As Realidades do Céu

O céu pertence àqueles que reconhecem sua própria miséria, que sabem que suas almas estão ressecadas pelo pecado e completamente secas, e sabem que não têm o que precisam. Aqueles têm sede de salvação são os que a recebem. Começa com um coração que suplica e anseia a partir de um profundo sentimento de sede espiritual.

Eclesiastes 3:11 diz que “Deus pôs a eternidade no coração do homem”, ou seja, há um anseio no coração do homem pela vida eterna. Sem a esperança da eternidade e do céu, a vida se reduz ao que Macbeth disse após a morte da rainha: “a vida não passa de uma sombra ambulante, um pobre ator que se pavoneia e se agita durante sua hora no palco. E então não se ouve mais nada. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, que nada significa”.

A expectativa da vida eterna é a única realidade que pode fazer com que a vida tenha significado. E ao chegar ao fim da Bíblia, nos capítulos 21 e 22 de Apocalipse, temos a descrição do céu. Vemos uma apresentação maravilhosa da realidade do céu, a esperança no futuro que torna a vida no presente digna de ser vivida.

A partir do capítulo 21, versículo 9, temos uma descrição muito detalhada da nova Jerusalém, a capital do céu, a cidade santa que desce da presença de Deus para o estado final e eterno. Mas antes de analisarmos essa descrição, há uma introdução nos versículos 1 a 8. O texto diz:

Apocalipse 21
1 Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
2 Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.
3 Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.
4 E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.
5 E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
6 Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.
7 O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.
8 Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.

Depois de ler isso, somos inicialmente lembrados da realidade de que vivemos em um mundo que caminha para a destruição, ele simplesmente será incriado e deixará de existir. O texto bíblico diz: “o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1). Isso ocorrerá após o reino milenar e o juízo do grande trono branco (Ap 20).

A descrição profética do apóstolo Pedro sobre os acontecimentos do fim e o novo céu e nova terra

Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. (2Pe 3.7)

Pedro podia antecipar a dissolução dos céus e da terra atuais. Isso acontecerá no tempo do julgamento final de Deus, o tempo que chamamos de “dia do Senhor”, em que os ímpios serão lançados no lago de fogo. Ele continua dizendo:

Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia (2Pe 3.8).

Deus entende o tempo de um modo muito diferente do ser humano. Pela nossa perspectiva a volta de Cristo parece estar muito longe (cf. SI 90.4). Pela perspectiva de Deus, ela não demorará. Além dessa referência geral, essa talvez seja uma indicação específica do fato de que há, na realidade, mil anos entre a primeira fase do “Dia do Senhor” no final da tribulação (Ap 19) e a última fase no final do reino milenar (Ap 20), quando o Senhor criará o novo céu e a nova terra.

Em 2 Pedro 3.4-7 Pedro descreve o retorno de Cristo em juízo contra os ímpios antes do reino milenar. Ele diz: “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios” (2Pe 3.7). Descrevendo o fim do reino milenar e a criação do novo céu e da nova terra, Pedro diz:

Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. (2Pe 3:10-13).

Quando o Dia do Senhor chegar, virá como um ladrão, inesperadamente. E isso descreve o que deve acontecer no fim do reino. Depois daquele momento a criação será reduzida a nada, e o Senhor criará novos céus e nova terra, 

O céu na visão do Apóstolo João

O novo céu e a nova terra que Pedro viu são precisamente aqueles que João vê em sua própria visão nos dois últimos capítulos de Apocalipse, onde encontramos a melhor descrição da morada eterna dos santos. Lembre-se de que os ímpios já foram lançados no lago de fogo (Ap 20.11-15). João então viu a morada de todos os crentes para sempre.

No sermão anterior vimos que, em primeiro lugar, João viu o aparecimento do novo céu e da nova terra. Ele escreveu: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1).

Em segundo lugar, ele viu também a capital do céu. Ele escreveu: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”. Ela é vista descendo como uma noiva ataviada para seu marido, porque ela abriga os santos de todas as eras.

E, em terceiro lugar, a realidade suprema. João escreveu: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles”. Ou seja, a comunhão eterna dos santos com Deus.

O que não existirá no céu?

Agora vamos avançar para as diferenças que experimentaremos na eternidade celestial. João escreveu sobre o que não existirá nos céus, pois não podemos compreender o que não podemos ver e perceber. A velha experiência aqui nesta Terra atual se foi para sempre. Todas as coisas que compõem a vida aqui estarão completamente ausentes lá. Ele diz:

E [Deus] lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram (Ap 21:4).

1) Deus vai enxugar toda lágrima dos olhos dos santos

Isso não significa que chegaremos lá chorando. Paulo diz que “cada um receberá o seu louvor da parte de Deus” (1Co 4:5). Não chegaremos lá sob qualquer efeito do pecado, pois a obra justificadora de Cristo nos livrou de toda condenação (Rm 8.1).

Não chegaremos lá gemendo, lamentando e chorando para o Senhor enxugar nossas lágrimas. O que João quis dizer é que nunca haverá uma lágrima no céu, nenhuma tristeza, decepção, solidão, remorso, arrependimento, ansiedade, sofrimento, injustiça, pobreza etc., pois as primeiras coisas já passaram. Elas não existem mais. Não há mais motivo para choro

2) “… E a morte já não existirá”.

Paulo escreveu: “E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15:54).

João escreveu que “a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo” (Ap 20.14). A morte morreu e se foi para sempre, junto com aquele que tinha o poder da morte. Hebreus 2:14 diz que Jesus participou da carne e do sangue “para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”.

3) “já não haverá luto, nem pranto”.

Não haverá nada para se deprimir e se angustiar. Muitos terão que descobrir uma nova maneira de viver, porque isso toma muito o tempo deles nesta vida. Mas o Senhor ficará feliz em lhes dar algumas coisas novas para se ocuparem. É o cumprimento de Isaías 53.3-4, que diz:

Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si…

Na cruz, Jesus levou o nosso pecado e, por fim, também levou a nossa tristeza e sofrimento. Quando chegarmos à glória não haverá motivo para luto. Lá estaremos livres totalmente do pecado e de todas as suas consequências. Não haverá mais luto e nem pranto.

4) Não haverá mais dor.

Isaías 53.4-5 diz que Jesus “tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” e que “pelas suas pisaduras fomos sarados”. Ele não fala apenas de cura espiritual. Na cruz Jesus morreu por nossas doenças, e um dia todas elas desaparecerão. Ele morreu pelas nossas lágrimas, e um dia todas elas desaparecerão. E nosso luto, nosso choro, nossa dor e morte desaparecerão, assim como todo pecado.

5) E João finaliza Apocalipse 21.4 dizendo: “porque as primeiras coisas passaram”.

Ele simplesmente as resume como as primeiras coisas. As lágrimas, a morte, o luto, o pranto, a dor e as demais coisas que pertencem ao primeiro céu e à primeira terra estarão ausente lá. Eles pertencem a esta vida que agora vivemos. Mas no céu eles estarão ausentes para todo o sempre.

Quem afirmou tais promessas?

E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras (Ap 21:5).

Tudo será diferente. Tudo será novo. Quem disse isso? “Aquele que está assentado no trono.” Quem é esse? O mesmo que João declarou em Apocalipse 20.11: “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles”.

Ou seja, ele está se referindo ao Deus eterno, ao Cristo eterno; pois ambos estão no trono. O Filho está assentado no trono do Pai com o Pai. Deus e Deus em Cristo, aquele que criou todas as coisas o fará novamente, o próprio Senhor. E Ele diz: “Estou fazendo novas todas as coisas”, uma existência inteiramente nova.

E então João continua escrevendo:

Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. (Ap 21.6).

Novamente a voz do trono, a voz do Senhor Deus, o Senhor Cristo, diz: “Tudo está feito”. Muito parecido com as palavras de Jesus na cruz: “Está consumado” (Jo 19.30). Na cruz Jesus havia alcançado o propósito redentor de Deus para o perdão dos pecados. Mas aqui, quando Jesus diz: “Tudo está feito”, significa o momento em que a história redentora termina.

Acho que este é o momento claramente descrito em 1 Coríntios 15.24-28, que diz:

E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

Essa declaração incrível é uma descrição do fim, o próprio evento que é simbolizado pela expressão “tudo está feito”.

E tal como em Apocalipse 1.8 e 22.13, Jesus diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim” (Ap 21.6). Em outras palavras, ele diz: “Posso dizer que é o fim, porque estou no comando do princípio e do fim. Sou Aquele que começou e sou Aquele que termina”. Deus está simplesmente revelando em toda a história humana seu propósito e plano soberanos.

Assim, nesta visão, João vê o surgimento do novo céu e da nova terra, a capital, a cidade santa que desce do céu, chamada de Nova Jerusalém. Ele vê a realidade suprema, que é Deus, que tomará seu tabernáculo com os homens. E ele vê as mudanças.

Quem serão os moradores do céu? Quem viverá lá neste glorioso estado eterno?

João descreve, de forma clara, quem serão os moradores do céu de duas maneiras.

1) O céu pertente aos que têm fome e sede de justiça

Apocalipse 21
6 … Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.

“A quem tem sede.” O que isso significa? São aquelas pessoas que reconhecem sua necessidade.

Jesus disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mt 5.6). Isaías 55.1 diz “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas”. O Salmo 42.1-2 diz: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?”.

À mulher samaritana Jesus disse: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). Na Festa dos Tabernáculos, Jesus disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.37-38).

Em Apocalipse 22.17 diz: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”.

O céu pertence àqueles que reconhecem sua própria miséria e necessidade. O céu pertence àqueles que sabem que suas almas estão ressecadas pelo pecado e completamente secas, e sabem que, independentemente do que tenham, não têm o que precisam. Aqueles que têm sede de salvação são os que a recebem. Começa com um coração que suplica e anseia a partir de um profundo sentimento de sede espiritual.

2) O céu pertence aos vencedores

Apocalipse 21
7 O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.

Em 1 João 5.4-5 o apóstolo João escreveu: “porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?”. É a fé na pessoa de Jesus Cristo e na sua provisão no evangelho, é isso que significa vencer.

Em Apocalipse 2.7 Jesus diz: “Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus”. Isso é o céu. Se você for um vencedor, você irá para o céu.

Em Apocalipse 2.11 Jesus diz: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte”.

Em Apocalipse 2.26-28 Jesus, falando sobre o reino milenar, diz: “Ao vencedor, que guardar até o fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã”.

E quem é a estrela da manhã? Em Apocalipse 22.16 Jesus responde: “Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã”.

Em Apocalipse 3.5 Jesus diz: “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”.

Em Apocalipse 3.12 Jesus diz: “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome”.

Em Apocalipse 3:21 Jesus diz: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono”.

Tudo isso é a promessa celestial, e tudo pertence aos vencedores. E quem vence, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? E isso implica crer na encarnação do Verbo Eterno, na divindade de Jesus Cristo, na sua tremenda obra, na sua vida perfeita, em sua expiação sacrificial, em sua ressurreição, em sua ascensão, em sua glorificação com um nome que está acima de todo nome e na sua volta.

Então, quem estará no céu? Todos que viram o caráter ressecado de suas almas, reconheceram sua pecaminosidade e vêm com um espírito quebrantado e contrito. Todos aqueles que sabiam que estavam moralmente falidos e buscaram graça, perdão e misericórdia. Os mansos, os humildes, os que lamentaram suas misérias, os que tinha fome e sede de justiça e foram saciados em Cristo, se tornando os vencedores. Essas são as pessoas que entrarão no céu.

E Ele diz: “Aquele que vencer herdará estas coisas”. Que coisas? A nova criação, um novo corpo em um novo lugar no estado eterno, os novos céus e a nova terra. São eles que receberão o que Pedro chama de herança imperecível, imaculada e que não pode murchar, uma herança reservada no céu (1Pe 1.4). São estes que receberão a redenção do corpo, a manifestação gloriosa dos filhos de Deus e a glória eterna.

Como seremos quando chegarmos ao céu?

Somos duas partes: interior e exterior. E em nosso estado eterno, seremos espírito e seremos revestidos de um corpo espiritual eternamente glorioso. Teremos perfeição de alma. É por isso que Hebreus 12.23 diz que no céu estão os espíritos dos justos aperfeiçoados.

A Escritura é clara em dizer que quando um redimido morre, seu espírito vai imediatamente para o céu (por exemplo, o que Jesus disse ao ladrão arrependido na cruz, cf. Lc 23.42-43). Esse espírito ou essa alma se torna perfeito – liberdade perfeita de todo mal e de todas as limitações humanas, é uma mudança drástica; nada que contamine, nada impuro, nada imperfeito, justiça perfeita, absolutamente nenhuma imperfeição de qualquer tipo.

Em Apocalipse 21.27 diz: “Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro”. Tudo que estará na Pátria Celestial é absolutamente puro.

Em Apocalipse 22.14-15 Jesus disse: “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira”.

Nada que esteja contaminado entrará no céu — lá não há pecado, sofrimento, tristeza, dor, dúvida, medo, tentação, perseguição, culpa, discórdia, desarmonia, discussão, ódio, briga, decepção, raiva, cansaço etc.

Não haverá mais oração, jejum, arrependimento, confissão de pecados, choro, vigilância, preocupação, ansiedade, ensino, pregação, aprendizado, evangelismo e testemunho. O céu é lugar de prazer perfeito, conhecimento perfeito, conforto perfeito e amor perfeito. Isso é o céu, o paraíso celestial.

Acho que poderíamos resumir dizendo alegria perfeita. Qualquer alegria que venha nesta vida está sempre misturada com tristeza, e é sempre temporária. A alegria do céu é pura e sem fim. É o que eu acho que Mateus 25.20-23 diz sobre o servo bom e fiel: “Entra no gozo do teu Senhor”. No capítulo 7 de Apocalipse tem outro vislumbre dessas verdades:

Razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Ap 7.15-17).

Os corpos dos redimidos serão ressuscitados para a glória eterna, mas os corpos dos ímpios serão ressuscitados para a condenação eterna.

Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo (Jo 5.28-29).

Apocalipse 20.6 diz: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade…”. Em Romanos 8.23 fala sobre a redenção do corpo dos santos. Em 2 Coríntios 5.1 diz:

Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial.

Aqui Paulo fala de tabernáculo como uma metáfora para o corpo físico, tal como Pedro usou (2Pe 1.13-14). O que ele quer dizer é que, como uma tenda temporária (tabernáculo), a existência terrena do homem é frágil, insegura e modesta (1Pe 2.11). Mas ele fala do edifício não feita por mãos, eterna, no céus, uma metáfora a respeito do corpo ressurreto e glorificado (1 Co 15.35-50).

Um “edifício” sugere solidez, segurança, certeza e permanência, em oposição à natureza frágil, passageira e incerta de uma tenda (tabernáculo). Assim como os israelitas substituíram o tabernáculo pelo templo, do mesmo modo os cristãos devem desejar substituir o seu corpo terreno pelo corpo glorificado. Um corpo celestial eterno que não pertence a esta criação terrena. Em Filipenses 3.20-21 ele diz:

Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.

Teremos um novo corpo espiritual, diferente de tudo neste mundo. Esse corpo glorificado expressará a alma aperfeiçoada. Fomos feitos para habitar em um corpo, por isso somos humanos. E, em última análise, a intenção de Deus é que sejamos corpo e alma à medida que expressamos as alegrias e os privilégios do céu.

O corpo ressurreto

Mas temos a pergunta que Paulo respondeu: “Como ressuscitam os mortos? E em que corpo vêm?” (1Co 15:35). Ele diz que será um corpo diferente, não será como nada que já conhecemos ou vimos neste mundo. Ele usou diferentes analogias e concluiu:

Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual (1Co 15.42-44).

E o apóstolo João escreveu:

Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro (1 Jo 3:2-3).

Que promessa tremenda! Não foi por acaso que Paulo escreveu: “por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial” (2Co 5.2). E encontrar alegria e descanso neste mundo é algo muito irracional quando pensamos no que nos espera no céu.

E quem estará lá? Os sedentos de justiça e os vitoriosos. A este Deus diz: “eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. (Ap 21.6-7). Esse é o maior privilégio do pecador redimido por Cristo. Essa é a sua maior recompensa e alegria: um inimigo perverso, depravado e rebelde contra Deus se torne filho amado de Deus.

Em João 1.12 diz: “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome”. Que graça tremenda!

Quem não estará no céu?

Para encerrar esta seção introdutória, brevemente, João parte da residência celestial para aqueles que não estarão lá. Ele escreveu:

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte (Ap 21.8).

Estes são os rejeitados do novo céu e da nova terra. Este versículo é uma advertência séria e solene. E, como podemos perceber, não se refere apenas aos que não creem, ou aos que não têm sede. Ele identifica o caráter dessas pessoas para que saibam quem são.

Os covardes são aqueles que não têm resistência, que são como o solo duro onde a planta brotou um pouco depois de a semente do evangelho ser semeada, mas quando a perseguição começou, o sol começou a brilhar e havia um preço a pagar para pertencer a Deus, eles desapareceram.

Aqueles que temem a perseguição, que não estão dispostos a aceitar o custo do discipulado, que não tomam sua cruz e morrem, aqueles que, em virtude da ausência de bravura, demonstram que são desprovidos de salvação. Aqueles que se afastaram do corpo de Cristo, porque nunca pertenceram a ele (1Jo 2.19-20).

Os covardes não confessam verdadeiramente Jesus como Senhor, não perseveram até o fim e não permanecem firmes na fé, não suportam a repreensão dos homens e não têm perseverança. É isso que essa palavra realmente significa: eles não têm perseverança, não perseveram até o fim. Permanecer na Palavra é a marca dos verdadeiros crentes (Jo 8.31), estes perseverarão até o fim (Jd 24; 1Pe 1.5).

Aos incrédulos lhes falta a fé salvadora. Estão tomados por dúvidas e medos, são desprovidos de uma fé sólida. Os abomináveis são aqueles detestáveis, vis e que se deixam levar pela maldade. Eles são impuros, homicidas, avarentos, maliciosos, invejosos, malignos, caluniadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, rebeldes contra seus pais, insensatos, maldosos, sem afeição e sem misericórdia, tal como descrito em Romanos 1.24-32.

os idólatras, eles costumam ser listados ao lado dos feiticeiros, porque nas religiões pagãs havia drogas, bruxaria, envolvimento com espíritos, embriaguez e adoração a demônios, tudo combinado com idolatria. E, por fim, os mentirosos. João escreveu que “a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”.

Em Apocalipse 22.15 diz: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira”. Os cães eram criaturas consideradas desprezíveis naqueles tempos, quando aplicado a pessoas, o termo se referia a qualquer pessoa de baixo caráter moral.

No Novo Testamento há outras listas de pessoas que não entrarão na Pátria Celestial, entre elas:

Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus (1Co 6.9-10).

Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam (Gl 5:19-21).

Pessoas que vivem assim demonstram que não são cristãs. Elas não entrarão no reino, e não estarão na cidade santa, a nova Jerusalém, porque “a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. (Ap 21.8). A primeira morte é espiritual, a segunda é o banimento da presença de Deus para sempre.

Então, passamos da alegre expectativa para o medo paralisante aqui. Mas também é o desígnio de Deus nesta passagem, que Ele dê o aviso final. Ele não diz que apenas pessoas sem pecado vão para o céu, sabemos que não é assim; mas sim pessoas cujas vidas são caracterizadas dessa maneira, significando que não são cristãs.

Agora me diga: os coríntios eram perfeitos? Não. Eram desordenados? Sim. Mas esses padrões foram quebrados em suas vidas pela graça de Deus, pela provisão de Jesus Cristo e pelo poder do Espírito Santo. Isso não significa que eles eram sem pecado, mas esse padrão ou esse exercício contínuo foi quebrado. E é disso que ele está falando: pessoas que vivem vidas consistentemente dessa maneira não entrarão no céu. Vamos orar.

Pai, obrigado novamente por este tempo maravilhoso compartilhando Tua Palavra. Como nos emocionamos em ter comunhão com amigos preciosos, aqueles que Te amam, Teus filhos. Como somos gratos pela maneira como Tua misericórdia nos foi concedida em Cristo, para que não lutemos como aqueles que não têm esperança; mas olhemos com alegria, entusiasmo e expectativa para as glórias do céu que nos aguardam.

Oh Pai, como somos gratos porque em Tua misericórdia e graça nos redimiste. Não merecemos. Não há nada que possamos fazer para merecer. E estamos maravilhados com tanta misericórdia, tanta bondade.

Mas, Senhor, ao mesmo tempo em que Te agradecemos por nos teres feito ter sede e nos teres permitido sermos vencedores ao nos conceder a fé, nossos corações se entristecem por aqueles que são covardes, incrédulos e abomináveis, homicidas, idólatras e mentirosos, pessoas cujas vidas evidenciam que não Te conhecem, que encontrarão sua parte no lago de fogo que arde com enxofre, a segunda morte.

Senhor, ajuda-nos a ser fiéis em alcançar todos aqueles que nos rodeiam. Dá-nos amor por aqueles que precisam ouvir a mensagem da salvação; e que sejamos firmes e fortes em alertar as pessoas, esse é o nosso dever. Que não seja apenas uma mensagem positiva o tempo todo, mas que seja honesta, que inclua julgamento. Obrigado, Pai, pelo que nos mostraste na Tua Palavra; agora somos responsáveis por isso. Que possamos vivê-lo, em nome de Cristo. Amém.


Este texto é uma síntese do sermão “The New Heaven and the New Earth, Part 3”, de John MacArthur, em 22/11/1995.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/sermons/66-82/the-new-heaven-and-the-new-earth-part-3

Tradução e síntese feitas pelo site Rei Eterno


Clique aqui e veja os links de todos os sermões traduzidos de John MacArthur sobre o livro de Apocalipse.


 

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