A Esperança Que Vence o Mundo

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João 16
25 Disse-vos isto por parábolas; chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai.
26 Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai;
27 Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus.
28 Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai.
29 Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma.
30 Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.
31 Respondeu-lhes Jesus: Credes agora?
32 Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo.
33 Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.

O mundo em que vivemos é sombrio e cheio de pessoas temerosas que estão lutando para fazer da vida algum sentido.
São medos pessoais, mas também coletivos. Os problemas pessoais são grandes, mas, graças aos meios de comunicação, os problemas de todo mundo também afetam as pessoas em particular.
Há um enorme depósito acumulado de questões saturadas que cada pessoa tem de enfrentar.

Famílias estão cheias de caos e desintegração. São décadas e décadas de propagação da autoestima e do orgulho, resultando em pessoas consumidas com seus próprios desejos e necessidades, impossibilitando construir relacionamentos significativos porque elas estão tão centradas em si mesmas.
Quanto mais materialista a cultura é, mais isso se torna uma realidade. Quanto mais coisas possuímos, mais as coisas ocupam o espaço em nós e menos significativos nossos relacionamentos se tornam.

Há uma espécie de angústia generalizada em nossa cultura. Mesmo no meio da prosperidade material e em uma suposta liberdade, estamos envolvidos em medos, ansiedades, dúvidas e perguntas.
As pessoas estão à procura de coisas que dão significado a vida, procurando desesperadamente algo enquanto são consumidas com o egoísmo e satisfações de seus desejos.
Elas se encontram incapazes de uma plena satisfação, de estar em paz ou de ter alguma alegria duradoura.
No coração de todas as pessoas há uma necessidade para três realidades. Há três coisas que as pessoas precisam.

Primeiro, elas precisam de amor. Elas precisam ser amadas. Elas precisam ser amadas incondicionalmente, ricamente, generosamente. Elas precisam ser amadas por alguém que conhece todas as suas falhas e ainda as ama desta forma.

Segundo, elas precisam de alguém para confiar. Alguém para acreditar. Alguém que se preocupa com seu bem-estar. Alguém em cujas mãos elas podem colocar suas vidas. Alguém que seja poderoso o suficiente, generoso o suficiente, e que tenha os recursos para fixá-los no meio de um mundo inseguro. Alguém para cuidar delas e que tem o poder para resgatá-los de todas as suas angústias.

Terceiro, elas precisam de esperança. Eles precisam saber que há um futuro. Eles precisam ser capazes de ver uma luz no fim de um túnel cada vez mais tenebroso. Saber que alguém tem um plano e tem um propósito. E que em algum lugar no futuro, algo de bom e real vai acontecer. Isto vai ser muito maior do que qualquer uma das experiências ruins que ocupam suas vidas.

Amor, fé e esperança. Alguém para te amar. Alguém que você possa confiar. Alguém que cuidará de você, te salvará, te livrará, e possa te levar a viver acima de seus problemas. Alguém para lhe dar um futuro. Amor, fé e esperança. Parece familiar? Essa é a tríade cristã. Isso é o que é oferecido a cada pessoa no evangelho de Jesus Cristo.

A Palavra fala diversas vezes dessa tríade, veja alguns exemplos:

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor (I Coríntios 13:13).

Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai (I Tessalonicenses 1:3).

E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança (II Tessalonicenses 2:16)

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós (II Pedro 1:3-4).

Essas três disposições divinas que chegam até nós que cremos no Senhor Jesus Cristo são, essencialmente, o que precisamos para viver esta vida com paz e alegria.
A paz é a ausência de angústia e de ansiedade. É a tranquilidade no meio das lutas. A alegria é vem dessa paz. Paz e alegria vêm da fé, da esperança e do amor.

Agora vamos ao texto de João (acima). Nosso Senhor está dizendo as últimas palavras aos seus discípulos. Estas palavras que Ele lhes deu no dia anterior da cruz começaram no capítulo 13.
Ele fez todos os tipos de promessas, deu-lhes todos os tipos de avisos. Ele continua falando sobre sua morte e partida. Eles estão cheios de preocupação e de ansiedade. Enquanto Jesus estava com eles, eles tiveram alguém para amá-los, para crer e para encher suas vidas de esperança.

Mas agora, ele está indo embora. Ele esta a poucas horas da morte na cruz. Além disso, Ele lhes disse coisas como estas: “Eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia… Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (João 15:19-20)
E mais esta: “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.” (João 16:2).
Ou seja, “a sociedade vai se voltar contra vocês”. Naquela época, ser expulso da sinagoga condenava alguém a uma total desgraça. A pessoa se tornava um fora da lei.

E por que este ódio do mundo contra os verdadeiros discípulos de Jesus: “Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou” (João 15:21). “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia” (João 15:19).

Em outras palavras: “O ódio do mundo contra vocês é porque vocês não fazem parte do sistema do mundo, cujo príncipe é Satanás. E eles se ressentem por isto. Porque eles não conhecem a Deus, e eles são súditos de Satanás”.
Este foi um momento sombrio para os discípulos. Jesus está perto de ser massacrado e morto. E agora Ele fala que o mundo se levantará contra seus seguidores. Ele está indo embora. Tudo parecia ficar muito pior para eles.

Ele fecha esta noite nas primeiras horas da madrugada de sexta-feira, dia da sua crucificação. Eles estão indo para o Jardim do Getsêmani. Após a oração de Jesus no capítulo 17, vem a prisão, o julgamento na escuridão da noite e então sua execução na cruz pela manhã.
Tudo chegando ao fim, e eles estão profundamente perturbados. Eles estavam profundamente perturbados.

Então, como nosso Senhor termina suas palavras nos versículos 25 a 33 de João 16 (leia o texto acima). Ele lhes oferece o conforto. E o conforto Ele lhes oferece é construído em torno destas três realidades. Você tem alguém que o ama. Você tem alguém que é confiável para sua vida eternamente. E você tem alguém que tem dado uma esperança. Ou seja, alguém que pode dar a você fé, esperança e amor.

Como você poderia ter paz em face de tudo isso? Como você poderia ter paz sabendo que Jesus estava a horas de sua morte na cruz, indo embora? Como você poderia ter paz em face da perseguição que viria e até mesmo da morte e do martírio?

Vamos começar pelo fim. O versículo 33: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”.
O que significa “mundo”? O “mundo” não significa o planeta. Significa o sistema do mal que domina a criação e a humanidade. Um sistema satanicamente operado pelo mal e infestado por demônios. É o complexo do mal que domina a vida humana. E não só tem dominado a vida humana, mas amaldiçoou todo o universo.
[Nota do tradutor: O mundo é um sistema composto por várias partes, tais como educação, ciência, artes, política, economia, entretenimento etc. Todas estas partes são governadas pelas trevas e trabalham para Satanás. Se tirarmos as partes que compõe o sistema do mundo, ele desapareceria].

Assim, você só precisa ser lembrado: Você vive em um sistema do mal. O mal domina o mundo. O mundo é governado por Satanás. Ele é o príncipe deste mundo, o príncipe do poder do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência – que é apenas um outro termo para os pecadores. É um sistema infestado por demônios e de pecadores que praticam as obras das trevas.

Você está nesse mundo. E, “No mundo, tereis aflições”. A palavra “aflições” vem do grego “θλῖψις” (thlipsis), que significa “pressão, aflição, angústia”. Você será literalmente esmagado e pressionado. Você vai estar em uma panela de pressão. Você estará em perigo. Você estará sob coação. Isto ficou claro nas palavras anteriores (capitulos 15 e 16): “O mundo vos odeia… É hostil com você”.

Nós estamos condenados à perseguição e aflição. Não podemos ficar surpresos com isto. A profecia foi nos dada: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Timóteo 3:12).

Assim, em face deste mundo de tribulação, como aqueles homens iriam sobreviver? Triunfantemente. Como? Vá até o versículo 33 novamente. “Tende bom ânimo”, ou seja, “coragem”.
Agora, isso parece ser uma espécie de resposta fraca, não é? Talvez algum tipo de uma conversa psicológica. Você provavelmente, no meio de seus piores medos, ansiedades, decepções, angústia, já teve pessoas lhe dizendo “coragem, ânimo”, mesmo sem elas entenderem a profundidade de seus problemas.
É um gesto simpático. “Anime-se”. Mas que não tem nenhum poder sobre as circunstâncias.

Mas há uma que tem este poder. Quando Jesus diz: “Coragem, Ânimo”, é algo muito diferente. A palavra “ânimo”, usada aqui, vinda do grego “Θαρσεῖτε” (tharseite), está no imperativo. Ou seja, é um comando, uma ordem.
Essa é uma questão totalmente diferente. Se o Senhor Jesus, que está no controle de absolutamente tudo, diz: “Anime-se,” isso é diferente. Isso é completamente diferente.

Esta não é apenas uma conversa bem-intencionado. É uma promessa absolutamente divina.
Os discípulos estão angustiados e aflitos. Eles estão pressionados. Eles não sabem como vão sobreviver sem Cristo. Ele era tudo o que conheciam há três anos. E nosso Senhor lhes diz: “Animem-se”.
Há três coisas que devem trazer-lhe alegria: Você é amado por Deus. Você está no cuidado eterno de Deus. Deus tem uma promessa para o futuro. Amor, fé e esperança.

Você diz: Por que as pessoas não vêm a Cristo para que eles possam ter um Deus soberano que as ame, aquele em quem elas poderiam confiar suas vidas e aquele que lhes poderia dar um futuro e uma esperança?
A resposta é simples: Elas amam seu pecado. São servas dele.
Mas para aqueles que vêm a Cristo, Ele oferece tudo o que precisam. Ele os faz saber que são amadas por Deus e estão sob os cuidados de Deus. Ele tem uma esperança para dar, e Ele está no controle de todas as coisas do universo.
Não há um momento em minha vida que não exista em mim uma alegria por causa dessas coisas, não importando o que está acontecendo ao meu redor. A paz da alma vem do amor, da fé e da esperança.

Vamos olhar para o amor. Versículos 25-26: “chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai”.
Não apenas aquela noite, mas todas as coisas que Ele tinha dito a eles o tempo todo, em três anos de ensino e instrução, era tudo sobre o Pai. Ele foi revelando Deus. Ele está revelando Deus. “Eu e o Pai somos um”.
Ele revelou o Pai. Deus foi revelado em Cristo. Jesus era a plenitude da Divindade em um corpo. Nele estava a própria sabedoria e a verdade de Deus em uma pessoa (João 1:14).

A palavra “parábola” usada no texto é do grego “παροιμία”(paroimia), que significa, basicamente, uma declaração que traz alguma luz, mas que ainda tem alguma escuridão. Uma declaração em linguagem figurada.
Jesus falou sobre ser a luz (João 8:12), a água (João 4:13-14), o pão (João 6:48). Ele falou sobre o templo de seu corpo. Ele falou sobre comer sua carne e beber seu sangue (João 6:51-58). Ele disse coisas como: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58).
E mesmo que houvesse alguma luz em tudo isso, havia um véu encobrindo parcialmente essas verdades. Eles não entendiam bem essas coisas. Somente com a descida do Espírito Santo, essas verdades ficaram claras.
Mas, agora, Ele está falando sobre a sua morte, ressurreição, glorificação e o envio do Espírito Santo. Ele era o Salvador e o Messias. Mas, não foi suficiente para aqueles homens entenderem tudo naquele momento.

Eles estavam muito relutantes em acreditar que Ele iria morrer e ressuscitar. Eles esperavam um reino, e tinham toda a suas ambições pessoais ligadas a isso.
Eles não queriam que Ele morresse. Eles não queriam que ele saísse. Isso não estava no plano deles. E assim, eles criaram um véu próprio. Este véu os impedia de entender.
Eles foram ensinados, desde pequenos, por uma forma apóstata do judaísmo, que havia criado expectativas de um messias que daria glórias a nação de Israel. Sofrimento e morte não era parte do que eles aprenderam sobre o Messias.
Jesus sabia disto: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (João 16:12) e “quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (João 16:13). Jesus confiou plenamente na obra do Espírito Santo.

Você pode perceber isso? Se você estivesse no lugar deles, naquele contexto: sem o Novo Testamento escrito, a cruz não havia ocorrido ainda, a ressurreição também não, e o Espírito Santo não havia sido derramado.
E você estivesse tentando interpretar todas as coisas que Jesus estava dizendo à luz do que não tinha acontecido ainda e contrário a tudo aquilo que você aprendeu na religião.
Mas, diz ele, versículo 25: “Chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai”.
Que hora é essa? É a hora em que o Espírito Santo seria enviado. Ele prometeu o Espírito Santo, sempre identificado como o Espírito da verdade: “Quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim” (João 15:26)

O propósito do Espírito Santo é tornar Cristo presente e residente na vida de cada crente. Por que Ele é chamado o Espírito de Cristo.
Então Jesus está falando sobre a dispensação do Espírito Santo durante o qual o Espírito de Cristo mostra a glória de Cristo e cumpre todas as promessas feitas por Cristo a seus discípulos.
“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9).

Cristo voltaria e seria revelado pelo Espírito Santo, no trabalho do Espírito em nossas vidas, na obra do Espírito e nas Escrituras. As Escrituras sagradas são uma revelação de Cristo. O Espírito Santo em nós torna-se o professor e intérprete da Escritura, a unção de Deus, que nos ensina o que a Escritura significa.
Agora temos todos esses 27 livros do Novo Testamento, inspirados pelo Espírito Santo, que desvendam todo o mistério, remove toda a escuridão e ilumina nossas mentes para a plena revelação de Cristo.

Jesus disse “Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai. Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus.” (v.26-27)
O que significa isso? Naquele dia você será capaz de falar com o Pai pessoalmente. Quando o Espírito Santo veio, passando a residir na vida deles, eles foram capazes de falar diretamente com o Pai, em nome de Jesus. Tremendo!

Deus estava simbolicamente no templo de Jerusalém, no lugar chamado “Santo dos Santos”, isolado pelo véu e apenas o sumo sacerdote podia entrar lá, uma vez por ano (Hebreus 9). E ele tinha que entrar e sair rápido, ou o juízo poderia cair sobre ele. Ele não tinha acesso a Deus.
Mas na cruz, o véu foi partido de cima para baixo (Mateus 27:51), o “Santo dos Santos” foi exposto, e Deus estava dizendo: “Todo mundo tem acesso gratuito a mim”. Jesus nos dá este acesso ao Pai em todos os dias de nossas vidas.
“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Romanos 8:15).
O que nós desejamos de Deus, nós temos acesso a ele para pedir. E se o que pedimos for consistente com a sua vontade e propósito, o Pai responde. “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (I João 5:14).

Isso por si só separa o Cristianismo do Judaísmo. E também separa o Cristianismo do catolicismo romano.
O catolicismo é uma espécie de uma forma nova do judaísmo, que diz que você não tem acesso a Deus e que você precisa de alguém para lhe dar esse acesso, como alguém da hierarquia eclesiástica.
Isso seria uma perspectiva da Velha Aliança. Mas isso é o que a Igreja Católica ensina.
Eles ensinam e têm ensinado há séculos que o acesso ao Pai vem através de Maria. E que a graça redentora de Cristo não é dada a ninguém sem a cooperação e intercessão de Maria. Uma terrível heresia.
Jesus disse que podemos ir diretamente ao Pai em nome dele. Uma mulher da linhagem pecadora de Adão tem sido colocada no lugar daquele cuja linhagem é do céu.

Agora você diz: “Bem, como podemos ter este privilégio de ter acesso direto ao Pai?”.
Veja o v.27: “Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus”.
Por que tudo isso venha a nós? Porque Deus nos ama. Deus nos ama tanto que podemos ir a Ele e pedir algo consistente com seu propósito, e sabemos que vai nos atender.
Todas as riquezas do céu estão à nossa disposição. Deus quer conceder-nos por causa de Cristo.

A primeira disposição que nos faz ser capazes de ter ânimo e coragem: O amor.

Deus ama o mundo inteiro em um sentido geral (João 3:16), mas ama aos seus servos de uma maneira especial (veja João 13:1).
A palavra para o “amor” no versículo 27 não é “αγάπη” (ágape) como você ouve as pessoas falarem. “Ágape” é o supremo amor, do sacrifício da vontade.
A palavra usada aqui é do grego “φιλία” (phileo), este é o amor da família. Profunda afeição. Deus continuamente nos ama com uma afeição profunda. Ele tem uma afeição familiar especial por aqueles que pertencem a Ele.
Ele derrama sobre os seus todas as coisas que essa afeição tem disponível. Você pode viver a vida com isso, é o bastante. Você pode não ter um monte de pessoas que te ama, mas se Deus te ama, e Ele te ama assim, você está bem. Muito bem.

E aqui está a boa notícia: Ele nos ama mesmo conhecendo tudo sobre nós.
Você pode levar as pessoas a amar você, se você não contar-lhes tudo. Certo? Assim que você começar a contar-lhes tudo, o grupo ficará menor.
Mas com Deus é diferente. Ele te ama, e Ele sabe absolutamente tudo o que há para saber sobre você. Todas as suas deficiências são conhecidas dele. Mas ele ama você e tem forte afeição por você. É uma tremenda verdade.

Agora, como nós chegamos a esse amor? Veja o versículo 27: “Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus”. “O próprio Pai o ama -” aqui vem “- porque você me amou”.
A resposta é clara: “Você me amou”, diz Jesus. Se você ama Jesus, o Pai te ama.
O Pai diz: “Este é o meu Filho amado. Ouçam a ele” (Marcos 6:7). “Este é o meu Filho amado, em quem me alegro” (Mateus 3:17).
Se você ama o Filho que Deus ama, então Deus te ama. É assim que você entra no amor de Deus – por amar o Seu Filho.

E como sabemos que amamos a Jesus? “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21).
Percebe? Porque você obedece-o. Você não apenas ama-o por quem Ele é, mas você obedece-o.
E qual o resultado disto? “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (João 14:23).

Então, o que significa ser um cristão? Não significa pertencer a uma organização ou uma tradição; significa amar o Senhor Jesus Cristo, amá-Lo com um amor que leva à obediência e adoração.
Ame a Cristo, e você vai viver nas riquezas de seu amor eternamente.
As pessoas podem entrar e sair de sua vida. Elas podem te amar e depois se voltar contra você e desapontá-lo. Mas você vai ser amado por alguém cujo amor nunca vai se esgotar ou diminuir.

É Difícil viver sem amor. As pessoas precisam de amor – qualquer tipo de amor.
Mas por que se contentar com algo temporal, flutuante, condicional, superficial, quando você pode ser amado por aquele que sabe tudo sobre você e te ama totalmente?
Paulo tinha tanta noção disto, que disse: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:21)

A segunda disposição que nos faz ser capazes de ter ânimo e coragem: A fé.

“Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus. Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai” (v. 27-28).
Em frases simples, sem uma palavra complicada, você tem toda a história da encarnação.
Não cremos que Jesus foi simplesmente um bom mestre ou um líder espiritual. Não. Ele é, essencialmente, um membro da Trindade, que Ele é Deus que veio ao mundo.

Os religiosos não creram nisso. E chegaram a dizer que Ele era um endemoninhado (João 8:48,52).
Cremos que Jesus Cristo é Deus que se tornou em carne humana, não nascido de José e Maria, mas concebido em Maria pelo Espírito Santo como Deus, o Filho. Viveu uma vida perfeita, morreu uma morte substitutiva, levantou-se fisicamente da sepultura, subiu de volta para o céu e foi exaltado com um nome que está acima de todo nome. É a base do que nós cremos.

Nenhum poder hostil obrigou Jesus deixar o céu. Nenhum poder hostil na Terra o enviou de volta.
Ele veio por sua própria vontade e do Pai. Ele fez o seu trabalho, e, em seguida, ele voltou em perfeita harmonia com a vontade de Deus e a missão que a Trindade havia ordenado.
De Deus no céu, Cristo na terra, de volta para o céu. A partir de eternidade a eternidade, e a encarnação no meio.
Este é o plano redentor.
Os discípulos não acreditavam que Jesus era apenas um rabino, apenas um bom professor. Pedro havia dito anteriormente: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16).
Agora eles são informados que Ele veio do céu, e que Ele iria voltar para o céu.
Se você crê nisso a ponto de colocar toda sua confiança e vida em Jesus Cristo, Deus torna-se seu protetor eterno.
Deus cuidará de você para sempre. Você é Seu filho.

Eu gosto da resposta no versículo 29. “Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma”.
Eles não poderiam ter compreendido tudo, mas o simples cheiro dessa verdade ilumina suas mentes. E eles creram.
Eles creram que Ele era Deus em carne humana. Eles creram que Ele veio do céu. E eles fazem a confissão no versículo 30. É incrível: “Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus”.

Esta é uma grande confissão. Como eles chegaram a essa conclusão? Eles estiveram com Jesus por três anos. Eles sabiam que Jesus sabia de tudo. Jesus lia as mentes. Jesus sabia o que eles estavam pensando.
Esse é o fundamento da fé cristã: crer que Jesus é Deus e se fez carne humana. Eles creram. Eles afirmaram sua fé.

É como um ponto alto, não é? Uau. Você diz: “Não seria ótimo se a noite fosse fechada dessa maneira?”.
Não fechou assim. No versículo 31: “Respondeu-lhes Jesus: Credes agora?”.
Então Ele lhes disse no versículo 32: “Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo”.

Jesus sabia que aqueles homens o abandonariam e fugiriam. Era a fé daqueles homens uma farsa?
Não. Era apenas uma fé fraca. Mas Jesus sabia que eles eram verdadeiros crentes, e eles eram amados pelo Pai, ainda que a fé deles fosse fraca.
O apóstolo Paulo disse: “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (II Timóteo 2:13).

Olha, nós gostaríamos de acreditar que nossa fé está totalmente madura, certo? Você não gostaria de acreditar nisso? Você não gostaria de acreditar que, não importando as circunstâncias, sua fé é madura o suficiente para descansar completamente e com plena confiança em Deus?

Pedro havia dito: “Por ti darei a minha vida” (João 13:37). E ele deu mesmo. Não com a fé que ele tinha naquele momento. Aquela fé apenas o fez fugir e negar a Jesus. Assim como os demais também fugiram.
Será que isso significava que a fé deles não era real? Não. Significa apenas que era apenas uma fé fraca. Aqueles homens superestimaram a força de sua fé.
Eu sempre digo a um novo crente que a coisa mais útil para o seu desenvolvimento não é superestimar sua força e sua fé. É ter medo de sua fraqueza. E viver humildemente.

Mas sua fé era real. Ela foi testada. Eles fugiram naquela noite de trevas. Mas na noite da ressurreição eles estavam todos juntos novamente.
E depois que o Espírito Santo veio no dia de Pentecostes, eles viraram o mundo de cabeça para baixo com a mensagem do evangelho.
Há um processo de amadurecimento. Mas eles criam. E porque eles criam Deus os manteve, e Deus os usou poderosamente quando a fé deles foi fortalecida.

A terceira disposição que nos faz ser capazes de ter ânimo e coragem: A esperança.

A sua paz vem disto (v.33): “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Essa é a esperança. Essa é a esperança.
Se você olhar para o mundo em torno de você, você diz: “O que está acontecendo no mundo? Como poderia ficar pior?”.

Ouça. Ele venceu o mundo. Tudo está planejado na eternidade. Esta é a vitória final.
O mundo pode te matar ou se voltar contra você, mas Jesus venceu o sistema mundano.
Ele venceu o pecado. Ele venceu Satanás. Ele venceu os demônios. Ele é triunfante. Sua vitória é nossa vitória.

Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”(I João 5:4-5)

Não importa como o mundo está indo. Jesus vencerá no final. É uma esperança real e absoluta.
“Graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (I Coríntios 15:57-58).

Você quer a paz em sua vida, tranquilidade no meio da turbulência? Você quer a alegria em sua vida, a exuberância positiva de encarar a vida, não importa o quão difícil a vida possa ser?
Então você precisa estar nos braços de um Deus amoroso, em quem você pode confiar sua alma, mesmo através de seus momentos de dúvida.
E um Deus que tem poder não só sobre o presente, mas o poder sobre o futuro, e já ordenou nesse futuro uma herança imaculada e gloriosa nos céus.
E isto vem a nós por amar a Jesus. Amar a Jesus é obedecê-lo. Se amarmos a Jesus, seremos amados por Deus.

Pai, nós te agradecemos por nosso tempo juntos em torno deste texto.
O Senhor, você nos deu o suficiente para inflamar nossos corações com uma disposição sobrenatural.
Em meio à desolação daquelas horas, quando os discípulos olharam para a escuridão, foi uma figura do que seria uma vida sem Jesus.
No entanto, havia um caminho para a paz, e um caminho para a alegria, e tudo foi para eles saberem que eram amados pelo Deus do universo.
Eles foram confiados aos seus cuidados eternos, e jamais perecerão.
Jesus nunca perderia Seu domínio sobre eles, mesmo em meio de seus tempos de lutas, dúvidas e dispersão.
Havia uma promessa de um futuro, uma esperança triunfante, um reino que estava por vir – o reino de nosso Senhor e do Seu Cristo.
O reino sobre a terra, e, em seguida, o reino eterno no novo céu e da nova terra.
Estas são as grandes promessas do evangelho para aqueles que se voltam para Cristo.
Que possamos prosseguir firmes para o nosso destino celestial. Em Seu nome Jesus, amém.


Este texto é uma síntese do sermão “The Hope That Overcomes the World”, de John MacArthur em 29/11/2015.

Você pode ouvi-la integralmente (em inglês) no link abaixo:

http://www.gty.org/resources/sermons/43-92/the-hope-that-overcomes-the-world

Tradução e síntese feitos pelo site Rei Eterno


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