A Visão da Nova Jerusalém
Jamais entenderemos plenamente aquilo que João viu e tentou descrever em Apocalipse 21 e 22. Ele fez comparações humanamente compreensíveis para entendermos o suficiente e colocar nossos olhos na pátria celestial, desejar as coisas do alto, não amar este mundo em trevas e sermos gratos ao Senhor por sua graça imerecida.
A descrição da capital do céu começa em Apocalipse 21, versículo 9, e se estende até o capítulo 22, versículo 5. E embora seja uma longa passagem das Escrituras e você possa pensar que levaria muito tempo para lê-la, não há muito a acrescentar. Você pode ter uma ideia quase completa apenas lendo o texto.
Há poucas coisas que podem ser explicadas e enriquecidas no texto bíblico. Mas, basicamente, a própria Escritura é tão magnífica que, por si só, diz bastante para começarmos a compreender as glórias do céu eterno.
Jesus fez uma promessa maravilhosa a todos os que creem nele. Ele disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”. (Jo 14:2-3).
A casa do Pai é, na verdade, a nova Jerusalém, porque é a morada de Deus, é onde Deus viverá com o seu povo para sempre. Nos primeiros versículos do capítulo 21 de Apocalipse vimos a cidade santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus. E diz no versículo 3: “Eis o tabernáculo de Deus entre os homens”.
Essa é a cidade onde viveremos. Essa é a cidade onde Deus habita. Não há templo nela, como veremos no versículo 22, porque o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, e o Cordeiro são o templo. Portanto, essa é a casa onde Deus habita e é onde viveremos com Ele.
Então, aqui, de fato, a casa do Pai está sendo descrita. O que foi prometido em João 14 é descrito aqui em Apocalipse 21. O lugar que o Senhor preparou para os seus amados descendo do céu dos céus para o novo céu e a nova terra. E aqui é descrito para nós.
É a capital do novo céu e da nova terra, o estado infinito e final. E assim, em João 14, Jesus nos deu a promessa do céu. Repetidamente no Novo Testamento, somos informados, como crentes, que somos cidadãos do céu e que aguardamos para chegar ao céu, onde está nosso Pai, nosso Salvador, nossa morada, onde nossos nomes estão escritos, onde estão nossos irmãos e irmãs, onde estão nossas afeições, onde estão nossos corações, onde está nosso tesouro e onde habita nossa herança.
Devemos experimentar um anseio pelo céu. O céu é onde viveremos para sempre, e o Senhor sabe que temos o desejo de saber algo sobre o céu, pois é onde passaremos a eternidade. Então, Deus, conhecendo nossa expectativa, nos deu um vislumbre do céu com alguns detalhes muito seletos. E eles são muito impressionantes.
O contexto escatológico de Apocalipse 21 e 22
Quando chegamos ao capítulo 21 de apocalipse – apenas um lembrete – o arrebatamento da igreja já passou, o período de tribulação e julgamento na Terra, com toda a morte e destruição que o acompanhavam, já passou. O Armagedom, a grande batalha, já passou.
A destruição que virá no Dia do Senhor já passou. O reino milenar de mil anos acabou. Toda rebelião terminou para sempre, e todos os pecadores não inscritos no livro da vida estão no eterno lago de fogo, enviados para lá pelo grande trono branco do julgamento. O céu e a terra foram incriados, ou seja, reduzidos a nada. E Deus criou o novo céu e a nova terra, que é o estado eterno, apresentado a nós no capítulo 21, versículo 1: “Vi um novo céu e uma nova terra.”
Nos primeiros oito versículos do capítulo 21 de Apocalipse vimos a introdução ao novo céu e à nova terra. E nessa introdução nos foi dado um vislumbre de sua capital, como observa o versículo 2, a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, adereçada como uma noiva adornada para o seu marido.
O céu atual é para onde vão os santos que morrem, tanto do Antigo ou do Novo Testamento. Aquele lugar onde Deus habita com os santos anjos e com os espíritos dos redimidos descerá ao novo céu e à nova terra como a capital, a cidade santa, o lugar onde habitaremos, onde está a casa do Pai. Não ficaremos confinados a isso, como indicado pelos portões, entraremos e sairemos; mas esse será nosso lugar de morada.
E assim, por ser a capital da eternidade, torna-se o ponto focal do restante da descrição de Apocalipse 21. O novo céu e a nova terra são brevemente descritos; e então, quando você chega ao versículo 9 e começa a olhar para a cidade santa, ela é descrita com muito mais detalhes, porque é a joia da coroa, é o paraíso, é a capital dourada e reluzente do novo céu e da nova terra. É o lugar onde viveremos para sempre. É a cidade mencionada inúmeras vezes no livro de Hebreus:
Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador. (Hb 11.8-10)
Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade (Hb 11.13-16).
Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados (Hb 12.22-23).
Na verdade, não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir. (Hb 13.14).
Por que a nova Jerusalém é chamada de esposa do cordeiro?
Apocalipse 21
9 Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
Os anjos são muito citados em todo o livro de Apocalipse. A última menção havia ocorrido em Apocalipse 20.1-2, quando um anjo com a chave do abismo e uma grande corrente prendeu Satanás por mil anos (antes do reino milenar). Agora, um anjo é mencionado novamente, após os mil anos. Este é um dos sete anjos do julgamento na tribulação, que tinham as sete taças cheias das sete últimas flagelos que consumou a ira de Deus (Ap 15.1).
Lembrem-se de que, durante o período da tribulação, houve julgamentos em desenvolvimento, ao longo de sete anos:
1) Há os sete julgamentos dos selos (Ap 6.1 a 8.1): se estendem por todo o período de sete anos da tribulação.
2) Há os sete julgamentos das trombetas (Ap 8.2 a Ap 9.21; 11.15-19): estão contidos no sétimo selo e ocorrem perto do fim.
3) Há os sete julgamentos das taças (Ap 16.11-21): estão contidos na sétima trombeta e ocorrem nos últimos dias do período da tribulação.
Tanto no julgamento das trombetas como no julgamento das taças os sete anjos aparecem trazendo juízo sobre a terra. Eles são anjos de juízo. E, no novo céu e nova terra, um deles aparece (Ap 21.9), para mostrar a João a bênção eterna. E o anjo descreve a cidade, curiosamente, como a noiva, a esposa do Cordeiro.
Parece uma maneira estranha de descrever uma cidade. É exatamente assim que Apocalipse 21.2 define a nova Jerusalém: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”.
Por que a cidade é chamada de noiva? Porque ela extrai seu caráter de seus ocupantes. E seus ocupantes são a noiva eterna de Cristo, agora ampliada para além da igreja, abrangendo todos os redimidos de todas as eras.
No capítulo 19, versículos 7 a 9, de Apocalipse, temos a noiva e a ceia das bodas do Cordeiro, e é claro que a noiva é a igreja. Encontramos isso muito claramente em Efésios, capítulo 5. Mas, à medida que avançamos no desdobramento do plano escatológico, a noiva se amplia para abranger também todos os santos do Antigo Testamento.
Por fim, a noiva que foi definida como a igreja se expande; mesmo no momento da ceia das bodas, os santos do Antigo Testamento são convidados. E então, quando ocorre a grande celebração final, que poderíamos equiparar ao reino milenar, os santos do Antigo Testamento estão ali misturados aos do Novo Testamento.
E então, quando o casamento é consumado na eternidade, todos os santos constituem a noiva, e a noiva então caracteriza esta cidade, porque seus ocupantes são os redimidos, unidos na nova Jerusalém, todos vivendo na casa do Pai como a noiva de Deus, se preferir, todos incluídos na consumação do propósito salvador de Deus.
A cidade é como uma noiva, porque o povo está para sempre unido a Deus e ao Cordeiro. Ela assume o caráter de seus habitantes. É uma cidade de beleza e virtude virgens, com um relacionamento íntimo com o Deus vivo e o Senhor Jesus Cristo.
O brilho da glória de Deus na nova Jerusalém
Então o anjo diz a João: “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro” (Ap 21.9). Ele fará um tour pela capital da eternidade. E João escreveu que o anjo o “transportou, em espírito” (Ap 21.10). João embarcou em uma jornada espiritual tremenda.
Apocalipse 21
10 e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa Cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus.
11 a qual tem a glória de Deus…
João foi transportado a um grande e elevado monte, e do alto ele podia contemplar a gloriosa cidade celestial suspensa no novo céu e na nova terra. E, tal como no versículo 2, ele diz novamente que a cidade “descia do céu, da parte de Deus”, ou seja, a cidade já existia desde a eternidade passada.
Ela está descendo de Deus, do céu. É de origem divina, construída por Deus desde toda a eternidade e preparada para descer ao novo céu e à nova terra. Talvez ela repouse em algum lugar da nova terra. Ela existe desde sempre como a casa de Deus, como o templo de Deus, como o trono de Deus; e agora desce ao seu devido lugar.
Olhando para a aparência geral da cidade, João a descreve como “tendo a glória de Deus”. Esta é a característica mais marcante da capital da eternidade. Ela tem a glória de Deus em si. Este é o céu, onde a plena expressão da glória de Deus se manifesta ilimitada e sem restrição, onde a glória de Deus brilha daquela cidade por toda a eternidade.
A glória de Deus são simplesmente seus atributos. Mas quando Deus manifesta seus atributos espirituais invisíveis, ele os manifesta como luz. E vemos isso em toda a Escritura. Deus revelou Sua glória em luz. Ele revelou Sua glória a Adão e Eva no jardim, sem dúvida na luz shekinah de sua presença.
Ele revelou Sua glória a Moisés, ao povo de Israel no céu e na face de Moisés (Ex 3.2; 34.29-35 etc.). Ele revelou Sua glória no tabernáculo, quando “a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo” (Ex 40.34-35).
Ele revelou Sua glória no templo quando foi construído em Jerusalém. Na sua consagração “desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa. Os sacerdotes não podiam entrar na Casa do Senhor, porque a glória do Senhor tinha enchido a Casa do Senhor” (2Cr 7.1-2).
A glória de Deus retornou a um Israel apóstata na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. O próprio João declarou: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). O mundo o odiou e o rejeitou, mas um dia Jesus retornará em glória resplandecente. Jesus disse:
Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória (Mt 24.29-30).
A transfiguração de Jesus foi a revelação da essência de Sua natureza em luz (Mt 17.1-9; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Mas, finalmente, no novo céu e na nova terra, na capital que é a nova Jerusalém, a cidade santa, sua glória revelada como luz será plena, ilimitada e irrestrita.
Moisés rogou para que Deus lhe mostrasse sua glória. Deus lhe respondeu: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Ex. 33.20). Deus lhe permitiu vê-lo pelas costas (Ex 33.23). Moisés não poderia ver a face de Deus e viver. Tudo o que ele viu da natureza de Deus transformado em luz ardente é chamada de “costas de Deus” e nunca foi descrito por Moisés depois.
Pois bem, neste novo céu e nova terra, irradiando do centro desta joia chamada Nova Jerusalém, está a resplandecente e plena glória de Deus. De fato, ela é tão grandiosa, que assim é descrita: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória” (Ap 21.23-24). Isaías viu a mesma coisa:
Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória. Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão (Isaías 60.19-20).
Então, a primeira coisa que impressiona João ao ser levado a este alto monte, e ao olhar para cima e ver a cidade santa, a nova Jerusalém, é que ela tem a glória de Deus; aquela luz resplandecendo no meio. Ele é a luz do céu e a luz da cidade. E essa luz sai daquela cidade, e eu creio que encherá todo o novo céu e a nova terra. E chama a atenção para a sua majestade, sua maravilha e seu caráter.
A aparência geral da nova Jerusalém
Apocalipse 21
11 a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina.
Seu resplendor se refere à luz da glória de Deus. A palavra grega se refere a “algo em que a luz é concentrada e de onde a luz irradia”. Seria como uma lâmpada, algo em que a luz existe, é concentrada e de onde ela irradia.
Assim, João vê esta cidade como uma lâmpada de onde a luz está emanando; só que ela não vem através de uma fina película de vidro simples, como as lâmpadas que conhecemos, mas através do que lhe parece uma pedra muito preciosa, como uma pedra de jaspe cristalino. Ou seja, toda a cidade parece uma grande pedra preciosa.
Você deve entender jaspe na compreensão antiga, pois o nosso jaspe moderno é opaco, mas não é o caso a que refere o texto bíblico. A melhor compreensão desse termo é que se trata de um diamante cristalino, algo impecável, com luz brilhando dele e suas cores do arco-íris por todos o novo céu e a nova terra, uma referência ao brilho da glória de Deus. Saiba disso: Deus ama a beleza.
Jamais entenderemos plenamente aquilo que João viu e tentou descrever fazendo comparações humanamente compreensíveis, mas podemos entender o suficiente para excitar nossos corações e desejar de forma ardente estar naquele lugar. Deus nos levou o mais perto possível da compreensão da realidade da glória celestial, tanto quanto nossas mentes podem compreender.
João não tentou escrever um enigma e nem algum tipo de coisa mística que teríamos que nos esforçar para interpretar com nossos próprios cérebros frágeis. Ele simplesmente tentou explicar de forma que pudéssemos ter um pouco de compreensão. Não podemos elaborar ideias mirabolantes sobre essa descrição, tudo o que sei é o que a Bíblia diz, e é tudo o que posso dizer.
No versículo 12 que “tinha uma muralha grande e alta”. Então, o que isso significa? Uma muralha grande e alta. É isso que significa; e se significa qualquer outra coisa, então eu não sei o que significa.
A muralha da nova Jerusalém
Apocalipse 21
¹² Tinha grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
Isso é muito difícil de entender? Não. O texto reflete um Deus que exige simetria, equilíbrio e ordem. É assim que a mente de Deus opera. A mente de Deus é incrivelmente equilibrada e ordenada. A cena é muito impressionante, e a aceitamos como verdade absoluta.
“Tinha grande e alta muralha”, ou seja, é um lugar com dimensões. Tem uma muralha externa. Tem limites. Você pode entrar e sair da cidade porque tem portões. Qual o tamanho dessa muralha? 144 côvados ou 72 metros (Ap 21.17). Não diz que é essa a altura. Voltaremos a falar disso mais a frente.
Mas tem um muro grande e alto. Tem doze portas, e é assim que podemos entrar e sair como em qualquer cidade. E nas portas há doze anjos. E acho que eles estão lá para nos receber. Estão lá para simbolizar a santidade e cumprir seu dever de atender à glória de Deus e servir aos santos glorificados. Afinal, os anjos são servos dos santos (Hb 1:14). E, falando dessas dozes portas, o texto bíblico diz:
Apocalipse 21
12… e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
13 Três portas se achavam a leste, três, ao norte, três, ao sul, e três, a oeste.
Isso lembra a maneira como Deus organizou as tribos ao redor do tabernáculo: colocou o tabernáculo no meio e tinha três tribos de cada lado, conforme Números 2. E, a propósito, essa também é a maneira como Deus organizará seu povo ao redor do templo milenar, o templo que será construído no reino milenar, conforme descrito em Ezequiel 48.
Então, aqui você vê a mesma coisa. Cada uma das portas tem o nome de uma tribo, três de cada lado. E, claro, isso celebra por toda a eternidade o relacionamento da aliança única de Deus com Israel.
Apocalipse 21
14 A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
O enorme muro da cidade foi ancorado por doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. Essas pedras comemoram a relação da aliança de Deus com a Igreja, dos quais os apóstolos são a base (Ef 2.20).
No topo de cada portão está o nome de uma das tribos de Israel; na parte inferior de cada portão está o nome de um dos apóstolos. Assim, a disposição da cidade de portões é uma imagem do favor de Deus para com todo o seu povo redimido, tanto aquelas sob a antiga aliança com aqueles sob a nova aliança.
As medidas da nova Jerusalém
Apocalipse 21
15 Aquele que falava comigo tinha por medida uma vara de ouro para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha.
16 A cidade é quadrangular, de comprimento e largura iguais. E mediu a cidade com a vara até doze mil estádios. O seu comprimento, largura e altura são iguais.
17 Mediu também a sua muralha, cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, isto é, de anjo.
Então, uma coisa curiosa ocorreu. O anjo que falou com João tinha uma haste de medição de ouro para medir a cidade, as suas portas e o seu muro. Este evento interessante lembra a medição do templo milenar (a partir de Ez 40.3) e da medição do templo na tribulação (Ap 11.1). O significado de todas as três medidas é que eles marcam o que pertence a Deus.
Os resultados da medição do anjo revelou que a cidade é definida como um quadrado. Ele mediu a cidade com a vara: doze mil estádios (cada está tem aproximadamente 185 metros), ou seja, cerca de 2.220 km em cada sentido. Isso se parece com um cubo, a forma especificada por Deus para o lugar santo no templo de Salomão (1Rs 6:20). Haverá lugar para todos os redimidos de todas as eras.
O anjo também mediu a parede (ou muro) da cidade em 144 côvados (equivalente a cerca de 72 metros). João enfatiza que as dimensões da cidade são literais e não místicas, pois foram dadas de acordo com as medições humanas, que são também medidas angelicais.
A estrutura e fundamento da muralha da nova Jerusalém
Apocalipse 21
18 A estrutura da muralha é de jaspe; também a cidade é de ouro puro, semelhante a vidro límpido.
19 Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento é de jaspe; o segundo, de safira; o terceiro, de calcedônia; o quarto, de esmeralda;
20 o quinto, de sardônio; o sexto, de sárdio; o sétimo, de crisólito; o oitavo, de berilo; o nono, de topázio; o décimo, de crisópraso; o undécimo, de jacinto; e o duodécimo, de ametista.
O material do muro é de jaspe, a mesma pedra semelhante ao diamante mencionado no versículo 11. A cidade em si é de ouro puro, como vidro transparente. Os muros da nova Jerusalém e os edifícios devem ser claros para a cidade irradiar a glória de Deus.
E então João nos leva aos fundamentos da muralha da cidade, que são adornadas de toda espécie de pedras preciosas. Os nomes de algumas das pedras mudaram ao longo dos séculos, tornando sua identificação incerta. Oito destas pedras são encontradas no peitoral do sumo-sacerdote (Ex 28:17-20; 39:10-13).
A primeira pedra fundamental era jaspe, um diamante radiante, branco e cristalino, com suas cores cintilantes. A segunda era safira, de um azul brilhante. A terceira era calcedônia (antigo nome para a Turquia), e esta era uma espécie de ágata, pelo que podemos dizer, azul-celeste com listras translúcidas de cor.
A quarta era esmeralda, que é, naturalmente, um verde brilhante e intenso. A quinta era sardônica, uma pedra vermelha e branca. A sexta era sárdio, uma pedra vermelha bastante comum, da família do quartzo. E a sétima era crisólita; Plínio a chama de uma pedra transparente, com um tom dourado lúcido ou amarelo.
E então diz que a oitava era berilo; é um verde-marinho. A nona, topázio; verde-amarelado transparente. A décima, crisópraso; é outro tom de verde. A décima primeira, jacinto, que era uma cor violeta brilhante. E a décima segunda, ametista, que é púrpura.
Estas pedras de cores vivas refratam o brilho reluzente da glória de Deus em uma panóplia de belas cores. A cena era de uma beleza de tirar o fôlego, um espectro de cores deslumbrantes piscando da Nova Jerusalém em todo o universo recriado.
A luz dourada, diamantina e transparente da cidade brilhando através das paredes de diamante, irradiando sua luz através de todas essas joias coloridas, forma um cenário de beleza deslumbrante, maravilhosa e incrível.
As doze portas do muro da nova Jerusalém
Apocalipse 21
²¹ As doze portas são doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola. A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente.
A próxima faceta da cidade celestial que chamou a atenção de João foi as doze portas, que eram doze pérolas. As pérolas eram altamente valorizadas e de grande valor nos dias de João. Mas estas pérolas eram como nenhuma outra pérola já produzida por uma ostra, porque cada um dos portões foi uma única gigantesca pérola extremamente elevada.
Há uma verdade espiritual ilustrada pelo fato de que os portões foram feitas de pérolas. De forma apropriada, John Phillips escreveu:
Todas as outras gemas preciosas são metais ou pedras, mas a pérola é uma gema formada dentro da ostra. É a única formada por carne viva. A humilde ostra recebe uma irritação ou um ferimento, e ao redor a ostra constrói uma pérola. Esta pérola, poderíamos dizer, é a resposta da ostra àquilo que a feriu. E a terra da glória é a resposta de Deus em Cristo aos homens ímpios que crucificaram o amado do céu e o expuseram à vergonha pública.
Quão típico de Deus é fazer das portas da nova Jerusalém pérolas. Os santos, ao virem e partirem, serão para sempre lembrados, ao passarem pelos portões da glória, de que o acesso à casa de Deus se dá somente por causa do Calvário. Pense no tamanho desses portões. Pense nas pérolas sobrenaturais com as quais são feitas. Que sofrimento gigantesco é simbolizado por esses portões de pérola.
Ao longo das eras sem fim, seremos lembrados por esses portões perolados da imensidão dos sofrimentos de Cristo. Essas pérolas penduradas eternamente, por assim dizer, nas vias de acesso à glória nos lembrarão para sempre daquele que foi pendurado num madeiro, e cuja resposta àqueles que o ofenderam foi convidá-los a compartilhar para sempre Sua morada.
Que palavras! O céu é acessado através do sofrimento por um Redentor ferido. E sempre seremos lembrados disso ao passarmos as pérolas. Até aqui vimos a aparência geral e o design exterior. Na próxima vez vamos entrar na cidade. Junte-se a mim em oração.
Pai, obrigado por este vislumbre maravilhoso e emocionante do nosso lar celestial. Oh, como nos alegramos com as perspectivas que nos aguardam quando partirmos para estar contigo para sempre. E, Senhor, sabemos que agora mesmo estás preparando esse lugar para nós, e um dia virás e nos levarás para lá. E estaremos nesse lugar maravilhoso, vivendo contigo quando deixarmos este mundo.
Estaremos lá antes mesmo de descermos para o novo céu e a nova terra, porque é onde vives agora com os espíritos dos justos aperfeiçoados. Oh, como ansiamos pela cidade de ouro, pela cidade de diamantes, pelos portões de pérolas, pela cidade de joias. Mas, acima de tudo, como ansiamos por sermos envolvidos pela Tua glória resplandecente, como somos privilegiados por termos tal esperança. E nós Te louvamos e Te agradecemos por isso, em nome do Salvador. Amém.
Este texto é uma síntese do sermão “The Capital City of Heaven, Part 1″, de John MacArthur em 8/1/1995.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/sermons/66-83/the-capital-city-of-heaven-part-1
Tradução e síntese feitas pelo site Rei Eterno
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