Visão Panorâmica de Atos

O livro de Atos dos Apóstolos poderia ser denominado de “Atos do Espírito Santo por meio dos apóstolos”. A obra soberana e superintendente do Espírito foi muito mais significativa do que a obra de qualquer homem. Era o ministério do Espírito que dirigia, controlava e dava poder; foi ele quem fortaleceu a igreja e gerou o crescimento em número, poder espiritual e influência.


VISÃO PANORÂMICA DO LIVRO DE ATOS 
PRODUZIDO PELA EQUIPE DO SITE REI ETERNO


Introdução ao Livro de Atos

Atos é o segundo livro de Lucas endereçado a Teófilo (veja Lc 1.3). É provável que, originalmente, o livro não tivesse título. Seu título nos manuscritos gregos é “Atos”, e alguns acrescentam “dos Apóstolos”. A palavra grega traduzida por “atos” (praxes) era muitas vezes usada para descrever as realizações de grandes homens. Atos de fato retrata personagens notáveis dos primeiros anos da igreja, especialmente Pedro (caps. 1—12) e Paulo (caps. 13—28).

Porém, o livro poderia ser denominado mais apropriadamente de “Atos do Espírito Santo por meio dos apóstolos”, pois a obra soberana e superintendente do Espírito foi muito mais significativa do que a obra de qualquer homem. Era o ministério do Espírito que dirigia, controlava e dava poder; foi ele quem fortaleceu a igreja e gerou o crescimento em número, poder espiritual e influência dela.

O livro fornece informação sobre as primeiras três décadas da existência da igreja, material não encontrado em nenhuma outro lugar. Ele é basicamente uma narrativa histórica. Embora não sendo uma obra primariamente doutrinária, Atos, no entanto, enfatiza que Jesus de Nazaré era o Messias de Israel há muito esperado, mostra que o evangelho é oferecido a todos os homens, não apenas ao povo judeu, e sublinha a obra do Espírito Santo.

Atos é pródigo em transições: do ministério de Jesus para o ministério dos apóstolos; da antiga aliança para a nova aliança; de Israel como nação testemunha para a igreja (composta tanto de judeus quanto de gentios) como povo testemunha de Deus. O livro de Hebreus apresenta a teologia da transição da antiga aliança para a nova; Atos retrata o resultado prático da nova aliança na vida da igreja.

Nota: Introdução extraída da Bíblia de Estudo MacArthur


Resumo analítico


1) Da Ascensão de Jesus ao Pentecostes, o sermão de Pedro e o nascimento da igreja (At 1 e 2).

1.1) Prólogo (1.1-5)

Após sua incontestável ressurreição corpórea, mediante muitas testemunhas, Jesus passou 40 dias ensinando seus discípulos a respeito do Reino de Deus (no seu aspecto espiritual). Depois de fazer uma refeição com eles, prometeu o Espírito Santo, determinando que ficassem em Jerusalém para receberem a promessa do Pai.

1.2) As últimas perguntas dos discípulos e o grande comissionamento (At 1.6-8):

 Eles questionaram se havia chegado o tempo de restauração do reino de Israel (reino mundial e literal do Messias nesta Terra, a partir de Jerusalém), pois essa era sua expectativa (Lc 19.11; 24.21). Também sabiam que Ezequiel 36 e Joel 2 ligavam a vinda do reino com o derramamento do Espírito prometido por Jesus.
 Jesus disse que não lhes cabia conhecer o tempo que Deus reservou para si (Mc 13.32; Dt 29.29). O futuro Reino Milenar será na volta de Cristo (Mt 25.31-34; Ap 20.1-6 etc.), algo bem ilustrado na parábola das dez minas (Lc 19.11-27).
Jesus ordenou que após receberem poder no derramamento do Espírito Santo, seriam testemunhas por todo o mundo.

1.3) A ascensão de Jesus (At 1.9-11):

 Jesus foi levado às alturas e oculto nas nuvens diante deles. Dois anjos anunciaram que voltará da mesma forma como subiu.
 Jesus voltará no Monte das Oliveiras para estabelecer seu Reino Milenar na Terra (Zc 14.1-4; Dn 7.13-14; Mt 24.30; 26.24; Ap 1.7; 14.4).

1.4) Os discípulos no cenáculo (Jerusalém) e a escolha de Matias para o lugar de Judas Iscariotes (At 1.12-26):

 Estavam reunidos no cenáculo: os discípulos Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago, juntamente com as mulheres, Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus. Perseveraram em oração.
 Pedro liderou o grupo, fez um discurso e falou sobre a necessidade de outra pessoa para ocupar o lugar de Judas Iscariotes como apóstolo.
 Pedro disse que os candidatos teriam que ser homens que andaram com Jesus e foram testemunhas oculares de sua ressurreição (vs. 21-22). Após a oração, lançaram sortes, método comum no Antigo Testamento para determinar a vontade de Deus (Lv 16.8-10; Js 7.14; Pv 18.18), sendo escolhido Matias.

1.5) A descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 2.1-13)

Pentecostes significa “quinquagésimo” e se refere à Festa das Semanas (Ex 34.22-23) ou da Colheita (Lv 23.16), que era celebrada 30 dias depois da Páscoa, em maio/junho (Lv 23.15-22). Era uma das três festas anuais para as quais o povo devia ir a Jerusalém (Ex 23.14-19). Portanto, Jerusalém estava tomada de peregrinos.
 No lugar em que os discípulos se reuniram veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas.
Na Escritura, com frequência o vento é usado como uma figura do Espírito (cf. Ez 37.9-10; Jo 3.5-8).
 Assim como o som do vento era simbólico, as línguas de fogo não foram literais, mas indicadores sobrenaturais, como de fogo, de que Deus estava enviando Espírito Santo sobre cada crente.
As línguas eram Idiomas conhecidos, não expressões de êxtases. Essas línguas dadas pelo Espírito foram um sinal de juízo para o Israel descrente. Enquanto os crentes falavam, cada peregrino no meio da multidão reconheceu a língua ou o dialeto de seu país
 As línguas também mostraram que dali em diante o povo de Deus procederia de todas as nações, e marcaram a transição de Israel para a igreja. Em Atos, esse fato de falar em línguas acontece apenas mais duas vezes (10.46; 19.6), quando gentios e os discípulos de João Batista são inseridos na igreja.
Sobre as experiências da descida do Espírito Santo sobre grupos diferentes e o falar em outras línguas: ver quadro explicativo no ítem 6.

1.6) O discurso de Pedro no dia de Pentecostes e o nascimento da igreja (At 2.14-41)

 O falar em outras línguas era cumprimento de Joel 2.28-32. A profecia de Joel não será completamente cumprida até o estabelecimento do Reino Milenar. Mas Pedro, usando a profecia, mostrou que o Pentecostes havia sido um pré-cumprimento, um aperitivo do que acontecerá no Reino Milenar, quando o Espírito será derramado sobre toda carne (At 10.45).
 Pedro falou que Jesus é o Messias prometido, homem aprovado por Deus através de milagres e sinais, que foi crucificado por plano predeterminado de Deus, ressuscitou conforme profetizado no Antigo Testamento, sendo sua ressurreição atestada por várias testemunhas.
 Pedro ainda disse que Jesus foi elevado à direita de Deus, tornou-se Senhor e Cristo e enviou o Espírito Santo.
 Quando o povo perguntou o que deveria fazer, Pedro o chamou ao arrependimento, ao batismo nas águas por causa da remissão dos pecados e recebimento do dom do Espírito Santo.
 Pedro ressaltou que a promessa era direcionada a todos que Deus chamar e exortou-lhes a fugir daquela geração perversa. Três mil foram batizados naquele dia.

1.7) A vida da primeira geração da igreja (At 2.42-47)

 A igreja vivia em intensa comunhão diária, perseverança, no partir do pão, nas orações e firmada na doutrina dos apóstolos. Havia muito temor e tinham tudo em comum.
 Muitos sinais eram operados pelos apóstolos. O Senhor acrescentava mais pessoas pelo bom testemunho da igreja.

2) Pedro opera um milagre, faz um discurso no templo e é preso com João (At 3 a 4.31)

2,1) A cura de um coxo na porta do templo (At 3.1-10)

 Um homem coxo de nascença (com mais de 40 anos de idade – cf. 4.22) pedia esmola na porta do templo, chamada Formosa (que separava o pátio dos gentios do pátio das mulheres). Pedro olhou para ele e disse: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!”. Ele saiu andando imediatamente.

2.2) O discurso de Pedro no templo (At 3.11-26)

 Pedro ressaltou que a cura do coxo foi obra do poder de Jesus e não de si mesmo ou de João. Aquele milagre foi um testemunho da ressurreição de Jesus.
Pedro ainda disse que o povo agiu por ignorância ao rejeitar e crucificar Jesus, mas Deus cumpriu seu propósito soberano ao ressuscitá-lo e glorificá-lo. Ele chamou o povo ao arrependimento para perdão dos pecados e tempos de refrigério no Senhor. O Reino Milenar de Cristo será marcado por todo tipo de bênçãos e renovação (cf. Is 11.6-10; 35.1-10; Ez 34.26; 44.3; Jl 2.26; Mt 19.28; Ap 19.1-10).
 Pedro também citou que a profecia proferida por Moisés se referia a Jesus (Dt 18.19), e que todos os profetas, desde Samuel, anunciaram o Messias, o qual primeiramente veio para abençoar o povo judeu, desviando-os de suas más ações, a fim de que todos na Terra fossem abençoados através dele.

2.3) Pedro e João são presos e levados perante o Sinédrio (At 4.1-22)

 Os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus os levaram presos por anunciarem, em Jesus, a ressurreição dos mortos. Naquele dia a igreja chegou a 5 mil homens. Os judeus detiveram Pedro e João na prisão, porque já era tarde, uma vez que a lei judaica não permitia julgamentos à noite.
 No dia seguinte, Pedro e João foram levados perante as autoridades, os anciãos e os escribas, juntamente com o sumo sacerdote Anás, além de Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem do sumo sacerdote.
 Eles perguntaram: “Em nome de quem curaram o coxo?”. Pedro respondeu: “Em nome de Jesus que foi crucificado por vós; a quem Deus ressuscitou; ele é a pedra rejeitada por vós e que se tornou a pedra angular” (At 4.10-11).
 Eles sabiam que Pedro e João haviam estado com Jesus e os ameaçaram para que não mais falassem a respeito do Senhor. Pedro e João rejeitaram essa imposição, afirmando que mais importava obedecer a Deus e que não podiam deixar de falar sobre o que viram e ouviram. Eles os soltaram, pois temeram o povo.

3) As marcas da vida da igreja: oração, proclamação, comunhão e temor (At 4.23 a 5.11)

● A igreja vivia em oração, todos eram cheios do Espírito Santo e anunciavam com intrepidez a Palavra de Deus (4.23-31).
● Não havia necessitados na igreja, pois os irmãos (como Barnabé) compartilhavam seus bens e os apóstolos anunciavam com grande poder a ressurreição de Jesus (4.32-37).
● Ananias e Safira tentaram enganar a igreja ao ocultarem o real valor que obtiveram com a venda de uma propriedade. Queriam que as pessoas pensassem que estavam doando tudo aos necessitados. Pedro os repreendeu dizendo-lhes que mentiram a Deus. Ambos morreram sob juízo divino, o que provocou grande temor a todos (5.1-11).

4) Os sinais operados pelos apóstolos, a prisão dos apóstolos e o parecer de Gamaliel (At 5.12-42)

● Os apóstolos faziam muitos milagres. As pessaos levavam os enfermos pelas ruas e os colocavam em leitos e macas, a fim de que, ao menos, a sombra de Pedro se projetasse sobre alguns deles. Pessoas vinham de outros lugares para Jerusalém levando doentes e endemoninhados, e todos eram curados (5.12-16).
● Os apóstolos foram presos, mas um anjo do Senhor abriu a porta da prisão e eles foram ao templo para pregar o evangelho. Por conta disso, foram conduzidos perante o Sinédrio, ocasião em que reafirmaram que importava mais obedecer a Deus e novamente proclamaram a ressurreição de Cristo, Senhor e Salvador. (5.17-32).
● Os líderes religiosos queriam matar os apóstolos. Porém Gamaliel — rabino fariseu e doutor da lei, que presidia o Sinédrio — alertou-lhes que se aquela obra fosse divina, eles estariam lutando contra Deus. Diante disso, apenas ordenaram que não mais falassem de Jesus. Mas os apóstolos saíram alegres por terem sido dignos de perseguição por causa de Jesus e continuaram a ensinar e pregar sobre Jesus (5.33-42).

5) Instituição dos diáconos, avanço do evangelho e o testemunho e martírio de Estevão (At 6.1 a 8.1-3).

5.1) A instituição do diáconos, o crescimento da igreja e a intrepidez de Estevão (At 6.1-7)

● Foram escolhidos homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, para auxiliarem os apóstolos no atendimento aos necessitados na igreja (6.1-6).
● Crescia a palavra de Deus e em Jerusalém se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé. Estêvão, um dos diáconos escolhidos, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo (Atos 6:7-8).

5.2) Estevão perante o Sinédrio e seu discurso de defesa (At 6.8 a 7.1-53)

● Estevão foi preso e levado perante o Sinédrio. Testemunhas falsas o caluniaram e difamaram (6.8-15).
● Com ousadia, ele fez uma síntese da história de Israel, culminando com uma acusação contundente contra os líderes judeus por rejeitarem Jesus, o Messias prometido.
● Ele fez uma revisão histórica, narrando a história do relacionamento de Deus com o povo de Israel, começando por Abraão e as promessas de Deus, passando por José, Moisés e Davi, até à construção do templo por Salomão.
● Argumentou, citando as Escrituras, que a presença de Deus não está confinada a um edifício físico (o Templo de Jerusalém), como sugeriam seus acusadores, mas que Ele está em toda parte e age na História.
● Estevão ainda mostrou que repetidamente o povo de Israel e seus líderes resistiram e rejeitaram aqueles que Deus enviou para falar em seu nome, incluindo Moisés e os profetas.
● Ele acusou os líderes religiosos de ser “incircuncisos de coração e ouvidos” e de resistirem ao Espírito Santo, assim como seus antepassados fizeram, chamando-lhes de traidores e assassinos do Messias, o Justo que lhes havia sido anunciado.

5.3) A visão celestial de Estevão, o ódio do Sinédrio e o apedrejamento de Estevão (7.54-60)

● Estêvão declarou ver os céus abertos e Jesus em pé à direita de Deus, o que levou seus acusadores à fúria, que culminou no seu apedrejamento.
● Antes de morrer, Estevão disse: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!”; “Senhor, não lhes imputes este pecado!”.

6) A dispersão, o evangelho chega a Samaria e a conversão do eunuco (At 8).

● Exceto os apóstolos, todos foram dispersos pela Judeia e Samaria. Saulo comandava uma intensa perseguição ao lançar cristãos na prisão (8.1-3).
● Filipe pregou o evangelho em Samaria e operou grandes sinais. Muitos samaritanos foram batizados, inclusive Simão, o mágico, que iludia o povo (8.4-13).
● Pedro e João foram a Samaria e oraram para que os samaritanos convertidos recebessem o Espírito Santo. Eles evangelizaram muitas aldeias samaritanas.

Os textos de Atos 2.1-4; 8.14-17; 10.46-49 e 19.1-7 marcam o derramar do Espírito Santo, com a presença de apóstolos, sobre, respectivamente, judeus, samaritanos, gentios e discípulos de João Batista. Apenas no caso dos samaritanos (8:14-17) não se menciona o falar em outras línguas, mas é provável que tenha ocorrido. O livro de Atos é de caráter histórico e cobre o período de transição do Judaísmo para o Cristianismo, ou seja, do Velho para o Novo Testamento, a fase do surgimento da igreja. O Espírito Santo foi primeiramente enviado aos judeus (2:1-4). Havia a necessidade de que aqueles primeiros cristãos entendessem que esse não era um privilégio exclusivo dos crentes judeus.

Devemos lembrar que naquela cultura havia um preconceito, muitas vezes hostil, para com gentios e, principalmente, samaritanos. Seria muito provável que os primeiros crentes judeus caíssem no erro de pensar que o Espírito Santo não seria concedido a tais grupos. Portanto, foi imprescindível que o Senhor deixasse muito claro que a promessa do Espírito era para todos os que cressem verdadeiramente. Por isso enviou o Espírito a tais grupos com sinais evidentes e na presença de apóstolos, a fim de que não restasse qualquer dúvida.

No caso dos discípulos de João Batista (19:1-7), o texto deixa claro que nem todos tinham conhecimento ainda do evangelho de Cristo. Desse modo, eram crentes do Velho Testamento, os quais criam no Messias que viria. Não sabiam sobre Jesus e, muito menos, sobre o Espírito Santo. Ao ouvirem o evangelho, creram e receberam o Espírito, como prova de sua inclusão no corpo de Cristo, como acontece no momento da salvação de qualquer pessoa (1 Co 12:13).

Assim, essas experiências de vinda do Espírito Santo, sobre grupos distintos e em ocasiões diferentes, não podem servir de base para afirmar que o recebimento do Espírito Santo é um acontecimento separado da salvação, como muitos creem. No ato da salvação todos recebem o Espírito e são automaticamente incluídos no corpo de Cristo (1Co 12:13). As manifestações de dons que ocorreram nos relatos de Atos tiveram o objetivo de atestar que o Espírito Santo viria sobre todos os que cressem. Tais sinais, evidenciando o batismo no Espírito Santo, não são mencionados nas cartas apostólicas, o que demonstra que foram eventos pontuais e históricos afeitos ao início da igreja.

Um etíope eunuco, que cuidava do tesouro real, estava indo de Jerusalém a Gaza lendo Isaías 53, mas sem qualquer compreensão acerca do que lia. Filipe se aproximou, explicou que o profeta se referia a Jesus. O eunuco se converteu e foi batizado. Filipe foi arrebatado pelo Senhor para evangelizar outras cidades até chegar a Cesareia (8.26-40).

7) A conversão de Saulo e o início de seu ministério (At 9.1-25)

7.1) O Senhor falou com Saulo no caminho para Damasco (At 9.1-9)

● Saulo recebeu do sumo-sacerdote autorização para prender cristãos em Damasco. No caminho, próximo a Damasco, o Senhor lhe apareceu e falou, ordenando-lhe que entrasse na cidade para ouvir o que tinha que fazer. Ele ficou cego por três dias, sem comer e beber.

7.2) Ananias visita Saulo (At 9.10-19)

● O Senhor falou com Ananias que procurasse Saulo, o qual ficou receoso, a princípio, diante da reputação de Saulo como perseguidor da igreja. Mas ● Senhor lhe disse que Saulo era um vaso escolhido para pregar e sofrer pelo evangelho.
● Ananias foi até Saulo e impôs as mãos sobre ele, a fim de que voltasse a enxergar. Então o batizou. Saulo, então, alimentou-se e permaneceu alguns dias em Damasco com os discípulos.

7.3) Saulo pregou em Damasco, foi para Jerusalém e depois para Tarso (At 9.20-30)

● Saulo pregava o evangelho nas sinagogas, causando espanto àqueles que o conheciam. Judeus tentaram matá-lo, mas ele escapou de Damasco em um cesto pela muralha da cidade.
● Então ele foi para Jerusalém e esteve com os apóstolos. Pregou na cidade e os helenistas queriam matá-lo. Assim, os irmãos levaram Saulo para Cesareia e depois para Tarso.

8) Pedro e o crescimento da igreja, cura de Eneias e ressurreição de Dorcas (At 9.31-43)

8.1) A igreja crescendo e a cura de Eneias (At 9.31-35)

 A igreja tinha paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número (9.31).
 Pedro pregou em Lida e curou, pelo poder de Cristo, um homem chamado Eneias, que jazia há 8 anos na cama. Muitos de Lida e Sarom se converteram ao Senhor (9.32-35).

8.2) A ressurreição de Dorcas (At 9.36-43)

● Em Jope, próximo de Lida (na região da atual Tel Aviv, em Israel), havia uma discípula piedosa e caridosa chamada Tabita (que traduzido é Dorcas). Ela adoeceu e morreu. Chamaram Pedro a Lida, que foi a Jope, e Dorcas foi ressuscitada. Muitos creram no Senhor. Pedro ficou em Jope por vários dias na casa de Simão, um curtidor de peles.

9) Pedro e a conversão da casa de Cornélio – O evangelho chega aos gentios (At 10.1 a 11.1-18)

9.1) Pedro e a pregação do evangelho ao centurião Cornélio (At 10)

● O capítulo relata o encontro entre o apóstolo Pedro e Cornélio (centurião romano gentio e piedoso, em Cesareia), marcando a abertura do evangelho aos gentios.
● Um anjo apareceu a Cornélio, instruindo-o a enviar homens a Jope para buscar Pedro.
● Deus preparou Pedro com uma visão de animais puros e impuros (segundo a lei moisaíca), ensinando-o a não julgar o que Deus purificou.
● Os homens de Cornélio chegaram a Pedro, o qual lhes hospedou (um ato incomum para um judeu da época) e foi com eles para Cesareia, onde pregou o evangelho na casa de Cornélio.
● Enquanto Pedro falava, o Espírito Santo caiu sobre todos os ouvintes gentios na casa de Cornélio, que começaram a falar em outras línguas, confirmando a sua aceitação por Deus. Pedro reconheceu que Deus os aceitou e ordenou que fossem batizados em nome de Jesus. Ele reconheceu que Deus não faz acepção de pessoas e que o evangelho é para todas as nações.
● Sobre as experiências da descida do Espírito Santo sobre grupos diferentes e o falar em outras línguas: ver quadro explicativo no ítem 6.

9.2) Pedro se justifica à igreja sobre o batismo de gentios (At 11.1-18)

● Os apóstolos e irmãos na Judeia souberam que gentios haviam recebido a palavra de Deus. Mas os da circuncisão censuraram a entrada em casa de incircuncisos.
● Pedro relatou a visão que teve (10.9-16), para que não considerasse impuro o que Deus purificou, o relato de Cornélio sobre o anjo que o direcionou a ir a Jope chamá-lo para ouvir o evangelho, bem como o derramar do Espírito Santo sobre a casa de Cornélio.
● Pedro disse: “se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?” (11.17).
● Assim, “E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (11.18).

10) O evangelho avança, a origem do nome “cristão” e a profecia de uma grande fome (At 11.19-30)

A perseguição que sobreveio à igreja após a morte de Estevão dispersou muitos discípulos na Fenícia, Chipre e Antioquia. Esses irmãos anunciaram o evangelho aos judeus daquelas regiões. Alguns que eram de Chipre e Cirene foram a Antioquia e anunciaram o evangelho também aos gregos. Muitos se converteram.
● A igreja de Jerusalém enviou Barnabé a Antioquia para encorajar os irmãos. Logo depois, Barnabé foi a Tarso para se encontrar com Saulo e levá-lo a Antioquia. Durante um ano se reuniram com numerosa multidão para instrução na Palavra. Pela primeira vez os discípulos são chamados de cristãos.
● O profeta Ágabo desceu de Jerusalém para Antioquia revelando que haveria uma grande fome, o que aconteceu nos tempos do imperador Cláudio. Os irmãos se mobilizaram para enviar suprimentos aos cristãos da Judeia.

11) Herodes Agripa persegue a igreja e morre; o martírio de Tiago; Pedro é preso, mas é liberto pelo anjo do Senhor; e a igreja avança (At 12)

11.1) Tiago é morto, Pedro é preso e libertado pelo anjo do Senhor (At 12.1-19):

● Durante a Festa dos Pães Asmos, Herodes Agripa (que reinou entre 33-44 d.C.), neto de Herodes, o Grande, (que matou os meninos de Belém e arredores após o nascimento de Jesus – Mt 2) mandou prender e maltratar irmãos, matou Tiago (irmão de João) à espada e mandou Pedro para a prisão, onde ficou acorrentado e sob vigilância constante de dois soldados. Sua intenção era apresentar Pedro perante os judeus após a Festa (At 12.1-4).
● A igreja orava por Pedro. À noite, quando Pedro dormia, um anjo do Senhor o acordou, livrou-lhe das correntes e mandou segui-lo. As portas da prisão se abriram, Pedro pensou ser uma visão. Mas após o anjo se apartar dele, entendeu que o Senhor o livrou do cárcere (At 12.5-11).
● Pedro foi à casa de Maria, mãe de João Marcos (autor do Evangelho de Marcos), onde muitos estavam orando por ele. A criada Rode, entusiasmada ao vê-lo no portão, anunciou a todos. Os irmãos pensaram que ela tinha visto o anjo de Pedro (superstição judaica que dizia que cada pessoa tinha um anjo). Pedro insistiu, batendo na porta, entrou, anunciou as grandes obras do Senhor e retirou-se para outro lugar. Os soldados ficaram em alvoroço, sem saber o que havia acontecido. Herodes mandou matar os sentinelas e foi para Cesareia (At 12.12-19).

11.2) A morte de Herodes Agripa (At 12.20-23)

● Os habitantes de Tiro e Sidom queriam se reconciliar com Herodes Agripa. Perante o povo, ele se assentou no trono e aceitou ser chamado de um ser divino. Naquela noite, um anjo do Senhor o feriu e ele morreu comido por vermes.

11.3) A igreja avança (At 12-24-25)

● A palavra do Senhor crescia e se multiplicava. Barnabé e Saulo, cumprida sua missão, voltaram de Jerusalém, levando também consigo João Marcos.

12. A primeira viagem missionária de Paulo (At 13 e 14) – Entre 45 e 50 d.C.

● Ida: Antioquia da Síria; Chipre: Salamina e Pafos (At. 13.4-12); Ásia Menor (Galácia): Perge da Panfília (At. 13.13), Antioquia da Pisidia (At. 13.14-52), Icônio (At. 14.1-7), Listra (At. 14.8-19). Derbe (At. 14.20-21).
Retorno: Listra (At. 14.21-23); Icônio (At. 14.21-23); Antioquia da Pisídia (At. 14.21-23); Perge da Panfília (At. 14.24-25); Antioquia da Síria (At. 14.26-28)

12.1) Paulo e Barnabé foram separados e enviados pela igreja em Antioquia da Síria (At 13.1-3).

12.2)  Chipre – Salamina e Pafos (At 13.4-12):

● Em Salamina, eles, junto com Marcos, anunciaram o evangelho nas sinagogas.
● Em Pafos, encontraram Barjesus (ou Elimas), um falso profeta e mágico judeu, que se opôs a eles enquanto pregavam ao procônsul Sérgio. Paulo o repreendeu chamando-o de filho do diabo, acrescentando que ficaria cego por algum tempo. Diante do que viu e ouviu, o procônsul creu.

12.3) Perge da Panfília (At 13.13) João Marcos se aparta de Paulo e Barnabé, voltando a Jerusalém.

12;4) O primeiro sábado de Paulo e Barnabé em Antioquia da Pisídia (At 13.14-43)

● Na sinagoga, após a leitura, a pedido dos chefes da sinagoga, Paulo (At 13.14-43):
a) Relembrou a bondade de Deus para com Israel, conforme registrado no Antigo Testamento;

b) Falou de Jesus, o Messias, redentor, o descendente prometido de Davi, apresentado por João Batista, crucificado pelos líderes religiosos e ressurreto diante de testemunhas;
c) Declarou que a promessa de Deus foi cumprida na ressurreição de Jesus que, diferente de Davi, não viu corrupção. Também que, em seu nome, é anunciado o perdão dos pecados.
d) Finalizou dizendo que a justificação é somente por Cristo e não pela lei, alertando contra a incredulidade, citando profecias sobre a exclusão dos que não creem.
● Solicitaram que eles voltassem no sábado seguinte. Muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, sendo exortados a perseverar na graça de Deus (At 13.42-43).

12.5) O segundo sábado em Antioquia da Pisídia – Paulo e Barnabé vão para os gentios (At 13.44-52)

● Quase toda a cidade foi ouvir a Palavra de Deus, fato esse que gerou inveja e ira nos líderes religiosos, os quais contradiziam Paulo e blasfemavam.
● Paulo e Barnabé os lembraram que cumpria ser pregado o evangelho primeiramente aos judeus, mas diante da recusa e indignidade deles para a vida eterna, eles se voltariam para os gentios, conforme o Senhor ordenou levar o evangelho a todos os povos.
● Houve regozijo entre os gentios e a Palavra do Senhor cresceu em toda a região. Mas os judeus fizeram grande perseguição e expulsaram Paulo e Barnabé, que partiram para Icônio. Os discípulos transbordavam de alegria no Espírito Santo.

12.6)  Paulo e Barnabé em Icônio (At 14.1-7)

● Paulo e Barnabé pregaram na sinagoga, muitos judeus e gentios creram no evangelho. Porém outros judeus incitaram os gentios contra eles.
● A cidade ficou dividida e houve tumulto. Sabendo que poderiam ser apedrejados, Paulo e Barnabé vão para Listra.

12.7) Paulo e Barnabé considerados deuses em Listra (At 14.8-19)

● Um homem paralítico de nascença foi curado milagrosamente. Tal fato levou multidões a considerarem Paulo e Barnabé como deuses, chamando-os de Mercúrio e Júpiter. O sacerdote do templo de Júpiter e a multidão queriam oferecer sacrifícios a eles (At 14.8-13).
● Paulo e Barnabé rasgaram suas vestes, disseram que eram homens pecadores como eles e que apenas anunciavam o Deus verdadeiro. Mesmo assim, tiveram que se esforçar para impedir os sacrifícios (At 14.14-18).

12.8) Paulo é apedrejado em Listra e, junto com Barnabé, vai para Derbe (At 14.19-21)

● Judeus de Antioquia (de Pisídia) e Icônio instigaram o apedrejamento de Paulo, que arrastado para fora da cidade, foi dado como morto.
● Os discípulos levantaram Paulo e o trouxeram de volta para a cidade. No dia seguinte, Paulo e Barnabé foram para Derbe, onde anunciaram o evangelho e fizeram muitos discípulos (At 14.19-21).

12.9) O retorno para Antioquia da Síria e o fim da 1ª viagem missionária (At 14.21-28)

● Eles saíram de Derbe e voltaram para Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia. Fortaleceram os irmãos, dizendo que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”.
● Procederam eleição de presbíteros em cada igreja e, após orar e jejuar, entregaram aqueles homens ao Senhor.
● Anunciaram novamente a Palavra de Deus em Perge da Panfília, desceram a Atália e de lá navegaram para Antioquia da Síria, onde permaneceram muito tempo, relatando aos irmãos a obra que Deus estava fazendo e como foi aberto aos gentios a porta da fé.

13) O concílio de Jerusalém (At 15.1-35)

13.1) A grande controvérsia e o envio de Paulo e Barnabé (At 15.1-5)

● Ocorreu a primeira grande assembleia da igreja cristã primitiva, que abordou sobre a salvação dos gentios e os costumes da Lei de Moisés.
● Falsos mestres judaizantes desceram da Judeia a Antioquia dizendo que os gentios convertidos tinham que ser circuncidados para serem salvos. Eles contenderam com Paulo e Barnabé.
● Paulo e Barnabé subiram a Jerusalém, sendo bem recebidos pela igreja, apóstolos e presbíteros, mas resistidos por alguns da seita dos fariseus (judaizantes).

13.2) A reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém – o discurso de Pedro (At 15.6-11)

● Houve grande debate, até Pedro tomar a palavra e relatar suas experiências de proclamação aos gentios.
● Pedro expôs que Deus derramou o Espírito Santo sobre os gentios (na casa de Cornélio, At 10), purificando seus corações pela fé, sem fazer distinção entre eles e os judeus.
● Pedro falou contra a imposição de um “jugo” (a Lei) que nem mesmo os judeus foram capazes de suportar, enfatizando que a salvação é pela graça de Jesus Cristo.

13.3) O testemunho de Paulo e Barnabé e o parecer de Tiago (At. 15.12-21)

● Paulo e Barnabé relataram os sinais e prodígios que Deus fez por meio deles entre os gentios (At 15.12).
● Tiago (meio-irmão do Senhor e autor da carta de Tiago) tomou a palavra e, citando o que Pedro havia dito, concluiu sugerindo que os gentios convertidos não fossem sobrecarregados com as exigências da lei judaica.
● Ele propôs apenas que se abstivessem de contaminações de ídolos (alimentos oferecidos em rituais idólatras), imoralidade sexual (pecados sexuais em geral, muito associados aos cultos idólatras) e carne de animais sufocados e sangue (cf. Gn 9.4; Lv 3.17,7.26; 17.12-14; 19.26 etc.).
● Essas regras visavam facilitar a comunhão e o relacionamento pacífico entre cristãos judeus e gentios (At 15.13-21).

13.4) A decisão final enviada à igreja de Antioquia – Pacificação da questão (At 15.22-35)

● Os apóstolos e presbíteros concordaram unanimemente e enviaram uma carta oficial a Antioquia, Síria e Cilícia, levando a decisão. Judas (Barsabás) e Silas foram escolhidos para acompanhar Paulo e Barnabé e confirmar a mensagem verbalmente (At 15.22-29).
● A carta e a delegação foram bem recebidas em Antioquia. A leitura da mensagem trouxe alegria e encorajamento aos irmãos, confirmando que a salvação é pela fé e graça, não pela obediência à lei ritual judaica (At 15.30-34).
● Paulo e Barnabé permaneceram em Antioquia, ensinando e pregando com muitos outros a Palavra do Senhor (At 15.35).

14) A segunda viagem missionária de Paulo (At 15.36 a 18.23) – Entre 49 e 52 d.C.

Destinos: Síria, Silícia, Derbe e Listra (At 15.41-16.5); Trôade (At 16.6-10); Filipos (At. 16.11-40); Tessalônica (At. 17.1-9); Bereia (At. 17.10-14); Atenas (At. 17.16-34); Corinto (At. 18.1-17) – 18 meses; Éfeso (At. 18.18-21); Conclusão da viagem (At 18.19-23).
Companheiros: Silas, Timóteo e Lucas.
Escritos: De Corinto, Paulo escreveu as epístolas de 1 e 2 Tessalonicenses.

14.1)  A separação entre Barnabé e Paulo (At 15.36-41)

● Como João Marcos havia voltado para Jerusalém no curso da primeira viagem missionária (At 13.13), Paulo, discordando de Barnabé, recusou levá-lo na segunda viagem missionária.
● Então Paulo partiu com Silas para Síria e Cilícia, confirmando as igrejas e Barnabé navegou para Chipre com João Marcos.

14.2) Paulo em Derbe e Listra – Timóteo e sua circuncisão (At 16.1-5)

● Os irmãos de Icônio e Listra davam bom testemunho de Timóteo. Paulo quis levá-lo para sua viagem, mas o circuncidou porque os judeus sabiam que o pai de Timóteo era grego.
● Paulo orientava as igrejas a seguir o parecer do concílio de Jerusalém (At 15).

14.3) Paulo em Trôade – A visão (At 16.6-10)

● O Espírito Santo impediu Paulo de pregar na Ásia e Bitínia, então ele foi para Trôade, onde teve uma visão para ir à Macedônia pregar o evangelho.

14.4) Paulo e Silas em Filipos (At 15.11-40)

A conversão de Lídia (At 16.11-15). Paulo permaneceu alguns dias em Filipos (cidade da Macedônia) e pregou o evangelho a Lídia (vendedora de púrpura da cidade de Tiatira). Ela se converteu, foi batizada e ofereceu hospedagem a Paulo e aos irmãos que estavam com ele.

A cura de uma jovem adivinhadora (At 16.16-21):
a) Uma jovem possessa de espírito adivinhador seguia Paulo e seus companheiros dizendo que eles anunciavam o caminho da salvação. Após muitos dias, Paulo se indignou e expulsou o demônio que estava nela.
b) Aquela mulher dava muitos lucros a seus senhores, que acusaram Paulo e Silas de perturbar a cidade com costumes não romanos.

● A prisão de Paulo e Silas e a conversão do carcereiro (At 16.22-34)
a) A multidão e os pretores os acoitaram e os encarceraram sob vigilância constante de um carcereiro, que na cela, prendeu os pés deles em um tronco (At 16.22-24).

b) Paulo e Silas cantavam e oravam na cela, então houve um tremor que quebrou as cadeias e as portas da prisão (At. 16.25-26).
c) O carcereiro pensou que todos haviam fugido. Quis suicidar-se, mas Paulo o impediu, informando-lhe que ninguém havia fugido.
d) Ele perguntou como poderia ser salvo, Paulo lhe disse: “crê no Senhor Jesus e será salvo, tu e tua casa”. Então ele pregou o evangelho ao carcereiro e a toda sua casa, tendo sido batizados naquela noite (At 16.27-34).

Paulo e Silas livres da prisão (At 16.35-40)
a) Os pretores mandaram soltar Paulo e Silas, mas Paulo questionou a arbitrariedade da prisão, pois eles eram cidadãos romanos. Os pretores pediram desculpas e rogaram-lhes que saíssem da cidade. Eles voltaram à casa de Lídia, confortaram os irmãos e partiram para Tessalônica.

14.5) Paulo e Silas em Tessalônica (At 17.1-9)

● Após passar por Anfípolis e Apolônia, eles chegaram a Tessalônica e ficaram hospedados na casa de Jasom. Por três sábados, Paulo tratou, na sinagoga, das Escrituras e sobre Cristo. Muitos judeus e gregos se converteram.
● Judeus, movidos por inveja, armaram um caos na cidade, aliciando homens maus para tal feito. Como não acharam Paulo e Silas, “arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui” (1Ts 17.6).
● Eles diziam que Paulo e Silas incitavam desobediência a Cesar, afirmando que haveria um rei no lugar dele. Os irmãos foram libertados mediante fiança.

14.6) Paulo e Silas em Bereia (At 17.10-15)

● Os irmãos deram fuga a Paulo e Silas e os enviaram a Bereia. Eles chagaram lá e foram à sinagoga pregar o evangelho.
● Os de Bereia examinaram as Escrituras para conferir as palavras ditas. Muitos creram, inclusive gregos.
● Judeus de Tessalônica foram a Beréia promover tumultos. Os irmãos deram escape a Paulo, que foi para Atenas. Mais tarde, Silas e Timóteo foram ao encontro de Paulo.

14.7) Paulo no areópago em Atenas (At 17.16-34):

● Paulo ficou indignado com a idolatria, pois a cidade era repleta de templos e estátuas de deuses. Ele debatia diariamente com curiosos e filósofos epicureus e estoicos. Foi levado ao Areópago para explicar a nova doutrina sobre Jesus e a ressurreição.
● Ele elogiou a dedicação religiosa dos atenienses, notando um altar dedicado ao “Deus Desconhecido”.
● Anunciou que o “Deus Desconhecido” é o criador de tudo, Senhor do céu e da terra, que não precisa de templos ou serviços humanos, pois ele mesmo dá vida e fôlego a todos e que a divindade não é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.
● Concluiu dizendo que Deus agora ordena que todos se arrependam, pois estabeleceu um dia para julgar o mundo com justiça por meio de um homem (Jesus), ressuscitando-o dos mortos.
● Alguns zombaram, outros ficaram curiosos para ouvir mais, e alguns creram, incluindo Dionísio, membro do Areópago, e uma mulher chamada Damaris (At 17.32-34).

14.8) Paulo em Corinto, onde ficou por um ano e meio (At 18.1-17)

● Paulo em casa de Áquila e Priscila (At 18.1-3)
a)  Áquila e Priscila saíram de Roma depois que Cláudio ordenou a expulsão dos judeus. Paulo ficou hospedado na casa desse casal piedoso, onde fabricava tendas.

Silas e Timóteo chegam e Paulo prega nas sinagogas (At 18.4-5) 
a)
Todos os sábados, Paulo ia para a sinagoga expor as Escrituras, testemunhando que Jesus é o Messias, o Cristo.

O Senhor anima Paulo a prosseguir e não se calar (At 18.6-11)
a) Muitos judeus blasfemavam, o que fez Paulo dizer que iria apenas para os gentios e que estava livre do encargo de insistir com eles (At 18.6).

b) Crispo, o principal da sinagoga, e toda sua casa, creram no Senhor. Muitos da cidade creram e foram batizados (At 18.8).
c) Paulo teve uma visão à noite, pela qual deveria permanecer em Corinto, não temer e não se calar, pois Deus tinha muito povo naquela cidade. Então ele ficou na cidade por um ano e meio (At 18.9-11).

Paulo perante o procônsul Gálio, governador da província romana da Acaia, da qual Corinto era a capital (At 18.12-18)
a) O procônsul era a autoridade suprema em sua jurisdição. Administrava a lei, a justiça e a ordem, supervisionava as finanças e comandava tropas.
b) Os judeus levaram Paulo ao tribunal perante Gálio, acusando-o de ensinar a adorar a Deus de maneira contrária à Lei. Gálio não quis se envolver na questão e expulsou todos do tribunal.
c) Então os judeus espancaram Sóstenes, o principal da sinagoga (talvez frustrados pelo fracasso da ação contra Paulo). Mas Paulo ainda permaneceu em Corinto por muitos dias.

Paulo em Éfeso e o fim da segunda viagem missionária (At 18.18-23)
a) Ao sair de Corinto, Paulo levou consigo Áquila e Priscila e os deixou em Éfeso.

b) Ele pregou aos judeus na sinagoga, que rogaram para que ele ficasse mais tempo em Éfeso.
c) Paulo havia feito um voto nazireu, raspando a cabeça, pelo que tinha que se apresentar no templo em Jerusalém (Nm 6.2; 5.13-21).
d) Ele partiu para Jerusalém, saudou a igreja e seguiu atravessando a região da Galácia e Frígia, confirmando os discípulos.

15) A terceira viagem missionária de Paulo (At 18.23 a 21.16) – Entre 54 e 57 d.C.

Destinos: Antioquia da Síria; Galácia e Frígia (At 18.23); Éfeso (3 anos) (At 19.1-41); Macedônia (At 20.1): Filipos, Tessalônica, Bereia; Corinto (3 meses) – (At 20.2-3); Macedônia (At 20.3-5); Trôade (At 20.6-12); Mileto (At 20.13-17); Tiro (At 21.1-6); Ptolemaida (At 21.7); Cesareia (At 21.7-14); Jerusalém (At 21.15),
Companheiros principais:  Timóteo (At 19.22; 20.4); Tito (2Co 13; 7.5-6); Lucas (20.5-15).
Cartas Escritas: Carta aos Romanos escrita em Corinto (Rm 16.1,23). Recreia era porto de Corinto; Gaio e Erasto estavam relacionados a Corinto; 1ª Carta aos Coríntios Em Éfeso (1Co 16.8-9,19).;
2ª Carta aos Coríntios possivelmente em Filipos (2Co 11.9; Fp 4.15).

15.1) Paulo na Galácia e Frígia, Apolo em Éfeso (At 18.23-28)

● De Antioquia, Paulo foi à Galácia e Frígia, confirmando todos os discípulos.
● Apolo foi a Éfeso. Era fervoroso, eloquente, poderoso nas Escrituras e ensinava a respeito de Jesus, mas só conhecia o batismo de João. Após falar na sinagoga, aproximaram-se dele Áquila e Priscila. Apolo partiu para Corinto (At 19.1).

15.2) Paulo em Éfeso e os discípulos de João Batista (At 19.1-7)

● Tal como Apolo (que estava em Corinto), havia em Éfeso discípulos de João Batista que não compreendiam ainda a plenitude da fé cristã. Como não haviam recebido o batismo cristão, não eram ainda cristãos. Eles não compreendiam que Jesus era aquele para quem o batismo de João apontava.
● Foram batizados em nome de Jesus e, após a imposição de mãos de Paulo, veio sobre eles o Espírito Santo, profetizavam e falavam em outras línguas.
● Observa-se cenário semelhante em Atos 2.1-4; 8.14-17; 10.46-49 e 19.1-7. Esses textos marcam o derramar do Espírito Santo, com a presença de apóstolos, sobre, respectivamente, judeus, samaritanos, gentios e discípulos de João Batista. Apenas Atos 8.14-17 não menciona dom de línguas, mas é provável que tenha ocorrido. Esse foi um período de transição no qual era necessária a confirmação pelos apóstolos para verificar a inclusão de um grupo novo de pessoas na igreja. Era um momento de transição entre o Antigo e Novo Testamento.
● Sobre as experiências da descida do Espírito Santo sobre grupos diferentes e o falar em outras línguas: ver quadro explicativo completo no ítem 6.

15.3) Paulo passou 2 anos na Escola de Tirano, em Éfeso, pregando e ensinando (At 19.8-20)

● Após 3 meses pregando e ensinando na Sinagoga, Paulo verificou muitas oposições e decidiu usar uma sala da Escola de Tirano para exercer seu ministério por 2 anos (At 19.8-10) para judeus e gregos. (Nota: Tirano era o proprietário da sala de aula, ou um filósofo que ensinava ali. Paulo usava a sala quando estava desocupada – geralmente entre 11h e 16 h).
● Paulo operava muitos milagres e sinais. Os lenços de cabeça e a roupa externa usados por Paulo enquanto fazia tendas, eram levados para curar e expelir demônios. Tal como em Atos 5.15, nem a sombra de Pedro curava e nem vestimentas de Paulo, mas o poder de Cristo (At 19.11-12).

15.4) O ataque de demônios contra judeus exorcistas ambulantes em Éfeso (At 19.13-17)

● Em contraste com a autoridade absoluta exercida por Jesus e pelos apóstolos sobre demônios, os sete filhos de um judeu, chamado Ceva, diziam-se exorcistas e procuravam expelir demônios invocando um ser espiritual mais potente: Jesus.
● Os demônios reconheceram que, diferente de Jesus e dos apóstolos, aqueles exorcistas não tinham autoridade sobre eles. O homem possesso saltou sobre eles, prevaleceu e os fizeram fugir desnudos e feridos.
● Tal fato gerou muito temor em judeus e gregos, e o nome do Senhor era engrandecido em Éfeso.

15.5) O evangelho prevalecendo em Éfeso e os planos de Paulo (At 19.18-20)

● Muitos convertidos confessavam publicamente seus pecados. Aqueles que praticavam ocultismo traziam seus livros e os queimavam e a palavra do Senhor se propagava na cidade.
● Paulo planejou passar pela Macedônia e Acaia, ir para Jerusalém e depois para Roma. Ele enviou Timóteo e Erasto para a Macedônia.

15.6) O tumulto incitado por artífices de peças idólatras em Éfeso contra Paulo (At 19.23-41)

● A pregação de Paulo levou muitos em Éfeso a abandonar a idolatria e o comércio de ídolos, afetando a economia local. Demétrio, um ourives, reuniu seus colegas, alegando que a fé cristã prejudicava o negócio das estatuetas de Ártemis.
● Eles causaram um alvoroço, alegando que Paulo desonrava a grande deusa Diana e seu templo. A multidão, em sua maioria, não sabia o motivo, mas foi levada ao fervor, gritando por horas: “Grande é a Diana dos efésios!”.
● Um judeu, chamado Alexandre, foi empurrado à frente para se defender, mas a multidão, ao saber que ele era judeu, gritou ainda mais alto.
● O escrivão da cidade interveio, lembrando que Éfeso era a cidade guardiã do templo de Diana e que os fatos eram inegáveis. Afirmou que Paulo e seus companheiros não roubaram templos nem blasfemaram contra a deusa. Instruiu que qualquer queixa deveria ser levada aos tribunais, não à violência. Alertou-lhes que a confusão poderia llevar a acusações de sedição, encerrando o ajuntamento.

15.7) Paulo visita a Macedônia e a Grécia (At 20.1-6)

● Ele passou pela Macedônia (Filipos, Tessalônica e Bereia) encorajando as igrejas. Foi para a Grécia (provavelmente Corinto), onde permaneceu por três meses. Após descobrir uma conspiração de judeus contra ele, retornou através da Macedônia.
● Ele foi acompanhado até à Ásia por Sópatro (de Bereia), Aristarco e Secundo (de Tessalônica), Gaio (de Derbe), Timóteo, Tíquico e Trófimo (da Ásia), que foram para Trôade, onde esperaram Paulo chegar.
● Depois da Festa dos Pães Asmos, Paulo partiu de Filipos (na Macedônia) em direção a Trôade.

15.8) Paulo em Trôade – A ressurreição de Êutico (At 20.7-12)

● No domingo, Paulo se reuniu com a igreja para o partir do pão. Como iria viajar no dia seguinte, prolongou sua pregação até meia-noite, sob muitas lâmpadas. O jovem Êutico dormiu na janela, caiu do terceiro andar e morreu (a igreja primitiva se reunia nas casas, o primeiro “templo” dito cristão só foi construído no sec. III).
● Paulo foi a seu encontro, abraçou-lhe e declarou que estava vivo. A ressurreição de Êutico confortou todos e Paulo prosseguiu no seu ensino.

15.9) Paulo em Mileto – A última instrução de Paulo aos presbíteros em Éfeso (At 20.13-38)

● Após passar por vários locais, Paulo chegou em Mileto e mandou chamar os presbíteros de Éfeso. Ele decidiu não ir a Éfeso, a fim de ir à Festa de Pentecostes, em Jerusalém (At 20.13-16).
● Paulo recordou como serviu com humildade, lágrimas, provações e sem reter nada essencial, pregando o arrependimento e o evangelho de Jesus (At 20.18-21).
● Disse-lhes que, constrangido pelo Espírito, iria para Jerusalém, sem saber o que o esperaria, mas sabendo que o ministério que recebeu era o de testemunhar o evangelho da graça de Deus (At 20.22-24).
● Advertiu-lhes sobre os falsos mestres, dizendo que após sua saída, “lobos vorazes” entrariam e não poupariam o rebanho, bem como que homens da própria igreja falariam perversamente para desviar os discípulos (At 20.28-31).
● Encorajou que os presbíteros cuidassem do rebanho, fossem firmes e exemplos no serviço. Disse-lhes: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28).
● Paulo destacou que não cobiçou nada para si, mas serviu com as mãos para ajudar os fracos, lembrando a frase de Jesus: “Há maior felicidade em dar do que em receber” (At 20,33-35).
● Então orou com os presbíteros e os abraçou. Houve a dor da separação, pois eles sabiam que nunca mais veriam Paulo, como ele mesmo lhes havia dito (At 20.36-38).

15.10) Paulo em Tiro, Ptolemaida e Cesareia – O fim da 3ª viagem missionária (At 21.1-16)

● Paulo e seus companheiros foram recebidos pelos irmãos em Tiro, onde permaneceu por sete dias. Eles, movidos pelo Espírito, recomendaram a Paulo que não fosse a Jerusalém (At 21.4).
● Após passar um dia com os irmãos em Ptolemaida, eles chegaram em Cesareia e ficaram na casa de Filipe, o evangelista, que tinha quatro filhas que profetizavam.
● Um profeta, chamado Ágabo, desceu da Judeia e profetizou que Paulo seria preso pelos romanos (At 21.11). O mesmo Ágabo havia profetizado uma fome, a qual aconteceu nos dias de Cláudio (At 11.28).

Nota sobre o pedidos dos discípulos em Tiro e a profecia de Ágabo

Falsas doutrinas se fundamentam em Atos 21.4 e 21.11 para afirmar a continuidade do dom de profecia (no sentido de proclamação de uma verdade inédita) e explicar o porquê de as “profecias” proferidas hoje e que não cumpridas não qualificam o “profeta” na categoria de um falso profeta (Dt 18:22). Alegam que, na era do Novo Testamento, apenas os profetas que eram apóstolos não cometeram erros em suas profecias, porém os demais podem cometer. No texto de Atos 21.4, os discípulos de Tiro recomendaram a Paulo que não fosse para Jerusalém, pois muito sofrimento iria padecer lá. O Espírito Santo os tinha dado a certeza de que isso lhe aconteceria. Os discípulos de Tiro estavam movidos por zelo pela vida de Paulo, todavia o próprio Paulo era consciente de que teria que seguir rumo a Jerusalém, visto que essa foi a direção que recebeu do Senhor (At 20;24). Assim, o Espírito Santo estava alertando Paulo sobre os sofrimentos, e os discípulos, por o amarem, estavam tentando desanimá-lo a seguir viagem. Em resumo, Paulo tinha a direção do Senhor para seguir sua viagem, mas o Espírito estava deixando claro os perigos que o aguardavam (At 20:21-24). No caso do texto de At 21:11, a profecia de Ágabo foi cumprida, pois Paulo disse: “vim preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos” (At 28.17).

 Os irmãos rogaram a Paulo que subisse para Jerusalém. Paulo lhes disse: “estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (At 21.13). E assim ele subiu para Jerusalém, encerrando sua 3ª viagem missionária.

16) Paulo é espancado e preso em Jerusalém, defende-se testemunhando seu chamado diretamente do Senhor, e escapa de ser açoitado pelos romanos por causa de sua cidadania (At 21.17 a 22.30).

16.1) A alegre recepção de Paulo pelos presbíteros em Jerusalém e a convivência com alguns discípulos genuínos que ainda eram zelosos da lei (At 21.17-26)

● Paulo é recebido pelos presbíteros, provavelmente os apóstolos estavam em viagem missionária. Ele relata o que Deus fez entre os gentios e judeus em diversos lugares. Todos glorificaram o nome do Senhor.
● Eles informaram a Paulo que vários crentes judeus ainda eram zelosos da lei (não foi uma referência aos falsos mestres judaizantes, mas a discípulos genuínos). Eles foram informados de que os falsos mestres judaizantes alardeavam que Paulo mandava os crentes judeus se afastarem de sua herança, abandonando os costumes judaicos.
● Estavam preocupados com a repercussão da chegada de Paulo perante esses irmãos. Havia quatro homens que tinham feito voto nazireu (o mesmo que Paulo fez – cf. At 18.18), então eles propuseram que Paulo fizesse parte da cerimônia deles no templo e cobrisse as despesas. Paulo havia chegado de viagem entre gentios, ele era considerado cerimonialmente impuro, tendo que se purificar. O objetivo é que Paulo provasse que não abandonou sua herança judaica.
● E assim foi feito. Quanto aos gentios convertidos, eles lembraram que toda a igreja conhecia o parecer do Concílio de Jerusalém (cf. At 15.12).

16.2) A prisão de Paulo em Jerusalém (At 21.27-40)

● Após 7 dias, judeus vindos da Ásia viram Paulo no templo e levantaram diversas falsas acusações contra ele: 1. que os judeus deveriam abandonar sua herança judaica; 2. que ele era um homem perigoso que se opunha à lei; 3. que blasfemava e contaminava o templo ao introduzir gregos dentro dele. Especificamente, acusaram-no de levar o gentio Trófimo para além do átrio dos gentios.
● A multidão arrastou Paulo para fora do templo para espancá-lo até à morte. O templo foi fechado e a cidade ficou em tumulto. O tribuno Cláudio Lísias (cf. At 23.26), que estava no comando da corte, interveio com soldados e levou Paulo acorrentado para a Fortaleza. Paulo teve que ser carregado, por conta da violência da multidão, a qual clamava por sua morte.
● O tribuno pensava que Paulo era um conhecido criminoso egípcio. Quando Paulo se identificou e pediu para fazer sua defesa perante o povo, ele o permitiu.

16.3) O discurso de Paulo em sua defesa, a rejeição e a fúria da multidão (At 22.1-23)

● Perante uma multidão enfurecida em Jerusalém, falando em aramaico (a língua comumente falada em Israel), Paulo narrou sua trajetória para provar sua fidelidade ao Judaísmo e explicar sua conversão.
● Destacou ser judeu, educado sob Gamaliel (o mais famoso rabino da época) e que foi um perseguidor dos cristãos.
● Falou de sua experiência na estrada de Damasco, onde viu uma poderosa luz e ouviu a voz do Cristo ressurreto. Citou Ananias como uma testemunha respeitada que confirmou seu chamado.
● Explicou que ao retornar a Jerusalém, recebeu uma visão no templo onde Jesus lhe ordenou a pregar aos gentios.
● A menção de enviar o evangelho aos gentios provocou fúria imediata na multidão. Eles pararam de ouvir, gritaram palavras de ordem contra a vida de Paulo, enquanto tiravam suas capas e lançavam poeira ao ar, indicando sua rejeição radical à inclusão dos gentios.

16.4) A reação romana contra Paulo, que invocou sua cidadania para não ser açoitado (At 22.24-30)

● O comandante romano, sem entender o aramaico e vendo confusão, ordenou que Paulo fosse levado para a fortaleza e açoitado, a fim de entender o motivo da fúria da multidão contra ele.
● Quando já estava amarrado para ser açoitado, Paulo revelou sua cidadania romana ao centurião. Por lei, os cidadãos romanos não podiam sofrer métodos brutais de investigação, fato que poderia destruir a carreira da autoridade que assim ordenasse.
● Diante do que Paulo disse, o comandante recuou, mas o manteve detido, determinando que o Sinédrio se reunisse no dia seguinte para ouvi-lo. Ele queria entender a natureza da acusação contra Paulo.

17) Paulo perante o Sinédrio em Jerusalém, a cilada armada contra ele e o Senhor lhe diz que testemunhará em Roma (At 23.1-10)

● Quando Paulo começou a falar no Sinédrio, o sumo-sacerdote Ananias, um dos mais cruéis e corruptos de Israel, mandou que batessem em sua boca. O sentido da palavra grega significa fortes golpes, não apenas um mero tapa. Esse ato foi completamente ilegal.
● Paulo, sem saber que se tratava do sumo-sacerdote, o chamou de “parede branqueada” (cf. Ez 13.10-16; Mt 23.27) e o acusou de praticar um ato ilegal.
● Paulo falou do Cristo ressurreto. Tal assunto levantou conflito entre os saduceus (que não criam em ressurreição, espírito, anjos e vida eterna) e os fariseus (que criam em todos eles). Os escribas da parte dos fariseus diziam que Paulo não fez mal algum.
● Vendo o comandante o tumulto no Sinédrio, mandou retirar Paulo do local e levá-lo, sob custódia (e não preso), à Fortaleza.
● Na noite seguinte, o Senhor disse a Paulo: “Coragem! Assim como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma” (At 23.11).

18) A descoberta de uma cilada dos judeus contra Paulo, que foi enviado, sob forte escolta, a Cesareia, pelo tribuno Cláudio Lísias, para Felix, o governador da Judeia (At 23.12-35)

● Cerca de 40 judeus se reuniram sob anátema (invocando juízo divino caso falhassem – cf. 1Sm 14.44; 2Sm 3.35; 19.13; 1Rs 2.23; 2Rs 6.31) e fizeram um pacto de não comer e nem beber até matarem Paulo.
● Eles planejaram que o comandante traria Paulo para uma suposta investigação, então eles o matariam em alguma cilada. O filho da irmã de Paulo ouviu a trama e o avisou. Paulo estava sob custódia na Fortaleza e podia receber visitas. O rapaz foi levado ao comandante e relatou a trama.
● Para preservar a vida de Paulo, o comandante reuniu um grande contingente de soldados e o enviou para Cesareia, aos cuidados do governador da Judeia (Félix).
● O comandante (Cláudio Lísias) escreveu uma carta informando a Felix que Paulo foi preso e quase morto pelos judeus. Por ser romano, ele o livrou e, tendo ouvido o Sinédrio, não achou acusação alguma que justificasse prisão ou morte. Ele intimou os judeus que comparecessem perante Felix para fazer as acusações.

19) Paulo se defende perante seus acusadores e perante o governador Félix. Fica preso por dois anos em Cesareia até a chegada do novo governador, Festo (At 24.1-27).

19.1) Os acusadores de Paulo e suas acusações perante Félix (At 24.1-9)

● O sumo-sacerdote Ananias, alguns anciãos e um certo orador, chamado Tértulo foram a Cesareia e apresentaram as acusações contra Paulo perante o governador Félix.
● Eles o acusaram de sedição, agitação e de profanar o Templo. Chamaram-no de líder da “seita do nazareno”, da qual ele seria um agitador em todo o Império. Segundo os acusadores, a “seita dos nazareno” seria perigosa para a tradição judaica. Argumentaram, outrossim, que foram impedidos de julgá-lo conforme a lei judaica.

19.2) A defesa de Paulo perante seus acusadores e Félix (At 24.10-21)

● Paulo refutou as acusações, disse que esteve em Jerusalém por apenas 12 dias e que não podia ser acusado de agitação no templo ou sinagogas.
● Falou de sua fé em Jesus Cristo, o “caminho” e sua crença na Lei e nos profetas. Explicou que os judeus da Ásia o atacaram no Templo, não por crime, mas por estar ali em adoração e purificação.
● Afirmou que a única razão para a hostilidade era sua crença na ressurreição dos mortos, algo que o Conselho Judaico não podia provar, mas que era uma questão de fé, não de crime.

19.3) Félix adiou o julgamento, Paulo foi ouvido pela esposa de Félix, foi mantido preso por dois anos, até Félix ser sucedido por Festo (At 24.22-27)

● Félix conhecia melhor os fatos sobre o Cristianismo, mas adiou o julgamento, alegando esperar o comandante Cláudio Lísias (Jerusalém), mas manteve Paulo preso sob custódia, permitindo visitas e ajuda de amigos.
● Sua esposa judia, Drusila, convenceu-lhe a ouvir Paulo novamente. Paulo pregou sobre a fé em Cristo Jesus, mas ao falar de justiça, domínio próprio e do juízo futuro, Félix se assustou e mandou Paulo embora, dizendo que o chamaria quando tivesse oportunidade.
● Félix vivia com uma mulher a quem havia induzido a deixar o marido. Ele não possuía justiça e domínio próprio. As palavras de Paulo, que falaram também de “juízo”, alarmaram-no e, por isso, despediu Paulo rapidamente.
● Félix secretamente esperava receber dinheiro de Paulo (suborno para libertá-lo), por isso o chamava frequentemente para conversar.
● Após dois anos, Félix foi sucedido por Festo. Para agradar os judeus, Félix deixou Paulo na prisão ao sair, sem resolver seu caso.

20) Paulo perante Festo, o apelo a César e o pedido de Festo ao rei Agripa (At 25.1-27).

20.1) Paulo perante Festo e o apelo a César (At 25.1-12)

● Festo assumiu o governo da Judeia e, ao visitar Jerusalém, foi abordado pelos principais sacerdotes e líderes judeus. Eles pediram que Paulo fosse levado a Jerusalém para julgamento, com a intenção oculta de emboscá-lo e matá-lo na estrada.
● Festo negou tal pedido naquele momento, mas propôs que os acusadores o acompanhassem a Cesareia para acusar Paulo ali.
● Paulo se defendeu perante Festo, afirmando não ter cometido crime contra a lei judaica. Porém, diante da intenção de Festo de enviá-lo a Jerusalém a fim de agradar os judeus, Paulo apelou para César, o imperador, um direito que lhe cabia como cidadão romano, para ser julgado em Roma.

20.2) Festo não tinha acusação para enviar Paulo a César e o interesse do rei Agripa em ouvir Paulo (At 25.13-27)

● O rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia e Festo relatou o caso de Paulo. Sem saber como escrever a César sobre as acusações sem fundamento dos judeus, pediu a ajuda de Agripa para entender o caso.

» Nota 1:
Rei Agripa (Herodes Agripa II): filho do Herodes que matou Tiago e prendeu Pedro (At 12.1). Seu tio-avô, Herodes Antipas, foi o Herodes dos Evangelhos (Mc.6.14-29; Lc 3.1; 13.31-33; 23.7-12), enquanto o seu bisavô, Herodes, o Grande, reinou no tempo em que Jesus nasceu (Mt 2.1-19; Lc 1.5). Embora não sendo o governante da Judeia, Agripa era bem versado nos assuntos judaicos (At 26.3).

» Nota 2: Berenice: Não a esposa de Agripa, mas sua consorte e irmã (a irmã deles, Drusila, era casada com Félix, o governador anterior). O relacionamento incestuoso que mantinham era tema de falatórios em Roma, onde Agripa fora criado. Durante algum tempo, Berenice foi amante do imperador Vespasiano, depois de seu filho Tito, mas sempre retornou para o seu irmão.

● Festo apresentou a Agripa e Berenice o caso de Paulo. Ele disse que as acusações dos judeus eram relativas à religião judaica e “particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirmava estar vivo” (At 25.19) e que, ao recusar ser julgado em Jerusalém, Paulo apelou para César.

● Festo informou que decidiu enviá-lo ao imperador, mas que não tinha acusação contra Paulo. Ele pediu que Agripa o escutasse para ajudá-lo a escrever ao imperador quando enviasse Paulo.

21) Paulo perante o rei Agripa, que o considerou inocente e Festo atendeu o apelo de Paulo para ser julgado em Roma (At 26.1-32).

● A audiência foi marcada com grande pompa, com a presença de chefes militares e notáveis da cidade (At 25.23).
● Ao falar, Paulo agradeceu a oportunidade, reconheceu o conhecimento de Agripa sobre os costumes judaicos, e explicou que estava sendo julgado pela esperança na ressurreição prometida por Deus.
● Paulo narrou sua vida como fariseu zeloso e sua experiência transformadora na estrada para Damasco, onde Jesus lhe apareceu, falou de sua cegueira temporária e do comissionamento recebido pelo Senhor.
● Disse que Jesus o incumbiu de ser ministro e testemunha, abrindo os olhos dos gentios para a conversão das trevas à luz, recebendo perdão de pecados e herança pela fé.
● Continuou dizendo que Moisés e os profetas falaram acerca do Cristo que deveria padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios (At 26.23).
● Ao ouvir Paulo falar da ressurreição dos mortos, Festo o interrompeu e o acusou de loucura. Paulo respondeu que não estava louco, mas estava anunciando a verdade
● Paulo argumentou que Agripa conhecia e acreditava nos profetas e que aquelas coisas não lhe eram ocultas. Agripa respondeu: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (At 26.28). Uma tradução melhor é: “Acha que pode me convencer a tornar-me cristão em tão pouco tempo?” Reconhecendo o seu dilema, Agripa rebateu a pergunta de Paulo com outra pergunta.
Festo, Agripa e Berenice concluíram que Paulo não havia cometido crime algum, e que, se não tivesse apelado a César, poderia ser solto.

22) Paulo enviado para a Itália, os perigos da viagem e o naufrágio do navio (At 27.1-44).

● Paulo rumou a uma viagem marítima, como prisioneiro, para Roma. Foi colocado sob a custódia do centurião Júlio, junto com outros presos. A embarcação enfrentou grandes dificuldades por causa dos ventos contrários, especialmente após passar por Creta.
● Paulo advertiu que a continuação da viagem traria prejuízo e perigo, mas sua advertência foi ignorada. Um forte vento atingiu o navio, que ficou à deriva por muitos dias. A tripulação lançou a carga ao mar para aliviar o peso, e todos perderam a esperança de sobreviver.
● Em meio à crise, Paulo encorajou a todos, dizendo que um anjo de Deus lhe havia aparecido, garantindo que ele compareceria diante de César e que nenhuma vida seria perdida, embora o navio não resistiria.
● Após quatorze dias à deriva, aproximam-se de terra. Alguns marinheiros tentaram fugir, mas Paulo interveio. O navio acabou naufragando, porém todos sobreviveram, chegando a salvo à ilha de Malta, conforme a promessa divina.
● Os soldados combinaram matar todos os prisioneiros, para que nenhum pudesse chegar até a praia e fugir. Mas o oficial romano queria salvar Paulo e não deixou que fizessem isso. Ele mandou que todos os que soubessem nadar fossem os primeiros a se jogar na água para nadar até à praia. Mandou também que os outros se salvassem segurando-se em tábuas ou em pedaços do navio. E foi assim que todos chegaram em terra sãos e salvos (At 27.42-44).

23) Paulo chegou à ilha de Malta e depois foi levado para Roma (At 28.1-31).

23.1) Paulo na ilha Malta – Milagrosamente salvo da morte após picado por uma víbora e operando sinais curando enfermos (At 28.1-10)

● O navio que transportava Paulo naufragou na ilha de Malta. Todos se salvaram, conforme Paulo havia dito, e foram recebidos com grande hospitalidade pelos habitantes locais.
● Uma víbora atacou Paulo, e assim os locais pensaram que ele fosse um criminoso, pois a justiça o teria perseguido mesmo tendo escapado de morrer afogado. Contudo ele não sofreu nenhum mal, impressionando os malteses.
● Paulo ficou hospedado na casa de Públio, o principal da ilha e provável governador romano de Malta, curou seu pai e outros doentes, mostrando o poder de Deus.

23.2) Últimos registros do livro de Atos: O ministério de Paulo em Roma

Após deixarem Malta em outro navio, Paulo chegou em Roma e foi recebido pelos cristãos locais. Ainda prisioneiro, foi autorizado a morar, por sua conta, em uma casa, tendo por companhia um soldado que o guardava, gozando de certa liberdade para pregar.
Paulo convocou os líderes judeus em Roma para se explicar publicamente. No livro de Atos são mencionadas seis reuniões dessa natureza (cf. At 22.1-21; 22.30 a 23.10; 24.10-21; 25.1-12; 26.1-29 e 28.16-22), nas quais Paulo esclareceu sua situação e pregou sobre Jesus.
Os judeus em Roma não tinham informações sobre Paulo, mas estavam cientes que a fé cristã estava sendo considerada um seita e rejeitada pela liderança religiosa.
Alguns judeus creram, mas outros rejeitaram a mensagem. Paulo citou o profeta Isaías (Is 6.9-10) para justificar sua falta de fé. Paulo declarou que a salvação seria enviada aos gentios e que eles a ouviriam, cumprindo a promessa de que o evangelho alcançaria o mundo todo.
● Com a ajuda de seus leais companheiros de trabalho (cf. Cl 4.10; Fm 24), Paulo evangelizou Roma (cf. Fp 1.13; 4.22).
O livro de Atos termina com Paulo em Roma, recebendo todos que o procuravam, pregando sem impedimentos por dois anos, mostrando a continuidade e expansão da Igreja de Cristo.


Resumo analítico do livro de Atos realizado pela equipe do Site Rei Eterno
Notas próprias e de pesquisas deversas
Diversas notas foram extraídas ou inspiradas da Bíblia de Estudo MacArthur


 

Compartilhe

You may also like...

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.