Por que Jesus foi batizado?

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Este é o segundo de dezenas de sermões de John MacArthur sobre todo o Evangelho de Marcos. Veja detalhes e links no fim do texto.


Nossa adoração é sempre mais rica e melhor quando é informada pela gloriosa revelação de Deus nas Escrituras. A parte mais importante de nossa adoração é o entendimento que informa nossos louvores. E assim, como parte de um culto, sempre nos voltamos para a Palavra de Deus, para que possamos ter mais para louvar ao Senhor, pois oferecemos a Ele nossa adoração.

Estamos no capítulo 1 de Marcos, e nosso texto nesta manhã é dos versículos 9 a 11. Como o texto trata de um evento tão monumental, temos que nos concentrar apenas nele nesta manhã. Gostaria de cobrir mais versículos, mas não será proveitoso, porque esses três são muito significativos. Marcos 1: 9 a 11:

9 E aconteceu naqueles dias que veio Jesus de Nazaré da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão.
10 E logo, quando saía da água, viu os céus se abrirem, e o Espírito, qual pomba, a descer sobre ele;
11 e ouviu-se dos céus esta voz: Tu és meu Filho amado; em ti me comprazo.

Você se lembra de que Marcos introduz sua história, no versículo 1, como “princípio do do evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus”, e depois, nos versículos 2 a 8, ele descreve o ministério de João Batista, que foi o precursor e anunciador da chegada do Filho de Deus. Agora, finalmente, no versículo 9, ele começa a história real do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo.

Ele começa essa história não com a genealogia de Jesus, nem com anúncios angélicos, nem com o registro de Seu nascimento – não há pastores, nem anjos, nem homens sábios em Marcos. Ele não diz nada sobre José ou Maria, nada sobre a infância de Jesus, nada sobre Sua juventude, nem sobre Sua idade adulta. E como apontei da última vez, não há profecias do Antigo Testamento na abertura de Marcos, exceto uma que se refere a João Batista, porém nenhuma que se refira a Jesus Cristo.

Marcos salta direto para a história de Jesus no primeiro evento público de Nosso Senhor, Sua primeira aparição pública, isto é Seu batismo, sobre o qual acabei de ler. De acordo com Lucas 3:23, nosso Senhor já tem cerca de 30 anos de idade nessa época. Então, Marcos pula todos os 30 anos anteriores e começa sua história com o ministério público do Senhor.

Quando o Senhor chegou para Seu batismo, João Batista estava pregando há cerca de seis meses, da melhor maneira que podemos discernir. Subindo e descendo o vale do Jordão, de norte a sul, batizando todas as pessoas que estavam inundando a Judéia e Jerusalém para chegar até ele, João Batista estava pregando arrependimento e confissão de pecado para a limpeza do coração, simbolizada em um batismo, para que as pessoas escapassem da ira que estava por vir na chegada do Messias e entrassem na bênção de Seu Reino.

Sua mensagem era de julgamento, uma mensagem de ira, julgamento ardente, e ele advertia o povo de que eles tinham que escapar daquele julgamento que o Messias traria, para entrarem em Seu Reino, e a única maneira era através de arrependimento e confissão de seus pecados. Num dia de verão, provavelmente no ano 26 d.C., entre as multidões que estão vindo até João, está Jesus. Esta é a única vez no Novo Testamento que vemos Jesus e João juntos – a única vez.

João Batista, como eu disse, está pregando arrependimento há seis meses. Ele é bem conhecido na terra de Israel por esse ministério. Todo mundo sabe que seu batismo era de arrependimento e confissão de pecados, para escapar do julgamento. Quando Jesus chega para ser batizado, João ainda tem mais seis meses pela frente, antes de ser preso. São mais seis meses nos quais João estará pregando essa mesma mensagem, após o batismo de Jesus.

No final de cerca de um ano, ele é preso por Herodes, fica encarcerado por um período de um ano e, para saciar sua esposa, Herodes ordena a decapitação de João. Então, este é o encontro dos dois – Jesus e João Batista – registrado no Novo Testamento. Embora eles tenham se contactado por meio de seus discípulos, não há outra indicação de que eles tenham se encontrado. Mas, este encontro é monumental. Esta reunião tem um significado abrangente e importante, porque nesta ocasião ocorreu a coroação do novo Rei.

Lembre-se de que eu lhe disse que no mundo gentio, assim como no mundo judaico, a palavra “euaggelion”, que traduzida é evangelho, tinha a ver com a ascensão de um rei, a chegada de um rei ao seu trono. E Marcos está escrevendo sobre o grande Rei de Deus, o novo Rei que está por vir, que declarará uma nova era para o mundo. Esta é a coroação Dele. O próprio João nos foi identificado como João Batista. Ele é João Batista no versículo 4, porque o que ele está fazendo é muito estranho.

Entre os rituais e cerimônias do judaísmo, não havia batismos regulares. Havia certas lavagens cerimoniais para as mãos e pés, mas não havia batismos rituais cerimoniais, imersões na água, como o que João estava fazendo. E é por isso que ele era chamado de o batizador, porque o seu batismo era único, e esse nome o diferenciava de todas as outras pessoas chamadas João, porque ninguém mais batizava assim.

Então, ele estava fazendo algo que era muito, muito raro e único e, portanto, ele é João Batista. Mas, além disso, o fato de João batizar Jesus era algo muito estranho e até ofensivo. O batismo de Jesus foi algo embaraçoso até para os primeiros crentes. Mesmo após os primeiros escritos do Novo Testamento, as pessoas ficaram confusas sobre o porquê de João Batista ter batizado Jesus, porque o batismo de João era um batismo de arrependimento.

Foi embaraçoso para alguns dos primeiros cristãos pensarem no fato de que Jesus precisava se arrepender, que Jesus talvez tivesse que confessar alguns pecados, que Jesus precisava, de alguma forma, acertar Sua vida para que Ele não caísse sob o julgamento divino. O batismo de Jesus é tão estranho e tão bizarro, que ninguém o teria inventado. Realmente o registro do batismo de Jesus é um golpe nos críticos que amam atacar a divindade de Jesus e gostam de retirar das páginas das Escrituras qualquer coisa que os ofenda, como se fosse algum tipo de história falsa.

Mas os críticos têm dificuldade em descartar o registro do batismo de Jesus, porque se o relato sobre Jesus nas Escrituras fosse falso, os escritores dos Evangelhos nunca colocariam em seus livros um evento tão embaraçosa de entendermos, mas só registrariam feitos notáveis de Cristo, no objetivo de persuadir os leitores. Porém, o relato do batismo de Jesus o tornaria menos do que Ele realmente é, se o objetivo dos escritores do Novo Testamento fosse criar um mito. Portanto, os críticos têm dificuldade com este evento, que aparece nos quatro Evangelhos.

É impossível que alguém tenha inventado isso, que o Senhor Jesus Cristo, o Santo, o Filho de Deus tenha sido batizado por um profeta judeu, com um batismo relacionado ao pecado, arrependimento, confissão, perdão. Isso é realmente difícil de explicar. E não é apenas difícil, talvez para nós entendermos ou para os cristãos no passado entenderem, mas foi realmente difícil até mesmo para João Batista entender.

Vá para Mateus, capítulo 3. João teve o mesmo problema que qualquer um teria, à primeira vista. O versículo 13 de Mateus, capítulo 3, relata que: “Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele”, sendo que a palavra traduzida aí como “veio” é “paraginomai”, que significa “fazer uma aparição pública”. Jesus, literalmente, faz Sua aparição pública, primeiro passo em público, e nesse evento Ele deveria ser declarado como o Messias, saindo da obscuridade de 30 anos.

Ele chega no Jordão, vindo a João com o propósito de ser batizado por ele. Por isso Ele veio. Não é um encontro privado, pessoal, pois todas as pessoas estão lá, as multidões estão todas lá, elas estão todas lá, vindas de todos os lugares de Israel. E João realmente não consegue lidar com o fato de Jesus comparecer ao seu batismo. João tentou impedi-Lo. Quando Mateus registra, no verso 14, “Mas João o impedia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”, o tempo do verbo “impedir” no grego é imperfeito, dando o sentido de que ele tentava continuamente impedi-Lo.

Eles entraram em um impasse. João não queria batizar Jesus. Não fazia sentido para ele. Agora, João sabia sobre Jesus? Claro que sim, eles eram parentes. Não sabemos se eles se viram quando crianças, jovens ou mesmo adultos – a Bíblia não nos dá nenhuma indicação disso. Mas Isabel, mãe de João Batista, e Maria, mãe de Jesus, eram parentes. E você lembra que eles se encontraram, ainda quando nos ventres de suas mães, e ambos foram milagrosamente concebidos.

João nasceu primeiro que Jesus. E cada um deles conhecia as circunstâncias da gravidez e do nascimento um do outro. Então, acredite, sempre que houve um evento em família ou sempre que houve um banquete em Jerusalém ou na Páscoa, essas mães devem ter se reunido, certamente o fizeram, em algumas ocasiões. Isabel sabia muito bem que Maria foi informada de que seu filho seria o Filho de Deus e seria chamado de filho santo, e que Ele seria chamado Jesus, porque o anjo disse a ela que esse seria o Seu nome, porque Ele salvaria Seu povo de seus pecados.

O único que poderia salvar as pessoas do pecado seria Aquele que não tinha pecado. Tão certamente Isabel sabia que Jesus, o filho de Maria, era o Filho de Deus, o Santo, sem pecado. E você pode imaginar a conversa quando Isabel e Maria se encontravam. Por mais espiritual que fosse Maria, seria difícil não falar sobre seu filho perfeito. Você pode imaginar que a conversa era algo como Maria dizendo a Isabel: “Como está seu filho?” E Isabel: “Estranho, muito estranho. Você sabe, ele viveu toda a sua vida no deserto. E Como está seu garoto? ”, ao que Maria responderia: “Perfeito”. Quero dizer, quem poderia resistir a não falar sobre um filho perfeito, certo?

Não há dúvida sobre o fato de João Batista saber sobre Jesus. Quanto ao fato de eles terem se relacionado mais aproximadamente, não temos evidências disso. Jesus vem a João, que era Seu parente e Seu precursor, o maior de todos os profetas do Antigo Testamento. João, de acordo com o Novo Testamento, viveu toda a sua vida no deserto e Jesus viveu toda a Sua vida em Nazaré. Jesus aparece para ser batizado. E, é claro, João sabe quem Ele é.

O texto de Mateus 3:13 diz que “veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.” Essa é uma construção grega infinitiva com a preposição “para” significando propósito, ou seja Ele veio para esse propósito, para ser batizado. Isso é francamente chocante, porque o batismo de João é um batismo para os pecadores. Por que Jesus gostaria de ser batizado? Bem, isso gera algumas perguntas. Escritores antigos tinham todo tipo de sugestões malucas para explicarem o batismo de Jesus.

Escritores muito antigos sugeriram que Jesus veio para ser batizado para agradar Sua mãe. Em um livro falso chamado “O Evangelho Segundo os Hebreus”, encontramos: “Eis que a mãe do Senhor e seus irmãos lhe disseram: ‘João Batista batiza para remissão dos pecados, vamos lá e seremos batizados por ele’.” Mas Jesus lhes disse: ‘Que pecado cometi para que eu fosse batizado por ele, exceto, por exemplo, a ignorância a respeito de algum pecado?'”. Então, segundo esse falso livro, Jesus está dizendo: “Não conheço nenhum pecado, mas talvez o fato de não saber que tenha pecado seja pecado.”

Um escrito como esse transforma Jesus em um ser limitado em sua compreensão de quem Ele é. Esse Evangelho espúrio nos mostra a confusão inicial sobre o porquê de Jesus ter sido batizado. Por que Ele deveria ser batizado por João? Os gnósticos tinham uma resposta para isso. Eles disseram que Jesus era puramente um homem e apenas um homem até o Seu batismo, e no Seu batismo, o Espírito divino, o “logos”, o elemento da divindade foi infundido Nele. Mas então, como um gnóstico explicaria que, desde o nascimento, Ele foi chamado Emanuel, ou seja Deus conosco? Que desde o princípio Ele era o Filho de Deus?

Mas, se Ele não tinha pecado, se Ele não precisava de confissão, não precisava de arrependimento, se Ele não precisava de conversão, de transformação, por que ser batizado por João? Bem, João Batista se deparou com essas mesmas questões. De volta a Mateus 3:14, “João o impedia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?’”. O que ele está dizendo é o seguinte: “sou pecador, preciso ser batizado pelo Senhor, mas o Senhor não precisa ser batizado por mim.” Todos os pronomes que aparecem nessa declaração, no original em grego, são enfáticos.

O tratamento de João para com Jesus é exatamente o oposto de seu tratamento para com os fariseus e saduceus. Se você voltar para Mateus 3:7 e 8, quando João viu os fariseus e saduceus vindo para o batismo, disse-lhes: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”. Em outras palavras, “vocês precisam se arrepender genuinamente, honestamente e esse arrependimento se manifesta em frutos.”

Mas, Jesus está em uma categoria muito diferente. João se recusou a batizar os fariseus e os saduceus por causa de seu pecado e impenitência. Porém, ele tentou insistir na recusa de batizar Jesus por causa de Sua impecabilidade. Jesus estava numa posição infinitamente acima dos fariseus e dos saduceus. João sabia disso.

No evangelho de João, capítulo 1, é João Batista quem diz: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. E então, no versículo 31, ele diz: “Eu não O reconheci a princípio…”. Creio que ele sabia sobre Jesus e que Ele, o filho de Maria, era o Filho de Deus, o Santo Filho. Acredito que ele tinha informações completas sobre isso, provavelmente ele sabia disso.

Ele simplesmente não sabia como Jesus era, o que é uma indicação de que eles não viviam juntos. Ele não O reconheceu. João 1:31 diz: “Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água.” João Batista testemunhou, então, versículos 32 a 34, dizendo:

Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.

João tinha informações sobre seu primo, não O reconheceu, mas ele sabia que era o Filho de Deus. E a confirmação do céu – de que Jesus era o Filho de Deus – foi a descida do Espírito e a voz do céu que ocorreram no Seu batismo. O batismo de Jesus, então, foi uma confirmação divina, a coroação do novo Rei. Porém, no início, tudo parecia bizarro para João. Tudo parecia de alguma forma errado.

O que João está declarando aqui em sua resistência em batizar Jesus é fundamentalmente importante para a identidade de Jesus, é um testemunho acerca de Sua perfeição, porque João está dizendo o seguinte:

Você não precisa de arrependimento. Você não precisa do batismo de arrependimento, este é um batismo para os pecadores. Você não está nessa categoria.

Essa é uma das maiores afirmações da impecabilidade de Cristo nas páginas dos Evangelhos. João está dizendo que Jesus é santo, puro, imaculado e separado dos pecadores. Hebreus 4:15, “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.”

A revelação das Escrituras é clara neste incrível e estranho acontecimento – o batismo de Jesus – que não teria sido inventado por alguém que quisesse fazer com que Jesus parecesse bom, pois se assim o fosse, o lógico seria omitir que Jesus compareceu a um batismo de arrependimento, destinado a pecadores.

João está afirmando a impecabilidade de Jesus. Ele não precisa de arrependimento. Bem, por que, então, Ele seria batizado? Por que Ele mergulharia no rio simbólico da morte, como se precisasse morrer para a vida antiga e emergir para uma nova vida?

Alguns dizem: “Bem, Jesus estava apenas se submetendo a um ritual de iniciação para sacerdotes”. Mas, tal conclusão não tem suporte bíblico. Alguns dizem que foi um batismo de prosélito, para que Ele pudesse se identificar com os gentios. Porém, não há qualquer indicação de que isso estava em Sua mente.

Alguns dizem que Ele estava validando a autoridade de João como profeta e arauto. Alguns dizem que foi um ato vicário – substitutivo – como a cruz, na qual Ele realmente comprou justiça e perdão para os crentes. Nenhuma dessas explicações está correta.

Eu creio que a melhor coisa a fazer é deixar Jesus falar por Si mesmo e explicar para nós o porquê de Seu batismo. E assim, vamos voltar para Mateus 3 e ver o que Ele disse. “Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora…’, em outras palavras, “permita-o neste momento”. É idiomático. Ele está dizendo: “Pare, João, pare de Me atrapalhar, confie em Mim, esse batismo é incomum, mas é necessário, permita-o agora, pois é necessário cumprirmos toda a justiça”.

Quando João ouviu “para que se cumpra toda justiça”, então ele se rendeu. O que isso significa, “cumprir toda a justiça”? Significa fazer tudo o que era justo. Fazer absolutamente tudo o que Deus exigia. João batizava porque Deus exigiu? Sim. Acabei de ler em João 1:33: “Aquele que me enviou para batizar na água me disse…”. Deus havia lhe dado a mensagem, e Deus havia lhe dado essa responsabilidade de batizar. Essa é a vontade de Deus.

Jesus estava dizendo, em outras palavras: “Se é isso que Deus ordena, então Eu, como homem, devo fazer o que Deus ordena, independentemente do fato de Eu ser santo, devo me submeter ao batismo, pois assim serei obediente.” E essa é uma das ideias mais maravilhosas sobre a obediência absoluta, abrangente e completa de Cristo à vontade de Deus. “Se Deus disse que isso deve ser feito, Eu farei isso.

É essa perfeita obediência de Cristo que é imputada a você e a mim quando depositamos nossa confiança nEle. É o que chamamos de “justiça ativa”. Eu disse isso em conexão com 2 Coríntios 5:21: “Aquele que não conheceu pecado se tornou pecado por nós, para que nos tornássemos a justiça de Deus Nele.” Deus coloca nosso pecado sobre Jesus, Deus coloca a justiça de Jesus sobre nós. Estamos cobertos pela justiça de Cristo.

Em Filipenses 3:9, Paulo diz: “não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé.” O que isso realmente significa? Bem, significa simplesmente que, quando Jesus morreu na cruz, Deus O tratou como se Ele tivesse vivido a vida de cada um dos eleitos. E Deus O castigou como se o nosso pecado fosse o pecado Dele. Agora, por causa disso, Ele trata os salvos como se vivessem a vida de Cristo. Então, Cristo viveu uma vida perfeita, com perfeita obediência a tudo que Deus ordenou, incluindo o batismo, para que Sua vida perfeita pudesse ser creditada em nossa conta.

Quando Deus olha para a cruz, Ele vê você carregando o peso do pecado. Quando Ele olha para você, ele vê Cristo te cobrindo com Sua justiça. Ele fez tudo o que Deus disse para ser feito, por ser perfeitamente justo, perfeitamente obediente, e é essa vida perfeitamente justa que foi creditada na conta dos eleitos, como se todos eles a vivessem. É isso que justificação significa.

Mas, há um segundo aspecto, uma outra maneira pela qual Jesus cumpriu toda a justiça, não apenas ativamente, através de Sua obediência, mas passivamente, através de Sua morte. A justiça exigiu Sua morte. A justiça de Deus exigiu a morte que Jesus morreu. A justiça exige que uma penalidade seja paga. A justiça sustenta a lei, e a lei deve ser satisfeita, o pecado deve ser punido. Cristo, ao ser batizado então, identifica-se simbolicamente com os pecadores, como faria mais tarde na cruz.

Jesus estava dizendo a João, “deixe-Me ser batizado. Tomei uma resolução solene para suportar o pecado e a culpa dos pecadores pelos quais morrerei.” Ele é realmente o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele teve que ser batizado para satisfazer o requisito de Sua justiça ativa e de Sua justiça passiva também. E então, João O batizou.

Agora, vamos ver o que aconteceu – volte para Marcos 1. Vamos voltar para esta coroação. Versículo 9, “Naqueles dias…”. Que dias? Os dias do ministério de João Batista, delineados nos versículos 2 a 8. Assim, “aconteceu naqueles dias que veio Jesus de Nazaré da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão.”

Agora, lembre-se, Marcos está escrevendo de Roma para romanos, principalmente gentios, que seriam os primeiros leitores e ouvintes deste Evangelho. Por isso ele enfatiza a Galileia, pois essa região é retratada na Bíblia como a “Galileia dos gentios”.

Não sei se você conhece a história da Galileia. Era originalmente parte da terra conquistada por Josué, por volta do século VIII. Foi invadida pelos assírios, que deportaram os judeus, e muitos gentios vieram morar lá. No segundo século, os judeus tentaram circuncidar aqueles gentios que ocupavam a Galileia. Eles tentaram incorporar todos eles ao judaísmo. Assim, quando você chega ao ministério de João Batista, há muitos gentios nessa área. Por isso se chama “Galileia dos gentios”. De fato, essa região era odiada ou tratada com desprezo e desdém pelos judeus.

Uma das alegações que foram ditas sobre Pedro, em Marcos 14:70, foi: “Ele não é galileu?” Não havia nada além de desprezo pela Galileia. De fato, quanto mais distante alguém estivesse de Jerusalém, mais desdém teria que suportar. E a Galileia ficava bem distante de Jerusalém. Era a periferia, onde moravam as pessoas consideradas impuras.

Em João 7, versículo 40, algumas pessoas disseram, quando ouviram Jesus: “Este certamente é o profeta”. Outros estavam dizendo: “Este é o Cristo”. Ainda outros estavam dizendo: “Certamente o Cristo não virá da Galileia, não é?” Seria impensável que o Messias viesse da Galileia, a Galiléia dos gentios, aquele lugar desprezado.

E, no entanto, aqueles judeus se esqueceram de Isaías 9: “Mas para a que estava aflita não haverá escuridão. Nos primeiros tempos, ele envileceu a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos fará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios.” Essa é a profecia messiânica, de que o Messias viria da Galileia dos gentios, o Messias viria da terra de Zebulom e Naftali. Essa é a Galileia, parte norte de Israel.

Além disso, a cidade é Nazaré era tão sem importância, que precisava ter sua localização estabelecida no texto. E Marcos o faz, mostrando que Nazaré era localizada na Galileia. Se ele simplesmente dissesse que Jesus veio de Nazaré, ninguém saberia onde era Nazaré. Não há lugar na literatura judaica existente, ou na antiga, onde Nazaré é mencionada. Não é mencionada por Flávio Josefo, não está no Talmude, não está no Antigo Testamento. Nazaré, de fato, era um lugar obscuro e sem importância.

E, para os judeus, a proximidade de Jerusalém era tudo. A suposição era que o Messias viria de Jerusalém, pois o templo estava lá,era o centro do judaísmo, embora o núcleo do judaísmo fosse corrupto e apóstata. Porém, o que os profetas disseram era que o Messias viria da periferia, do lugar mais afastado do núcleo religioso apóstata judaico.

E assim, Jesus veio e foi batizado por João no Jordão. Apenas uma palavra sobre o Jordão: você pode imaginar o Jordão como um rio grande e poderoso. Mas não é assim que ele é. O rio Jordão tem aproximadamente 200 km de comprimento, apenas 5,20 metros de profundidade e, na sua parte mais larga, 18,30 metros de diâmetro. Logo, é um rio de dimensões bastante inexpressivas. Mas João Batista estava lá, longe de Jerusalém, no deserto, longe da civilização, porque o centro do judaísmo estava corrompido.

João estava batizando, como havia sido ordenado por Deus, e Jesus veio a ser batizado. “Baptizō”, a palavra grega, significa “mergulhar na água”, Jesus foi imerso. O batismo é um símbolo da purificação do antigo que leva à novidade de vida. Jesus foi batizado porque Deus ordenou que todos fossem batizados e, como Ele era um homem, então cumpriria toda a justiça.

Em segundo lugar, Ele foi batizado como um ato simbólico de atravessar o rio da morte, levando os pecados do Seu povo. O verso 10, de Marcos 1, nos diz que “imediatamente após deixar a água, viu os céus rasgando-se e o Espírito descendo até Ele na forma de uma pomba.” A propósito, Marcos ama essa palavra, “imediatamente”, ele a usa onze vezes no capítulo 1, para que entendamos a fluência dos fatos que ele descreve.

Marcos quer nos manter em movimento. Lucas acrescenta, capítulo 3:21 e 22, “e no momento em que Ele estava orando, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba…”, mostrando que Jesus estava em comunhão com o Pai o tempo todo. A expressão usada por Marcos – “deixar a água” ou “sair da água” é uma indicação de que Ele estava imerso. Isso não significa que Ele caminhou na margem do rio, significa que Ele saiu da água.

A cena é trinitária. O relato do batismo de Jesus é um dos grandes textos trinitários nas Escrituras. Quando Ele sai da água, a coroação acontece. A coroação do Rei foi em duas etapas, uma visual e uma audível. Primeiro, veio a unção pelo Espírito Santo e, segundo, a declaração do Pai.

Vamos olhar para a primeira etapa, para a unção pelo Espírito Santo. “imediatamente após deixar a água, viu os céus rasgando-se e o Espírito descendo até Ele na forma de uma pomba.” Esta não foi uma visão, como um sonho, algo que não estava de fato acontecendo. Sabemos que não foi uma visão, porque João 1:32 registra o que João diz: “Vi o Espírito descendo do céu como uma pomba e permaneceu sobre Ele.” E não há razão, com base nas Escrituras, para pensarmos que as outras pessoas também não viram o mesmo.

Não foi uma visão, mas uma realidade visível, diferente, por exemplo, da visão de Ezequiel 1. João viu o céu se abrindo. Este é um sinal de Deus invadindo o tempo e o espaço. Quero dizer, isso é tremendo. Agora, lembre-se, Deus já não falava há quatrocentos anos. Foram quatrocentos anos de silêncio divino, até que um anjo veio e falou com Zacarias e Isabel. Depois outro anjo veio e falou com José e Maria. Mas nada disso foi em público. Os céus foram fechados por quatrocentos anos. E agora, eles se abriram.

Ele viu o céu se abrindo, e Marcos usa um verbo que Mateus e Lucas não usam – “schizō”- que significa rasgar. É dramático, os céus se rasgaram. Essa palavra é usada apenas uma outra vez no Novo Testamento, quando o véu no templo, na morte de Cristo, foi rasgado de cima para baixo. Isso é muito significativo, porque Isaías falou muito sobre a vinda do Messias. No capítulo 64 de Isaías, encontramos o clamor do coração do profeta: , “Oh! se fendesses os céus, e descesses, e os montes tremessem à tua presença…”.

Isaías e o povo estavam esperando que Deus abriria os céus, desceria e tornaria conhecido Seu nome, que chegaria o dia em que os céus silenciosos se abririam e Deus viria. O texto de Isaías 64 é um clamor para Deus fazer exatamente isso, entrar na História. E os judeus viam esse texto como evidência de que o Messias viria e o céu se abriria e Deus viria.

Há um documento interessante, datado de 250 a.C., chamado “O Testemunho de Levi”. Nele, parece que o autor estava assistindo ao batismo de Cristo 250 anos antes de ele ocorrer. Ele diz: “Os céus serão abertos e do templo da glória, com uma voz paterna, a glória do Altíssimo brotará sobre Ele.” Isso soa como uma prévia do batismo de Cristo.

O drama do momento, como eu disse, é intensificado pelo verbo “esquizo”, que significa rasgar. Deus está prestes a descer, “e o Espírito como uma pomba que desce sobre Ele.” O céu se abre, e você poderia pensar em algo violento acontecendo, algo desabando. Mas o Espírito, como uma pomba, desceu sobre Ele.

Agora, antes de tudo, pessoal, o texto não está dizendo que o Espírito Santo é uma pomba. Eu sei que existem pombas em capas da Bíblia, em toda a parafernália e equipamento dito sagrado, simbolizando o Espírito Santo, mas o Espírito Santo não é uma pomba. Não é isso que o texto está dizendo. Simplesmente diz que o Espírito Santo desceu visivelmente. Lucas diz “o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba…”, em Lucas 3:22.

A questão central aqui não é que o Espírito Santo seja uma pomba. A questão é: como uma pomba desce?. Você entende a diferença? Uma pomba não cai. A pomba é, de acordo com um texto das Escrituras, o mais gentil dos pássaros. Desce levemente, delicadamente, e repousa em seu lugar. Foi assim que o Espírito Santo veio. Isso é tudo o que o texto está dizendo. Não está dizendo que o Espírito Santo é uma pomba.

O Espírito Santo não é retratado em nenhum lugar nas Escrituras como sendo uma pomba. Também não tem nada a ver com a pomba que Noé enviou para fora da arca, como muitos comentaristas tentam dizer, o que é impossível. Uma pomba é um pássaro muito gentil, bonito e delicado, e o Espírito desceu de alguma forma visível com o mesmo tipo de gentileza e beleza que são exibidas quando uma pequena pomba pousa suavemente.

Isso é importante, porque Isaías deixou bem claro que, quando o Messias viesse, Ele seria capacitado pelo Espírito Santo. Portanto, esta é a confirmação de que Jesus é o Messias, porque o Espírito veio sobre Ele. Ouça Isaías 11:1, que diz: “Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo.” Jessé é o pai de Davi, o Messias viria da linhagem de Davi. O verso seguinte diz: “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Essa é uma profecia messiânica.

Isaías 32, verso 15, diz: “até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então, o deserto se tornará em pomar, e o pomar será tido por bosque.” Os judeus sabiam que quando o Reino Messiânico chegasse, quando a glória Messiânica chegasse, seria com todo o poder do Espírito Santo.

Ouça Isaías 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios.” Essas são profecias. O Messias teria o poder da presença total do Espírito Santo. João 3:34 diz que Deus deu a Jesus o Espírito sem medida, ou seja, sem limite. Isso não acontece conosco. Todo mundo tem o Espírito na medida. Até o Novo Testamento diz que mesmo aqueles que vivem na era do Espírito Santo recebem uma medida do Espírito.

Mas, Jesus recebeu o Espírito sem medida, a presença plena, todo o poder do Espírito Santo desceu e descansou sobre Ele. Ele recebeu a presença infinita e o poder do Espírito, para que toda a vida de Jesus fosse controlada pelo Espírito Santo. Toda a Sua vida foi controlada pelo Espírito.

Correndo o risco de simplificar demais algo profundamente misterioso e fora do alcance de todos nós, deixe-me ver se posso lhes dar uma maneira de entender isso: o Homem Jesus também é o Filho de Deus, ou seja, é uma divindade eterna, e aquilo que é divino em Jesus foi transmitido à Sua humanidade através do Espírito Santo.

Como diz a Escritura, Ele cresceu em sabedoria, estatura e favor para com Deus e o homem. Foi o Espírito Santo que dispensou ao homem Jesus as realidades que O amadureceram. É assim que você precisa entender. O Espírito Santo é o mediador entre a divindade e a humanidade de Jesus. John Owen argumenta que Sua natureza divina não comunicou nada diretamente ao Jesus humano. Mas, tudo passava pela mediação do Espírito Santo, pois isso fazia parte de Seu esvaziamento próprio, como é dito em Filipenses 2.

Através do Espírito Santo, veio o poder divino, a compreensão, a revelação, de modo que Sua natureza humana estava sob o controle total do Espírito Santo, de modo que tudo que Ele fez, Ele o fez no poder do Espírito. George Smeaton, um teólogo escocês do século XIX, diz que devemos atribuir ao Espírito todo o progresso no desenvolvimento mental e espiritual de Cristo, todo o Seu progresso, conhecimento e santidade.

O Espírito foi dado a Jesus, em conseqüência da união pessoal, em uma medida que nenhum homem poderia possuir, constituindo o elo entre Sua divindade e Sua humanidade, transmitindo perpetuamente a plena consciência de Sua personalidade e tornando-O interiormente consciente de Sua Filiação divina em todos os momentos. Este é um grande mistério que sempre deve ser considerado.

Todas as obras de Jesus, todas as Suas palavras foram mediadas por meio do Espírito Santo, sendo um mediador entre Sua divindade e Sua humanidade, de modo que em Mateus 12, quando os judeus disseram: “Você faz o que faz e diz o que diz pelo poder de Satanás”, lembram-se disso? Pelo poder de Belzebu. Jesus disse: “Vocês blasfemaram contra o Espírito Santo.” ou seja, “Se essa é sua conclusão, que tudo o que digo e o que faço vem de Satanás, você acabou de blasfemar contra o Espírito Santo, porque é pelo Espírito Santo que faço tudo isso”.

O Espírito Santo foi o mediador de tudo, de todo conhecimento, toda ação no ministério de Jesus. Foi o Espírito Santo que O levou a pregar, que O autorizou a pregar, como dizem os escritores dos Evangelhos. Foi o Espírito Santo que O levou ao deserto para ser tentado. Eu amo Hebreus 9:14, pois novamente fala sobre esse belo relacionamento, diz o seguinte: “muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”

Como Jesus chegou à cruz? Através do poder e vontade do Espírito Santo, através do Espírito eterno, Ele se ofereceu a Deus como sacrifício na cruz. No jardim, Ele diz: “Pai, deixe passar este cálice de Mim… existe alguma maneira de contornar isso?” Essa era a Sua humanidade. Mas foi o pelo Espírito eterno que Ele foi até a cruz. Pelo poder do Espírito, Ele foi à cruz.

Quando Jesus saiu da sepultura, Romanos 1:4 diz: “foi designado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor”.

Foi o Espírito que deu vida a Ele, pois foi concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo. Foi o Espírito Santo que ministrou a Ele para que crescesse em sabedoria e favor para com Deus e os homens. Foi o Espírito Santo que veio sobre Ele em Seu batismo, sinalizando que tudo em Seu ministério seria transmitido de Sua divindade para a Sua humanidade através da ação do Espírito Santo. Portanto, a vinda visível do Espírito Santo é uma afirmação divina, visual. O Antigo Testamento diz que o Espírito estaria sobre Ele, e visivelmente foi assim.

Em segundo lugar, você tem afirmação audível do Pai. Versículo 11: “E uma voz saiu do céu: ‘Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo‘.” Quando o céu se abriu, o Pai Se apresentou de forma audível. Em João 8:18, Jesus disse: “O Pai testifica de mim.” Muitos testemunharam sobre Ele, mas o testemunho do Pai é o mais importante de todos. E qual é o testemunho do Pai? “Você é meu Filho amado” – Ele é realmente o Filho de Deus – “em quem me comprazo”. Jesus é o Filho Santo.

Nenhum profeta jamais ouviu isso. O profeta Abraão foi chamado amigo de Deus. Os profetas foram chamados de homens de Deus, foram chamados servos de Deus. Nenhum profeta jamais foi chamado filho de Deus. Esse título – filho de Deus – é retirado do Salmo 2, versículo 7, que os judeus reconheciam universalmente como sendo um Salmo Messiânico: “Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.

O Messias seria o Filho de Deus. Isso está no centro da realidade da pessoa de Jesus Cristo, e mais de cinquenta vezes nos Evangelhos Ele é chamado de Filho de Deus. O que isso significa? Que Ele é um em essência com Deus, que Ele tem a mesma natureza de Deus. É isso que significa ser um filho. Refere-se a ser co-igual, co-eterno. Ele é, na linguagem de Hebreus 1, o esplendor da glória de Deus, a representação exata da natureza de Deus. E assim, todos os anjos de Deus O adoram.

Não só Ele é Deus, mas Ele é amado por Deus. É o Filho Amado – “agapētos”, no grego – é o Filho do amor do Pai. O artigo definido aí serve para indicar que Ele é o Filho único. Sabe, quando você tem muitos filhos e muitos filhos, precisa dividir o amor. Mas você se lembra? Se você voltar a Gênesis 22, à história de Abraão e Isaque, Abraão recebeu ordens de Deus para sacrificar seu filho, e Deus continuou dizendo isso a ele, três vezes em Gênesis 22, versículos 2, 11 e 16: “teu filho, teu único filho”.

Isaque era o único filho que Abraão tinha gerado com Sara, era filho do seu amor, seu único filho. E quando o Pai se refere a Jesus como o Seu Filho amado, isso quer dizer que é o Seu único Filho, o único que tem a mesma natureza que Ele, é o Filho do Seu amor, não havendo ninguém como Ele. Você se lembra de Isaías 42:1 que lemos há pouco? “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma”, ou seja “em você estou muito satisfeito.” Esse é o testemunho do Pai acerca da perfeição santa e sem pecado do Messias, o Filho de Deus.

Temos o testemunho de João Batista acerca da perfeição de Jesus. Temos um testemunho tácito do Espírito Santo acerca de Sua perfeição. E então, temos o testemunho verbal do Pai sobre a perfeição de Jesus, completamente sem pecado. Assim, o batismo de Jesus é a cena da coroação do Messias. Representou a apresentação divina do novo Rei, o Filho de Deus sem pecado, ungido e alimentado pelo Espírito Santo, o Filho amado de Deus que veio para salvar pecadores e estabelecer Seu Reino. Esta é a Sua coroação oficial.

Para encerrar, para entender sua importância, quero que você vá a Marcos 11. Na trajetória da vida de Cristo, encerrando Seus últimos dias, os líderes de Israel O encontram no templo, no versículo 27, onde os principais sacerdotes, escribas, anciãos vieram a Ele – no versículo 28 – e começaram a Lhe perguntar: “Com que autoridade fazes tu estas coisas? ou quem te deu tal autoridade para fazer estas coisas?”. A que coisas eles se referiam? Curas, expulsar demônios, ressuscitar os mortos, ensinar com autoridade.

Jesus lhes respondeu assim, versos 29 e 30: “Também eu vos perguntarei uma coisa, e respondei-me; e então vos direi com que autoridade faço estas coisas: o batismo de João era do céu ou dos homens? respondei-me.” E o que Ele faz? Ele os leva de volta a qual evento? O Seu batismo. Uau! Foi no batismo onde Sua autoridade foi estabelecida. Foi lá que o Espírito de Deus veio, ungindo-O.

Foi no Seu batismo que o Pai O respaldou verbalmente. Foi lá que Ele recebeu total autoridade para agir, para perdoar pecados, autoridade para curar os doentes, para ressuscitar os mortos, autoridade sobre demônios, autoridade para determinar a verdade e o destino eterno. Jesus os estava perguntando: “Então, vocês me dizem: o batismo de João foi do céu ou dos homens?”.

Naquela ocasião em que isso ocorreu, acredite, gerou muita discussão. Eles começaram a raciocinar entre si, dizendo, versos 31 e 32:

Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que o não crestes? Se, porém, dissermos: Dos homens, tememos o povo. Porque todos sustentavam que João verdadeiramente era profeta.” Respondendo a Jesus, eles disseram, verso 33: “Não sabemos. E Jesus lhes replicou: Também eu vos não direi com que autoridade faço estas coisas.

Em outras palavras, Jesus estava dizendo:

Se vocês não reconhecem Minha coroação, se não reconhecem o significado do Meu batismo, a discussão termina aqui, não tenho mais nada a lhes dizer. Se vocês não admitirem que João era um profeta de Deus, se vocês não reconhecerem que o que aconteceu no Meu batismo – a descida do Espírito de Deus e a voz de Deus do céu – Me confirmam como o Messias, se vocês não reconhecerem isso, não há outra coisa que Eu possa dizer sobre de onde vem Minha autoridade.

É por isso que o batismo de Jesus é um ponto crítico. Sua autoridade foi testada, logo após Seu batismo, por Satanás. Veremos isso na próxima semana. Vamos nos curvar em oração.

Pai, agradecemos novamente esta manhã pela maravilha da Palavra. A Palavra é maravilhosa e tão surpreendente para nós. Quão maravilhoso é que tudo o que aconteceu na vida de Cristo confirmou Sua afirmação de ser Teu Filho, de ser o Salvador, o Messias, o Prometido, o Profetizado. Obrigado pelo testemunho celestial em Sua coroação. Quem pode rejeitar isso? Quem pode negar isso? Quem é tolo o suficiente para fazê-lo? E eu oro, Senhor, agora por aqueles que estão aqui e que nunca abraçaram Cristo como Senhor e Salvador. Talvez estejam apenas começando a entender quem Ele é: o Cordeiro de Deus, disse João, que tira o pecado do mundo. E não há outro Cordeiro, não há outro, não há salvação em nenhum outro. Senhor, oro para que Tu salves pecadores hoje, que abras suas mentes, que despertes o entendimento deles, que dê vida aos seus corações mortos e que eles vejam a glória de Cristo e venham a Ele para se arrepender dos seus pecados e O abracem como Aquele que deu a vida por eles, a única esperança do perdão e do céu. Opere Teu trabalho, Senhor, para Tua própria honra e glória, em todos os corações. Agradecemos por tudo o que o Senhor está fazendo em nossa igreja. Oramos para que o Senhor mova o coração dos cristãos que foram desobedientes ou infiéis ou que vivem em alguns pecados, e que se tornaram cada vez mais confortáveis com seus pecados, Senhor, para que Tu os libertes disso, e que todos possamos viver para a honra de Cristo, Aquele que Se entregou por nós. Aquele que, por assim dizer, entrou no rio da morte em nosso favor, como se Ele fosse um pecador, para que sejamos tratados como se não o fôssemos. Nós abraçamos essa verdade. E ela vem com muito poder aos nossos corações. Agradecemos a consistência das Escrituras e a maravilha das mesmas, e que elas encontrem um lugar não apenas em nós, mas através de nós, que possamos declarar Aquele a quem o Senhor declarou ser Teu amado Filho como nosso amado Salvador. Que possamos fazer isso com ousadia e alegria. Oramos em Teu nome. Amém.


Esta é uma série de  sermões de John MacArthur sobre o Evangelho de Marcos. Veja abaixo os links dos sermões já publicados.


Este texto é uma síntese do sermão “The Significance of Jesus’ Baptism″, de John MacArthur em 29/03/2009.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/41-3/the-significance-of-jesus-baptism

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


Leia Também: O batismo e a unção de Jesus


 

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