a formosura do seu aspecto desaparece. Assim também o rico murchará em seus caminhos.
12 Bem-aventurado é aquele que suporta com perseverança a provação. Porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.
É comum encontrarmos pessoas que professavam a fé em Cristo, que se sentiam salvas e que diziam conhecer a Deus, mas uma dificuldade grave surgiu em suas vidas, foram expostas a algum desafio, provação ou grande fardo, e então se revelou o fato de que, afinal, a fé delas não era verdadeira.
A fé dessas pessoas foi testada e considerada falsa, ou seja, uma fé insuficiente e náo salvívifica. Em vez de buscarem recursos e conforto em Deus e nas Escrituras durante a provação, elas abandonaram tudo. Isso acontece com frequência. Felizmente, isso desperta as pessoas para sua verdadeira condição espiritual, e isso é essencial. Mas, tragicamente, muitas delas se afastam daquilo que um dia professaram com seus lábios.
Tiago se preocupou com essa questão. Ele se preocupou com a fé viva, a fé verdadeira, o verdadeiro cristianismo e a salvação genuína. E do início ao fim de sua epístola, ele apresenta uma série de testes que revelam a natureza da fé de uma pessoa. Será a fé verdadeira que salva ou será uma fé falsa e morta que não salva?
Ao longo de toda esta epístola, encontramos provas para uma fé viva. É algo extremamente importante. Devemos ser capazes de reconhecer nossa verdadeira condição espiritual, reconhecer nossa fé e discernir se ela é viva ou morta.
Tiago apresenta vários testes da fé verdadeira, o primeiro deles é como alguém reage às provações.
Ele diz que quando uma pessoa, mesmo na dura provação, persevera na fé, na confiança em Deus e em Cristo, ela foi aprovada e receberá a coroa da vida, a mesma que é prometida a todos os que verdadeiramente amam o Senhor (Tg 1.12).
O primeiro teste que Tiago nos apresenta é, portanto, o teste da fé genuína que vem através das provações. Na parábola dos solos, o Senhor disse: “a semente que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam” (Lc 8.13).
A semente que caiu em terreno rochoso brotou, mas não encontrou profundidade para alcançar mais água, murchou e morreu. Essa é realmente uma ilustração das provações árduas que surgem na vida. Jesus comparou àqueles que recebem com alegria a Palavra, mas quando vieram as provações, a fé deles se mostrou falsa.
Ao chegar a provação, muitos se afastam. Isso não significa que antes pertenciam a Deus e agora não pertencem mais. Isso não é verdade. Elas nunca deram frutos; e frutos são a prova de uma fé verdadeira. Simplesmente fizeram uma afirmação de fé superficial que não durou, que sucumbiu diante das provações.
Eles são como aqueles que sempre erram em seus corações e não conhecem o caminho do Senhor, e que a incredulidade os fazem se afastar de Deus (Hb 3.10,12); que foram expostos à plena revelação do evangelho, recuaram e foram endurecidos para sempre (Hb 6.4-8); que se afastaram de Cristo porque não nasceram de novo e não pertencem à família de Deus (1Jo 2.19).
Esses textos não se referem aos verdadeiros crentes, mas àqueles que fazem uma profissão de fé superficial; porém, quando chegam as provações, eles se afastam. É o caso da semente que caiu no terreno rochoso, não tinha raiz profunda e logo sucumbiu diante das adversidades.
As provações sempre testam nossa fé. É muito importante entender isso. As provações não podem destruir a verdadeira fé, porque a verdadeira fé é um dom de Deus, e a verdadeira fé salvadora é eterna. Estamos seguros porque Deus nos deu uma fé imortal. Isso foi ilustrado por Jó, que disse: “ainda que ele me mate, nele esperarei” (Jó 13.15).
As provações não podem destruir a verdadeira fé; mas podem testar nossa fé e revelar se é uma fé real ou uma fé morta. Tiago diz: “sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1.3).
Tiago se preocupou em testar a autenticidade da nossa fé em meio às provações, e nos diz que a verdadeira fé persevera, ela não pode ser destruída por uma provação; ela persevera, ela resiste durante toda a provação. Essa é a natureza da verdadeira fé. Portanto, quando Deus traz provações para a nossa vida, ele não está destruindo a nossa fé, mas sim a manifestando.
Acho que uma das coisas mais encorajadoras na vida de um crente é a provação após a provação. E nunca na vida de um verdadeiro crente essas provações destroem a fé; tudo o que fazem é expor a realidade da coisa verdadeira.
E posso dizer-lhe, honestamente, que quanto mais vivo e mais provações enfrento — e não apenas as minhas pessoais, mas também as que enfrento como pastor de uma igreja, momentos em que houve ataques à igreja, ou ataques ao seu caráter, ou ataques pessoais a mim, ou compartilhar e carregar fardos com outras pessoas que são dilacerantes —, quanto mais disso você passa e mais vezes sua fé se mostra inabalável, mais confiante você se torna de que sua fé é verdadeira.
Às vezes você pergunta a um jovem: “Você já convidou Cristo para entrar na sua vida?” E eles respondem que fazem esse convite muitas vezes para ter certeza. Os crentes maduros não fazem mais isso, a fé deles foi testada o suficiente para que saibam que tipo de fé eles possuem.
A fé é um dom de Deus, esse é o tipo de fé que resiste à prova. E quanto mais é testada, mais é comprovada. E quanto mais é comprovada, mais confiança desfrutamos nessa fé e mais forte se torna a nossa esperança. A verdadeira fé persevera, não importa o que aconteça. A verdadeira fé é testada e comprovada em todos os casos.
Mas isso não nos isenta de estarmos envolvidos na provação. Há muitos que estão decepcionados com Deus por causa das provações e mergulharam no pecado. Eu já vi muitos cristãos verdadeiros passarem por provações. A fé deles permaneceu intacta, mas a atitude certamente não. Você já percebeu?
Tiago diz: “a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.3-4). Deus não quer que a fé apenas sobreviva às provações, mas que ela se torne ainda mais perseverante.
Estudamos no primeiro sermão e no segundo sermão sobre o texto de Tiago 1.2-12, as quatro primeiras atitudes que devemos cultivar em meio às provações. Vou apenas citar o que já vimos:
1) A primeira coisa a cultivar em meio a uma provação é uma atitude de alegria: “meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1.2).
2) A perseverança em meio às provações exige uma mente compreensiva, ou seja, precisamos saber que a prova da nossa fé produz perseverança: “sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1.3).
3) A perseverança em meio às provações exige uma vontade submissa. Nunca devemos hesitar em deixar Deus realizar sua obra de aperfeiçoamento: “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.4)
4) A perseverança em meios às provações exige fé. Um coração que crê. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos”. (Tg 1:5-8).
Descobrir a mão de Deus nas dificuldades é, na verdade, descobrir a Palavra de Deus. Você nunca entenderá o que Deus está fazendo até que você se volte para a Escritura. À medida que uma provação surge, ela produz perseverança. Essa perseverança durante as provações nos faz desfrutar da provisão de Deus e nos torna cada vez mais moldados à imagem de Jesus Cristo.
• O sofrimento serve para aumentar nossa consciência do poder sustentador de Deus (Fp 4.10-14).
• O sofrimeto é usado por Deus para nos refinar, fortalecer e impedir que caiamos (1Pe 1.6-7).
• O sofrimento permite que a vida de Cristo se manifeste em nossa carne mortal e nos permite participar de seus sofrimentos (Fp 3.10; 1Pe 4.13-14)
• O sofrimento nos leva à falência, esgota todos os nossos recursos humanos e nos torna dependentes de Deus (1Co 10.12-13).
• O sofrimento nos transmite a mente de Cristo, que, na sua encarnação, viveu disposto a se despojar de tudo, tornar-se servo e curvar-se às necessidades dos outros (Hb 2.14-18).
• O sofrimento nos ensina que Deus se preocupa mais com nosso caráter do que com nosso conforto (2Co 1.5).
• O sofrimento nos ensina que o maior bem da vida cristã não é a ausência de dor, mas a presença da maturidade espiritual (Fp 3.8-10).
• O sofrimento pode ser uma disciplina divina pelo pecado e pela rebeldia (Hb 12.4-13).
• O sofrimento nos ensina obediência e autocontrole quando vem na forma de disciplina (Hb 12.4-13).
• O sofrimento é uma maneira voluntária de demonstrar o amor de Deus por meio do sacrifício pessoal (2Co 1.5-7).
• O sofrimento é uma parte inevitável da luta contra nossa natureza pecaminosa e o pecado que habita em nós (Hb 12.1-4),
• O sofrimento faz parte da luta contra um mundo mau, Satanás, os demônios e as pessoas más (1Pe 5.8-9; Ef 6.12).
• O sofrimento faz parte da luta pelo avanço do reino de Deus (At 14.21-22; 2Ts 1.5).
• O sofrimento faz parte da luta pela proclamação do evangelho (2Tm 1.8; 2Co 6.4-10).
• O sofrimento faz parte da luta contra a injustiça (Mt 5.10-12; 1Pe 4.12-16).
• O sofrimento faz parte da luta para exaltar o nome de Cristo (Fp 1.29)
• O sofrimento demonstra como os justos podem participar dos sofrimentos de Cristo (Cl 1.24-25).
• O sofrimento produz perseverança, e a perseverança produz uma recompensa eterna (Tg 1.12).
• O sofrimento nos leva ao amor mútuo, ao serviço e à administração de nossos dons para o bem comum. Ele nos faz socorrer uns aos outros, unindo os cristão em um propósito comum (1Co 12.26; 2Co 1.5-7).
• O sofrimento produz discernimento, conhecimento, compreensão e nos permite compartilhar o que aprendemos e compreendemos com os outros.
• Por meio do sofrimento, Deus consegue obter nosso espírito quebrantado e contrito, que ele tanto deseja (1Pe 2.19-25).
• O sofrimento nos leva a disciplinar nossas mentes, fazendo-nos concentrar nossa esperança na revelação de Jesus Cristo. Torna o céu ainda mais maravilhoso e nos faz antecipá-lo com ainda mais alegria (2Co 4.16-18).
• O sofrimento nos ensina a contar nossos dias para que possamos apresentar a Deus um coração sábio (Sl 90.7-12).
• O sofrimento, por vezes, faz parte do processo de alcançar os perdidos com o evangelho (1Pe 3.13-15).
• O sofrimento nos permite tornarmo-nos fortes o suficiente para amparar os fracos (2Co 1.3-5).
• O sofrimento nesta vida será recompensado na vida futura (Tg 1.12; Rm 8.18; 1Pe 4.19).
• O sofrimento está sempre acompanhado de uma graça ainda maior (2Co 12.7-10).
• O sofrimento nos ensina a dar graças nos momentos de tristeza e a valorizar os momentos em que não sofremos (1Ts 5.18; Ef 5.20).
• O sofrimento aumenta a fé (Tg 1.2-3).
• O sofrimento nos ensina que o maior bem da vida cristã não é a ausência de dor, mas a semelhança com Cristo (2Co 4.8-10; Rm 8.28-29).
• O sofrimento permite que Deus manifeste o seu cuidado (Sl 56.8).
Deus deseja a verdade no íntimo do nosso ser, e uma das maneiras pelas quais ele a alcança é através do sofrimento. Precisamos entender isso. É por isso que Tiago diz “sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.3-4).
Então, como devemos suportar nossas provações? Com uma atitude alegre, com uma mente compreensiva, com uma vontade submissa e com um coração que crê. Como vimos na última vez, Tiago diz:
Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos (Tg 1.5-8).
Estudamos esses versículos no sermão anterior, mas você questiona: De que maneira Deus transmite essa sabedoria? Resposta: em primeiro lugar, por meio das Escrituras. Em segundo lugar, por meio das circunstâncias.
Nos sermões anteriores vimos as quatro primeiras atitudes que devemos ter diante da provação: atitude de alegria, mente compreensiva, vontade submissa e fé. Vamos avançar agora para a quinta atitude.
5) A perseverança em meios às provações exige um espírito humilde
As provações são um teste da verdadeira fé. Queremos passar pelas provações triunfantemente, isso requer uma atitude alegre, uma mente compreensiva, uma vontade submissa, um coração crente e, finalmente, um espírito humilde. Isso é obviamente essencial. Uma das coisas que Deus está fazendo em seu sofrimento é humilhá-lo. Tiago diz:
O irmão, porém, de condição humilde glorie-se na sua dignidade, e o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva. Porque o sol se levanta com seu ardente calor, e a erva seca, e a sua flor cai, e desaparece a formosura do seu aspecto; assim também se murchará o rico em seus caminhos. (Tg 1.9-11).
Na igreja não há muitos nobres e nem muitos poderosos (1Co 1.26). Tiago escreveu para crentes dispersos por toda parte, que estavam sofrendo duras perseguições e perda de seus bens. Eles estavam vivendo em pobreza e, por causa de sua fé em Cristo, eles eram rejeitados pelas comunidades judaica e gentia.
Tiago diz: “O irmão, porém, de condição humilde glorie-se na sua dignidade…” (Tg 1.9). “Glorie-se” refere-se à “ostentação de um privilégio ou bem”, a alegria de um orgulho legítimo. Embora nada tendo neste mundo, o cristão pobre pode se alegrar em sua alta posição espiritual diante de Deus por meio da graça e da esperança que isso traz (Rm 8.17-18; 1Pe 1.4). Ele pode não ter nada neste mundo, mas sua posição diante de Deus é elevada e suficiente.
Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós (Rm 8:17-18).
Sofremos voluntariamente, cientes da glória que nos está reservada nos céus. Esse é o ponto principal. Temos as verdadeiras riquezas, uma esperança sólida e indestrutível. Temos uma herança reservada para nós nos céus, uma herança segura no poder de Deus. Pedro escreveu:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder o seu valor. Herança guardada nos céus para vocês que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo. Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado (1Pe 1.3-7).
Em outras palavras, Tiago diz aos crentes judeus dispersos:
Se você é pobre, se você é humilhado socialmente e economicamente, aceite essa humilhação, porque a pobreza é uma provação passageira, dura apenas nesta vida. E aqueles que são pobres e estão em Cristo têm a esperança das riquezas eternas. Não busque alegria neste mundo. Se você buscar alegria nas circunstâncias da vida, nunca encontrará a verdadeira alegria. Mantenha seu foco no céu, tornando as realidades espirituais e as riquezas eternas ainda mais preciosas.
O homem rico tem um problema diferente. Tiago escreveu: “[glorie-se] o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva” (Tg 1.10). A maioria dos ricos teme muito a possibilidade de perder suas riquezas. Mas que o irmão rico se alegre quando for humilhado ou quando perder tudo, porque ele não deveria ter orgulho de suas posses, nem esperança em sua posição. Que ele se alegre quando for humilhado, porque a humildade é preciosa para a vida espiritual.
Havia algumas pessoas ricas na igreja primitiva, e elas tinham que lidar com um certo estigma. Pessoas ricas gostam de andar com outras pessoas ricas, você já percebeu isso? Elas não se sentem muito à vontade com pessoas da ralé, como nós. Mas a igreja simplesmente quebra tudo isso. E se você é rico e está em Cristo, estará ligado a pessoas simples e sem nobreza. E isso requer um coração humilde.
Os crentes ricos, portanto, convivem em comunhão com os pobres. E sabe o que acontece? Os pobres precisam muito do que eles têm, e se realmente honram a Cristo, estão dispostos a compartilhar. Assim, os ricos, embora do ponto de vista terreno possuam certo prestígio, uma vez convertidos a Cristo, passam a pertencer à família de Deus; e há uma certa humilhação perante as pessoas com quem têm de conviver em igualdade de importância.
Bem, que os ricos se alegrem com isso, diz Tiago. Que os ricos se alegrem com tudo o que os humilha. Que os pobres se alegrem com a sua humilhação. Que todos se alegrem com a humilhação, porque o caminho para a maturidade espiritual passa diretamente pelo processo de humilhação.
O pobre pode se alegrar porque sua fé em Cristo o eleva acima de suas provações, e ele contempla a glória de sua posição em Cristo. O pobre que não tem absolutamente nada é elevado a grandes alturas porque contempla que é, de fato, filho de Deus. Ele é gloriosamente rico, apenas ainda não recebeu sua “herança que não pode ser destruída, que não fica manchada, que não murcha e que está reservada nos céus” (1Pe 1.4).
E a fé faz algo igualmente abençoador ao irmão rico. Ela o enche com o Espírito de Cristo. Ela o une aos humildes e aos desfavorecidos, e lhe dá um espírito de humildade e penitência. Assim como o irmão pobre esquece toda a sua pobreza terrena, o irmão rico esquece todas as suas riquezas terrenas, e ambos percebem que são iguais em Cristo. A verdadeira humildade aceita tanto os pobres quanto os ricos. De qualquer forma, não se apegue demais ao que você tem e não viva sua vida tentando obter o que você não pode.
Em síntese, as provações fazem com que todos os cristãos dependam igualmente de Deus e os colocam no mesmo nível para que deixem de se preocupar com as coisas terrenas. Os cristãos pobres e os ricos podem se alegrar porque Deus não faz acepção de pessoas e porque eles têm o privilégio de ser identificados com Cristo.
Para enfatizar como tudo nesta vida é temporário, Tiago escreveu:
[glorie-se] o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva. Porque o sol se levanta com seu ardente calor, e a erva seca, e a sua flor cai, e desaparece a formosura do seu aspecto; assim também se murchará o rico em seus caminhos. (Tg 1.10-11).
Tiago traz uma imagem das flores e dos campos floridos das terras de Israel, que ficam coloridos em fevereiro e secam por volta de maio. Essa é uma referenda clara a Isaías 40.6-8, que fala do vento ardente que queima e destrói a vegetação que está em seu caminho. Essa imagem da natureza ilustra como a morte e o juízo sob o controle de Deus podem rapidamente acabar com a dependência que o rico tem dos bens materiais
Tiago está dizendo que você precisa ser humilde em meio a tudo isso. Você precisa aceitar que Deus está no processo de te humilhar. E quanto mais humilde você for, menos dependente das coisas do mundo você será; quanto mais manso você for, mais semelhante a Cristo você será.
Então, esse é o primeiro teste de Tiago. É um teste de verdadeira fé. Se você é um cristão de verdade, você sobreviverá à provação. A provação pode ser: a perda de um emprego; uma ofensa pessoal por parte de alguém na igreja; um cônjuge que lhe traiu; uma doença grave; a morte de um familiar; a dor; a perda etc. Um puritano escreveu: “os sofrimentos são apenas lascas da cruz“.
Uma história de perseverança diante de provações inimagináveis
Há pouco tempo, uma família de missionários de nossa igreja, que serviu na Índia por 35 anos, sofreu um grave ataque de uma turba anticristã. Graham e dois de seus filhos foram queimados vivos. Sua esposa Gladys e os demais filhos não estavam no local e sobreviveram. Penso que você não consiga pensar em nada mais inimaginável do que ter sua família incinerada por uma multidão radical depois de ter servido fielmente ao Senhor por tantos anos.
Conversei com Gladys sobre isso esta semana e perguntei: “Qual a sua reação a isso?” Ela respondeu: “Bem, não estou com raiva, apenas triste.” Eu perguntei: “E como você vê o futuro?” “Ah”, ela disse, “eu jamais cogitaria ir embora. Só preciso assumir o trabalho do meu marido e continuar a obra”. Que fé inabalável!
Então eu disse a Gladys: “Posso te fazer uma pergunta pessoal? Quero dar um conselho aos jovens. O que você diria a um jovem hoje que está se preparando para ir ao campo missionário?” Instantaneamente, ela respondeu: “Primeiro, tenha certeza de que você foi chamado; segundo, esteja disposto a dar a sua vida.” Isso aconteceu poucos dias depois do incêndio criminoso que matou sua família.
Você diria que ela passou no teste? Eu diria que sim. Não se pode destruir a fé salvadora com uma provação; tudo o que se pode fazer é manifestar o seu caráter. E há um triunfo em conversar com essa mulher, em meio a tudo isso, com uma atitude alegre, uma mente compreensiva, uma plena compreensão da obra de Deus nisso tudo, uma vontade submissa e uma plena confiança em Deus. Gladys permanecerá firme, mesmo que ela e sua filha de treze anos tenham que dar a vida.
Um coração cheio de fé. Tenho certeza de que ela tem estado diante do Senhor incessantemente desde então, pedindo sabedoria para resolver tudo.
E ela disse: “nós temos administrado um leprosário aqui, além de pregar o evangelho e trabalhar com povos indígenas. Somos os únicos missionários na região. Não há mais ninguém para cuidar dos leprosos neste lugar. E eu não sei tudo o que meu marido fazia, então estou aqui tentando aprender tudo e pedindo sabedoria a Deus.” O que também me tocou profundamente foi a humildade dela. Ela literalmente se submeteu aos propósitos de Deus.
Declarações piedosas sobre a atitude de um crente diante das provações
George Whitefield (1714-1770) disse:
Todas as provações têm dois propósitos: que possamos conhecer melhor o Senhor Jesus e conhecer melhor nossos próprios corações.
O Cardeal Richelieu (1585-1642) disse:
Uma pessoa virtuosa e bem-intencionada é como um bom metal: quanto mais é aquecida, mais refinada; quanto mais se opõe, mais é aprovada. As injustiças podem até mesmo prová-la e afetá-la, mas jamais imprimirão nela qualquer marca falsa.
Ella Wheeler Wilcox (1850-1919) disse:
Não duvidarei, mesmo que todos os meus navios no mar voltem à deriva com mastros e velas quebrados; acreditarei na mão que nunca falha, que do aparente mal opera o bem para mim. E embora eu chore porque as velas estão danificadas, ainda assim clamarei; enquanto minhas melhores esperanças estiverem despedaçadas eu direi: ‘Confio em Ti’. Não duvidarei, mesmo que todas as minhas preces retornem sem resposta; acreditarei nisso como um amor onisciente que recusou as coisas pelas quais anseio; e embora às vezes eu não consiga conter a tristeza, o puro ardor da minha fé inabalável arderá sem se apagar.
Não duvidarei, mesmo que as tristezas caiam como chuva e os problemas se aglomerem como abelhas em torno de uma colmeia; acreditarei que as alturas pelas quais luto só são alcançadas pela angústia e pela dor; e embora eu gema e trema com as minhas cruzes, ainda assim verei, através das minhas maiores perdas, o ganho maior. Não duvidarei, bem ancorado na fé, como um navio forte, minha alma enfrenta cada vendaval; tão forte é a sua coragem que não deixará de enfrentar o poderoso e desconhecido mar da morte. Oh, que eu possa clamar, quando o corpo se separar do espírito, ‘Eu não duvido’, para que os mundos que ouvem possam ouvi-lo, com meu último suspiro.
O puritano William Perkins (1558-1602) escreveu:
Eis uma diferença notável entre os piedosos e os ímpios. Ela se manifesta no sofrimento das provações. Um réprobo – uma pessoa ímpia – quanto mais o Senhor impõe a sua mão sobre ele, mais ele murmura e se rebela contra Deus. Os fiéis, quando se sentem oprimidos pelo pecado, atormentados pelos conflitos de Satanás, quando sentem até mesmo a ira de Deus ofendida contra eles, lançam-se nos braços da misericórdia de Deus, agarram a mão de Deus que os açoita e a beijam.
Conclusão
Nossas provações deveriam ser doces para nós por causa dessas considerações. Existe um Deus todo-poderoso, onisciente, infinitamente misericordioso e soberano que as conhece. Esse Deus me deu no passado e me dá agora indícios do seu amor por mim, tanto em sua providência quanto em sua graça, e através do sofrimento.
O sofrimento é uma prova do amor de Deus, um amor do qual ele nunca se arrepende e nunca retira, mas um amor que o impele ao nosso aprimoramento. Tudo o que acontece em minha vida é resultado da sua vontade. Minhas aflições fazem parte do seu plano; todas são ordenadas em número, peso e medida.
Meus sofrimentos não são resultado do acaso ou acidente, ou de alguma combinação fortuita de circunstâncias, mas sim a realização providencial dos propósitos de Deus, destinados a atingir um fim maior: o da minha maturidade espiritual e semelhança com Cristo. Além disso, minha aflição nunca durará um momento a mais do que Deus determinou. E aquele que a trouxe a mim me sustentará durante a provação até a vitória. Portanto, alegrar-me-ei em minhas provações.
Bem-aventurado é aquele que suporta com perseverança a provação. Porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam (Tg 1.12).
Pai, nós Te agradecemos por este momento, pela alegria de contemplar a Tua Palavra, a Tua verdade, pela clareza com que a Palavra de Deus fala sobre uma questão tão pertinente que afeta a vida de todos nós. Impele-nos, com esta verdade, a ter o que é exigido neste texto: uma atitude de alegria, uma mente compreensiva, uma vontade submissa – tão crucial, tão essencial –, um coração crente e humildade. Produz isso em nós, mesmo enquanto usas as provações para nos tornar semelhantes a Cristo, em nome de Cristo. Amém.
Leia tambem:
- Como Suportar as Provações (1)
- Como Suportar as Provações (2)
- A Bênção do Sofrimento
- Lições do Sofrimento de Jó
Este texto é uma síntese do sermão “How to Endure Trials, Part 3”, de John MacArthur, em 14/2/1999.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/90-207/how-to-endure-trials-part-3
Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno
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