Como Suportar as Provações (2)

Precisamos ter uma fé verdadeira e inabalável, crermos que Deus é soberano e amoroso, e que é nosso Salvador e Pai. Os verdadeiros cristãos creem assim em quaisquer circunstâncias, por isso vivem em triunfo. No meio das terríveis tribulações que passou em seu ministério, Paulo escreveu: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13).

Na última vez começamos a analisar Tiago 1.2-12, um texto maravilhoso das Escrituras, o tema do triunfo na adversidade. Estamos sujeitos à grandes provações, perdas de familiares, crise financeira, violência, doença etc. Essas coisas nos assustam. A maioria das pessoas nutre, de alguma forma, um medo oculto e persistente de alguma tragédia impensável.

Há pouco tempo, uma família de missionários de nossa igreja, que serviu na Índia por 35 anos, sofreu um grave ataque de uma turba anticristã. Graham e seus dois filhos foram queimados vivos. Sua esposa Gladys e os demais quatro filhos não estavam no local e sobreviveram. Penso que você não consiga pensar em nada mais inimaginável do que ter sua família incinerada por uma multidão radical depois de ter servido fielmente ao Senhor por tantos anos.

Muitas vezes nos lembramos de Jó e do horror de sua situação. Por pior que tenha sido, está tão distante de nós que provavelmente não nos impacta da mesma forma que algumas coisas que acontecem em nossa época.

Fé, provação, obediência e aprovação – O exemplo de Abraão

Mas se você olhar para a Bíblia e se perguntar: qual é o trauma mais impensável? Qual é a tragédia mais profunda que poderia ocorrer? Certamente Jó estaria nessa lista, mas talvez a provação mais severa pela qual alguém já passou, conforme registrado no Antigo Testamento, tenha sido enfrentada por um homem chamado Abraão.

Abraão e Sara não tinham filhos. Deus lhe disse que ele seria o pai de uma grande nação (Gn 12.1-2). Seus filhos seriam como a areia do mar. Eles seriam um povo especial, favorecido por Deus, de modo que as nações da Terra seriam tratadas por Deus em resposta a como trataram a descendência de Abraão.

Através de Abraão, o mundo seria abençoado. Qualquer um que amaldiçoasse seu povo seria amaldiçoado, qualquer um que abençoasse seu povo seria abençoado (Gn 12.3), a grande aliança abraâmica. Abraão e Sara não podiam ter filhos, mas Deus milagrosamente permitiu que tivessem um filho, Isaque  (Gn 21.1-7).

Em Gênesis 22, está escrito que, depois do nascimento de Isaque, e de ele já ser um jovem adulto, Deus pôs Abraão à prova e lhe disse: “Abraão!”. Ele respondeu: “Eis-me aqui”. Então Deus disse: “Toma teu filho, teu único filho, a quem amas” – Deus está enfatizando todas essas realidades para nos fazer compreender a dificuldade da provação: “Toma teu filho, Isaque, teu único filho, a quem amas, vai à terra de Moriá e oferece-o ali em holocausto num dos montes que eu te mostrarei”.

Um teste absolutamente inacreditável. Se Isaque perecesse, toda a promessa abraâmica também pereceria e toda a esperança de descendência na velhice de Abraão se esvairia. Mas o mesmo Deus que fez a promessa e tocou os lombos de Abraão e Sara para que ela se cumprisse, agora vem e dá a ordem para matar a própria promessa.

O que tornou essa a provação mais severa de todas não foi o fato de Isaque ter que morrer, mas sim o fato de Abraão ter que matá-lo. Inimaginável, matar o filho a quem se ama. Mas Abraão levantou cedo e levou Isaque para cumprir o que Deus lhe havia pedido.

Isaque lhe perguntou: “Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22.7). Mas o próprio Isaque seria o sacrifício. Mas Abraão lhe respondeu: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (Gn 22.8). Provavelmente Abraão cria que Deus proveria. E então:

Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho. Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho. Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar — O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor proverá (Gn 22.11-14).

Este fato mostra que podemos ser testados em pessoas e coisas que nos são mais próximas e queridas, até mesmo um membros da família. Podemos ter que oferecer nosso próprio Isaque, estar dispostos a entregar aqueles que amamos ao Senhor, não apenas na morte, mas também em vida. Abraão estava disposto a renunciar a Isaque. E ao fazer isso, ele mostrou que tinha o direito de ficar com ele. Ele não seria possessivo com aquele filho, mas o entregaria à vontade de Deus. Isso é uma prova.

Há pais que não querem que seus filhos entrem para o ministério ou para um campo missionário, mesmo havendo um forte chamada em seus corações. Mas, não importa a provação que enfrentemos, jamais seria como esta: sermos obrigados a matar o próprio filho. Deve-se dizer, porém, que quanto mais difícil a obediência, mais excelente ela é. Quanto mais abnegação é exigida, mais genuína é a fé demonstrada. E Abraão passou no teste. O Anjo do Senhor disse: “Eu sei que você teme a Deus” (Gn 22,12), ou seja, “você passou no teste”.

Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou (Hb 11.17-19).

A questão principal é que Abraão estava disposto a fazer tudo o que Deus lhe pedisse. Ele cria em Deus, mesmo que Deus não tivesse providenciado um cordeiro para o sacrifício. Gálatas 3.6 diz que Abraão “creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça”.

Mas esse tipo de fé e obediência é supremo. Não conheço nenhuma outra obediência bíblica que possa superá-la. É por isso que em Gálatas 3:6-7 diz: “assim também Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão”.

Em outras palavras, Abraão estabeleceu o padrão. Ele é o símbolo e o modelo da fé. Ele creu contra toda esperança de que uma criança pudesse nascer e assim ele seria pai de muitas nações (Rm 4.18). Ele creu contra toda a razão e natureza humana que, se necessário, Deus poderia ressuscitar os mortos. E ele passou no teste da fé e temeu a Deus. Ele estabeleceu o padrão para nós. A vida terá suas provações, seus problemas e suas perdas. 

Isso nos leva de volta ao texto bíblico que começamos a ver no sermão anterior

Tiago 1
2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações,
3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.
4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes. Como obter a sabedoria
5 Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.
6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.
7 Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa;
8 homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos. As circunstâncias terrenas são transitórias
9 O irmão, porém, de condição humilde glorie-se na sua dignidade,
10 e o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva.
11 Porque o sol se levanta com seu ardente calor, e a erva seca, e a sua flor cai, e desaparece a formosura do seu aspecto; assim também se murchará o rico em seus caminhos.
12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

A maioria das pessoas sonha com um mundo de facilidades, com uma vida de conforto perfeito e apenas o mínimo de provações. E acho que um alívio momentâneo das provações nos faz pensar que talvez seja sempre assim. Davi pensou assim, ele escreveu: “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado” (Sl 30.6). Thomas Manton, um escritor puritano, disse: “Deus tem apenas um Filho sem pecado, mas não tem nenhum sem sofrimento”.

As provações vêm de Deus. Deus permite as provações porque ele tem muitos propósitos com elas. Mas o propósito principal que vemos abordado no caso de Abraão e no que Tiago diz é testar a força da nossa fé. Ezequias foi abordado com as seguintes palavras: “Deus o desamparou, para prová-lo e fazê-lo conhecer tudo o que lhe estava no coração” (2Cr 32.31).

As provações da vida testam: a) nossa humildade; b) se temos uma opinião elevada sobre nós mesmos; c) se temos a ilusão de que somos tão bons que Deus jamais precisaria nos provar; d) nosso apego às coisas mundanas. Quando as coisas terrenas nos são arrancadas, descobrimos se somos ou não mundanos.

As provações da vida, o sofrimento, a dor, a tristeza e a perda também testam se temos uma mentalidade voltada para o céu, se realmente vivemos sob uma perspectiva eterna. E as provações da vida também testam o que realmente amamos. Todas essas coisas testam a força e o caráter da nossa fé, bem como a nossa humildade. Também testa se conseguimos suportar o sofrimento de bom grado porque sabemos que não merecemos nada mais.

Testam se estamos absorvidos pelas coisas mundanas ou se temos os nossos afetos voltados para as coisas do alto. Testam o que realmente amamos. Veja o caso de Abraão. Havia algo mais precioso para Abraão do que Isaque? Sim! Deus! E o teste revelou a quem Abraão amava mais. Ele amava Isaque. Está escrito isso. Mas ele amava a Deus ainda mais.

E as provações da vida nos mostram se estamos dispostos a sofrer para experimentar a graça em abundância. Nossos sentidos nos dizem para valorizar a segurança terrena, o prazer e as coisas que nos fazem felizes. A fé nos ensina a valorizar Deus, sua obra e a graça divina derramada em meio ao sofrimento. É como diz a música: “Se eu não tivesse problemas, nunca saberia que Deus poderia ser meu socorro. Eu perderia toda essa graça.”

O Salmista declarou: “porque a tua graça é melhor do que a vida; os meus lábios te louvam” (Sl 63.3). A coisa mais doce na vida é a graça de Deus. Tiago 1.2-12, diz que as provações são designadas por Deus para nos testar e nos fortalecer. Thomas Manton escreveu: “Enquanto tudo está calmo e confortável, vivemos pelos sentidos em vez da fé, pois o valor de um soldado nunca é conhecido em tempos de paz”.

O verdadeiro caráter se revela em meio às provações. E, portanto, temos provações. Elas são inevitáveis. Somos criaturas caídas em um mundo caído. Não apenas temos que suportar as consequências normais do pecado, mas também o fato de que o próprio Deus traz e permite provações em nossas vidas com o propósito de nos testar e nos fortalecer.

Em Tiago 1.2-12 há algumas questões práticas a serem consideradas. Há uma pergunta muito séria: o que é necessário para ser aprovado em meio às provações, se beneficiar das provações, sair mais forte das provações, vencer, perseverar e resistir às provações? Essa é a pergunta que começamos a responder no sermão anterior, em que vimos as três primeiras coisas necessárias para lidarmos com as provações.

1) A primeira coisa a cultivar em meio a uma provação é uma atitude de alegria: “meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1.2).

2) A perseverança em meio às provações exige uma mente compreensiva, ou seja, precisamos saber que a prova da nossa fé produz perseverança: “sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1.3).

3) A perseverança em meio às provações exige uma vontade submissa. Nunca devemos hesitar em deixar Deus realizar sua obra de aperfeiçoamento: “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1.4)

Agora, vamos avançar para mais algumas coisas necessárias para lidarmos com as provações.

4) Fé. Um coração que crê.

Você diz:

Eu gostaria de ter uma atitude alegre, de ter uma mente compreensiva para entender que a provação que Deus permite é para o meu bem e de descansar nos propósitos de Deus. Mas luto para manter meu coração alegre, entender que a provação é necessária e de ter um coração submisso. Preciso de um entendimento mais profundo e de sabedoria espiritual para não ficar tão perplexo e tão fraco.

Tiago 5.8 diz: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus…”. O que é sabedoria? Não estou falando de conceitos filosóficos, mas de uma compreensão prática das questões da vida. A sabedoria é fundamental durante as provações.

Ao ler Salmos, Provérbios e Eclesiastes, percebe-se que os autores eram fascinados pela sabedoria. Mas a única coisa que realmente resolve os problemas da vida é a sabedoria de Deus encontrada nos Provérbios e nos Salmos. E quando observamos a sabedoria humana no livro de Eclesiastes, tudo é vaidade e futilidade.

O que queremos é uma compreensão prática das questões da vida, para que possamos entender o que está acontecendo e por que está acontecendo. Diferente dos gregos, os judeus entendiam que a sabedoria nos leva compreender a vida à luz de Deus. Em meio a tudo o que acontecia, enxergar Deus em ação.

O salmista disse: “Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto, está alegre o meu coração e se regozija a minha glória…” (Sl 16.8-9). É difícil ficar deprimido quando se vê a vida sempre como algo que envolve Deus e seus propósitos.

Quando você está passando por uma provação e se sente fraco, desejando força, recursos e entendimento, e tentando se manter firme, onde você busca sabedoria? Bem, você poderia recorrer ao psicólogo, ao psiquiatra etc., ou seja, buscar sabedoria no mundo.

Mas Jó 28.12-13 diz: “Onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência? O homem não lhe conhece o valor; não se acha na terra dos viventes”. Se você quer sabedoria, não a procure neste mundo. Ela não está disponível no mundo.

Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar. Porque ele vê as extremidades da terra; e vê tudo o que há debaixo dos céus […] eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência. (Jó 28.23-24,28).

Você só entra no reino da sabedoria quando se aproxima de Deus. Apenas em Deus você encontrará sabedoria. Você nunca conseguirá resolver os problemas da vida buscando soluções humanas.

Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento. Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e afaste-se do mal. Isto será como um remédio para o seu corpo e refrigério para os seus ossos. (Pv 3.5-8).

Há sabedoria a ser compreendida em cada provação da vida. Ela não está disponível, porém, em nenhuma fonte humana. Tiago 5.17 diz que “a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia”. Por outro lado, ele escreveu que a sabedoria humana é diabólica e terrena, cheia de amarga inveja e sentimento faccioso, que resulta em perturbação e toda obra perversa (Tg 3.14,16-17).

Então, você está passando por uma provação e questiona: Por que isso está ocorrendo? Perguntas como as que Jó fez. E você se pergunta como pode compreender as questões da vida que o afetam? Salomão sabia da importância disso. Em 1 Reis 3.9-15 ele teve a oportunidade de pedir qualquer coisa a Deus. O que ele pediu? Sabedoria.

Você vai enfrentar uma provação após outra na vida, enquanto Deus, em seus maravilhosos propósitos, testa a sua fé, fortalece você, refina você e descobre se você está apegado às coisas terrenas, se sua mente está voltada para o céu e o que você realmente ama.

Deus trará todas essas coisas para a sua vida e, por meio das provações, fortalecerá você e o tornará, como Tiago 1.4 diz: “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma”.

Pedir sabedoria

Como podemos compreender quando as provações chegam? A primeira resposta é que as Escrituras diz é que essa compreensão não está disponível no reino terreno. Toda a sabedoria deste mundo é natural ou demoníaca. Por isso Tiago escreveu: “se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus” (Tg 1.5).

O verbo grego está no imperativo presente e ativo, não algo opcional, é uma ordem . Em todos os momentos em que você não consegue resolver os problemas da vida, peça sabedoria a Deus. Eu realmente acredito que esta é uma das principais razões pelas quais Deus traz provações para a nossa vida: para aumentar a nossa dependência. Uma das coisas que as provações fazem conosco é nos colocar em uma posição em que nenhum recurso humano consegue resolver o problema.

E você pode dizer: “Bem, preciso de sabedoria ao enfrentar as provações. O que terei que fazer para obtê-la de Deus? Terei que bater à porta do céu?”. Tiago 1.5 diz: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada”. Deus dá a todos liberalmente, incondicionalmente, sem barganha e generosamente. Ele simplesmente derrama. Ele não retém absolutamente nada.

Provérbios 2.6-7 diz: “Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento […] ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos”. Aqui, estamos falando sobre oração. Estamos falando sobre a busca do conhecimento de Deus nas Escrituras.

Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração (Jr 29.11-13).

Quando você passa pelas provações da vida, Deus está lá para lhe dar toda a sabedoria necessária, basta que você se volte para Ele. Ele dá sabedoria a todos generosamente e sem censura. A intenção de Deus é que as provações te leve a uma dependência maior dele, reconhecendo a si mesmo como incapaz. Deus tem sabedoria em abundância (Rm 11.33) que está disponível àqueles que buscam. E Deus concede a sabedoria sem lançar em rosto nossos caminhos tolos.

Se você está passando por uma provação, tentando encontrar uma solução, recorra à Palavra de Deus, recorra ao Senhor em oração e peça a Ele sabedoria, e a sabedoria lhe será derramada, sem reservas e sem censura. Deus nos chama a buscar nossos recursos no alto, a uma vida de oração, a recorrer a ele como a fonte de tudo o que precisamos em meio às nossas provações.

Pedir sabedoria com fé

Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. (Tg 1.6).

Hebreus 11.6 diz que “sem fé é impossível agradar a Deus” e que precisamos crer em Deus e crer que ele recompensa aqueles que o buscam. É preciso crer que Deus é salvador, redentor, misericordioso e recompensador. Não há lugar para orações insinceras e baseadas em dúvidas.

Em meio à provação devemos nos entregar aos recursos de Deus com fé genuína de que ele proverá. Essa é a fé de um verdadeiro crente. Além disso, Tiago escreveu que não podemos ter dúvida e hesitação. Quando agimos assim, não estamos duvidando do poder de Deus, mas da provisão de Deus.

Precisamos ter uma fé verdadeira e inabalável, crermos que Deus é soberano e amoroso, e que é nosso Salvador e Pai. Os verdadeiros cristãos creem assim em quaisquer circunstâncias. No meio das terríveis tribulações que passou em seu ministério, Paulo escreveu: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). E aos irmãos e Filipos ele escreveu: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Fp 4.19).

Devemos orar sem jamais duvidar da natureza de Deus, do amor de Deus e da paternidade de Deus; de que Deus é nosso Salvador, nosso guardião, nosso suprimento e nosso provedor. Jamais duvidemos dessas verdades.

Esse é o tipo de fé que os judeus diziam que move montanhas, uma metáfora para realizar coisas difíceis. É o tipo de fé que é descrita como um grão de mostarda: começa pequeno, mas cresce muito. É uma fé crescente, persistente e alinhada com a natureza de Deus. Você ora e realmente crê que Deus pode e vai prover.

E se duvidarmos da provisão divina?

Pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa (Tg 1:6,7).

O mar é marcado pelas ondas, vento e marés incessantes. E, se você observar, ele não chega a lugar nenhum. É como ficar indeciso entre duas opiniões, como aqueles que não conseguiam decidir quem era Deus, Jeová ou Baal (1 Rs 18). É como aqueles que sacrificavam a demônios em um altar pagão e depois iam ao culto e comungavam (1Co 10). É como aquelas pessoas mornas na igreja de Laodiceia que Deus vomitou de Sua boca (Ap 3).

Essa é a pessoa que não tem fé verdadeira em Deus. Essa pessoa é descrente ou um cristão fraco e duvidoso agindo como um descrente. Tiago diz: “não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa“.

Se você debater com Deus e duvidar da sua provisão, amor, cuidado e soberania, quando chegar a hora da provação e você for a Deus sem fé, não espere receber sabedoria alguma, porque Tiago 1.8 diz: “O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos”. Ou seja, uma alma dividida entre Deus e o mundo nada receberá. Pessoas de mente dividida têm uma espécie de compromisso externo com  o cristianismo e com Deus, mas não é verdadeira devoção, não é uma verdadeira salvação.

Trata-se de uma pessoa que crê em Deus, mas não se comprometeu com Ele. É uma pessoa instável. Sua condição espiritual está, em geral, fora do reino. Ela não consegue lidar com as provações da vida, está à deriva. Ela é simplesmente castigada pelas tempestades da vida.

E ela gostaria de se aproximar de Deus para resolver seus problemas, mas não se comprometeu o suficiente com Deus, não tem aquela fé genuína, verdadeira e salvadora. Ou, se de fato um crente pode se enquadrar nessa categoria, ele se desviou tanto a ponto de agir como um descrente, e Deus não recompensa a dúvida.

Se estamos passando pelas provações da vida e não nos comprometemos com Deus, depositando sua confiança e fé em Jesus Cristo de todo o coração; se a nossa fé não é aquela fé salvadora que abrange tudo o que Deus é e tudo o que Deus promete; e se estamos lutando em meio às provações com duplicidade, dúvida, inquietação, hesitação e vacilação, não esperemos que Deus nos dê a sabedoria necessária para encarar os problemas da vida.

A sabedoria que vem do alto é concedida somente àqueles que são filhos de Deus. Se você é um crente confuso, se está tropeçando e se atrapalhando em algum padrão de pecado e tentando buscar sabedoria em meio à provação sem lidar com esse pecado, não espere que Deus honre essa duplicidade e hipocrisia.

Se quisermos receber sabedoria de Deus, precisamos pedir com fé, com uma atitude alegre, uma mente compreensiva, uma vontade submissa e um coração que crê. Há mais um requisito, isso veremos na próxima vez. Vamos orar.

Pai, a vida é repleta de lutas e precisamos muito dessa grande esperança e confiança que encontramos em Tua Palavra. Oramos pela querida Gladys Staines e sua filha pequena, pela terrível perda de seu fiel e amado marido e de seus dois preciosos filhos, de nove e sete anos. E eu oro, Senhor, para que a paz que excede todo entendimento reine em seu coração e no coração de sua filha. Agradeço-Te pela evidente graça demonstrada em sua resposta a essa situação. Oro para que ela receba sabedoria em abundância em meio a essa dor, para que possa ter alegria mesmo no centro da mais inimaginável tristeza.

E, Pai, para todos os desafios da vida que enfrentamos e enfrentaremos, concede-nos essa abordagem triunfante. Dá-nos uma atitude de alegria, uma mente compreensiva. Senhor, ajuda-nos – ajuda-nos a enxergar as coisas de forma que possamos exercer uma vontade submissa e, para aquilo que não conseguimos compreender, um coração crente que se achega a Ti em oração sincera e dedicada, buscando em Ti a sabedoria necessária, com a confiança de que a darás generosamente. Sem nos repreender, Tu nos concederás tudo o que precisamos. E por meio de nossas provações, Senhor, Tu nos conduzirás à força, à maturidade e à utilidade. E, depois de sofrermos um pouco aqui, Tu nos terás fortalecido para a maior glória do nosso Salvador. E oramos em Seu maravilhoso nome. Amém.


Leia tambem: 


Este texto é uma síntese do sermão “How to Endure Trials, Part 2 ”, de John MacArthur, em 31/01/1999.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/90-206/how-to-endure-trials-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


Clique aqui e leia outros sermãos traduzidos da carta de Tiago


 

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