A Parábola das Dez Virgens
Há pessoas que construíram sua casa religiosa, mas não têm alicerces. Não há graça, justificação, santidade, caráter transformado e salvação. Há apenas uma aparência externa, sem valor eterno algum. É muito assustador. Mas, infelizmente, a igreja está cheia desse tipo de pessoa. Embora sejam religiosas, se envolvam com cristãos e tenham bons sentimentos em relação a Cristo, estão se enganando, pensando que está tudo bem.
Seguindo pelo evangelho de Mateus, vamos ver agora a parábola das dez virgens. O texto Bíblico diz:
Mateus 25
1 Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo.
2 Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes.
3 As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo;
4 no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas.
5 E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram.
6 as, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!
7 Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas.
8 E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando.
9 Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o.
10 E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta.
11 Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta!
12 Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.
13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.
Esta parábola faz parte do sermão profético de Jesus no Monte das Oliveiras (Mt 24 e 25), em que o Senhor fala sobre sua segunda vinda. É uma parábola de advertência.
No início desse sermão profético, os discípulos haviam dito a Jesus: “Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século” (Mt 24.3). Eles queriam saber o tempo da segunda vinda e do estabelecimento do Reino, ou seja, do governo do Messias na Terra.
A resposta de Jesus foi de que ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente o Pai (Mt 24.36,50). E acrescentou:
Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não esperais, o Filho do Homem virá (Mt 24.42-44).
Jesus falou sobre os sinais de sua vinda (Mt 24.4-31). Ele chamou aquele tempo seria como “dores de parto” que levam ao nascimento do Reino. Mas o momento exato e a hora exata jamais saberemos. Esta parábola tem a intenção de nos ensinar a rapidez e a imprevisibilidade da vinda do Senhor, o que, portanto, deve nos chamar à preparação para que não sejamos pegos despreparados.
Mateus 25.1 começa dizendo: “Então, o reino dos céus será semelhante…”. A palavra “então” nos leva ao tempo em que o Senhor virá, do qual ele falou no capítulo 24. A parábola das dez virgens ilustra o período da segunda vinda de Jesus, que será repentino, em tempo não conhecido e que nos exige prontidão.
Na primeira vez que Jesus veio, o mundo não estava preparado. Deveria estar. Profecias especificas e muito conhecidas do Antigo Testamento se cumpriram diante dos olhos de Israel. Mas João 1.10-11 diz: “O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”.
Na sua última semana antes da cruz, ao entrar em Jerusalém, Jesus lamentou dizendo: “Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos” (Lc 19.42). Agora era tarde demais, a oportunidade havia passado. Cerca de quarenta anos depois Jerusalém foi destruída pelos romanos, cumprindo-se o juízo que o Senhor profetizou (Mt 24.1-2; Mc 13.1-2; Lc 21.5-6). E esta parábola alerta o mundo para que isso não aconteça novamente. Pois não haverá recurso no futuro.
O tema da parábola é muito simples. Não é complexo. A parábola pretende nos ensinar que Jesus está voltando. Que Ele vem para julgar os pecadores e recompensar os justos. Que Ele vem em um momento repentino e inesperado, e que todos devem estar preparados. E depois disso não haverá segunda chance. As pessoas podem bater o quanto quiserem, mas a porta estará fechada. O dia da oportunidade terá chegado e passado para sempre.
A cena da parábola
A parábola se desenvolve em uma cena de casamento. Trata-se de um casamento muito típico em Israel nos dias de Jesus. Um casamento era o maior evento em uma vila ou cidade. Era um momento de felicidade e celebração. Essa é a cena que vemos na parábola.
No casamento judaico havia três partes. A primeira era o noivado, um contrato oficial entre dois pais que estavam entregando a filha e o filho um ao outro. Portanto, os noivados não eram realmente feitos com o casal, mas com os pais.
Na segunda parte os noivos trocavam votos na presença de familiares e amigos. Nesse ponto eles eram considerados casados. Se o noivo morresse durante o noivado, a noiva era considerada uma viúva, embora o casamento não tivesse sido consumado fisicamente e nem tenha havido a coabitação. O noivado poderia durar muitos meses, período em que o noivo iria tomar as providências para prover sua família.
Na terceira parte, no final do período de noivado, a festa de casamento era realizada, e agora toda a comunidade se envolvia. Esta festa, que poderia durar uma semana, começava com o noivo vindo com seus padrinhos para a casa da noiva, onde suas damas de honra estavam esperando por ela.
Os noivos e seus assistentes desfilavam pelas ruas proclamando que a festa de casamento estava prestes a começar. A procissão era iniciada geralmente à noite, e as lâmpadas ou tochas eram para iluminar o caminho e atrair a atenção. E é sobre a terceira fase que a parábola se desenvolve.
Era uma ótima maneira de se estabelecer um casamento. Os pais, que em geral, têm uma visão mais ampla do que a dos filhos, estavam envolvidos. Em segundo lugar, o noivado era algo maravilhoso porque, quando os votos eram feitos, se tornavam absolutamente vinculativos.
Imagine a expectativa no coração dos noivos tendo que passar por esse processo até chegar à consumação do casamento. Havia uma grande expectativa. A cena da parábola retrata este momento final: a festa, o banquete e a celebração do casamento, quando o noivo chega na casa da noiva. A celebração durava até sete dias.
Ao final do período de celebração, o amigo do noivo, que era como o padrinho, pegava a mão da noiva, colocava-a na mão do noivo e todos se retiravam. Assim, a chegada do noivo era uma noite maravilhosa de celebração.
Quem eram as dez virgens?
Uma segunda coisa que precisamos saber para entender esta parábola são as dez virgens, que serviam como damas de honra no casamento. O texto diz: “dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo” (Mt 25.1). A palavra grega traduzida como “lâmpadas” aparece em João 18.3, e a melhor tradução seria “tochas”.
Para que essas tochas ficassem flamejantes teriam que permanecer embebidas em óleo. Era costume carregar consigo, em algum lugar, um pequeno frasco de óleo para mantê-la acesa pelo tempo que fosse necessário.
Então, aqui estão dez virgens que pegam suas lâmpadas e saem para a casa da noiva, esperando encontrar o noivo. Elas são suas damas escolhidas. São chamadas de virgens porque eram jovens solteiras, e, portanto, virgens. Era costume chamar jovens virgens para serem damas de honra. Era uma alegria e emoção especiais tomar parte na celebração do casamento.
Muitos procuram especular sobre a condição de “virgens”, tentando trazer algum explicação fora do texto. Você deve evitar fazer isso ao estudar as parábolas. A menos que o Senhor dê o significado, você estará realmente por conta própria se começar a dar significado a outras coisas. As parábolas têm a intenção de transmitir uma verdade muito simples e direta que o Senhor explica.
Eram dez virgens, tal como era necessários: dez homens para comer a ceia pascal (segundo Flávio Josefo); dez homens para constituir uma sinagoga; e dez homens para dar uma bênção de casamento. E, aparentemente, dez damas de honra era o número ideal.
As tochas que as virgens levavam eram como um convite, era o símbolo de que elas pertenciam à festa. E elas traziam suas tochas para iluminar o céu noturno na maravilhosa procissão que todas apreciariam quando o noivo finalmente chegasse.
A diferença crucial entre as dez virgens
O texto diz que elas “saíram a encontrar-se com o noivo” (Mt 25.1). A palavra grega traduzida como “encontrar-se”, é a palavra usada para cumprimentar um oficial ou um dignitário recém-chegado. Então, é uma espécie de termo oficial. Aquele era um evento oficial e muito especial.
Quem são essas moças? Elas são cristãs professas, que afirmam conhecer, crer e pertencer a Cristo. Estão no meio da igreja e afirmam que estão aguardando a vinda do Senhor, ou seja, sabem sobre o casamento, sabem que o tempo está próximo e até dizem que já fizeram seus preparativos. Elas usam suas vestes nupciais e carregam suas tochas.
Sua presença simboliza seu interesse, e sua tocha simboliza sua profissão de fé em Cristo. Elas demonstram sinais exteriores de espera pela vinda do noivo. Demonstram sinais exteriores de prontidão e de compromisso com Jesus Cristo. Fazem parte da comunidade de crentes. Estão reunidas como damas de honra, por assim dizer, prontas para serem recebidas nesta gloriosa celebração de casamento. Professam desejar o Reino.
Todas estão com suas vestes nupciais, estão com suas tochas e são damas de honra escolhidas. Mas não são iguais ao olhos do Senhor. E esta é a mensagem da parábola. Mateus 25.2 diz que “Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes”. O Salmo 139.1 diz: “Senhor, tu me sondas e me conheces”. Quando o Senhor olha para o coração delas, ele vê cinco moças sensatas e cinco tolas.
Exteriormente elas pareciam ser iguais, mas interiormente eram muito diferentes. E a diferença aqui é a preparação, é aqui que a sabedoria e a tolice delas se manifestam. O texto diz: “As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas” (Mt 25.3).
As prudentes carregavam o frasco com o óleo, as insensatas não tinham óleo algum para acender a tocha. Não fizeram nenhuma preparação adequada. Era tudo externo. Mas elas não se importaram com a coisa mais necessária, que é o óleo. Todas fizeram profissão de fé, mas apenas cinco tinham o óleo genuíno da preparação.
Qual o significado do óleo na parábola?
O que é esse óleo? É a realidade necessária da graça salvadora que distingue as pessoas. Pode haver uma multidão de pessoas que externamente aparentam honrar a Jesus Cristo, mas haverá corações diferentes, alguns preparados e outros despreparados.
O óleo é como a vestimenta na parábola das bodas (Mt 22.1-14). O rei convoca os convidados para o casamento de seu filho. Mas, olhando para os convidados, ele encontra um homem sem veste nupcial. Ele também está despreparado. Ele tenta destruir o Reino, por assim dizer, sem um coração preparado. Então o rei ordenou: “Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22.13).
E assim o óleo é a graça necessária sem a qual ninguém verá o Senhor. É a verdadeira salvação. É a justiça imputada. É a santidade genuína concedida pela fé em Jesus Cristo. É uma vida interior transformada. Mas alguns têm apenas aparência de piedade, mas sem poder (2Tm 3.5).
As virgens tolas eram exteriormente apegadas, estavam comprometidas intelectualmente, socialmente e religiosamente, mas não tinham luz e não tinham vida. Elas possuíam uma fé morta e improdutiva. O propósito da parábola é nos alertar para não sermos apanhados em tal despreparo quando o Senhor vier.
Este foi um tema recorrente no ministério de nosso Senhor. Ele falou repetidamente sobre esta questão. A igreja está cheia de pessoas não redimidas e despreparadas para a vinda do Senhor. E, nesta parábola, metade daquele grupo de moças estavam nessa situação trágica.
Isso não quer dizer que metade daqueles que professam a fé cristã esteja na mesma situação, mas certamente quer dizer que é um problema comum. A igreja está cheia desse tipo de gente que não é redimida, que não está preparada. Embora sejam religiosas, se envolvam com cristãos e tenham bons sentimentos em relação a Cristo, estão se enganando, pensando que está tudo bem.
Esta não é uma mensagem popular. É uma mensagem que incomoda as pessoas. Mas não podemos deixar que o engano domine pessoas que estão marchando para o inferno. Nosso Senhor nos alerta repetidamente sobre isso.
Dormir não é o problema, mas aquilo que vai te acordar se você não estiver preparado
O ponto extremo vem em Mateus 25.5, que diz: “E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram”. O noivo não chegou no momento que elas esperavam. E esta é uma dica bastante sutil para os discípulos que pensavam que Jesus iria estabelecer seu Reino imediatamente. Isso iria demorar mais do que eles imaginavam. E isso só ocorrerá após a grande tribulação.
Mas, mais do que isso, tenho a sensação, no contexto de Mateus 24 e 25, de que o Senhor está dizendo que, mesmo depois de você ter visto os sinais dados em Mateus 24:4 a 31, mesmo depois de ter visto todos aqueles sinais que acontecerão no tempo da Tribulação, mesmo depois de ter visto o sinal do Filho do Homem no céu, ainda vai demorar um tempo até que Ele finalmente venha. Há um intervalo de tempo ali, e as pessoas são vistas esperando muito e então simplesmente voltando às coisas normais da vida, cochilando e indo dormir.
Algumas pessoas ficam tão animadas com a ideia de um casamento que não conseguem dormir. Mas aquelas virgens esperaram tanto e finalmente se acomodaram, não conseguiram se manter acordadas e adormeceram.
O que nosso Senhor está dizendo é que haverá um tempo de espera antes que Ele venha, e será um tempo que levará muitos a pensarem: “Bem, temos que continuar com a rotina de sempre”. Não há nada de errado em dormir. Mas há algo de errado se você não estiver preparado para o que vai te acordar. Esse é o problema.
Dormir não é o problema. As prudentes dormiram preparadas. E quando o noivo chegou e elas acordaram, o descanso das prudentes foi o doce descanso, pois estavam prontas. O descanso das tolas foi pura loucura, pois foram pegas de surpresa. Em Mateus 24.38-44, Jesus disse:
Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.
O noivo demorou de chegar e elas adormeceram. Cinco estavam prontas e cinco não estavam prontas. As que estavam preparadas podiam muito bem se dar ao luxo de continuar com a rotina da vida. As que não estavam preparadas deveriam ter se cuidado quando podiam, quando tinham oportunidade. Sua falsa segurança as deixaram dormir durante o dia de oportunidade. E essa é a tragédia.
Mas o inesperado aconteceu. Mateus 25.6 diz: “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!”. Ele havia demorado muito tempo e chegou em um horário estranho para um casamento. O que Senhor quis enfatizar é esse momento inesperado. Ninguém esperava que o casamento começasse à meia-noite, mas foi a hora que o noivo chegou.
Foi à meia-noite que o Senhor feriu os primogênitos na terra do Egito. Faraó acordou em meio ao desespero no Egito e disse a Moisés e Arão: “Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel…” (Ex 12.29-31). Foi um momento inesperado.
Os rabinos costumavam dizer que o Messias viria quando chegasse à meia-noite. É uma hora tardia e inesperada. Paulo diz que “o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição…” (1Ts 5.2-3). Pedro diz: “Virá, entretanto, como ladrão de noite, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo…” (2Pe 3.10).
Aquelas damas de honra sabiam que o casamento estava próximo, elas conseguiam ver os sinais. Elas sabiam que era hora de se reunir na casa da noiva e que as festividades iriam acontecer. Sabiam que os preparativos já estavam em andamento. Poderíamos dizer que, se estivessem vivendo no tempo da Tribulação, teriam visto as dores do parto.
Sabiam que era hora, mas, ainda assim, cinco loucas desperdiçaram a oportunidade. E à meia-noite, houve um clamor. E o clamor, obviamente, era para anunciar a chegada do noivo. E penso que haverá tal clamor quando Jesus finalmente vier para estabelecer o Seu Reino naquele último e glorioso momento. Penso em um clamor vindo do céu. E o clamor é este: “Eis o noivo! Sai-lhe ao encontro!”
Este é o momento glorioso que dá início ao casamento. E mesmo que seja tarde, ele vai durar sete dias. Então é maravilhoso que comece mesmo assim. A procissão se reúne quando o noivo chega com seus dez acompanhantes, talvez, encontra a noiva com suas dez damas de honra e suas lâmpadas. Elas estão prontas para acendê-las e seguir para a casa que o noivo preparou para a noiva. Esta é a segunda vinda de Jesus, o momento exato dela.
Mateus 25.7 diz: “Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas”. Quem estivesse sem óleo não poderia acender e manter acesas suas tochas para iluminar o caminho tomado pela escuridão.
A salvação é intransferível
E então “as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam” (Mt 25.8). E agora, quando tudo é revelado, elas demonstraram estarem totalmente despreparadas. Elas não tinham óleo. Elas não possuíam graça interna necessária da santidade. Sem óleo, elas não podiam impedir que suas tochas se apagassem.
Se o chamado para ir ao tribunal de Deus chegasse a você em um momento em que você não estivesse pronto, seja na morte ou na segunda vinda de Jesus Cristo, ninguém poderia fazer nada por você. A parábola ensina a natureza intransferível da salvação, as cinco virgens prudentes e sábias não podiam fazer nada por aquelas cinco tolas.
Os salvos não podem salvar os perdidos. “Dá-nos o teu óleo” é um pedido que ninguém pode responder. Cada pessoa deve ter a sua própria salvação. Não há como compartilhar óleo. Mateus 25.9 diz: “Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o”.
A ideia aqui é simplesmente ensinar que você precisa adquirir o seu próprio óleo. A compra não pressupõe que você tenha que pagar um preço pela salvação, ela é um presente gratuito.
Em certo sentido, você paga o preço de entregar todo o seu ser, como o homem que vendeu tudo o que tinha para comprar o tesouro escondido no campo (Mt 13.44) e o outro homem que vendeu tudo o que tinha para comprar a pérola de grande valor (Mt 13.45-46).
A perda da oportunidade
Havia bastante óleo disponível para se comprar, mas não à meia-noite, não naquele momento. Elas dormiam no tempo da oportunidade. Ninguém tinha permissão para entrar na festa sem uma tocha acesa. Era como um símbolo de que você fazia parte da festa de casamento.
Este é o ensinamento mais assustador que a Bíblia nos dá. E Jesus falou repetidamente que há na igreja miríades de pessoas despreparadas para estar diante de Deus. Haverá um momento que será tarde demais. Tudo que diz respeito à salvação está disponível, mas chegará um momento em que não estará mais.
Em Lucas 6:46-49 Jesus diz: “Por que vocês me chamam de ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu mando?” Ele falou do homem que construiu sua casa sobre a areia, sem alicerces, mas aquela casa desabou. Mas falou também do homem que construiu sua casa sobre a rocha, e ela se manteve firme.
Há pessoas que construíram sua casa religiosa, mas não têm alicerce. Não há graça, justificação, santidade, caráter transformado e salvação. Há apenas uma aparência externa, sem valor eterno algum.
Mateus 25.10 diz: “E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta”. Não havia lugar para comprar o óleo naquele momento, a porta se fechou. Que pensamento! Será como nos dias de Noé, tal como Jesus disse:
Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem”. (Mt 24:38,39).
Imagine o sentimento que deve ter estado no coração das pessoas na época de Noé, quando o juízo de Deus começou. Eles bateram na porta da arca sem sucesso. A zombaria havia terminado e foi substituída pelo puro terror dos tolos.
A porta está aberta agora. Mas um dia será fechada. Muitos não estarão prontos. Alguns, naquele tempo de Tribulação, verão todos os sinais. Eles verão o sinal do Filho do Homem no céu, mas dormiram quando deveriam estar se preparando. E assim é até hoje. A lição é a mesma para nós. Cada um de nós encontrará Deus no momento da morte, se não estivermos vivos naquele tempo de Sua grande vinda.
E é nesse momento que seremos despertados para o despreparo, e o maior choque de todos os choques são aqueles que estarão lá, como Jesus diz Mateus 7.22-23:
Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.
É muito assustador. Mas, infelizmente, a igreja está cheia desse tipo de pessoa. Veja outro aviso que o Senhor deu:
Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão. Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós, do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta, ele vos responderá: Não sei donde sois. Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas em nossas ruas. Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais iniquidades. Ali haverá choro e ranger de dentes…” (Lc 13:24-28).
Mateus 25.11 diz: “Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta!”. Elas queriam entrar sem óleo. Elas se consideravam amigas do noivo e que faziam parte do casamento. O noivo respondeu: “Em verdade vos digo que não vos conheço” (Mt 25.12).
Não há segunda chance. A única maneira segura é estar pronto todos os dias. Jesus concluiu a parábola dizendo: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”. Será em um momento em que os homens não pensam”.
Esta é a quinta vez que Ele diz isso neste sermão. Você não sabe. Portanto, esteja sempre pronto. Chegar um pouco atrasado é chegar atrasado para sempre. Em Lucas 21.34-36 Jesus disse:
Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço. Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra. Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem (Lc 21.34-36).
Essa é a mensagem da parábola das dez virgens. Vamos nos curvar em oração.
É uma Palavra séria, nosso Deus, que ouvimos. O enigma de tudo isso: quando cantamos “Jesus está voltando”, nossos corações se encheram de alegria avassaladora. Mas agora estão cheios de temor. E, como o apóstolo João, os pensamentos sobre a segunda vinda são doces na boca e amargos no estômago. Pois, por um lado, significa a Tua glória e a nossa redenção; por outro, significa julgamento e condenação para os despreparados.
E, ó Deus, que ninguém aqui seja enganado, que não haja ninguém aqui que tenha sua tocha e não o óleo, que esteja professando Cristo exteriormente para a aprovação dos homens ou para a salvação de sua consciência ferida, mas que não tenha fome e sede de justiça em seus corações.
Oro por aqueles que não têm vida de oração, que não têm fome de piedade, que não amam a obediência, que não têm paixão pelos perdidos, que dão provas de não terem óleo, que são joio, que são solo raso, solo cheio de ervas daninhas, que são casas sem alicerce. Ó Deus, pela tua graça, abre os seus corações, enche o vaso com óleo para que possam fazer parte da alegria da celebração do Reino das bodas do Filho e da Sua noiva. Amém.
Clique aqui e veja também o índice com os links dos sermões traduzidos sobre o Evangelho de Mateus
Este texto é uma síntese do sermão “Fate of the Unprepared”, de John MacArthur em 29/07/1984.
Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:
https://www.gty.org/library/sermons-library/90-192/the-only-way-to-happiness-thirst-for-holiness
Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno





















