O Reino Milenar (Parte 2)

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Este é o segundo, de uma série de  sermões de John MacArthur sobre o Reino Milenar de Cristo e o juízo do Grande Trono Branco (Apocalipse 20). Veja no fim desta página o link dos sermões já publicados.


Seguindo nossa trilha no livro de Apocalipse, estamos novamente no capítulo 20. Vemos neste capítulo o reino terrestre vindouro de Jesus Cristo. Esse reino é proclamado no Velho Testamento (tal como em II Samuel 7; Salmo 2; Isaías 2,11,35,40,48; Jeremias 23 e 33; Ezequiel 34; Daniel 2 e 7; Oseias 3; Joel 3; Sofonias 3 e Zacarias 14).

E no Novo Testamento, particularmente o capítulo 24 de Mateus, Jesus nos fala sobre o estabelecimento do Reino, que será no momento em que o sinal do Filho do homem aparecer no céu, Ele virá com os anjos, que reunirão os eleitos dos quatro cantos da Terra. Portanto, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estão repletos de promessas com relação ao Reino.

Deus prometeu um Reino eterno. Também prometeu que haverá um Reino terrestre. Como Deus cumprirá tudo isso? A resposta é o Reino Milenar, que é a parte terrena desse Reino Eterno. O Reino Milenar é a primeira fase do Reino Eterno de Deus.

No Antigo Testamento, as promessas a Israel, feitas por meio dos profetas, falam de um Reino terrestre, mas também falam de um Reino celestial. As profecias do Reino são eternas, estendem-se por toda a eternidade, mas ao mesmo tempo, o início dessa realização do Reino tem uma fase terrena, e esse é o Milênio, o tema deste maravilhoso capítulo de Apocalipse.

Deus prometeu um Reino terrestre, onde estarão presentes os redimidos de todas as eras. As pessoas que sobreviverem à Grande Tribulação também estarão nesse Reino, elas virão da nação de Israel e de outras nações do mundo para o Reino terrestre, na gloriosa Terra renovada e reavivada.

Esses sobreviventes da Tribulação terão filhos e, assim, a reprodução natural continuará. E muitos de seus descendentes, liderados por Satanás, rebelar-se-ão contra o Senhor no fim dos mil anos, mas serão fulminados.

E assim, mesmo no Milênio, ainda haverá um grupo de pessoas na Terra que crerão ou não. Embora o Reino Milenar será, de fato, um Reino dado ao povo de Deus por meio do cumprimento de Sua promessa, também será o tempo final em que a redenção poderá ocorrer na vida dos seres humanos.

Então, estamos olhando para Apocalipse, capítulo 20, e, em seguida veremos o capítulo 21, que trata o Reino Eterno, que é chamado de “novo céu e nova Terra”. Mas, aqui no capítulo 20, estamos realmente olhando para uma Terra restaurada quase à sua glória original, governada pelo Senhor Jesus Cristo e pelos santos de todas as eras.

Nesse capítulo (20), vemos a chegada do Reino e suas principais características. Há aqui uma descrição da estrutura desse Reino, em relação a qual podemos completar os detalhes com outras partes da Escritura Sagrada. E a base dessa compreensão é reconhecer a cronologia normal de Apocalipse, que caracteriza a interpretação pré-milenista. Assim, cronologicamente, temos:

  • Apocalipse 4 a 5: Mostra a igreja arrebatada nos céus. Apocalipse 4:4 fala de 24 anciãos (a igreja) ao redor do trono, vestidos de branco com coroas de ouro em suas cabeças. Os versículos 10 e 11 dizem: “os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, adoravam o que vive para todo o sempre e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo: Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”.  No capítulo 5:9-10 a igreja diz ao Senhor: “Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra”.
  • Apocalipse 6 a 19: Há um período de tempo chamado a grande tribulação. 
  • Apocalipse 19: Vemos o Senhor Jesus Cristo retornando e lemos que os ímpios “foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” (v.21) e a besta e o falso profeta foram lançados no lago de fogo (v.20).
  • Apocalipse 20 (1 a 6): Descreve o Reino de mil anos.
  • Apocalipse 20 (7 a 15): Logo após o fim do Milênio, Satanás será solto e sairá a enganar as nações. Ele levantará um exército, que será fulminado por Deus. Então, segue-se a ressurreição dos ímpios para o juízo do Grande Trono Branco, onde juntamente com Satanás serão lançados no lago de fogo e enxofre, a segunda morte.
  • Apocalipse 21 a 22: A criação de um novo céu e uma nova Terra. O Reino Eterno.

Essa é a cronologia simples e clara do livro de Apocalipse, e certamente é a sua chave interpretativa. Para entender o Reino Milenar, você precisa lidar com a cronologia que está aqui no livro de Apocalipse. E claramente, o Reino é colocado entre o retorno de Cristo, no final da tribulação, e a criação dos novos céus e da nova Terra. Ele se encaixa bem entre esses eventos.

  • Vimos na última vez que algumas pessoas são pós-milenistas. Entendem que a Igreja é quem vai estabelecer o Reino, que não será necessariamente de mil anos. Creem que as coisas ficarão cada vez melhor até o estabelecimento total desse Reino. E, no final, Jesus voltará. Eles sustentam esse entendimento, negando a literalidade da Bíblia e apelando para uma interpretação figurativa e simbólica, rejeitando completamente a cronologia do livro de Apocalipse.
  • Há também os amilenistas, que dizem que não haverá Reino terrestre. O único Reino que virá é o que já está aqui agora. Para eles, o Reino é apenas a era da igreja e, no final, Jesus virá. De certa forma, não é muito diferente do pós-milenismo. Os amilenistas entendem que todas as promessas de um Reino futuro, feitas por Deus feitas a Israel, são cumpridas na igreja. Ou seja, nós somos o Israel espiritual.Desse modo, não haverá futuro para Israel como nação. A era da igreja é o único Reino que existe, e quando essa era acabar, Jesus voltará. Para chegar a essas conclusões, os amilenistas adotam uma interpretação espiritualizada e não literal, e rejeitam a cronologia de Apocalipse.

Isso é apenas uma breve revisão do que dissemos no sermão anterior. Vamos avançar para o capítulo 20 de Apocalipse, onde veremos os aspectos do Reino que se desenrolam nele. Esse capítulo nos fala sobre uma estrutura geral, em que se encaixam alguns detalhes específicos existentes nas Escrituras.

À medida que o texto se desenrola, e já percorremos os dez primeiros versículos, devemos falar sobre cinco temas:

  • A prisão de Satanás;
  • O reinado dos santos;
  • O retorno de Satanás;
  • A revolta da sociedade;
  • E a ressurreição dos ímpios.

1. A PRISÃO DE SATANÁS

Apocalipse 20
1 E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão.
2 Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.
3 E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.

O entendimento literal do texto é muito claro. Um anjo desce, ele tem uma chave e uma grande corrente, ele pega Satanás, prende-o e o joga no abismo por mil anos e, no final, Satanás será solto por um período curto de tempo. Isso vai mudar dramaticamente o mundo, pois Satanás é o príncipe do poder do ar, ele é o deus desta era, ele é o espírito que agora trabalha nos filhos da desobediência.

Antes da prisão de Satanás, muitos ímpios serão mortos nos acontecimentos terríveis do juízo de Deus durante o tempo da Grande Tribulação, e aqueles que sobreviverem a esses juízos serão mortos no holocausto do Armagedom, descrito no capítulo 19. Portanto, o mundo não regenerado já foi destruído quando entramos no capítulo 20, e o anticristo e o falso profeta já jogados no lago ardente de fogo e enxofre.

Restaram, então, apenas Satanás e os demônios que ainda estão soltos. E se o Reino deve ser tudo o que Deus deseja, o inimigo tem que ser retirado. Não pode haver mil anos de paz e retidão se ele estiver em liberdade. Então, Deus remove aquele que é o adversário, o inimigo, aquele que cria o conflito.

De fato, a cabeça Satanás já havia sido esmagada na cruz, como prometido em Gênesis 3:15, e agora vem seu encarceramento antes de seu exílio final, que ocorrerá no final dos mil anos, no lago de fogo, onde Satanás e seus demônios habitarão para sempre. Então, aqui está o encarceramento de Satanás e de todos os demônios, fato crucial para o reino de Cristo e dos santos no Milênio, que será um tempo sem as obstruções e impedimentos causados por Satanás. E que mundo será esse!

Vejamos, então, o que o texto diz sobre a remoção de Satanás, no versículo 1. João diz: “E vi”. A pequena frase “E vi” é uma indicação de alguma sequência de eventos, tal como ocorre no capítulo 19, versículo 11, “E vi o céu aberto”; no versículo 17, “E vi um anjo que estava no sol”; e no versículo 19, “E vi a besta, e os reis da Terra, e os seus exércitos reunidos”. E agora, o capítulo 20: “E vi descer do céu um anjo”.

Não é muito difícil entender que há uma sequência real aqui. Versículo 4: “E vi tronos”; versículo 11: “E vi um grande trono branco;” versículo 12: “E vi os mortos”. João está fazendo uma sequência de fatos através dessa tremenda visão do estabelecimento do Reino, num passo de cada vez. Os principais passos são indicados por essa pequena frase, “e vi”, que indica outra faceta dessa imensa visão que João está tendo do retorno do Senhor Jesus Cristo e do estabelecimento do Reino.

Agora diz: “E vi um anjo”. Podemos especular que esse anjo seja um anjo específico. Poderia ser, como observado no capítulo 12, versículo 7, Miguel, que é indicado como um anjo de talento único e de uso exclusivo em algum papel significativo em nome de Deus. Você encontra, em Judas 9, que Miguel é chamado de arcanjo. Talvez alguns sugerem que esse poderia ser Miguel, por causa do evento formidável que está prestes a acontecer. Mas, é apenas especulação. O texto não nos diz isso.

Porém, certamente é um anjo poderoso, dotado de grande força, porque ele desceu do céu com a chave do abismo e uma grande corrente na mão. Ele desce do céu com uma agenda muito específica. Ele fará coisas muito específicas. Primeiro, apreende Satanás. Segundo, prende-o por mil anos. Terceiro, joga-o no abismo. Quarto, tranca-o com uma chave. Quinto, coloca um selo. Sexto, solta-o no final dos mil anos. Ou seja, ele vem com uma agenda determinada nos céus.

E você pode estar se perguntando: “O que é o abismo?”. II Pedro 2:4 o chama de “cadeias da escuridão” reservadas para julgamento. Não é o inferno final. Os anjos caídos irão para lá porque o inferno final, o lago de fogo, foi preparado para o Diabo e seus anjos (Mateus 25:41). E, finalmente, eles vão acabar no lago de fogo que queima com fogo e enxofre para todo o sempre.

Mas o diabo não é jogado nesse lugar até que os mil anos terminem. Aqui, ele é colocado no abismo, que é algum outro local de encarceramento, não o lago final específico de fogo, porque quando ele chegar ao lago de fogo, nunca mais poderá voltar, ninguém nunca será libertado de lá. Esse lugar é tão terrível, que os demônios, num embate com Jesus, “rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo” (Lucas 8:31). É um lugar de tormento, de punição e de encarceramento temporário. Mas não é um lugar definitivo.

Revisando um assunto que já tratamos um tempo atrás, podemos dividir os anjos em dois grupos: santos e caídos. Os anjos caídos podemos dividir em dois tipos: soltos e encarcerados. Os soltos são os demônios. Os outros são os amarrados, que se encontram encarcerados. Entre esses, temos ainda os permanentemente encarcerados e os temporariamente encarcerados.

Existem anjos permanentemente amarrados. Esses foram os que pecaram, de acordo com o capítulo 6 de Gênesis, e estão reservados em cadeias eternas. Então, eles entraram no abismo, e permanecerão lá permanentemente até serem transferidos para o lago de fogo.  Existem outros anjos caídos que foram enviados para o abismo, mas eles estão lá apenas temporariamente. E encontramos no livro do Apocalipse pelo menos duas ocasiões em que eles são liberados. Veja o capítulo 9:

Apocalipse 9
13 E tocou o sexto anjo a trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro que estava diante de Deus,
14 a qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos que estão presos junto ao grande rio Eufrates.
15 E foram soltos os quatro anjos que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens.
16 E o número dos exércitos dos cavaleiros era de duzentos milhões; e ouvi o número deles.
17 E assim vi os cavalos nesta visão; e os que sobre eles cavalgavam tinham couraças de fogo, e de jacinto, e de enxofre; e a cabeça dos cavalos era como cabeça de leão; e de sua boca saía fogo, e fumaça, e enxofre.
18 Por estas três pragas foi morta a terça parte dos homens, isto é, pelo fogo, pela fumaça e pelo enxofre, que saíam da sua boca.

O texto fala sobre duzentos milhões deles que foram amarrados no Eufrates, e eles serão libertados durante o tempo da Tribulação. Portanto, existem alguns demônios que estão à solta, outros que estão presos. Daqueles que estão amarrados, alguns estão assim permanentemente, outros estão temporariamente.

Os presos temporariamente atuarão para fins de julgamento durante o tempo da Tribulação. Eles serão reencarcerados no abismo, até que finalmente todos sejam lançados no lago de fogo preparado para todos eles.

Agora aqui, o anjo retratado em Apocalipse 20:1 tem uma chave, que simplesmente identifica autoridade. Se você tiver a chave, você controla a porta. O anjo tem a chave, e isso significa autoridade. Ele pode abrir e fechar. De fato, o capítulo 9 diz:

Apocalipse 9
1 E o quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na Terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo.

2 E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço como a fumaça de uma grande fornalha e, com a fumaça do poço, escureceu-se o sol e o ar.
3 E da fumaça vieram gafanhotos sobre a Terra; e foi-lhes dado poder como o poder que têm os escorpiões da Terra.
10 E tinham cauda semelhante à dos escorpiões e aguilhão na cauda; e o seu poder era para danificar os homens por cinco meses.
11 E tinham sobre si rei, o anjo do abismo; em hebreu era o seu nome Abadom, e em grego, Apoliom.

O abismo não é o inferno final, mas um lugar de encarceramento de demônios. Pode muito bem ser o lugar onde Jesus, quando foi crucificado, fez uma exibição pública diante dos demônios, enquanto Seu corpo físico estava na sepultura. Pedro diz:

I Pedro 3
18 Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado no espírito;
19 No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;
20 Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água.

Fisicamente, Jesus estava morto, mas em espírito Ele estava vivo. Isso é o que está dizendo o texto: “vivificado no espírito”. Essa não é uma referência ao Espírito Santo, mas à verdadeira vida interior de Jesus Cristo, Seu próprio espírito em contraste com Sua carne, que esteve morta por três dias. Seu espírito (divindade) estava vivo “no espírito” (Lucas 23:46).

Onde Ele foi? Bem, Pedro diz, de forma muito clara, que Ele fez uma proclamação. Ele foi lá e pregou um sermão triunfante. Assim, mesmo antes de Sua ressurreição, no domingo de manhã, Ele estava se movendo livremente no reino espiritual. E Ele foi pregar. O verbo aqui “pregar”, não é do grego “euaggelizō”, que quer dizer “pregar o evangelho”. Ele não foi a algum lugar para pregar a salvação. Aqui o verbo é “kerusso”, que significa “anunciar um triunfo”.

Pedro diz que houve um tempo em que Deus lançou os anjos caídos, que ultrapassaram os limites (Gênesis 6:1-3), no inferno, no poço de escuridão, e lá estão presos para julgamento. E ele diz que foi num momento em que Noé, o proclamador da justiça, pregou e Deus trouxe o dilúvio sobre o mundo dos ímpios. Judas 6 trata do mesmo assunto.

Apocalipse 1:18 diz que Jesus Cristo é quem tem as chaves da morte e do Hades. E Ele distribui essas chaves, nesse caso, para um anjo, no capítulo 9, para abrir o poço do abismo, e no capítulo 20, para abrir o poço também e depois trancá-lo novamente. Observe que o anjo também tinha uma grande corrente na mão. Passa a ideia da grandeza de Satanás, em certo sentido, sendo necessária uma grande corrente para amarrá-lo.

Em Marcos 5, há uma referência interessante que se relaciona com isso. Fala de um endemoniado muitas vezes preso com grilhões e cadeias, mas ele destruía qualquer coisa usada para segurá-lo. Uma legião de demônios estava naquele homem, mas não puderam resistir a autoridade de Jesus. Os demônios de Satanás podem quebrar as correntes dos homens, mas eles não podem quebrar essa corrente, descrita no capítulo 20 do Apocalipse. O próprio Satanás não pode quebrar a corrente que Deus usa para prendê-lo.

Então, Apocalipse 20:2 diz que esse anjo “prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos”. Essa é a duração do Reino Milenar. Ele prendeu o dragão. E, lembre-se novamente, que o termo “dragão” é usado no capítulo 12, versículos 3, 4 e 17, para se referir a Satanás. Por que o termo dragão se refere a Satanás? Porque enfatiza sua natureza bestial, sua ferocidade crueldade e opressão.

Ele não é apenas chamado de dragão, mas também de serpente, retratando sua natureza enganadora. II Cor. 11:3 diz que “a serpente enganou Eva com a sua astúcia”. E assim teve início a queda da humanidade. Ele também é chamado de diabo, que quer dizer caluniador. Apocalipse 10:10 diz que o diabo nos acusa perante Deus dia e noite.

Ele é um mentiroso maligno. É o pai de todas as mentiras. Em João 8:44, Jesus disse que o diabo “foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira”. Satanás significa adversário, inimigo. Ele se opõe a Deus, se opõe a Cristo e se opõe aos santos. Veja como o capítulo 12 descreve sua ação:

Apocalipse 12
7 E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos,
8 mas não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus.
9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na Terra, e os seus anjos foram lançados com ele.

Então, em Apocalipse 20:2 temos um momento em que a vitória de Cristo é exercida sobre seu inimigo. O leão que ruge (I Pedro 5:8) é vencido pelo leão da tribo de Judá (Apocalipse 5:5). E Satanás será preso por mil anos. Essa é a primeira das seis referências do número mil relacionado a esse período de tempo.

E assim, Satanás é preso durante o tempo do Reino. Isso vai alterar drasticamente o mundo. Não haverá ações, filosofias e ideologias satânicas. Não haverá ideias satânicas sobre moralidade, justiça, comportamento social e vida social. Todo o mundo demoníaco é encarcerado junto com seu líder, e Jesus Cristo estabelece a agenda para todo o mundo.

Os amilenistas nos dizem que já estamos no Reino, que este é o único Reino que haverá, que o Reino é a era da igreja, que nós somos o Israel de Deus, todas as promessas a Israel agora são cumpridas na igreja, que somos o Israel espiritual. Se isso é verdade, então Satanás deveria estar amarrado. E ele está amarrado? Acho que não. O diabo continua rugindo como um leão, buscando tragar quem está a seu alcance. Pedro alerta:

I Pedro 5
8 Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;
9 Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.

Em Atos 5:3, Pedro diz: “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?”. Em II Coríntios 5:4, Paulo fala da ação de Satanás para impedir o avanço do Evangelho: “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2 Coríntios 4:4). Em I Tess. 2:18, Paulo diz: “Por isso bem quisemos uma e outra vez ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanás no-lo impediu”. Em I Cor. 7:5 há o ensino sobre relacionamento conjugal para que “Satanás não vos tente pela vossa incontinência” etc.

Não, Satanás não está preso agora. Este não pode ser o Reino. Satanás está solto em toda parte. Mas, ele vai ser amarrado, e isso será durante o Reino que ainda está por vir. Satanás não estabelecerá mais um sistema mundial. Você diz: “Bem, isso significa que não haverá pecado?” Não, você não precisa de Satanás para pecar, o pecado é obra da carne.

Satanás não entra em sua mente e faz você pecar. Ele cria um ambiente que estimula a carne. E quando você remove o ambiente, a carne não será estimulada da mesma maneira. Justiça e paz governarão a Terra. E será um mundo exatamente oposto a tudo o que experimentamos hoje. Será o tempo do refrigério.

Apocalipse 20:3 diz que o anjo pegou Satanás “Lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos”. No original, o termo usado para “abismo” quer dizer um “poço sem fundo”. Não é ainda o lago de fogo.

Agora, todas as sete vezes que esse abismo ou poço sem fundo aparece em Apocalipse, referem-se ao lugar onde anjos caídos e espíritos malignos são mantidos em cativeiro. O lugar onde eles aguardam o encarceramento final chama-se o lago de fogo. Veja o que Isaías diz:

Isaías 24
21 Naquele dia, o Senhor castigará, nas alturas, os exércitos celestiais, e, na Terra, castigará os reis da Terra.
22 Serão ajuntados como presos em masmorra e encerrados num cárcere; e, depois de muitos dias, serão castigados.

Quem é o exército do céu? Anjos. Esses anjos mencionados no texto de Isaías 24 são anjos maus. O Senhor punirá naquele dia os anjos maus. Dá para se compreender que Isaías está vendo a mesma cena: esses anjos caídos ficando confinados por um período de mil anos, e depois disso irão para o castigo eterno. Isso acontecerá depois, após o julgamento do Grande Trono Branco, no final do Milênio. Todos os não-salvos de todas as eras, serão ressuscitados, levados ao Grande Trono Branco, e eles, juntamente com todos os anjos caídos e Satanás, o falso profeta e a besta, serão todos jogados no lago de fogo.

Apocalipse 20:3 também diz que depois que o anjo joga Satanás no abismo, “fechou-o e pôs selo sobre ele”. Ele estará acorrentado com uma grande corrente. Ele estará trancado no abismo com uma chave. O abismo será fechado e selado, para que o mundo não possa ser influenciado por Satanás.

Você pode estar perguntando: “Bem, se Satanás não vai enganar as nações no milênio, então todo mundo que nascer das pessoas redimidas que entraram no Reino se tornarão cristãos?” A resposta é: não. Haverá homens que rejeitarão a Cristo, mesmo vivendo no maravilhoso Reino. Isso mostra a profundidade do pecado. Essas pessoas amarão a iniquidade.

No Milênio não haverá injustiça, haverá paz em todos os lugares e a justiça prevalecerá. Veremos isso mais adiante. Esses ambientalistas que dizem estar protegendo e preservando a Terra, deveriam esperar para ver o que Jesus vai fazer com a Terra. Porque na Tribulação haverá profunda destruição do planeta, e Cristo renovará a Terra.

2. O QUE ACONTECERÁ COM A TERRA NA TRIBULAÇÃO E COMO ELA SERÁ RESTAURADA NO MILÊNIO?

Vamos ver algumas ideias a respeito disso, no campo da ciência:

  • Os violentos terremotos e convulsões durante o tempo da Tribulação terão nivelado todas as cidades poluídas de um mundo pecaminoso, para facilitar a construção de novas comunidades limpas e pacíficas no início do Milênio.
  • Esses grandes movimentos de terra também terão eliminado as grandes cadeias de montanhas e ilhas do mundo, preenchendo as profundezas do oceano e restaurando a topografia e geografia suaves e habitáveis em todo o mundo, como havia acontecido na era antediluviana antes dos levantes cataclísmicos do dilúvio.
  • Como o profeta Isaías predisse, todo vale será exaltado, todo monte e colina será reduzido. O torto ficará reto, os lugares ásperos, lisos. Os profetas também dizem que as ilhas vão fugir. Essa reversão dos acidentes topográficos que tinham sido produzidos pelo dilúvio, no entanto, não fará com que as águas cubram os continentes novamente – em outras palavras, elas não inundarão o globo, já que muitas das águas do oceano já terão sido re-elevadas acima da atmosfera, restaurando em certa medida as águas antediluvianas acima do firmamento, o dossel de água, ou firmamento.
  • A configuração do mundo da primeira metade da Tribulação, as explosões cataclísmicas dos corpos celestes durante os julgamentos das trombetas, e as radiações solares intensificadas dos julgamentos das taças contribuirão para a transposição de vastas quantidades de vapor de água de volta à atmosfera. A Terra, então, voltará a ser protegida, como era antes do dilúvio. Protegida dos raios ultravioletas do sol, e é por isso que as pessoas viverão muito mais tempo, como antes do dilúvio.
  • Provavelmente, os imensos movimentos tectônicos, os terremotos, as erupções e deslizamentos de terra também poderão deter grandes quantidades de água sob novos depósitos sedimentares e vulcânicos, restabelecendo em parte os reservatórios primitivos pressurizados das profundezas, como a Bíblia chama, facilitando o nascimento de abundantes fontes artesianas, incluindo uma que alimentará o vasto rio emergente do templo milenar de Jerusalém, descrito por Ezequiel e Zacarias. E os mares do mundo milenar voltarão a ser relativamente estreitos e rasos mais uma vez, como nos dias primitivos.
  • Além disso, a restauração do dossel de vapor na atmosfera, envolvendo a Terra, deverá, em grande medida, restaurar o clima quente globalmente agradável do período antediluviano da Terra novamente. Os grandes movimentos atmosféricos não gerarão mais violentas tempestades, nevascas, furacões e tornados, porque as temperaturas uniformes da estufa global inibirão os movimentos de massa de ar além da extensão local.
  • No mundo original, antes do dilúvio, as únicas chuvas que haviam eram brumas da evaporação e precipitação diárias localizadas, de acordo com Gênesis 2:5, mantendo o mundo todo com temperaturas e umidade confortáveis, sustentando uma abundância de plantas e animais em todas as regiões do globo. Não havia desertos, calotas de gelo ou alturas inabitáveis de montanhas, pois tudo era muito bom. O cataclismo do grande dilúvio destruiu esse mundo maravilhoso, mas as revoltas globais da Grande Tribulação o restaurarão, em certa medida.
  • Joel escreveu: ‘Não temas, ó Terra: regozija-te e alegra-te, porque o Senhor fez grandes coisas. Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a vide e a figueira darão a sua força. E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no Senhor vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã; fará descer a chuva no primeiro mês, a temporã e a serôdia.’
  • A redefinição da topografia da Terra e a restauração de seu dossel de vapor resultarão na eliminação de muitos, se não todos, de seus terrenos improdutivos e desertos. E disse Isaías: ‘O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa.
    Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e Sarom; eles verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. (…) E a terra seca se tornará em lagos, e a Terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.’
  • De alguma forma, também ocorrerá uma grande restauração das terras e das águas da Terra, curando-se do terrível julgamento da Tribulação. Antes do grande dilúvio, os solos eram ricos em todos os nutrientes necessários e as águas potáveis eram puras e frescas nas fontes artesianas, alimentadas em reservatórios subterrâneos profundos. A destruição dessas fontes profundas e a erosão devastadora causada pelo grande Dilúvio destruíram amplamente a ecologia terrestre primitiva de Deus, deixando as terras esgotadas e as águas poluídas.
  • Originalmente, ou seja, quando tudo foi criado, todos os animais e o homem deveriam obter nutrição apenas de alimentos vegetais. Mas, sob as condições muito mais rigorosas do ambiente pós-diluviano, Deus autorizou o homem a comer carne de animal também. Evidentemente, pela mesma razão, muitos animais também tiveram que se tornar carnívoros. Essas condições foram ainda mais agravadas durante os longos séculos após o Dilúvio, com as terras cada vez mais empobrecidas e as águas ainda mais contaminadas, exigindo gastos cada vez maiores em fertilização e purificação.
  • Os transtornos traumáticos do período da Tribulação levarão essas condições ao clímax, com condições devastadoras de fome e com águas terrestres tão esgotadas e envenenadas que todos os animais do mar morrerão. Se essas condições fossem para persistir por muito mais tempo, toda a vida na Terra se tornaria impossível. De uma maneira maravilhosa, Deus usará as convulsões físicas daquele período terrível para limpar e purificar a Terra e as águas da Terra, bem como seu clima moral e espiritual.
  • Possivelmente, as explosões tectônicas e vulcânicas, e talvez até os bombardeios atmosféricos, implantarão novos suprimentos de nutrientes necessários e oligoelementos nos solos. Mesmo as multidões de animais e plantas mortas nas terras e nos oceanos, bem como os esqueletos dos milhões de homens e cavalos mortos no Armagedom e em outros lugares, podem muito bem se tornar agentes fertilizantes para a terra, pois ficarão espalhados por toda parte.
  • Terremotos e erupções mundiais sem precedentes desencadearão deslizamentos de terra e rochas, vastos e violentos, aprisionando enormes volumes de águas oceânicas sob grandes cargas de materiais sólidos, que rapidamente se tornarão pressurizados, litificados e parcialmente selados.
  • Isso provavelmente produzirá pelo menos dois efeitos. Em primeiro lugar, o fundo do mar será elevado a uma altitude mais alta do que atualmente, compensando as grandes perdas de água causadas pela restauração do dossel atmosférico e pelo aprisionamento de grandes volumes de água sob os enormes deslizamentos de terra que produziram os grandes reservatórios de água fresca. Toda a crosta em si terá se deslocado e deslizado sobre o manto terrestre, reorganizando as várias placas continentais para uma distribuição mais uniforme das áreas terrestres e marítimas.
  • Em segundo lugar, esse amplo rearranjo facilitará o desenvolvimento de um novo sistema terrestre de nascentes e rios. Isaías 41:18 diz: ‘Abrirei rios em lugares altos, e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em lagos de águas, e a terra seca em mananciais de água.’
  • De alguma forma, Deus até repovoará os oceanos. Sabemos que o julgamento da segunda taça resultará na morte de todas as criaturas vivas do mar, de modo que os peixes marinho serão destruídos. Mas, sabemos que no grande rio milenar em Jerusalém, descrito em Ezequiel 47: “E será que toda a criatura vivente que passar por onde quer que entrarem estes rios viverá; e haverá muitíssimo peixe, porque lá chegarão estas águas, e serão saudáveis, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio.” De alguma forma, o Senhor trará o peixe de volta ao mar. Ele vai ajustá-los para que eles possam viver em qualquer que seja o clima dessas novas águas.

Bem, você diz: “Isso é absolutamente verdade ou é um pouco de especulação?” Sim, há um pouco de especulação. Mas, pode não estar muito longe da realidade. Essa será a nova criação, a libertação gloriosa dos filhos de Deus. É quando a criação será libertada de sua escravidão. Quando Satanás não estiver aqui será um mundo de bem-aventurança, um mundo de condições absolutamente abençoadas.

O final de Apocalipse 20:3, “Depois dessas coisas”, ou seja, após os mil anos de ter sido mantido acorrentado, Satanás será libertado por um curto período. Por quê? Por que libertá-lo? Satanás terá a oportunidade de reunir todos aqueles que prefeririam estar em seu reino.

Lembre-se que nascerão pessoas no Milênio. Quando Jesus voltar, no fim da Grande Tribulação, Ele não matará aqueles que são crentes. Muitos serão martirizados, mas muitos ainda estarão vivos. Haverá pessoas nesse Reino Milenar, de todas as línguas, tribos e nações, e todos farão parte desse Reino. Todos serão crentes inicialmente, e se reproduzirão e terão filhos, e a Terra se multiplicará rapidamente. O crescimento exponencial da população durante esse período de mil anos povoará a Terra.

E acerca de todas as pessoas nascidas durante esses mil anos, a Bíblia diz que “nunca mais haverá nela uma criança que viva poucos dias, e um idoso que não complete os seus anos de idade; quem morrer aos cem anos ainda será jovem” (Isaías 65:20). Mas, desses que nascerão no Milênio, muitos rejeitarão a Cristo. E então, Satanás volta para reunir os rebeldes.

Você vê isso nos versículos 7 e 8. Satanás é libertado de sua prisão para enganar as nações e reuni-las para a guerra, e o número delas é como a areia da praia. Isso não é incrível? Multidões rejeitaram a Cristo quando Ele esteve aqui pela primeira vez, embora Ele tenha andado e falado com elas. O mesmo acontecerá no Milênio.

Algumas pessoas pensam que todos aceitariam a Cristo, se Ele fosse apresentado de maneira bem inteligente. Quem poderia ser mais inteligente em se apresentar do que o próprio Cristo? E há tantos que irão rejeitá-Lo, multidões, como a areia do mar.

Satanás ainda não está acorrentado. E não devemos ignorar seus planos ardis. Em II Cor. 2:11 Paulo diz: “para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios”. Mas, no Milênio ele estará acorrentado e não poderá mais tentar as nações.

3. O REINADO DOS SANTOS

Vamos olhar para o segundo elemento, que ocorrerá após a prisão de Satanás: o reinado dos santos. E isso está nos versículos 4, 5 e 6.

Apocalipse 20
4 E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.
5 Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.
6 Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos.

A segunda característica do Reino Milenar é o reino dos santos. Agora, lembre-se, obviamente que o Supremo Rei é Cristo, aquele que “na sua veste e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” (Ap. 19:16). A Escritura diz que reinaremos com Cristo. De alguma forma, estaremos envolvidos na expressão de Sua vontade. Seremos Seus agentes, realizando Sua vontade no mundo. Ele destruirá Seus inimigos, como vemos no final do capítulo 19 e estabelecerá Seu Reino.

Ele se tornará Rei dos reis e Senhor dos senhores, mas reinaremos junto com Ele, realizando Sua vontade. Ele será o Rei, ninguém poderá contradizer o que Ele disser. O anjo disse a Maria:

Lucas 1
32 Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai,
33 e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.

Ele veio como Rei, foi rejeitado como Rei, morreu como um Rei desprezado. Ele retornará como Rei dos reis e Senhor dos senhores para reinar, e nós reinaremos com Ele. Seria como dizer a todas as autoridades do mundo, seja em que nível for, que os santos terão a autoridade delegada do próprio Senhor Jesus Cristo para realizar Sua vontade em toda parte.

Então, haverá verdade na educação, haverá justiça nos tribunais, haverá padrões morais mantidos em todas as áreas da vida humana. Haverá honestidade na imprensa. Não haverá poluição nas livrarias. Os livros serão cheios de verdade. E a televisão será preenchida apenas com o que é verdadeiro e que cumpre a agenda do Senhor Jesus Cristo. Os santos serão responsáveis pela televisão, rádio, educação, vida social, o processo judicial, o processo legislativo, todos os aspectos do governo. Seus santos reinarão com Ele.

Que mundo Maravilhoso será! E os santos não terão que tentar descobrir o que fazer em cada caso, porque todos serão glorificados e perfeitos, e assim realizarão perfeitamente a vontade de Cristo. Que pensamento incrível! Não teremos reuniões de comitê, ou outras quaisquer, não precisaremos tentar entender sobre nada, saberemos tudo. Simplesmente aplicaremos a agenda do Rei, que será abundante e perfeitamente clara para todos nós.

E quando João vê a visão do reinado dos santos, ele primeiro olha e vê um panorama de todo o povo de Deus ressuscitado, recompensado e reinando com Cristo. Versículo 4: “E vi tronos.” Esta é a primeira coisa que ele vê: tronos. Existem apenas dois tipos de tronos: trono judicial (onde o juiz está sentado) e o trono real (onde o rei toma seu lugar). É um local de autoridade judicial ou real. Nós vamos governar, isto é, imporemos a vontade de Deus e julgaremos.

E, a propósito, não há necessidade do sistema de freios e contrapesos para a garantia do equilíbrio dos poderes, porque esses líderes e juízes serão todos perfeitos. A justiça será executada perfeita e rapidamente. E o Senhor governará com uma vara de ferro, o que significa julgamento instantâneo e rápido.

João diz: “Vi tronos”. É um tempo de reinar e governar. Não há nenhuma maneira de você dizer que isso é o que estamos vivendo agora, como dizem os amilenistas. Os santos estão governando agora? Estamos reinando? Estamos nos tronos? Satanás está preso? Impossível!

O mundo do Milênio será um mundo completamente diferente. E será perfeitamente adequado para substituir o mundo que agora existe e que será destruído na Tribulação. É por isso que minhas preocupações ecológicas são muito limitadas. Quero fazer minha pequena parte, mas sei para onde esse mundo está indo. E não precisamos salvar a Terra, salvar o planeta. Devemos nos preocupar é em salvar as pessoas.

E o verso 4 continua: “E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar”. Quem são eles? Bem, eles são as pessoas que o Senhor colocou no trono. E quem Ele prometeu que colocaria no trono? Quem Ele prometeu que reinaria? Quem Ele prometeu que governaria com Ele? Quem Ele prometeu que estaria em Seu Reino, glorificado e exaltado, ao lado do grande Rei?

Daniel 7
18 Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e possuirão o reino para todo o sempre e de eternidade em eternidade.
22 Até que veio o ancião de dias, e foi dado o juízo aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino.
27 E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.

Três vezes o texto diz que o Reino será dado a quem? Aos santos. A soberania, o domínio, a grandeza de todos os Reinos sob todo o céu serão dados ao povo, aos santos do Altíssimo. Então, os santos do Antigo Testamento estão incluídos aí também.

Mateus 19
27 Então, Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos; que receberemos?
28 E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.
28 E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna.

O capítulo 7 de Daniel nos diz que os santos do Antigo Testamento vão reinar. Mateus, capítulo 19, diz que todos os apóstolos e todos os demais que seguiram a Cristo vão reinar. Se o Reino já é agora, como os santos do Antigo Testamento estão reinando? E se o Reino é agora, como estão reinando os apóstolos e todos os que seguiram Jesus durante Sua vida? E onde estão os doze tronos julgando as doze tribos de Israel? Você vê, você precisa simplesmente ignorar qualquer interpretação literal para chegar a essa visão amilenista.

I Coríntios 6
2 Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas?
3 Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?

II Timóteo 2
12 Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará.

I Pedro 2
9 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

Pedro diz que somos um sacerdócio real, ou seja, reinante. Então, o que temos? Daniel falando sobre os santos do Antigo Testamento; Jesus falando sobre os apóstolos e todos os que O seguiram; e o apóstolo Paulo dizendo que os santos do Novo Testamento vão governar e reinar. Você vem ao livro do Apocalipse, e ouvimos repetidamente sobre isso.

Apocalipse 2
26 E ao que vencer e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações,
27 e com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai,
28 dar-lhe-ei a estrela da manhã.

Apocalipse 3
21 Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.

Apocalipse 5
9 E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação;
10 e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.

Então, os santos do Antigo Testamento e os santos do Novo Testamento vão reinar com Cristo. A essa altura, quando o Reino começar, todos terão ressuscitado, todos terão seus corpos glorificados. Os que foram arrebatados antes da Grande Tribulação receberam também corpos glorificados. No final do tempo da Tribulação, segundo Daniel 12:2, teremos a ressurreição dos santos do Antigo Testamento, para levá-los ao Reino em sua forma glorificada. Todos os santos de todas as eras reinarão.

Você diz: “Espere um minuto, você deixou um grupo de fora. E os convertidos que foram mortos durante a grande tribulação?”

Apocalipse 20
4 E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram decapitados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.

Quem são esses? Os mártires da grande tribulação. O termo traduzido por “decapitados” é um termo geral para execução, assassinato. Eles serão assassinados por se recusarem a receber a marca da besta. Esses convertidos na Grande Tribulação também reinarão com Cristo, juntamente com os santos de todas as eras. Eles voltarão à vida e reinaram com Cristo por mil anos.

Você os encontra em Apocalipse 6:9; 18:24 e 19:2. São os mesmos que não adoraram a besta, ou a sua imagem, e não receberam a marca na testa ou na mão. Lembre-se dos capítulos 13 e 14, de que maneira o anticristo exigirá adoração? O falso profeta exigirá que eles adorem a imagem do anticristo, esse ídolo falante, e que recebam a marca na testa ou na mão. Mas esses são os que não aceitarão. Esses são os santos da Tribulação. Eles não aceitarão adorar a besta, e então, serão mortos, serão fiéis até a morte. Eles também serão ressuscitados para reinar no Milênio. Apocalipse 20:5 diz que essa é a primeira ressurreição.

Apocalipse 20:4 diz que eles “viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”. A palavra traduzida como “viveram” significa ressurreição. É a mesma palavra é usada em João 11:25, quando Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá, e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá”. É também usada com esse sentido em Romanos 14: 9, Apocalipse 1:8; 2:8; 13; 14. E até é usada dessa maneira em Apocalipse 20:4, bem como no versículo 5, que diz que “os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos”.

Agora, teremos os santos do Antigo Testamento em corpos glorificados, aqueles que seguiram a Cristo em corpos glorificados, os cristãos do Novo Testamento em corpos glorificados, os santos da tribulação em corpos glorificados, todos esses serão ressuscitados e recompensados reinando no Reino, e eles reinarão com Cristo por mil anos. Portanto, durante o tempo do Reino, temos o governo de Cristo no mundo, e os santos reinarão com Ele.

I Coríntios 15:24 diz: “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder”. Por fim, Cristo reinará supremamente, mas, sob Cristo, reinaremos com Ele até que finalmente o Reino termine na Terra e Ele estabeleça esse Reino eterno, onde Deus é tudo em todos.

Apocalipse 20:5 diz que “Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos”. Os ímpios também terão uma ressurreição, mas para comparecerem ao juízo do Grande Trono Branco (versos 11 a 15). A primeira ressurreição é gloriosa para aqueles que estiverem nela, mas a segunda ressurreição é para uma sinistra condenação.

Apocalipse 20
6 Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos.

Por que eles são tão abençoados? Bem, veremos isso na próxima vez, quando virmos como será esse Reino Milenar. Vamos nos curvar juntos em oração.

Pai, obrigado por este tempo maravilhoso em Tua Palavra hoje à noite, tempo transcendente, nos elevando deste mundo para aquele mundo glorioso que virá, onde Jesus Cristo reinará como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Oh, Pai, quão privilegiados somos, quão abençoados, quão ricos somos por sermos capazes de viver à luz daquele grande Reino, de antecipá-lo, de saber que estaremos lá com todos os santos de todas as épocas. Agradecemos por Teu maravilhoso plano e projeto. Louvamos por Tua graça que chegou até nós e nos tornou cidadãos do Reino.

Nossa cidadania não está aqui, está com o Senhor, está no céu. Pertencemos a este Reino por vir, para reinarmos e governarmos comvo Senhor, então e para sempre. Por isso esperamos, pelo que dizemos com João: “Maranata, ora vem Senhor Jesus”.

Ansiamos pela manifestação gloriosa dos filhos de Deus. Ansiamos pela redenção do nosso corpo, que é a ressurreição. Ansiamos pelo momento em que a criação não irá gemer mais, aguardando a adoção. Ansiamos pelo Éden restaurado, ansiamos pelo paraíso recuperado. Desejamos ver Jesus exaltado e governar Seu mundo sem impedimentos.

Oh, Pai, até aquela hora, que Ele reine sem impedimentos em nossas vidas e em Sua igreja, para que seja exaltado, pois Ele é digno. E oramos em Seu grande nome, Amém.


Este é o segundo de  uma série de sermões de John MacArthur sobre o Reino Milenar de Cristo e o juízo do grande trono branco (Apocalipse 20). Veja os links dos sermões já publicados.


Este texto é uma síntese do sermão “The Coming Earthly Kingdom of the Lord Jesus Christ, Part 2″, de John MacArthur em 16/10/1994.

Você pode ouvi-lo integralmente (em inglês) no link abaixo:

https://www.gty.org/library/sermons-library/66-74/the-coming-earthly-kingdom-of-the-lord-jesus-christ-part-2

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno

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